quarta-feira, 4 de novembro de 2015
POEMA DE FINADOS
Amanhã que é dia dos mortos
Vai ao cemitério. Vai
E procura entre as sepulturas
A sepultura de meu pai.
Leva três rosas bem bonitas.
Ajoelha e reza uma oração.
Não pelo pai, mas pelo filho:
O filho tem mais precisão.
O que resta de mim na vida
É a amargura do que sofri.
Pois nada quero, nada espero.
E em verdade estou morto ali.
Manuel Bandeira
VERSOS DE NATAL
Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado, obrigado!
Mas se fosses mágico,
Penetrarias até o fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta esse homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera do Natal
Pensa ainda em pôr os seus sapatinhos atrás da porta.
Manuel Bandeira
ESPELHO
Sou prateado e exato. Não tenho preconceitos.
Tudo o que vejo engulo no mesmo momento
Do jeito que é, sem manchas de amor ou desprezo.
Não sou cruel, apenas verdadeiro —
O olho de um pequeno deus, com quatro cantos.
O tempo todo medito do outro lado da parede.
Cor-de-rosa, malhada. Há tanto tempo olho para ele
Que acho que faz parte do meu coração. Mas ele falha.
Escuridão e faces nos separam mais e mais.
Sou um lago, agora. Uma mulher se debruça sobre mim,
Buscando em minhas margens sua imagem verdadeira.
Então olha aquelas mentirosas, as velas ou a lua.
Vejo suas costas, e a reflito fielmente.
Me retribui com lágrimas e acenos.
Sou importante para ela. Ela vai e vem.
A cada manhã seu rosto repõe a escuridão.
Ela afogou uma menina em mim, e em mim uma velha
Emerge em sua direção, dia a dia, como um peixe terrível.
Sylvia Plat
O ESPELHO
E como eu passasse por diante do espelho
não vi meu quarto com as suas estantes
nem este meu rosto
onde escorre o tempo.
Vi primeiro uns retratos na parede:
janelas onde olham avós hirsutos
e as vovozinhas de saia-balão
Como pára-quedistas às avessas que subissem do
fundo do tempo.
O relógio marcava a hora
mas não dizia o dia. O Tempo,
desconcertado,
estava parado.
Sim, estava parado
Em cima do telhado...
Como um catavento que perdeu as asas!
Mario Quintana
ESPELHO DE UM MOMENTO
Ele dissipa a claridade
Mostra aos homens as imagens sutis da aparência
Arrebata aos homens a possibilidade de se distraírem.
É duro quanto a pedra,
A pedra informe,
A pedra do movimento e da rua,
E seu brilho é tal que todas as armaduras, todas as
máscaras se deformam.
O que a mão tomou desdenha mesmo de tomar a forma da mão.
O que foi compreendido não existe mais,
A ave se confundiu com o vento,
O céu com sua verdade
O homem com sua realidade.
Paul Éluard
AS SEM RAZÕES DO AMOR
Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Carlos Drummond de Andrade.
"Escute, meu chapa: um poeta não se faz com versos. É o
risco, é estar sempre a perigo sem medo, é inventar o perigo e estar sempre
recriando dificuldades pelo menos maiores, é destruir a linguagem e explodir
com ela. Nada no bolso e nas mãos. Sabendo: perigoso, divino, maravilhoso.
Poetar é simples, como dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena etc.
Difícil é não correr com os versos debaixo do braço. Difícil é não cortar o
cabelo quando a barra pesa. Difícil, pra quem não é poeta, é não trair a sua
poesia, que, pensando bem, não é nada, se você está sempre pronto a temer tudo;
menos o ridículo de declamar versinhos sorridentes. E sair por aí, ainda por
cima sorridente mestre de cerimônias, 'herdeiro' da poesia dos que levaram a
coisa até o fim e continuam levando, graças a Deus. E fique sabendo: quem não
se arrisca não pode berrar. Citação: leve um homem e um boi ao matadouro. O que
berrar mais na hora do perigo é o homem, nem que seja o boi."
TORQUATO NETO (1944-1972)
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
Sabe aquele tipo de criança mimada que fica fazendo birra
para levar umas merecidas palmadas e depois posa de vítima? Pois assim é a
oposição brasileira, especialmente os ex-esquerdistas frustrados e ressentidos
que fazem as acusações mais escabrosas e sem provas contra lideranças do PT e,
depois do merecido processo judicial, acusam os petistas de
"chavismo". Eu desafio essas pessoas a mostrarem alguma outra
imprensa do mundo onde exista uma campanha tão enviezada, violenta e
sistemática contra a esquerda como a que se faz no Brasil, excetuando talvez a
Venezuala. Até os rednecks neocons dos EUA são muito mais inteligentes e
comedidos em suas acusações...
Sérgio Braga
domingo, 1 de novembro de 2015
Com a Sociologia Política aprendemos que o poder é algo que
se realiza sobre alguém, não algo que se possui.
Assim, quando se diz que uma mulher é "poderosa",
está-se a dizer que ela exerce o poder sobre alguém.
A questão, assim, é: a mulher poderosa exerce seu poder
sobre quem?
Gustavo Biscaia de Lacerda
Síntoma de Poesía para Gloria Kirinus
Si el trueno se llamase seda dejaría de ser trueno
si horror pronunciase con ternura
no espantaría ni olería a penumbra.
Si el pez dejara de ser pez para llamarse roca
no sería la luz del agua
ni delicadeza errante de las olas dormidas,
pero si al hombre lo llamásemos averno, orfandad, desidia
sería la ira, el odio, el olvido
la muerte que convoca la guerra
la falacia de Caín, el genocídio.
Llamémoslo árbol, pájaro,
o tan solo mentémoslo como animal
así su candidez salvaje alegraría la tierra
y sus onomatopeyas colmarían de sonido verde la noche.
Llamémoslo agua, aire o simplemente niño
así su imortal ternura nos legaría dinosaurios azules
demonios cariñosos, alegres lágrimas, enamoradas brujas.
Finalmente, a la humanidad llamémosle Gloria, Gloria Kirinus
porque sua palabra sideral
su rostro que canta y encanta
aviva el síntoma de la poesía.
Rowny Pulgar Noboa.
Unidad en ella
Cuerpo feliz que fluye entre mis manos,
rostro amado donde contemplo el mundo,
donde graciosos pájaros se copian fugitivos,
volando a la región donde nada se olvida.
Tu forma externa, diamante o rubí duro,
brillo de un sol que entre mis manos deslumbra,
cráter que me convoca con su música íntima, con esa
indescifrable llamada de tus dientes.
Muero porque me arrojo, porque quiero morir,
porque quiero vivir en el fuego, porque este aire de fuera
no es mío, sino el caliente aliento
que si me acerco quema y dora mis labios desde un fondo.
Deja, deja que mire, teñido del amor,
enrojecido el rostro por tu purpúrea vida,
deja que mire el hondo clamor de tus entrañas
donde muero y renuncio a vivir para siempre.
Quiero amor o la muerte, quiero morir del todo,
quiero ser tú, tu sangre, esa lava rugiente
que regando encerrada bellos miembros extremos
siente así los hermosos límites de la vida.
Este beso en tus labios como una lenta espina,
como un mar que voló hecho un espejo,
como el brillo de un ala,
es todavía unas manos, un repasar de tu crujiente pelo,
un crepitar de la luz vengadora,
luz o espada mortal que sobre mi cuello amenaza,
pero que nunca podrá destruir la unidad de este mundo.
Volver a poemas de Vicente Aleixandre
Biblioteca Digital Ciudad Seva
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
Boda negra
Oye la historia que contome un día
el viejo enterrador de la comarca:
era un amante a quien por suerte impía
su dulce bien le arrebató la parca.
Todas las noches iba al cementerio
a visitar la tumba de la hermosa;
la gente murmuraba con misterio:
es un muerto escapado de la fosa.
En una horrenda noche hizo pedazos
el mármol de la tumba abandonada,
cavó la tierra... y se llevó en los brazos
el rígido esqueleto de la amada.
Y allá en la oscura habitación sombría,
de un cirio fúnebre a la llama incierta,
dejó a su lado la osamenta fría
y celebró sus bodas con la muerta.
Ató con cintas los desnudos huesos,
el yerto cráneo coronó de flores,
la horrible boca le cubrió de besos
y le contó sonriendo sus amores.
Llevó a la novia al tálamo mullido,
se acostó junto a ella enamorado,
y para siempre se quedó dormido
al esqueleto rígido abrazado.
Julio Flórez.
Colômbia
Biblioteca Digital Ciudad Seva
Iónich
Anton Chejov
I
Cuando los recién llegados a la ciudad de provincias S. se
quejaban de lo aburrida y monótona que era la vida en ella, los habitantes de
esa ciudad, como justificándose, decían que, al contrario, en S. se estaba muy
bien, que en S. había una biblioteca, un teatro, un club, se celebraban bailes
y -añadían finalmente- había algunas familias interesantes, agradables e
inteligentes con las que podían relacionarse. Y mencionaban a los Turkin como
los más instruidos y de mayores talentos.
