quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Vai Querer?
O mundo é dos comerciantes
Por isso é que antes
Quando eu vendia alicates
Ganhava uns trocados
Arrancando uns dentes
E agora preciso apertar uns parentes
Pra pagar as contas
Quem vai querer
Ahê quem vai querer
Ahêê quem vai querer
Quem vai querer comprar
O mundo é dos comerciantes
Por isso é que antes
Quando eu vendia tridentes
A loja era cheia
Fiz meu pé de meia
Lucrei nos conflitos
Agora preciso espetar uns palitos
No lugar dos dentes
Quem vai querer
Ahê quem vai querer
Ahêê quem vai querer
Quem vai querer comprar
O mundo é dos comerciantes
Por isso é que antes
Quando eu matava meus porcos
Eu quase mudei
Fui morar no planalto
Mandava no povo
E agora dou facada nos incautos
E nunca devolvo
Quem vai querer
Ahê quem vai querer
Ahêê quem vai querer
Quem vai querer comprar
(Luís Capucho/Suely Mesquita)
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
"Todo excesso é uma loucura. É tão insensato exagerar na comida e bebida como na dor e na alegria."
"De todas as flores da vida, a vingança é a que mais rápido murcha."
“A vida é uma jornada calorosa, e a morte é, talvez, um sopro de vento fresco."
“A solidão é patrimônio da idade adulta.”
“Como a água gasta lentamente a pedra, assim o tempo gasta os corações.”
19/9/1908 - Mika Waltari, escritor finlandês.
"De todas as flores da vida, a vingança é a que mais rápido murcha."
“A vida é uma jornada calorosa, e a morte é, talvez, um sopro de vento fresco."
“A solidão é patrimônio da idade adulta.”
“Como a água gasta lentamente a pedra, assim o tempo gasta os corações.”
19/9/1908 - Mika Waltari, escritor finlandês.
L'inferno dei viventi non è qualcosa che sarà: se ce n'è uno, è quello che abitiamo tutti i giorni, che formiamo stando insieme. Due modi ci sono per non soffrirne. Il primo riesce facile a molti: accettare l'inferno e diventarne parte fino al punto di non vederlo più. Il secondo è rischioso ed esige attenzione e apprendimento continui: cercare e saper riconoscere chi e cosa, in mezzo all'inferno, non è inferno, e farlo durare, e dargli spazio.
_____________________Italo Calvino
O inferno dos vivos não é algo que será, se houver um, é o que vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de escapar do sofrimento. A primeira é fácil para muitos: aceitar o inferno e tornar-se parte do ponto de não mais vê-lo. A segunda é arriscada e exige vigilância constante e apreensão: procurar e saber reconhecer quem éo que, no meio do inferno, não é inferno, então fazê-los durar, dar-lhes espaço.
_____________________Italo Calvino
O inferno dos vivos não é algo que será, se houver um, é o que vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de escapar do sofrimento. A primeira é fácil para muitos: aceitar o inferno e tornar-se parte do ponto de não mais vê-lo. A segunda é arriscada e exige vigilância constante e apreensão: procurar e saber reconhecer quem éo que, no meio do inferno, não é inferno, então fazê-los durar, dar-lhes espaço.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
“Se o poeta falar num gato, numa flor,
num vento que anda por descampados e desvios
e nunca chegou à cidade…
se falar numa esquina mal e mal iluminada…
numa antiga sacada… num jogo de dominó…
se falar naqueles obedientes soldadinhos de chumbo que morriam de verdade…
se falar na mão decepada no meio de uma escada
de caracol…
...Se não falar em nada
e disser simplesmente tralalá… Que importa?
Todos os poemas são de amor!”
Mario Quintana:
num vento que anda por descampados e desvios
e nunca chegou à cidade…
se falar numa esquina mal e mal iluminada…
numa antiga sacada… num jogo de dominó…
se falar naqueles obedientes soldadinhos de chumbo que morriam de verdade…
se falar na mão decepada no meio de uma escada
de caracol…
...Se não falar em nada
e disser simplesmente tralalá… Que importa?
