sábado, 18 de março de 2017

Empresas são organizações políticas essencialmente nacionais mesmo quando operam como multinacionais. Qualquer Estado Nacional com mínima relevância e projeção geopolítica tem suas grandes empresas estratégicas nacionais, públicas e privadas. Analisem as empresas nacionais da Rússia, China, Índia, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Coreia do Sul e mesmo pequenos países como uma Suécia, Finlândia e Noruega para entenderem a importância desse fenômeno. O gigantesco orçamento estatal militar dos Estados Unidos é monopolizado exclusivamente pelas empresas tecnológicas nacionais deles, que são o tempo todo protegidas, prestigiadas, privilegiadas e apoiadas na dominação mundial (inescrupulosa) delas. O capitalismo avançado só existe com centros de poder organizados pelos Estados Nacionais e possuindo suas próprias empresas nacionais, com comando, sedes e burguesias no seu próprio território. Classes ou elites dominantes também são nacionais e mesmo etno-nacionais nas principais potências capitalistas hegemônicas. Aliás a combinação entre nacionalismo e socialismo também foi a força política motriz da União Soviética na Grande Guerra Patriótica de 1941-1945, na Revolução Cubana, na Guerra do Vietnã. Recomendo a leitura das obras de Benedict Anderson para quem gosta de uma epistemologia crítica e marxista para entender melhor a importância do nacionalismo na história política dos últimos séculos.

RCO

Geração Beat


"Associada a esta tolerância, à abertura ao que não fosse expressão da ordem estabelecida, está a diversidade interna da beat. Seu caráter multicultural foi acentuado por Ginsberg, ao traçar o perfil de seus integrantes:
"Burroughs, protestante branco; Kerouac, índio norte-americano e bretão; Corso, católico italiano; eu, radical judeu; Orlovsky, russo branco; Gary Snyder, escocês-alemão; Lawrence Ferlinghetti, italiano, continental, educado na Sorbonne; Philip Lamantia, autêntico surrealista italiano; Michael McClure, escocês do meio-oeste norte-americano; Bob Kaufman, afro-americano surrealista; LeRoi Jones, poderoso negro, entre outros."
Talvez essa diversidade se relacione com características da própria sociedade norte-americana. A beat contou com negros e descendentes de imigrantes porque lá havia muitos negros e imigrantes. Mas reunir desde o filho de um morador de rua, Neal Cassady, até o descendente de uma elite econômica, William Burroughs, e do autodidata Gregory Corso, que conheceu literatura na cadeia, até Lawrence Ferlinghetti, doutorado na Sorbonne, a diferencia de movimentos europeus – e de outros lugares: nossos modernistas de 1922 têm perfis bem próximos uns dos outros. Pela primeira vez, as rebeliões artísticas anti-burguesas não foram encabeçadas exclusivamente por burgueses ou aristocratas. Vanguarda literária com adesão de proletários? Talvez. E proletarização voluntária, levando em conta as ocupações dos beats em seu período de obscuridade. Porém, mais que ao proletário, a beat se associou ao lumpen, o extrato inferior da sociedade, considerando algumas das amizades de Ginsberg, Kerouac e Burroughs, e de onde vinham Corso e Cassady. Literatura marginal por marginais.

Claudio Wiler _______Geração Beat" (L&PM, 2009). Leiam o livro todo, se possível:
Bismarck já afirmava que ninguém poderia dormir tranquilo se soubesse como são feitas as salsichas e as leis. As últimas operações policiais apenas revelam como operam os capitais na indústria do petróleo, nas empreiteiras e agora nas carnes. Sempre um bloco criminoso e promíscuo entre empresários, agentes públicos e políticos. Quem leu o capítulo XXIV d'O Capital, a chamada acumulação primitiva, o segredo da acumulação original, sabe que capitalismo sempre foi isso mesmo, um processo histórico de roubo social organizado, pilhagem, saque, enganação e violência sob o Estado. O direcionamento investigativo contra os setores estratégicos do Brasil segue um roteiro politicamente programado, uma linguagem de script. Esse mesmo bloco criminoso internacional é ainda pior na indústria cultural da mídia, no sistema financeiro, no capital imaterial, no complexo industrial-militar e nas importações estrangeiras. Temer e seus golpistas amestrados, principalmente os da região agrícola do Paraná, como o grampeado Ministro da injustiça do PMDB - Osmar Serraglio, podem ser serrados nessa dinâmica da carne e da justiça bem fracas e podres.

RCO

quinta-feira, 16 de março de 2017

1813: Prússia declarava guerra a Napoleão


A 16 de março de 1813, o rei prussiano Frederico Guilherme 3º declarou guerra a Bonaparte. Ao final, ficariam as cores usadas por um grupo de voluntários: preto, vermelho e dourado (as cores da bandeira alemã).

 Rei lança manifesto em 1813

O rei prussiano Frederico Guilherme 3º achava que o domínio francês estava prejudicando o desenvolvimento da Prússia, e ao mesmo tempo advertiu que a guerra seria arrasadora.

Um pequeno general revolucionário francês havia se colocado a tarefa de conquistar a Europa. Ele derrotou vários países, da Espanha à Polônia, e coroou-se imperador. Mas, aí, a sorte o abandonou. O avanço contra a Rússia havia lhe custado o exército e os países conquistados iniciaram um levante. A Prússia, por exemplo, assinou uma aliança com a Rússia, para iniciar um levante contra Napoleão Bonaparte.

Exploração material e humana

A série de conquistas territoriais de Napoleão havia começado em 1796. Principalmente a Áustria, mas também a Inglaterra e a Rússia, foram os que mais resistiram à ocupação. Os povos destes territórios sofriam muito com a exploração por Napoleão, tanto material como humana, pois os homens eram obrigados a lutar nas tropas napoleônicas.