Esta familia vivía en casa propia en la calle principal,
junto a la del gobernador. El propio Turkin, Iván Petróvich, un hombre moreno,
grueso y guapo, con patillas, organizaba espectáculos de aficionados con fines
benéficos en los que interpretaba a viejos generales. Al hacer su papel, tosía
de una manera muy cómica. Sabía muchos chistes, charadas, dichos, le gustaba
bromear, lanzar frases picantes y siempre tenía una expresión que hacía dudar
si hablaba en broma o en serio. Su mujer, Vera Iósifovna, una señora más bien
delgada, de aspecto agradable y con lentes, escribía relatos y novelas que leía
solícita a sus invitados. La hija, Ekaterina Ivánovna, una muchacha joven,
tocaba el piano. En una palabra, cada miembro de la familia tenía algún
talento. Los Turkin se alegraban de recibir invitados y se sentían felices de
mostrarles sus talentos, cosa que hacían con cordial sencillez. Su casa de
piedra era espaciosa y fresca en verano, la mitad de sus ventanas daban a un
viejo jardín sombreado, donde en primavera cantaban los ruiseñores. Cuando en
la casa había invitados, de la cocina venía el trajinar de los cuchillos y al
patio llegaba un olor de cebolla frita; todo ello era siempre la premonición de
una cena abundante y suculenta.
El doctor Stártsev, Dmitri Iónich, a poco de habérsele
destinado como médico rural e instalarse en Diálizh -a unos diez kilómetros de
S.- también oyó hablar de esa familia. Le decían que un hombre culto, como él,
sin falta debía conocer a los Turkin. Un día de invierno, en la calle, le
presentaron a Iván Petróvich; hablaron del tiempo, de teatro, de la epidemia de
cólera, y a ello siguió una invitación. En primavera, un día de fiesta -era Ascensión-,
después de pasar consulta, Stártsev se dirigió a la ciudad para distraerse un
poco y aprovechar para hacer algunas compras. Marchaba a pie, sin prisa
-todavía no tenía caballos propios, y canturreaba:
-Aún no había apurado yo el cáliz de la amargura...
Cuando llegó a la ciudad almorzó, paseó por el parque y
luego recordó la invitación de Iván Petróvich. Decidió visitar a los Turkin,
ver qué clase de personas eran.
-Muy buenas, por favor -le saludó Iván Petróvich al
recibirlo en la entrada-. Me alegra mucho ver a un invitado tan agradable.
Venga, le presentaré a mi querida media naranja. Le estaba diciendo, Vérochka
-prosiguió al presentar al doctor a su mujer-, le estaba diciendo que no tiene
ningún derecho a estarse metido en su clínica, porque su ocio se lo debe a la
sociedad. ¿No es cierto, cariño?
-Siéntese aquí -le decía Vera Iósifovna, señalando un
asiento a su lado-. Puede usted hacerme la corte. Mi marido es celoso, es un
Otelo, pero haremos lo posible por comportarnos de tal modo que no se dé cuenta
de nada.
-Oh, cariñito, eres muy juguetona... -le miró dulcemente
Iván Petróvich y le besó la frente-. Ha venido usted muy a propósito -se
dirigió de nuevo al invitado-, mi querida esposa ha escrito una enorme novela
que hoy leerá en público.
-Jean, dites que l'on nous donne du thé -dijo Vera Iósifovna
a su marido.
Le presentaron a Ekaterina Ivánovna, una muchacha de
dieciocho años, muy parecida a su madre, tan delgada y agraciada como ella.
Todavía tenía una expresión infantil y un talle fino, delicado. Y el pecho,
virginal, ya desarrollado, era de una belleza que hablaba de salud y primavera,
de una auténtica primavera. Después tomaron té con mermelada, miel, dulces y
unas galletas muy sabrosas que se deshacían en la boca. Con la llegada de la
tarde, poco a poco fueron llegando nuevos invitados; Iván Petróvich, cuando con
sus ojos risueños se dirigía a cada uno de ellos, le decía:
-Muy buenas, ¿cómo está usted?
Luego, todos se sentaron con rostros muy serios y Vera
Iósifovna leyó su novela. Empezaba así: "El frío era cada vez más
intenso...: Las ventanas estaban abiertas de par en par y de la cocina llegaba
el sonar de los cuchillos y el olor a cebolla frita... Atardecía. Se estaba muy
cómodo en los blandos y profundos sillones, las luces titilaban acariciadoras
en el salón. En esos momentos, en ese atardecer veraniego, cuando de la calle
llegaban voces y risas y del patio fluía el aroma de las lilas, era difícil imaginarse
un frío intenso y cómo el sol poniente iluminaba con sus rayos fríos la llanura
y a un caminante que marchaba solitario por el camino". Vera Iósifovna
leía una historia en la que una condesa joven y bella construía en su aldea
escuelas, hospitales, bibliotecas y se enamoraba de un pintor errante. Leía una
historia de las que nunca ocurren, sin embargo era agradable y ameno oírla, la
mente se llenaba de pensamientos buenos, apacibles. No daban ganas de reírse.
-No está nada mal... -dijo en voz baja Iván Petróvich.
Y uno de los invitados, llevado lejos, muy lejos, por la
historia, pronunció con voz casi inaudible:
-Sí... cierto... no está nada mal...
Pasó una hora y otra. En el vecino parque de la ciudad
tocaba una orquesta, cantaba un coro. Cuando Vera Iósifovna cerró su libreta,
durante cinco minutos quedaron en silencio. Escuchaban "El candil"
-que cantaba el coro- y la canción les decía lo que no se daba en la novela,
pero sí sucedía en la vida.
-¿Publica usted sus obras? -preguntó Stártsev a Vera
Iósifovna.
-No -contestó la señora-, no publico en ninguna parte, lo
escribo y lo guardo en un cajón. ¿Para qué publicarlo? -aclaró-. Medios no nos
faltan.
Por alguna razón, todos suspiraron.
-Y ahora, querida, tócanos algo -dijo Iván Petróvich a su
hija.
Levantaron la tapa del piano de cola, abrieron el libro de
notas que ya estaba preparado para el caso. Ekaterina Ivánovna se sentó y con
ambas manos golpeó las teclas y seguidamente dio otro golpe con todas sus
fuerzas. Los golpes se sucedieron uno tras otro, los hombros y los pechos de la
muchacha se estremecían, golpeaba con obstinación siempre en las mismas teclas
y parecía que no iba a parar hasta que estas no se hundieran en el piano. El
salón se llenó de estruendo; todo rugía: el suelo, el techo, los muebles...
Ekaterina Ivánovna tocaba un pasaje difícil, interesante justamente por su
dificultad; era extenso y reiterado. Stártsev, al escucharlo, se imaginaba cómo
de una alta montaña iban cayendo rocas y más rocas y deseó que terminaran de caer
cuanto antes. Pero al mismo tiempo Ekaterina Ivánovna, sonrosada y en tensión,
fuerte, enérgica, con un mechón de pelo cayéndole sobre la frente, le agradaba
mucho. Después de un invierno pasado en Diálizh entre enfermos y mujiks, era
tan agradable, tan nuevo encontrarse en ese salón, mirar a este ser joven
exquisito y lleno de gracia, y escuchar estos sonidos ruidosos, cansinos, pero
de todos modos cultos...
-¡Bueno, querida, hoy has interpretado como nunca! -exclamó
Iván Petróvich con lágrimas en los ojos cuando su hija acabó de tocar y se
levantó-. ¡Apuesto a que mejor imposible!
Todos la rodearon, felicitándola, y aseguraban asombrados
que hacía tiempo no habían oído cosa igual. Ella escuchaba en silencio, con
leve sonrisa y aire triunfal.
-¡Maravilloso! ¡Espléndido!
-¡Maravilloso! -dijo Stártsev, entregándose al regocijo
general-. ¿Dónde ha estudiado música? -preguntó a Ekaterina Ivánovna-. ¿En el
conservatorio?
-No, ahora tengo intención de ir. He estudiado aquí, con
madame Zavlóvskaia.
-¿Ha terminado sus estudios en el liceo de la ciudad?
-¡Oh, no! -respondió por su hija Vera Iósifovna-. Los
profesores han venido a casa. Porque estará usted de acuerdo conmigo en que en
el liceo o en el instituto podía tener malas compañías; mientras la chica
crece, sólo debe hallarse bajo la tutela de su madre.
-Pero iré al conservatorio de todos modos -dijo Ekaterina
Ivánovna.
-No, Katia es buena y no hará enfadar ni a papá ni a mamá.
-¡No, iré! ¡Iré sin falta! -exclamó Ekaterina Ivánovna medio
en broma haciendo pucheros, y sacudió su pie contra el suelo.
Durante la cena fue Iván Petróvich quien lució su talento.
Riéndose sólo con los ojos, contaba chistes, lanzaba frases ingeniosas,
proponía divertidos acertijos que él mismo resolvía. Todo el tiempo usaba un
lenguaje especial, fruto de largos ejercicios de ingenio. Empleaba expresiones
que, al parecer, ya eran habituales en él: "enormísimo", "no
está pero que nada mal", "se lo agradezco deformemente".
Pero esto no era todo. Cuando los invitados, satisfechos
después de la cena, se agolpaban en la entrada buscando sus abrigos y bastones,
entre ellos se afanaba el lacayo Pavlusha o, como se le llamaba en casa, Pava,
un muchacho de catorce años, con el pelo corto y mejillas rellenas.
