Aqui nesta tribo ninguém quer a sua catequisação
Falamos a sua língua mas não entendemos seu sermão
Nós rimos alto, bebemos e falamos palavrão.
Mas não sorrimos à toa
Não sorrimos à toa
Aqui neste barco ninguém quer a sua orientação
Não temos perspectiva mas o vento nos dá a direção
A vida que vai à deriva é a nossa condução
Mas não seguimos à toa
Não seguimos à toa.
Arnaldo Antunes.
quinta-feira, 26 de outubro de 2017
Pertencemos a uma comunidade única chamada espécie humana; cujo futuro é indivísivel. Em todos os estágios da vida - ecologia, economia, saúde-esta comunidade de destino é uma realidade.
Devemos traduzi-la agora em uma realidade cultural, assumi-la deliberadamente no que eu chamaria uma politica da vida.
François Miterrand.
Correio da Unesco . Julho de 1983. Ano 16/ n VII
Devemos traduzi-la agora em uma realidade cultural, assumi-la deliberadamente no que eu chamaria uma politica da vida.
François Miterrand.
Correio da Unesco . Julho de 1983. Ano 16/ n VII
A Cidade
A cidade não permite fáceis adjetivações
Aqui o vento passa ao largo turvo como boca de cão
e o sol com seus enxames não se demora
a povoar o diálogo das janelas
Seus cubos não terminam de nos convencer
da vida numerada que estas paredes rotulam
há postes isto sim para fazer luzir as pistas
nos tabuleiros do horizonte
onde as distâncias se tornam imaginárias
Advertimos a retidão dos verdugos
nas linhas cruzadas de sua grande mão
e ao presente que a duras penas se desloca
sem deixar marca em
A cidade não admite vãs adjetivações.
Juan Calzadilla
(A Condição Urbana. p 47 )
Aqui o vento passa ao largo turvo como boca de cão
e o sol com seus enxames não se demora
a povoar o diálogo das janelas
Seus cubos não terminam de nos convencer
da vida numerada que estas paredes rotulam
há postes isto sim para fazer luzir as pistas
nos tabuleiros do horizonte
onde as distâncias se tornam imaginárias
Advertimos a retidão dos verdugos
nas linhas cruzadas de sua grande mão
e ao presente que a duras penas se desloca
sem deixar marca em
A cidade não admite vãs adjetivações.
Juan Calzadilla
(A Condição Urbana. p 47 )
"Gilberto Freyre disse que o Brasil era mestiço e que isso era bom.Depois veio o Darcy Ribeiro, com suas maluquices, e proclamou que o mestiço é que é bom. Criou um racismo ao contrário. O Brasil
ainda não conseguiu evacuar o problema da raça. "
Evaldo Cabral de Mello, Historiador.
Folha de São Paulo. 17 de Abril de 2000
ainda não conseguiu evacuar o problema da raça. "
Evaldo Cabral de Mello, Historiador.
Folha de São Paulo. 17 de Abril de 2000
terça-feira, 24 de outubro de 2017
1917: Apresentado o projeto da Lei Seca nos EUA
Em 8 de setembro de 1917, foi apresentado à Câmara dos
Representantes nos EUA o projeto da 18ª emenda constitucional sugerindo a
completa proibição de bebidas alcoólicas. A Lei Seca entraria em vigor dois
anos depois.
Com o projeto apresentado no dia 8 de setembro de 1917 à
Câmara dos Representantes, e que só entraria em vigor dois anos depois, começou
uma nova era na história dos Estados Unidos, caracterizada pela proibição das
bebidas alcoólicas.
A lei que vigorou no país por quase 14 anos condenava
"a fabricação, a venda, o transporte, a importação e a exportação de
bebidas alcoólicas em toda a área dos Estados Unidos e dos territórios
judicialmente submetidos a eles".
Implementada com o propósito de proteger os cidadãos dos
perigos gerados pelo consumo do álcool, a chamada Lei Seca acabou por provocar
a disseminação de um mal ainda mais perigoso: o crime organizado. Bebidas
alcoólicas passaram a ser traficadas em grande escala. Bandos rivais de
criminosos de Nova York e Chicago controlavam cadeias de destilarias e bares no
país. A prostituição acompanhava com frequência o consumo ilegal do álcool.
