domingo, 26 de setembro de 2010
sábado, 25 de setembro de 2010
Noite
De noite só quero vestido
o tecido dos teus dedos
e sobre os ombros a franja
do final dos cabelos
Sobre os seios quero
a marca
do sinal dos teus dentes
e a vergasta dos teus
lábios
a doer-me sobre o ventre
Nas pernas e no pescoço
quero a pressão mais
ardente
e da saliva o chicote
da tua língua dormente.
Maria Teresa Horta
o tecido dos teus dedos
e sobre os ombros a franja
do final dos cabelos
Sobre os seios quero
a marca
do sinal dos teus dentes
e a vergasta dos teus
lábios
a doer-me sobre o ventre
Nas pernas e no pescoço
quero a pressão mais
ardente
e da saliva o chicote
da tua língua dormente.
Maria Teresa Horta
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
O corpo, dois corpos
o corpo da poesia
Os ombros
os seios
o ventre que sequestra
entre as pernas fechadas
a vagina
com a sua longa boca entreaberta
Pensar do corpo
o corpo da poesia
Mais os dedos do que as mãos
sobre as arestas
Mais as fendas do que o liso
Mais a ruga
Mais a ruga das coxas
e das pernas
Depois vêm os dentes e a língua
a descer no trilho brando do umbigo
bebendo o sal do suor da pele
e o fermento de um doce que não digo
Escrever do corpo
o corpo da poesia
Os pulsos tão febris
a nuca
e a garganta
O silêncio de uns olhos
que por certo queriam
ver bem mais longe do que o pubis
deixa
Maria Teresa Horta
Os ombros
os seios
o ventre que sequestra
entre as pernas fechadas
a vagina
com a sua longa boca entreaberta
Pensar do corpo
o corpo da poesia
Mais os dedos do que as mãos
sobre as arestas
Mais as fendas do que o liso
Mais a ruga
Mais a ruga das coxas
e das pernas
Depois vêm os dentes e a língua
a descer no trilho brando do umbigo
bebendo o sal do suor da pele
e o fermento de um doce que não digo
Escrever do corpo
o corpo da poesia
Os pulsos tão febris
a nuca
e a garganta
O silêncio de uns olhos
que por certo queriam
ver bem mais longe do que o pubis
deixa
Maria Teresa Horta
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Amor imperfeito
A perfeição
é um momento,
por demais claro.
Como repeti-la,
sem enfaro?
A perfeição,
se possuída
a todo instante
se faz rainha
suicida.
Quem já mediu
o perfeito,
rosa de prata,
mas em sua
medida exata?
Nada existe
sem o defeito
que lhe dá graça.
Só amo a graça
do imperfeito.
O perfeito
quando existe
tem o defeito
de ser triste.
(Lácrima Cristi)
Cassiano Ricardo
é um momento,
por demais claro.
Como repeti-la,
sem enfaro?
A perfeição,
se possuída
a todo instante
se faz rainha
suicida.
Quem já mediu
o perfeito,
rosa de prata,
mas em sua
medida exata?
Nada existe
sem o defeito
que lhe dá graça.
Só amo a graça
do imperfeito.
O perfeito
quando existe
tem o defeito
de ser triste.
(Lácrima Cristi)
Cassiano Ricardo
Una furtiva lagrima
Una furtiva lagrima
Negli occhi suoi spunto:
Quelle festose giovani
Invidiar sembro.
Che piu cercando io vo?
Che piu cercando io vo?
M’ama! Sì, m’ama, lo vedo, lo vedo.
Un solo instante i palpiti
Del suo bel cor sentir!
I miei sospir, confondere
Per poco a’ suoi sospir!
I palpiti, i palpiti sentir,
Confondere i miei coi suoi sospir
Cielo, si puo morir!
Di piu non chiedo, non chiedo.
Ah! Cielo, si puo, si puo morir,
Di piu non chiedo, non chiedo.
Si puo morir, si puo morir d’amor.
Negli occhi suoi spunto:
Quelle festose giovani
Invidiar sembro.
Che piu cercando io vo?
Che piu cercando io vo?
M’ama! Sì, m’ama, lo vedo, lo vedo.
Un solo instante i palpiti
Del suo bel cor sentir!
I miei sospir, confondere
Per poco a’ suoi sospir!
I palpiti, i palpiti sentir,
Confondere i miei coi suoi sospir
Cielo, si puo morir!
Di piu non chiedo, non chiedo.