-¡A ver, Pava, cómo lo haces! -le dijo Iván Petróvich.
Pava se colocó en postura teatral, alzó un brazo y exclamó
en tono trágico:
-¡Muere, desdichada!
Y todos se echaron a reír.
"Divertido" -pensó Stártsev al salir a la calle.
Entró en un restaurante, se tomó una cerveza y después se
fue caminando hacia su casa en Diálizh. Mientras entonaba:
-Oigo tu voz, cual caricia dolorosa...
A pesar de los nueve kilómetros recorridos, al acostarse no
se sintió nada fatigado. Al contrario, le parecía que muy bien hubiera podido
recorrer veinte kilómetros más.
-"No está nada mal" -recordó al dormirse, y
sonrió.
II
Stártsev tenía intención de volver a visitar a los Turkin,
pero en el hospital había mucho trabajo y no conseguía encontrar tiempo libre.
De este modo, ocupado y solitario pasó más de un año; pero un día le llegó una
carta en un sobre azul.
Vera Iósifovna hacía tiempo que sufría de dolores de cabeza,
y como últimamente su querida hija la amenazaba con marcharse a estudiar al
conservatorio, los dolores arreciaron. Visitaron a los Turkin todos los médicos
de la ciudad, hasta que por fin le tocó hacerlo al médico rural. Vera Iósifovna
le envió una carta muy emotiva en la que le rogaba que viniera a visitarla,
para aligerar así sus sufrimientos. Stártsev fue a verla y a partir de entonces
visitó a los Turkin muy a menudo... En efecto, en algo había ayudado a Vera
Iósifovna, y esta empezó a contarles a todos sus conocidos que se trataba de un
doctor asombroso, nunca visto. Pero los dolores de cabeza ya no eran el motivo
de la presencia del doctor en casa de los Turkin...
Sucedió en un día de fiesta. Ekaterina Ivánovna había
acabado sus largos y agotadores ejercicios de piano, después de lo cual pasaron
largo tiempo en el comedor, tomando té; Iván Petróvich contaba algo divertido.
De pronto sonó el timbre; había que ir a la entrada y recibir a algún invitado.
Stártsev, aprovechando la confusión del momento, susurró a Ekaterina Ivánovna
lleno de zozobra:
-¡Por el amor de Dios, se lo imploro, no me torture,
salgamos al jardín!
Ella se encogió de hombros con aire de asombro y de no
comprender qué era lo que quería Stártsev, pero se levantó, dirigiéndose hacia
el jardín.
-Se pasa usted tres y cuatro horas tocando el piano -decía
el médico caminando detrás de ella-, después se queda con su mamá y así no hay
manera de hablarle. Dedíqueme al menos un cuarto de hora, se lo ruego.
Se acercaba el otoño y el viejo jardín estaba silencioso,
triste; los senderos se cubrían de hojas mustias. Ya empezaba a anochecer
temprano.
-No la he visto en toda una semana -prosiguió Stártsev-, ¡Y
si usted supiera cuánto sufro por ello! Sentémonos. Quiero que me escuche.
En el jardín, ambos tenían un lugar preferido: el banco bajo
el viejo arce. Allí se sentaron.
-¿Qué es lo que quiere de mí? -preguntó Ekaterina Ivánovna
en tono seco, casi oficial.
-No la he visto en toda una semana, no la he oído tanto
tiempo. Quiero oír su voz, lo deseo con pasión. Dígame algo.
El médico estaba encantado con su frescura, absorto en la
expresión inocente de sus ojos. Hasta en el modo como le caía el vestido veía
algo inusitadamente hermoso, conmovedor por su sencillez y gracia ingenuas. Y
al mismo tiempo, a pesar de esta ingenuidad, la muchacha se veía muy
inteligente y desarrollada para sus años. Podía hablar con ella de literatura,
de arte, de cualquier cosa; podía quejarse de la vida, de los hombres, aunque a
veces sucedía que al tocar un tema serio, la muchacha se echaba a reír sin
motivo alguno o se marchaba corriendo a casa. Como la mayoría de las chicas de
la ciudad, leía mucho (pero en S. se leía poco, y en la biblioteca así lo
comentaban: si no fuera por las chicas y los jóvenes hebreos, muy bien se
podría cerrar la biblioteca); esto era algo que le gustaba infinitamente a
Stártsev, por lo que en cada ocasión le preguntaba emocionado sobre lo que
había leído en los últimos días y escuchaba encantado sus comentarios.
-Pero ¿adónde va? -exclamó horrorizado Stártsev, al ver que
ella se levantaba y se dirigía hacia la casa-. Tengo que hablar con usted...
¡Quédese al menos cinco minutos! ¡Se lo suplico!
La muchacha se detuvo como si quisiera decir algo; luego,
con gesto torpe, puso en la mano de él una nota y echó a correr hacia la casa;
al rato, sonó de nuevo el piano.
"Hoy, a las once de la noche -leyó Stártsev- venga al
cementerio junto al monumento a Demetti".
"Esto ya es una locura -pensó Stártsev, recobrando la
calma-. ¿Al cementerio? ¿Para qué?"
La cosa estaba clara: la chica le había hecho una broma.
Porque ¿a quién le cabe en la cabeza concertar una cita por la noche, lejos de
la ciudad y en el cementerio, cuando puede uno quedar sencillamente en la
calle, en el parque de la ciudad? ¿Y está bien que un médico, una persona
inteligente y respetable como él, se dedique a lanzar suspiros de amor, recibir
notitas, pasearse por los cementerios, en fin, hacer estupideces de las que
ahora se ríen hasta los escolares? ¿Hasta dónde puede llevar este romance? ¿Qué
dirán sus colegas cuando se enteren? Así pensaba Stártsev, deambulando en el
club por entre las mesas. Pero al llegar las diez y media se marchó al cementerio.
Ya tenía su carruaje y su cochero, Panteleimón, con
chaquetilla de terciopelo. Brillaba la luna. La noche estaba silenciosa,
templada, pero de un tibio otoñal. En las afueras, junto al matadero, aullaban
los perros. Stártsev dejó el coche en los límites de la ciudad, en un callejón,
y siguió el camino hacia el cementerio a pie. "Cada uno tiene sus rarezas
-pensaba-, Katia también tiene las suyas y, ¿quién sabe?, a lo mejor no es una
broma y viene de verdad."
Anduvo casi un kilómetro a campo traviesa. El cementerio se
dibujaba a lo lejos en una franja oscura, como un bosque o un jardín. Apareció
el muro de piedra blanca, la entrada... Con la claridad de la luna en las
puertas se podía leer: "Y llegará la hora". Stártsev atravesó la
entrada y lo primero que vio fueron las cruces blancas y los monumentos
funerarios a ambos lados de un ancho paseo, las sombras negras de aquellos y de
los álamos. A su alrededor se extendían, hasta perderse a lo lejos, manchas
claras y oscuras. Los árboles somnolientos inclinaban sus ramas sobre las
superficies blancas. Parecía que aquí había más luz que en el campo; las hojas
de los arces, como huellas de las manos, destacaban sobre la amarilla arena de
los paseos y las lápidas. Las inscripciones se leían con claridad. En un primer
momento, Stártsev quedó asombrado ante el espectáculo que se le presentaba por
primera vez y que, probablemente, nunca más volvería a ver: un mundo que no se
parecía a nada, un mundo en el que la luz lunar era suave y agradable, donde en
cada oscuro álamo, en cada tumba, se percibe la presencia de un misterio que
promete una vida calma, maravillosa, eterna. De las lápidas y las flores secas,
junto al aroma otoñal de las hojas, llegaba un hálito de perdón, tristeza y
paz.
Reinaba un mundo de silencio; desde el cielo miraban
resignadas las estrellas, y los pasos de Stártsev sonaban rudos y desatinados.
Sólo cuando en la iglesia sonaron las horas y él se imaginó muerto, enterrado
aquí por los siglos de los siglos, sólo entonces le pareció que alguien lo
observaba; pensó por un instante que esto no era paz, ni silencio, sino la muda
angustia del no existir...
El monumento a Demetti era una capilla con un ángel en la
cúspide. Cierta vez, en S. actuó de paso una compañía italiana de ópera; una de
sus cantantes murió, aquí la enterraron y levantaron este monumento funerario.
En la ciudad ya nadie se acordaba de ella, aunque la lamparilla sobre la
entrada reflejaba la luz lunar y parecía arder.
...Esperó sentado junto al monumento una media hora, luego
se paseó por los caminos colaterales, con el sombrero en la mano. Esperaba y
pensaba en las mujeres y muchachas que yacían en estas tumbas. ¡Cuántos seres
hermosos, encantadores, que amaron, ardieron con loca pasión en sus noches
entregándose a las caricias! ¡Y realmente, qué malas pasadas gasta la madre
naturaleza a los hombres, cuánto dolía reconocerlo! Así pensaba Stártsev. Al
mismo tiempo, quería ponerse a gritar que él quiere, que él anhela desesperado
el amor; ante él aparecían no ya pedazos de mármol, sino cuerpos maravillosos,
veía formas que desaparecían vergonzosas entre las sombras de los árboles,
percibía su calor y el tormento se hacía insoportable...