Pode-se dizer que um grupo de mulheres foi responsável pela
introdução da Lei Seca nos Estados Unidos. Ainda em 1874, as participantes da
conservadora União Feminina de Temperança Cristã invadiam bares e restaurantes
do país como guerrilheiras carregando a bandeira da proibição do álcool. Com
machados e porretes em punho, elas destruíam todo líquido que viam engarrafado.
Produtores rurais e Igrejas puritanas
Brevemente essas mulheres encontrariam o apoio dos homens às
suas ideias através da Liga Antibares, formada por produtores rurais
conservadores, liderados pelas Igrejas puritanas. No final do século 19, a
Associação Republicana dos Abstinentes já havia conseguido implantar leis
contra o álcool em alguns estados norte-americanos.
Apesar de todas as proibições, a vontade de consumir bebidas
alcoólicas não foi banida dos EUA, mas apenas levada à ilegalidade. A partir da
entrada em vigor da Lei Seca, uma pessoa morria por dia na guerra das
quadrilhas controladoras do tráfico. A indústria de bebidas clandestinas
proliferou por todo o país.
A eclosão da Primeira Guerra Mundial colocou, no entanto, o
argumento decisivo na boca dos inimigos do álcool. Segundo eles, cereais,
levedo, malte a açúcar eram alimentos básicos e não poderiam ser desperdiçados
na fabricação de bebidas alcoólicas em tempos de guerra. Além disso, cerveja e vinho
seriam produtos típicos da Alemanha inimiga. Seu consumo, logo, um ato pouco
patriótico.
Elite universitária e contrabando
Entre as várias maneiras encontradas pelos cidadãos para
burlar a proibição ao consumo do álcool destacou-se a reação dos estudantes da
aristocrática Universidade de Yale, que trataram de fazer com que gângsters
importassem para eles um estoque de uísque escocês para os 14 anos seguintes.
Conhecidos como bootlegger (cano da bota, numa referência à
maneira como os pioneiros haviam um dia traficado álcool para os índios), os
contrabandistas ampliavam cada vez mais seus negócios. O grande chefão, Alfonso
"Al" Capone, entraria para a história como um dos maiores criminosos
de todos os tempos. No entanto, não foi possível à Justiça norte-americana
provar nenhum de seus atos. Al Capone, que se auto-intitulava "vendedor de
móveis antigos", foi processado uma única vez – por sonegação de impostos.
Em dezembro de 1933, o então presidente dos EUA Franklin
Roosevelt reconheceu a insensatez da proibição de bebidas alcoólicas no país. A
medida, que seu antecessor Herbert Hoover havia chamado de uma "grande
experiência social e econômica", foi abolida por Roosevelt em 5 de
dezembro de 1933, levando boa parte do crime organizado à falência.
Autoria Catrin Möderler (sv)
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1956: Rebelião popular na Hungria
Em 23 de outubro de 1956 irrompeu na Hungria a rebelião
popular contra o regime stalinista. O reformista Imre Nagy tornou-se
primeiro-ministro, iniciou mudanças no país e anunciou a retirada do Pacto de
Varsóvia.
Integrantes do
protesto que levou à rebelião na Hungria (d.) passam por tanque soviético no
centro de Budapeste
A rebelião na Hungria em 1956
No início de 1956, o presidente soviético Nikita Khruchov
havia condenado os métodos da era Stalin, reaquecendo as esperanças de mais
autonomia nos países-satélites. Em solidariedade aos trabalhadores poloneses
que protestavam nas ruas, os universitários húngaros derrubaram uma estátua de
Josef Stalin, numa manifestação em 23 de outubro. O protesto estudantil
culminou em rebelião popular contra o domínio soviético.
Até partes das Forças Armadas e da polícia húngara
participaram dos violentos protestos. Cem mil manifestantes invadiram a central
do Partido Comunista, exigindo eleições livres e o fim do stalinismo. Até aí,
as tropas soviéticas estacionadas em Budapeste apenas observavam os
acontecimentos.
