A pornografia é a cara cortada das mulheres. É um campo
livre, onde todos corremos buscando palavras, paz e sexo. É o título do meu
primeiro livro, onde escrevo, protesto e rebento. É abrir o baú guardado da
infância e da inocência. É roubar à religião a sua parte falsa. É ir pelo
monte, buscando corpos que te amem. É rasgar as cuecas. Sermos putas que
sangram muito e de forma muito profunda na noite. Quando amam. Quando lhes
escapa o coração da caixa dos sonhos mortos. Pornografia é cuspir na cara
violada de um homem. Os homens não entendem este falar nosso e feminino, ou
lutam por entender. Eu creio nas fotos do sexo. Como creio na sinceridade da
poesia. Palavras brutais carregadas de beleza. Creio que o ser humano nasceu
para vencer o medo através do amor e do sexo. Que a história não deixou falar
as mulheres e agora deixamos de calar. Tiramos as saias e os sapatos que nos
doíam e vamos como vacas pela vida, com os olhos abertos, animais, selvagens e
por fim livres, abertas, faladoras, liberadas.
segunda-feira, 28 de outubro de 2019
AS FOTOS DO SEXO
De emergente envolvente para decadente isolado na política
da América do Sul em menos de um ano. Em janeiro de 2019, em Davos, no encontro
de capitalistas internacionais, Bolsonaro avisou que a Venezuela mudaria
rapidamente, antecipando a tentativa de golpe com Guaidó. Fracassaram porque o
governo da Venezuela resistiu e quem parece acabar o ano completamente isolado
é o Bolsonaro. Vitória eleitoral da oposição na Argentina, Fernandez e Cristina
apoiando o Lula Livre. Os governos de direita no Chile e Equador em profundas
crises e frangalhos, depois de grandes manifestações populares. O Paraguai
atravessou a grave crise de Itaipu, pouco comentada no Brasil. A Colômbia teve
mudanças nas eleições locais em Bogotá, Medellin e outras cidades derrotando a
direita. O Peru em crise e parlamento suspenso. Evo reeleito na Bolívia. A
Frente Ampla na frente nas eleições do Uruguai. A conjuntura geopolítica mudou
rapidamente durante o ano, a vitória da esquerda em Portugal, além de derrotas
de aliados extremistas de direita como Netanyahu e o processo de impeachment de
Trump caminhando.
RCO
Depois de tanta absurda justificativa a bel prazer dos
interesses saiba-se lá de quem, estamos presenciando a impunidade lograr êxito
onde "Têmis" deveria ser "Suprema".
Se compararmos nosso país, dito como abençoado por Deus e
bonito por natureza, com algumas feiuras que existem pelo globo terrestre onde
uma pessoa que rouba é ladrão e tem a mão amputada por isso, e, em casos mais
drásticos, a morte é sentença sumária, não conseguiremos entender o fato de
tais populações serem consideradas atrasadas.
O que é atraso?
- É o fato de alguma coisa que deveria acontecer dentro de
determinado tempo, não ter sido realizada;
- Noutro prisma visual, é alguém marcar certo horário e
chegar depois do combinado.
Ora, o Brasil..., de há muito deixa de realizar a tão
propalada evolução social, bem como, a tão sonhada Evolução Espiritual que
denotaria-o à condição de um "Nosso Lar".* O que está acontecendo na
atualidade, é que se houve alguma hora marcada para evoluirmos, creio que todos
chegamos - como população - devidamente..., atrasados.
O que vivemos?
- Adoramos um "Deus Onipotente Que A Tudo Vê" - em
hipótese - consagrado por alguns, recriminado por outros e temos uma
"Deusa Específica Denotada À Justiça", mas, que colocaram sobre os
olhos dela..., uma venda.
O fato é que as pessoas estão se subjugando a dois tipos de
venda, um, o da faixa de tecido coloca no rosto fechando os olhos e outro, no
sentido de verbo - venda - no ato de vender.
Vivemos uma "Realidade Irreal" que chega a
assustar aqueles que como eu já passaram dos 70 anos.
Desde que me entendo por gente, existem roubalheiras,
imoralidades, maus políticos, enfim, coisas ruins nunca deixaram de acontecer,
mas, guardávamos, num recôndito do coração uma boa dose de esperança e num
escaninho do cérebro um pouco de consciência. Atualmente, pessoas da minha
idade e infelizmente muitas bem mais novas, perderam a esperança e estão agindo
sem nenhuma consciência. Os tempos estão turvos.
Tudo que precisávamos era um pouco de luz, no espírito de
muita gente que segura uma caneta, mas, o que percebemos como a cereja do bolo
da hipocrisia - Data Vênia - é o Tribunal Federal que de Supremo..., nada tem,
pelo contrário, configura-se cada dia mais como Diminuto na Credibilidade;
Mínimo na Conduta que deveria ser Ilibada; Inferior no sentido da Honradez;
Insignificante para a Verdade e a Justiça; Irrelevante como degrau de
sobriedade, Ínfimo no procedimento pessoal, "Humano" no Pior
Entendimento Etimológico do termo, Mundano como Bordel de quinta categoria e
mais Profano que o Inferno de Dante, pois que, "Dante" configurou o
inferno com "Nove Círculos de Sofrimento" dentro da terra e o ST tem
"Onze Juízes" que se pensam Supremos..., sobre ela.
Que novos tempos venham, porque o tempo passado não deixa
boas recordações e o tempo atual configura-se como um novo "Dante" a
escrever novos infernos.
Na "Grande Comédia" da vida, não há nada de
"Divino".
Olinto Simões - 25/10/2019 - 6,50 h.
* - "Nosso Lar" - Livro da Federação Espírita
Brasileira - FEB - Psicografado por Chico Xavier, em audição/intuitiva do
espírito de André Luiz.
A crise do óleo nas praias revela a lamentável incapacidade
do Bolsonaro e das Forças Armadas na proteção da natureza do Brasil. Navios,
helicópteros, aviões e tropas servem para que afinal ? Imagine se ocorresse
algo semelhante nas praias dos EUA ou da Inglaterra e encontrassem barris da
Petrobras boiando por lá ? O sistema de multas contra pescadores pobres não
funciona contra ricas multinacionais, que não têm controle sobre o descarte e
controle de seus barris usados ? Mais uma vez a total incapacidade do
bolsonarismo, uma gestão que só serve para atender os interesses de
estrangeiros e de ricos na sua rapina e saque da natureza e dos trabalhadores
do Brasil. Se não encontram a fonte gigantesca do óleo também não encontram a
fonte da lábia do Queiroz, todos muito próximos !
RCO
Genealogia político-militar da deputada federal bolsonarista
Bia Kicis. Beatriz Kicis Torrents Pereira, nascida em Resende-RJ, 1961, filha
do coronel engenheiro do exército, Rubeni Torrents Pereira e de Leda Pfeil
Kicis. Neta paterna do capitão médico do exército, Rubem Gomes Pereira e de
Iracema Torrents Pereira. Neta materna do general Samuel Kicis, veterano da 2ª
Guerra Mundial na Itália e de Ruth do Couto Pfeil, filha do general João
Eduardo Pfeil e Dalila do Couto, irmã do coronel Eduardo Couto Pfeil, IPM-UFRJ,
secretário de segurança do Rio de Janeiro e comandante da PM em 1966, nome
citado no Relatório final da Comissão Municipal da Verdade de Petrópolis,
também irmão de Paulo Pfeil, secretário de educação no RJ na mesma conjuntura.
Samuel Kicis era filho de Isaac e Bertha Kicis, asquenazes da Bessarábia,
Europa Oriental. Bia Kicis Pereira foi casada com Francisco de Sordi,
divorciada. Procuradora do Distrito Federal aposentada. Irmã de Ruth Kicis Torrents
Pereira, também do MP-DF. Bia Kicis é deputada federal bolsonarista, ainda no
PSL, com perfil de extrema direita e conservadora na passada onda. Na reforma
da previdência a questão das bilionárias pensões para filhas de militares
permaneceu inalterada, entenderam ?
RCO
Sebastian Piñera, presidente do Chile, um dos mais ricos
empresários daquele país, possui uma genealogia política associada com a elite
colonial do Império Espanhol no Pacífico. O tetravô dele, Manuel Antonio de
Piñera Gutiérrez, veio de Ubiarco, na Cantábria, Norte da Espanha, para Lima,
no Vice-Reino do Perú. Casou na elite colonial local com uma mulher das velhas
famílias descendentes dos últimos imperadores incas, de acordo com as
genealogias. O filho José de Piñera y Lombera, trisavô de Sebastian Piñera,
nascido em Lima (1786-1847) é que passou para o Chile. Uma família sempre associada
com o Estado, como sempre adoram a mamata estatal, Estado máximo para eles e
Estado mínimo para trabalhadores pobres, sempre com cargos políticos e
atividades comerciais. Como boa parte da classe dominante latino-americana
formam uma poderosa oligarquia familiar. Sebastian Piñera é primo do atual
ministro do Interior e Segurança, fotografado ao lado de Pinochet quando jovem,
Andres Chadwick. O próprio General Iturriaga no comando do toque de recolher é
filho e parente de vários militares envolvidos na última ditadura de Pinochet,
espero que não aprofundem a necrogenealogia deles. Como verificamos a grande
concentração de renda e o autoritarismo sempre são produtos de famílias
políticas e empresariais de longa duração. O Brasil ainda possui a maior classe
dominante originária do Estado Colonial e a mais antiga aristocracia Imperial
da América.
RCO
Lições da Inquisição
Aos apoiadores incondicionais (repito, incondicionais) da
Lava Jato e dos procedimentos por ela usados, em cumplicidade de Sergio Moro e
outros magistrados, ou ex magistrados, recomenda-se a leitura do impecável
editorial de O Estado de São Paulo. Copiei e publiquei na íntegra para os não
assinantes. Ah! Os que são contra a Lava Jato também ganharão muito com a
leitura. RR
Lições da Inquisição
Nos dias de hoje, em que com frequência se dá às delações um
crédito irrazoável e desproporcional, é instrutivo recordar que foi esse tipo
de testemunho que ocasionou, em muitos países, uma epidemia sangrenta de
perseguição
Notas & Informações, O Estado de S.Paulo
28 de outubro de 2019 | 03h00
Nos anos 80, o Estado publicou um artigo do professor John
Tedeschi (A Outra Face da Inquisição, Suplemento de Cultura, 16/3/1986)
apontando como, ao contrário do que se consolidou no imaginário popular, já
havia na Inquisição romana do século 16 garantias processuais que depois seriam
incorporadas pelas legislações nacionais. O artigo indica, por exemplo, que o
Santo Ofício aplicava com frequência penas alternativas ao encarceramento, como
trabalhos obrigatórios em prisão domiciliar. Ou que cabia ao inquisidor prover
as despesas das testemunhas de defesa, caso o réu não dispusesse dos meios
necessários.
Tedeschi alerta que seu estudo se refere à instituição
estabelecida na Itália em meados do século 16, não devendo ser confundida “com
a Inquisição medieval que entrara em vigor no início do século 13 (e da qual a
Inquisição romana era a continuação) nem com o tribunal espanhol fundado em
1478 e cuja história é completamente distinta”. Também menciona que não deseja
amenizar os abusos cometidos pelos tribunais da Inquisição, nas diversas
épocas. Seu objetivo é, por meio de uma análise das fontes disponíveis, traçar
um panorama fidedigno do funcionamento daqueles tribunais.
À parte as controvérsias inerentes a trabalhos dessa
natureza, é interessante nestes tempos de indiferença às garantias penais – não
raro tratadas como “filigranas jurídicas” – revisitar direitos e proteções que
a Inquisição romana concedia aos acusados. Ainda que possa surpreender, talvez
a Inquisição tenha algo a ensinar sobre o devido processo legal.
“A Inquisição romana fez total uso, a partir do século 16,
de uma justiça legal (em contraposição a uma justiça moral). Pude mesmo
verificar, em cada caso, que Roma mandava aplicar escrupulosamente os
procedimentos adequados formulados pelos manuais para uso dos inquisidores”,
relata John Tedeschi. Não havia espaço para idiossincrasias ou protagonismos
arbitrários.
A respeito das razões para o sigilo processual – os
inquisidores faziam um solene voto de silêncio relativo a todo o processo judicial
–, o artigo aponta que, entre outros aspectos, “era preciso proteger a
reputação do acusado”. Havia um cuidado de fato com o princípio da presunção de
inocência.
No artigo, há documentos indicando que a Inquisição romana
era prudente antes de deter um suspeito. “É preciso mostrar-se muito prudente
no encarceramento de suspeitos, escreve Eliseo Masini num manual consagrado, Il
Sacro Arsenale, pois o simples fato de ser aprisionado por crime de heresia é
notavelmente infamante para a pessoa. Será, portanto, necessário estudar
cuidadosamente a natureza das provas, a qualidade das testemunhas e o estado do
acusado”, transcreve o professor Tedeschi.
O artigo menciona também a carta de um funcionário da
congregação romana dirigida a um inquisidor de Bolonha: “Que Vossa
Reverendíssima não se apresse em proceder a uma detenção, pois a simples
captura, ou mesmo a bulha que ela possa provocar, causa um grave dano”, diz o
documento redigido em 1573.