Como si bajara el telón, la luna se ocultó tras una nube y
de pronto todo oscureció a su alrededor. Casi no podía encontrar la entrada
-todo estaba a oscuras como en las noches de otoño-, luego anduvo cosa de una
hora y media buscando el callejón donde había dejado el coche.
-Estoy cansado, casi no me tengo en pie -le dijo a
Panteleimón.
Y sentándose con placer en el carruaje pensó: "¡Oh, no
hay que engordar!"
III
Al día siguiente, por la tarde, se dirigió a casa de los
Turkin con el fin de declararse. Pero le resultó incómodo hacerlo, porque
Ekaterina Ivánovna estaba con el peluquero. Se estaba arreglando para ir al
club, a una fiesta.
De nuevo se quedó largo rato esperando en el comedor,
tomando té. Iván Petróvich, al ver que el invitado estaba pensativo y se
aburría, sacó de un bolsillo de su chaleco unos papelitos y le leyó una carta
divertida de su administrador alemán que le informaba de la marcha de sus propiedades,
en un lenguaje pretendidamente culto y estrafalario.
"Seguro que la dote no será pequeña", pensaba
Stártsev escuchando distraído.
Después de una noche en blanco se encontraba embotado, como
si lo hubieran llenado de un somnífero; tenía el ánimo nebuloso pero alegre,
cálido, aunque al mismo tiempo un fragmento frío y pesado, en su mente, repetía
y volvía a repetir:
"¡Frénate antes de que sea tarde! ¿Qué pareja es para
ti? Es una niña mimada, caprichosa, duerme hasta las dos; en cambio tú eres un
hijo de diácono, un médico rural..."
"Bueno ¿y qué? -se contestaba-. ¿Qué más da?"
"Además, si te casas con ella -proseguía la parte fría
de su ser-, su familia te obligará a dejar el trabajo en el campo y a vivir en
la ciudad".
"Bueno ¿y qué? -pensaba-. Si hay que vivir en la ciudad
que así sea. Con la dote nos instalamos como debe ser..."
Por fin entró Ekaterina Ivánovna. Llevaba un traje de gala,
escotado; estaba graciosa, pulcra. Stártsev quedó prendado; tal fue su
entusiasmo que no pudo pronunciar ni una sola palabra: tenía sus ojos clavados
en ella y sonreía.
La muchacha se despidió y él -ya nada lo retenía allí- se
levantó diciendo que era hora de irse pues lo esperaban los enfermos.
-Qué le vamos a hacer -dijo Iván Petróvich-, vaya usted, de
paso lleve a Katia hasta el club.
Afuera caían algunas gotas, estaba muy oscuro, y sólo por la
tos ronca de Panteleimón podía adivinarse dónde estaban los caballos.
Levantaron la capota del coche. Se pusieron en marcha.
-Ayer estuve en el cementerio -empezó diciendo Stártsev-.
Qué cruel y despiadado de su parte...
-¿Estuvo
usted en el cementerio?
-Sí, estuve allí y la esperé casi hasta las dos. No sabe
usted lo que sufrí...
-Pues sufra usted, si no entiende las bromas.
Ekaterina Ivánovna, satisfecha de la astuta broma que le
había gastado a su enamorado y de lo mucho que se la quería, se puso a reír.
Pero, de pronto, gritó del susto, pues en ese mismo instante los caballos
hicieron un movimiento brusco hacia las puertas del club y el coche se ladeó.
Stártsev abrazó a Ekaterina Ivánovna por el talle; ella, asustada, se apretó
contra él, y Stártsev, que no pudo contenerse, la besó con pasión en los
labios, en la barbilla y la abrazó con más fuerza.
-Basta -dijo la muchacha en tono cortante.
Y casi de inmediato ya no estaba en el coche. El guardia que
se encontraba junto a la entrada iluminada del club gritó con voz repugnante al
cochero Panteleimón:
-¿Qué haces ahí pasmado? ¡Sigue para adelante!
Stártsev se dirigió a casa, pero pronto volvió. Vestido con
un frac que le habían prestado y una corbata blanca que quería escaparse del
cuello, a medianoche se encontraba sentado en el salón del club y decía con
pasión a Ekaterina Ivánovna:
-¡Oh, qué poco saben aquellos que nunca han amado! Creo que
nadie todavía ha podido descubrir con fidelidad el amor, y difícilmente será
posible describir este sentimiento sutil, feliz y atormentado. El que lo ha
experimentado, aunque sea sólo una vez, no podrá expresarlo con palabras. ¿Para
qué los prólogos, las explicaciones? ¿Para qué la inútil elocuencia? Mi amor no
tiene límites... Le ruego, se lo imploro -logró por fin decir Stártsev-, ¡sea
mi esposa!
-Dmitri Iónich -dijo después de pensar un momento Ekaterina
Ivánovna en tono serio-, Dmitri Iónich, me siento profundamente agradecida por
el honor que usted me concede, yo lo respeto, pero... -se levantó y prosiguió
de pie-, pero, ruego que me disculpe, no puedo ser su mujer. Hablemos en serio.
Dmitri Iónich, usted sabe que lo que más quiero en la vida es el arte; amo con
locura, adoro la música, y a ella he consagrado mi vida. Quiero ser una
artista, quiero alcanzar la gloria, grandes éxitos, la libertad. Y lo que usted
pretende es que siga viviendo en esta ciudad, que continúe llevando esta vida
vacía e inútil que ya no soporto más. Convertirme en esposa, ¡oh, no,
discúlpeme! La persona debe aspirar a algo superior, esplendoroso; en cambio,
la vida familiar me encadenaría para el resto de mi vida. Dmitri Iónich, es
usted un hombre bueno, respetable, inteligente, es usted el mejor... -se le
llenaron de lágrimas los ojos-, comprendo con toda mi alma sus sentimientos,
pero entiéndame usted también a mí...
Y para no echarse a llorar, se dio vuelta y salió
apresuradamente del salón.
El corazón de Stártsev latía violentamente. Al salir del
club a la calle se arrancó el duro corbatín y respiró a pleno pulmón. Estaba
avergonzado y se sentía ofendido en su orgullo; no esperaba la negativa y no
podía hacerse a la idea de que todos sus sueños, sufrimientos y aspiraciones lo
hubieran llevado a un final tan estúpido, igual que en una breve obra de
aficionados. Y sentía pena de sus sentimientos, de su amor; tanta era la
lástima, que tuvo ganas de ponerse a llorar o de dar un paraguazo con todas sus
fuerzas en las espaldas de Panteleimón.
Durante tres días las cosas se le caían de las manos, no
comía, no dormía. Pero cuando le llegó la noticia de que Ekaterina Ivánovna se
había marchado a Moscú para ingresar en el conservatorio, se tranquilizó y su
vida volvió a la normalidad.
Tiempo después, cuando a veces se acordaba de cómo se pasó
media noche en el cementerio o de cómo se recorrió toda la ciudad en busca de
un frac, se estiraba perezoso y se decía:
-¡Cuánta guerra me dio la muchacha!
IV
Pasaron cuatro años. Stártsev tenía ya una gran clientela.
Cada mañana hacía rápido sus visitas en Diálizh y luego marchaba a ver a sus
pacientes de la ciudad. Viajaba ya no en un par de caballos, sino en una troika
con cascabeles; volvía a casa tarde por la noche. Estaba más grueso, había
echado carnes, andaba lo menos que podía, pues padecía de asma. También
Panteleimón estaba más gordo, y cuanto más crecía a lo ancho, con más tristeza
suspiraba quejándose de su mala suerte: ¡estaba harto de pasar tanto tiempo en
el pescante!
Stártsev visitaba muchas casas y personas, pero no intimaba
con nadie. Los habitantes de la ciudad, con sus conversaciones, opiniones sobre
la vida y hasta por sus caras lo irritaban. Poco a poco, la experiencia le
enseñó que las personas, mientras uno juegue a las cartas o tome un trago con
ellas, parecen gente pacífica, bondadosa y hasta inteligente, pero basta con
tocar algún tema que no sea de comida, por ejemplo, de política o de ciencia,
para que se metan en disquisiciones inútiles y desplieguen una filosofía tan
torpe y malvada que a uno lo único que le queda es o echarse a llorar o irse
por donde ha venido. Cuando Stártsev intentaba hablar incluso con personas de
talante liberal, por ejemplo, de que, gracias a Dios, la humanidad avanza y que
con el tiempo ésta prescindirá de los pasaportes y de la pena de muerte, el
hombre se le quedaba mirando y preguntaba con desconfianza: "¿O sea que,
entonces, todo el mundo podrá romperle la cabeza a quien le parezca?" Y
cuando Stártsev decía en un grupo -durante alguna cena o un té- que hacía falta
trabajar, que no se podía vivir sin trabajar, entonces todos se lo tomaban como
una alusión personal, se enfadaban y se ponían a discutir agresivos. Por lo
demás, la gente no hacía nada, decididamente nada, no se interesaba por nada y
por mucho que se esforzara uno, no podía ingeniarse un tema de conversación con
ella. Así que Stártsev evitaba conversar, sólo tomaba sus tragos y jugaba a las
cartas. Y cuando lo invitaban a alguna fiesta de cumpleaños, el hombre se
sentaba a la mesa y comía en silencio, mirando el plato; todo lo que se decía
en ese rato no tenía interés alguno, era injusto, estúpido. Él se sentía
irritado, perdía la calma, pero callaba. Por su hosco silencio y su mirada
clavada en el plato, en la ciudad se le empezó a llamar "el polaco
enfurruñado", aunque nunca había sido polaco.