Retorno do reformista Imre Nagy
Por simbolizar "um novo rumo" do socialismo em
Budapeste, o reformista Imre Nagy – que já fora primeiro-ministro de 1953 a
1955 – foi pouco a pouco conquistando o controle da população rebelada,
assumindo novamente a chefia do governo.
No começo de novembro, Nagy abriu as fronteiras, introduziu
o pluripartidarismo, extinguiu a censura e anunciou a retirada da Hungria do
Pacto de Varsóvia, a aliança militar dos comunistas durante a Guerra Fria.
Nesse momento, as tropas da repressão soviética já estavam a caminho de
Budapeste. Moscou de forma nenhuma toleraria a escapada de um de seus
satélites.
Resistência dentro do próprio governo
János Kádár, primeiro-secretário do Partido Comunista e
membro do gabinete de Nagy, revogou os poderes do primeiro-ministro e começou a
negociar com Moscou. A resistência contra o Exército Vermelho durou dois dias e
custou a vida de 3 mil pessoas. Em vão, Nagy invocou o apoio das Nações Unidas,
mas a comunidade internacional estava então voltada para a crise no Canal de
Suez.
No dia 7 de novembro, Kádár retornou a Budapeste como novo
chefe de governo. Nagy e alguns assessores e ministros refugiaram-se na
embaixada da então Iugoslávia, onde passaram três semanas cercados por tanques
soviéticos. Eles só deixaram a embaixada porque Kádár lhes prometeu impunidade.
Promessa falsa, porque Nagy foi preso pelo KGB e deportado para a Romênia por
negar-se a renunciar ao cargo que ocupava em Budapeste.
Reabilitação tardia de Nagy
Num processo sumário, ele e alguns ministros foram
condenados e executados em 16 de junho de 1958. Para que ninguém o venerasse na
sepultura, ele e outras 2 mil pessoas foram enterrados em vala comum. Imre Nagy
só foi reabilitado e sepultado numa cerimônia oficial em 1989, após o fim do
regime Kádár.
O longo governo de Kádár trouxe estabilidade e crescimento à
Hungria. A liberalização da economia a tornou precursora da Perestroika, o
programa de reformas adotado em meados dos anos 1980 pelo presidente soviético
Mikhail Gorbatchov. (rw)
1958: Execução do então primeiro-ministro húngaro Imre Nagy
No dia 16 de junho de 1958, foi executado o
ex-primeiro-ministro da Hungria, Imre Nagy.
Autoria
Assuntos relacionados Zsa Zsa Gabor, Puskas, Massacre em
Manaus
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1968: Martin Luther King é assassinado
No dia 4 de abril de 1968, o Nobel da Paz de 1964, Martin
Luther King, morre ao ser baleado em Memphis, nos Estados Unidos.
Em dois atentados anteriores, o reverendo Martin Luther King
conseguira escapar por pouco da morte. O negro que tanto se engajou pela
igualdade de direitos nos Estados Unidos nas décadas de 1950 e 1960 alcançou
apenas os 39 anos de idade.
No dia 4 de abril de 1968, foi assassinado com um tiro na
sacada de um hotel em Memphis. O autor do disparo teria motivos supostamente
racistas. Em dezembro de 1999, no entanto, um processo civil no Estado do
Tennessee chegou à conclusão de que sua morte foi planejada por membros da
máfia e do governo norte-americano.
Que homem era este que conseguiu dividir uma nação e ser
amado e odiado ao mesmo tempo? Para melhor entendê-lo, precisamos nos situar no
contexto dos Estados Unidos em plena década de 50: uma superpotência em plena
Guerra Fria, uma nação rica, um país racista.
O país que se considerava modelo de democracia e liberdade,
mas seus habitantes eram classificados de acordo com a raça. Os negros eram
discriminados em todos os setores: na política, na economia e no aspecto
social.
Boicote de ônibus
Os negros norte-americanos não podiam votar, eram chamados
pejorativamente de "nigger" e "boy", seu trabalho não era
devidamente remunerado, e as agressões dos brancos eram rotina. Até que, em
dezembro de 1955, em Montgomery, a costureira negra de 52 anos Rosa Parks
resolveu não ceder seu lugar num ônibus para um passageiro branco.