Ao elencar os motivos pelos quais não houve na Itália a
“epidemia sangrenta de perseguição dirigida a bruxos que assolou a Europa
setentrional no final do século 16 e durante boa parte do 17”, o artigo aponta
que a Inquisição romana “insistiu fortemente no fato de que o testemunho de uma
pessoa suspeita de bruxaria tinha uma validade extremamente limitada enquanto
fundamento de uma perseguição visando outras pessoas”.
Nos dias de hoje, em que com frequência se dá às delações um
crédito irrazoável e desproporcional, é instrutivo recordar que foi esse tipo
de testemunho que ocasionou, em muitos países, uma epidemia sangrenta de
perseguição. Esse dado histórico mostra a relevância para todos os cidadãos, e
não apenas para as partes envolvidas num determinado processo penal, do
respeito ao devido processo legal. Não são filigranas jurídicas. São nesses
aparentemente pequenos detalhes que se infiltram insidiosamente grandes
desequilíbrios e injustiças. Não convém ignorar as lições da história
Roberto Romano
O negócio é o seguinte: eu sou diferente de você, você é
diferente de mim. Em alguns assuntos nós concordamos, em outros não.
Eu tento postar matérias, textos, expressões do que penso na
situação que estou vivendo, de vez em quando apelo para uma figurinha, uma
piadinha, um melodrama, também porque representa a relação entre sentimento,
sensação e razão pela qual vivo naquele momento e mostra que minha trajetória
pode ser semelhante ou completamente diferenciada da sua.
Faço esforços grandiosos para ver para além da minha
trajetória e tentar compreender como os diferentes pensam, mas é impossível
sentir o que os outros sentem da maneira que o sentem, e muitas vezes, o máximo
que chego é me distanciar mais de mim mesma para observar por outra
perspectiva, mas que ainda é minha mesma.
Ainda vibro num estado em que me é muito difícil conter
impulsos de reação raivosa, debochada, escrachante e narcisística. Mas sabendo
disso, meus julgamentos incontroláveis são bem relativos e consigo mudar meus
posicionamento quanto mais me esclareço a respeito do que fiz, li, pensei,
conversei e senti.
Não acredito em neutralidade e desconfio de muitas coisas.
Todavia, mantenho esperanças quanto a minha vida pessoal e a projetos coletivos
cooperativos e solidários.
Não sei se as pessoas, ou quantas pessoas, sofrem com o que
eu sofro nessas tentativas de distanciamento e compreensão e reflexão sobre si
mesmo.
Não acho que a melhor solução para nada seja mantermos
posições enfadonhas e de menos intervenção sobre o mundo, as coisas, os
pensamentos, as pessoas, só não tenho ainda condições e exemplos suficientes
para comprovar o que acho, por isso permaneço aberta a duvidas e em processo de
buscar aprender e conhecer mais de tudo.
Louise Ronconi de Nazareno
"É aqui que entra a actividade «crítica» da filosofia.
A filosofia recusa-se a aceitar qualquer crença que as provas experimentais e o
raciocínio não mostrem que é verdadeira. Uma crença que não possa ser
estabelecida por este meio não é digna da nossa fidelidade intelectual e é
habitualmente um guia incerto da acção. A filosofia dedica-se, portanto, ao
exame minucioso das crenças que aceitámos acriticamente de várias autoridades.
Temos de nos libertar dos preconceitos e emoções que muitas vezes obscurecem as
nossas crenças. A filosofia não permitirá que crença alguma passe a inspecção
só porque tem sido venerada pela tradição ou porque as pessoas acham que é
emocionalmente compensador aceitar essa crença. A filosofia não aceitará uma
crença só porque se pensa que é «simples senso comum» ou porque foi proclamada
por homens sábios. A filosofia tenta nada tomar como «garantido» e nada aceitar
«por fé». Dedica-se à investigação persistente e de espírito aberto, para
descobrir se as nossas crenças são justificadas, e até que ponto o são. Deste
modo, a filosofia impede-nos de nos afundarmos na complacência mental e no
dogmatismo em que todos os seres humanos têm tendência para cair."
- Jerome Stolnitz
El guardavía
-¡Eh, oiga!
¡Ahí abajo!
Cuando oyó la voz que así lo llamaba se encontraba de pie en
la puerta de su caseta, empuñando una bandera, enrollada a un corto palo.
Cualquiera hubiera pensado, teniendo en cuenta la naturaleza del terreno, que
no cabía duda alguna sobre la procedencia de la voz; pero en lugar de mirar
hacia arriba, hacia donde yo me encontraba, sobre un escarpado terraplén
situado casi directamente encima de su cabeza, el hombre se volvió y miró hacia
la vía. Hubo algo especial en su manera de hacerlo, pero, aunque me hubiera ido
en ello la vida, no habría sabido explicar en qué consistía, mas sé que fue lo
bastante especial como para llamarme la atención, a pesar de que su figura se
veía empequeñecida y en sombras, allá abajo en la profunda zanja, y de que yo
estaba muy por encima de él, tan deslumbrado por el resplandor del rojo
crepúsculo que sólo tras cubrirme los ojos con las manos, logré verlo.
-¡Eh, oiga! ¡Ahí abajo!
Dejó entonces de mirar a la vía, se volvió nuevamente y,
alzando los ojos, vio mi silueta muy por encima de él.
-¿Hay algún camino para bajar y hablar con usted?
Él me miró sin replicar y yo le devolví la mirada sin
agobiarle con una repetición demasiado precipitada de mi ociosa pregunta. Justo
en ese instante el aire y la tierra se vieron estremecidos por una vaga
vibración transformada rápidamente en la violenta sacudida de un tren que
pasaba a toda máquina y que me sobresaltó hasta el punto de hacerme saltar
hacia atrás, como si quisiera arrastrarme tras él. Cuando todo el vapor que
consiguió llegar a mi altura hubo pasado y se diluía ya en el paisaje, volví a
mirar hacia abajo y lo vi volviendo a enrollar la bandera que había agitado al
paso del tren. Repetí la pregunta. Tras una pausa, en la que pareció estudiarme
con suma atención, señaló con la bandera enrollada hacia un punto situado a mi
nivel, a unas dos o tres yardas de distancia. «Muy bien», le grité, y me dirigí
hacia aquel lugar. Allí, a base de mirar atentamente a mi alrededor, encontré
un tosco y zigzagueante camino de bajada excavado en la roca y lo seguí.
El terraplén era extremadamente profundo y anormalmente
escarpado. Estaba hecho en una roca pegajosa, que se volvía más húmeda y
rezumante a medida que descendía. Por dicha razón, me encontré con que el camino
era lo bastante largo como para permitirme recordar el extraño ademán de
indecisión o coacción con que me había señalado el sendero.
Cuando hube descendido lo suficiente para volverlo a ver,
observé que estaba de pie entre los raíles por los que acababa de pasar el
tren, en actitud de estar esperándome. Tenía la mano izquierda bajo la barbilla
y el codo descansando en la derecha, que mantenía cruzada sobre el pecho. Su
actitud denotaba tal expectación y ansiedad que por un instante me detuve,
asombrado.
Reanudé el descenso y, al llegar a la altura de la vía y
acercarme a él, pude ver que era un hombre moreno y cetrino, de barba oscura y
cejas bastante anchas. Su caseta estaba en el lugar más sombrío y solitario que
yo hubiera visto en mi vida. A ambos lados, se elevaba un muro pedregoso y
rezumante que bloqueaba cualquier vista salvo la de una angosta franja de
cielo; la perspectiva por un lado era una prolongación distorsionada de aquel
gran calabozo; el otro lado, más corto, terminaba en la tenebrosa luz roja
situada sobre la entrada, aún más tenebrosa, a un negro túnel de cuya maciza
estructura se desprendía un aspecto rudo, deprimente y amenazador. Era tan
oscuro aquel lugar que el olor a tierra lo traspasaba todo, y circulaba un
viento tan helado que su frío me penetró hasta lo más hondo, como si hubiera
abandonado el mundo de lo real.
Antes de que él hiciese el menor movimiento me encontraba
tan cerca que hubiese podido tocarlo. Sin quitarme los ojos de encima ni aun
entonces, dio un paso atrás y levantó la mano.
Aquél era un puesto solitario, dije, y me había llamado la
atención cuando lo vi desde allá arriba. Una visita sería una rareza, suponía;
pero esperaba que no fuera una rareza mal recibida y le rogaba que viese en mí
simplemente a un hombre que, confinado toda su vida entre estrechos límites y
finalmente en libertad, sentía despertar su interés por aquella gran
instalación. Más o menos éstos fueron los términos que empleé, aunque no estoy
nada seguro de las palabras exactas porque, además de que no me gusta ser yo el
que inicie una conversación, había algo en aquel hombre que me cohibía.
Dirigió una curiosísima mirada a la luz roja próxima a la
boca de aquel túnel y a todo su entorno, como si faltase algo allí, y luego me
miró.
-¿Aquella luz está a su cargo, verdad?
-¿Acaso no lo sabe? -me respondió en voz baja.
Al contemplar sus ojos fijos y su rostro saturnino, me
asaltó la extravagante idea de que era un espíritu, no un hombre.
Desde entonces, al recordarlo, he especulado con la
posibilidad de que su mente estuviera sufriendo una alucinación.
Esta vez fui yo quien dio un paso atrás. Pero, al hacerlo,
noté en sus ojos una especie de temor latente hacia mí. Esto anuló la
extravagante idea.
-Me mira -dije con sonrisa forzada- como si me temiera.
-No estaba seguro -me respondió- de si lo había visto antes.
-¿Dónde?
Señaló la luz roja que había estado mirando.
-¿Allí? -dije.
Mirándome fijamente respondió (sin palabras), «sí».
-Mi querido amigo ¿qué podría haber estado haciendo yo allí?
De todos modos, sea como fuere, nunca he estado allí, puede usted jurarlo.
-Creo que sí -asintió-, sí, creo que puedo.
Su actitud, lo mismo que la mía, volvió a la normalidad, y
contestó a mis comentarios con celeridad y soltura.
¿Tenía mucho que hacer allí? Sí, es decir, tenía suficiente
responsabilidad sobre sus hombros; pero lo que más se requería de él era
exactitud y vigilancia, más que trabajo propiamente dicho; trabajo manual no
hacía prácticamente ninguno: cambiar alguna señal, vigilar las luces y dar la
vuelta a una manivela de hierro de vez en cuando era todo cuanto tenía que
hacer en ese sentido. Respecto a todas aquellas largas y solitarias horas que a
mí me parecían tan difíciles de soportar, sólo podía decir que se había
adaptado a aquella rutina y estaba acostumbrado a ella. Había aprendido una
lengua él solo allá abajo -si se podía llamar aprender a reconocerla escrita y
a haberse formado una idea aproximada de su pronunciación-. También había
trabajado con quebrados y decimales, y había intentado hacer un poco de
álgebra. Pero tenía, y siempre la había tenido, mala cabeza para los números.
¿Estaba obligado a permanecer en aquella corriente de aire húmedo mientras
estaba de servicio? ¿No podía salir nunca a la luz del sol de entre aquellas
altas paredes de piedra? Bueno, eso dependía de la hora y de las
circunstancias. Algunas veces había menos tráfico en la línea que otras, y lo
mismo ocurría a ciertas horas del día y de la noche. Cuando había buen tiempo
sí que procuraba subir un poco por encima de las tinieblas inferiores; pero
como lo podían llamar en cualquier momento por la campanilla eléctrica, cuando
lo hacía estaba pendiente de ella con redoblada ansiedad, y por ello el alivio
era menor de lo que yo suponía.
Me llevó a su caseta, donde había una chimenea, un
escritorio para un libro oficial en el que tenía que registrar ciertas
entradas, un telégrafo con sus indicadores y sus agujas, y la campanilla a la
que se había referido. Confiando en que disculpara mi comentario de que había
recibido una buena educación (esperaba que no se ofendiera por mis palabras),
quizá muy superior a su presente oficio, comentó que ejemplos de pequeñas
incongruencias de este tipo rara vez faltaban en las grandes agrupaciones
humanas; que había oído que así ocurría en los asilos, en la policía e incluso
en el ejército, ese último recurso desesperado; y que sabía que pasaba más o menos
lo mismo en la plantilla de cualquier gran ferrocarril. De joven había sido (si
podía creérmelo, sentado en aquella cabaña -él apenas si podía-) estudiante de
filosofía natural y había asistido a la universidad; pero se había dedicado a
la buena vida, había desaprovechado sus oportunidades, había caído y nunca
había vuelto a levantarse de nuevo. Pero no se quejaba de nada. Él mismo se lo
había buscado y ya era demasiado tarde para lamentarlo.
Todo lo que he resumido aquí lo dijo muy tranquilamente, con
su atención puesta a un tiempo en el fuego y en mí. De vez en cuando
intercalaba la palabra «señor», sobre todo cuando se refería a su juventud,
como para darme a entender que no pretendía ser más de lo que era. Varias veces
fue interrumpido por la campanilla y tuvo que transmitir mensajes y enviar
respuestas. Una vez tuvo que salir a la puerta y desplegar la bandera al paso
de un tren y darle alguna información verbal al conductor. Comprobé que era
extremadamente escrupuloso y vigilante en el cumplimiento de sus deberes,
interrumpiéndose súbitamente en mitad de una frase y permaneciendo en silencio
hasta que cumplía su cometido.