Todos os poemas são de amor!”
Mario Quintana:
Ninguém Perde Sempre
tive um tio chamado Sol
que era um fracasso completo e
quase todo mundo comentava que ele deveria
ter partido para o vaudeville talvez pois meu Tio Sol podia
cantar McCann He Was A Diver na noite de natal como o Diabo o
que pode ou não explicar o fato de meu Tio
Sol haver se metido na possivelmente mais imperdoável
de todas para usar uma frase pomposa
extravagâncias que é ou para aprender
a fazer criações e cultivos e seja
desnecessariamente acrescentado
a fazenda de meu Tio Sol
fracassou porque as galinhas
comeram as verduras então
meu Tio Sol teve uma
fazenda de galinhas até que
os gambás comessem as galinhas quando
meu Tio Sol
teve uma fazenda de gambás mas
os gambás pegaram gripe e
morreram então
meu Tio Sol imitou os
gambás de uma sutil maneira
ou porque se afogou na cisterna
mas alguém que havia dado ao meu Tio Sol uma Vitrola
Victor e discos enquanto ele era vivo deu-lhe de presente
à auspiciosa ocasião de seu falecimento um
delicioso para não dizer esplêndido funeral com
meninos grandes de luvas negras e flores e tudo mais e
eu lembro que todos choramos como o Missouri
quando o caixão de meu Tio Sol súbito se moveu pois
alguém apertou um botão
(e para baixo se foi
meu tio
Sol
e começou uma fazenda de vermes)
by e.e. cummings/ tradução Rodrigo Madeira
que era um fracasso completo e
quase todo mundo comentava que ele deveria
ter partido para o vaudeville talvez pois meu Tio Sol podia
cantar McCann He Was A Diver na noite de natal como o Diabo o
que pode ou não explicar o fato de meu Tio
Sol haver se metido na possivelmente mais imperdoável
de todas para usar uma frase pomposa
extravagâncias que é ou para aprender
a fazer criações e cultivos e seja
desnecessariamente acrescentado
a fazenda de meu Tio Sol
fracassou porque as galinhas
comeram as verduras então
meu Tio Sol teve uma
fazenda de galinhas até que
os gambás comessem as galinhas quando
meu Tio Sol
teve uma fazenda de gambás mas
os gambás pegaram gripe e
morreram então
meu Tio Sol imitou os
gambás de uma sutil maneira
ou porque se afogou na cisterna
mas alguém que havia dado ao meu Tio Sol uma Vitrola
Victor e discos enquanto ele era vivo deu-lhe de presente
à auspiciosa ocasião de seu falecimento um
delicioso para não dizer esplêndido funeral com
meninos grandes de luvas negras e flores e tudo mais e
eu lembro que todos choramos como o Missouri
quando o caixão de meu Tio Sol súbito se moveu pois
alguém apertou um botão
(e para baixo se foi
meu tio
Sol
e começou uma fazenda de vermes)
by e.e. cummings/ tradução Rodrigo Madeira
domingo, 16 de setembro de 2012
O LOBISOMEM
O amor é para mim um Iroquês
De cor amarela e feroz catadura
Que vem sempre a galope, montado
Numa égua chamada Tristeza.
Ai, Tristeza tem cascos de ferro
E as esporas de estranho metal
Cor de vinho, de sangue, e de morte,
Um metal parecido com ciúme.
(O Iroquês sabe há muito o caminho e o lugar
Onde estou à mercê:
É uma estrada asfaltada, tão solitária quanto escura,
Passando por entre uns arvoredos colossais
Que abrem lá em cima suas enormes bocas de silêncio e solidão).
Outro dia eu senti um ladrido
De concreto batendo nos cascos:
Era o meu Iroquês que chegava
No seu gesto de anti-Quixote.
Vinha grande, vestido de nada
Me empolgou corações e cabelos
Estreitou as artérias nas mãos
E arrancou minha pele sem sangue
E partiu encoberto com ela
Atirando-me os poros na cara.
