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sexta-feira, 10 de março de 2017

1915: Dirigíveis bombardeiam Londres

No dia 19 de janeiro de 1915, a Alemanha passou a empregar uma nova arma contra o Reino Unido na Primeira Guerra Mundial: os dirigíveis.


 London, Weltkrieg 1915, Nachtlichter gegen Zeppeline (picture-alliance/arkivi)

Os dirigíveis alemães começaram a lançar bombas sobre Londres seis meses depois do início da 1ª Guerra Mundial. Nos anos seguintes, os zepelins do Império Alemão realizaram 51 operações aéreas contra a Inglaterra, causando a morte de 58 soldados e 500 civis.

É um número relativamente pequeno, considerando o total de vítimas dos ataques aéreos durante a 2ª Guerra Mundial. Mesmo assim, o dia 19 de janeiro de 1915 modificou completamente a 1ª Guerra, como escreve o historiador alemão Olaf Groehler: "Significou o fim da imagem que milhões de pessoas faziam de uma guerra. Até aí, valia a divisão entre a linha de frente e a retaguarda. Mas, a partir de agora, a população tinha de aceitar que podia ser alvo de bombardeios, da mesma forma como os soldados no front."

O entusiasmo do conde

Os ataques aéreos tornaram-se possíveis graças ao invento do conde Ferdinand von Zeppelin. Aos 25 anos, foi enviado pelo rei para observar a Guerra da Secessão nos Estados Unidos. Lá, viajou num balão para analisar as vantagens de atacar os inimigos do céu e anotou que "nenhum meio é mais eficiente para conquistar uma região desconhecida ocupada pelo inimigo".

De volta à Alemanha e entusiasmado com a ideia, Zeppelin começou a divulgar seu projeto junto a amigos e pessoas influentes, que o ajudaram a reunir 800 mil reichsmark, a moeda da época. No dia 2 de julho de 1900, "o charuto de prata" fez seu voo inaugural sobre o lago Constança. Seu nome: LZ 1. Às críticas de "colossal bobagem técnica", o conde Zeppelin respondia: "Meus veículos em pouco tempo serão os mais seguros".

Até o LZ 3 correu tudo bem, mas o quarto exemplar caiu enquanto fazia testes perto de Stuttgart. Com a ajuda de propaganda nacionalista, no entanto, Zeppelin conseguiu tornar-se um herói nacional e reunir uma considerável soma em dinheiro. Até escolares ajudaram a reunir dinheiro. O bolo foi engrossado com subvenções estatais e ajuda dos militares, que haviam reconhecido o potencial do novo veículo na iminente guerra contra a Inglaterra e a França.

Dirigível vai à guerra

A Primeira Guerra Mundial foi um grande negócio para a fábrica de Zeppelin em Friedrichshafen, no sul da Alemanha. Entre 1909 e 1914, Exército e Marinha haviam encomendado 13 dirigíveis. A partir daí, nos quatro anos que durou a guerra, foram solicitados mais 88. O próprio conde Zeppelin, general de cavalaria, chegou a se oferecer, aos 76 anos, como piloto ao imperador alemão.

No início da guerra, o monarca alemão ainda hesitava em atacar os ingleses devido ao seu parentesco com a família real. A pressão de seus militares, porém, foi maior. A única condição imposta pelo imperador foi evitar que certas regiões fossem atingidas, como o Palácio de Buckingham. Na realidade, uma exigência sem sentido, como demonstrou a prática.

Um dos pilotos ressaltou mais tarde que, na noite da primeira ofensiva, ninguém tinha noção de que cidade estavam atacando. A confirmação veio apenas nos jornais ingleses na manhã seguinte. Mas o desenvolvimento do sistema de defesa também foi rápido.

Em pouco tempo, os "charutos" tornaram-se alvos das baterias antiaéreas. Pelo tamanho do zepelim, cada tiro era um acerto. Não demorou para que os militares alemães desistissem de usar dirigíveis, bem antes do final da guerra.

Autoria Gerda Gericke (rw)


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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

1920: Nacional-socialistas criam tropa de segurança


A tropa de segurança do NSDAP (Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores) foi criada no dia 12 de novembro de 1920, transformando-se mais tarde na SA (Seção de Assalto) da organização.
Seção de assalto, suporte do terror nazista

Gritando palavras de ordem, uniformizados e usando coturnos pesados, os integrantes da tropa de segurança do NSDAP (Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores, o partido nazista) marchavam pelas ruas das cidades alemãs. Na sua maioria, eram recrutados entre os jovens desempregados, para os quais a nova República de Weimar não tinha mais qualquer sentido.