En una palabra, hubiera calificado a este hombre como uno de
los más capacitados para desempeñar su profesión si no fuera porque, mientras
estaba hablando conmigo, en dos ocasiones se detuvo de pronto y, pálido, volvió
el rostro hacia la campanilla cuando no estaba sonando, abrió la puerta de la
caseta (que mantenía cerrada para combatir la malsana humedad) y miró hacia la
luz roja próxima a la boca del túnel. En ambas ocasiones regresó junto al fuego
con la inexplicable expresión que yo había notado, sin ser capaz de definirla,
cuando los dos nos mirábamos desde tan lejos.
Al levantarme para irme dije:
-Casi me ha hecho usted pensar que es un hombre satisfecho
consigo mismo.
(Debo confesar que lo hice para tirarle de la lengua.)
-Creo que solía serlo -asintió en el tono bajo con el que
había hablado al principio-. Pero estoy preocupado, señor, estoy preocupado.
Hubiera retirado sus palabras de haber sido posible. Pero ya
las había pronunciado, y yo me agarré a ellas rápidamente.
-¿Por qué? ¿Qué es lo que le preocupa?
-Es muy difícil de explicar, señor. Es muy, muy difícil
hablar de ello. Si me vuelve a visitar en otra ocasión, intentaré hacerlo.
-Pues deseo visitarle de nuevo. Dígame, ¿cuándo le parece?
-Mañana salgo temprano y regreso a las diez de la noche,
señor.
-Vendré a las once.
Me dio las gracias y me acompañó a la puerta.
-Encenderé la luz blanca hasta que encuentre el camino,
señor -dijo en su peculiar voz baja-. Cuando lo encuentre ¡no me llame! Y
cuando llegue arriba ¡no me llame!
Su actitud hizo que el lugar me pareciera aún más gélido,
pero sólo dije «muy bien».
-Y cuando baje mañana ¡no me llame! Permítame hacerle una
pregunta para concluir: ¿qué le hizo gritar «¡Eh, oiga! ¡Ahí abajo!» esta
noche?
-Dios sabe -dije-, grité algo parecido...
-No parecido, señor. Fueron exactamente ésas sus palabras.
Las conozco bien.
-Admitamos que lo fueran. Las dije, sin duda, porque lo vi
ahí abajo.
-¿Por ninguna otra razón?
-¿Qué otra razón podría tener?
-¿No tuvo la sensación de que le fueron inspiradas de alguna
manera sobrenatural?
-No.
Me dio las buenas noches y sostuvo en alto la luz. Caminé a
lo largo de los raíles (con la desagradable impresión de que me seguía un tren)
hasta que encontré el sendero. Era más fácil de subir que de bajar y regresé a
mi pensión sin ningún problema.
A la noche siguiente, fiel a mi cita, puse el pie en el
primer peldaño del zigzag, justo cuando los lejanos relojes daban las once. El
guardavía me esperaba abajo, con la luz blanca encendida.
-No he llamado -dije cuando estábamos ya cerca-. ¿Puedo
hablar ahora?
-Por supuesto, señor.
-Buenas noches y aquí tiene mi mano.
-Buenas noches, señor, y aquí tiene la mía.
Tras lo cual anduvimos el uno junto al otro hasta llegar a
su caseta, entramos, cerramos la puerta y nos sentamos junto al fuego.
-He decidido, señor -empezó a decir inclinándose hacia
delante tan pronto estuvimos sentados y hablando en un tono apenas superior a
un susurro-, que no tendrá que preguntarme por segunda vez lo que me preocupa.
Ayer tarde le confundí con otra persona. Eso es lo que me preocupa.
-¿Esa equivocación?
-No. Esa otra persona.
-¿Quién es?
-No lo sé.
-¿Se parece a mí?
-No lo sé. Nunca le he visto la cara. Se tapa la cara con el
brazo izquierdo y agita el derecho violentamente. Así.
Seguí su gesto con la mirada y era el gesto de un brazo que
expresaba con la mayor pasión y vehemencia algo así como «por Dios santo,
apártese de la vía».
-Una noche de luna -dijo el hombre-, estaba sentado aquí
cuando oí una voz que gritaba «¡Eh, oiga! ¡Ahí abajo!». Me sobresalté, miré
desde esa puerta y vi a esa persona de pie junto a la luz roja cerca del túnel,
agitando el brazo como acabo de mostrarle. La voz sonaba ronca de tanto gritar
y repetía «¡Cuidado! ¡Cuidado!» y de nuevo «¡Eh, oiga! ¡Ahí abajo! ¡Cuidado!».
Cogí el farol, lo puse en rojo y corrí hacia la figura gritando «¿Qué pasa?
¿Qué ha ocurrido? ¿Dónde?». Estaba justo a la salida de la boca del túnel.
Estaba tan cerca de él que me extrañó que continuase con la mano sobre los
ojos. Me aproximé aún más y tenía ya la mano extendida para tirarle de la manga
cuando desapareció.
-¿Dentro del túnel? -pregunté.
-No. Seguí corriendo hasta el interior del túnel, unas
quinientas yardas. Me detuve, levanté el farol sobre la cabeza y vi los números
que marcan las distancias, las manchas de humedad en las paredes y el arco.
Salí corriendo más rápido aún de lo que había entrado (porque sentía una
aversión mortal hacia aquel lugar) y miré alrededor de la luz roja con mi
propia luz roja, y subí las escaleras hasta la galería de arriba y volví a
bajar y regresé aquí. Telegrafié en las dos direcciones «¿Pasa algo?». La
respuesta fue la misma en ambas: «Sin novedad».
Resistiendo el helado escalofrío que me recorrió lentamente
la espina dorsal, le hice ver que esta figura debía ser una ilusión óptica y
que se sabía que dichas figuras, originadas por una enfermedad de los delicados
nervios que controlan el ojo, habían preocupado a menudo a los enfermos, y
algunos habían caído en la cuenta de la naturaleza de su mal e incluso lo
habían probado con experimentos sobre sí mismos. Y respecto al grito
imaginario, dije, no tiene sino que escuchar un momento al viento en este valle
artificial mientras hablamos tan bajo y los extraños sonidos que hace en los
hilos telegráficos.
Todo esto estaba muy bien, respondió, después de escuchar
durante un rato, y él tenía motivos para saber algo del viento y de los hilos,
él, que con frecuencia pasaba allí largas noches de invierno, solo y vigilando.
Pero me hacía notar humildemente que todavía no había terminado.
Le pedí perdón y lentamente añadió estas palabras, tocándome
el brazo:
-Unas seis horas después de la aparición, ocurrió el
memorable accidente de esta línea, y al cabo de diez horas los muertos y los
heridos eran transportados por el túnel, por el mismo sitio donde había
desaparecido la figura.
Sentí un desagradable estremecimiento, pero hice lo posible
por dominarlo. No se podía negar, asentí, que era una notable coincidencia, muy
adecuada para impresionar profundamente su mente. Pero era indiscutible que
esta clase de coincidencias notables ocurrían a menudo y debían ser tenidas en
cuenta al tratar el tema. Aunque, ciertamente, debía admitir, añadí (pues me
pareció que iba a ponérmelo como objeción), que los hombres de sentido común no
tenían mucho en cuenta estas coincidencias en la vida ordinaria.
De nuevo me hizo notar que aún no había terminado, y de
nuevo me disculpé por mis interrupciones.
-Esto -dijo, poniéndome otra vez la mano en el brazo y
mirando por encima de su hombro con los ojos vacíos- fue hace justo un año.
Pasaron seis o siete meses y ya me había recuperado de la sorpresa y de la
impresión cuando una mañana, al romper el día, estando de pie en la puerta,
miré hacia la luz roja y vi al espectro otra vez.
Y aquí se detuvo, mirándome fijamente.
-¿Lo llamó?
-No, estaba callado.
-¿Agitaba el brazo?
-No. Estaba apoyado contra el poste de la luz, con las manos
delante de la cara. Así.
Una vez más seguí su gesto con los ojos. Era una actitud de
duelo. He visto tales posturas en las figuras de piedra de los sepulcros.
-¿Se acercó usted a él?
-Entré y me senté, en parte para ordenar mis ideas, en parte
porque me sentía al borde del desmayo. Cuando volví a la puerta, la luz del día
caía sobre mí y el fantasma se había ido.
-¿Pero no ocurrió nada más? ¿No pasó nada después?
Me tocó en el brazo con la punta del dedo dos o tres veces,
asintiendo con la cabeza y dejándome horrorizado a cada una de ellas:
-Ese mismo día, al salir el tren del túnel, noté en la
ventana de uno de los vagones lo que parecía una confusión de manos y de
cabezas y algo que se agitaba. Lo vi justo a tiempo de dar la señal de parada
al conductor. Paró el motor y pisó el freno, pero el tren siguió andando unas
ciento cincuenta yardas más. Corrí tras él y al llegar oí gritos y lamentos
horribles. Una hermosa joven había muerto instantáneamente en uno de los
compartimentos. La trajeron aquí y la tendieron en el suelo, en el mismo sitio
donde estamos nosotros.
Involuntariamente empujé la silla hacia atrás, mientras
desviaba la mirada de las tablas que señalaba.
-Es la verdad, señor, la pura verdad. Se lo cuento tal y
como sucedió.
No supe qué decir, ni en un sentido ni en otro y sentí una
gran sequedad de boca. El viento y los hilos telegráficos hicieron eco a la
historia con un largo gemido quejumbroso. Mi interlocutor prosiguió:
-Ahora, señor, preste atención y verá por qué está turbada
mi mente. El espectro regresó hace una semana. Desde entonces ha estado ahí,
más o menos continuamente, un instante sí y otro no.
-¿Junto a la luz?
-Junto a la luz de peligro.
-¿Y qué hace?
El guardavía repitió, con mayor pasión y vehemencia aún si
cabe, su anterior gesto de «¡Por Dios santo, apártese de la vía!». Luego
continuó:
-No hallo tregua ni descanso a causa de ello. Me llama
durante largos minutos, con voz agonizante, ahí abajo, «¡Cuidado! ¡Cuidado!».
Me hace señas. Hace sonar la campanilla.
Me agarré a esto último:
-¿Hizo sonar la campanilla ayer tarde, cuando yo estaba aquí
y se acercó usted a la puerta?
-Por dos veces.
-Bueno, vea -dije- cómo le engaña su imaginación. Mis ojos
estaban fijos en la campanilla y mis oídos estaban abiertos a su sonido y, como
que estoy vivo, no sonó entonces, ni en ningún otro momento salvo cuando lo
hizo al comunicar la estación con usted.
Negó con la cabeza.
-Todavía nunca he cometido una equivocación respecto a eso,
señor. Nunca he confundido la llamada del espectro con la de los humanos. La
llamada del espectro es una extraña vibración de la campanilla que no procede
de parte alguna y no he dicho que la campanilla hiciese algún movimiento visible.
No me extraña que no la oyese. Pero yo sí que la oí.
-¿Y estaba el espectro allí cuando salió a mirar?
-Estaba allí.
-¿Las dos veces?
-Las dos veces -repitió con firmeza.
-¿Quiere venir a la puerta conmigo y buscarlo ahora?
Se mordió el labio inferior como si se sintiera algo reacio,
pero se puso en pie. Abrí la puerta y me detuve en el escalón, mientras él lo
hacía en el umbral. Allí estaban la luz de peligro, la sombría boca del túnel y
las altas y húmedas paredes del terraplén, con las estrellas brillando sobre
ellas.
-¿Lo ve? -le pregunté, prestando una atención especial a su
rostro.
Sus ojos se le salían ligeramente de las órbitas por la
tensión, pero quizá no mucho más de lo que lo habían hecho los míos cuando los
había dirigido con ansiedad hacia ese mismo punto un instante antes.
-No -contestó-, no está allí.
-De acuerdo -dije yo.
Entramos de nuevo, cerramos la puerta y volvimos a nuestros
asientos. Estaba pensando en cómo aprovechar mi ventaja, si podía llamarse así,
cuando volvió a reanudar la conversación con un aire tan natural, dando por
sentado que no podía haber entre nosotros ningún tipo de desacuerdo serio sobre
los hechos, que me encontré en la posición más débil.
-A estas alturas comprenderá usted, señor -dijo-, que lo que
me preocupa tan terriblemente es la pregunta «¿Qué quiere decir el espectro?».
No estaba seguro, le dije, de que lo entendiese del todo.
-¿De qué nos está previniendo? -dijo, meditando, con sus
ojos fijos en el fuego, volviéndolos hacia mí tan sólo de vez en cuando-. ¿En
qué consiste el peligro? ¿Dónde está? Hay un peligro que se cierne sobre la línea
en algún sitio. Va a ocurrir alguna desgracia terrible. Después de todo lo que
ha pasado antes, esta tercera vez no cabe duda alguna. Pero es muy cruel el
atormentarme a mí, ¿qué puedo hacer yo?
Se sacó el pañuelo del bolsillo y se limpió el sudor de la
frente.
