sábado, 5 de abril de 2014

ESTUPRO E EXBICIONISMO

Sergio Gonçalves
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Haverá gente com competência para dissertar sobre o tema. Não a tenho, tenho dúvidas. Aprendi pouco, muito pouco, no meu curso de "Medicina legal". Entendo que o estuprador é um doente mental, o que não perdoa ou mesmo minimiza a estupidez do crime. Mas é importante tomar isso em conta: um doente mental não será inibido por medidas policiais ou por punições legais. A compulsão existirá sempre - e, é óbvio, não é provocada por qualquer forma de estímulo externo: não é a exposição de uma bunda ou de um par de peitos que provoca isso. Necessariamente, esses tarados não podem viver em sociedade. O que fazer com eles? Há alguma forma de recuperação? Não acredito.
O Exibicionismo é outra forma de desvio de comportamento, de consequências muitissimo menores. Nos homens ela sempre toma a forma de exibição dos órgãos genitais, às escondidas, ação comum aos impotentes sexuais, que só encontram satisfação sexual nisso.Nas mulheres, há dificuldade muito maior para identificação do que possa ser considerado desvio sexual e o que seja vaidade.
Porém, é preciso ter coragem para contestar a validade das imagens que estão sendo usadas para contestar o estupradores. Mostrar a bunda e os peitos jamais justificará o crime de estupro, mesmo porque não é a causa. Apenas é a vulgarização da mulher, é o convite a gracejos, a "passadas" de mãos. O argumento do "o corpo é meu" é hipócrita. Condenar o estupro com fotos do tipo exposto é marketing pornográfico.

Lutar contra o estupro é muito sério, não é piada de popozuda.

Incongruências curitibanas ou - porque estou começando a odiar Curitiba.

Susan Blum Moura...Todos os dias pego (pelo menos duas vezes, outras vezes quatro vezes ao dia) o Expresso Centenário -Campo Comprido.. direção Capão da Imbuia para Campo Comprido. TODAS as vezes fico no tubo e percebo vários expressos (uns 3 ou 4) que vão somente até a Rui Barbosa (como Pinhais- Rui Barbosa ou Centenário- Rui Barbosa, passarem praticamente vazios) e só então passa o Centenário-Campo Comprido SEMPRE lotado ou superlotado. TODAS as vezes reclamo na URBS (156) e a resposta sempre é a mesma: O espaço no ônibus está dentro dos padrões de seis pessoas por metro quadrado. SEMPRE digo que está muito mais que isso, mas nunca me escutam. Peço que os fiscais vejam e anotem os ônibus "vazios" que são 3 ou 4 para cada UM do Campo Comprido... mas eles dizem que os fiscais apenas fiscalizam o HORÁRIO do ônibus... OK...
TODOS os dias vejo Expresso quebrado. a resposta deles sempre é a mesma: superlotação.
Curitibano vai aguentando, ganhando câncer, stress.. mas nunca reclama (156 já chegou a me dizer: "só a senhora reclama deste ônibus".)
Mas agora que estou cuidando de minha mãe percebi outro absurdo:
Tubo Silva Jardim mais que entupido. Fila de pessoas do lado de fora pegando chuva.. e todos aguardando que ônibus?? SANTA CANDIDA. Acontece que passa UM Pinheiirinho.. (vazio, com poucas dezenas de pessoas sentadas e muitas dezenas de bancos vazios), um segundo Pinheirinho,,, um terceiro Pinheirinho (todos sempre vazios) até que eu não aguento.. pego o quarto Pinheirinho e vou até a Rui Barbosa para PAGAR o segundo ônibus que me traga para casa...
O que é isso??
Burrice dos que trabalham com transporte ou esperteza para ganhar mais dinheiro??
Não entendo!
TODOS os tubos pelos quais eu passo sempre a mesma coisa: lotados, com filas de pessoas na chuva e eram apenas quatro e meia da tarde.. imagina na hora do rush.
Este é um dos motivos que estão me fazendo odiar Curitiba..
O transporte de Curitiba já FOI bom.. Hoje ele é pior até que muitas cidades do interior do Paraná. Não é o melhor do Paraná. Não é o melhor do Sul.
Não é o melhor do Brasil
VERGONHA!
Os governos e prefeituras anteriores acabaram com Curitiba!
VERGONHA!
Tenho que ver idosos, grávidas e outras pessoas com necessidades ter que aguentar esta situação!
VERGONHA!


Marlyn Tows lamentavel e desgastante...tempo perdido mesmo..

Susan Blum Moura RPC , Jornais, televisão, etc.. vejam o que está acontecendo... DENUNCIEM.
Passageiros, tirem fotos, filmem, reclamem... divulguem, compartilhem.. vamos fazer algo.. porque assim não dá.. o preço é caro... eles ganham muito e quem sofre é o povo.


Daniel Oliveira verdade, to pegando o busão diariamente e ta punk,

Suely Furukita... acho que quem "planeja" toda essa bagunça não anda de ônibus... é com certeza nunca andou!

Sandra Nodari... Susan Blum Moura o nosso grande problema é que não reclamamos nos canais certos. Reclamamos em conversas apenas. Poucas pessoas ligam pro 156, menos ainda enviam emails para o site - acho até que fui melhor atendida sempre que postei e assinei a reclamação no Portal 156. Quando você liga, o atendente é quem registra, traduzindo sua fala. Concordo, vamos filmar, fotografar, denunciar.

