domingo, 27 de agosto de 2017
sábado, 26 de agosto de 2017
Nação, Estado e imperialismo europeu - A
desconfiança sobre o conceito de nação e a tendência europeísta, ambas
disseminadas em diversos setores da sociedade italiana, são produto de nossa
história recente e não tão recente. O imperialismo italiano, entre os anos 1880
e os anos 1940, fez da Nação, na forma ideológica extremista do nacionalismo, o
substrato da sua política expansionista. O Estado liberal e o Estado fascista,
sem qualquer solução de continuidade entre eles, geraram uma série de guerras,
das primeiras expedições coloniais em Eritréia, Somália e Líbia, à Primeira
Guerra Mundial, às guerras na Etiópia e na Espanha e, finalmente, à
participação desastrosa na Segunda Guerra Mundial.
DOMENICO MORO
Instituto Grabois
Plena mulher, maçã carnal, lua quente,
espesso aroma de algas, lodo e luz pisados,
que obscura claridade se abre entre tuas colunas?
que antiga noite o homem toca com seus sentidos?
Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas,
com ar opresso e bruscas tempestades de farinha:
amar é um combate de relâmpagos e dois corpos
por um so mel derrotados.
Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito,
tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos,
e o fogo genital transformado em delícia
corre pelos tênues caminhos do sangue
até precipitar-se como um cravo noturno,
até ser e não ser senão na sombra de um raio.
"Pablo Neruda"
sexta-feira, 25 de agosto de 2017
Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e
loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho...
Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais
dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente
importa, que é meu sentimento...e não brinque com ele.
E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que
eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.
Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer,
quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe...
Que ele é superior ao ódio e ao rancor, .............
Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras
pessimistas...
"Mário Quintana"
Marx e Engels foram homens de Partido.
Sempre o valorizaram como instrumento privilegiado na luta pela conquista do
socialismo e nunca se prenderam, dogmaticamente, a uma forma rígida de
organização. Esta deveria servir à política transformadora e não o contrário.
Tinham a consciência de que as formas poderiam variar de país para país, tendo
em vista as particularidades nacionais e da luta de classes. Contudo,
acreditavam que este partido socialista deveria ter como princípios
norteadores: ser um partido da classe operária e, ao mesmo tempo, de vanguarda
desta mesma classe; um partido de ruptura com o capitalismo; um partido
internacionalista; e, por fim, ser uma organização regida por normas
centralistas que fossem profundamente democráticas.
AUGUSTO BUONICORE
fonte : Fundação Grabois
A censura aos professores da educação básica
Há um mantra no debate educacional do Brasil de que toda a
sociedade deve participar dessa discussão. Clamam por todo tipo de opinião para
superarmos os problemas da educação. Vou defender neste texto que esse tipo de
ideia é o grande obstáculo para as soluções necessárias, pois acaba por
eliminar do debate o principal ator: o professor da educação básica.
A variedade de instituições, órgãos e profissionais que
participam do debate para a melhoria da educação brasileira é única no mundo.
Participam o Banco Mundial, Unicef, ONGs, empresas, empreendedores, pastores,
padres, socialites, banqueiros, professores universitários etc. Muita gente
querendo dar seu pitaco. É neste “grande debate” que o professor secundarista
perde a vez, já que ele é muito desvalorizado por toda a sociedade, não só
pelos políticos. Essa desvalorização pode ser vista na ausência dos professores
secundaristas na mídia. Peço ao leitor para tentar lembrar ou pesquisar algum
colunista de jornal ou revista de grande circulação que seja professor de
escola pública. Eu não conheço. Alguém lembra se algum professor da educação
básica já ocupou o centro do programa Roda Viva, da TV Cultura? Nunca vi sequer
participarem da bancada. Em reportagens sobre educação, dificilmente um
professor da educação básica é ouvido para dar opinião e apresentar propostas.