-Si envío la señal de peligro en cualquiera de las dos
direcciones, o en ambas, no puedo dar ninguna explicación -continuó, secándose
las manos-. Me metería en un lío y no resolvería nada. Pensarían que estoy
loco. Esto es lo que ocurriría: Mensaje: «¡Peligro! ¡Cuidado!». Respuesta:
«¿Qué peligro? ¿Dónde?». Mensaje: «No lo sé. Pero, por Dios santo, tengan
cuidado». Me relevarían de mi puesto. ¿Qué otra cosa podrían hacer?
El tormento de su mente era penoso de ver. Era la tortura
mental de un hombre responsable, atormentado hasta el límite por una
responsabilidad incomprensible en la que podrían estar en juego vidas humanas.
-Cuando apareció por primera vez junto a la luz de peligro
-continuó, echándose hacia atrás el oscuro cabello y pasándose una y otra vez
las manos por las sienes en un gesto de extremada y enfebrecida desesperación-,
¿por qué no me dijo dónde iba a suceder el accidente, si era inevitable que
sucediera? ¿por qué, si hubiera podido evitarse, no me dijo cómo impedirlo?
Cuando durante su segunda aparición escondió el rostro, ¿por qué no me dijo en
lugar de eso: «alguien va a morir. Haga que no salga de casa». Si apareció en
las dos ocasiones sólo para demostrarme que las advertencias eran verdad y así
prepararme para la tercera, ¿por qué no me advierte claramente ahora? ¿Y por
qué a mí, Dios me ayude, un pobre guardavía en esta solitaria estación? ¿Por
qué no se lo advierte a alguien con el prestigio suficiente para ser creído y
el poder suficiente para actuar?
Cuando lo vi en aquel estado, comprendí que, por el bien del
pobre hombre y la seguridad de los viajeros, lo que tenía que hacer en aquellos
momentos era tranquilizarlo. Así que, dejando a un lado cualquier discusión
entre ambos sobre la realidad o irrealidad de los hechos, le hice ver que
cualquiera que cumpliera con su deber a conciencia actuaba correctamente y que,
por lo menos, le quedaba el consuelo de que él comprendía su deber, aunque no
entendiese aquellas desconcertantes apariciones. En esta ocasión tuve más éxito
que cuando intentaba disuadirlo de la realidad del aviso. Se tranquilizó; las
ocupaciones propias de su puesto empezaron a reclamar su atención cada vez más
conforme avanzaba la noche. Lo dejé solo a las dos de la madrugada. Me había
ofrecido a quedarme toda la noche pero no quiso ni oír hablar de ello.
No me avergüenza confesar que me volví más de una vez a
mirar la luz roja mientras subía por el sendero, y que no me gustaba esa luz
roja, y que hubiera dormido mal si mi cama hubiera estado debajo de ella. Tampoco
veo motivo para ocultar que no me gustaban las dos coincidencias del accidente
y de la muerte de la joven.
Pero lo que fundamentalmente ocupaba mi mente era el
problema de cómo debía yo actuar, una vez convertido en confidente de esta
revelación. Había comprobado que el hombre era inteligente, vigilante,
concienzudo y exacto. ¿Pero durante cuánto tiempo podía seguir así en su estado
de ánimo? A pesar de lo humilde de su cargo tenía una importantísima
responsabilidad. ¿Me gustaría a mí, por ejemplo, arriesgar mi propia vida
confiando en la posibilidad de que continuase ejerciendo su labor con
precisión? Incapaz de no sentir que sería una especie de traición si informase
a sus superiores de lo que me había dicho sin antes hablar claramente con él
para proponerle una postura intermedia, resolví por fin ofrecerme para
acompañarlo (conservando de momento el secreto) al mejor médico que pudiéramos
encontrar por aquellos alrededores y pedirle consejo. Me había advertido que la
noche siguiente tendría un cambio de turno, y saldría una hora o dos después
del amanecer, para empezar de nuevo después de anochecer. Yo había quedado en
regresar de acuerdo con este horario.
La tarde siguiente fue una tarde maravillosa y salí temprano
para disfrutarla. El sol no se había puesto del todo cuando ya caminaba por el
sendero cercano a la cima del profundo terraplén. «Seguiré paseando durante una
hora -me dije a mí mismo-, media hora hacia un lado y media hora hacia el otro,
y así haré tiempo hasta el momento de ir a la caseta de mi amigo el guardavía.»
Antes de seguir el paseo me asomé al borde y miré
mecánicamente hacia abajo, desde el punto en que lo vi por primera vez. No
puedo describir la excitación que me invadió cuando, cerca de la entrada del
túnel, vi la aparición de un hombre, con la mano izquierda sobre los ojos,
agitando el brazo derecho apasionadamente. El inconcebible horror que me
sobrecogió pasó al punto, porque enseguida vi que esta aparición era en verdad
un hombre y que, de pie y a corta distancia, había un pequeño grupo de otros
hombres para quienes parecía estar destinado el gesto que había hecho. La luz
de peligro no estaba encendida aún. Apoyada en su poste, y utilizando unos
soportes de madera y lona, había una tienda pequeña y baja que me resultaba
totalmente nueva. No parecía mayor que una cama.
Con la inequívoca sensación de que algo iba mal -y el
repentino y culpable temor de que alguna desgracia fatal hubiera ocurrido por
haber dejado al hombre allí y no haber hecho que enviaran a alguien a vigilar o
a corregir lo que hiciera- descendí el sendero excavado en la roca a toda la
velocidad de la que fui capaz.
-¿Qué pasa? -pregunté a los hombres.
-Ha muerto un guardavía esta mañana, señor.
-¿No sería el que trabajaba en esa caseta?
-Sí, señor.
-¿No el que yo conozco?
-Lo reconocerá si le conocía, señor -dijo el hombre que
llevaba la voz cantante, descubriéndose solemnemente y levantando la punta de
la lona-, porque el rostro está bastante entero.
-Pero ¿cómo ocurrió? ¿cómo ocurrió? -pregunté, volviéndome
de uno a otro mientras la lona bajaba de nuevo.
-Lo arrolló la máquina, señor. No había nadie en Inglaterra
que conociese su trabajo mejor que él. Pero por algún motivo estaba dentro de
los raíles. Fue en pleno día. Había encendido la luz y tenía el farol en la
mano. Cuando la máquina salió del túnel estaba vuelto de espaldas y le arrolló.
Ese hombre la conducía y nos estaba contando cómo ocurrió. Cuéntaselo al
caballero, Tom.
El hombre, que vestía un burdo traje oscuro, regresó al
lugar que ocupara anteriormente en la boca del túnel:
-Al dar la vuelta a la curva del túnel, señor -dijo-, lo vi
al fondo, como si lo viera por un catalejo. No había tiempo para reducir la
velocidad y sabía que él era muy cuidadoso. Como no pareció que hiciera caso
del silbato, lo dejé de tocar cuando nos echábamos encima de él y lo llamé tan
alto como pude.
-¿Qué dijo usted?
-¡Eh, oiga! ¡Ahí abajo! ¡Cuidado! ¡Cuidado! ¡Por Dios santo,
apártese de la vía!
Me sobresalté.
-Oh, fue horroroso, señor. No dejé de llamarle ni un
segundo. Me puse el brazo delante de los ojos para no verlo y le hice señales
con el brazo hasta el último momento; pero no sirvió de nada.
Sin ánimo de prolongar mi relato para ahondar en alguna de
las curiosas circunstancias que lo rodean, quiero no obstante, para terminar,
señalar la coincidencia de que la advertencia del conductor no sólo incluía las
palabras que el desafortunado guardavía me había dicho que lo atormentaban,
sino también las palabras con las que yo mismo -no él- había acompañado -y tan
sólo en mi mente- los gestos que él había representado.
FIN
Charles Dickens
Biblioteca Digital Ciudad Seva
sexta-feira, 25 de outubro de 2019
De samba quase nada
Tenha um filho comigo
te chamo de nega deitado no sofá
é almoço de domingo
e a preguiça vem propor
boca que é minha
suspiro que é seu
fim de tarde e só quero dizer:
vem nega
vem ver estrelas no meu colo
vem sorrir das coisas bobas
vem nega
me chamar de moleque
te faço mulher num balanço
É sempre domingo com teu sorriso
contra meu mau humor
faço um verso
com um copo na mão
pra poder dizer que te amo
te pegar sozinha na sala
te amar do máximo ao mínimo
vem deitar nega
garrafas ditam a regra
se é pra amar
que seja logo
A MAIOR STARTUP DO CAPITALISMO É A DESIGUALDADE
Enquanto o capital estimula o empreendedorismo, a produção
de pobreza só aumenta
Por Anderson Pires
Os últimos dados divulgados pelo IBGE explicitaram o quanto
aumentou a desigualdade no Brasil a partir de 2015. A série que avalia o índice
Gini desde 2012, mostrou que em 2018 atingiu-se o pior resultado já registrado.
Enquanto os 30% mais pobres no Brasil tiveram sua renda diminuída, o 1% mais
rico teve um aumento de 8,4% na renda média.
Aqueles que acreditam que o maior dos males do Brasil é a
corrupção, buscarão justificativas nos moldes da Lava Jato, para justificar a
quebradeira que foi promovida no país e, consequentemente, atribuir a
desigualdade a esse fenômeno.
Mas, quem consegue ver para além do ódio de classe, poderá
perceber que se estamos em uma crise econômica, seja por qual motivo for,
existe uma parcela muito pequena da população, formada pelos mais ricos, que
ganhou mais dinheiro nesse período e que, contraditoriamente, parece estar
imune a qualquer crise.
Evidente que a partir de 2015 o país foi tomado por essa
parcela ínfima e, sendo assim, o processo de redução da desigualdade no Brasil
foi debelado a partir de mudanças nas políticas públicas e por uma condução
econômica de viés liberal, que promoveu a retirada de programas importantes,
que geravam distribuição de renda, geração de emprego e valorização da
produção. O rentismo voltou a ditar os rumos da economia e, como num passe de
mágica, um país em recessão teve seus três principais bancos privados com
recorde histórico nos lucros. Se a corrupção produz mazelas, não resta dúvidas
que ainda mais nocivo é um estado que intensifica a proteção do capital e
conduz suas políticas para que os mais ricos ganhem cada vez mais.
Contudo, o problema da desigualdade no Brasil e no mundo não
é só um reflexo das políticas adotadas pelos estados. O capitalismo com sua
capacidade criativa absurda está formando uma verdadeira legião de agentes da
desigualdade. E o faz com tal o requinte, que consegue convencer muitas pessoas
a pensar que, de alguma forma, estão trabalhando para promover algo de melhor
para o mundo.
maior startup capitalismo desigualdade bolsonaro direita
Essa afirmação parece estranha, mas observem que atingimos
o...
Essa afirmação parece estranha, mas observem que atingimos o
maior nível de desigualdade no planeta e nunca se ouviu o uso de tantos termos
que apontam pra uma situação diferente como a atual. No novo mundo do
empreendedorismo, onde startups proliferam, o vocabulário está permeado de
termos como colaborativo, desruptivo, ecossistema, coworking, descolados,
participativos, antenados e até a figura do anjo-da-guarda dos negócios passou
a ser um ente obrigatório nesse cenário.
Diante de tanta suposta boa vontade em dividir, o
capitalismo criou um cenário que mascara o grau de dominação e exploração que
promove. Estimula o empreendedorismo, fazendo milhões de pessoas pelo mundo acreditarem
que todas as soluções para suas vidas estão na capacidade individual. Omitem
fracassos e exaltam ao máximo sucessos pontuais, que servem de justificativa
para que esse modelo seja reproduzido massivamente. O modelo é cruel. Se antes
o capitalismo tinha que investir em talentos, hoje ele os estimula a fazer isso
a custo zero, só esperando a hora que alguém tenha alguma ideia rentável, para
que possa ser comprada e reproduzida sem nenhum custo de experimentação.
Focam suas atividades na ação especulativa. Com isso, já
temos um dado assustador: toda a renda gerada pelo trabalho no mundo, ou seja,
a soma dos esforços de todos os trabalhadores, é menor do que a gerada pela
especulação financeira. Notem quão desumano é esse modelo. Não investem na capacidade
produtiva, estimulam o individualismo empreendedor, rentabilizam especulando no
mercado e detêm o controle do Estado que lhes protege enquanto a desigualdade
só aumenta.
É triste, mas o mundo está gerando uma verdadeira dinastia
de promoção da desigualdade. Cada vez mais se valoriza as individualidades e,
com isso, políticas públicas de cunho coletivo são atacadas e rotuladas como
fruto de viés político-ideológico, quando deveriam ser entendidas como uma
premissa para se ter um mundo mais humanizado e menos desigual.
Até questões de ordem ambiental, como as que estão tão em
voga, a exemplo da Amazônia, do aquecimento global e do derramamento de óleo na
costa do Nordeste Brasileiro, quando são debatidas passam à margem da discussão
sobre a redução da desigualdade no planeta. Quando vemos uma menina de 16 anos
virar ícone na ONU na defesa de temas ambientais, temos em seu discurso uma
série de lacunas, que mostram a forma midiática que a questão é tratada, sem
que se enfrente os reais motivos do desequilíbrio no meio-ambiente e que em
paralelo a isso bilhões de pessoas vivem em extrema pobreza.