Thamyres Pedroso.... Já morei no Pinheirinho e te digo, é um dos ônibus que mais lota em horários de pico, inclusive acho difícil até achar ele vazio. Agora o Centenário tem um adendo: furtos e roubos quase todos os dias nos horários de pico. Além de não ter estrutura e conforto, não tem segurança. Fora o Universidade Positivo, que tem filas quilométricas e os motoristas ficam com o ônibus parado, até os alunos subirem quase no teto e quando a gente pede pra ele fechar as portas porque não cabe mais gente, ele responde: liga no 156 e pede mais carro. E o pior de tudo, é que nós vemos o estacionamento da Universidade Positivo quase lotado todos os dias, mas os alunos são egoístas demais pra oferecerem uma carona até o terminal ou qualquer outro lugar. Naquele grupo de Carona Solidária, quem ofereceu uma carona? Dá pra contar nos dedos de uma mão e é capaz de sobrar ainda.

Susan Blum Moura Olha que mando quase toda semana pro 156 - http://www.central156.org.br/
Central de Atendimento e Informações - 156 - Prefeitura Municipal de Curitiba
www.central156.org.br

Susan Blum Moura antes eu ligava... já teve vezes que mandei todo DIA...

Daniel Oliveira hj eu ouvi o Fruet na rádio, o discurso dele sobre o transp coletivo me pareceu razoável (pros níveis da canalha brasileira), falou com dados técnicos, não foi demagogo nem messiânico, mostrou pés-no-chão, e falou em sistema coletivo e público q atenda, funcione e evolua, vamos ver...

Valeria Zamparo Por favor, não fique assim. Experimente andar nos ônibus de Brasília e você vai achar o transporte público curitibano um paraíso.

Sandra Maria Martins Susan Blum Moura esse e muitos outros motivos me trouxeram onde estou.
 Sei que não é a solução para você nem para outras tantas pessoas, mas tudo o que você falou é verdade. Está insuportável!

Geraldo Magela Cardoso Magela os tubos são indigestos e as pessoas mal educadas.. n esperam vc sair.. olham sempre pro umbigo..e vão empurrando a gente.

Thadeu Peronne UMA VERGONHA !
Juli ErTao Juliana Erthal O preço da "fama".

Marcelo Chella É verdade que o transporte coletivo em certos lugares é bem pior (no Rio tem ônibus despencando de viaduto todo mês), mas não dá pra nivelar por baixo e achar que se não tá pior tá bom. O transporte de Curitiba não vale os 2,70 de hj, e muito menos o aumento que vem aí (depois da eleição, é claro).

Susan Blum Moura Os ônibus são velhos, chove dentro, tem baratas (já tirei fotos delas), vivem quebrando, tem assalto, tem "homens" que se aproveitam, enfim.. temos que mudar. Não culpo o Fruet. Acho que ele está fazendo "milagres" visto o rombo que recebeu. Mas já se sabe que os tubos NÃO servem! Não cabem todos, é muito frio no inverno, um inferno no verão, os cobradores não têm banheiro, não tem condições mínimas... já passou da hora de termos metrô aqui em Curitiba...

Regiani Baumbach Lendo essa tua história me deu um alívio tão, tão, tão grande por não morar mais em Curitiba... E aqui onde moro são só elogios a Ctba. E eu digo: vai morar lá pra ver como as coisas são de verdade!

Susan Blum Moura Marylene Fraulob, eu AMO Curitiba. Mas a minha paciência está se esgotando, pois reclamo dos ônibus desde 2005 e não vejo mudanças para melhor, só para pior. Além disso a idade vai avançando e o incômodo também aumenta. Thamyres Pedroso, concordo com vc em gênero, número e grau. Os ônibus Positivo também estão insuportáveis. Também acho que não custa oferecerem carona nos pontos dentro da U.P. para levarem ao menos para o Terminal Campo Comprido... mas... o pior é que os alunos ditos "universitários" não têm cidadania. Desde que entrem no ônibus, não ligam se há espaço no fundo do ônibus ou se poderiam ceder mais lugares... ficam nas portas e não arredam pé.

 Regiani eu AMO esta cidade, mas fico com pena em ver como ela está ficando violenta, com transporte ruim, com saúde pública terrível, enfim.. queria MUITO mudar tudo isso.. Sei que a cidade tem um potencial enorme... que tem um povo maravilhoso (não todos, lógico). E que a arte pode crescer muito aqui. Não quero desistir desta cidade. Mas o cansaço está me vencendo...

Testamento

Testamento - Alda Lara
À prostituta mais nova
Do bairro mais velho e escuro,
Deixo os meus brincos, lavrados
Em cristal, límpido e puro...
E àquela virgem esquecida
Rapariga sem ternura,
Sonhando algures uma lenda,
Deixo o meu vestido branco,
O meu vestido de noiva,
Todo tecido de renda...
Este meu rosário antigo
Ofereço-o àquele amigo
Que não acredita em Deus...
E os livros, rosários meus
Das contas de outro sofrer,
São para os homens humildes,
Que nunca souberam ler.
Quanto aos meus poemas loucos,
Esses, que são de dor
Sincera e desordenada...
Esses, que são de esperança,
Desesperada mas firme,
Deixo-os a ti, meu amor...
Para que, na paz da hora,
Em que a minha alma venha
Beijar de longe os teus olhos,
Vás por essa noite fora...
Com passos feitos de lua,
Oferecê-los às crianças
Que encontrares em cada rua...