Parks foi presa e, em decorrência, Martin Luther King,
pastor da cidade, conclamou um boicote dos negros aos ônibus. Em um ano,
tornou-se tão conhecido no país que assumiu a liderança do movimento negro
norte-americano.
O boicote aos ônibus foi apenas o começo. Seguiram-se as
marchas de protesto de King e milhares de defensores dos direitos civis em todo
o país, acompanhadas de violações conscientes da legislação racista. Usavam,
por exemplo, as salas de espera e os restaurantes reservados aos brancos. Nem a
violenta repressão policial enfraqueceu o movimento.
"Temos que levar nossa luta adiante, com dignidade e
disciplina. Não podemos permitir que nosso protesto degenere em violência
física", advertia o pastor batista, não se deixando provocar pela ordem
pública.
EUA divididos para brancos e negros
Ele manteve esta filosofia, mesmo quando os 1.100
participantes do movimento negro radical exigiram a divisão dos Estados Unidos
em dois, para brancos e negros, na Black Power Conference, em 1967.
Vinte e quatro horas antes de sua morte, Martin Luther
pronunciou o célebre discurso em que anunciava ter avistado a terra prometida.
"Talvez eu não consiga chegar com vocês até lá, mas quero que saibam que
nosso povo vai atingi-la", declarou ele, como se previsse a proximidade da
morte.
Seu assassinato provocou consternação internacional. As
inquietações raciais se agravaram em Chicago e Washington. Depois de anunciar o
fim dos bombardeios no Vietnã e sua desistência de se recandidatar à Casa
Branca, o presidente Lyndon Johnson chegou a adiar uma viagem ao exterior.
Em memória a King, no ano de 1983, os Estados Unidos
tornaram feriado nacional a terceira segunda-feira de janeiro (ele havia
nascido em 15 de janeiro de 1929).
1955: Rosa Parks se recusa a ceder lugar a um branco nos
EUA
Autoria Rachel Gessat (rw)
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1931: Al Capone era condenado por sonegação de impostos
Em 24 de outubro de 1931, Al Capone foi condenado a 11 anos
de prisão e multa de 50 mil dólares por sonegar impostos. O filho de imigrantes
italianos ascendeu a líder entre as gangues do submundo norte-americano.
Al Capone em 1931
Nascido a 17 de janeiro de 1899, no Brooklyn, em Nova York,
filho de imigrantes da Sicília, Alphonse "Al" Capone foi um dos mais
famosos chefões da máfia nos Estados Unidos. Cercado de miséria e
criminalidade, conheceu cedo a violência e a brutalidade. Uma cicatriz
adquirida numa briga com facas valeu-lhe o apelido de "Scarface".
Quando o pai faleceu, em 1920, Al Capone mudou-se para Chicago,
onde queria tentar a sorte ao lado do poderoso chefe de gangue italiano Johnny
Torrio, que explorava o comércio ilegal de bebidas alcoólicas, a prostituição e
salões de jogos.
Capone cresceu rapidamente e, em pouco tempo, tornou-se um
mito entre os criminosos americanos. Seus grandes inimigos eram os bandos
irlandeses do norte da cidade, com os quais os italianos travaram uma
verdadeira guerra em meados dos anos 1920.
O ferimento de Torrio numa destas brigas, com um bando de
Bugs Moran, trouxe-lhe a aposentadoria prematura. Al Capone, entrementes o
homem mais poderoso do submundo do crime, jurou vingança. No dia 14 de
fevereiro de 1929, assassinos profissionais executaram sete membros importantes
do bando de Moran.
Profissão: vendedor de antiguidades
A polícia logo desconfiou de quem poderia estar por trás dos
crimes, mas não tinha provas. Al Capone tinha um álibi para o momento do crime.
Durante vários dias, o assunto ocupou a imprensa norte-americana. A Casa Branca
resolveu, então, encarregar o chefe do FBI pessoalmente de investigar todos os
detalhes dos negócios de Al Capone. Oficialmente, ele era vendedor de
antiguidades. Sabia-se que faturava mais de três milhões de dólares por ano,
mas não pagava impostos.