Em 1813, havia na Europa três exércitos principais na resistência contra a França: o da Boêmia, comandado pelo príncipe Schwarzenberg, com austríacos, prussianos e russos; o do Norte, comandado pelo príncipe sueco Bernadotte, com suecos, prussianos e russos; e o principal, comandado por Blücher, com prussianos e russos. Eles obrigaram Napoleão a se retirar de todo o território alemão. Seu uniforme era preto, com detalhes em vermelho e botões em bronze.

Batalha final é perdida por Napoleão

Ao mesmo tempo, o general Wellington conseguiu derrotar as tropas francesas na Espanha. Em agosto de 1813, a Áustria entrou na guerra. Napoleão estava cercado. A batalha decisiva aconteceu em outubro de 1813. Mais de cem mil soldados perderam a vida na chamada Batalha dos Povos em Leipzig, perdida pelo francês.

A corporação prussiana York tinha um contingente de 38 mil homens. Depois da cruel batalha de Leipzig, restaram apenas seis mil. Na primavera europeia de 1813, a França tinha um exército com 400 mil recrutas, a maioria entre 17 e 18 anos. Os 80 mil que haviam sobrevivido à grande batalha morreram de uma febre epidêmica trazida da Rússia.

Anseio pela liberdade

O rei Frederico Guilherme já havia previsto o grande número de vítimas quando declarou guerra a Napoleão. Já em 1807, ele havia sido derrotado, perdendo a metade de seu território, e sendo obrigado a fugir de Berlim para o Castelo de Königsberg (Kaliningrado). Este episódio despertou ainda mais o anseio do rei pela liberdade da Prússia, um ideal posto em prática com a declaração de guerra de 1813.

Os reformistas militares prussianos Scharenhorst, Gneisenau, Blücher, Hardenberg e Von Stein aliaram-se à Prússia derrotada depois de 1807 e tentaram reerguê-la, tornando-a um Estado moderno. A libertação dos judeus, em 1812, por Hardenberg, por exemplo, fez com que a gratidão destes se manifestasse no ingresso voluntário nas tropas prussianas, um ano mais tarde. "Os súditos haviam criado um sentimento de compatriotas", destaca Bruno Dreier, responsável pelo Museu Marechal Blücher.

Na realidade, isto ainda demoraria a se concretizar. Algum tempo depois, a Prússia iria acabar como tal. Ficaram as cores usadas por um pequeno corpo de voluntários da guerra de 1813, um símbolo do amor à liberdade: preto, vermelho e amarelo-ouro (as cores da atual bandeira nacional alemã).

Autoria Catrin Möderler (rw)


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domingo, 12 de março de 2017

1947: Divulgada a Doutrina Truman


No dia 12 de março de 1947, Harry Truman, presidente dos EUA, apresentou ao Congresso as diretrizes da sua política externa. Ele exigiu esforços especiais para combater a expansão dos soviéticos no mundo.

 Bildergalerie amerikanische Präsidenten (Getty Images)

Henry Truman em 1945: segundo ele, o mundo estava dividido entre dois sistemas: os livres e os totalitários

"A fim de garantir o desenvolvimento pacífico das nações, sem exercer pressão, os Estados Unidos assumiram a maior parte na criação das Nações Unidas. Mas só concretizaremos nossas metas se estivermos dispostos a ajudar povos soberanos na manutenção de suas instituições livres e de sua integridade nacional contra imposições de regimes autoritários."

Essas foram as palavras do presidente Harry Truman diante do Congresso americano no dia 12 de março de 1947. Com seu pronunciamento, o então chefe do governo conclamou a opinião pública dos Estados Unidos a apoiar a Turquia e a Grécia, tanto no aspecto econômico como militar, para "conter as tentativas soviéticas de subversão", como se dizia na linguagem da Guerra Fria.

Truman respondeu à suposta ameaça soviética no Sudeste Europeu com uma concepção própria de política de segurança. Mesmo que o Congresso tenha aprovado o plano apenas com uma pequena margem de votos, seu efeito foi enorme: a Doutrina Truman selou não só a derrota comunista na guerra civil da Grécia, como fomentou de forma perigosa o antagonismo entre as duas superpotências, acirrando a Guerra Fria.

Segundo a teoria de Truman, o mundo estava dividido entre dois sistemas: os governo livres democráticos e os totalitários comunistas. A ajuda ao exterior, segundo formulado na sua doutrina de 1947, foi a diretriz das políticas externa e de segurança da Casa Branca durante várias décadas. Entre os acontecimentos que se seguiram estão o Plano Marshall, de reconstrução da Europa pós-guerra, alianças como a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), criada em 1949, e as intervenções na Coreia e no Vietnã.

Armas nucleares como trunfo político

O principal trunfo político dos Estados Unidos era na época (e continua sendo) seu arsenal nuclear. Esta é a opinião do historiador americano e diretor do Centro Nacional de Economia Alternativa, em Washington, Gar Alperovitz:

"A Guerra Fria, como a conhecemos, não teria sido imaginável sem armas nucleares. Não só no aspecto da corrida armamentista, mas também das relações entre os Estados Unidos e a União Soviética. Estas relações seriam radicalmente diferentes se não tivesse havido a bomba atômica. Por isso, acredito que, se não houvesse armas nucleares naquele momento, não daria para entender o porquê da corrida armamentista durante a Guerra Fria, nem seus aspectos políticos, geopolíticos e estratégicos na Europa."