Alda Lara nasceu em Benguela, Angola, 09 junho de 1930. Viveu em Portugal desde a adolescência, onde frequentou as Faculdades de Medicina de Lisboa e Coimbra, licenciando-se por esta última. Faleceu em Cambambe, Angola, em 30 de janeiro de 1962.

Ariete


Nel pigro moto dei cieli
la stagione si mostra: al vento nuova,
al mandorlo che schiara
piani d'ombra aerei
nuvoli d'ombre e biade:
e ricompone le sepolte voci
dei greti, dei fossati,
dei giorni di grazia favolosi.
Ogni erba dirama,
e un'ansia prende le remote acque
di gelidi lauri ignudi iddii pagani;
ed ecco salgono dal fondo fra le ghiaie
e capovolte dormono celesti.

Salvatore Quasimodo. Acque e terre (1920-1929) in Tutte le poesie.

A maioria dos livros didáticos não são didáticos!

A maioria dos livros didáticos não são didáticos!
Diana Abreu Uma linguagem inacessível , cópia literal dos textos acadêmicos!
Claudio Roberto Molina Sanches alguns livros didáticos do ensino fundamental para o aluno é como se estivessem lendo aquele texto dos trafelnos, não comunica nada, da gestalt: Era uma vez dois trafelnos: Mirimi e Gissitar. "Os dois trafelnos eporavam longe das perlogas. Um masto, porém, um dos trafelnos, Mirimi, felnou que ramalia rizar e aror uma perloga. Gissitar regou muito. Ele rurbia que Mirimi não rizaria mais da perloga. Gissitar felnou, felnou, regou, regou, mas nada. Mirimi estava leruado: ramalia rizar e aror uma perloga. No masto do fabeti, Mirimi rizou muito lonto. No meio do fabeti, proceu Gissitar e os dois rizavam ateli. Gissitar não ramalia clenar Mirimi"
Claudio Roberto Molina Sanches será que o aluno tem essa sensação de estar lendo algo que parece que nada comunica?          
Aline Carissimi  duro é que ainda existem práticas docentes que solicitam dos estudantes cópias dos livros.  Claudio Roberto Molina Sanches radicalizou, mas pode ser verdade, é claro. E ainda inclui-se o analfabetismo funcional.
Claudio Roberto Molina Sanches ... Esses dias meu afilhado tinha 30 pgs para estudar para uma prova de ciências: "tinha que mostrar a vocês a linguagem que o texto utilizava, o tema era: os quilópodes e os diplópodes... eu não conseguia entender aquilo, fui buscar textos na internet para auxiliar...é impressionante algumas coisas...por esse fato que lembrei desse texto da gestalt: os trafelnos.
Aline Carissimi Perfeito Molina Claudio Roberto Molina Sanches!!!!
Claudia Moreira Se pensarmos que há muitos professores sem formação específica, o quadro fica mais grave, porque muitas vezes nem ele entende o livro. Porque um livro de linguagem incompatível com a idade, nas mãos de um bom professor, pode acabar por se constituir numa boa ferramenta, afinal.             
Alessandra Nacur Principalmente vejo que os livros do ciclo I, por serem de alfabetização, são bastante poluídos visualmente e com uma linguagem, às vezes, inacessível à criança.
Eyrimar Fabiano Bortot talvez que ocorre no Brasil é que todos sem perceber elegem um autor ou estilo ou pedagogo a ser seguido e tentam aperfeiçoar no sentido deste, e acabando exagerando muitas vezes em nome de um estilo, escola ou algo do gênero. É um fenômeno que não percebemos... claro isso não é conclusivo, mas é algo que tenho percebido. adorei a postagem Diana bem crítica.


quinta-feira, 3 de abril de 2014

"Poder é toda chance, seja ela qual for, de impor a própria vontade numa relação social, mesmo contra a relutância dos outros".
Max Weber
"As pessoas raramente reconhecem as oportunidades da vida, porque muitas vezes elas estão disfarçadas de trabalho".
Max Weber