Se abstenía de diversiones tales como el teatro o los
conciertos, pero, en cambio, jugaba a las cartas cada día, unas tres horas, y
lo hacía con placer. Tenía otra distracción a la que se acostumbró poco a poco,
que era cada tarde sacar de sus bolsillos los papelitos de cuánto había ganado
con sus clientes y sucedía que en un día estos papeles metidos en sus bolsillos
-de colores amarillo y verde, que olían a perfume, vinagre, incienso o aceite
de pescado- alcanzaban los setenta rublos, y cuando reunía varios cientos los
llevaba a la Sociedad de Crédito y Préstamo y los ingresaba allí en una cuenta
corriente.
En los cuatro años que pasaron desde la partida de Ekaterina
Ivánovna sólo había estado dos veces en casa de los Turkin y fue por invitación
de Vera Iósifovna, quien seguía curándose de los dolores de cabeza. Ekaterina
Ivánovna venía cada verano a descansar con sus padres, pero no la vio ni una
sola vez.
Pasaron cuatro años. En una mañana tranquila y tibia, le
trajeron una carta. Vera Iósifovna le escribía a Dmitri Iónich que lo añoraba
mucho; le rogaba que viviera sin falta a su casa y aligerara sus penas y que,
por cierto, hoy era su cumpleaños. Abajo seguía la frase siguiente: "Yo
también me sumo al ruego de mamá. E."
Stártsev se lo pensó y por la tarde se dirigió a casa de los
Turkin.
-¡Oh, se le saluda! ¿Cómo está usted? -lo recibió Iván
Petróvich sonriendo sólo con los ojos-. Que tenga un bonjour.
Vera Iósifovna, ya muy envejecida, con cabellos blancos, le
estrechó la mano a Stártsev, suspiró con afectación y dijo:
-Querido doctor, no quiere usted hacerme la corte, nunca
viene a vernos, ya soy vieja para usted. Pero, mire, ha vuelto la joven, a lo
mejor ella tiene más suerte.
¿Y Katia? Estaba más delgada, más pálida, más hermosa y
esbelta; pero ya era Ekaterina Ivánovna y no Katia; ya no se veía la frescura y
la expresión de inocencia infantil de antes. En su mirada, en sus gestos, había
algo nuevo, cierto aire culpable, como si en casa de los Turkin ya no se
sintiera en la suya propia.
-¡Cuántos siglos sin verlo! -exclamó al tender la mano hacia
Stártsev; se notaba que su corazón latía emocionado. Mirando fijamente y con
curiosidad su rostro, prosiguió-: ¡Cómo ha engordado! Está más moreno, parece
más hombre, pero en general ha cambiado poco.
También entonces le gustaba la muchacha, le gustaba mucho,
aunque le faltaba algo, o le sobraba, no sabría decirlo, pero había algo que le
impedía sentirse como antes. No le agradaba su palidez, la nueva expresión de
su rostro, la débil sonrisa, la voz y, algo más tarde, no le gustó el vestido,
el sillón en el que ella se sentaba; le disgustaba algo del pasado, de cuando
estuvo a punto de casarse con ella. Recordó su amor, las ilusiones y esperanzas
que lo dominaron hacía cuatro años, y se sintió molesto.
Tomaron té con un pastel dulce. Luego Vera Iósifovna leyó en
voz alta una novela, narró algo que nunca ocurría en la vida. Stártsev
escuchaba y miraba su cabeza canosa y bella, esperando que acabara.
"El inepto no es quien no sabe escribir novelas, sino
el que las escribe y no sabe disimularlo" -pensaba Stártsev.
-No está mal, pero nada mal... -comentó Iván Petróvich.
Después, Ekaterina Ivánovna tocó el piano durante un buen
rato y en forma ruidosa. Cuando acabó, los invitados la felicitaron por su
ejecución.
"Hice bien en no casarme con ella" -pensó con
alivio Stártsev.
Ella lo miraba y, al parecer, esperaba que él la invitara a
salir al jardín, pero Stártsev permanecía en silencio.
-Charlemos un rato -dijo ella acercándose a él-. Cuénteme
algo de su vida. ¿Cómo va todo? ¿Bien? Todos estos días he pensado en usted
-prosiguió nerviosa-. Quería enviarle una carta, quería ir yo misma a Diálizh.
Había decidido ir, aunque luego cambié de idea. Dios sabe qué pensará usted de
mí ahora. ¡Lo esperaba hoy con tanta emoción! Se lo ruego, por favor, salgamos
al jardín.
Salieron al jardín y se sentaron en el banco bajo el viejo arce,
como cuatro años atrás. Estaba oscuro.
-¿Qué tal le va? -preguntó de pronto Ekaterina Ivánovna.
-Pues así, aquí estamos, vamos tirando -contestó Stártsev.
No se le ocurrió nada más. Callaron.
-Estoy muy emocionada -dijo Ekaterina Ivánovna, y se tapó el
rostro con las manos-, pero usted no haga caso. Estoy tan bien en casa y tan
contenta de verlos a todos que no puedo hacerme a la idea. ¡Cuántos recuerdos!
Me parecía que íbamos a hablar sin parar hasta la madrugada.
Ahora veía de cerca su cara, sus ojos brillantes, aquí en la
oscuridad parecía más joven que en la habitación y hasta daba la impresión de
haber recobrado su expresión infantil de antes. En efecto, miraba con ingenua
curiosidad el rostro del hombre, como si quisiera ver más de cerca y comprender
al hombre que en otro tiempo la había amado con tanto ardor, tanta ternura y
tan poca suerte. Sus ojos le agradecían aquel amor. Y él recordó todo lo
sucedido, los más pequeños detalles, cómo anduvo por el cementerio, cómo
después, al amanecer, regresó a casa, agotado; y de pronto sintió tristeza y
lástima del pasado. En el alma se le encendió una pequeña llama.
-¿Se acuerda usted cuando la acompañé a la velada en el
club? -dijo él-. Entonces llovía, estaba oscuro...
El fuego crecía en su alma, y ya tenía ganas de hablar, de
quejarse de la vida...
-¡Hum! -exclamó en un suspiro-. Me pregunta usted por mi
vida. ¿Cómo vivimos aquí? Pues de ninguna manera. Envejecemos, engordamos,
vamos cayendo... Día tras día, noche tras noche, la vida pasa monótona, sin
impresiones, sin ideas... Durante el día a ganarse el pan, por la tarde al
club, una sociedad de jugadores de cartas, alcohólicos y groseros, a los que no
puedo aguantar. ¿Qué hay de bueno en eso?
-Pero tiene usted el trabajo, un fin honrado en la vida.
Antes le gustaba tanto hablar de su hospital. Yo entonces era una chica rara,
me imaginaba una gran pianista. Ahora todas las señoritas tocan el piano, y yo
también tocaba, como todas. No había en mí nada de particular: soy tan pianista
como mi madre escritora. Y claro está, entonces yo no lo comprendía, pero en
Moscú a menudo pensé en usted. Sólo pensaba en usted. ¡Qué felicidad ser médico
rural, ayudar a los que sufren, servir al pueblo! ¡Qué felicidad! -volvió a
decir Ekaterina Ivánovna con entusiasmo-. Cuando pensaba en usted en Moscú me
lo imaginaba tan ideal, tan elevado...
Stártsev se acordó de los papelitos que por las tardes
sacaba de los bolsillos con gran placer, y el fuego que ardía en su pecho se
apagó.
Se levantó para marcharse a su casa. Ella lo sujetó del
brazo y prosiguió:
-Usted es el mejor de los hombres que he conocido en mi
vida. Nos veremos, charlaremos, ¿no es cierto? Prométamelo. Yo no soy pianista,
en lo que a mí respecta no me engaño y en su presencia no tocaré ni hablaré de
música.
Cuando entraron en la casa, Stártsev vio a la luz su rostro
y sus ojos tristes, agradecidos e inquisitivos, dirigidos hacia él; se sintió
intranquilo y pensó de nuevo: "Qué bien que no me casé con ella".
Comenzó a despedirse.
-No tiene usted ningún derecho de marcharse sin cenar -le
decía Iván Petróvich al acompañarlo-. ¡A ver, tu representación! -dijo
dirigiéndose en el recibidor a Pava.
Pava, que ya no era un chiquillo sino un joven con bigote,
se estiró, alzó un brazo y exclamó con voz trágica:
-"¡Muere, desdichada!"
Estas cosas irritaban a Stártsev. Al sentarse en el coche y
mirar hacia la oscura casa y el jardín que en un tiempo le resultaron tan
agradables y queridos, se acordó de todo junto: las novelas de Vera Iósifovna,
las ruidosas interpretaciones de Katia, las frases supuestamente ingeniosas de
Iván Petróvich, la pose trágica de Pava, y pensó que si la gente más
inteligente de toda la ciudad era tan mediocre, cómo tendría que ser el resto.