Na imensa maioria das vezes, só é ouvido para relatar violências e coisas do
tipo. A apresentação de propostas só é concedida para membros de ONGs,
celebridades, professores universitários, políticos, psicólogos e os ditos
especialistas.
O resultado dessa espécie de censura é o desconhecimento das
demandas necessárias para resolver os problemas da educação básica. Isso porque
quem dita as ações educacionais não sabe nada ou quase nada do que acontece na
escola e em suas salas de aula. Desconhecem, por exemplo, que a escola pública
brasileira é administrada para diminuir ao máximo o trabalho de pedagogos,
diretores e funcionários de secretarias de educação. E a melhor maneira de se
fazer isso é jogar todas as responsabilidades para o professor. Se o aluno tira
nota ruim, é mais fácil culpar o professor do que conversar com o aluno e seus
pais. Imagine se os pedagogos tivessem de conversar com mais de 50% dos alunos
e pais sobre notas ruins. Haja reuniões! É bem mais fácil o professor dar provas
mais fáceis. Se o aluno comete indisciplinas em sala de aula, é mais fácil
pressionar o professor para suportar o comportamento do aluno do que tentar
discipliná-lo. Pois o diretor vai ter de marcar reunião com os pais do aluno,
que podem ser muito desrespeitosos. Isso dá trabalho. Como dá trabalho também
suspender alunos com indisciplinas graves. Dizem que a secretaria pode “pegar
no pé”. Em todas essas situações, o ensino é deixado de lado para dar lugar a
outros interesses. Aí, podem contratar os melhores professores do mundo que não
darão jeito. Podem comprar tablets, diminuir as disciplinas, implantar métodos
de ensino revolucionários que não vai adiantar.
É preciso que o professor secundarista seja o condutor maior
da educação básica brasileira. O autor da aula é o professor. Ele é o quem mais
tem contato com o aluno no tratamento do conteúdo apresentado. Assim, é ele que
tem mais propriedade para apontar as dificuldades de aprendizado dos alunos e
propor as medidas adequadas para garantir o aprendizado do conteúdo. Mas o que
se vê são outros profissionais e cidadãos ditando as ações educacionais. E, na
maior parte das vezes, falam sobre o que não sabem (conteúdo) e sobre o que não
veem (atividades dos alunos).
Antes de mais nada, é preciso permitir que o professor exija
que o estudante estude. Se o professor não pode cobrar leitura, exercícios e
disciplina, não consegue expor conteúdos e orientar os alunos. Nessa situação,
o professor não exerce sua função e o estudante não exerce a dele. Vejam que nem
sua função básica a educação brasileira consegue executar. A sociedade quer
colocar banco de couro em carro sem chassi. E termina por conseguir duas
coisas: permitir todo tipo de maus-tratos para com o professor dentro da
escola, com professores sendo sistematicamente desrespeitados e agredidos
verbalmente pelos alunos, como também cotidianamente assediados moralmente por
pedagogos e diretores; e deformar o intelecto e a moral dos alunos. Os alunos
saem da escola analfabetos funcionais e marginais das regras e leis da
sociedade.
Gazeta do Povo 15 de Agosto de 2017
domingo, 20 de agosto de 2017
"Beber é uma coisa emotiva. É um ato que cria uma
quebra na mesmice da rotina. Tira você do seu corpo e da sua mente e te joga
contra a parede. Sinto que beber é como uma forma de suicídio em que você pode
voltar à vida e começar tudo de novo no dia seguinte. É como se matar, e nascer
outra vez. Acho que eu vivi umas dez ou quinze mil vidas até agora."
