quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Volte para o seu lar

Aqui nesta tribo ninguém quer a sua catequisação
Falamos a sua língua  mas não entendemos seu sermão
Nós rimos alto, bebemos e falamos palavrão.
Mas não sorrimos à toa
Não sorrimos à toa
Aqui neste barco ninguém quer a sua orientação
Não temos perspectiva mas o vento nos dá a direção
 A vida que vai à deriva é a nossa condução
Mas não seguimos à toa
Não seguimos à toa.

Arnaldo Antunes.
Pertencemos a uma comunidade única chamada espécie humana; cujo futuro é indivísivel. Em todos os estágios da vida - ecologia, economia, saúde-esta comunidade de destino é uma realidade.
Devemos traduzi-la agora em uma realidade cultural, assumi-la deliberadamente no que eu chamaria uma politica da vida.

François Miterrand.
Correio da Unesco . Julho de 1983. Ano 16/ n VII

Filipicas II

Os bens mal adquiridos esvaem-se de mau modo.
Male parta male dilabuntun.

Cícero.

A Cidade

A cidade não permite fáceis adjetivações
Aqui o vento passa ao largo turvo como boca de cão
e o sol com seus enxames  não se demora
a povoar o diálogo das janelas
Seus cubos não terminam de nos convencer
da vida numerada que estas paredes rotulam
há postes isto sim para fazer luzir as pistas
nos tabuleiros do horizonte
onde as distâncias se tornam imaginárias
Advertimos a retidão dos verdugos
nas linhas cruzadas de sua grande mão
e ao presente que a duras penas se desloca
sem deixar marca em
A cidade não admite vãs adjetivações.


Juan Calzadilla

(A Condição Urbana. p 47 )

Toda cultura nasce da mistura , do encontro, dos choques. Do contrário, é do isolamento que morrem as civilizações.

Octávio Paz.
"Gilberto Freyre disse que o Brasil era mestiço e que isso era bom.Depois veio o Darcy Ribeiro, com suas maluquices, e proclamou que o mestiço é que é bom. Criou um racismo ao contrário. O Brasil
ainda não conseguiu evacuar o problema da raça. "

Evaldo Cabral de Mello, Historiador.
Folha de São Paulo. 17 de Abril de  2000
Nossos desejos e os fatos podem ir em direção tão contrárias
que todas as estratégias caem por terra. Nossos pensamentos
nos pertencem, nossas ambições nem um pouco. As nossas ambições
pertencem  aos outros e os outros é que vão julgar.

Wiliam Shakespeare

terça-feira, 24 de outubro de 2017

1917: Apresentado o projeto da Lei Seca nos EUA


Em 8 de setembro de 1917, foi apresentado à Câmara dos Representantes nos EUA o projeto da 18ª emenda constitucional sugerindo a completa proibição de bebidas alcoólicas. A Lei Seca entraria em vigor dois anos depois.


Com o projeto apresentado no dia 8 de setembro de 1917 à Câmara dos Representantes, e que só entraria em vigor dois anos depois, começou uma nova era na história dos Estados Unidos, caracterizada pela proibição das bebidas alcoólicas.

A lei que vigorou no país por quase 14 anos condenava "a fabricação, a venda, o transporte, a importação e a exportação de bebidas alcoólicas em toda a área dos Estados Unidos e dos territórios judicialmente submetidos a eles".

Implementada com o propósito de proteger os cidadãos dos perigos gerados pelo consumo do álcool, a chamada Lei Seca acabou por provocar a disseminação de um mal ainda mais perigoso: o crime organizado. Bebidas alcoólicas passaram a ser traficadas em grande escala. Bandos rivais de criminosos de Nova York e Chicago controlavam cadeias de destilarias e bares no país. A prostituição acompanhava com frequência o consumo ilegal do álcool.

Pode-se dizer que um grupo de mulheres foi responsável pela introdução da Lei Seca nos Estados Unidos. Ainda em 1874, as participantes da conservadora União Feminina de Temperança Cristã invadiam bares e restaurantes do país como guerrilheiras carregando a bandeira da proibição do álcool. Com machados e porretes em punho, elas destruíam todo líquido que viam engarrafado.