Em meio a tanta tecnologia, a capacidade criativa parece ter
sido reduzida. Se vemos inovações quase que diárias, não temos nada que deixe
conceitos que poderão ser realmente compartilhados. Nas artes, na ciência, na
política e em quase todas as áreas não conseguimos destacar verdadeiras
descobertas que representem a quebra de paradigmas, ou a elaboração de teses
que possam produzir algo durador para a humanidade. Enquanto apps e novos
modelos de celulares norteiam as novas mentes, o capitalismo tira tudo que pode
na forma de inovação e rentismo. O pensar para além do capital é ofuscado,
quase como se fosse algo proibido num mundo formado por eus.
Prolifera a hipocrisia. A mediocridade toma conta. O mundo
vê passar bilhões de gigabytes de informações, que escondem gente morrendo de
fome. Todo esse tráfego de dados não promove saber, mas sim desigualdade.
Diante de um cenário tão assustador, mesmo que não visto no Youtube ou nas
mídias sociais na proporção devida, o mundo precisa melhorar urgentemente, ou
teremos algo parecido com filmes de ficção, onde essa parcela gigantesca de
pobreza terá que ser jogada para debaixo da terra. Afinal, só cabe nesse mundo
colaborativo a prosperidade, o resto não precisa ser visto. Quero saber quando
vão criar o capitalismo desruptivo, onde especulação gere distribuição de renda
e empreendedorismo seja acabar com a pobreza coletiva e não só eventualmente de
um ou outro indivíduo.
Anderson
Pires é jornalista.,quarta-feira, 23 de outubro de 2019
Prisionera de un recuerdo
Me he quedado envuelta en las hélices del tiempo,
viendo horas girar en solitario
situada en la memoria de aquel beso
que fuera fuego hasta que heredo el invierno.
Alcanzo mi alma de súbito las sombras
convirtiéndome en magnética esclava
de un rostro lejano...
Fue ese te quiero grabado en las flores
caracola de cantos donde mis ansias anidan.
Ah... ! Amor que persigues mis secretos
más allá del trigo doblando mis campanas,
con ese misterio tuyo
que arquea crepúsculos en las arterias del viento,
guía mi camino por ríos de esperanza
para soltar mi delirio en su transparente cintura.
Sólo así podré retomar mis mañanas
dejando al adiós viajar con las nubes
orquestando mi corazón dormido
en medio de flechas y hojarasca.
Alicia García
Miami, fl
Patriotismo
I
El veintiocho de febrero de 1936, al tercer día del
incidente del 26 de febrero, el teniente Shinji Takeyama, del batallón de
transportes, profundamente perturbado al saber que sus colegas más cercanos
estaban en connivencia con los amotinados, e indignado ante la inminente
perspectiva del ataque de las tropas imperiales contra tropas imperiales, tomó
su espada de oficial y ceremoniosamente se vació las entrañas en la habitación
de ocho tatami de su residencia privada en la sexta manzana de Aoba-cho, en el
distrito Yotsuya. Su esposa, Reiko, lo siguió clavándose un puñal hasta morir.
La nota de despedida del teniente consistía en una sola
frase: "¡Vivan las Fuerzas Imperiales!" La de su esposa, luego de
implorar el perdón de sus padres por precederlos en el camino a la tumba,
concluía: "Ha llegado el día para la mujer de un soldado". Los
últimos momentos de esta heroica y abnegada pareja hubieran hecho llorar a los
dioses. Es menester destacar que la edad del teniente era de treinta y un años;
la de su esposa, veintitrés.
Hacía sólo dieciocho meses que se habían casado.
II
Los que contemplaron el retrato conmemorativo del novio y de
la novia no dejaron de admirar, quizás tanto como quienes habían asistido a la
boda, el elegante porte de la pareja.
El teniente, de pie junto a su esposa, estaba majestuoso en
su uniforme militar. Su mano derecha descansaba sobre el puño de la espada y
con la izquierda sostenía la gorra de oficial. Su expresión severa traducía
claramente la integridad de su juventud.
En cuanto a la belleza de la novia, envuelta en sus blancas
vestiduras, sería difícil encontrar las palabras adecuadas para describirla.
Había sensualidad y refinamiento en sus ojos, en las finas cejas y en los
labios llenos. Una mano, tímidamente asomada a la manga del vestido, sostenía
un abanico, y las puntas de los dedos, agrupados delicadamente, eran como el
capullo de una flor de luna.
Luego de consumado el suicidio, muchos tomaron la fotografía
y se entregaron a tristes reflexiones acerca de las maldiciones que suelen recaer
sobre las uniones sin tacha. Quizás fuera sólo efecto de la imaginación, pero,
al observar el retrato, parecía casi que los dos jóvenes, ante el biombo
dorado, contemplaran, con absoluta claridad, la muerte que los aguardaba.
Gracias a los buenos oficios de su mediador, el teniente
general Ozeki, habían podido instalarse en su nuevo hogar de Aoba-cho, en
Yotsuya. En realidad aquel nuevo hogar no era sino una vieja casona alquilada,
de tres dormitorios y con un pequeño jardín detrás. Utilizaban la habitación
del piso superior, de ocho tatami, como dormitorio y habitación de huésped,
pues el resto de la casa no recibía la luz del sol.
No tenían sirvientes y Reiko cuidaba del hogar en ausencia
de su marido.
El viaje de boda quedó postergado por coincidir con una
época de emergencia nacional. El teniente y su esposa pasaron la primera noche
de casados en la vieja casa. Muy tieso, sentado sobre el piso y con su espada
frente a él, Shinji había hecho escuchar a su esposa un discurso de corte
militar antes de llevarla al lecho nupcial. Una mujer que contraía matrimonio
con un soldado debía saber y aceptar sin vacilaciones el hecho de que la muerte
de su marido podría llegar en cualquier momento. Quizás al día siguiente. No
importaba cuándo. ¿Estaba ella conforme con aceptarlo? Reiko se puso de pie y,
abriendo la vitrina, tomó de ella su más preciado bien, un puñal regalado por
su madre. Se comprendieron perfectamente sin necesidad de palabras y el
teniente no puso nunca más a prueba la resolución de su mujer.
Durante los primeros meses que siguieron a la boda, la
belleza de Reiko se hizo cada día más radiante. Brillaba, serena, como la luna
después de la lluvia.
Como ambos estaban dotados de cuerpos sanos y vigorosos, su
relación era apasionada y no se limitaba a las horas de la noche. En más de una
ocasión, al volver a su hogar directamente del campo de maniobras, y aún con el
uniforme salpicado de barro, el teniente había poseído a su mujer en el suelo,
apenas abierta la puerta de la casa. Reiko le correspondía con el mismo ardor.
En aproximadamente un mes, contando con la noche de bodas, Reiko conoció la
absoluta felicidad, y el teniente, al comprobarlo, se sintió también muy feliz.
El cuerpo de Reiko era blanco y puro, y de sus pechos
turgentes emanaba un rechazo firme y casto que, cuando gozaba, se mudaba en la
mas íntima y acogedora tibieza. Aun en los momentos de mayor intimidad se
mantenían extraordinariamente serios. Conservaban sus corazones sobrios y
austeros en medio de las más embriagadoras demostraciones de pasión.
El teniente recordaba a su mujer durante el día en los
cortos periodos de descanso entre su entrenamiento y su retorno al hogar, y
Reiko no olvidaba a su marido en ningún momento. Cuando estaban separados, les
bastaba con mirar solamente la fotografía de su casamiento para ratificar una
vez más su felicidad. A Reiko no le sorprendía en lo mas mínimo que un hombre
que había sido un extraño hasta algunos meses atrás se hubiese convertido en el
sol alrededor del cual giraban su vida y su mundo.
Esta relación tenía una base moral y seguía fielmente el
mandato de los Principios de la Educación en los que se estipula que "la
armonía reinará entre el marido y la mujer". Reiko no encontró jamás la
ocasión de contradecir a su marido, y el teniente no tuvo motivo alguno para
reñir a su mujer.
En el nicho, debajo de la escalera, junto a la tablilla del
Gran Santuario Ise, habían colocado fotografías de sus Majestades Imperiales, y
cada mañana, antes de partir hacia sus obligaciones, el teniente y su mujer se
detenían frente a ese lugar santificado y juntos se inclinaban en una profunda
reverencia.
La ofrenda de agua se renovaba cada mañana y la rama sagrada
de sakasi estaba siempre verde y fresca. Sus vidas se deslizaban bajo la
solemne protección de los dioses y estaban colmadas de una felicidad intensa
que hacía vibrar cada fibra de sus cuerpos.
III
Aun cuando la casa de Saito, Señor del Sello Privado, se
hallaba en la vecindad, nadie escuchó allí el tiroteo de la mañana del 26 de
febrero. Aquel fue un ruidoso toque de atención en el amanecer nevado e
interrumpió bruscamente el sueño del teniente. Saltó inmediatamente de la cama
y, sin pronunciar palabra, vistió el uniforme, se ajustó la espada que le
tendía su mujer y se precipitó hacia la calle cubierta de nieve en el oscuro
amanecer. No regresó a su hogar hasta la noche del día veintiocho.
Algo más tarde, Reiko escuchó por la radio las noticias
sobre aquella súbita erupción de violencia. Vivió los dos días siguientes en
completa y tranquila soledad tras las puertas cerradas.
Reiko había leído la presencia de la muerte en el rostro de
su marido al marcharse a toda prisa bajo la nieve. Si Shinji no regresaba, su
propia decisión era también muy firme. Moriría con él.
Se dedicó, entonces, a ordenar sus pertenencias personales.
Eligió su mejor conjunto de kimonos como recuerdo para sus amigas de colegio y
escribió un nombre y una dirección sobre el rígido papel en el que los había
doblado uno por uno.
Como su marido le recordaba constantemente que no hay que
pensar en el mañana, Reiko ni siquiera había escrito un diario, y se
encontraba, ahora, en la imposibilidad de releer los pasajes en los que hubiera
dado testimonio de su felicidad. Sobre la radio se destacaban un perrito de
porcelana, un conejo, una ardilla, un oso y un zorro. Tampoco faltaban allí un
jarrón y un recipiente para el agua. Estos objetos constituían la única
colección de Reiko. Sin embargo, de nada serviría regalarlos como recuerdos.
Tampoco sería apropiado pedir específicamente que fueran incluidos en su ataúd.
Mientras estos objetos desfilaban por su mente, Reiko tuvo la sensación de que
los animalitos parecían cada vez más tristes y desamparados.
Tomó la ardilla en su mano y la observó. Fue entonces
cuando, con sus pensamientos puestos en un reino mucho más alejado que estos
afectos infantiles, vio en la lontananza los principios, vitales como el sol,
que personificaba su marido. Estaba pronta y feliz de terminar sus días en
compañía de aquel hombre deslumbrante, pero en ese momento de soledad se
permitió refugiarse con el inocente afecto por aquellas bagatelas. Ya había
pasado el tiempo en que realmente las había amado.
Ahora solamente acariciaba su recuerdo y el lugar que
ocuparan en su corazón se había colmado definitivamente con pasiones más
intensas.
Reiko jamás había supuesto que las turbadoras emociones de
la carne fueran sólo un placer. La baja temperatura de febrero y el contacto
con la gélida porcelana de la ardilla habían entumecido sus dedos. Sin embargo,
bajo los dibujos simétricos de su acicalado kimono meisen podía sentir, cuando
recordaba los poderosos brazos del teniente, una cálida humedad que, desde su
piel, desafiaba al frío.
No experimentaba absolutamente ningún temor por la muerte
que rondaba en la cercanía. Mientras esperaba sola en su casa, Reiko no dudaba
que la angustia y la congoja que estaría experimentando su marido en aquellos
momentos la llevarían, con tanta certeza como su intensa pasión, a una muerte
agradable. Sentía en lo más hondo que su cuerpo podría disolverse con facilidad
y convertirse en una sola cosa con el pensamiento de su marido.
A través de las informaciones de la radio, escuchó los
nombres de varios colegas de su marido mencionados entre los insurgentes. Éstas
eran noticias de muerte. Se preguntaba ansiosamente, a medida que la situación
se hacía más difícil, por qué no se emitía una Ordenanza Imperial. El
movimiento, que en un principio había parecido ser un intento de restaurar el
honor nacional, se había convertido gradualmente en algo llamado motín. El
regimiento no había dado ningún comunicado y se suponía que, en cualquier momento,
podría comenzar la lucha en las calles aún cubiertas de nieve.
El veintiocho, a la caída del sol, furiosos golpes
estremecieron a Reiko. Bajó precipitadamente las escaleras, y mientras, con
dedos inexpertos, tiraba del pasador, la silueta apenas delineada tras los
vidrios cubiertos de escarcha, no emitía sonido alguno. Sin embargo, no dudó de
la presencia de su marido. Nunca antes había tenido tanta dificultad en abrir
la puerta .Cuando finalmente pudo lograrlo, se encontró frente al teniente
enfundado en un capote color kaki y con las botas de campaña salpicadas de
barro.
Reiko no comprendió por qué Shinji cerró la puerta y corrió
nuevamente el pasador.
-Bienvenido a casa -la joven ejecuta una profunda reverencia
a la cual su marido no responde. Se había quitado la espada y comenzaba a
desembarazarse del capote. Ella quiso ayudarlo. La chaqueta, que estaba fría y
húmeda y había perdido el olor a estiércol que tenía normalmente cuando se la
exponía al sol, le pesaba en el brazo. La colgó de una percha y sosteniendo la
espada y el cinturón de cuero entre sus mangas, esperó a que su marido se
quitase las botas. Luego, lo siguió hasta el cuarto de estar: la habitación de
seis tatami.