Até hoje, Truman representa para muitos o típico cidadão americano, que podia ganhar seu pão como agricultor ou como contador. Alguém que, apesar de todas as dificuldades, demonstrou brio, começou de baixo e foi parar na Casa Branca. Para o historiador Alperovitz, Truman teve outra personalidade política: "Inescrupuloso e consciente de seu poder, com a capacidade de desrespeitar instituições democráticas e enganar a opinião pública".

Truman acreditava em eleições livres, no Estado de direito e suas bases. Mas também foi produto de um dos piores aparatos da história americana. "Quem o levou ao poder foi o gângster político Pendergast, em Missouri, no Texas. Era um aparato dos mais brutais, que comprava políticos e encomendava assassinatos. Truman era senador e teria que ter sido extraordinariamente ingênuo se não tivesse notado com quem estava lidando. Já naquela época era comum os políticos mentirem e distorcerem a realidade", conclui Alperovitz.

Bildergalerie Zweiter Weltkrieg Karte Europa 1939 Portugiesisch

Autoria Michael Marek (rw)


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El episodio Kugelmass

 woodyEl profesor Kugelmass, quien dictaba clases de Humanidades en el City College, estaba infelizmente casado por segunda vez. Su esposa, Dafne Kugelmass, era una idiota. El también tenía dos hijos tontos de su primera esposa, Flo, y estaba hasta el cuello de deudas ocasionadas por los costos de la separación y manutención de los niños.

“¿Acaso yo sabía que las cosas iban a salir tan mal?”, se lamentó un día Kugelmass dirigiéndose a su analista. “Dafne era muy prometedora. ¿Quién podría sospechar que ella iba a abandonarse y a engordar como tonel? Además, ella tenía algunos dolarillos, lo que no es – por supuesto – razón suficiente para contraer nupcias pero tampoco viene mal, teniendo en cuenta los problemas “operativos” que tengo. ¿Entiende lo que le digo?

Kugelmass era calvo y tan peludo como un oso, pero tenía un gran corazón.

“Tengo que buscarme otra mujer”, agregó. “Necesito tener un affaire. Es posible que no sea un buen partido pero soy un hombre que necesita vivir un romance.

Necesito sentir ternura, coquetear con alguien. Estoy envejeciendo y por ello es muy tarde para sentir el deseo de hacer el amor en Venecia, burlarse el uno del otro en el “21″ e intercambiar miradas tímidas sobre una copa de vino tinto a la luz de las velas. ¿Entiende lo que le digo?’’
El Dr. Mandel se movió en la silla y dijo: “No resolverá nada con una aventura amorosa. Usted es muy poco realista. Sus problemas son mucho más graves”.

“Debo tener una relación muy discreta”, seguía pensando en voz alta Kugelmass. “No puedo darme el lujo de divorciarme por segunda vez. Dafne me lo echaría en cara”
“Sr. Kugelmass – ”

“Sin embargo, no puede ser con nadie del City College porque Dafne también trabaja allí. De hecho, ninguna profesora de esa universidad vale gran cosa; sin embargo, alguna de las estudiantes …”
“Sr. Kugelmass – ”

“Ayúdeme. Anoche tuve un sueño. Estaba en una pradera y de pronto me puse a saltar con una cesta de comida y la cesta tenía un letrero que rezaba “Opciones”. Luego me di cuenta de que la cesta tenía un agujero”.

“Sr. Kugelmass, lo peor que puede hacer es representar de esa forma sus inhibiciones. Usted debe limitarse a expresar sus sentimientos para que los analicemos en conjunto. Usted ha estado en tratamiento el tiempo suficiente como para saber que no hay remedios instantáneos. Después de todo, soy un analista, no un mago”.

“Entonces, tal vez lo que necesite sea un mago”, dijo Kugelmass, levantándose de su asiento. Y con ello puso fin a su terapia.

Algunas semanas después, Kugelmass y Dafne se hallaban deprimidos en su apartamento como dos viejos muebles. De pronto, sonó el teléfono. Era de noche.

“Yo atiendo”, dijo Kugelmass. “Aló”.

¨Kugelmass?, se oyó al otro lado del teléfono. “Kugelmass, le habla Persky”.

“¿Quién?”

“Persky, ¿o debería decir “El Gran Persky?”

¿Perdón?

“He sabido que anda en búsqueda de un mago que le de una nota exótica a su vida. ¿No es así?”
“­Chis!, susurró Kugelmass. “No cuelgue. ¿De dónde llama, Sr. Persky?”

Al día siguiente, por la tarde, Kugelmass subió por las escaleras de un decrépito edificio de apartamentos situado en el área de Bushwick, Brooklyn. Aguzando la mirada para romper la oscuridad del pasillo, Kugelmass finalmente encontró la puerta que buscaba y tocó el timbre. Voy a lamentarlo, pensó para sí.

Segundos después, era recibido por un hombre pequeño, delgado, con una mirada vidriosa.
¿Usted es Persky, el Grande?, dijo Kugelmass.

“El Gran Persky. ¿Quiere una tasa de té?

“No. Quiero vivir un romance. Quiero sentir la música, el amor y la belleza”.

“Pero no quiere tomar té. ¿Ah? Es raro. Muy bien, tome asiento”.