Os investigadores reviraram a contabilidade do gângster
para, em 1931, chegarem à conclusão de que Al Capone devia mais de 200 mil
dólares ao fisco. Para o que a promotoria pediu 34 anos de prisão. Os advogados
de Capone tentaram em vão a redução da pena junto ao juiz James Wilkerson, que
não se deixou subornar. Até a tentativa de compra dos jurados falhou, pois o
juiz substituiu todos eles na última hora.
A sentença contra "o rei de Chicago", no dia 24 de
outubro de 1931, foi de 11 anos de prisão por sonegação de impostos. Dois anos
foram cumpridos num presídio em Atlanta, depois ele foi levado à prisão de
segurança máxima de Alcatraz, onde os médicos atestaram que tinha sífilis. Por
causa da saúde precária e de sua boa conduta, foi posto em liberdade em 1937.
Ele morreu em 1947, em Miami, na Flórida, mas foi enterrado
em Chicago. Na sepultura, as palavras: "Alphonse Capone, 1899-1947, My
Jesus Mercy (Misericórdia, meu Jesus)".
----------------
Autoria Jens Teschke (rw)
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segunda-feira, 23 de outubro de 2017
Poucos sabem que Carlos Alberto Richa, o Beto Richa, piloto
de corridas e governador do Paraná é primo de Rafael Greca de Macedo, prefeito
de Curitiba. Ambos descendem do Capitão Manuel Ribeiro de Macedo, um potentado
local escravista do início do século XIX no Paraná. Beto descende do clã Macedo
pela genealogia da sua mãe, Arlete Vilela Richa, o que é mais um elemento para
ajudar na explicação da ascensão do político imigrante, governador na
redemocratização de 1982, José Richa, além da grande virtù política e carisma
desse ator emergente. Como escrevemos no nosso livro coletivo sobre
"Nepotismo, Parentesco e Mulheres" - Na verdade as mulheres estão em
todos os lados, atrás, do lado e muitas vezes na frente da estratégia social
dos emergentes e dos novos atores econômicos e políticos. Rosangela Moro, a
esposa do juiz Sérgio Moro, é outra prima e descendente do Capitão Manuel
Ribeiro de Macedo, bem como boa parte da cúpula histórica do poder executivo,
legislativo, judiciário, empresarial e cultural do Paraná. Assim podemos
entender as mentalidades, práticas políticas e a classe dominante tradicional
em uma região brasileira. O próprio Capitão Manuel Ribeiro de Macedo foi
acusado de corrupção em escandaloso processo pelo primeiro presidente da
Província do Paraná. Pela família sempre foram "inocentes". Eu já sou
parente distantíssimo deles pelo título Borges de Cerqueira, um dos troncos
genealógicos seiscentistas da Genealogia Paulistana, no Paraná e em Santa
Catarina, conectando as velhas famílias do Litoral Sul como um todo. Lembremos
sempre que a estrutura social em boa parte é estrutura genealógica. Quem quer
conhecer a política brasileira e paranaense também deve analisar as famílias do
poder e suas dinâmicas.
RCO
sábado, 21 de outubro de 2017
1985: Wallraff lança "Cabeça de Turco"
No dia 21 de outubro de 1985, o escritor e jornalista alemão
Günter Wallraff lançou o livro "Cabeça de Turco", em que descreveu as
dificuldades enfrentadas pela mão de obra estrangeira na Alemanha.
Künstler rufen zur Verteidigung des
Urheberrechts auf – Aktion: Wir sind die Urheber (dapd)
"Estrangeiro forte procura emprego. Pode ser trabalho
pesado, sujo e mal pago." Com este anúncio, publicado em vários jornais
alemães em março de 1983, o jornalista Günter Wallraff começou uma investigação
que iria abalar a Alemanha.
Foi o início da longa reportagem publicada no livro Cabeça
de Turco, em 1985. Disfarçado de turco, Wallraff sentiu na pele e denunciou de
forma contundente a discriminação contra os imigrantes no cotidiano alemão.
O autor descreveu detalhadamente o que vivenciou, sob o
pseudônimo Ali, em uma empresa mediadora de mão de obra, na metalúrgica Thyssen
e num restaurante McDonald's.