Bajo la clara luz de la lámpara, el rostro barbudo y agotado
de su marido era casi irreconocible. Las mejillas hundidas habían perdido su
brillo y elasticidad.
En circunstancias normales hubiera cambiado su ropa por otra
de casa, y la hubiera urgido a servir la comida de inmediato. En cambio,
aquella noche se sentó frente a la mesa vistiendo el uniforme y con la cabeza
hundida sobre el pecho.
Reiko se abstuvo de preguntar si debía preparar la comida.
-Yo no sabía nada -dijo el hombre al cabo de un silencio-.
No me pidieron que me uniera a ellos .Quizás no lo hicieron al saberme recién
casado. Kano, Homma y, también, Yamaguchi.
Reiko evocó los rostros de los alegres oficiales jóvenes,
amigos de su marido, que habían ido a aquella casa en calidad de invitados.
-Quizás mañana se publique una Ordenanza Imperial. Supongo
que serán juzgados como rebeldes. Estaré a cargo de la unidad con órdenes de
atacarlos... No puedo hacerlo. Sería simplemente imposible -guardó un corto
silencio-. Me han dispensado de las guardias y estoy autorizado para volver a
casa por una noche. Mañana, a primera hora, deberé unirme al ataque sin
proferir una réplica. No puedo hacerlo, Reiko...
Reiko estaba sentada, muy tiesa, con los ojos bajos.
Comprendía muy claramente que su marido hablaba en términos
de muerte. El teniente estaba resuelto y, aun cuando todavía planteaba el
dilema, en su mente ya no cabían vacilaciones.
Sin embargo, en el silencio que se estableció entre ambos,
todo quedó claro con la misma transparencia de un cauce alimentado por el
deshielo.
Ya en su casa después de la larga prueba de dos días y
contemplando el rostro de su hermosa mujer, el teniente experimentó, por
primera vez, una verdadera paz interior. Había intuido de inmediato que su
mujer conocía la resolución que ocultaban sus palabras.
-Bien, entonces... -el teniente abrió, grandes, los ojos.
Pese al cansancio, su mirada era fuerte y transparente y no la apartó de su
esposa-. Esta noche me abriré el estómago.
Reiko no vaciló.
-Estoy preparada -dijo-, permíteme acompañarte.
El teniente se sintió casi hipnotizado por la mirada
implorante de su esposa. Sus palabras comenzaron a fluir rápida y fácilmente,
como expresadas en delirio.
Otorgó su aprobación a aquella empresa vital en una forma
descuidada y negligente que parecía escapar a su entendimiento.
-Bien. Nos iremos juntos. Pero, antes, quiero que seas
testigo de mi muerte.
Ya de acuerdo, sus corazones se vieron inundados por una
repentina felicidad.
Reiko estaba profundamente conmovida por la confianza que
depositaba en ella su marido. Era vital para el teniente que no se cometieran
irregularidades en su muerte. Por esta razón era necesario un testigo. Y el
haber elegido para tal fin a su mujer, demostraba una profunda y absoluta
confianza. En segundo lugar, y esto era aun más importante, aunque había rogado
a Reiko que muriera con él, ni siquiera intentaba matar a su esposa primero,
sino que dejaba aquel momento librado al criterio de ella, para cuando él ya no
estuviera allí, verificándolo todo. Si el teniente hubiera abrigado la menor
sospecha, cumpliendo el pacto de los suicidas, hubiera preferido matarla
primero.
Cuando Reiko dijo: "Permíteme acompañarte", el
teniente apreció en estas palabras el fruto final de las enseñanzas impartidas
a su mujer desde la noche del casamiento. La había educado en forma tal que,
llegado el momento, respondía en los exactos términos que correspondían. Era
éste un halago a la confianza en sí mismo que alimentaba Shinji... No era ni
tan romántico ni tan presuntuoso como para creer que esas palabras eran dichas
espontáneamente, sólo por amor.
Sus corazones estaban tan inundados de felicidad, que no
podían dejar de sonreír. Reiko se sentía nuevamente en la noche de bodas. Ante
sus ojos no existían ni el dolor ni la muerte. Sólo creía ver un ilimitado
espacio abierto hacia vastos horizontes.
-El agua está caliente. ¿Te darás un baño ahora?
-Sí, por supuesto.
-¿Y la comida...?
Las palabras fueron pronunciadas en un tono tan tranquilo y
doméstico, que, por una fracción de segundo, el teniente creyó haber sido
juguete de una alucinación.
-No creo que sea necesario. ¿Podrás calentar un poco de
sake?
-Como quieras.
Reiko se levantó y al tomar del ropero un vestido tanzan
para después del baño, atrajo deliberadamente la atención de su marido sobre
los cajones vacíos. El teniente observó el interior del mueble. Leyó las
direcciones sobre los regalos recordatorios. No hubo pena en él frente a la heroica
determinación de Reiko. Como un marido a quien su joven esposa enseña con
orgullo sus compras pueriles, el teniente, inundado de afecto, abrazó a su
mujer cariñosamente por la espalda y le besó el cuello.
Reiko sintió la aspereza de aquel rostro sin afeitar. Esta
sensación encerraba para ella toda la alegría del mundo, y ahora -sintiendo que
iba a perderla para siempre- contenía una frescura mas allá de toda
experiencia. Cada momento parecía contener una infinita fuerza vital. Los
sentidos se despertaron en todo su cuerpo.
Aceptando las caricias de Shinji, Reiko se alzó sobre la
punta de los pies y dejó que aquella vitalidad atravesara su cuerpo.
-Primero, el baño, y luego, después de tomar sake... Prepara
las camas arriba, ¿quieres?
El teniente susurró algo en el oído de su mujer, y ella
asintió silenciosamente.
El teniente se quitó apresuradamente el uniforme y se
dirigió al baño.
Al escuchar el suave rugido del agua, Reiko llevó carbón
hasta el cuarto de estar y empezó a calentar el sake.
Tomó el tanzen, un fajín y su ropa interior. Se dirigió al
baño para controlar el calor del agua. En medio de una nube de vapor, el
teniente se afeitaba con las piernas cruzadas en el suelo. Ella pudo distinguir
los músculos de su fuerte espalda húmeda que respondían a los movimientos de
sus brazos.
Nada sugería algún acontecimiento anormal. Reiko se ocupaba
diligentemente de sus tareas y preparaba platos improvisados.
Sus manos no temblaban y se mostraba más eficiente y
desenvuelta que de costumbre. De tanto en tanto sentía extrañas palpitaciones
en el centro del pecho, pero eran como luces distantes. Tenían un momento de
gran intensidad y luego se desvanecían sin dejar huellas. Omitiendo esto, no
parecía ocurrir nada fuera de lo habitual.
Mientras se afeitaba en el baño, el teniente sintió que su
cuerpo tibio se libraba milagrosamente de la desesperada fatiga de aquellos
días de incertidumbre y se llenaba de una agradable expectativa pese a la
muerte que lo aguardaba. Podía oír vagamente los ruidos habituales con que su
mujer cumplía sus quehaceres, y un saludable deseo físico, postergado durante
dos días, se presentó nuevamente.
El teniente confiaba en que no había habido impureza en el
goce experimentado mientras resolvían morir.
Ambos habían sentido en aquel momento, aun cuando no de una
manera clara y consciente, que esos placeres permisibles estaban nuevamente
bajo la protección del Bien y del Poder Divino. Los protegía una moralidad
total e intachable. Al mirarse a los ojos descubrieron en su interior una
muerte honorable, estaban de nuevo a salvo tras las paredes de acero que nadie
podría destruir, enfundados en la impenetrable coraza de la Belleza y la
Verdad.
El teniente podía entonces considerar su patriotismo y las
urgencias de su carne como un todo.
Acercó más aun la cara al oscuro y agrietado espejo de pared
y se afeitó cuidadosamente. Aquel era el rostro que presentaría a la muerte y
era importante que no tuviera imperfecciones. Sus mejillas, recién afeitadas,
irradiaban nuevamente el brillo de la juventud y parecían iluminar la opacidad
del espejo. Sintió que había cierta elegancia en la asociación de la muerte con
aquella cara sana y radiante.
Sería su rostro de difunto. En realidad ya había dejado a
medias de pertenecerle para convertirse en el busto de un soldado muerto. A
título de experimento, cerró fuertemente los ojos y todo quedó envuelto en la
oscuridad. Ya no era una criatura viviente.
Al salir del baño, con un tenue reflejo azulado bajo la
tersa piel de las mejillas, se sentó junto al brasero de carbón. Advirtió que,
pese a hallarse ocupada, Reiko había encontrado el tiempo necesario para
retocar su cara. Su rostro estaba fresco y sus labios húmedos. Era imposible
encontrar en ella el menor rastro de tristeza, y al observar aquella
demostración de la personalidad apasionada de su mujer, el teniente pensó que
había elegido la esposa que le correspondía.
Tan pronto como hubo vaciado su taza de sake, se la ofreció
a Reiko, quien nunca lo había probado. La joven bebió un sorbo, tímidamente.
-Ven aquí-dijo el teniente.
Reiko se acercó a su marido, y mientras él la abrazaba ella
se sintió profundamente conmovida, como si la tristeza, la alegría y el
poderoso sake se mezclaran dentro de ella.
El teniente contemplo las facciones de su esposa. Era el
último rostro que vería en este mundo. Lo estudió minuciosamente con los ojos
de un viajero despidiéndose de espléndidos paisajes.
Reiko tenía una cara de rasgos regulares, sin ser fríos, y
de labios suaves. El teniente, que no se cansaba de contemplarla, la besó en la
boca. Y repentinamente, sin que se alterara su belleza por el llanto, las
lágrimas comenzaron a brotar lentamente bajo las largas pestañas y corrieron
como hilos brillantes por sus mejillas.
Luego Shinji quiso subir al dormitorio, pero ella le suplicó
que le diera tiempo a tomar su baño. El teniente subió, pues, solo, y se acostó
con los brazos y las piernas abiertas en la habitación entibiada por la estufa
de gas. El tiempo que transcurrió esperando a su mujer no fue más largo de lo
habitual.
Colocó las manos bajo la cabeza y observó las vigas del
techo. ¿Esperaba la muerte? ¿Un salvaje éxtasis de los sentidos? Ambas cosas
parecían sobreponerse, como si el objeto del deseo físico fuera la muerte
propia.
El teniente nunca había gozado de una libertad tan absoluta.
Un coche frenó y pudo escuchar el chirrido de las ruedas
patinando sobre la nieve apilada en los bordes de la calle. La bocina
repercutió en las paredes cercanas. Al percibir esos ruidos, Shinji pensó que
aquella casa se levantaba como una isla solitaria en el océano de una sociedad
ocupada incansablemente en los mismos asuntos de siempre. A su alrededor se
extendía desordenadamente el país por el cual estaba sufriendo y a punto de dar
la vida. No sabía ni le importaba si aquella gran nación reconocería su
sacrificio. En su campo de batalla no existía la gloria. Era la trinchera del
espíritu.
Los pasos de Reiko resonaron en la escalera. Crujían los
empinados escalones de la antigua morada y estos sonidos inundaron al teniente
de gratos recuerdos. En cuantas ocasiones los había escuchado desde la cama. Al
reflexionar en que ya no volvería a percibirlos, se concentró en ellos tratando
de que cada rincón de aquel tiempo precioso se colmara con el ruido de las
suaves pisadas de la vieja escalera. Tales instantes parecieron transformarse
en joyas rutilantes de luz interior.
Reiko tenia un fajín sobre el yukata y su rojo estaba
atenuado por la media luz. El teniente quiso asirla y la mano de Reiko corrió
en su ayuda. El fajín cayó al suelo.
Ella estaba de pie frente a él, vistiendo su yukata.
El hombre hundió las manos en las aberturas laterales bajo
las mangas y la abrazó intensamente. El roce de sus dedos sobre la piel
desnuda, sentir que las axilas se cerraban suavemente sobre sus manos, encendió
aun más su pasión y, pocos instantes más tarde, ambos yacían desnudos frente al
brillante fuego de la estufa.
No pronunciaron palabra alguna, pero sus cuerpos y sus
corazones se inflamaron al saber que aquel sería el último encuentro. Era como
si las palabras "ÚLTIMA VEZ" hubieran sido estampadas con pinceladas
invisibles sobre cada centímetro de sus cuerpos.
El teniente atrajo a su mujer y la besó con vehemencia. Sus
lenguas exploraron las bocas, adentrándose en su interior suave y húmedo, y fue
como si las aún desconocidas agonías de la muerte templaran sus sentidos como
el acero al rojo vivo. Los lejanos dolores finales habían refinado su
percepción amorosa.
-Es la ultima vez que voy a verte -murmuró el teniente-.
Déjame mirar... -y tomando la lámpara en su mano, dirigió un haz de luz sobre
el cuerpo extendido de Reiko.
Ella había cerrado los ojos. La luz de la lámpara destacaba
la majestuosidad de su carne blanca. El teniente con un dejo de egocentrismo,
se alegró pensando en que jamás vería esa belleza derrumbándose frente a la
muerte.