Al cabo de tres días, Pava le llevó una carta de Ekaterina
Ivánovna.
"No viene usted a vernos. ¿Por qué? -escribía-. Me temo
que haya cambiado de actitud hacia nosotros y me asusta tan sólo la idea de
pensarlo. Deshaga mis temores, venga a vernos y diga que todo sigue bien.
Necesito hablar con usted. Su E.I."
Leyó la nota, pensó un momento y le dijo a Pava:
-Dile, querido Pava, que hoy no puedo ir, estoy muy ocupado.
Di que iré dentro de unos tres días.
Pero transcurrieron tres días, luego una semana y seguía sin
ir. En cierta ocasión, al pasar en coche junto a la casa de los Turkin, se
acordó de que tenía que visitarlos aunque fuera sólo por un minuto, mas lo
pensó... y no entró.
Y nunca más visitó a los Turkin.
V
Han pasado varios años más. Stártsev ha engordado más aún,
está hecho una bola de grasa, respira con fuerza y al andar echa ya la cabeza
atrás. Cuando con su aspecto rechoncho y rojo marcha en su troika con
cascabeles y Panteleimón, también rechoncho y rojo, con un cuello carnoso,
sentado en el pescante, lanza las manos hacia adelante, como si fueran de
madera, y grita a los que vienen a su encuentro: "¡A la dereeecha!",
el cuadro resulta imponente; parece que el que va allí no es un hombre sino
algún dios mitológico. En la ciudad tiene una gran clientela, no le queda
tiempo ni para respirar, y ya posee una hacienda y dos casas en la ciudad. Le
tiene puesto el ojo a una tercera más rentable. Y cuando en la Sociedad de
Crédito y Préstamo le hablan de alguna casa en venta, va a visitarla y sin
ninguna clase de ceremonias, pasando por todas las habitaciones sin prestar
atención a las mujeres desvestidas y los niños que lo miran con asombro y
miedo, señala con un bastón en todas las puertas y suele decir:
-¿Esto es el despacho? ¿El dormitorio? ¿Y aquí qué hay?
Tiene una respiración forzada y se seca el sudor de la
frente.
A pesar de su mucho trabajo no deja el cargo de médico
rural: la avaricia es más fuerte que él, quiere poder con todo. En Diálizh y en
la ciudad lo llaman simplemente Iónich. "¿Adónde irá Iónich?" o
"¿Por qué no consultamos a Iónich?"
Seguramente por tener la garganta aprisionada por la grasa,
se le ha cambiado la voz, la tiene ahora fina y aguda. También le ha cambiado
el carácter... es más pesado e irritable. Al recibir a los enfermos por lo
común se enfada, golpea impaciente con el bastón contra el suelo y grita con su
voz desagradable:
-¡Limítese sólo a contestar a las preguntas! ¡Silencio!
Está solo. Su vida es aburrida, nada ni nadie le llega a
interesar.
En todos esos años vividos en Diálizh, el amor por Katia ha
sido su única alegría y seguramente la última. Por las tardes juega a las
cartas en el club, después se sienta sólo a una gran mesa y cena. Le sirve
Iván, el sirviente más viejo y respetado, y ya todos -los encargados del club,
el cocinero y el sirviente- saben lo que le gusta y lo que no y se esfuerzan
por satisfacer todos sus menores deseos. Porque no vaya a ser que se enfade y
empiece a dar bastonazos contra el suelo.
Mientras cena, en ocasiones se da la vuelta e interviene en
alguna conversación.
-¿De qué hablan? ¿Eh? ¿De quién?
Y cuando por casualidad en alguna mesa vecina se toca el
tema de los Turkin, siempre pregunta:
-¿De qué
Turkin hablan ustedes? ¿Esa gente que tiene una hija que toca el piano?
Esto es todo lo que se puede decir de él.
¿Y de los Turkin? Iván Petróvich no ha envejecido, no ha
cambiado nada y como siempre dice frases ingeniosas y cuenta chistes; Vera
Iósifovna lee sus novelas a los invitados con la misma solicitud y cordial
sencillez. Katia toca el piano sus cuatro horas. Ha envejecido sensiblemente,
tiene algún achaque y cada otoño se marcha con su madre a Crimea. Al
despedirlas en la estación, cuando el tren se pone en marcha, Iván Petróvich se
seca las lágrimas y grita:
-¡Hasta la vista, por favor! Y agita un pañuelo.
Anton Chejov
Biblioteca Digital Ciudad Seva
Richa manda cancelar estudos que poderiam levar a fechamento de escolas
Ele precisa abrir o pacote de "bondades" para
reorganizar sua base, para poder cacifar com seu apoio -investimento -(de
"benemérito da educação" ) os prefeitos e vereadores nas eleições
vindouras , apoios que naturalmente serão devolvidos com juros quando Precisar.
Fechar escolas do interior esperando ter menos impacto na mídia e menor reação
da sociedade é um erro.Enfraqueceria candidaturas identificadas com nosso
autocrata das araucárias.
Wilson Roberto Nogueira
terça-feira, 20 de outubro de 2015
Freyre e Bastide Os dois lados da luneta
Fundação Memorial da América Latina
.http://www.memorial.org.br
Fernanda Peixoto.Doutora em antropologia social pela USP,
professora da UNESP/Araraquara e colaboradora do IDESP.
A formação protestante e a articulação dos enfoques
antropológico e sociológico nas análises e pelo tom das narrativas que constrói
A obra de Gilberto Freyre quando das suas pesquisas sobre as
religiões afro-brasileiras, que vão obrigar o intérprete a redimensionar suas
análises sobre sincretismo e a enfrentar, de novos ângulos, as nossas “porções
africanas “.A etnografia das ilhas africanas no Brasil é inseparável de uma
sociologia dos contatos culturais que aqui se processam. Nesse sentido,
africanista sui generis, ao mesmo tempo que escapa dela escapa devido à
amplitude das reflexões que produziu.
O pensamento social brasileiro, em sua feição africanista-
Nina Rodrigues, Manoel Querino, Arthur ramos, Edson Carneiro, etc
O mérito maior de Gilberto Freyre segundo Bastide é
precisamente o seu hibridismo metodológico e expositivo. O estilo sociológico e
narrativo ;a combinação de poesia e documentação, a técnica pontilhista do
afresco gilbertiano, a importância dos pontos de vista subjetivo e das
histórias de vida na apreensão da realidade social. Na sociologia “hibrida e
anfíbia” de Freyre , Bastide encontrou um exemplo bem acabado de articulação
dos pontos de vista histórico, antropológico e sociológico ,além de um
casamento bem sucedido entre análise cientifica e narrativa literária: “ Obras
cientificas, sem dúvida , estas do mestre pernambucano, pois para escrevê-las
Gilberto Freyre criou métodos próprios, inventou uma forma especial de
sociologia, que ele chama de proustiana. Mas também obras de um escritor, no
sentido do mais completo do termo. Não uma prosa cartesiana, senão um estilo
sensual, carnal, que exprime com admirável nitidez e relevo, todo o calor dos
trópicos, todo o perfume da cana-de-açúcar
madura, toda a volúpia das negrinhas e das ameríndias, a grande cumplicidade
dos homens com a natureza, as relações sexuais dos meninos da bagaceira com os
bichos do engenho, os pesadelos dos monstros apocalípticos povoando as noites
dos rudes habitantes do nordeste” (Bastide,Roger.Apresentação de Gilberto Freyre. 1953 )
A comprovação do valor da obra multifacetada de Freyre pode
ser encontrada, segundo Bastide, nas contribuições que traz à sociologia – a
partir de sua estruturação teórica e do
sistema conceitual que mobiliza- e também à literatura. Bastide destaca a
importância de Casa Grande e Senzala como elemento de ligação entre o movimento
modernista de São Paulo e a literatura regionalista de José Lins do Rego, por
exemplo, contrariando assim algumas leituras que viam, e ainda veem, Gilberto
Freyre como um tradicionalista, oponente do grupo de São Paulo "(Annales 13(1
),1959,pp30-46 )
No que diz respeito à compreensão das relações
entre negros e brancos na sociedade brasileira, a grandeza da contribuição de
Freyre , foi ter demolido as explicações raciais, colocando o problema em chave sociológica e ,
fundamentalmente , em ter logrado articular na explicação os níveis micro e
macro-sociológicoso”(Bastide,”État actuel des études afro-brésiliennes “, Anais
do 31 Congresso Internacional de Americanistas, São Paulo, Anhembi, 1955, p.
554 (t. da A. ). )
“Gilberto Freyre estudou bem em Casa Grande e Senzala esses
diversos fenômenos (do sincretismo ), mas estudou- os do ponto de vista da
civilização brasileira, e não do ponto de vista que aqui nos preocupa, das civilizações
africanas.”(Bastide , As religiões africanas no Brasil, Rio de Janeiro,
Pioneira, 1971, 2 vols., p 103)
Nos dois livros de Freyre está presente a ideia de formação
: da família patriarcal , no primeiro caso, da civilização africana , no
segundo. Nos dois , a formação de uma nova civilização se dá a partir de
materiais heteróclitos , de origens diversas . A civilização brasileira tem
origem , no modelo de Freyre e de tantos outros , a partir das heranças
portuguesas, indígena e africana .Portanto, a África brasileira não é decalque
, cópia de um modelo original, mas reelaboração , produto também híbrido.