Ele desceu ao submundo da sociedade alemã para denunciar as
brutais jornadas de trabalho de 16 a 24 horas por dia impostas aos estrangeiros
na época, o tratamento desumano dispensado a trabalhadores braçais e pouco
qualificados e a falta de segurança nos locais de trabalho, principalmente para
operários turcos.
Ignorado pela mãe
Seu disfarce foi tão perfeito que Wallraff sequer foi
reconhecido pela mãe. O resultado foi um "livro-bomba", que já nas
seis primeiras semanas após o lançamento vendeu mais de um milhão de
exemplares. A Promotoria Pública alemã abriu inquérito contra o grupo Thyssen,
desencadeando uma verdadeira avalanche de processos contra empresas que
discriminavam ou maltravam imigrantes.
Na época do lançamento, Cabeça de Turco foi considerado
"o melhor livro alemão do pós-guerra". O livro não só foi um sucesso
inédito de vendas como teve consequências em vários países europeus. Por
sugestão de Wallraff, jornalistas franceses escreveram uma obra semelhante,
denunciando o racismo contra os trabalhadores árabes na França. A mesma linha
investigativa norteou uma publicação sobre a situação da mão de obra estrangeira
na Holanda.
Denúncias de efeito regional
Na Dinamarca, o Parlamento criou uma comissão para
investigar a situação dos estrangeiros no país, o que provocou uma série de
transformações. Era o que o autor esperava que acontecesse também na Alemanha.
"Mas, aqui, as denúncias tiveram apenas efeito regional. Por empenho
pessoal, o secretário de Trabalho e Assistência Social da Renânia do
Norte-Vestfália, por exemplo, descobriu dezenas, centenas de casos graves de
discriminação. Talvez fosse necessário publicar uma obra destas por ano",
comenta o jornalista.
O método de investigação jornalística usado por Wallraff foi
sido criticado desde o início. Muitos adversários ou empresas denunciadas –
como Thyssen e McDonald's – o enfrentaram até por via judicial, mas, salvo
raras exceções, o autor saiu vitorioso dos processos. Desde a publicação de
Cabeça de Turco, o nome Günter Wallraff é sinônimo de jornalismo investigativo
na Alemanha.
Um dos precursores do estilo de Cabeça de Turco foi o
escritor inglês Graham Greene (1904–91). Na crônica "Tocando Realejo"
(1928), em que relata sua perambulação por Hertfordshire disfarçado de mendigo,
ele fez uma espécie de antecipação do jornalismo praticado por Wallraff.
Antes da publicação do livro alemão, também o jornalista
brasileiro José Hamilton Ribeiro já havia usado a técnica do disfarce para
desvendar a realidade dos operários do ABC paulista, em reportagens para a
revista Realidade.
Autoria Maren Hellwege (gh)
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Kakistocracia é o conceito mundial do momento.
Kakistocracia
significa o governo dos piores, dos maus, perversos, vis, sujos, rasteiros e
nocivos. Kakistos é o superlativo de Kakos, este conjunto de termos
extremamente negativos e sórdidos. Ainda pensamos com os léxicos gregos
clássicos, ainda bem que temos a democracia e a política na arena de lutas. O
filósofo Michelangelo Bovero já alertava no começo do século XXI, depois da
empulhação italiana das "Mãos Limpas" resultando no governo dos mais
corruptos e criminosos, com um farsante tipo Berlusconi, no livro "Contra
O Governo dos Piores: Uma Gramática da Democracia". No Brasil só é pior
devido ao nosso nepotismo e nossa imensa histórica desigualdade social. A farsa
a jato é um produto da nossa justiça elitista, oligárquico-familiar e de classe
alta, um produto político da mesma classe social com origem nas famílias da
alta burocracia, gente do poder e com apoio da mídia oligárquico-familiar,
grupos que sempre controlaram a maior parte dos poderes executivo, legislativo
e judiciário. Agora nos condenam à plena Kakistocracia do desgoverno de Temer,
com as três características apresentadas no livro: Governo com oligarquia,
tirania e demagogia. Temer é o nosso Berlusconi advindo da farsa a jato, tal
como na Itália foi o charlatão Berlusconi. O problema para a hegemonia
oligárquica da classe dominante é que pela democracia não conseguirão manter a
Kakistocracia deles. O destino do Brasil por muitos anos se definirá no ano que
vem na luta pela democracia e pelas eleições. Democracia Popular contra a
Kakistocracia golpista.