Produtores rurais e Igrejas puritanas

Brevemente essas mulheres encontrariam o apoio dos homens às suas ideias através da Liga Antibares, formada por produtores rurais conservadores, liderados pelas Igrejas puritanas. No final do século 19, a Associação Republicana dos Abstinentes já havia conseguido implantar leis contra o álcool em alguns estados norte-americanos.

Apesar de todas as proibições, a vontade de consumir bebidas alcoólicas não foi banida dos EUA, mas apenas levada à ilegalidade. A partir da entrada em vigor da Lei Seca, uma pessoa morria por dia na guerra das quadrilhas controladoras do tráfico. A indústria de bebidas clandestinas proliferou por todo o país.

A eclosão da Primeira Guerra Mundial colocou, no entanto, o argumento decisivo na boca dos inimigos do álcool. Segundo eles, cereais, levedo, malte a açúcar eram alimentos básicos e não poderiam ser desperdiçados na fabricação de bebidas alcoólicas em tempos de guerra. Além disso, cerveja e vinho seriam produtos típicos da Alemanha inimiga. Seu consumo, logo, um ato pouco patriótico.

Elite universitária e contrabando

Entre as várias maneiras encontradas pelos cidadãos para burlar a proibição ao consumo do álcool destacou-se a reação dos estudantes da aristocrática Universidade de Yale, que trataram de fazer com que gângsters importassem para eles um estoque de uísque escocês para os 14 anos seguintes.

Conhecidos como bootlegger (cano da bota, numa referência à maneira como os pioneiros haviam um dia traficado álcool para os índios), os contrabandistas ampliavam cada vez mais seus negócios. O grande chefão, Alfonso "Al" Capone, entraria para a história como um dos maiores criminosos de todos os tempos. No entanto, não foi possível à Justiça norte-americana provar nenhum de seus atos. Al Capone, que se auto-intitulava "vendedor de móveis antigos", foi processado uma única vez – por sonegação de impostos.

Em dezembro de 1933, o então presidente dos EUA Franklin Roosevelt reconheceu a insensatez da proibição de bebidas alcoólicas no país. A medida, que seu antecessor Herbert Hoover havia chamado de uma "grande experiência social e econômica", foi abolida por Roosevelt em 5 de dezembro de 1933, levando boa parte do crime organizado à falência.

Autoria Catrin Möderler (sv)


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1956: Rebelião popular na Hungria


Em 23 de outubro de 1956 irrompeu na Hungria a rebelião popular contra o regime stalinista. O reformista Imre Nagy tornou-se primeiro-ministro, iniciou mudanças no país e anunciou a retirada do Pacto de Varsóvia.

 Integrantes do protesto que levou à rebelião na Hungria (d.) passam por tanque soviético no centro de Budapeste

A rebelião na Hungria em 1956

No início de 1956, o presidente soviético Nikita Khruchov havia condenado os métodos da era Stalin, reaquecendo as esperanças de mais autonomia nos países-satélites. Em solidariedade aos trabalhadores poloneses que protestavam nas ruas, os universitários húngaros derrubaram uma estátua de Josef Stalin, numa manifestação em 23 de outubro. O protesto estudantil culminou em rebelião popular contra o domínio soviético.

Até partes das Forças Armadas e da polícia húngara participaram dos violentos protestos. Cem mil manifestantes invadiram a central do Partido Comunista, exigindo eleições livres e o fim do stalinismo. Até aí, as tropas soviéticas estacionadas em Budapeste apenas observavam os acontecimentos.

Retorno do reformista Imre Nagy

Por simbolizar "um novo rumo" do socialismo em Budapeste, o reformista Imre Nagy – que já fora primeiro-ministro de 1953 a 1955 – foi pouco a pouco conquistando o controle da população rebelada, assumindo novamente a chefia do governo.