Bukowski
sexta-feira, 18 de agosto de 2017
Aleluia é parente de João Doria ! Como a classe dominante
brasileira é formada por grandes estruturas de parentescos políticos do atraso
! O jovem vereador de Salvador, Bahia, Alexandre Aleluia (DEM) tenta impedir a
entrega do título de “Doutor Honoris Causa” ao Ex-Presidente Lula, criador e
fundador da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, com apoio de setores
reacionários na justiça. O vereador Alexandre Aleluia (DEM) é filho do deputado
federal José Carlos Aleluia (DEM), neto do coronel Nivaldo José da Costa e
quinto neto de José da Costa Doria, sim, parentes do mesmo clã Costa Doria do
prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), descendentes do senhoriato colonial
escravista nordestino. O Recôncavo Baiano era um lugar somente para engenhos
escravistas agroexportadores e uma universidade, modernidade, ciência,
tecnologia e cultura, sempre despertam o antagonismo de setores reacionários de
direita, da velha classe dominante colonial, com mentalidade ainda colonizada e
autoritária.
RCO
terça-feira, 15 de agosto de 2017
Já conheço os passos dessa estrada
sei que não vai dar em nada
seus segredos sei de cór
já conheço as pedras do caminho
e sei também que ali sozinho
eu vou ficar, tanto pior
o que é que eu posso contra o encanto
desse amor que eu nego tanto
evito tanto
e que no entanto
volta sempre a enfeitiçar
com seus mesmos tristes velhos fatos
que num álbum de retrato
eu teimo em colecionar
Lá vou eu de novo como um tolo
procurar o desconsolo
que cansei de conhecer
novos dias tristes, noites claras
versos, cartas, minha cara
ainda volto a lhe escrever
pra lhe dizer que isso é pecado
eu trago o peito tão marcado
de lembranças do passado
e você sabe a razão
vou colecionar mais um soneto
outro retrato em branco e preto
a maltratar meu coração.
Juan Zapato | febrero 9, 2012 at 3:57 pm | Etiquetas: Bossa
Nova, MPB, Paul Sonnenberg en el Blog de Juan Zapato, Poesía de Brasil, Tom
Jobim & Chico Buarque en el Blog de Juan Zapato | Categorías: Acuarelas,
América Latina, Blogroll, Bossa Nova, Chico Buarque, Música, Música
latinoamericana, Paul Sonnenberg, Poetry, Tom Jobim | URL: http://wp.me/p5c8l-D7
mi abuelo lo único que hacía era afeitarse y temblar
frente al televisor.
mi padre todas las mañanas se perdía en el campo,
transformado en un punto tridimensional de la nieve.
regresaba con una sonrisa mística en su rostro y nadie
sabía por qué.
en verano también esa misma sonrisa y frutillas
en sus manos, en primavera frambuesas.
la sonrisa de mi padre traía frutos maravillosos.
mi abuelo temblaba cada día más, su cabeza recaía
como mandolina y se erguía como un piano.
un día mi padre regresó con manzanas
mi abuelo dio con la clave del silencio.
Natalia Litvinova Poema del libro “Esteparia” Ediciones del Dock, 2010, Argentina.
segunda-feira, 14 de agosto de 2017
1949: Primeiras eleições parlamentares na Alemanha
INSTANTÂNEOS: NAZIFASCISMO E 2ª GUERRA MUNDIAL
1933: Brecht
foge da Alemanha
1933: Repressão ao Partido Comunista da Alemanha
1933: Aprovação
da Lei Plenipotenciária
1933: UFA demitia funcionários judeus
1933: Grande queima
de livros pelos nazistas
1933: DVP e DNVP se dissolvem
1933: Hitler controlava a
imprensa falada
1933: Alemanha deixa a Liga das Nações
1934: Hitler manda
executar Ernst Röhm
1934: Nazistas assassinam ditador da Áustria
1934: Regime
nazista começou a intervir na Justiça
1935: Nazistas cassam cidadania alemã de
escritores e oposicionistas
1936: Abertura dos Jogos Olímpicos de Berlim
1936:
Constituição do Eixo Berlim-Roma
1936: Thomas Mann é expatriado
1938: O pogrom da
"Noite dos Cristais"