Ah! Cielo, si puo, si puo morir,
Di piu non chiedo, non chiedo.
Si puo morir, si puo morir d’amor.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Seus olhos
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, de vivo luzir,
estrelas incertas, que as águas dormentes do mar vão ferir;
seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, têm meiga expressão,
mais doce que a brisa, – mais doce que a frauta quebrando a soidão.
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, de vivo luzir,
são meigos infantes, gentis, engraçados brincando a sorrir.
São meigos infantes, brincando, saltando em jogo infantil,
inquietos, travessos; – causando tormento,
com beijos nos pagam a dor de um momento, com modo gentil.
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, assim é que são;
às vezes luzindo, serenos, tranquilos, às vezes vulcão!
Ás vezes, oh! sim, derramam tão fraco, tão frouxo brilhar,
que a mim me parece que o ar lhes falece,
e os olhos tão meigos, que o pranto umedece, me fazem chorar.
Assim lindo infante, que dorme tranquilo, desperta a chorar;
e mudo e sisudo, cismando mil coisas, não pensa – a pensar.
Nas almas tão puras da virgem, do infante, às vezes do céu
cai doce harmonia duma harpa celeste,
um vago desejo; e a mente se veste de pranto co’um véu.
Que sejam saudades, que sejam desejos da pátria melhor;
eu amo seus olhos que choram sem causa um pranto sem dor.
Eu amo seus olhos tão negros, tão puros, de vivo fulgor;
seus olhos que exprimem tão doce harmonia,
que falam de amores com tanta poesia, com tanto pudor.
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, assim é que são;
eu amo esses olhos que falam de amores com tanta paixão.
Gonçalves Dias
estrelas incertas, que as águas dormentes do mar vão ferir;
seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, têm meiga expressão,
mais doce que a brisa, – mais doce que a frauta quebrando a soidão.
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, de vivo luzir,
são meigos infantes, gentis, engraçados brincando a sorrir.
São meigos infantes, brincando, saltando em jogo infantil,
inquietos, travessos; – causando tormento,
com beijos nos pagam a dor de um momento, com modo gentil.
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, assim é que são;
às vezes luzindo, serenos, tranquilos, às vezes vulcão!
Ás vezes, oh! sim, derramam tão fraco, tão frouxo brilhar,
que a mim me parece que o ar lhes falece,
e os olhos tão meigos, que o pranto umedece, me fazem chorar.
Assim lindo infante, que dorme tranquilo, desperta a chorar;
e mudo e sisudo, cismando mil coisas, não pensa – a pensar.
Nas almas tão puras da virgem, do infante, às vezes do céu
cai doce harmonia duma harpa celeste,
um vago desejo; e a mente se veste de pranto co’um véu.
Que sejam saudades, que sejam desejos da pátria melhor;
eu amo seus olhos que choram sem causa um pranto sem dor.
Eu amo seus olhos tão negros, tão puros, de vivo fulgor;
seus olhos que exprimem tão doce harmonia,
que falam de amores com tanta poesia, com tanto pudor.
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, assim é que são;
eu amo esses olhos que falam de amores com tanta paixão.
Gonçalves Dias
sábado, 18 de setembro de 2010
Canção do meu sonho errante
Eu tenho a alma errante
e vago na terra a sonhar maravilhas…
Não para um momento!
Eu busco irriquieto o meu sonho inconstante
e sou como as asas, as velas, as quilhas,
as nuvens, o vento…
Eu sou como as coisas inquietas: o veio
que canta na leira; a fumaça que voa
na espira que sobe das achas; o anseio
dos longos coqueiros esguios;
a esteira de prata que deixa uma proa
no espelho dos rios.
Eu tenho a alma errante…
Boêmio, o meu sonho procura a carícia
fugace, procura
a glória mendaz e preclara.
Sou como a veia fenícia
ao largo, uma vela distante…
Eu tenho a alma errante…
E sinto uma estranha delícia
em tudo que passa e não dura,
em tudo que foge e não pára…
Menotti Del Picchia
e vago na terra a sonhar maravilhas…
Não para um momento!
Eu busco irriquieto o meu sonho inconstante
e sou como as asas, as velas, as quilhas,
as nuvens, o vento…
Eu sou como as coisas inquietas: o veio
que canta na leira; a fumaça que voa
na espira que sobe das achas; o anseio
dos longos coqueiros esguios;
a esteira de prata que deixa uma proa
no espelho dos rios.
