sábado, 25 de setembro de 2010

Jules et Jim

Noite

De noite só quero vestido

o tecido dos teus dedos

e sobre os ombros a franja

do final dos cabelos

Sobre os seios quero

a marca

do sinal dos teus dentes

e a vergasta dos teus

lábios

a doer-me sobre o ventre

Nas pernas e no pescoço

quero a pressão mais

ardente

e da saliva o chicote

da tua língua dormente.

Maria Teresa Horta

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O corpo, dois corpos

o corpo da poesia



Os ombros

os seios

o ventre que sequestra



entre as pernas fechadas

a vagina

com a sua longa boca entreaberta



Pensar do corpo

o corpo da poesia



Mais os dedos do que as mãos

sobre as arestas

Mais as fendas do que o liso



Mais a ruga

Mais a ruga das coxas

e das pernas



Depois vêm os dentes e a língua

a descer no trilho brando do umbigo

bebendo o sal do suor da pele

e o fermento de um doce que não digo



Escrever do corpo

o corpo da poesia



Os pulsos tão febris

a nuca

e a garganta



O silêncio de uns olhos

que por certo queriam

ver bem mais longe do que o pubis

deixa

Maria Teresa Horta

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A Morte do Coveiro

Amor imperfeito

A perfeição

é um momento,

por demais claro.

Como repeti-la,

sem enfaro?



A perfeição,

se possuída

a todo instante

se faz rainha

suicida.



Quem já mediu

o perfeito,

rosa de prata,

mas em sua

medida exata?



Nada existe

sem o defeito

que lhe dá graça.

Só amo a graça

do imperfeito.



O perfeito

quando existe

tem o defeito

de ser triste.

(Lácrima Cristi)


Cassiano Ricardo

Vivaldi - Concerto for Mandolin in C Major RV425

Una furtiva lagrima

Una furtiva lagrima


Negli occhi suoi spunto:

Quelle festose giovani

Invidiar sembro.

Che piu cercando io vo?

Che piu cercando io vo?

M’ama! Sì, m’ama, lo vedo, lo vedo.

Un solo instante i palpiti

Del suo bel cor sentir!

I miei sospir, confondere

Per poco a’ suoi sospir!

I palpiti, i palpiti sentir,

Confondere i miei coi suoi sospir

Cielo, si puo morir!

Di piu non chiedo, non chiedo.

Ah! Cielo, si puo, si puo morir,

Di piu non chiedo, non chiedo.

Si puo morir, si puo morir d’amor.

Una Furtiva Lagrima - Enrico Caruso 1904

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Seus olhos

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, de vivo luzir,

estrelas incertas, que as águas dormentes do mar vão ferir;



seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, têm meiga expressão,

mais doce que a brisa, – mais doce que a frauta quebrando a soidão.



Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, de vivo luzir,

são meigos infantes, gentis, engraçados brincando a sorrir.



São meigos infantes, brincando, saltando em jogo infantil,

inquietos, travessos; – causando tormento,

com beijos nos pagam a dor de um momento, com modo gentil.



Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, assim é que são;

às vezes luzindo, serenos, tranquilos, às vezes vulcão!



Ás vezes, oh! sim, derramam tão fraco, tão frouxo brilhar,

que a mim me parece que o ar lhes falece,

e os olhos tão meigos, que o pranto umedece, me fazem chorar.



Assim lindo infante, que dorme tranquilo, desperta a chorar;

e mudo e sisudo, cismando mil coisas, não pensa – a pensar.



Nas almas tão puras da virgem, do infante, às vezes do céu

cai doce harmonia duma harpa celeste,

um vago desejo; e a mente se veste de pranto co’um véu.



Que sejam saudades, que sejam desejos da pátria melhor;

eu amo seus olhos que choram sem causa um pranto sem dor.



Eu amo seus olhos tão negros, tão puros, de vivo fulgor;

seus olhos que exprimem tão doce harmonia,

que falam de amores com tanta poesia, com tanto pudor.



Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, assim é que são;

eu amo esses olhos que falam de amores com tanta paixão.


Gonçalves Dias

Antonio Vivaldi Concierto en D mayor-John Williams

sábado, 18 de setembro de 2010

Solitude

Canção do meu sonho errante

Eu tenho a alma errante

e vago na terra a sonhar maravilhas…



Não para um momento!