1939: Assinado o Pacto de Não-Agressão
1939:
Eslováquia torna-se independente
1939: Alemanha invade a Polônia
1939: Programa
nazista de extermínio
1939: Soviéticos invadem a Polônia
1939: Primeiro atentado
contra Hitler
1940: Alemanha inicia ofensiva ocidental
1940: França e Alemanha
acertaram cessar-fogo na 2ª Guerra
1940: Estreia do filme "O judeu
Süss"
1940: Crianças alemãs refugiam-se dos bombardeios
1941: Selada aliança
entre Londres e Moscou
1941: EUA decidem construir a bomba atômica
1941: Aberto o
campo de concentração de Theresienstadt
1942: Começa a Conferência de Wannsee,
que consolidou o Holocausto
1942: Genocídio dos judeus poloneses
1942: Judeus
proibidos de ter animais domésticos
1942: Ofensiva dos Aliados em El
Alamein
1942: Anne Frank inicia seu diário
1942: Tropas nazistas conquistavam
Tobruk, na Líbia
1942: Resistência antinazista "Rosa Branca" distribui
panfletos
1942: Pedagogo Janusz Korczak é deportado para Treblinka
1942: Fracassa
primeiro desembarque na Normandia
1942: Tropas alemãs invadem o sul da
França
1943: Goebbels declara guerra total
No dia 14 de agosto de 1949, foram realizadas na então
recém-criada República Federal da Alemanha as primeiras eleições parlamentares.
"Amanhã, todos os eleitores devem comparecer às urnas e
votar para o primeiro Parlamento federal. Quem não votar agora, obviamente não
vai ter direito de reclamar depois." Na noite de 13 de agosto de 1949, um
sábado, Wilhelm Kaisen, presidente da Assembléia de Bremen, convocava pelo
rádio para a primeira eleição realizada na República Federal da Alemanha.
O país acabara de se constituir. Em consequência do
agravamento das tensões entre as três potências ocidentais e a União Soviética,
que ocupavam a Alemanha desde o final da Segunda Guerra Mundial em 1945, as
assembléias das zonas de ocupação ocidentais haviam convocado um Conselho
Parlamentar. Este redigira a Constituição e aprovara uma lei que regulamentava
as eleições parlamentares.
A campanha eleitoral na Alemanha ainda coberta de escombros
foi modesta, sem os marqueteiros de hoje, com muita improvisação e o empenho
pessoal dos candidatos em seus distritos eleitorais.
Domínio de dois partidos
A União Democrata Cristã (CDU) e o Partido Social Democrata
(SPD), até hoje os maiores partidos da Alemanha, já dominavam o cenário
político.
A CDU tinha fortes representantes: Konrad Adenauer, que
presidira o Conselho Parlamentar e concorria ao cargo de chanceler federal, e
Ludwig Erhard, pai da reforma monetária e da economia de livre mercado. Ambos
defendiam a integração da República Federal da Alemanha no mundo ocidental e o
fortalecimento da economia de mercado. O candidato da social-democracia era
Kurt Schumacher.
Governo de coalizão
O índice de comparecimento às urnas no domingo 14 de agosto
foi alto: 78,5%. Os dois principais partidos quase empataram: a CDU obteve 31%
e o SPD, 29,2% dos votos. Ao todo, conseguiram ingressar no Bundestag
representantes de oito partidos políticos e três candidatos independentes, que
se elegeram diretamente em seus distritos eleitorais.
A CDU formou uma coalizão com o Partido Liberal (FDP) e o
então Partido Alemão (DP) e, numa sessão realizada em 15 de setembro, o
Bundestag elegeu Konrad Adenauer o primeiro chanceler federal com maioria de
apenas um voto.
Adenauer e seu ministro da Economia, Ludwig Erhard, foram responsáveis
pelo "milagre econômico" que caracterizou os primeiros anos de
existência da República Federal da Alemanha, mas também pela estagnação
político-social do país. O SPD precisou amargar o papel de partido da oposição
até 1967, quando formou uma ampla coalizão com a CDU.