E eu parti travestido de Dor,
Dor roubada da placa da rua
Ululando que o vento parasse
De açoitar minha pele de nervos.
Veio o frio com olhos de brasa
Jogou olhos em todo o meu corpo;
Encontrei uma moça na rua,
Implorei que me desse sua pele
E ela disse, chorando de mágua,
Que era mãe, tinha seios repletos
E a filhinha não gosta de nervos;
Encontrei um mendigo na rua
Moribundo de fome e de frio:
“Dá-me a pele, mendigo inocente,
Antes que Ela te venha buscar.”
Respondeu carregado por Ela:
“Me devolves no Juízo Final?”
Encontrei um cachorro na rua:
“Ó cachorro, me cedes tua pele?”
E ele, ingênuo, deixando a cadela
Arrancou a epiderme com sangue
Toda quente de pêlos malhados
E se foi para os campos da lua
Desvestido da própria nudez
Implorando a epiderme da lua.
Fui então fantasiado a travesti
Arrojado na escala do mundo
E não houve lugar para mim.
Não sou cão, não sou gente - sou Eu.
Iroquês, Iroquês, que fizeste?
Décio Pignatari
''As revoluções não são fatos que se aplaudam ou que se condenem. Havia nisso o mesmo absurdo que em aplaudir ou condenar as evoluções do Sol. São fatos fatais. Têm de vir. De cada vez que vêm é sinal de que o homem vai alcançar mais uma liberdade, mais um direito, mais uma felicidade. Decerto que os horrores da revolução são medonhos, decerto que tudo o que é vital nas sociedades, a família, o trabalho, a educação, sofrem dolorosamente com a passagem dessa trovoada humana. Mas as misérias que se sofrem com as opressões, com os maus regímens, com as tiranias, são maiores ainda. As mulheres assassinadas no estado de prenhez e esmagadas com pedras, quando foi da revolução de 93, é uma coisa horrível; mas as mulheres, as crianças, os velhos morrendo de frio e de fome, aos milhares nas ruas, nos Invernos de 80 a 86, por culpa do Estado, e dos tributos e das finanças perdidas, e da fome e da morte da agricultura, é pior ainda. As desgraças das revoluções são dolorosas fatalidades, as desgraças dos maus governos são dolorosas infâmias''
Eça de Queiroz
Eça de Queiroz
sábado, 15 de setembro de 2012
Dois Poemas de Yu Xuanji
Poetisa chinesa (844-869 d.C.)
•
EM RESPOSTA A POEMA DE MEU NOVO
VIZINHO A OESTE, CONVIDANDO-O
E PEDINDO-LHE VINHO
Teu poema chegou e catei-o cem vezes
cada novo sentido em um som como ouro
Busco oeste: estou pronta a vencer tua cerca
À distância, não vai o coração virar pedra?
É tão longe a Via Láctea, vazio o horizonte
Desafina-se a cítara e os rios se acordam
Tremo à falta de casa neste inverno frio
Tens bom vinho: esta noite, não bebas sozinho!
• • •
A PARTIR DE POEMA DE UM RECÉM-APROVADO CANDIDATO AO SERVIÇO PÚBLICO, EM LUTO PELA MORTE DE SUA MULHER
I
Aos imortais perdem-se as coisas deste mundo
Outonos passam como apenas um momento
Fica às cobertas o calor do amor recente
Do papagaio à jaula o eco ainda circunda
O orvalho cobre as flores, rostos que se velam
O vento verga em sobrancelhas os chorões
Nuvens dissipam-se entre cores, tornam à sombra
Pan Yue lamenta e seu cabelo acolhe a neve*
II
Da cássia, um galho ergue-se à lua, encontra a névoa
Vermelho à chuva: ao rio, mil pessegueiros brotam
À frente, ofertam vinho; aceita, enche teu copo:
são alegria e dor unidas pelos séculos
___
* *Pan Yue (247-300) foi um poeta da Dinastia Jin (265-316, Jin do Oeste) famoso por sua beleza e pela poesia de luto e melancolia. Seus “Três Poemas para Minha Esposa Morta” são particularmente aclamados. Sobre ele se diz que, quando da morte da esposa, seu cabelo tornou-se branco da noite para o dia. Sua história pessoal é associada em textos chineses ao amor inconsolável diante da morte e entregue a um luto infindável – em Yu Xuanji, há um sentido de entrada na imortalidade pelo luto, que projetaria o amor para além “desta” vida.