Woody Allen

by Juan Zapato

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Juan Zapato | marzo 22, 2012 at 9:59 pm | Etiquetas: Cuentacuentos, Escritores norteamericanos contemporáneos, Juan Zapato el último habitante en La Torre de Babel, Woody Allen en el Blog de Juan Zapato | Categorías: Libros, Literatura, Literatura norteamericana, Literature, Oficio de escritor, Woody Allen | URL: http://wp.me/p5c8l-Gr





O Aleph

"Então vi o Aleph. [...] começa aqui o meu desespero de escritor. Toda linguagem é um alfabeto de símbolos cujo exercício pressupõe um passado que os interlocutores compartem; como transmitir aos outros esse infinito Aleph, que minha tímida memória mal e mal abarca? [...] Mesmo porque o problema central é insolúvel: a enumeração, sequer parcial, de um conjunto infinito. Nesse instante gigantesco, vi milhões de atos agradáveis ou atrozes; nenhum me assombrou mais que o fato de que todos ocupassem o mesmo ponto, sem superposição e sem transparência. O que meus olhos viram foi o simultâneo; o que transcreverei será sucessivo, pois a linguagem o é. Algo, entretanto, registrarei."
.
“Entoces vi el Aleph. [...] empieza, aquí mi desesperación de escritor. Todo lenguage es un alfabeto de símbolos cujo ejercicio presupone un pasado que los interlocutores comparten; ¿como transmitir a los otros el infinito Aleph, que mi temerosa memoria apenas abarca? [...] Por lo demás, el problema central es irresolubre: la enumeración, siquiera parcial, de un conjunto infinito. En ese instante gigantesco, he visto millones de actos debitables o atroces; ninguno me assombro com el hecho de que todos ocupan el mismo punto, sin superposición y sin transparencia. Lo que vieron mis hojos fue simultâneo: lo que transcrebiré, sucesivo, porque el lenguage lo es. Algo, sin embargo, recogeré.”


- Jorge Luis Borges em "O Aleph" - Obras Completas Vol., [tradução Flávio José Cardozo]. São Paulo: Globo, 1998, p. 695.

Nocturno eterno


Cuando los hombres alzan los hombros y pasan
o cuando dejan caer sus nombres
hasta que la sombra se asombra

cuando un polvo más fino aún que el humo
se adhiere a los cristales de la voz
y a la piel de los rostros y las cosas

cuando los ojos cierran sus ventanas
al rayo del sol pródigo y prefieren
la ceguera al perdón y el silencio al sollozo

cuando la vida o lo que así llamamos inútilmente
y que no llega sino con un nombre innombrable
se desnuda para saltar al lecho
y ahogarse en el alcohol o quemarse en la nieve

cuando la vi cuando la vid cuando la vida
quiere entregarse cobardemente y a oscuras
sin decirnos siquiera el precio de su nombre

cuando en la soledad de un cielo muerto
brillan unas estrellas olvidadas
y es tan grande el silencio del silencio
que de pronto quisiéramos que hablara

o cuando de una boca que no existe
sale un grito inaudito
que nos echa a la cara su luz viva
y se apaga y nos deja una ciega sordera

o cuando todo ha muerto
tan dura y lentamente que da miedo
alzar la voz y preguntar “quién vive”

dudo si responder
a la muda pregunta como un grito
por temor de saber que ya no existo

porque acaso la voz tampoco vive
sino como un recuerdo en la garganta
y no es la noche sino la ceguera
lo que llena de sombra nuestros ojos

y porque acaso el grito es la presencia
de una palabra antigua
opaca y muda que de pronto grita

porque vida silencio piel y boca
y soledad recuerdo cielo y humo
nada son sino sombras de palabras
que nos salen al paso de la noche


Xavier Villaurrutia©

sábado, 11 de março de 2017

Leandro Karnal como historiador excelente p falar de contextos, sempre adorei suas impressões sobre os descobrimentos navegação, etc. Mas como preter filosofo, tem atuado mais na auto ajuda tipo um Lair Ribeiro p q esquerdas se conformem e que direitas que ao menos se acham preenchidos de ensino universitário não tanto se radicalizem. O jantarzinho com o Moro talvez o convença de que essa Petrofagia  é  justificável sob pena de no jantar o Karnal ser preso p obstrução na Justiça...então é' o reality show e o pretexto p abandonar o q resta de discurso de esquerda e partir de vez p auto ajuda moral politica.

Eyrimar Fabiano Bortot
Dilma, a depuseram num golpe, pois não houve qualquer ílicito qual se locupletasse ou vantagem pecuniária ilícita da qual se apropriou, (como a expulsão de um pai ou mãe que põe na mesa refeição p os filhos c dinheiro da poupança). Park Yun a sul coreana ainda que houvesse prova foi uma amiga que se beneficiou de um ilícito p aquele pais, o erário ou a informação  privilegiada teve beneficiário. Aqui afirmamos foi golpe de fato. La' podemos dizer q foi impeachment pois foi uma corte judicial que deu a ultima palavra (até ' por que não houve apelos a interesses escusos p parte da defesa) e aqui apenas senadores adversários e interessados no esbulho pós Dilma como já  pilham e assaltam o trabalhador como se tem visto....


Já participei de muitas entrevistas em todos os veículos da mídia e sabemos como funcionam. A grande mídia é um partido político de interesses dos dominantes, uma indústria cultural extremamente lucrativa e com agenda própria, uma máquina de hegemonia cultural e informativa, diretamente organizando a dominação, a direção, a conformação de ideias e opiniões na dinâmica dos conflitos das classes sociais. O intelectual geralmente é usado e abusado, dirigido e direcionado nestas dimensões dos poderes da mídia. Quando o chamam, o poder da mídia muitas vezes já determinou qual fala querem, em qual discurso o querem encaixar, o que aproveitam e como enquadram o intelectual na rede de interesses deles. A cada geração alguns intelectuais sempre se vendem, tal como Fausto e Mefisto, tema já clássico e recorrente na banalização da miséria da condição humana em relação aos podres poderes.

Ricardo Costa de Oliveira

O que teria sobrado do projeto comunista depois de 100 anos da Revolução Bolchevique.