No começo de novembro, Nagy abriu as fronteiras, introduziu o pluripartidarismo, extinguiu a censura e anunciou a retirada da Hungria do Pacto de Varsóvia, a aliança militar dos comunistas durante a Guerra Fria. Nesse momento, as tropas da repressão soviética já estavam a caminho de Budapeste. Moscou de forma nenhuma toleraria a escapada de um de seus satélites.

Resistência dentro do próprio governo

János Kádár, primeiro-secretário do Partido Comunista e membro do gabinete de Nagy, revogou os poderes do primeiro-ministro e começou a negociar com Moscou. A resistência contra o Exército Vermelho durou dois dias e custou a vida de 3 mil pessoas. Em vão, Nagy invocou o apoio das Nações Unidas, mas a comunidade internacional estava então voltada para a crise no Canal de Suez.
No dia 7 de novembro, Kádár retornou a Budapeste como novo chefe de governo. Nagy e alguns assessores e ministros refugiaram-se na embaixada da então Iugoslávia, onde passaram três semanas cercados por tanques soviéticos. Eles só deixaram a embaixada porque Kádár lhes prometeu impunidade. Promessa falsa, porque Nagy foi preso pelo KGB e deportado para a Romênia por negar-se a renunciar ao cargo que ocupava em Budapeste.

Reabilitação tardia de Nagy

Num processo sumário, ele e alguns ministros foram condenados e executados em 16 de junho de 1958. Para que ninguém o venerasse na sepultura, ele e outras 2 mil pessoas foram enterrados em vala comum. Imre Nagy só foi reabilitado e sepultado numa cerimônia oficial em 1989, após o fim do regime Kádár.

O longo governo de Kádár trouxe estabilidade e crescimento à Hungria. A liberalização da economia a tornou precursora da Perestroika, o programa de reformas adotado em meados dos anos 1980 pelo presidente soviético Mikhail Gorbatchov. (rw)



1958: Execução do então primeiro-ministro húngaro Imre Nagy
No dia 16 de junho de 1958, foi executado o ex-primeiro-ministro da Hungria, Imre Nagy. 

Autoria
Assuntos relacionados Zsa Zsa Gabor, Puskas, Massacre em Manaus

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1968: Martin Luther King é assassinado



No dia 4 de abril de 1968, o Nobel da Paz de 1964, Martin Luther King, morre ao ser baleado em Memphis, nos Estados Unidos.


Em dois atentados anteriores, o reverendo Martin Luther King conseguira escapar por pouco da morte. O negro que tanto se engajou pela igualdade de direitos nos Estados Unidos nas décadas de 1950 e 1960 alcançou apenas os 39 anos de idade.

No dia 4 de abril de 1968, foi assassinado com um tiro na sacada de um hotel em Memphis. O autor do disparo teria motivos supostamente racistas. Em dezembro de 1999, no entanto, um processo civil no Estado do Tennessee chegou à conclusão de que sua morte foi planejada por membros da máfia e do governo norte-americano.

Que homem era este que conseguiu dividir uma nação e ser amado e odiado ao mesmo tempo? Para melhor entendê-lo, precisamos nos situar no contexto dos Estados Unidos em plena década de 50: uma superpotência em plena Guerra Fria, uma nação rica, um país racista.

O país que se considerava modelo de democracia e liberdade, mas seus habitantes eram classificados de acordo com a raça. Os negros eram discriminados em todos os setores: na política, na economia e no aspecto social.

Boicote de ônibus

Os negros norte-americanos não podiam votar, eram chamados pejorativamente de "nigger" e "boy", seu trabalho não era devidamente remunerado, e as agressões dos brancos eram rotina. Até que, em dezembro de 1955, em Montgomery, a costureira negra de 52 anos Rosa Parks resolveu não ceder seu lugar num ônibus para um passageiro branco.

Parks foi presa e, em decorrência, Martin Luther King, pastor da cidade, conclamou um boicote dos negros aos ônibus. Em um ano, tornou-se tão conhecido no país que assumiu a liderança do movimento negro norte-americano.