Eu busco irriquieto o meu sonho inconstante

e sou como as asas, as velas, as quilhas,

as nuvens, o vento…



Eu sou como as coisas inquietas: o veio

que canta na leira; a fumaça que voa

na espira que sobe das achas; o anseio

dos longos coqueiros esguios;

a esteira de prata que deixa uma proa

no espelho dos rios.



Eu tenho a alma errante…



Boêmio, o meu sonho procura a carícia

fugace, procura

a glória mendaz e preclara.

Sou como a veia fenícia

ao largo, uma vela distante…



Eu tenho a alma errante…



E sinto uma estranha delícia

em tudo que passa e não dura,

em tudo que foge e não pára…

Menotti Del Picchia

Тайна Пространства

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Epigrama gastronômico

Há mil e cem anos

de poesia num só dia,

mil e cem palavras

numa só sílaba,

mil e cem páginas

numa linha

- quando abro o livro

do teu corpo, e provo mil

e cem receitas num só

amor.

Há mil e cem anos

de poesia num só dia,

mil e cem palavras

numa só sílaba,

mil e cem páginas

numa linha

- quando abro o livro

do teu corpo, e provo mil

e cem receitas num só

amor.

Nuno Júdice

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Cupido e Psique

Psique em grego significa tanto borboleta, como alma. Ela representa a alma humana purificada pela dor, preparada, assim, para desfrutar a felicidade verdadeira. A união de Cupido e Psique simboliza o encontro do amor e da alma

A Vênus de Milo

Uma estória curiosa explica a “falta” de braços da Vênus (Afrodite). Quando foi encontrada na Ilha de Milo no Mar Egeu, já estava danificada, quebrada ao meio, mas possuía os braços. O camponês que a achou quis vendê-la à oficiais franceses, mas como tardaram na aquisição da Vênus, o homem aceitou a oferta de outro comprador. Quando a escultura estava sendo embarcada para a Turquia, os franceses chegaram, e convenceram o camponês a manter o acordo de compra. Durante sua transferência para o barco, a escultura foi arrastada através de pedras e danificou-se, perdendo o que restava dos braços. Os marinheiros se recusaram a voltar para recuperá-los.

O Êxtase de Santa Teresa

Simboliza as visões que Santa Teresa teria tido, com um anjo que lhe cravava uma espada de ouro no peito. Bernini dá à obra um sentido de paz tão contemplativa, que nos desfocamos da figura desfalecida e desamparada de Santa Teresa.

Apolo e Dafne


Apolo era o mais belo dos deuses do Olimpo, senhor da Arte, da Música e da Medicina. Sua arrogância irrita Cupido, que o atinge com duas flechas de amor e outra de chumbo, em Dafne. Cupido passa a assediá-la inultimente. Desesperado, começa a perseguí-la pela floresta. Dafne sentindo-o cada vez mais próximo, suplica ao pai, o Deus Peneu, que lhe mude as formas. O pai atende o desejo da filha e, no momento em que Apolo começava a tocar seus cabelos, Dafne revesti-se de cascas, os cabelos transformam-se em folhas, os braços ramos e galhos, os pés cravam-se no solo, como raízes. Transtornado com a metamorfose da amada em arbusto – o Loureiro, Apolo chora dizendo que aqueles ramos serão sua coroa verde e vistosa, participando de seus triunfos eternamente. Quem acompanha os Jogos Olímpicos, deve se lembrar que a coroa de Louros de Apolo simboliza a vitória.

Fonte: blog leituras favre

O Rapto de Proserpina


A definição das quatros estações deriva da lenda de Proserpina (Perséfone). Diz-se que Demeter (Ceres), mãe de Proserpina, desesperada com o rapto da filha por Plutão (Hades, Deus da morte) caiu em desespero tornando o solo infertil. Atendendo a um pedido de Zeus (Júpiter), seu marido, concordou devolver a fertilidade à Terra, exigindo no entando, que Plutão lhe devolvesse a filha. Como Proserpina havia comido seis grãos de romã, não poderia abandonar definitivamente o Tártaro, submundo de Plutão. Passaria então, metade do ano nas profundezas da terra, representação do outono e do inverno, quando sua mãe, triste, descuida da natureza e, a outra metade na superfície, na companhia dos seus, o que corresponde a primavera e o verão, a terra viva e produtiva, fruto da felicidade de sua mãe Demeter, deusa das plantas.



Fonte: blog leituras favre