sábado, 27 de novembro de 2010

Serge Gainsbourg la chanson de Prévert

la chanson de Prévert

Serge Gainsbourg – la chanson de Prévert, de Serge Gainsbourg/Kosma






Oh je voudrais tant que tu te souviennes

Cette chanson était la tienne

C’était ta préféré je crois

Qu’elle est de Prévert et Kosma

Et chaque fois “Les feuilles mortes”

Te rappelle à mon souvenir

Jour après jour les amours mortes

N’en finissent pas de mourir.



Avec d’autres bien sur je m’abandonne

Mais leur chanson est monotone

Et peu à peu je m’indiffère

A cela il n’est rien à faire

Car chaque fois “Les feuilles mortes”

Te rappelle à mon souvenir

Jour après jour les amours mortes

N’en finissent pas de mourir.



Peut-on jamais savoir par où commence

Et quand finit l’indifférence

Passe l’automne vienne l’hiver

Et que la chanson de Prévert

Cette chanson “Les feuilles mortes”

S’efface de mon souvenir

Et ce jour là mes amours mortes

En auront fini de mourir

Et ce jour là mes amours mortes

En auront fini de mourir

Para pintar o retrato de um pássaro

Para pintar o retrato de um pássaro



Jacques Prévert

Para Elsa Henriquez



Primeiro pintar uma gaiola

com a porta aberta

pintar depois

algo de lindo

algo de simples

algo de belo

algo de útil

para o pássaro

depois dependurar a tela numa árvore

num jardim

num bosque

ou numa floresta

esconder-se atrás da árvore

sem nada dizer

sem se mexer…

Às vezes o pássaro chega logo

mas pode ser também que leve muitos anos

para se decidir

Não perder a esperança

esperar

esperar se preciso durante anos

a pressa ou a lentidão da chegada do pássaro

nada tendo a ver

com o sucesso do quadro

Quando o pássaro chegar

se chegar

guardar o mais profundo silêncio

esperar que o pássaro entre na gaiola

e quando já estiver lá dentro

fechar lentamente a porta com o pincel

depois

apagar uma a uma todas as grades

tendo o cuidado de não tocar numa única pena do pássaro

Fazer depois o desenho da árvore

escolhendo o mais belo galho

para o pássaro

pintar também a folhagem verde e a frescura do vento

a poeira do sol

e o barulho dos insectos pelo capim no calor do verão

e depois esperar que o pássaro queira cantar

Se o pássaro não cantar

mau sinal

sinal de que o quadro é ruim

mas se cantar bom sinal

sinal de que pode assiná-lo

Então você arranca delicadamente

uma das penas do pássaro

e escreve seu nome num canto do quadro.



POUR FAIRE LE PORTAIT D’UN OISEAU



A Elsa Henriquez



Peindre d’abord une cage

avec une porte ouverte

pendre ensuite

quelque chose de joli

quelque chose de simple

quelque chose de beau

quelque chose d’utile

pour l’oiseau

placer ensuite la toile contre une arbre

dans un jardin

dans un bois

ou dans une forêt

se cacher derrière l’arbre

sans rien dire

sans bouger…

Parfois l’oiseau arrive vite

mais il peut aussi bien mettre de longues années

avant de se décider

Ne pás le décourager

attendre

attendre s’il le faut pendant des années

n’ayant accun rapport

avec la réussite du tableau

Quand l’oiseau arrive

s’il arrive

observer le plus profond silence

attrendre que l’oiseau entre dans la cage

et quand il est entré

fermer doucement la porte avec le pinceau

puis

effacer un a un tous les barreaux

en ayant soin de ne toucher aucune des plumes

de l’oiseau

Faire ensuite le portrait de l’arbre

en choisissant la plus belle de ses branches

pour l’oiseau

peindre aussi

le vert feuillage et la fraîcher du vent

la poussière du soleil

et le bruit des bêttes de l’herbe dans la chaleur de l’été

et puis attendre que l’oiseau se decide à chanter

Si l’oiseau ne chate pás

c’est mauvais signe

signe que le tableau est mauvais

mais s’il chante c’est bon signe

signe que vous pouvez signer

Alors vous arrachez tout doucement

une des plumes de l’oiseau

et vous écrivez votre nom dans un coin du tableau



de “Paroles” (1945)

B. de S. (1499 - 1590)

«O vaticínio

Dez anos antes da vinda dos Espanhóis,

o primeiro sinal. Era como uma língua de fogo

no céu, como uma chama, como qualquer coisa faiscando

no crepúsculo. Ardia, largo, e disparava afunilando

para as alturas. Foi visto durante um ano, de noite.