Contribuição à Crítica da Economia Política

"O resultado geral a que cheguei e que, uma vez obtido, serviu-me de guia para meus estudos, pode formular-se, resumidamente, assim: na produção social da própria existência, os homens entram em relações determinadas, necessárias, independentes de sua vontade; estas relações de produção correspondem a um grau determinado de desenvolvimento de suas forças produtivas materiais. A totalidade dessas relações de produção constitui a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se eleva uma superestrutura jurídica e política e à qual correspondem formas sociais determinadas de consciência. O modo de produção da vida material condiciona o processo de vida social, política e intelectual. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser; ao contrário, é o seu ser social que determina a sua consciência. Em certa etapa de seu desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes, ou, o que não é mais que sua expressão jurídica, com as relações de propriedade no seio das quais elas se haviam desenvolvido até então. De formas evolutivas das forças produtivas que eram, essas relações convertem-se em entraves. Abre-se, então, uma época de revolução social. A transformação que se produziu na base econômica transtorna mais ou menos lenta ou rapidamente toda a colossal superestrutura. Quando se consideram tais transformações, convém distinguir sempre a transformação material das condições econômicas de produção - que podem ser verificadas fielmente com a ajuda das ciências físicas e naturais - e as formas jurídicas, políticas, religiosas, artísticas ou filosóficas, em resumo, as formas ideológicas sob as quais os homens adquirem consciência desse conflito e o levam até ao fim. Do mesmo modo que não se julga o indivíduo pela ideia que faz de si mesmo, tampouco se pode julgar uma tal época de transformação pela consciência que ela tem de si mesma. É preciso, ao contrário, explicar esta consciência pelas contradições da vida material, pelo conflito que existe entre as forças produtivas sociais e as relações de produção. Uma sociedade jamais desaparece antes que estejam desenvolvidas todas as forças produtivas que possa conter, e as relações de produção novas e superiores não tomam jamais seu lugar antes que as condições materiais de existência dessas relações tenham sido incubadas no próprio seio da velha sociedade. Eis porque a humanidade não se propõe nunca senão os problemas que ela pode resolver, pois, aprofundando a análise, ver-se-á sempre que o próprio problema só se apresenta quando as condições materiais para resolvê-lo existem ou estão em vias de existir".

 (Karl Marx)

Comentários reais

Senhor, enferruja meus garfos e medalhas, estraga estes molares
enlouquece meu barbeiro, os servos
sejam mortos em suas camas de madeira, mas livra-me do Diabo.
Com seu cheiro de cachaça e os cabelos enlameados
se aproxima de minha casa, já o surpreendi
caído entre os vasos de gerânios, enrugado e nu.
Estou um pouco gordo, Senhor, espero teus rigores, mas não tantos.
Envelheci nas batalhas, os ídolos morreram.
Agora espanta o Diabo, leva estes gerânios e meu coração.

Faça-se a paz, amém.
(Antonio Cisneros - de Comentários reais, 1964)

V - Da Assumpção


Ara angaturamete
oa yandebo cori
peneí taperori
Tupã ci reó rece.
Um grande dia
desponta hoje para nós.
Eia pois, alegrai-vos
com a morte da mãe de Deus.
De poraçubacatuape
naxerecoiroí yepe
de maendua meme
xe rece xerançupape.
Em tua caridade
não me desprezes.
Lembra-te sempre
de mim, que te amo.

Trecho de uma peça de teatro de José de Anchieta, em tupi-guarani, datada de 1587.

Ao Leitor


Charles Baudelaire

A tolice, o pecado, o logro, a mesquinhez
Habitam nosso corpo e o espírito viciam,
E adoráveis remorsos sempre nos saciam,
Como o mendigo exibe a sua sordidez.
Fiéis ao pecado, a contrição nos amordaça;
Impomos alto preço à infâmia confessada,
E alegres retornamos à lodosa estrada,
Na ilusão de que o pranto as nódoas nos desfaça.
Na almofada do mal é Satã Trismegisto
Quem docemente nosso espírito consola,
E o metal puro da vontade então se evoca
Por obra deste sábio que age sem ser visto.
É o diabo que nos move e até nos manuseia!
Em tudo que repugna, uma joia encontramos;
Dia após dia, para o Inferno caminhamos,
Sem medo algum, dentro da treva que nauseia.
Assim como um voraz devasso beija e suga
O seio murcho que lhe oferta uma vadia,
Furtamos ao acaso uma carícia esguia
Para espremê-la qual laranja que se enruga.
Espesso, a fervilhar, qual um milhão de helmintos,
Em nosso crânio um povo de demônios cresce,
E, ao respirarmos, aos pulmões a morte desce,
Rio invisível, com lamentos indistintos.
Se o veneno, a paixão, o estupro, a punhalada
Não bordaram ainda com desenhos finos
A trama vã de nossos míseros destinos,
É que nossa alma arriscou pouco ou quase nada.
Em meio às hienas, às serpentes, aos chacais,
Aos símios, escorpiões, abutres e panteras,
Aos monstros ululantes e às viscosas feras,
No lodaçal de nossos vício ancestrais,
Um há mais feio, mais iníquo, mais imundo!
Sem grandes gestos ou sequer lançar um grito,
Da Terra, por prazer, faria um só detrito
E num bocejo imenso engoliria o mundo;
É o Tédio! - O olhar esquivo à mínima emoção,
Com patíbulos sonha, ao cachimbo agarrado.
Tu o conheces, leitor, o monstro delicado

- Hipócrita leitor, meu igual, meu irmão.

Deixa a Cúria, Pedro!


Deixa a Cúria, Pedro,
Desmonta o sinédrio e as muralhas,
Ordene que todos os pergaminhos impecáveis sejam alterados
pelas palavras de vida e amor.
Vamos ao jardim das plantações de banana,
revestidos e de noite, a qualquer risco,
que ali o Mestre sua o sangue dos pobres.
A túnica/roupa é essa humilde carne desfigurada,
tantos gritos de crianças sem resposta,
e memória bordada dos mortos anônimos.
Legião de mercenários assediam a fronteira da aurora nascente
e César os abençoa a partir da sua arrogância.
Na bacia arrumada, Pilatos se lava, legalista e covarde.
O povo é apenas um "resto",
um resto de esperança.
Não O deixe só entre os guardas e príncipes.
É hora de suar com a Sua agonia,
É hora de beber o cálice dos pobres
e erguer a Cruz, nua de certezas,
e quebrar a construção - lei e selo - do túmulo romano,
e amanhecer
a Páscoa.
Diga-lhes, diga-nos a todos
que segue em vigor inabalável,
a gruta de Belém,
as bem-aventuranças
e o julgamento do amor em alimento.
Não te conturbes mais!
Como você O ama,
ame a nós,
simplesmente,
de igual a igual, irmão.
Dá-nos, com seus sorrisos, suas novas lágrimas,
o peixe da alegria,
o pão da palavra,
as rosas das brasas...
... a clareza do horizonte livre,
o mar da Galileia, 
ecumenicamente, aberto para o mundo.