O boicote aos ônibus foi apenas o começo. Seguiram-se as marchas de protesto de King e milhares de defensores dos direitos civis em todo o país, acompanhadas de violações conscientes da legislação racista. Usavam, por exemplo, as salas de espera e os restaurantes reservados aos brancos. Nem a violenta repressão policial enfraqueceu o movimento.

"Temos que levar nossa luta adiante, com dignidade e disciplina. Não podemos permitir que nosso protesto degenere em violência física", advertia o pastor batista, não se deixando provocar pela ordem pública.
EUA divididos para brancos e negros

Ele manteve esta filosofia, mesmo quando os 1.100 participantes do movimento negro radical exigiram a divisão dos Estados Unidos em dois, para brancos e negros, na Black Power Conference, em 1967.

Vinte e quatro horas antes de sua morte, Martin Luther pronunciou o célebre discurso em que anunciava ter avistado a terra prometida. "Talvez eu não consiga chegar com vocês até lá, mas quero que saibam que nosso povo vai atingi-la", declarou ele, como se previsse a proximidade da morte.
Seu assassinato provocou consternação internacional. As inquietações raciais se agravaram em Chicago e Washington. Depois de anunciar o fim dos bombardeios no Vietnã e sua desistência de se recandidatar à Casa Branca, o presidente Lyndon Johnson chegou a adiar uma viagem ao exterior.
Em memória a King, no ano de 1983, os Estados Unidos tornaram feriado nacional a terceira segunda-feira de janeiro (ele havia nascido em 15 de janeiro de 1929).

1955: Rosa Parks se recusa a ceder lugar a um branco nos EUA 

Autoria Rachel Gessat (rw)

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1931: Al Capone era condenado por sonegação de impostos


Em 24 de outubro de 1931, Al Capone foi condenado a 11 anos de prisão e multa de 50 mil dólares por sonegar impostos. O filho de imigrantes italianos ascendeu a líder entre as gangues do submundo norte-americano.


Al Capone em 1931

Nascido a 17 de janeiro de 1899, no Brooklyn, em Nova York, filho de imigrantes da Sicília, Alphonse "Al" Capone foi um dos mais famosos chefões da máfia nos Estados Unidos. Cercado de miséria e criminalidade, conheceu cedo a violência e a brutalidade. Uma cicatriz adquirida numa briga com facas valeu-lhe o apelido de "Scarface".

Quando o pai faleceu, em 1920, Al Capone mudou-se para Chicago, onde queria tentar a sorte ao lado do poderoso chefe de gangue italiano Johnny Torrio, que explorava o comércio ilegal de bebidas alcoólicas, a prostituição e salões de jogos.

Capone cresceu rapidamente e, em pouco tempo, tornou-se um mito entre os criminosos americanos. Seus grandes inimigos eram os bandos irlandeses do norte da cidade, com os quais os italianos travaram uma verdadeira guerra em meados dos anos 1920.

O ferimento de Torrio numa destas brigas, com um bando de Bugs Moran, trouxe-lhe a aposentadoria prematura. Al Capone, entrementes o homem mais poderoso do submundo do crime, jurou vingança. No dia 14 de fevereiro de 1929, assassinos profissionais executaram sete membros importantes do bando de Moran.

Profissão: vendedor de antiguidades

A polícia logo desconfiou de quem poderia estar por trás dos crimes, mas não tinha provas. Al Capone tinha um álibi para o momento do crime. Durante vários dias, o assunto ocupou a imprensa norte-americana. A Casa Branca resolveu, então, encarregar o chefe do FBI pessoalmente de investigar todos os detalhes dos negócios de Al Capone. Oficialmente, ele era vendedor de antiguidades. Sabia-se que faturava mais de três milhões de dólares por ano, mas não pagava impostos.