"Sobrou os direitos trabalhistas e o estado do bem estar social em alguns países."

Aí alguém respondeu:

"O comunismo nunca defendeu os interesses do classe trabalhista. Em todas os países comunistas sempre houve os salários mais baixos, sem acesso os bens de consumo. É só comparar a vida dos trabalhadores do leste europeu, satélites da Rússia, com o nível dos trabalhadores de oeste Europeu. Os que sobraram de países ditos comunistas - China, Cuba e Coreia do Norte é onde tem os piores salários do mundo hoje. Em China tem que construir fábricas com grades devido o alto índice de suicídios entre os trabalhadores. Um trabalhador Cubano ganha US$40,00 por mês. Quem melhor defendeu os trabalhadores foram países que permitiam a atuação de sindicatos como Estados Unidos , Inglaterra, os países escandinavos, etc. Embora essas conquistas são agora ameaçados devido a desregulamentação iniciado por Thatcher e Reagan."
Bom, aí como acordei sem pressa, antes de levar meu cachorro, que se chama Marx, pra fazer xixi, tasquei:
"Você que tem que colocar as coisas dentro do contexto. As revoluções comunistas ocorreram nos países mais atrasados do mundo. Quando houve a revolução na Rússia, que tinha abolido a servidão apenas em 1870, seu PIB era algo em torno de 7% do dos EUA. No ano de 1950 já era perto de metade, isso depois de uma guerra civil e tendo sofrido a maior devastação entre as potências beligerantes na 2ª Guerra Mundial (com o fim do comunismo, seu PIB caiu para perto do patamar inicial, o que não deixa de ser significativo, não é?). E não é só isso: a URSS atingiu em bem pouco tempo índices de desenvolvimento social inimagináveis: era o país do maior índice de leitura per capita do mundo. Livros de poesias, de poeta novo, superavam a marca de um milhão de exemplares fácil fácil. Quanto a China, no momento da revolução, 2/3 dos chineses andavam nus, pois nem ao vestuário tinham acesso. Hoje, lá na China, os salários na indústria são maiores do que no Brasil -- e olha quanto chinês existe! Quanto a Cuba, hoje, temos que ver o câmbio pelo PPP (paridade de poder de compra) e não pelo valor nominal. De toda forma, em Cuba não há moradores de rua, como os há em Nova York e até em Estocolmo. Qualquer cubano tem acesso a saúde e educação de qualidade. Nos EUA, todo filho de servente de pedreiro pode fazer medicina ou engenharia? Em Cuba, se ele quiser, pode. Por fim, quanto aos sindicatos livres no Ocidente. Eles foram sempre livres? Não, qualquer associação do trabalhadores para defesa de seus interesses era duramente reprimida na Inglaterra "liberal". Foi depois de muito sangue derramado que se conquistaram sindicatos livres, na Inglaterra, nos EUA, na Suécia, aqui. E, aliás, foi isso que eu também quis dizer, com certa ironia: nossos parcos direitos trabalhistas no Ocidente foram conquistados por militantes de esquerda, boa parte deles ligados a sindicatos e partidos comunistas. E o estado do bem-estar social... não lhe parece mais que coincidência que justamente nos países escandinavos, vizinhos da terrível URSS, é que se tenha construído no capitalismo os sistemas de maior igualdade social? Pois foi o medo da revolução que fez os proprietários dos meios de produção resolveram dar alguns anéis aos trabalhadores para preservarem intactos os dedos. E não é a toa que, quando esse medo refluiu (com Reagan e Thatcher), eles foram correndo buscar esses anéis de volta."

Bom dia, camaradas!

Luiz Fernando Emediato ________________Grande Otto!

Clóvis Manfrini Souto Calado_____________ Não perco mais meu tempo com esses idiotas anticomunistas (se forem anticomunistas pobres aí é que não perco mesmo). Sou intransigente, intolerante e extremamente arrogante contra esses pascácios.

Otto Leopoldo Winck___________________ Como o assunto podia se perder na caixa de comentários lá, trouxe pra cá. Mas eu também não tenho muita paciência. Hoje foi uma exceção.
Frederico Augusto Messias Vieira Sim, explicar tendo que fazer uma síntese de tudo que percebemos ao longo de muitas reflexões e leituras dá preguiça demais! E, ainda que tenha paciência, questões emocionais ligadas a orgulho e baixa autoestima são muros que merecem outras abordagens que a argumentação intelectual. Educação e afeto são as únicas saídas, na minha opinião. Adorei sua resposta! Abs.

Marcelo Moraes______________________ É....O comunismo não funcionou porque o ser humano gosta de ficar sonhando em ser milionário, mesmo sabendo que será eternamente pobre, e nesse caso, financeiramente, espiritualmente e mentalmente.

Paulo Pena_______________________ Muito bem colocado!

Salvio Koerich Nienkotter____________ perfeito, otto. o estado de bem-estar social não foi obra de benevolência dos europeus, mas concorrência direta com os países comunistas: resultou do medo que tinham de revoluções intestinas e/ou de ver debandar sua força de trabalho para plagas mais alvissareiras, mais justas, a saber, as plagas soviéticas.

Gabriel Tarragô ____________________perfeito!!