E sempre que se iluminava ouviam-se gritos,

todos gritavam, todos batiam com a palma da mão

na boca, todos tinham medo,

se assustavam, esperavam, ficavam apavorados.





(...)



O monte

É uma coisa alta, pontiaguda; afilada em cima,

no cume, em bico, eleva-se e sobressai;

torna-se cómico, redondo; um monte redondo, baixo;

com muitos rochedos, rochoso; escarpado, fendido, rochoso;

feito de terra; com árvores; pastagens; com ervas; com água;

seco; recortado; com gargantas; com cavernas;

e lá dentro há gargantas, blocos de pedra.

Eu subo, escalo o monte. Vivo

no monte. Nasci no monte. Ninguém

se pode tornar monte. Ninguém se transforma

num monte. Por fim, também o monte se desfaz.



(...)



A caverna

Ali estende-se, ali torna-se longa e funda,

abre-se, estreita. É um lugar apertado,

um lugar de angústia. Ali é intransitável, áspera.

É um lugar terrível, um lugar de morte,

um lugar de trevas. Ali é sombria,

escura. A sua boca está escancarada, fauces abertas.

Fauces, largas, fauces estreitas.

Eu vou ficar na caverna.

Entro. Estou aqui. Estou na caverna.»



Hans Magnus Enzensberger. Mausoléu. Trad. e prefácio de João Barrento. Edições Cotovia, Lisboa, 2004., p.43/45/47

C. v. L. (1707 -1778)

Uma loucura diferente da nossa: a loucura de um clássico.

Claro, seco e lacónico. Naquele tempo era tudo mais pequeno.

Era quase um anão, nervoso, impaciente, rodopiante,

mas o olhar cor de âmbar sob a pesada cabeleira

era penetrante e frio: é preciso rejeitar tudo o que sejam

características acidentais. Coleccionar, definir, classificar.

Todas as parecenças obscuras foram apenas inventadas para

vergonha da ciência. Lâminas terminiológicas para extrair

o imutável da carne e de um mundo cego e trémulo.





Inventários, nomenclaturas, reportórios. A natureza,

um quadrado intemporal, uma quadrícula imóvel.

Gravuras coloridas à mão, árvores genealógicas, tabelas.

Na espuma dos fenómenos, esta linguagem não se mexe.

Uma gramática do mensurável: da espessura de um cabelo,

da fundura de um umbigo, com a forma de uma vulva,

espiralada como a concha de uma orelha. Classificando,

minuciosamente e «com sentido». Trabalhando dia e noite,

para não perder um minuto enquanto permanecesse em Upsala.





Num país pobre, no mais miserável dixhuitième:

juventude pedregosa, sem dinheiro para meias-solas, comendo

do prato alheio, uma cama sempre fria, subterfúgios

para obter títulos e táleres. Finalmente, a fuga para o inóspito.

Lá, onde quase nada mais vive, ele quase revive.





Lapónia, 1745: vi verão e inverno num só dia,

atravessei nuvens, busquei o fim do mundo,

os asilos nocturnos do Sol. No frio, floresce o seu

coração seco. Líquenes rangíferos, tundra, liberdade do Ártico.





Depois, regresso aos cortesãos, aos jardins e gabinetes.

Sonhos infernais, meditações, trevas «cheias de sentido».

Nos olhos âmbar o brilho da loucura. Estático.

Finalmente, professor, médico pessoal da rainha (a mão certa

para curar as doenças do peito), presidente da academia.