Autoria Hermann J. Maesse (lk)
sábado, 12 de agosto de 2017
Fui ver Planeta dos Macacos: A Guerra, um bom filme de
ficção científica, como há muito tempo eu não via. A intertextualidade do
enredo me chamou a atenção. Notei referências a filmes como: Guerra do Fogo e
King Kong. No plano teórico, a fundamentação está na teoria de Darwin, que
sustenta parentesco da espécie humana com os macacos. Mas, é possível também
perceber Engels, com sua obra O Papel do Trabalho na Transformação do Macaco em
Homem. O filme joga o tempo todo com a discussão sobre o humano e inumano.
Nisso, o trabalho aparece como mecanismo associado à evolução da espécie
humana. É justamente isso que Engels fez, aproximou darwnismo e marxismo,
mostrando o trabalho como responsável pela evolução humana. Na trama do filme,
são os macacos que trabalham como escravos (trabalho alienado/explorado). Por
isso, o trabalho não emancipa, mas mantém os primatas em sua condição original.
Há, ainda, uma discussão a respeito do antagonismo barbárie versus civilização.
Porém, a lógica é invertida, os macacos são apresentados como
"civilizados" e os humanos como "bárbaros". A humanidade
converte-se em monstruosidade violenta. Encontrei referências bíblicas também,
como ao Apocalipse: o alfa e ômega (princípio e fim) e o dilúvio do Gênesis.
Temas candentes da nossa época estão presentes: a guerra biológica e militar e
a questão do petróleo. É possível encarar o conflito entre humanos e macacos na
perspectiva da luta de classes (sem querer viajar muito). Enfim, é um filme de
narrativa densa e complexa, daqueles que faz pensar. Depois, para finalizar o
dia, fui numa palestra sobre laicidade e educação, na qual um dos
conferencistas afirmou que o ensino do criacionismo nas escolas públicas é uma
das demandas atuais mais recorrentes no que concerne ao controle ideológico do
ensino. A vida é mesmo dialética.
Rodrigo Augusto
7 de agosto · Curitiba, Paraná ·
Sou sujeito fêmea! E o Chico Buarque patrulhado pela direita
como petralha, comunista, bolivariano, boquinha da Rouanet e agora pela
esquerda como machista, old school, datado, babão, etc. Ai você vai lá ouvir a
música, linda, suave, "cantiga" de ninar para adultos e só lembro de
Nelson Rodrigues (outro que vai cair em desgraça rs) falando dos "idiotas
da objetividade". O mundo sem metáforas, o mundo da "denotação"
e do "literal", o mundo sem "simbólico" é insuportável.
O cara diz que "larga mulher e filhos" e alguém já
lê como: um cafajestão que vai abandonar as crianças à mingua e deixar de pagar
pensão e dar atenção?!!! Mais um macho abandonador de cria (uma realidade por
todo o Brasil, minas largadas pra criar filho sozinho, ok, real), mas tenho
dificuldade de enxergar nas letras e músicas de Chico, um mulherófilo old
school, todo derramado, quase uma caricatura do "homem sensível",
essa subjetividade abandonante.
O cara diz assim "Na nossa casa/Serás rainha Serás
cruel, talvez/Vais fazer manha/Me aperrear/E eu, sempre mais feliz". Ai
vem lá um "Que mané rainha"? hahaha. Sou sujeito fêmea independente.
Sai pra lá machão romântico, preciso de você pra nada, etc. Em um mundo em que
os machinhos descolados não dão bom dia para a mina com quem transaram na noite
anterior, e se escondem e fogem dos afetos, o Chico é um manifesto Bin Laden de
maturidade masculina : ) Está ali, dizendo que aceita praticamente tudo o que a
moça pedir, entregue no humilde lirismo.E por ai vai. Enfim. Música, cinema,
texto, cantigas são "obras abertas". Não é o estatuto contra a
violência doméstica ou qualquer outro mecanismo de lei de proteção das mulheres
que tem que ser cumprido na sua literalidade.