Os investigadores reviraram a contabilidade do gângster para, em 1931, chegarem à conclusão de que Al Capone devia mais de 200 mil dólares ao fisco. Para o que a promotoria pediu 34 anos de prisão. Os advogados de Capone tentaram em vão a redução da pena junto ao juiz James Wilkerson, que não se deixou subornar. Até a tentativa de compra dos jurados falhou, pois o juiz substituiu todos eles na última hora.

A sentença contra "o rei de Chicago", no dia 24 de outubro de 1931, foi de 11 anos de prisão por sonegação de impostos. Dois anos foram cumpridos num presídio em Atlanta, depois ele foi levado à prisão de segurança máxima de Alcatraz, onde os médicos atestaram que tinha sífilis. Por causa da saúde precária e de sua boa conduta, foi posto em liberdade em 1937.

Ele morreu em 1947, em Miami, na Flórida, mas foi enterrado em Chicago. Na sepultura, as palavras: "Alphonse Capone, 1899-1947, My Jesus Mercy (Misericórdia, meu Jesus)".
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Autoria Jens Teschke (rw)
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segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Poucos sabem que Carlos Alberto Richa, o Beto Richa, piloto de corridas e governador do Paraná é primo de Rafael Greca de Macedo, prefeito de Curitiba. Ambos descendem do Capitão Manuel Ribeiro de Macedo, um potentado local escravista do início do século XIX no Paraná. Beto descende do clã Macedo pela genealogia da sua mãe, Arlete Vilela Richa, o que é mais um elemento para ajudar na explicação da ascensão do político imigrante, governador na redemocratização de 1982, José Richa, além da grande virtù política e carisma desse ator emergente. Como escrevemos no nosso livro coletivo sobre "Nepotismo, Parentesco e Mulheres" - Na verdade as mulheres estão em todos os lados, atrás, do lado e muitas vezes na frente da estratégia social dos emergentes e dos novos atores econômicos e políticos. Rosangela Moro, a esposa do juiz Sérgio Moro, é outra prima e descendente do Capitão Manuel Ribeiro de Macedo, bem como boa parte da cúpula histórica do poder executivo, legislativo, judiciário, empresarial e cultural do Paraná. Assim podemos entender as mentalidades, práticas políticas e a classe dominante tradicional em uma região brasileira. O próprio Capitão Manuel Ribeiro de Macedo foi acusado de corrupção em escandaloso processo pelo primeiro presidente da Província do Paraná. Pela família sempre foram "inocentes". Eu já sou parente distantíssimo deles pelo título Borges de Cerqueira, um dos troncos genealógicos seiscentistas da Genealogia Paulistana, no Paraná e em Santa Catarina, conectando as velhas famílias do Litoral Sul como um todo. Lembremos sempre que a estrutura social em boa parte é estrutura genealógica. Quem quer conhecer a política brasileira e paranaense também deve analisar as famílias do poder e suas dinâmicas.

RCO

sábado, 21 de outubro de 2017

1985: Wallraff lança "Cabeça de Turco"


No dia 21 de outubro de 1985, o escritor e jornalista alemão Günter Wallraff lançou o livro "Cabeça de Turco", em que descreveu as dificuldades enfrentadas pela mão de obra estrangeira na Alemanha.
 Künstler rufen zur Verteidigung des Urheberrechts auf – Aktion: Wir sind die Urheber (dapd)
"Estrangeiro forte procura emprego. Pode ser trabalho pesado, sujo e mal pago." Com este anúncio, publicado em vários jornais alemães em março de 1983, o jornalista Günter Wallraff começou uma investigação que iria abalar a Alemanha.

Foi o início da longa reportagem publicada no livro Cabeça de Turco, em 1985. Disfarçado de turco, Wallraff sentiu na pele e denunciou de forma contundente a discriminação contra os imigrantes no cotidiano alemão.

O autor descreveu detalhadamente o que vivenciou, sob o pseudônimo Ali, em uma empresa mediadora de mão de obra, na metalúrgica Thyssen e num restaurante McDonald's.