El teniente contempló sin apuro aquel inolvidable
espectáculo. Acariciaba la sedosa cabellera, palmeaba suavemente el bello
rostro y besaba todos los puntos donde se detenía su mirada. La frente alta
tenía una serena frescura, los ojos cerrados se orlaban de largas pestañas bajo
las cejas finamente dibujadas y el brillo de los dientes se entreveía por los
labios llenos y regulares... Todo ello configuraba en la mente del teniente la
visión de una máscara mortuoria verdaderamente radiante y una y otra vez apretó
sus labios contra la blanca garganta donde la mano de Reiko no tardaría en
descargar su certero golpe. El cuello enrojeció bajo los besos y volviendo
suavemente a los labios de su amada, apoyó su boca sobre ellos con el
fluctuante movimiento de un pequeño bote. Cerrando los ojos, el mundo se
convertirá, así, en una mecedora.
La boca del teniente seguía fielmente el recorrido de sus
ojos. Los pechos altos y turgentes, terminados como capullos de cerezo
silvestre, se endurecían al contacto de sus labios. Los brazos emergían
malsanamente a ambos lados, afinándose hacia las muñecas, pero sin perder su
redondez ni simetría.
Los dedos delicados eran aquellos que habían sostenido el
abanico durante la ceremonia nupcial. A medida que el teniente los besaba, se
retraían como avergonzados. El hueco natural de esa curva entre el pecho y el
estómago tenía en sus líneas no sólo la sugestión de la tersura, sino la fuerza
de la elasticidad y anunciaba las ricas curvas que se extendían hasta las
caderas. La riqueza y la blancura del vientre y las caderas eran como la leche
contenida en un recipiente amplio. El hoyo sombreado del ombligo podía haber
sido la huella de una gota de agua recién caída allí. Donde las sombras se
hacían más intensas, el vello crecía apretado, dulce y sensible, y a medida que
la excitación aumentaba en aquel cuerpo que había dejado de mostrarse pasivo,
un aroma de flores ardientes se hacia cada vez más penetrante.
Reiko habló, por fin, con voz trémula:
-Muéstrame... Déjame mirar por última vez...
Shinji no había escuchado nunca de labios de su mujer un
ruego tan firme y definido. Era como si su modestia ya no podía ocultar algo
que, ahora, se libraba de las trabas que la oprimían. El teniente se recostó
sumisamente para someterse a los requerimientos de su mujer. Ella alzó
ágilmente su cuerpo blanco y tembloroso y ardiendo en un inocente deseo de
devolverle todo cuanto había hecho por ella, puso los dedos sobre los ojos de
Shinji y los cerró suavemente.
Repentinamente inundada de ternura, con las mejillas
encendidas por el vértigo de la emoción, Reiko abrazó la cabeza rapada del
teniente y el pelo afeitado lastimó su pecho. Aflojando el abrazo, contempló
luego el rostro varonil de su marido. Las cejas severas, los ojos cerrados, el
espléndido puente de la nariz, los labios bien dibujados y firmes. Reiko
comenzó a besarlos, se detuvo en la ancha base del cuello, en los hombros
fuertes y erguidos, en el pecho poderoso con sus círculos gemelos semejantes a
escudos de ásperos pezones. Un olor dulce y melancólico se desprendía de las
axilas profundamente sombreadas por la carne abundante del pecho y de los
hombros. En cierto modo, la esencia de la muerte joven estaba contenida en
aquella dulzura. La piel desnuda del teniente relucía como un campo de cebada y
podía observar los músculos en relieve convergiendo sobre el abdomen alrededor
del ombligo pequeño y modesto.
Al mirar el estómago firme y joven, púdicamente cubierto por
un vello vigoroso, Reiko pensó que pronto iba a ser cruelmente lacerado por la
espada y, reclinando la cabeza, rompió en sollozos y lo cubrió con sus besos.
Al sentir las lágrimas de su mujer, el teniente se sintió
capaz de afrontar valerosamente las más crueles agonías del suicidio. Resulta
fácil imaginar a qué éxtasis llegaron después de aquellos tiernos intercambios.
El teniente se incorporó y rodeó con un potente abrazo a su mujer, cuyo cuerpo
estaba exhausto luego de tantas lágrimas y aflicciones. Juntaron sus caras
apasionadamente, restregando las mejillas. El cuerpo de Reiko temblaba. Sus
pechos húmedos estaban fuertemente apretados y cada milímetro de aquellos
cuerpos jóvenes y hermosos se habían compenetrado tanto con el otro que parecía
imposible que se separaran jamás.
Reiko gritó.
Desde las altura se sumergieron en el abismo, y, de allí,
una vez más hasta embriagantes alturas. El teniente jadeaba como el portador de
un estandarte...
Al terminarse su ciclo, surgía inmediatamente una nueva ola
de placer y, juntos, sin muestras de fatiga, se elevaron nuevamente hasta la
cima misma de un nuevo movimiento jadeante.
IV
Cuando Shinji se volvió finalmente no fue por cansancio. No
quería agotar la considerable fuerza física que necesitaría para llevar a cabo
el suicidio. Ademas, hubiera lamentado enturbiar la dulzura de aquellos últimos
momentos abusando de esos goces.
Reiko, con su habitual complacencia, siguió el ejemplo de su
marido. Los dos yacían desnudos, con los dedos entrelazados, mirando fijamente
el oscuro cielo raso. La habitación estaba caldeada por la estufa y en la noche
silenciosa no se escuchaba el trafico callejero. Ni siquiera llegaba hasta
ellos el fragor de los trenes y autobuses de la estación Yotsuya, que se perdía
en el parque densamente arbolado frente a la ancha carretera que bordea el
Palacio Akasaka. Resultaba difícil pensar en la tensión existente en el barrio
donde las dos facciones del Ejercito Imperial se preparaban para la lucha.
Deleitándose en su propio calor, los jóvenes rememoraron en
silencio los éxtasis recientes. Revivieron cada momento de la pasada
experiencia, recordaron el gusto de los besos nunca agotados, el contacto de la
piel desnuda, tanta embriagante felicidad .Pero ya entonces, el rostro de la
muerte acechaba desde las vigas del techo. Aquellos habían sido los últimos
placeres de los que sus cuerpos no disfrutarían nunca más. Ambos pensaron que,
aun cuando vivieran hasta una edad avanzada, no volverían a disfrutar de un
goce tan intenso.
También se desprenderían sus dedos entrelazados. Hasta los
dibujos de las oscuras vetas de la madera, desaparecerían pronto. Era posible
detectar el avance de la muerte. En aquel momento ya no cabían dudas. Era
menester tener el coraje necesario, salirle al encuentro y atraparla.
-Podemos prepararnos -dijo el teniente.
La determinación que encerraban sus palabras era
inconfundible, pero tampoco había habido nunca tan cálidas y tiernas
inflexiones en su voz.
Varias tareas los aguardaban. El teniente, que no había
ayudado nunca a guardar las camas, empujó la puerta corrediza del armario, alzó
el colchón y lo depositó dentro de él.
Reiko apagó la estufa y la luz. En ausencia del teniente lo
había aseado todo cuidadosamente, y ahora aquella habitación de ocho tatami
presentaba la apariencia de una sala lista para recibir a importantes
invitados.
-Aquí bebieron Kano y Homma y Noguchi...
-Sí, eran todos grandes bebedores.
-Nos reuniremos pronto con ellos en el otro mundo. Se
burlarán de nosotros cuando adviertan que te llevo conmigo.
Al bajar la escalera, el teniente se volvió para contemplar
la limpia y tranquila habitación iluminada por la lámpara. En su mente flotaba
el recuerdo de los jóvenes oficiales que allí habían bebido y bromeado
inocentemente. Nunca había imaginado, entonces, que en aquella habitación se
abriría el estómago.
El matrimonio se ocupó despacio y serenamente de sus
respectivos preparativos en las dos habitaciones de la planta baja. El teniente
fue primero al retrete, y luego, al baño a lavarse. Mientras tanto, Reiko
doblaba y guardaba la bata acolchada de su marido; ordenaba la túnica del
uniforme, los pantalones y un taparrabos blanco recién cortado; disponía unas
hojas de papel sobre la mesa del comedor para las notas de despedida. Luego,
tomó la caja que contenía los instrumentos para escribir, y comenzó a raspar la
tableta para hacer tinta. Ya había decidido el contenido de su última misiva.
Los dedos de Reiko apretaron fuertemente las frías letras
doradas de la tableta y el agua del tintero se tiñó inmediatamente como si una
oscura nube hubiera pasado sobre él. Todo aquello no era sino una solemne
preparación para la muerte. La rutina doméstica o una forma de pasar el tiempo
hasta que llegara el momento del enfrentamiento definitivo. Una inexplicable
oscuridad brotaba del olor de la tinta al espesarse.
El teniente salió del baño. Vestía el uniforme sobre la
piel. Sin pronunciar una palabra, tomó asiento frente a la mesa y, empuñando el
pincel, permaneció indeciso frente al papel que tenía delante.
Reiko tomó un kimono de seda blanca y, a su vez, entró en el
baño. Cuando reapareció en la habitación, ligeramente maquillada, la misiva ya
estaba terminada. El teniente la había colocado bajo la lámpara .Las gruesas
pinceladas solo decían:
"¡Vivan las fuerzas imperiales! - Teniente del
ejército, Takeyama Shinji."
El teniente observó en silencio los controlados movimientos
con que los dedos de su mujer manejaban el pincel.
Con sus respectivas esquelas en la mano -la espada del
teniente ajustada sobre su costado y la pequeña daga de Reiko dentro de la faja
de su kimono blanco-, ambos permanecieron frente al santuario, rezando en
silencio. Luego, apagaron todas las luces de la planta baja. Mientras subían,
el teniente volvió la cabeza y observó la llamativa silueta de su mujer que,
toda vestida de blanco y los ojos bajos, iba tras él.
Acomodaron las notas de despedida una junto a la otra en la
alcoba de la planta baja.
Por un momento pensaron en descolgar el pergamino, pero como
había sido escrito por su mediador el teniente general Ozzeki y consistía en
dos caracteres chinos que significaban "Sinceridad", lo dejaron donde
estaba. Pensaron que, aunque se manchara con sangre, el teniente general no se
ofendería.
Shinji tomó asiento de espaldas a la habitación y, muy
erguido, colocó su espada frente a él. Reiko se sentó frente a él, a un tatami
de distancia. El toque de pintura en sus labios parecía aun más seductor sobre
el severo fondo blanco.
Se miraron intensamente a los ojos a través de la distancia
de un tatami que los separaba. La espada del teniente casi tocaba sus rodillas.
Al verla, Reiko recordó la primera noche de casada, y se sintió abrumada de
tristeza.
Finalmente, el teniente habló con voz ronca:
-Como no voy a tener quién me ayude, me haré un corte
profundo. Puede que sea desagradable. Por favor, no te asustes. La muerte es
algo horrible de presenciar, en cualquier circunstancia. No debes dejarte
atemorizar, ¿comprendes?
Reiko asintió con una profunda inclinación de cabeza.
Al mirar la figura esbelta de su mujer, el teniente
experimentó una extraña excitación. Estaba por llevar a cabo un acto que
requería toda su capacidad de soldado, algo que exigía una resolución similar
al coraje que se necesita para entrar en combate. Sería una muerte no menos
importante ni de menor calidad que si hubiera muerto en el frente de batalla.
Por unos instantes el pensamiento llevó al teniente a
elaborar una rara fantasía. Una muerte solitaria en el campo de lucha, una
muerte frente a los ojos de su hermosa esposa... Una dulzura sin límites lo
invadió al experimentar la sensación de que iba a morir en aquellas dos
dimensiones, conjugando la imposible unión de ambas.
"Este debe ser el pináculo de la buena fortuna",
pensó. El hecho de que aquellos hermosos ojos observaran cada minuto de su
muerte, equivaldría a ser llevado al más allá en alas de una brisa fragante y
sutil.
Presentía en aquella circunstancia una suerte de merced
especial, vedada a los demás, a él solo dispensada. El teniente creyó ver en su
radiante esposa, ataviada como una novia, el compendio de todo lo amado por lo
cual iba, ahora, a entregar la vida. La Casa Imperial, la Nación, la bandera
del Ejército. Todas ellas eran presencias que, como su esposa, lo observaban
atentamente con ojos transparentes y firmes. Reiko también contemplaba a su
marido que tan pronto habría de morir, pensando que jamás había visto algo tan
maravilloso en el mundo.
El uniforme siempre le sentaba bien, pero ahora, mientras se
enfrentaba a la muerte con cejas severas y labios firmemente apretados,
irradiaba lo que podría llamarse una esplendorosa belleza varonil.
-Es hora de partir -dijo, por fin.
Reiko dobló su cuerpo hasta el suelo en una profunda
reverencia. No podía alzar el rostro. No quería arruinar su maquillaje con las
lágrimas que le resultaban imposibles de contener.
Cuando finalmente alzó la mirada, vio borrosamente, a través
de las lágrimas, que su marido había enroscado una venda blanca alrededor de su
espada ahora desenvainada; sólo dejaba en la punta doce o quince centímetros de
acero al desnudo.