A Alemanha tinha sido derrotada na Primeira Guerra Mundial. O desemprego era catastrófico. Quinhentos quatrilhões de marcos estavam em circulação, mas as pessoas não tinham dinheiro suficiente no bolso – nem mesmo para comprar manteiga para o pão.

A situação era propícia para um demagogo como Adolf Hitler, que pôde facilmente incutir nos jovens inseguros e insatisfeitos a sua ideologia, da mesma forma como os convencia a vestir as camisas marrons, que tinham sido o uniforme das tropas imperiais alemãs na África oriental. A tropa de segurança do NSDAP foi criada no dia 12 de novembro de 1920, transformando-se mais tarde na SA (Seção de Assalto) da organização.

"Camaradas, agora vamos juntar até a última força. O coração tremendo, o peito erguido, o punho cerrado, o sangue fervendo. O ódio e a raiva nos movem. Nós temos de vencer. O inimigo tem de ser derrotado. Nós nos mantemos coesos: homem por homem", ditava o juramento de lealdade dessa tropa armada de combate, segurança e propaganda.
Assembleias em cervejarias
O berço da posterior organização de massa nazista foi Munique. O partido de Adolf Hitler começou a promover assembleias cada vez mais concorridas nas cervejarias da cidade. E, como os outros partidos, necessitava de uma tropa de segurança para fazer frente aos que perturbavam as reuniões. Desde o seu início, a SA foi um dos suportes do terror nazista. Tumultos, agitações de caráter antissemita, badernas na rua e em espaços fechados, lutas contra comunistas e social-democratas e até homicídios eram as armas da organização.

Conluios entre membros da SA e criminosos eram fatos corriqueiros. Em 1930, um líder da organização, Horst Wessel, frequentador assíduo da zona de prostituição de Berlim, foi assassinado a tiros durante uma briga. A SA aproveitou a situação, transformando-o em mártir: "Vamos vingar a morte do nosso Horst Wessel e de todos os que eles tiraram de nossas linhas de combate. Que seu espírito nos guie, para que possamos conseguir aquilo pelo qual eles deram suas vidas."

Em 30 de janeiro de 1933, o dia em que o idoso presidente Paul von Hindenburg passou o poder para as mãos de Adolf Hitler, 300 mil homens usavam as camisas marrons da SA. Daí em diante, o número de membros da organização cresceu vertiginosamente. Mais de quatro milhões de pessoas passaram, com o tempo, a fazer parte da maior organização de massa do Terceiro Reich.

Último líder ativo na política até 1961

Seu tempo de glória, no entanto, já havia passado. Depois que o novo regime se estabeleceu, as camisas marrons tornaram-se uma pedra no caminho dos governantes nazistas. Hitler queria demonstrar seriedade e tentava aproximar-se dos conservadores.

Nesse contexto, não era adequada uma tropa de assalto, que dizia palavras de ordem do tipo: "Mesmo que o inimigo ainda reaja de forma feroz e busque ajuda até do diabo; mesmo que ele se contorça como uma cobra, cuspindo veneno. Nós não nos deixamos enganar: a tempestade começa, o dia amanhece. Milhões de homens, que querem vencer ou morrer, apresentam-se armados para entrar em ação."

Em 1934, Hitler mandou executar o líder da organização, Ernst Röhm. A partir de então, a SA passou a exercer apenas um papel secundário no sistema nazista. Seu último líder, Wilhelm Schepmann, escapou de uma condenação pela Justiça alemã do pós-guerra. Como muitos outros colaboradores menores do regime nazista, ele acabou trabalhando, discretamente, para o governo de Konrad Adenauer, o primeiro eleito democraticamente na Alemanha do pós-guerra.

Talvez Schepmann acreditasse que tinha razão. Pois, afinal, tinha obrigado seus correligionários a jurar: "Então vai chegar de novo o dia da liberdade, em que um novo povo ressurgirá. Canções alemãs ecoarão e as terras alemãs serão libertadas." Ele atuou como político regional do partido BHE, que representava os alemães expulsos da Europa oriental, e só se retirou da política no ano de 1961, quando as críticas a seu passado se tornaram públicas e veementes.


Autoria Gerda Gericke (sv)
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