Pedro Casaldáliga

quarta-feira, 2 de abril de 2014

En el bosque



Ryunosuke Akutagawa

Declaración del leñador interrogado por el oficial de investigaciones de la Kebushi

-Yo confirmo, señor oficial, mi declaración. Fui yo el que descubrió el cadáver. Esta mañana, como lo hago siempre, fui al otro lado de la montaña para hachar abetos. El cadáver estaba en un bosque al pie de la montaña. ¿El lugar exacto? A cuatro o cinco cho, me parece, del camino del apeadero de Yamashina. Es un paraje silvestre, donde crecen el bambú y algunas coníferas raquíticas.

El muerto estaba tirado de espaldas. Vestía ropa de cazador de color celeste y llevaba un eboshi de color gris, al estilo de la capital. Sólo se veía una herida en el cuerpo, pero era una herida profunda en la parte superior del pecho. Las hojas secas de bambú caídas en su alrededor estaban como teñidas de suho. No, ya no corría sangre de la herida, cuyos bordes parecían secos y sobre la cual, bien lo recuerdo, estaba tan agarrado un gran tábano que ni siquiera escuchó que yo me acercaba.

¿Si encontré una espada o algo ajeno? No. Absolutamente nada. Solamente encontré, al pie de un abeto vecino, una cuerda, y también un peine. Eso es todo lo que encontré alrededor, pero las hierbas y las hojas muertas de bambú estaban holladas en todos los sentidos; la victima, antes de ser asesinada, debió oponer fuerte resistencia. ¿Si no observé un caballo? No, señor oficial. No es ese un lugar al que pueda llegar un caballo. Una infranqueable espesura separa ese paraje de la carretera.


Declaración del monje budista interrogado por el mismo oficial

-Puedo asegurarle, señor oficial, que yo había visto ayer al que encontraron muerto hoy. Sí, fue hacia el mediodía, según creo; a mitad de camino entre Sekiyama y Yamashina. Él marchaba en dirección a Sekiyama, acompañado por una mujer montada a caballo. La mujer estaba velada, de manera que no pude distinguir su rostro. Me fijé solamente en su kimono, que era de color violeta. En cuanto al caballo, me parece que era un alazán con las crines cortadas. ¿Las medidas? Tal vez cuatro shaku cuatro sun1, me parece; soy un religioso y no entiendo mucho de ese asunto. ¿El hombre? Iba bien armado. Portaba sable, arco y flechas. Sí, recuerdo más que nada esa aljaba laqueada de negro donde llevaba una veintena de flechas, la recuerdo muy bien.

¿Cómo podía adivinar yo el destino que le esperaba? En verdad la vida humana es como el rocío o como un relámpago... Lo lamento... no encuentro palabras para expresarlo...


Declaración del soplón interrogado por el mismo oficial

-¿El hombre al que agarré? Es el famoso bandolero llamado Tajomaru, sin duda. Pero cuando lo apresé estaba caído sobre el puente de Awataguchi, gimiendo. Parecía haber caído del caballo. ¿La hora? Hacia la primera del Kong, ayer al caer la noche. La otra vez, cuando se me escapó por poco, llevaba puesto el mismo kimono azul y el mismo sable largo. Esta vez, señor oficial, como usted pudo comprobar, llevaba también arco y flechas. ¿Que la víctima tenía las mismas armas? Entonces no hay dudas. Tajomaru es el asesino. Porque el arco enfundado en cuero, la aljaba laqueada en negro, diecisiete flechas con plumas de halcón, todo lo tenía con él. También el caballo era, como usted dijo, un alazán con las crines cortadas. Ser atrapado gracias a este animal era su destino. Con sus largas riendas arrastrándose, el caballo estaba mordisqueando hierbas cerca del puente de piedra, en el borde de la carretera.

De todos los ladrones que rondan por los caminos de la capital, este Tajomaru es conocido como el más mujeriego. En el otoño del año pasado fueron halladas muertas en la capilla de Pindola del templo Toribe, una dama que venía en peregrinación y la joven sirvienta que la acompañaba. Los rumores atribuyeron ese crimen a Tajomaru. Si es él quien mató a este hombre, es fácil suponer qué hizo de la mujer que venía a caballo. No quiero entrometerme donde no me corresponde, señor oficial, pero este aspecto merece ser aclarado.


Declaración de una anciana interrogada por el mismo oficial

-Sí, es el cadáver de mi yerno. Él no era de la capital; era funcionario del gobierno de la provincia de Wakasa. Se llamaba Takehito Kanazawa. Tenía veintiséis años. No. Era un hombre de buen carácter, no podía tener enemigos.