Apoyando la espada en el tatami que tenía frente a él, el
teniente se alzó sobre las rodillas, se sentó nuevamente con las piernas
cruzadas y desabrochó el cuello del uniforme. Sus ojos no verían ya a su mujer.
Lentamente, se desprendió uno por uno los botones chatos de metal. Observó
primero su pecho oscuro y, luego, su estómago. Desató el cinturón y se
desabrochó los pantalones. Tomó el taparrabos con ambas manos y lo tiró hacia
abajo para dejar más libre al estómago. Luego empuñó la espada con la venda
blanca en su filo, mientras que, con la mano izquierda, masajeaba su abdomen.
Conservaba la mirada baja.
Para verificar el filo, el teniente abrió la parte izquierda
del pantalón, dejando parte del muslo a la vista, y deslizó el filo sobre la
piel. La sangre brotó inmediatamente de la herida y varias gotas brillaron a la
luz.
Era la primera vez que Reiko veía la sangre de su marido y
experimentó violentas palpitaciones en el pecho. Observó el rostro del teniente
y vio que estudiaba con calma su propia sangre. Pese a que aquel era un
consuelo superficial, Reiko sintió cierto alivio.
Los ojos del hombre se fijaron en ella con una mirada
penetrante como la de un halcón. Colocando la espada frente a él, se alzó
ligeramente sobre sus músculos e inclinó la parte superior del cuerpo sobre la
punta de la espada. La excesiva tensión que presentaba la tela del uniforme,
indicaba a las claras que estaba reuniendo todas sus fuerzas. Se proponía
asestar un profundo golpe en la parte izquierda del estómago y su grito agudo
traspasó el silencio de la habitación.
Pese al esfuerzo, el teniente tuvo la sensación de que era
otro quien había golpeado su estómago como con una gruesa barra de hierro.
Durante algunos segundos su cabeza giró vertiginosamente y no recordó cuánto
había sucedido. Los doce o quince centímetros de punta desnuda habían desaparecido
completamente en su carne, y el vendaje blanco, fuertemente sujeto por su puño
cerrado, le presionaba directamente el estómago.
Recuperó la conciencia. Pensó que el filo debía haber
atravesado las paredes del abdomen. Su respiración era dificultosa, el pecho le
palpitaba violentamente y en alguna zona remota, aparentemente desligada de su
persona, un dolor terrible e insoportable se alzaba en forma avasalladora como
si la tierra se abriera para vomitar un cauce de rocas hirvientes. El dolor se acercó,
de pronto, a una velocidad vertiginosa. El teniente se mordió el labio inferior
y sofocó un lamento instintivo.
"¿Es esto el seppuku?", pensó.
Experimentaba una sensación de caos total, como si el cielo
se hubiera desplomado sobre él y todo el universo girara como bajo el efecto de
una enorme borrachera. Su fuerza de voluntad y coraje, que tan fuertes se
manifestaran antes de la incisión, se habían reducido, ahora, a una fibra de
acero del grosor de un cabello. Lo asaltó la incómoda sensación de que tendría
que avanzar asido a esa fibra con toda su desesperación.
Algo humedecía su puño y, bajando la mirada, vio que, tanto
su mano como el paño que envolvía la hoja, estaban empapados en sangre. También
su taparrabos estaba teñido de un rojo intenso. Le pareció increíble que en
medio de aquella agonía, las cosas visibles pudieran ser todavía vistas y las
cosas existentes, existir.
Reiko luchó por no correr al lado de su esposo al observar
la mortal palidez que invadía sus rasgos después de clavarse la espada.
Sucediera lo que sucediera, su misión era la de observar. Ser testigo. Tal era
la obligación contraída con el hombre amado. Frente a ella, a un tatami de
distancia, podía ver cómo su marido se mordía los labios para ahogar el dolor.
Reiko no contaba con ningún medio para rescatarlo a él.
La transpiración brillaba en su frente. Shinji cerró los
ojos para abrirlos luego, nuevamente, como quien hace un experimento. Su mirada
había perdido todo brillo y los suyos parecían los ojos inocentes y vacíos de
un animalito.
La agonía que se desarrollaba frente a Reiko la quemaba como
un implacable sol de verano, pero era algo totalmente alejado de la pena que
parecía estar partiéndola en dos.
El dolor crecía con regularidad. Reiko sentía que su marido
se había convertido en un ser de un mundo aparte, en un hombre íntegramente
disuelto en el dolor, en un prisionero en una jaula de sufrimiento, y mientras
pensaba, comenzó a sentir como si alguien hubiera levantado una cruel muralla
de cristal entre ellos.
Desde su matrimonio, la existencia de su marido se había
convertido en la suya propia, y cada respiración de Shinji parecía pertenecer a
Reiko. En cambio, ahora, mientras que la existencia de su marido en el dolor
era una realidad viviente, Reiko no podía encontrar en su pena ninguna prueba
concluyente de su propia existencia.
Usando solamente la mano derecha, el teniente comenzó a
cortarse el vientre de un lado a otro. Pero a medida que la hoja se enredaba en
las entrañas, era rechazada hacia fuera por la blanda resistencia que
encontraba allí. El teniente comprendió que sería menester usar ambas manos
para mantener la punta profundamente hundida en su cuerpo. Tiró hacia un
costado, pero el corte no se produjo con la facilidad que había esperado.
Concentró toda la energía de su cuerpo en la mano derecha y tiró nuevamente. El
corte se agrandó ocho o diez centímetros.
El dolor se extendió como una campana que sonara en forma
salvaje. O como mil campanas tocando al unísono con cada respiración y con cada
latido, estremeciendo todo su ser. El teniente no podía contener los gemidos.
Pero la hoja ya se había abierto camino hasta debajo del ombligo. Al
advertirlo, Shinji sintió un renovado coraje.
El volumen de la sangre no había dejado de aumentar y ahora
manaba por la herida como originado por el latir del pulso. La estera estaba empapada
de sangre que seguía renovándose con aquella que chorreaba de los pliegues del
pantalón kaki del teniente. Una salpicadura, semejante a un pájaro, voló hacia
Reiko y manchó la falda de su kimono de seda blanca. Cuando el teniente pudo,
por fin, desplazar la espada hacia el costado derecho, ésta ya cortaba
superficialmente y era posible contemplar su punta desnuda resbalándose de
sangre y grasa. Atacado súbitamente por terribles vómitos, el teniente gritó
roncamente. Los vómitos volvieron aun más horrendo el dolor, y el estómago, que
hasta aquel momento se había mantenido firme y compacto, explotó de repente,
dejando que las entrañas reventaran por la herida abierta. Ignorantes del
sufrimiento de su dueño, las entrañas de Shinji causaban una impresión de salud
y desagradable vitalidad que las hacía escurrirse blandamente y desparramándose
sobre la estera. La cabeza del hombre se abatió, sus hombros se estremecieron y
un fino hilo de saliva goteó de su boca. Las insignias doradas brillaban a la
luz.
Todo estaba lleno de sangre. El teniente estaba empapado de
ella hasta las rodillas, y ahora se sentaba en una posición encogida y
desamparada con una mano en el piso. Un olor acre inundaba la habitación. La
cabeza del hombre colgaba en el vacío y su cuerpo se sacudía en interminables
arcadas. La hoja de la espada, expulsada de sus entrañas, estaba totalmente
expuesta y aun sostenida por la mano derecha del teniente.
Sería difícil imaginar una visión más heroica que la del
teniente reuniendo sus fuerzas y echando la cabeza hacia atrás. La violencia
del movimiento hizo que la cabeza del teniente chocara contra uno de los
pilares de la alcoba.
Hasta aquel momento, Reiko había permanecido sentada con la
mirada baja, como encandilada por el flujo de la sangre que avanzaba hacia sus
rodillas, pero el golpe la sorprendió y tuvo que alzar la vista.
El rostro del teniente no era el del hombre con vida. Los
ojos estaban vacíos, la piel lívida, las mejillas y los labios tenían el color
de la tierra seca. Sólo la mano derecha se movía aun sosteniendo laboriosamente
la espada. Se agitó convulsamente en el aire, como la mano de un títere, y
luchó por dirigir la punta de la espada hasta la base del cuello.
Reiko contempló cómo su marido intentaba este último,
conmovedor y fútil esfuerzo. Brillando de sangre y grasa, la punta se
descargaba una y otra vez sobre la garganta. Siempre fallaba. No le quedaban
fuerzas para guiarla y sólo chocaba contra las insignias del cuello del
uniforme que se había cerrado nuevamente y protegía la garganta.
Reiko no soportó aquella visión por más tiempo. Intentó ir
en ayuda de Shinji, pero le resultaba imposible ponerse en pie. Se arrastró de
rodillas y su falda se tiñó de un rojo intenso. Se colocó detrás de su marido y
lo ayudó abriendo solamente el cuello del uniforme. La hoja vacilante tomó
finalmente contacto con la piel desnuda de la garganta. Reiko tuvo la sensación
de haber empujado a su marido hacia adelante.
No fue así. El teniente había dado una última demostración
de fortaleza. Echó su cuerpo violentamente contra la hoja y el filo perforó su
cuello, apareciendo luego por la nuca. El teniente permaneció inmóvil mientras
un tremendo chorro de sangre lo inundaba todo.
V
Reiko descendió lentamente la escalera. Sus medias estaban
resbalosas de sangre. En la habitación superior reinaba ahora la más absoluta
calma.
Encendió las luces de la planta baja, verificó los
quemadores y la llave principal del gas. Echó agua sobre el carbón humeante y
semiapagado del brasero. Se detuvo frente al espejo de la habitación de cuatro
tatami, y medio alzó su falda. Las manchas de sangre parecían un alegre dibujo
estampado en la parte inferior de su kimono blanco. Al instalarse frente al
espejo, sintió la fría humedad de la sangre de su marido en los muslos y tuvo
un estremecimiento. Se entretuvo largamente en el baño. Aplicó una generosa
capa de rouge sobre sus mejillas y también abundante pintura en los labios.
Este maquillaje ya no estaba destinado a agradar a su marido. Se maquillaba
para el mundo que estaba a punto de abandonar. Había algo espectacular y
magnífico en los toques de su pincel. Al levantarse, advirtió que la sangre
había mojado la estera dispuesta frente al espejo. Reiko no lo tuvo ya en
cuenta.
La joven se detuvo al pisar el corredor de cemento que llevaba
a la galería. Su marido había cerrado el pestillo de la puerta la noche
anterior en un acto de preparación a la muerte, y durante un instante se sumió
en la consideración de un simple problema, ¿dejaría el cerrojo echado? De
hacerlo así, podrían transcurrir varios días antes de que los vecinos
advirtieran el suicidio. A Reiko no le agradó la idea de dos cadáveres
descomponiéndose antes de ser descubiertos. Después de todo, sería mejor dejar
la puerta abierta...
Abrió el cerrojo y dejó la puerta de vidrios escarchados
ligeramente entreabierta. El viento helado se coló de inmediato en la
habitación. Nadie pasaba por la calle, era medianoche y las estrellas
resplandecían tan frías como el hielo.
Reiko dejó la puerta entornada y subió las escaleras. Durante
varios minutos caminó de un lado a otro. La sangre ya se había secado en sus
medias .De pronto, un olor peculiar llegó hasta ella.
El teniente yacía, boca abajo, en un mar de sangre. La punta
de la espada, que sobresalía de su nuca, parecía haberse hecho más prominente
aun. Reiko anduvo negligentemente entre la sangre y se sentó al lado del
cadáver de su marido. Lo observó atentamente. Tenía la mejilla apoyada en la
alfombra, los ojos estaban muy abiertos, como si algo hubiera despertado su
atención. Ella alzó la cabeza, la apoyó sobre su manga y, limpiándose la sangre
de los labios, lo besó por ultima vez.
Luego tomó del armario una bata blanca y un cordón. Para
evitar que su falda se desordenara, envolvió la manta alrededor de su cintura y
la sujetó firmemente con el cordón.
Reiko se sentó muy cerca de Shinji. Extrajo la daga de su
faja, examinó el brillo opaco de la hoja y la acercó a su lengua. El gusto del
acero bruñido era ligeramente dulce.
Reiko no perdió tiempo. Pensó que el dolor que la había
separado de su marido moribundo iba a formar ahora parte de su propia
experiencia. Sólo vislumbró ante sí el gozo de penetrar en un reino que el
amado Shinji ya había hecho suyo.
Había percibido algo inexplicable en la fisonomía agonizante
de su marido. Algo nuevo. Le sería dado, pues, resolver el enigma.
Reiko sintió que, por fin, también podría participar de la
verdadera y amarga dulzura del gran principio moral en que había creído el
teniente.
Empujó entonces la punta de la daga contra la base de su
garganta. La empujó fuertemente. La herida resultó poco profunda. Le ardía la
cabeza y sus manos temblaban de forma incontrolable. Forzó la hoja hacia un
costado y una sustancia caliente le anudó la boca. Todo se tiñó de rojo frente
a sus ojos como el fluir de un río de sangre. Reunió todas sus fuerzas y hundió
aun más profundamente la daga en su garganta.
FIN
Yukio Mishima
Agradecemos a Daniel Ballesteros Álvarez su aportación de
este cuento a la Biblioteca Digital Ciudad Seva.
29 Sep 2005
Biblioteca Digital Ciudad Seva
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