A discussão dos processos formativos está baseada no
acompanhamento das condições históricas da formação da família patriarcal. em
Gilberto Freyre encontra-se descrita uma sociedade de estrutura dual _ Casa
Grande & Senzala, pretos e brancos, Sobrados e Mucambos, cujo dualismo não
compromete a manutenção do todo; ao contrário, a totalidade é alimentada pelo
“equilíbrio de antagonismos “. A caracterização do processo formativo
brasileiro orientado por um principio de equilíbrio de antagonismos,
emblemática da obra de Gilberto Freyre , mostra Ricardo Benzaquen (Guerra e
Paz, Rio de Janeiro, Editora 34, 1994 ),
Gilberto Freyre está interessado em analisar o contato
operado entre essas polaridades que dá
origem ao produto mestiço. de contato
que se trata e portanto de trocas materiais , culturais e simbólicas, de
mestiçagem .Não há mistura entre os elementos em contato , mas de sobreposição,
o que permite justamente a retomada dos
materiais originais que fazem parte do composto.
As controvertidas formulações luso-tropicais de Gilberto
Freyre, que ganham corpo após a viagem do sociólogo brasileiro à África
em 1951, teses que salientam,
entre outras coisas , a adaptabilidade portuguesa aos trópicos e a miscigenação
como marca do mundo que o português criou , com relativo otimismo.. O caso
brasileiro, e a imagem da democracia racial, parecia oferecer um alento para o contexto europeu do
pós-guerra, atravessado por racismos dos mais diferentes tipos.
Os estudos sobre aculturação, mostra Bastide, detiveram-se
de modo geral sobre o impacto da cultura considerada superior sobre a cultura
modificada; raramente preocuparam-se com as com as modificações verificadas nas
duas culturas em contato. Este foi o mérito das inferências de Freyre sobre a
ação portuguesa nos trópicos. Ele mostra como os portugueses modificaram a sua
cultura ocidental , deixando-se impregnar pelas culturas exóticas. O luso
tropicalismo portanto sinaliza adaptação reciproca , relação de dupla mão.
A distinção feita em tempos de relações cordiais de Freyre
com o Salazarismo . O alinhamento politico das teses lusotropicais de Freyre com o ponto de vista
do dominador branco .
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Cuento azul
Marguerite Yourcenar
Los mercaderes procedentes de Europa estaban sentados en el
puente, de cara a la mar azul, en la sombra color índigo de las velas
remendadas de retazos grises. El sol cambiaba constantemente de lugar entre los
cordajes y, con el balanceo del barco, parecía estar saltando como una pelota
que rebotara por encima de una red de mallas muy abiertas. El navío tenía que
virar continuamente para evitar los escollos; el piloto, atento a la maniobra,
se acariciaba el mentón azulado.
Al crepúsculo, los mercaderes desembarcaron en una orilla
embaldosada de mármol blanco; vetas azuladas surcaban la superficie de las
grandes losas que antaño fueran revestimiento de templos. La sombra que cada
uno de los mercaderes arrastraba tras de sí por la calzada, al caminar en el
sentido del ocaso, era más alargada, más estrecha y no tan oscura como en pleno
mediodía; su tonalidad, de un azul muy pálido, recordaba a la de las ojeras que
se extienden por debajo de los párpados de una enferma. En las blancas cúpulas
de las mezquitas espejeaban inscripciones azules, cual tatuajes en un seno
delicado; de vez en cuando, una turquesa se desprendía por su propio peso del
artesonado y caía con un ruido sordo sobre las alfombras de un azul muelle y
descolorido.
Se levantó la luna y emprendió una danza errática, como un
espíritu endiablado, entre las tumbas cónicas del cementerio. El cielo era
azul, semejante a la cola de escamas de una sirena, y el mercader griego
encontraba en las montañas desnudas que bordeaban el horizonte un parecido con
las grupas azules y rasas de los centauros.
Todas las estrellas concentraban su fulgor en el interior
del palacio de las mujeres. Los mercaderes penetraron en el patio de honor para
resguardarse del viento y del mar, pero las mujeres, asustadas, se negaban a
recibirlos y ellos se desollaron en vano las manos a fuerza de llamar a las
puertas de acero, relucientes como la hoja de un sable.
Tan intenso era el frío, que el mercader holandés perdió los
cinco dedos de su pie izquierdo; al mercader italiano le amputó los dedos de la
mano derecha una tortuga que él había tomado, en la oscuridad, por un simple
cabujón de lapislázuli. Por fin, un negrazo salió del palacio llorando y les
explicó que, noche tras noche, las damas rechazaban su amor por no tener la
piel suficientemente oscura. El mercader griego supo congraciarse con el negro
merced al regalo de un talismán hecho de sangre seca y de tierra de cementerio,
así es que el nubio los introdujo en una gran sala color ultramar y recomendó a
las mujeres que no hablaran demasiado alto para que no despertaran los camellos
en su establo y no se alterasen las serpientes que chupan la leche del claro de
luna.
Los mercaderes abrieron sus cofres ante los ojos ávidos de
las esclavas, en medio de olorosos humos azules, pero ninguna de las damas
respondió a sus preguntas y las princesas no aceptaron sus regalos. En una sala
revestida de dorados, una china ataviada con un traje anaranjado los tachó de
impostores, pues las sortijas que le ofrecían se volvían invisibles al contacto
de su piel amarilla. Ninguno advirtió la presencia de una mujer vestida de
negro, sentada en el fondo de un corredor, y como le pisaran sin darse cuenta
los pliegues de su falda, ella los maldijo invocando al cielo azul en la lengua
de los tártaros, invocando al sol en la lengua turca, e invocando la arena en
la lengua del desierto. En una sala tapizada de telas de araña, los mercaderes
no obtuvieron respuesta de otra mujer, vestida de gris, que sin cesar se
palpaba para estar segura de que existía; en la siguiente sala, color grana,
los mercaderes huyeron a la vista de una mujer vestida de rojo que se
desangraba por una ancha herida abierta en el pecho, aunque ella parecía no
darse cuenta, ya que su vestido no estaba ni siquiera manchado.
Pudieron al cabo refugiarse en el ala donde estaban las
cocinas y allí deliberaron acerca del mejor medio para llegar hasta la caverna
de los zafiros. Constantemente los molestaba el trajín de los aguadores, y un
perro sarnoso fue a lamer el muñón azul del mercader italiano, el que había
perdido los dedos. Al fin, vieron aparecer por la escalera de la bodega a una
joven esclava que llevaba hielo granizado en un ataifor de cristal turbio; lo
depositó sin mirar dónde, sobre una columna de aire, para dejarse las manos
libres y poder saludar, levantándolas hasta la frente, donde llevaba tatuada la
estrella de los magos. Sus cabellos azul-negros fluían desde las sienes hasta
los hombros; sus ojos claros miraban el mundo a través de dos lágrimas; y su boca
no era sino una herida azul. Su vestido color lavanda, de fina tela desteñida
por hartos lavados, estaba desgarrado en las rodillas, pues la joven tenía por
costumbre prosternarse para rezar y lo hacía constantemente.
Poco importaba que no comprendiera la lengua de los
mercaderes, pues era sordomuda; así, se limitó a asentir gravemente con la
cabeza cuando ellos inquirieron cómo ir hasta el tesoro mostrándole en un
espejo sus ojos color de gema y señalando luego la huella de sus pasos en el
polvo del corredor. El mercader griego le ofreció sus talismanes: la niña los
rechazó como lo hubiera hecho una mujer dichosa, pero con la sonrisa amarga de
una mujer desesperada; el mercader holandés le tendió un saco lleno de joyas,
pero ella hizo una reverencia desplegando con las manos el pobre vestido todo
roto, y no les fue posible adivinar si es que se juzgaba demasiado indigente o
demasiado rica para tales esplendores.
Luego, con una brizna de hierba levantó el picaporte de la
puerta y se encontraron en un patio redondo como el interior de un pozal, lleno
hasta los bordes de la fría luz matinal. La joven se sirvió de su dedo meñique
para abrir la segunda puerta que daba a la llanura y, uno tras otro, se
encaminaron hacia el interior de la isla por un camino bordeado de matas de
aloe. Las sombras de los mercaderes iban pegadas a sus talones, cual siete
víboras pequeñas y negras, en tanto que la muchacha estaba desprovista de toda
sombra, lo que les dio que pensar si no sería un fantasma.
Las colinas, azules a distancia, se volvían negras, pardas o
grises a medida que se aproximaban; sin embargo, el mercader de la Turena no
perdía el valor y para darse ánimos cantaba canciones de su tierra francesa. El
mercader castellano recibió por dos veces la picadura de un escorpión y sus
piernas se hincharon hasta las rodillas y cobraron un color de berenjena
madura, pero no parecía sentir dolor alguno e incluso caminaba con el paso más
seguro y más solemne que los otros, como si estuviera sostenido por dos gruesos
pilares de basalto azul. El mercader irlandés lloraba viendo cómo gotas de
sangre pálida perlaban los talones de la muchacha, que andaba descalza sobre
cascos de porcelana y de vidrios rotos.