Fábio Nin ________________________Muito boas as considerações,Otto. Eu pessoalmente tenho visto pouquíssimas discussões aqui sobre uma data tão importante quanto os 100 anos da revolução russa. Sim, com certeza: se temos direitos trabalhistas, agradeça-se à esquerda. Como é possível vermos até hoje análise simplórias sobre uma questão tão complexa, literalmente central, dentro da história da humanidade nos últimos 200 anos? É de doer. Acho também incrível que em 2017 exista gente com críticas contundentes ao comunismo sem ao mínimo ter uma postura crítica em relação ao capitalismo. Até quando vamos aceitar a idiotice de justificar um possível sucesso do capitalismo pelos exemplos da Europa Ocidental, Estados Unidos e Austrália sem levar em conta os também capitalistas Bolívia, Haiti, Libéria? São países que formam a periferia do capitalismo, que formam aliás a maioria absoluta dos países do mundo

Fernanda Marianne Alves___________ O Marx estava com pressa pra fazer xixi...

Fernanda Marianne Alves ___________Mas tudo bem, a resposta compensa...

Otto Leopoldo Winck _____________Hahaha... Bom, agora ele já mijou até dizer chega.

Paulo Pignanelli__________________ Toda e qualquer face humana do capitalismo foi conquista do socialismo, arrancado na luta e com muito sangue, e mais, em Cuba todos os direitos básicos, alimentação, saúde, educação e moradia estão garantidos, não sem grande sacrifico do povo cubano que se orgulha do pais e da revolução, apesar dos maiamistas de plantão, sempre de olho na Flórida e suas máfias

Odair Bermelho Por que você escreveu : " Sobrou os direitos...." e não " Sobraram os direitos..."?

Ava Carminati____________________ O que sobrou? ...

Otto Leopoldo Winck _____________A resposta é a "o que sobrou".

Ivan Justen Santana_______________ A concordância é opcional nesses casos.

Otto Leopoldo Winck_____________ Ivan Justen Santana Taí o mestre. Eu fui por instinto.

Sueli De Souza LIma _____________Muito lúcida e precisa sua resposta!

Fabiane Lopes de Oliveira_________ Espetáculo!!!

Otto Leopoldo Winck ____________Isso não significa que não houve problemas na construção do socialismo real. Sim, houve. E não foram poucos. Mas precisamos elevar o nível do debate para além de frases feitas e chavões. Afinal de contas, o Brasil, país de grande extensão territorial e população, tinha tudo para ser hoje uma potência global. A Rússia é. A China é. O Brasil não. Será que não faltou por aqui uma revolução "bolchevique"? Imagina o nível de nossa educação e tecnologia se tivéssemos tido nossa revolução.

Fabiane Lopes de Oliveira_________ O Brasil estava no caminho de ser, por meio do BRICS
Mas com o desmanche do atual (des)governo.... estamos de novo fora desta possibilidade...

Otto Leopoldo Winck _____________Com a renda do petróleo aplicada na educação chegaríamos fácil lá.

Geraldo Silva Jardim ______________muito boa cacetada!!!!
Todo mundo vive reclamando do tal do "efeito bolha" e, quando ele começa a ser rompido, a gritaria é geral. Esse algoritmo que comanda o comportamento humano realmente é muito complicado; é preciso modificá-lo urgentemente, antes que ele nos leve a um beco sem saída evolutivo...

Sergio Braga 

DE OPORTUNISTA EM OPORTUNISTA, O GOLPE ENCHE O PAPO.


Por Luis Felipe Miguel

"Eis que Leandro Karnal posta uma foto tomando um vinho com o "amigo juiz Sérgio Moro", a quem classifica de "gente inteligente". Conclui: "Discutimos possibilidades de projetos em comum".
Não há como justificar. Adaptando algo que disse Lolitchen Csrez, é como se, em pleno regime militar, um conhecido intelectual "de esquerda" confraternizasse com o delegado Fleury. Tá bom, são circunstâncias bem diferentes, Moro (até onde sabemos) não está arrancando as unhas de ninguém. Mas, num caso como no outro, são operadores principais e símbolos de escaladas repressivas, com a restrição a direitos e liberdades a quem fica do lado "errado" de uma divisão ideológica e política...


HÁ anos que afirmo: académicos-"escritores" alimentados obsessivamente pela ideologia da imagem e do sucesso, usam a filosofia, a história, a ARTE-da representação e as técnicas manipuladoras da pastorícia etc para um dos mais predadores-negocismos da actualidade brasileira___GUROLOGIA-mediática____, arrastando massas ávidas para as micropolíticas identirárias-déspostas com máscaras de " respostas para a vidinha" ! Cristalização/aniquilamento dos sentidos e sedentarização tremenda do pensamento!

Luís Serguilha

sexta-feira, 10 de março de 2017

1957: EUA aprovam Doutrina Eisenhower


No dia 9 de março de 1957, o Congresso dos Estados Unidos aprovou um pacote de sugestões conhecido como Doutrina Eisenhower.


 Bildergalerie amerikanische Präsidenten (AFP/Getty Images)

O presidente norte-americano Dwight Eisenhower ressaltara, num pronunciamento diante do Congresso em 5 de janeiro de 1957, que o Oriente Médio havia atingido uma nova fase crítica em sua história.
"Nas últimas décadas, muitos países na região não conseguiram a autonomia completa; outras nações desempenharam um papel autoritário, ameaçando a segurança na área. Mas desde a Primeira Guerra Mundial houve movimentos positivos pela independência e os Estados Unidos saúdam essas iniciativas", destacou o chefe de Estado e governo.

Eisenhower, entretanto, estava preocupado com a nova intromissão das potências coloniais na região (o conflito pelo Canal de Suez, entre britânicos e franceses, e o avanço de Israel) e acusava o "comunismo internacional" de agravar e inclusive manipular a situação. Para contrabalançar o suposto avanço do poder soviético na região, Eisenhower sugeriu ao Congresso uma resolução para prestar apoio econômico e militar ao Oriente Médio.