Ele desceu ao submundo da sociedade alemã para denunciar as brutais jornadas de trabalho de 16 a 24 horas por dia impostas aos estrangeiros na época, o tratamento desumano dispensado a trabalhadores braçais e pouco qualificados e a falta de segurança nos locais de trabalho, principalmente para operários turcos.

Ignorado pela mãe

Seu disfarce foi tão perfeito que Wallraff sequer foi reconhecido pela mãe. O resultado foi um "livro-bomba", que já nas seis primeiras semanas após o lançamento vendeu mais de um milhão de exemplares. A Promotoria Pública alemã abriu inquérito contra o grupo Thyssen, desencadeando uma verdadeira avalanche de processos contra empresas que discriminavam ou maltravam imigrantes.

Na época do lançamento, Cabeça de Turco foi considerado "o melhor livro alemão do pós-guerra". O livro não só foi um sucesso inédito de vendas como teve consequências em vários países europeus. Por sugestão de Wallraff, jornalistas franceses escreveram uma obra semelhante, denunciando o racismo contra os trabalhadores árabes na França. A mesma linha investigativa norteou uma publicação sobre a situação da mão de obra estrangeira na Holanda.

Denúncias de efeito regional

Na Dinamarca, o Parlamento criou uma comissão para investigar a situação dos estrangeiros no país, o que provocou uma série de transformações. Era o que o autor esperava que acontecesse também na Alemanha. "Mas, aqui, as denúncias tiveram apenas efeito regional. Por empenho pessoal, o secretário de Trabalho e Assistência Social da Renânia do Norte-Vestfália, por exemplo, descobriu dezenas, centenas de casos graves de discriminação. Talvez fosse necessário publicar uma obra destas por ano", comenta o jornalista.
O método de investigação jornalística usado por Wallraff foi sido criticado desde o início. Muitos adversários ou empresas denunciadas – como Thyssen e McDonald's – o enfrentaram até por via judicial, mas, salvo raras exceções, o autor saiu vitorioso dos processos. Desde a publicação de Cabeça de Turco, o nome Günter Wallraff é sinônimo de jornalismo investigativo na Alemanha.

Um dos precursores do estilo de Cabeça de Turco foi o escritor inglês Graham Greene (1904–91). Na crônica "Tocando Realejo" (1928), em que relata sua perambulação por Hertfordshire disfarçado de mendigo, ele fez uma espécie de antecipação do jornalismo praticado por Wallraff.

Antes da publicação do livro alemão, também o jornalista brasileiro José Hamilton Ribeiro já havia usado a técnica do disfarce para desvendar a realidade dos operários do ABC paulista, em reportagens para a revista Realidade.

Autoria Maren Hellwege (gh)


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Kakistocracia é o conceito mundial do momento.

 Kakistocracia significa o governo dos piores, dos maus, perversos, vis, sujos, rasteiros e nocivos. Kakistos é o superlativo de Kakos, este conjunto de termos extremamente negativos e sórdidos. Ainda pensamos com os léxicos gregos clássicos, ainda bem que temos a democracia e a política na arena de lutas. O filósofo Michelangelo Bovero já alertava no começo do século XXI, depois da empulhação italiana das "Mãos Limpas" resultando no governo dos mais corruptos e criminosos, com um farsante tipo Berlusconi, no livro "Contra O Governo dos Piores: Uma Gramática da Democracia". No Brasil só é pior devido ao nosso nepotismo e nossa imensa histórica desigualdade social. A farsa a jato é um produto da nossa justiça elitista, oligárquico-familiar e de classe alta, um produto político da mesma classe social com origem nas famílias da alta burocracia, gente do poder e com apoio da mídia oligárquico-familiar, grupos que sempre controlaram a maior parte dos poderes executivo, legislativo e judiciário. Agora nos condenam à plena Kakistocracia do desgoverno de Temer, com as três características apresentadas no livro: Governo com oligarquia, tirania e demagogia. Temer é o nosso Berlusconi advindo da farsa a jato, tal como na Itália foi o charlatão Berlusconi. O problema para a hegemonia oligárquica da classe dominante é que pela democracia não conseguirão manter a Kakistocracia deles. O destino do Brasil por muitos anos se definirá no ano que vem na luta pela democracia e pelas eleições. Democracia Popular contra a Kakistocracia golpista.
RCO


Direitos Humanos significam a rigorosa e justa aplicação das Leis para todos.