¿Mi hija? Se llama Masago. Tiene diecinueve años. Es una muchacha valiente, tan intrépida como un hombre. No conoció a otro hombre que a Takehiro. Tiene cutis moreno y un lunar cerca del ángulo externo del ojo izquierdo. Su rostro es pequeño y ovalado.

Takehiro había partido ayer con mi hija hacia Wakasa. ¡Quién iba a imaginar que lo esperaba este destino! ¿Dónde está mi hija? Debo resignarme a aceptar la suerte corrida por su marido, pero no puedo evitar sentirme inquieta por la de ella. Se lo suplica una pobre anciana, señor oficial: investigue, se lo ruego, qué fue de mi hija, aunque tenga que arrancar hierba por hierba para encontrarla. Y ese bandolero... ¿Cómo se llama? ¡Ah, sí, Tajomaru! ¡Lo odio! No solamente mató a mi yerno, sino que... (Los sollozos ahogaron sus palabras.)


Confesión de Tajomaru

Sí, yo maté a ese hombre. Pero no a la mujer. ¿Que dónde está ella entonces? Yo no sé nada. ¿Qué quieren de mí? ¡Escuchen! Ustedes no podrían arrancarme por medio de torturas, por muy atroces que fueran, lo que ignoro. Y como nada tengo que perder, nada oculto.

Ayer, pasado el mediodía, encontré a la pareja. El velo agitado por un golpe de viento descubrió el rostro de la mujer. Sí, sólo por un instante... Un segundo después ya no lo veía. La brevedad de esta visión fue causa, tal vez, de que esa cara me pareciese tan hermosa como la de Bosatsu. Repentinamente decidí apoderarme de la mujer, aunque tuviese que matar a su acompañante.

¿Qué? Matar a un hombre no es cosa tan importante como ustedes creen. El rapto de una mujer implica necesariamente la muerte de su compañero. Yo solamente mato mediante el sable que llevo en mi cintura, mientras ustedes matan por medio del poder, del dinero y hasta de una palabra aparentemente benévola. Cuando matan ustedes, la sangre no corre, la víctima continúa viviendo. ¡Pero no la han matado menos! Desde el punto de vista de la gravedad de la falta me pregunto quién es más criminal. (Sonrisa irónica.)

Pero mucho mejor es tener a la mujer sin matar a hombre. Mi humor del momento me indujo a tratar de hacerme de la mujer sin atentar, en lo posible, contra la vida del hombre. Sin embargo, como no podía hacerlo en el concurrido camino a Yamashina, me arreglé para llevar a la pareja a la montaña.

Resultó muy fácil. Haciéndome pasar por otro viajero, les conté que allá, en la montaña, había una vieja tumba, y que en ella yo había descubierto gran cantidad de espejos y de sables. Para ocultarlos de la mirada de los envidiosos los había enterrado en un bosque al pie de la montaña. Yo buscaba a un comprador para ese tesoro, que ofrecía a precio vil. El hombre se interesó visiblemente por la historia... Luego... ¡Es terrible la avaricia! Antes de media hora, la pareja había tomado conmigo el camino de la montaña.

Cuando llegamos ante el bosque, dije a la pareja que los tesoros estaban enterrados allá, y les pedí que me siguieran para verlos. Enceguecido por la codicia, el hombre no encontró motivos para dudar, mientras la mujer prefirió esperar montada en el caballo. Comprendí muy bien su reacción ante la cerrada espesura; era precisamente la actitud que yo esperaba. De modo que, dejando sola a la mujer, penetré en el bosque seguido por el hombre.

Al comienzo, sólo había bambúes. Después de marchar durante un rato, llegamos a un pequeño claro junto al cual se alzaban unos abetos... Era el lugar ideal para poner en práctica mi plan. Abriéndome paso entre la maleza, lo engañé diciéndole con aire sincero que los tesoros estaban bajo esos abetos. El hombre se dirigió sin vacilar un instante hacia esos árboles enclenques. Los bambúes iban raleando, y llegamos al pequeño claro. Y apenas llegamos, me lancé sobre él y lo derribé. Era un hombre armado y parecía robusto, pero no esperaba ser atacado. En un abrir y cerrar de ojos estuvo atado al pie de un abeto. ¿La cuerda? Soy ladrón, siempre llevo una atada a mi cintura, para saltar un cerco, o cosas por el estilo. Para impedirle gritar, tuve que llenarle la boca de hojas secas de bambú.

Cuando lo tuve bien atado, regresé en busca de la mujer, y le dije que viniera conmigo, con el pretexto de que su marido había sufrido un ataque de alguna enfermedad. De más está decir que me creyó. Se desembarazó de su ichimegasa y se internó en el bosque tomada de mi mano. Pero cuando advirtió al hombre atado al pie del abeto, extrajo un puñal que había escondido, no sé cuándo, entre su ropa. Nunca vi una mujer tan intrépida. La menor distracción me habría costado la vida; me hubiera clavado el puñal en el vientre. Aun reaccionando con presteza fue difícil para mí eludir tan furioso ataque. Pero por algo soy el famoso Tajomaru: conseguí desarmarla, sin tener que usar mi arma. Y desarmada, por inflexible que se haya mostrado, nada podía hacer. Obtuve lo que quería sin cometer un asesinato.