Condecorado: Estrela Polar com fita preta. Tudo tarde de mais.

Azedume, desconfiança, noites sombrias em estufas,

depois a apoplexia. Os últimos quatro anos com

paralisia parcial, numa triste fraqueza de corpo e espírito.





Ninguém sabia que ele, que tinha encontrado tantas provas

da providência divina entre as coisas naturais, há muitos anos

vinha coleccionando exemplos semelhantes nos destinos humanos;

e que também os milagres, os pecados, obedecem à taxonomia.

Mania das perseguições, alucinações. Paralelamente à histoire admirable

des plantes, a história natural de doenças e vícios:

Nemesis divina, o noctário, guardado num estojo,

cheio de premonições, augúrios, intuições, leitura para Strindberg.

Teologia empírica. O investigador como espião de Deus.





Tudo tem a sua ordem: fogo posto luxúria infanticídio traição

manha e envenenamento. Melander, professor de teologia,

tece intrigas no consistório, até que, às seis da tarde, a sua cabeça

se volta para as costas. Caí, é levado para casa, nunca mais

verá o dia da cura. Deus é um rectângulo intemporal,

a Sua retaliação uma quadrícula, imóvel: execução, fogo

defenestração cabeça cortada. A senhora Psilanderhjelm, leviana

deita-se com um cortesão em Estocolmo. Apanha uma doença do ventre,

morre em breve. Abrem-na, encontram uma pedra no lugar da criança.





E assim tudo se revela. O pecador apodrece em vida.

Um modo de vida bastante monótono. Os castigos

são coleccionados, definidos e classificados. Minuciosamente e «com sentido»,

como o mecanismo da reprodução: estame seco e pólen,

semente estilete e estigma. Systema sexualis: uma obsessão fatal.

A vida não existe; só existem seres vivos.

Cada vez mais pequeno, o grande ancião medita, imóvel,

sobre uma vingança divina que fosse lógica. «Com sentido».

Sem sentido. «Com sentido». «Nós» não fazemos parte da sua loucura.





A flor que traz o seu nome, linnaea borealis L.,

é insignificante, minúscula, e quase toda branca.







Hans Magnus Enzensberger. Mausoléu. Trad. e prefácio de João Barrento. Edições Cotovia, Lisboa, 2004., p. 73-77

Micenas

Dá-me as tuas mãos, dá-me as tuas mãos,

dá-me as tuas mãos.



Vi dentro da noite

o cimo agudo do monte

vi além a planície inundada

com a luz de uma lua por aparecer

vi, ao voltar a cabeça

as pedras negras contraídas

e a minha vida tensa como corda

princípio e fim

o último momento;

as minhas mãos.



Afunda-se quem levanta as grandes pedras;

estas pedras levantei-as enquanto suportei

estas pedras amei-as enquanto suportei

estas pedras, o meu destino.

Ferido pelo meu solo

tiranizado pela minha túnica

condenado pelos meus próprios deuses,

estas pedras.



Sei que não sabem, porém eu

que segui tantas vezes

o caminho do assassino ao assassinado

do assassinado à paga

da paga ao outro assassínio,

a púrpura inesgotável

aquela tarde do regresso

quando as Solenes começaram a silvar

na erva escassa -

vi as serpentes em cruz com as víboras

entretecidas sobre a linguagem má

o nosso destino.



Vozes de pedra e do sono

mais fundas aqui onde o mundo escurece,

memória da fadiga enraizada no ritmo

que bateu na terra com pés

esquecidos.

Corpos afundados nos alicerces

do outro tempo, nus. Olhos

fixos fixos, num sinal

que por mais que queiras não distingues;

a alma

que luta por tornar-se tua alma.



Nem já sequer o silêncio é teu

aqui onde as mós pararam.