 Muitos só entendem quando precisam para si próprios. Observei este fenômeno: Uma pessoa de extrema direita na sua parvoíce, o tolo tipo que votou no Richa, no Aécio, apoiou o golpe com Temer, agora nega tudo para ficar com Bolsonaro e amanhã com outro direitoso qualquer, esta pessoa ideológica "de bem" quer a "morte de qualquer bandido" e "bandido bom é bandido morto". Daí aparece um oficial de justiça atrás dessa mesma pessoa, por uma causa menor, e ela foge e se esconde. Se aplicasse as suas próprias regras estaria ameaçada pelo sistema. Agora também na tragédia de Goiás, o menino filho de oficial da PM não foi tratado de modo diferenciado, não aplicariam a execução sumária antes de chegar na delegacia porque não era negro, pobre, periférico, filho de analfabetos invisíveis e nem aplicariam direitos humanos somente para humanos direitos. Mesmo a extrema direita procurou racionalizar e aplicar a lei nesse caso. Direitos Humanos são universais e servem para todos nós. É uma forma de proteção e da lei contra bandidos transgressores dentro do Estado. Quando um funcionário público, policial ou militar se torna bandido devem entrar os Direitos Humanos. Surgiram com as Revoluções Burguesas, nos séculos XVII/XVIII e com raízes na compaixão Cristã do cristianismo primitivo. Desenvolveram-se nos Estados de Bem-estar Social no século XX. Alô Brasil, vamos entrar no século XVII pelo menos !
RCO


Além de salvar Aécio, o Senado passou uma forte mensagem para a Nação:

 Em épocas de fácil reprodutibilidade de aparelhos e gadgets, que nenhuma "pessoa qualquer ou comum", por mais importantes e ricos que sejam, tipo os novos ricos caipiras Joesley-Wesley Batista & Cias, jornalistas investigativos, cientistas sociais, dissidentes políticos, que ninguém jamais ouse tentar gravar, fotografar, rastrear ou denunciar nenhum parlamentar principal do nepotismo porque o "interesse de classe", o "espírito de corpo e de família", "a omertà institucional" jamais aceitarão ou permitirão a queda de um dos seus membros pertencentes ao núcleo duro. Vai se ferrar quem denunciar qualquer esquema como os irmãos Batista se ferraram, e como denunciantes da grossa corrupção é que acabaram presos e os poderosos denunciados gravados (Temer, Rocha Loures, Aécio e familiares) seguem livres e soltos, para continuarem fazendo o que melhor sabem fazer, que é roubar e mandar familiarmente na República de Bananas. Qualquer um que estudou minimamente o legislativo brasileiro, federal, estadual e municipal, nos últimos 50 anos sabe dos seus códigos, práticas e relações essenciais na economia política informal de várias atividades criminosas, narcotráfico, contrabando de mercadorias, armas, prostituição, venda de proteções, venda de licitações, desvio de orçamentos, tráfico de influências, subcontratações, superfaturamentos, cobrar pedágios de assessores e de comissionados a cargos políticos indicados, bem como as conhecidas formas variadas de extorsões organizadas, tudo junto com empresários privados ainda mais corruptos, sacanas e vorazes.

RCO

Por que o Bom e Progressista Papa Francisco escolheu a data de quinze de outubro para tornar Santos a dezenas de pacíficos brasileiros massacrados no período colonial ?