Sí, sin cometer un asesinato, yo no tenía motivo alguno para matar a ese hombre. Ya estaba por abandonar el bosque, dejando a la mujer bañada en lágrimas, cuando ella se arrojó a mis brazos como una loca. Y la escuché decir, entrecortadamente, que ella deseaba mi muerte o la de su marido, que no podía soportar la vergüenza ante dos hombres vivos, que eso era peor que la muerte. Esto no era todo. Ella se uniría al que sobreviviera, agregó jadeando. En aquel momento, sentí el violento deseo de matar a ese hombre. (Una oscura emoción produjo en Tajomaru un escalofrío.)

Al escuchar lo que les cuento pueden creer que soy un hombre más cruel que ustedes. Pero ustedes no vieron la cara de esa mujer; no vieron, especialmente, el fuego que brillaba en sus ojos cuando me lo suplicó. Cuando nuestras miradas se cruzaron, sentí el deseo de que fuera mi mujer, aunque el cielo me fulminara. Y no fue, lo juro, a causa de la lascivia vil y licenciosa que ustedes pueden imaginar. Si en aquel momento decisivo yo me hubiera guiado sólo por el instinto, me habría alejado después de deshacerme de ella con un puntapié. Y no habría manchado mi espada con la sangre de ese hombre. Pero entonces, cuando miré a la mujer en la penumbra del bosque, decidí no abandonar el lugar sin haber matado a su marido.

Pero aunque había tomado esa decisión, yo no lo iba a matar indefenso. Desaté la cuerda y lo desafié. (Ustedes habrán encontrado esa cuerda al pie del abeto, yo olvidé llevármela.) Hecho una furia, el hombre desenvainó su espada y, sin decir palabra alguna, se precipitó sobre mí. No hay nada que contar, ya conocen el resultado. En el vigésimo tercer asalto mi espada le perforó el pecho. ¡En el vigésimo tercer asalto! Sentí admiración por él, nadie me había resistido más de veinte... (Sereno suspiro.)

Mientras el hombre se desangraba, me volví hacia la mujer, empuñando todavía el arma ensangrentada. ¡Había desaparecido! ¿Para qué lado había tomado? La busqué entre los abetos. El suelo cubierto de hojas secas de bambú no ofrecía rastros. Mi oído no percibió otro sonido que el de los estertores del hombre que agonizaba.

Tal vez al comenzar el combate la mujer había huido a través del bosque en busca de socorro. Ahora ustedes deben tener en cuenta que lo que estaba en juego era mi vida: apoderándome de las armas del muerto retomé el camino hacia la carretera. ¿Qué sucedió después? No vale la pena contarlo. Diré apenas que antes de entrar en la capital vendí la espada. Tarde o temprano sería colgado, siempre lo supe. Condénenme a morir. (Gesto de arrogancia.)


Confesión de una mujer que fue al templo de Kiyomizu

-Después de violarme, el hombre del kimono azul miró burlonamente a mi esposo, que estaba atado. ¡Oh, cuánto odio debió sentir mi esposo! Pero sus contorsiones no hacían más que clavar en su carne la cuerda que lo sujetaba. Instintivamente corrí, mejor dicho, quise correr hacia él. Pero el bandido no me dio tiempo, y arrojándome un puntapié me hizo caer. En ese instante, vi un extraño resplandor en los ojos de mi marido... un resplandor verdaderamente extraño... Cada vez que pienso en esa mirada, me estremezco. Imposibilitado de hablar, mi esposo expresaba por medio de sus ojos lo que sentía. Y eso que destellaba en sus ojos no era cólera ni tristeza. No era otra cosa que un frío desprecio hacia mí. Más anonadada por ese sentimiento que por el golpe del bandido, grité alguna cosa y caí desvanecida.

No sé cuánto tiempo transcurrió hasta que recuperé la conciencia El bandido había desaparecido y mi marido seguía atado al pie del abeto. Incorporándome penosamente sobre las hojas secas, miré a mi esposo: su expresión era la misma de antes: una mezcla de desprecio y de odio glacial. ¿Vergüenza? ¿Tristeza? ¿Furia? ¿Cómo calificar a lo que sentía en ese momento? Terminé de incorporarme, vacilante; me aproximé a mi marido y le dije:

-Takehiro, después de lo que he sufrido y en esta situación horrible en que me encuentro, ya no podré seguir contigo. ¡No me queda otra cosa que matarme aquí mismo! ¡Pero también exijo tu muerte! Has sido testigo de mi vergüenza! ¡No puedo permitir que me sobrevivas!

Se lo dije gritando. Pero él, inmóvil, seguía mirándome como antes, despectivamente. Conteniendo los latidos de mi corazón, busqué la espada de mi esposo. El bandido debió llevársela, porque no pude encontrarla entre la maleza. El arco y las flechas tampoco estaban. Por casualidad, encontré cerca mi puñal. Lo tomé, y levantándolo sobre Takehiro, repetí:

-Te pido tu vida. Yo te seguiré.

Entonces, por fin movió los labios. Las hojas secas de bambú que le llenaban la boca le impedían hacerse escuchar. Pero un movimiento de sus labios casi imperceptible me dio a entender lo que deseaba. Sin dejar de despreciarme, me estaba diciendo: «Mátame».

Semiconsciente, hundí el puñal en su pecho, a través de su kimono.