Outubro 1935


Yorgos Seferis. Poemas Escolhidos. Trad. de Joaquim Manuel Magalhães e Nikos Pratisinis. Relógio D'Água, Lisboa, 1993., p.49/51

An Indian Washing the Baby (1906)

Poesia

I



por caminhos de lavanda e urze: raso,

o sangue sob a plaina dos dedos,



enquanto a mão aprende

toda a beatitude do mundo



a mão alçada sobre a lua dos olhos,

o gesto é conciso

como uma imagem impossível



II



depois, ameias entre os venenos,

os versos:



carótida, laringe, fuligem, falange



os versos: um secreto combate, os versos



tantas vezes não mais que sombras



entre a luz nocturna da lâmina

e a doçura da pálpebra



III



em verdade falo apenas do que há

dentro dos nomes



o que há dentro de um nome?



em verdade falo apenas de um imóvel caminho



um lentíssimo modo de rumar

ao silêncio.

Luís Felício




Fonte Clepsidra
http://luz-clepsidra.blogspot.com/

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Jean Genet : un poète méconnu

Poésie universelle:
 "Patricia" : poesieuniverselle@yahoogroupes.fr
Suite à un message de notre ami Orlando sur son groupe de poésie, je vous propose de (re)découvrir ce poète "rebelle" doté d'une sensibilité magnifique.




Le condamné à mort (extrait)

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SUR MON COU sans armure et sans haine, mon cou

Que ma main plus légère et grave qu'une veuve

Effleure sous mon col, sans que ton cœur s'émeuve,

Laisse tes dents poser leur sourire de loup.



Ô viens mon beau soleil, ô viens ma nuit d'Espagne,

Arrive dans mes yeux qui seront morts demain.

Arrive, ouvre ma porte, apporte-moi ta main,

Mène-moi loin d'ici battre notre campagne.



Le ciel peut s'éveiller, les étoiles fleurir,

Ni les fleurs soupirer, et des prés l'herbe noire

Accueillir la rosée où le matin va boire,

Le clocher peut sonner : moi seul je vais mourir.



Ô viens mon ciel de rose, ô ma corbeille blonde !

Visite dans sa nuit ton condamné à mort.

Arrache-toi la chair, tue, escalade, mords,

Mais viens ! Pose ta joue contre ma tête ronde.



Nous n'avions pas fini de nous parler d'amour.

Nous n'avions pas fini de fumer nos gitanes.

On peut se demander pourquoi les Cours condamnent

Un assassin si beau qu'il fait pâlir le jour.



Amour viens sur ma bouche ! Amour ouvre tes portes !

Traverse les couloirs, descends, marche léger,

Vole dans l'escalier plus souple qu'un berger,

Plus soutenu par l'air qu'un vol de feuilles mortes.



Ô traverse les murs ; s'il le faut marche au bord

Des toits, des océans ; couvre-toi de lumière,

Use de la menace, use de la prière,

Mais viens, ô ma frégate, une heure avant la mort.



PARDONNEZ-MOI mon Dieu parce que j'ai péché !

Les larmes de ma voix, ma fièvre, ma souffrance,

Le mal de m'envoler du beau pays de France,

N'est-ce pas assez, mon Seigneur, pour aller me coucher.

Trébuchant d'espérance



Dans vos bras embaumés, dans vos châteaux de neige !

Seigneur des lieux obscurs, je sais encore prier.

C'est moi, mon père, un jour, qui me suis écrié :

Gloire au plus haut du ciel au Dieu qui me protège,

Hermès au tendre pied !



Je demande à la mort la paix, les longs sommeils,

Le chant des séraphins, leurs parfums, leurs guirlandes,

Les angelots de laine en chaudes houppelandes,

Et j'espère des nuits sans lunes ni soleils

Sur d'immobiles landes.



Ce n'est pas ce matin que l'on me guillotine.

Je peux dormir tranquille. À l'étage au-dessus

Mon mignon paresseux, ma perle, mon Jésus

S'éveille. Il va cogner de sa dure bottine

À mon crâne tondu.



POMPES FUNEBRES JEAN GENET P.267 L'imaginaire/ Gallimard (1953)

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Je sors d'un rêve que je ne puis rapporter.