Por que o Bom e Progressista Papa Francisco escolheu a data de quinze de outubro para tornar Santos a dezenas de pacíficos brasileiros massacrados no período colonial ? Qual o profundo sentido político da canonização dos Mártires Brasileiros do Rio Grande do Norte ? Em 1645 estávamos imersos em profunda dominação estrangeira, guerras simultâneas contra o maior Império do mundo, a guerra contra a Espanha, desde a separação contra os castelhanos, em 1640 e a pior guerra contra o mais rico, o mais tecnologicamente avançado Império do mundo e suas companhias comerciais, a Holanda, desde 1630 invadindo, ocupando e massacrando o Brasil. Nos momentos de maior perigo e ameaça a força do povo sempre desperta na guerra popular. A guerra foi decidida em lugares como Guararapes. Não foi diferente quando os pobres camponeses e pastores do Noroeste Ibérico, os falantes do dialeto galaico-português da antiga Gallaecia, se rebelaram e enfrentaram o então todo poderoso Califado Islâmico nos anos anteriores ao ano 1000. Hoje, tal como em 1645, parece que estamos novamente submetidos e dominados por interesses estrangeiros como o ilegítimo Temer, pastores protestantes politiqueiros cometendo crimes e ricos banqueiros judeus, antes em Amsterdam e agora no Banco Central, todos saqueiam e empobrecem o povo brasileiro. Bonifácio Andrada nos mostra que o inimigo, o traidor político, também são as tradicionais oligarquias familiares políticas brasileiras, entreguistas e corruptas, católicas e de direita, muitas com ideologias estrangeiras e exóticas como a Opus Dei castelhana. A luta é entre um projeto elitista, autoritário, golpista, conservador, reacionário, excludente de direita e um projeto social, democrático, eleitoral, libertador, emancipador e includente, de esquerda para a Pátria. O despertar nacional acontecerá novamente? Assim afirmam os velhos messianismos tresloucados ? Os religiosos da Cruz e os políticos da Estrela Vermelha no coração do peito verde e amarelo ? O Brasil nunca caiu em abismos porque sempre é maior do que qualquer abismo.


RCO

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Na atual conjuntura uma Universidade Federal deve refletir bastante se aceita eventos de grupos nazistas, fascistas, separatistas e extremistas de direita, grupos com ideologias excludentes e contrárias aos valores democráticos, grupos com agendas políticas contrárias ao investimento e progresso da ciência, da cultura, da tecnologia, do desenvolvimento nacional e da cidadania inclusiva. Para qualquer evento público na Universidade, com livres debates, deve sempre haver um professor ou membro da comunidade universitária responsável, com nome, identidade e currículo Lattes público, apresentando e justificando de maneira transparente o evento, bem como suas finalidades para o mesmo público e seus pares. Desconfiem muito se nenhuma autoridade universitária assumir e se responsabilizar por evento extremista, que envergonhe profundamente a instituição, tipo evento com ativistas autoritários, raivosos e portadores de ódio político intolerante, ódios de extremistas de fora da universidade contra movimentos sociais críticos, contra jovens de minorias politicamente representativas na história da universidade e suas entidades, contra mulheres, contra LGBTS e afins, contra negros, contra índios e contra qualquer grupo socialmente vulnerável. Se o evento não tiver apreciação relevante e nem aparecer no Portal da Universidade é porque o caráter científico, acadêmico e comunitário da atividade é vexaminoso e altamente questionável. Mais uma vez precisamos do posicionamento da APUFPR, SINDITEST e DCE, ao lado da Reitoria e Conselhos.


RCO

sábado, 14 de outubro de 2017

SONETO CV


Não chame o meu amor de Idolatria
Nem de Ídolo realce a quem eu amo,
Pois todo o meu cantar a um só se alia,
E de uma só maneira eu o proclamo.
É hoje e sempre o meu amor galante,
Inalterável, em grande excelência;
Por isso a minha rima é tão constante
A uma só coisa e exclui a diferença.
'Beleza, Bem, Verdade', eis o que exprimo;
'Beleza, Bem, Verdade', todo o acento;
E em tal mudança está tudo o que primo,
Em um, três temas, de amplo movimento.
'Beleza, Bem, Verdade' sós, outrora;
Num mesmo ser vivem juntos agora.

William Shakespeare

Soneto da separação



De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Vinícius de Moraes