O pacote de medidas foi aprovado no dia 9 de março de 1957 e passou a ser conhecido como a Doutrina Eisenhower. Na realidade, ela repetia os princípios da Doutrina Truman, editada dez anos antes, beneficiando a Grécia e a Turquia. Depois da criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Ocidente, e da Organização do Tratado do Sudeste Asiático (Seato), em 1955 havia sido criado o Pacto de Bagdá, fechando a frente contra a União Soviética.

Intervenção dos EUA

No conflito do Oriente Médio em 1956, o fornecimento de armas por Moscou havia aumentado a influência soviética sobre a Síria e o Egito. Depois da derrubada da monarquia no Iraque pelos militares, em 1958, e da advertência do presidente conservador do Líbano, Kamil Chamoun, para o perigo de um golpe socialista em seu país, os EUA resolveram intervir diretamente, através do envio de fuzileiros navais por três meses a Beirute.

A missão norte-americana no Líbano foi criticada, pois a Doutrina Eisenhower permitia apenas intervenção em caso de ameaça à segurança externa. Na realidade, o interesse de Washington era econômico, devido à riqueza petrolífera da região. Apesar de não quererem mais uma missão como a de 1958 no Líbano, os EUA tentaram conquistar os países da região através de apoio político e econômico. E essa fórmula, a longo prazo, surtiu mais efeito do que a Doutrina Eisenhower.

A Jordânia conseguiu estabilizar sua situação depois da reviravolta no Iraque, o Egito se distanciou da União Soviética – alguns anos mais tarde, inclusive, fez as pazes com Israel, enquanto as nações do Golfo se aliaram a Washington. Devido a este apoio incondicional a Israel, muitas nações árabes ainda hoje veem com ceticismo as intenções de Washington. A aplicação da Doutrina Eisenhower ao pé da letra só teria aumentado essa aversão.

Autoria Peter Philipp

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1915: Dirigíveis bombardeiam Londres

No dia 19 de janeiro de 1915, a Alemanha passou a empregar uma nova arma contra o Reino Unido na Primeira Guerra Mundial: os dirigíveis.


 London, Weltkrieg 1915, Nachtlichter gegen Zeppeline (picture-alliance/arkivi)

Os dirigíveis alemães começaram a lançar bombas sobre Londres seis meses depois do início da 1ª Guerra Mundial. Nos anos seguintes, os zepelins do Império Alemão realizaram 51 operações aéreas contra a Inglaterra, causando a morte de 58 soldados e 500 civis.

É um número relativamente pequeno, considerando o total de vítimas dos ataques aéreos durante a 2ª Guerra Mundial. Mesmo assim, o dia 19 de janeiro de 1915 modificou completamente a 1ª Guerra, como escreve o historiador alemão Olaf Groehler: "Significou o fim da imagem que milhões de pessoas faziam de uma guerra. Até aí, valia a divisão entre a linha de frente e a retaguarda. Mas, a partir de agora, a população tinha de aceitar que podia ser alvo de bombardeios, da mesma forma como os soldados no front."

O entusiasmo do conde

Os ataques aéreos tornaram-se possíveis graças ao invento do conde Ferdinand von Zeppelin. Aos 25 anos, foi enviado pelo rei para observar a Guerra da Secessão nos Estados Unidos. Lá, viajou num balão para analisar as vantagens de atacar os inimigos do céu e anotou que "nenhum meio é mais eficiente para conquistar uma região desconhecida ocupada pelo inimigo".

De volta à Alemanha e entusiasmado com a ideia, Zeppelin começou a divulgar seu projeto junto a amigos e pessoas influentes, que o ajudaram a reunir 800 mil reichsmark, a moeda da época. No dia 2 de julho de 1900, "o charuto de prata" fez seu voo inaugural sobre o lago Constança. Seu nome: LZ 1. Às críticas de "colossal bobagem técnica", o conde Zeppelin respondia: "Meus veículos em pouco tempo serão os mais seguros".

Até o LZ 3 correu tudo bem, mas o quarto exemplar caiu enquanto fazia testes perto de Stuttgart. Com a ajuda de propaganda nacionalista, no entanto, Zeppelin conseguiu tornar-se um herói nacional e reunir uma considerável soma em dinheiro. Até escolares ajudaram a reunir dinheiro. O bolo foi engrossado com subvenções estatais e ajuda dos militares, que haviam reconhecido o potencial do novo veículo na iminente guerra contra a Inglaterra e a França.

Dirigível vai à guerra

A Primeira Guerra Mundial foi um grande negócio para a fábrica de Zeppelin em Friedrichshafen, no sul da Alemanha. Entre 1909 e 1914, Exército e Marinha haviam encomendado 13 dirigíveis. A partir daí, nos quatro anos que durou a guerra, foram solicitados mais 88. O próprio conde Zeppelin, general de cavalaria, chegou a se oferecer, aos 76 anos, como piloto ao imperador alemão.

No início da guerra, o monarca alemão ainda hesitava em atacar os ingleses devido ao seu parentesco com a família real. A pressão de seus militares, porém, foi maior. A única condição imposta pelo imperador foi evitar que certas regiões fossem atingidas, como o Palácio de Buckingham. Na realidade, uma exigência sem sentido, como demonstrou a prática.

Um dos pilotos ressaltou mais tarde que, na noite da primeira ofensiva, ninguém tinha noção de que cidade estavam atacando. A confirmação veio apenas nos jornais ingleses na manhã seguinte. Mas o desenvolvimento do sistema de defesa também foi rápido.

Em pouco tempo, os "charutos" tornaram-se alvos das baterias antiaéreas. Pelo tamanho do zepelim, cada tiro era um acerto. Não demorou para que os militares alemães desistissem de usar dirigíveis, bem antes do final da guerra.