Un rêve ne peut être fixé. Il s'écoule et chacune de ses images constamment se transforme puisqu'il n'existe que dans le temps et non dans l'espace. Puis l'oubli, la confusion... mais ce que je peux dire, c'est l'impression qu'il m'a fait.



A mon réveil, je savais que je sortais d'un rêve où j'avais commis le mal (je ne sais par quelle action : meurtre, vol ?) mais j'avais commis le mal, et j'éprouvais le sentiment de connaître la profondeur de la vie. Quelque chose comme si le monde avait une surface sur laquelle nous glissons (le bien) et une épaisseur où l'on ne s'enfonce que rarement, plus rarement qu'on ne croit (je note tout de suite qu'il s'agissait ainsi en rêve d'un séjour en prison).



Je crois que ce rejet du monde par le monde peut donner une humilité ou un orgueil, ou vous obliger à rechercher de nouvelles règles de vie, que ce nouvel univers vous permette de voir l'autre monde.



Il serait difficile d'expliquer pourquoi dans la cour de cette prison passait le cortège funèbre de tous les rois de la Terre. Ce n'est pourtant pas l'instant d'être imprécis. En réalité chaque roi, chaque reine, chaque prince royal, vêtu d'un manteau de cour de velours noir à traîne et coiffé de la couronne d'or fermée, voilée de crèpe le plus souvent, menait le deuil de tous les autres rois. Déjà étaient passés devant elle presque tous les rois du monde---ce qui veut dire d'Europe, quand la bonne vit s'avancer un carosse doré traîné par des chevaux blancs vêtus de deuil. Une reine y était assise, le sceptre au poing et le poing aux genoux. Elle était morte. A pied, une autre reine suivait, dont le visage était voilé. On ne pouvait les reconnaître. On savait que c'était des rois, des reines et des princes à leur couronne et à la raideur un peu timide de leur marche.



Malgré la dignité et l'éloignement forcé auxquels les oblige la vie, ces monarques parurent très près de la boniche qui les regardait défiler, avec étonnement, mais sans plus de crainte ni d'émerveillement qu'elle n'eût regardé passer une bande d'oies conduites par le jars. Ce cortège donnait vraiment l'impression de la richesse, les bijoux de deuil y étaient avec profusion, sauf qu'il n'y avait pas une fleur, un feuillage, si ce n'est brodés d'argent sur noir. La reine d'Espagne, reconnue grâce à son éventail, pleura beaucoup. Le roi de Roumanie était maigre, presque sans chair, et blanc. Tous les princes allemands le suivaient.



Et chacun, dans ce cortège, était seul, pris, capturé dans un bloc de solitude d'où il ne pouvait rien voir que lui-même et l'exceptionnelle magnificence- non d'un destin - mais de la trace de ce destin qu'il continuait. Leur solitude enfin, et leur indifférence permettaient à la bonne d'être maîtresse d'elle-même en face de ces personnages hautains. Elle les regarda comme sa patronne regardait le samedi de son balcon passer les noces.



Je suis soudain seul parce que le ciel est bleu, les arbres verts, la rue calme, et qu'un chien marche aussi seul que moi, devant moi. J'avance lentement, mais fortement. Je crois qu'il fait nuit. Ces paysages que je découvre, ces maisons avec leurs réclames, les affiches, les vitrines au milieu de quoi je passe en souverain sont de la même substance que les personnages de ce livre, que les visions que je découvre quand ma bouche et ma langue sont occupées dans les poils d'un oeil de bronze où je crois reconnaître un rappel des goûts de mon enfance pour les tunnels. J'encule le monde...



Pour finir,

le dossier de France Culture pour le centenaire de sa naissance

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regorge de trésors avec des émissions passionnantes.

http://www.franceculture.com/

sábado, 20 de novembro de 2010

A Revolução Mexicana

Como eu não possuo

Olho em volta de mim. Todos possuem

Um afecto, um sorriso ou um abraço.

Só para mim as ânsias se diluem

E não possuo mesmo quando enlaço.