Mais sore Yu Xuanji:
http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=4855
Remorso
Às vezes, uma dor me desespera...
Nestas ânsias e dúvidas em que ando.
Cismo e padeço, neste outono, quando
Calculo o que perdi na primavera.
Versos e amores sufoquei calando,
Sem os gozar numa explosão sincera...
Ah! Mais cem vidas! com que ardor quisera
Mais viver, mais penar e amar cantando!
Sinto o que desperdicei na juventude;
Choro, neste começo de velhice,
Mártir da hipocrisia ou da virtude,
Os beijos que não tive por tolice,
Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse!
Olavo Bilac
Nestas ânsias e dúvidas em que ando.
Cismo e padeço, neste outono, quando
Calculo o que perdi na primavera.
Versos e amores sufoquei calando,
Sem os gozar numa explosão sincera...
Ah! Mais cem vidas! com que ardor quisera
Mais viver, mais penar e amar cantando!
Sinto o que desperdicei na juventude;
Choro, neste começo de velhice,
Mártir da hipocrisia ou da virtude,
Os beijos que não tive por tolice,
Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse!
Olavo Bilac
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
POETA DE COMBATE
Poeta de combate me chamaram.
De combate serei. Não mercenário!
Poeta de combate é um operário
das palavras que nunca se entregaram.
Poeta de combate! E porque não?
Sou poeta. Serei também soldado.
O meu canto será um canto armado
e o meu nome de guerra uma canção.
Poeta de combate me quiseram
os que cedo da luta desertaram
ou aqueles que nunca combateram.
Poeta de combate eu hei-de ser
até quando o meu povo precisar
ou nada mais houver a combater.
* Joaquim Pessoa *
in AMOR COMBATE, Moraes Editores
Litexa, "Obra Poética, vol. 01.
De combate serei. Não mercenário!
Poeta de combate é um operário
das palavras que nunca se entregaram.
Poeta de combate! E porque não?
Sou poeta. Serei também soldado.
O meu canto será um canto armado
e o meu nome de guerra uma canção.
Poeta de combate me quiseram
os que cedo da luta desertaram
ou aqueles que nunca combateram.
Poeta de combate eu hei-de ser
até quando o meu povo precisar
ou nada mais houver a combater.
* Joaquim Pessoa *
in AMOR COMBATE, Moraes Editores
Litexa, "Obra Poética, vol. 01.
terça-feira, 11 de setembro de 2012
PARA EVITAR LA MÚSICA DE LAS SIRENAS
-Eduardo Chirinos-
ESBOZO PARA UNA POÉTICA DEL MAR
Has de saber ante todo
que la poesía nos conduce a desconfiar del mar.
El mar es fuente de metáforas fáciles: muerte y nacimiento conviven en sus
[aguas,
del mar nace la vida y nuestras vidas
son los ríos que van a dar en la mar / que es el morir.
Peligroso bañarse entre sus aguas y aún mojarse los pies;
el mar seduce, su canto arrulla y nos ofrece salmos de gloria,
la música de las sirenas.
Pero no es conveniente la gloria: un poeta oscuro será siempre más valioso
[que cien héroes muertos, no lo olvides.
O mundo é minha pátria, os humanos, irmãos
O mundo é minha pátria, os humanos, irmãos
Salvador Allende e Pablo Neruda
(...)
Eu preconizo um amor inexorável.
E não me importa pessoa nem cão:
Só o povo me é considerável,
Só a pátria é minha condição.