Autoria Gerda Gericke (rw)


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sábado, 4 de março de 2017

“Si acaso”

Podía ocurrir.
Tenía que ocurrir.
Ocurrió antes. Después.
Más cerca. Más lejos.
Ocurrió, no a ti.

Te salvaste porque fuiste el primero.
Te salvaste porque fuiste el último.
Porque estabas solo. Porque la gente.
Porque a la izquierda. Porque a la derecha.
Porque llovía. Porque había sombra.
Porque hacía sol.

Por fortuna había allí un bosque.
Por fortuna no había árboles.
Por fortuna una vía, un gancho, una viga, un freno,
un marco, una curva, un milímetro, un segundo.
Por fortuna una cuchilla nadaba en el agua.

Debido a, ya que, y en cambio, a pesar de.
Qué hubiera ocurrido si la mano, el pie,
a un paso, por un pelo,
por casualidad,
¡Ah, estás! Directamente de un momento todavía entreabierto.
La red tenía un solo punto, y tú a través de ese punto.
No dejo de asombrarme, de quedarme sin habla.
Escucha
cuán rápido me late tu corazón.

Wislawa Szymborska©

De "Si acaso" 1978        


Versión de Abel A. Murcia
El cantar tiene sentido,
entendimiento y razón,
la buena pronunciación
del instrumento al oído.

Yo fui marino que en una isla
de una culisa me enamoré,
y en una noche de mucha brisa
en mi falucho me la robé.

La garza prisionera
no canta cual solía
y cantar en el espacio
sobre el dormido mar,
su canto entre cadenas
es canto de agonía,
¿por qué te empeñas pues, Señor,
su canto en prolongar?

Allá lejos viene un barco
y en él viene mi amor.
Se viene peinando un crespo
al pie del palo mayor.

A ti vuelvo de nuevo, mar querido,
y lejos de ti, ¡cuánto fui desdichado!
Lo que puede sufrirse lo he sufrido
y lo que puede llorarse lo he llorado.

Y ese cadáver que por la playa rueda,
y ese cadáver, ¿de quién será?
Ese cadáver debe ser de algún marino
que hizo su tumba en el fondo del mar.

El cantar tiene sentido,
entendimiento y razón.

Canto popular venezolano.
Yo vengo de otro siglo,
Con dos X y un tango
No pude ser un indio,
Destiño negro y blanco.

Yo vengo de otro siglo,
Con la voz en la cara,
Con la sombra de un bicho,
Y este gesto en la espalda
Y traigo de otro siglo,
La esencia de un ombligo,
Un sapo traicionero,
Anécdotas de perros,
Y un sueño retroactivo,

Yo vengo de otro siglo,
Con un poco de todo,
Solo y sin acomodo,
Empuño moneditas y corro colectivos,
Arrastro de otro siglo,
Cierto autoritarismo,
Enojo prepotente y machismo,
Aunque en forma decreciente,

Y traigo de otro siglo,
Baranda de fomentos,
Kerosén, eucaliptus, azufre,
linimento, chicles y ceniceros.

Y traigo de otro siglo,
Mi suerte capicúa,
Y abajo de la púa,
Fritura de vinilo.

Yo vengo de otro siglo,
Me estoy acostumbrando,
Con dos X y un tango,
Perdón si no me ubico.

Yo vengo de otro siglo,
“ Toro serrano ”,
Vengo desde el olvido,
“ Con un dios escondido ”,
Y a yuyo de suburbio perfumando,

Yo vengo de otro siglo,
Hablando con mis muertos,
Y no porque estoy loco,
Porque si fuese un loco
Ni loco lo andaría diciendo.

Y traigo de otro siglo,
Platillos y poetas,
Colores de un equipo,
Dolores de bandera
Terapia de besitos.

Y traigo de otro siglo,
Mi suerte capicúa,
Y abajo de la púa,
Fritura de vinilo.

Yo vengo de otro siglo,
Me estoy acostumbrando,
Con dos X y un tango,
Perdón si no me ubico.

Yo vengo de otro siglo,
Me estoy acostumbrando
Perdón si no me ubico.
Con dos X y un tango.

Alejandro Del Prado


                

“Adiós Capitán”


Hasta aquí
que no existimos, vino un vivo
para certificar tu muerte,
cómo si dejar de respirar necesite de rubrica que lo confirme.
Los vivos, que presumimos de estarlo,
somos así.
Gustamos de datar el tiempo,
el tiempo del primer aliento,
del postrer hálito en la voz.
Datamos el día con su hora
y la causa que te ha matado,
nos agrada decir de qué morimos,
o más bien,
de qué se mueren los demás.
Siendo tan imbéciles que olvidamos
anotar el motivo
por el cual
estuvisteis aquí.
Los vivos,
somos unos impresentables.
Y unos mamarrachos.

En aquel maletín de cuero
van las hojas que de forma legal
le ponen fecha al finiquito.
Ya ves, todo saldado,
antes de partir las cuentas claras,
se van, os vais, te vas.
Te lo anota no sea que te equivoques,
que nadie te avise de que te has muerto.

Pero el vivo, que fue muy educado
cuando llegó dijo buenos días,
le acompaño en el sentimiento,
y ¿a qué hora fue el deceso?

Rellenó su papel,
que para eso le pagan,
para anotar el nombre,
con suerte sin faltas de ortografía,
la hora y el día, el mes,
este año en curso y el motivo de la despedida.

Vino un vivo a certificar tu muerte
Capitán,
y yo,
hasta el último momento esperé
que te levantaras a romperle la cabeza,
y después,
le dieras una patada en el culo.

No fue así.

Carpe Diem.