Roça por mim, em longe, a teoria

Dos espasmos golfados ruivamente;

São êxtases da cor que eu fremiria,

Mas a minh’alma pára e não os sente!

Quero sentir. Não sei… perco-me todo…

Não posso afeiçoar-me nem ser eu:

Falta-me egoísmo para ascender ao céu,

Falta-me unção pra me afundar no lodo.

Não sou amigo de ninguém. Pra o ser

Forçoso me era antes possuir

Quem eu estimasse – ou homem ou mulher,

E eu não logro nunca possuir!…

Castrado d’alma e sem saber fixar-me,

Tarde a tarde na minha dor me afundo…

– Serei um emigrado doutro mundo

Que nem na minha dor posso encontrar-me?

***

Como eu desejo a que ali vai na rua,

Tão ágil, tão agreste, tão de amor…

Como eu quisera emaranhá-la nua,

Bebê-la em espasmos d’harmonia e cor!…

Desejo errado… Se a tivera um dia,

Toda sem véus, a carne estilizada

Sob o meu corpo arfando transbordada,

Nem mesmo assim – ó ânsia! – eu a teria…

Eu vibraria só agonizante

Sobre o seu corpo d’êxtases dourados,

Se fosse aqueles seios transtornados,

Se fosse aquele sexo aglutinante…

De embate ao meu amor todo me ruo,

E vejo-me em destroço até vencendo:

É que eu teria só, sentindo e sendo

Aquilo que estrebucho e não possuo.

Paris 1913 – Maio


Mário de Sá-Carneiro



Mário de Sá-Carneiro. Dispersão. Lisboa, 1914

Pancho Villa

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Abraço EMBRACE

You know the parlor trick.

Wrap your arms around your own body

and from the back it looks like

someone is embracing you,

her hands grasping your shirt,

her fingernails teasing your neck.

From the front it is another story.

You never looked so alone,

your crossed elbows and screwy grin.

You could be waiting for a tailor

to fit you for a straitjacket,

one that would hold you really tight.

ABRAÇO

Conheces o truque do gabinete.

Enrola os braços à volta do teu próprio corpo

e de trás parece que

alguém te está a abraçar,

as mãos dela agarrando a tua camisa,

suas unhas cardando o teu pescoço.

Já de frente é outra história.

Tu nunca pareceste tão só,

de cotovelos cruzados e esgar contorcido.

Podias estar à espera do alfaiate

para provar uma camisa de forças,

uma que te agarrasse muito junto.


Billy Collins
Fonte Poesia & Ltda

Abd al malik .La vie au conditionnel

Abd Al Malik - Fleurs de Lune Feat.Aïssa & Souad Massi

Fleurs de Lune

Mon Oeil pleure, mon oeil pleure, Ma patrie me manque tellement,

ma patrie c’est l’amour, ma patrie c’est le coeur,

ma patrie c’est le respect de chacun, même s’il est différent,

le souvenir perpétue l’éclat de ce lieu ou j’ai tant aimé,

de ce lieux ou j’ai tant donné, j’ai vu la tendresse prendre forme humaine,

un arc-en-ciel me dire je t’aime,

une pluie de perles me parler pour me dire jamais je pourrais te quitter,

mon esprit prit possession de mon corps, je suis devenu plume,

depuis que je suis sorti de la brume, je cueille des fleurs de lune,

au dela des cimes, au dela des cieux, au dela des cils qui se plissent,

mes mots, ce sont les feuilles de mon coeur qui bruissent,

douce réminicence, je veux retourner en enfance,

retrouver l’innoncence pour que plus rien ne m’offense,

a travers toi mon beau pays, tous les esprits s’unifient,

a travers toi mon beau pays, les morts reviennent à la vie,

les coeurs se sont orientés vers toi à travers les ages,

laisse moi saisir par le gout le soleil de ce breuvage,

je suis nostalgique de tes vallons et de tes plaines,

quand le souvenir de l’air de tes montagnes à mon sang se mèle,

je me suis fait argile pour boire de ton eau,

je suis devenu fragile, fleurs de lune au bord d’un ruisseau,



Ce lieu en nous est gravé, comment a-t-on pu faire pour oublier d’où l’on venait,