Povo e pátria manejam meu cuidado,
Pátria e povo destinam meus deveres
E se logram matar o revoltado
Pelo povo, é minha Pátria quem morre.
É esse meu temor e minha agonia.
Por isso no combate ninguém espere
Que se quede sem voz minha poesia.
Salvador Allende e Pablo Neruda
(...)
Eu preconizo um amor inexorável.
E não me importa pessoa nem cão:
Só o povo me é considerável,
Só a pátria é minha condição.
Povo e pátria manejam meu cuidado,
Pátria e povo destinam meus deveres
E se logram matar o revoltado
Pelo povo, é minha Pátria quem morre.
É esse meu temor e minha agonia.
Por isso no combate ninguém espere
Que se quede sem voz minha poesia.
'' O indivíduo é ''livre'' . Nenhuma autoridade lhe pode dizer como ele deve se manter; cada um pode escolher trabalhar como lhe aprouver. Um indivíduo pode decidir produzir sapatos, outro, livros, um terceiro rifles, um quarto botões de ouro. Mas os bens que cada um produz são mercadorias, isto é, valores de uso, não para ele, mas para outros indivíduos.Cada um deve trocar seus produtos por outros valores que satisfarão suas necessidades.Em outras palavras , a satisfação das necessidades de cada um pressupõe que o produto do seu trabalho atenda a uma necessidade social.Mas não se pode saber com antecedência. Só quando traz os produtos do trabalho ao mercado é que se pode verificar se empregou , ou não, um tempo de trabalho social.
(...) O valor de troca das suas mercadorias decide seu destino social. A ''forma em que opera esta distribuição proporcional do trabalho, em um estágio da sociedade em que a interconexão do trabalho social se manifesta pela troca privada dos produtos individuais do trabalho, é precisamente o valor de troca destes produtos ", que assim determina a realização proporcional da necessidade social.''
Herbert Marcuse
(Os Fundamentos da Teoria Dialética da Sociedade , ''Razão e Revolução")
(...) O valor de troca das suas mercadorias decide seu destino social. A ''forma em que opera esta distribuição proporcional do trabalho, em um estágio da sociedade em que a interconexão do trabalho social se manifesta pela troca privada dos produtos individuais do trabalho, é precisamente o valor de troca destes produtos ", que assim determina a realização proporcional da necessidade social.''
Herbert Marcuse
(Os Fundamentos da Teoria Dialética da Sociedade , ''Razão e Revolução")
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
O Direito ao Delírio
Que tal começarmos a exercer
O direito de sonhar?
Que tal se delirarmos um pouquinho?
No próximo milênio, o ar estará limpo
de todo veneno
O televisor deixará de ser
o membro mais importante da família
As pessoas trabalharão para viver,
em vez de viver para trabalhar.
Os economistas não chamarão
nível de vida o nível de consumo,
nem chamarão qualidade de vida
a quantidade de coisas.
Ninguém será considerado herói
ou tolo só porque faz aquilo que
acredita ser justo, em vez de fazer
aquilo que mais lhe convém.
A comida não será uma mercadoria,
nem a comunicação um negócio,
porque comida e comunicação
são direitos humanos.
A educação não será um privilégio
apenas de quem possa pagá-la.
A polícia não será a maldição daqueles
que não podem comprá-la.
A justiça e a liberdade,
irmãs siamesas
condenadas a viverem separadas,
voltarão a juntar-se, bem unidas
ombro com ombro.
E os desertos do mundo e os desertos
da alma serão reflorestados.
Eduardo Galeano
V [vaso]
um vaso é um vaso é um vaso e o mesmo vale para qualquer palavra que seja mais profunda do que ampla. é isso? ornamento não é um vaso embora ele o contenha. palavra é como algumas pessoas chegam ao que eles pensam deva ser um vaso, para deflorá-lo. que falta de profundidade, e sagacidade. ornamento, ornamento, estou cansado de seu entediado lamento. você precisa de um amante que iria escrever um vaso uma carta: vessel, querida, você não é uma palavra
Uljana Wolf;
tradução livre by Ricardo Pozzo
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