Cuando llegaron al sitio, tuvieron que arrastrarse de
rodillas para entrar a la caverna, que no abría al mundo más que una boca
angosta y agrietada. La gruta era, sin embargo, más espaciosa de lo que hubiera
podido esperarse y, así que sus ojos hubieron hecho buenas migas con las
tinieblas, descubrieron por doquier fragmentos de cielo entre las fisuras de la
roca. Un lago muy puro ocupaba el centro del subterráneo, y cuando el mercader
italiano lanzó una guija para calcular la profundidad, no se la oyó caer, pero
se formaron pompas en la superficie, como si una sirena bruscamente desesperada
hubiera expelido todo el aire que llenaba sus pulmones. El mercader griego
empapó sus manos ávidas en aquella agua y las sacó teñidas hasta las muñecas,
como si se tratara de la tina hirviendo de una tintorera; mas no logró
apoderarse de los zafiros que bogaban, cual flotillas de nautilos, por aquellas
aguas más densas que las de los mares. Entonces, la joven deshizo sus largas
trenzas y sumergió los cabellos en el lago: los zafiros se prendieron en ellos
como en las mallas sedosas de una oscura red. Llamó primero al mercader
holandés, que se metió las piedras preciosas en las calzas; luego, al mercader
francés, que se llenó el chapeo de zafiros; el mercader griego atiborró un odre
que llevaba al mercader castellano, arrancándose los sudados guantes de cuero,
los llenó y se los puso colgados al cuello, de tal suerte que parecía llevar
dos manos cortadas. Cuando le llegó el turno al mercader irlandés, ya no
quedaban zafiros en el lago; la joven esclava se quitó un colgante de abalorios
que llevaba y por señas le ordenó que se lo pusiera sobre el corazón.
Salieron arrastrándose de la caverna y la muchacha pidió al
mercader irlandés que la ayudara a rodar una gruesa piedra para cerrar la
entrada. Luego, colocó un precinto confeccionado con un poco de arcilla y una
hebra de sus cabellos.
El camino se les hizo más largo que a la ida por la mañana.
El mercader castellano, que empezaba a sufrir a causa de sus piernas
emponzoñadas, se tambaleaba y blasfemaba invocando el nombre de la madre de
Dios. El mercader holandés, que estaba hambriento, trató de arrancar las azules
brevas maduras, de una higuera, pero un enjambre de abejas ocultas en la
espesura almibarada lo picaron profundamente en la garganta y en las manos.
Llegados al pie de las murallas, el grupo dio un rodeo para
evitar a los centinelas y se dirigieron sin hacer ruido hacia el puerto de los
pescadores de sirenas, que estaba siempre desierto, pues hacía largo tiempo que
no se pescaban ya sirenas en aquel país. La barca flotaba blandamente en el
agua, amarrada al dedo de un pie de bronce, único resto de una estatua colosal
erigida antaño en honor a un dios del que ya nadie recordaba el nombre. En el
muelle, la esclava sordomuda hizo intención de despedirse de los hombres,
saludándolos con las manos puestas en el corazón; entonces, el mercader griego
la tomó por las muñecas y la arrastró hasta el barco, movido por el propósito
de venderla al príncipe veneciano del Negroponto, de quien se sabía que le
gustaban las mujeres heridas o afectadas de alguna invalidez. La doncella se
dejó llevar sin oponer resistencia y sus lágrimas, al caer sobre las maderas
del puente, se transformaban en bellas aguamarinas, así es que sus verdugos se
las ingeniaron para darle motivos que la hicieran llorar.
La dejaron desnuda y la ataron al palo mayor; su cuerpo era
tan blanco que servía de fanal al barco en aquella noche clara navegando entre
las islas. Cuando hubieron terminado su partida de palillos, los mercaderes
bajaron a la cabina para echarse a dormir. Hacia el alba, el holandés subió al
puente aguijoneado por el deseo y se acercó a la prisionera, dispuesto a
violentarla. Mas he aquí que la niña había desaparecido: las ligaduras
colgaban, vacías, del tronco negro del mástil, como un cinturón demasiado
ancho, y en el lugar donde se habían posado sus pies suaves y delgados no
quedaba otra cosa que un mantoncito de hierbas aromáticas que exhalaban un
humillo azul.
En los días que siguieron reinó una calma chicha, y los
rayos del sol, que caían a plomo sobre la lisa superficie color de algas,
producían un chirrido de hierro candente sumergido en agua fría. Las piernas
gangrenadas del mercader castellano se habían puesto azules como las montañas que
se columbraban en el horizonte y purulentos regueros se deslizaban desde las
tablas del puente hasta el mar. Cuando el sufrimiento se hizo intolerable, el
hombre sacó del cinturón una ancha daga triangular y se cercenó a la altura de
los muslos las dos piernas envenenadas. Murió agotado al despuntar la aurora,
después de haber legado sus zafiros al mercader suizo, que era su enemigo
mortal.
Al cabo de una semana recalaron en Esmirna y el mercader de
Turena, que siempre había temido al mar, optó por desembarcar, con intención de
continuar su viaje a lomos de una buena mula. Un banquero armenio le cambió los
zafiros por diez mil monedas con la efigie del Preste Juan. Eran piezas
perfectamente redondas y el francés cargó alegremente con ellas hasta trece mulos;
pero, así que llegó a Angers, tras siete años de viaje, se encontró con la
sorpresa de que las monedas del monarca-preste no tenían curso en su país.
En Ragusa, el mercader holandés trocó sus zafiros por una
jarra de cerveza servida en el mismo muelle, pero tuvo que escupir aquel
insulso líquido aventado que no tenía el mismo gusto que la cerveza de las
tabernas de Ámsterdam. El mercader italiano desembarcó en Venecia con el
propósito de hacerse proclamar Dogo, mas pereció asesinado al día siguiente de
sus nupcias con la laguna. En cuanto al mercader griego, se le ocurrió atar los
zafiros a un cabo largo y suspenderlos en el costado de la barca, esperando que
el contacto con las olas fuera benéfico para su hermoso color azul. Al mojarse,
las gemas se volvieron líquidas y apenas si añadieron al tesoro del mar unas
pocas gotas de agua transparente. El hombre se consoló pescando peces y
asándolos al rescoldo de la ceniza.
Un atardecer, al cabo de veintisiete días de navegación, el
barco fue atacado por un corsario. El mercader de Basilea se tragó sus zafiros
para sustraerlos de la avaricia de los piratas y murió de atroces dolores de
entrañas. El griego se echó al mar y fue recogido por un delfín, que lo condujo
hasta Tinos. El irlandés, molido a golpes, fue dejado por muerto en la barca,
entre los cadáveres y los sacos vacíos; nadie se tomó la molestia de quitarle
el colgante de falsas piedras azules, que no tenía ningún valor. Treinta días
más tarde, la barca a la deriva entró por sí misma en el puerto de Dublín y el
irlandés echó pie a tierra para mendigar un pedazo de pan.
Estaba lloviendo. Los tejados oblicuos de las casas bajas
sugerían grandes espejos destinados a captar los espectros de la luz muerta. La
calzada desigual se encharcaba más y más; el cielo, de un parduzco sucio,
parecía tan cenagoso que ni los ángeles se hubieran atrevido a salir de la casa
de Dios; las calles estaban desiertas; el puesto de un mercero ambulante, que
vendía calcetines de lana cruda y cordones para los zapatos, se veía abandonado
al borde de una acera debajo de un paraguas abierto. Los reyes y los obispos
esculpidos en el pórtico de la catedral no hacían nada para impedir que cayera
la lluvia sobre sus coronas o sus mitras, y la Magdalena recibía el agua en sus
senos desnudos.
El mercader, todo desalentado, fue a sentarse bajo el
pórtico junto a una joven mendiga, tan pobre que su cuerpo, azulenco de frío,
se veía a través de los desgarrones de su vestido gris. Sus rodillas se
entrechocaban ligeramente; sus dedos cubiertos de sabañones apretaban un
mendrugo de pan. El mercader le pidió por el amor de Dios que se lo diera, y
ella se lo tendió en el acto. El mercader hubiera querido regalarle el colgante
de abalorios azules, puesto que no tenla ninguna otra cosa que ofrecer; más en
vano buscó en sus bolsillos, alrededor de su cuello, entre las cuentas de su
rosario. No hallándolo, se echó a llorar desconsolado: no poseía ya nada que
pudiera recordarle el color del cielo y la tonalidad del mar en donde había
estado a punto de perecer.
Suspiró profundamente y, como el crepúsculo y la fría niebla
se espesaban en derredor, la muchachita se apretujó contra él para darle calor.
El hombre le hizo preguntas acerca del país y ella le contestó en el tosco
dialecto del pueblo que dejara antaño, siendo aún muy chico. Entonces, apartó
los cabellos desgreñados que cubrían el rostro de la mendiga, pero tan sucio
estaba que la lluvia iba trazando en él regueritos blancos, y el mercader
descubrió horrorizado que la niña era ciega y que una siniestra nube velaba el
ojo izquierdo. No dejó por ello, sin embargo, de posar su cabeza en aquellas
rodillas mal cubiertas de harapos y se durmió sosegado: el ojo derecho, que
había visto privado de mirada, era milagrosamente azul.
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