qui sais, je le sais, ma vie entière à changé,

tout un pan de mon existence, ma mémoire émergé, le voile s’est levé,

fontaine de la vie, ou toute les sources convergent,

ou le lait se mèle au miel, ou jaillisse des diamants de sagesse,

se perdent les intelligences ici n’ont plus pieds,

le fond subsiste au dela de la forme se trouve la réalité,

Il y a des cieux dans ce royaume de l’ame,

qui gouvernent notre monde que l’on trouve quelque fois infame,

l’apparence est le masque du secret,

l’apparence assassine trop souvent ce que l’on crée,

Maintenant que je sais d’ou je viens, je veux retrouver ma terre,

mon coeur est une boussole pour que je ne perde pas mes repères,

quete initiatique je voyage comme Chihiro,

pour que je m’éteigne a moi-même et que disparaisse mon égo



Nostalgique, pas avec la tête mais avec le coeur,

je n’ai pas d’images, ni son, ni odeur,

le souvenir d’une époque ou le corps est frontière,

seul l’esprit à sa place a part entière,

ma tete amnésique mais dans le coeur y’a une trace,

cette marque a vie, souvenir d’avant c’est l’amour,

il n’y avait pas de profondeur, hauteur que l’amour,

nous sommes nostalgiques des choses qui ne sont plus,

non l’endroit est bien la, moi je suis voilé,

avec mes deux pieds sur terre je peux que me souvenir,

l’actualité du monde pousse mon esprit à aller ver le haut,

la ou toi, moi noyés dans l’océan comme avant,

je suis tellement loin et proche en même temps,

le coeur un disque dur, j’oublie jamais,

se souvenir c’est déjà un pas pour revenir …

Marc Lavoine & Souad Massi - Paris

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

 Digo do corpo digno inteligente activo


Digo do corpo digno inteligente activo,

ou adorativo aqui sob este sol demente

Digo do corpo digo o que indigente gente

declarou pervertido inútil indecente,

de escamotear esconder vestir e declarar

não-ter (sendo contudo algo de omnipresente).

Digo que o sexo existe apenas porque sim

como o pudera ser por exemplo um rim

ou qualquer outra víscera ou quem sabe um membro

que parece amovível quando e se preciso

porém nunca senhor deste secreto templo

vivo discreto imenso renovável todo

aqui e agora e logo e por fora e por dentro,

uno ou dispersivo, mas um corpo sempre.

Maria da Graça Varella Cid

Perfeito do Indicativo

Copacabana 20 Ag 81

& etc

Não é o coração

Não é o coração

mas esta carne

em seu rumor.

Não é o coração

mas teu silêncio

de intenso furor.

Não é o coração

mas as mãos

sem corpo, vazias.

Na grave melodia

de um instante

tu e eu

em desequilíbrio

na infame

consistência

de um absoluto

obstáculo.

Ana Marques Gastão


Nocturnos

Canções com palavras

Gótica

2002

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Piano

Suavemente, na penumbra, uma mulher canta para mim;

Fazendo-me voltar e descer o panorama dos anos, até que vejo

uma criança sentada debaixo do piano, na explosão do prurido das

cordas

E pressionando os pequenos, suspensos pés de uma mãe que sorri

enquanto ela canta.

Apesar de mim, a insidiosa mestria da canção

Atraiçoa-me fazendo-me voltar, até que o meu coração chora para

pertencer

Ao antigo entardecer dos domingos em casa, com o inverno lá fora

E hinos na aconchegada sala de visitas, o tinido do piano o nosso guia.

Por isso agora é em vão que a cantora irrompe em clamor

Com o appassionato do grandioso piano negro. A magia

Dos dias infantis está em mim, a minha masculinidade

É desencorajada no fluxo da lembrança, choro como uma criança

pelo passado.


D.H. Lawrence
Tradução de Cecília Rego Pinheiro

Rosa do Mundo

2001 Poemas para o Futuro

Assírio & Alvim