Y volví a caer desvanecida. Cuando desperté, miré a mi alrededor. Mi marido, siempre atado, estaba muerto desde hacía tiempo. Sobre su rostro lívido, los rayos del sol poniente, atravesando los bambúes que se entremezclaban con las ramas de los abetos, acariciaban su cadáver. Después... ¿qué me pasó? No tengo fuerzas para contarlo. No logré matarme. Apliqué el cuchillo contra mi garganta, me arrojé a una laguna en el valle... ¡Todo lo probé! Pero, puesto que sigo con vida, no tengo ningún motivo para jactarme. (Triste sonrisa.) Tal vez hasta la infinitamente misericorde Bosatsu abandonaría a una mujer como yo. Pero yo, una mujer que mató a su esposo, que fue violada por un bandido... qué podía hacer. Aunque yo... yo... (Estalla en sollozos.)


Lo que narró el espíritu por labios de una bruja

-El salteador, una vez logrado su fin, se sentó junto a mi mujer y trató de consolarla por todos los medios. Naturalmente, a mí me resultaba imposible decir nada; estaba atado al pie del abeto. Pero la miraba a ella significativamente, tratando de decirle: «No lo escuches, todo lo que dice es mentira». Eso es lo que yo quería hacerle comprender. Pero ella, sentada lánguidamente sobre las hojas muertas de bambú, miraba con fijeza sus rodillas. Daba la impresión de que prestaba oídos a lo que decía el bandido. Al menos, eso es lo que me parecía a mí. El bandido, por su parte, escogía las palabras con habilidad. Me sentí torturado y enceguecido por los celos. Él le decía: «Ahora que tu cuerpo fue mancillado tu marido no querrá saber nada de ti. ¿No quieres abandonarlo y ser mi esposa? Fue a causa del amor que me inspiraste que yo actué de esta manera». Y repetía una y otra vez semejantes argumentos. Ante tal discurso, mi mujer alzó la cabeza como extasiada. Yo mismo no la había visto nunca con expresión tan bella. ¡Y qué piensan ustedes que mi tan bella mujer respondió al ladrón delante de su marido maniatado! Le dijo: «Llévame donde quieras». (Aquí, un largo silencio.)

Pero la traición de mi mujer fue aún mayor. ¡Si no fuera por esto, yo no sufriría tanto en la negrura de esta noche! Cuando, tomada de la mano del bandolero, estaba a punto de abandonar el lugar, se dirigió hacia mí con el rostro pálido, y señalándome con el dedo a mí, que estaba atado al pie del árbol, dijo: «¡Mata a ese hombre! ¡Si queda vivo no podré vivir contigo!». Y gritó una y otra vez como una loca: «¡Mátalo! ¡Acaba con él!». Estas palabras, sonando a coro, me siguen persiguiendo en la eternidad. ¡Acaso pudo salir alguna vez de labios humanos una expresión de deseos tan horrible! ¡Escuchó o ha oído alguno palabras tan malignas! Palabras que... (Se interrumpe, riendo extrañamente.)

Al escucharlas hasta el bandido empalideció. «¡Acaba con este hombre!». Repitiendo esto, mi mujer se aferraba a su brazo. El bandido, mirándola fijamente, no le contestó. Y de inmediato la arrojó de una patada sobre las hojas secas. (Estalla otra vez en carcajadas.) Y mientras se cruzaba lentamente de brazos, el bandido me preguntó: «¿Qué quieres que haga? ¿Quieres que la mate o que la perdone? No tienes que hacer otra cosa que mover la cabeza. ¿Quieres que la mate?...»

Solamente por esa actitud, yo habría perdonado a ese hombre. (Silencio.)

Mientras yo vacilaba, mi esposa gritó y se escapó, internándose en el bosque. El hombre, sin perder un segundo, se lanzó tras ella, sin poder alcanzarla. Yo contemplaba inmóvil esa pesadilla. Cuando mi mujer se escapó, el bandido se apoderó de mis armas, y cortó la cuerda que me sujetaba en un solo punto. Y mientras desaparecía en el bosque, pude escuchar que murmuraba:

«Esta vez me toca a mí». Tras su desaparición, todo volvió a la calma. Pero no. «¿Alguien llora?», me pregunté. Mientras me liberaba, presté atención: eran mis propios sollozos los que había oído. (La voz calla, por tercera vez, haciendo una larga pausa.)

Por fin, bajo el abeto, liberé completamente mi cuerpo dolorido. Delante mío relucía el puñal que mi esposa había dejado caer. Asiéndolo, lo clavé de un golpe en mi pecho. Sentí un borbotón acre y tibio subir por mi garganta, pero nada me dolió. A medida que mi pecho se entumecía, el silencio se profundizaba. ¡Ah, ese silencio! Ni siquiera cantaba un pájaro en el cielo de aquel bosque. Sólo caía, a través de los bambúes y los abetos, un último rayo de sol que desaparecía... Luego ya no vi bambúes ni abetos. Tendido en tierra, fui envuelto por un denso silencio. En aquel momento, unos pasos furtivos se me acercaron. Traté de volver la cabeza, pero ya me envolvía una difusa oscuridad. Una mano invisible retiraba dulcemente el puñal de mi pecho. La sangre volvió a llenarme la boca. Ese fue el fin. Me hundí en la noche eterna para no regresar...

FIN




1. El shaku es una antigua medida de longitud que equivalía, aproximadamente, a unos treinta centímetros. El sun era la décima parte de un shaku.