RCO
Direitos Humanos significam a rigorosa e justa aplicação das Leis para todos.
Muitos só entendem quando precisam para si próprios. Observei
este fenômeno: Uma pessoa de extrema direita na sua parvoíce, o tolo tipo que
votou no Richa, no Aécio, apoiou o golpe com Temer, agora nega tudo para ficar
com Bolsonaro e amanhã com outro direitoso qualquer, esta pessoa ideológica
"de bem" quer a "morte de qualquer bandido" e "bandido
bom é bandido morto". Daí aparece um oficial de justiça atrás dessa mesma
pessoa, por uma causa menor, e ela foge e se esconde. Se aplicasse as suas
próprias regras estaria ameaçada pelo sistema. Agora também na tragédia de
Goiás, o menino filho de oficial da PM não foi tratado de modo diferenciado,
não aplicariam a execução sumária antes de chegar na delegacia porque não era
negro, pobre, periférico, filho de analfabetos invisíveis e nem aplicariam
direitos humanos somente para humanos direitos. Mesmo a extrema direita
procurou racionalizar e aplicar a lei nesse caso. Direitos Humanos são
universais e servem para todos nós. É uma forma de proteção e da lei contra
bandidos transgressores dentro do Estado. Quando um funcionário público,
policial ou militar se torna bandido devem entrar os Direitos Humanos. Surgiram
com as Revoluções Burguesas, nos séculos XVII/XVIII e com raízes na compaixão
Cristã do cristianismo primitivo. Desenvolveram-se nos Estados de Bem-estar
Social no século XX. Alô Brasil, vamos entrar no século XVII pelo menos !
RCO
Além de salvar Aécio, o Senado passou uma forte mensagem para a Nação:
Em épocas de fácil reprodutibilidade de aparelhos e gadgets, que
nenhuma "pessoa qualquer ou comum", por mais importantes e ricos que
sejam, tipo os novos ricos caipiras Joesley-Wesley Batista & Cias,
jornalistas investigativos, cientistas sociais, dissidentes políticos, que
ninguém jamais ouse tentar gravar, fotografar, rastrear ou denunciar nenhum
parlamentar principal do nepotismo porque o "interesse de classe", o
"espírito de corpo e de família", "a omertà institucional"
jamais aceitarão ou permitirão a queda de um dos seus membros pertencentes ao
núcleo duro. Vai se ferrar quem denunciar qualquer esquema como os irmãos
Batista se ferraram, e como denunciantes da grossa corrupção é que acabaram
presos e os poderosos denunciados gravados (Temer, Rocha Loures, Aécio e familiares)
seguem livres e soltos, para continuarem fazendo o que melhor sabem fazer, que
é roubar e mandar familiarmente na República de Bananas. Qualquer um que
estudou minimamente o legislativo brasileiro, federal, estadual e municipal,
nos últimos 50 anos sabe dos seus códigos, práticas e relações essenciais na
economia política informal de várias atividades criminosas, narcotráfico,
contrabando de mercadorias, armas, prostituição, venda de proteções, venda de
licitações, desvio de orçamentos, tráfico de influências, subcontratações,
superfaturamentos, cobrar pedágios de assessores e de comissionados a cargos
políticos indicados, bem como as conhecidas formas variadas de extorsões
organizadas, tudo junto com empresários privados ainda mais corruptos, sacanas
e vorazes.
RCO
Por que o Bom e Progressista Papa Francisco escolheu a data de quinze de outubro para tornar Santos a dezenas de pacíficos brasileiros massacrados no período colonial ?