Eu tenho a alma errante…
Boêmio, o meu sonho procura a carícia
fugace, procura
a glória mendaz e preclara.
Sou como a veia fenícia
ao largo, uma vela distante…
Eu tenho a alma errante…
E sinto uma estranha delícia
em tudo que passa e não dura,
em tudo que foge e não pára…
Menotti Del Picchia
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Epigrama gastronômico
Há mil e cem anos
de poesia num só dia,
mil e cem palavras
numa só sílaba,
mil e cem páginas
numa linha
- quando abro o livro
do teu corpo, e provo mil
e cem receitas num só
amor.
Há mil e cem anos
de poesia num só dia,
mil e cem palavras
numa só sílaba,
mil e cem páginas
numa linha
- quando abro o livro
do teu corpo, e provo mil
e cem receitas num só
amor.
Nuno Júdice
de poesia num só dia,
mil e cem palavras
numa só sílaba,
mil e cem páginas
numa linha
- quando abro o livro
do teu corpo, e provo mil
e cem receitas num só
amor.
Há mil e cem anos
de poesia num só dia,
mil e cem palavras
numa só sílaba,
mil e cem páginas
numa linha
- quando abro o livro
do teu corpo, e provo mil
e cem receitas num só
amor.
Nuno Júdice
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Cupido e Psique
Psique em grego significa tanto borboleta, como alma. Ela representa a alma humana purificada pela dor, preparada, assim, para desfrutar a felicidade verdadeira. A união de Cupido e Psique simboliza o encontro do amor e da alma
A Vênus de Milo
Uma estória curiosa explica a “falta” de braços da Vênus (Afrodite). Quando foi encontrada na Ilha de Milo no Mar Egeu, já estava danificada, quebrada ao meio, mas possuía os braços. O camponês que a achou quis vendê-la à oficiais franceses, mas como tardaram na aquisição da Vênus, o homem aceitou a oferta de outro comprador. Quando a escultura estava sendo embarcada para a Turquia, os franceses chegaram, e convenceram o camponês a manter o acordo de compra. Durante sua transferência para o barco, a escultura foi arrastada através de pedras e danificou-se, perdendo o que restava dos braços. Os marinheiros se recusaram a voltar para recuperá-los.
O Êxtase de Santa Teresa
Simboliza as visões que Santa Teresa teria tido, com um anjo que lhe cravava uma espada de ouro no peito. Bernini dá à obra um sentido de paz tão contemplativa, que nos desfocamos da figura desfalecida e desamparada de Santa Teresa.
Apolo e Dafne
Apolo era o mais belo dos deuses do Olimpo, senhor da Arte, da Música e da Medicina. Sua arrogância irrita Cupido, que o atinge com duas flechas de amor e outra de chumbo, em Dafne. Cupido passa a assediá-la inultimente. Desesperado, começa a perseguí-la pela floresta. Dafne sentindo-o cada vez mais próximo, suplica ao pai, o Deus Peneu, que lhe mude as formas. O pai atende o desejo da filha e, no momento em que Apolo começava a tocar seus cabelos, Dafne revesti-se de cascas, os cabelos transformam-se em folhas, os braços ramos e galhos, os pés cravam-se no solo, como raízes. Transtornado com a metamorfose da amada em arbusto – o Loureiro, Apolo chora dizendo que aqueles ramos serão sua coroa verde e vistosa, participando de seus triunfos eternamente. Quem acompanha os Jogos Olímpicos, deve se lembrar que a coroa de Louros de Apolo simboliza a vitória.
Fonte: blog leituras favre
O Rapto de Proserpina
A definição das quatros estações deriva da lenda de Proserpina (Perséfone). Diz-se que Demeter (Ceres), mãe de Proserpina, desesperada com o rapto da filha por Plutão (Hades, Deus da morte) caiu em desespero tornando o solo infertil. Atendendo a um pedido de Zeus (Júpiter), seu marido, concordou devolver a fertilidade à Terra, exigindo no entando, que Plutão lhe devolvesse a filha. Como Proserpina havia comido seis grãos de romã, não poderia abandonar definitivamente o Tártaro, submundo de Plutão. Passaria então, metade do ano nas profundezas da terra, representação do outono e do inverno, quando sua mãe, triste, descuida da natureza e, a outra metade na superfície, na companhia dos seus, o que corresponde a primavera e o verão, a terra viva e produtiva, fruto da felicidade de sua mãe Demeter, deusa das plantas.
Fonte: blog leituras favre
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