Por que o Bom e Progressista Papa Francisco escolheu a data
de quinze de outubro para tornar Santos a dezenas de pacíficos brasileiros
massacrados no período colonial ? Qual o profundo sentido político da
canonização dos Mártires Brasileiros do Rio Grande do Norte ? Em 1645 estávamos
imersos em profunda dominação estrangeira, guerras simultâneas contra o maior
Império do mundo, a guerra contra a Espanha, desde a separação contra os
castelhanos, em 1640 e a pior guerra contra o mais rico, o mais tecnologicamente
avançado Império do mundo e suas companhias comerciais, a Holanda, desde 1630
invadindo, ocupando e massacrando o Brasil. Nos momentos de maior perigo e
ameaça a força do povo sempre desperta na guerra popular. A guerra foi decidida
em lugares como Guararapes. Não foi diferente quando os pobres camponeses e
pastores do Noroeste Ibérico, os falantes do dialeto galaico-português da
antiga Gallaecia, se rebelaram e enfrentaram o então todo poderoso Califado
Islâmico nos anos anteriores ao ano 1000. Hoje, tal como em 1645, parece que
estamos novamente submetidos e dominados por interesses estrangeiros como o
ilegítimo Temer, pastores protestantes politiqueiros cometendo crimes e ricos
banqueiros judeus, antes em Amsterdam e agora no Banco Central, todos saqueiam
e empobrecem o povo brasileiro. Bonifácio Andrada nos mostra que o inimigo, o
traidor político, também são as tradicionais oligarquias familiares políticas
brasileiras, entreguistas e corruptas, católicas e de direita, muitas com
ideologias estrangeiras e exóticas como a Opus Dei castelhana. A luta é entre
um projeto elitista, autoritário, golpista, conservador, reacionário,
excludente de direita e um projeto social, democrático, eleitoral, libertador,
emancipador e includente, de esquerda para a Pátria. O despertar nacional
acontecerá novamente? Assim afirmam os velhos messianismos tresloucados ? Os
religiosos da Cruz e os políticos da Estrela Vermelha no coração do peito verde
e amarelo ? O Brasil nunca caiu em abismos porque sempre é maior do que
qualquer abismo.
RCO
segunda-feira, 16 de outubro de 2017
Na atual conjuntura uma Universidade Federal deve refletir
bastante se aceita eventos de grupos nazistas, fascistas, separatistas e
extremistas de direita, grupos com ideologias excludentes e contrárias aos
valores democráticos, grupos com agendas políticas contrárias ao investimento e
progresso da ciência, da cultura, da tecnologia, do desenvolvimento nacional e
da cidadania inclusiva. Para qualquer evento público na Universidade, com
livres debates, deve sempre haver um professor ou membro da comunidade universitária
responsável, com nome, identidade e currículo Lattes público, apresentando e
justificando de maneira transparente o evento, bem como suas finalidades para o
mesmo público e seus pares. Desconfiem muito se nenhuma autoridade
universitária assumir e se responsabilizar por evento extremista, que
envergonhe profundamente a instituição, tipo evento com ativistas autoritários,
raivosos e portadores de ódio político intolerante, ódios de extremistas de
fora da universidade contra movimentos sociais críticos, contra jovens de
minorias politicamente representativas na história da universidade e suas
entidades, contra mulheres, contra LGBTS e afins, contra negros, contra índios
e contra qualquer grupo socialmente vulnerável. Se o evento não tiver apreciação
relevante e nem aparecer no Portal da Universidade é porque o caráter
científico, acadêmico e comunitário da atividade é vexaminoso e altamente
questionável. Mais uma vez precisamos do posicionamento da APUFPR, SINDITEST e
DCE, ao lado da Reitoria e Conselhos.
RCO
sábado, 14 de outubro de 2017
SONETO CV
Não chame o meu amor de Idolatria
Nem de Ídolo realce a quem eu amo,
Pois todo o meu cantar a um só se alia,
E de uma só maneira eu o proclamo.
É hoje e sempre o meu amor galante,
Inalterável, em grande excelência;
Por isso a minha rima é tão constante
A uma só coisa e exclui a diferença.
'Beleza, Bem, Verdade', eis o que exprimo;
'Beleza, Bem, Verdade', todo o acento;
E em tal mudança está tudo o que primo,
Em um, três temas, de amplo movimento.
'Beleza, Bem, Verdade' sós, outrora;
Num mesmo ser vivem juntos agora.
William Shakespeare
Soneto da separação
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Vinícius de Moraes
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