A parte boa é saber que Chico Buarque cumpre com esse debate
todo uma "função", como Freixo e como muitos outros homens cumprirão.
Vão pagar o pedágio do machismo, do patriarcalismo, real e violento, que temos
sim que combater e denunciar cotidianamente e que pode sim se esconder até nos
seus lindos olhos verdes : ) Um "lugar" (foi ele, mas podia ser
qualquer outro) no importante debate dos feminismos, um momento pedagógico que
desnaturaliza tudo. Todo momento inaugural de algo é furioso e desestabilizador,
dogmático também e as vezes redutor.
Acho fantástica essa consciência das mulheres e da sociedade
brasileira do sujeito fêmea, dos feminismos todos. Chico fez e faz a crônica de
outros mundos e subjetividades, complexas, adultas, não "objetivas".
Eu odiaria viver em um mundo sem metáforas! #cantiga #chicobuarque #feminismos
Ivana Bentes
A partir de segunda-feira Temer anunciará o congelamento de
todos os salários de professores universitários por tempo indeterminado e
limitará os novos salários a um teto de R$ 5.000,00 para os novos professores,
também por tempo indeterminado (isso valerá igualmente para o resto do setor
público). Ainda, será apresentada uma PEC para cobrança de mensalidades nas
Universidades Públicas, que tem potencial de aprovação desse congresso que está
aí. Então, aqueles professores universitários que votaram no Aécio Neves, que
apoiaram o GOLPE DE 2016 e foram para as ruas cornetar a Dilma e que bateram
panelas, analfabetos políticos diga-se de passagem, também comerão o pão que o
diabo do Temer amassará. Isso será institucionalizado!
Embora sejam professores, estes que votaram no Aécio e
apoiaram o GOLPE
nunca se interessaram pela história política das
Universidades Públicas, tampouco se importaram se o LULA e Dilma abriram novas
universidades, pois eles queriam mesmo é mamar na teta do setor público. Agora
é que eles entenderão o que eu dizia para muitos deles e também para seus pares
naqueles tempos em que eu os alertava e eles me chamavam de louco!"
Por Vander Neves.
Cuando niño, buscaba yo fantasmas
Cuando niño, buscaba yo fantasmas
en calladas estancias, cuevas, ruinas
y bosques estrellados; mis temerosos pasos
ansiaban conversar con los difuntos.
Invocaba esos nombres que la superstición
inculca. En vano fue esa búsqueda.
Mientras meditaba el sentido
de la vida, a la hora en que el viento corteja
cuanto vive y fecunda
nuevas aves y plantas,
de pronto sobre mí cayó tu sombra.
Mi garganta exhaló un grito de éxtasis.
PERCY BYSSHE SHELLEY
Biblioteca Digital Ciudad Seva
domingo, 6 de agosto de 2017
nossa triste condição de Estado bandido, comandado por bandidos e para bandidos
Existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Depois dessa votação na Câmara protegendo temer et caterva
só posso lembrar da nossa triste condição de Estado bandido, comandado por
bandidos e para bandidos, o que não é lamentavelmente novidade. Vem a memória
esses versos sempre atuais de Castro Alves.
Significado nas artes visuais
"Nove dias antes de sua morte, Emmanuel Kant recebeu a
visita de seu médico. Velho, doente e quase cego, levantou-se da cadeira e
ficou em pé, tremendo de fraqueza e murmurando palavras ininteligíveis.
Finalmente, seu fiel acompanhante compreendeu que ele não se sentaria antes que
sua visita o fizesse. Este assim fez e só então Kant deixou-se levar para sua
cadeira e, depois de recobrar um pouco as forças disse: 'Das Gefül für
Humanität, hat mich noch nicht verlassen'. Os dois homens comoveram-se até as
lágrimas. Pois, embora a palavra 'Humanität' apresentasse, no século XVIII, um
significado quase igual a polidez ou civilidade, tinha, para Kant, uma significação
muito mais profunda, que as circunstâncias do momento serviram para enfatizar:
a trágica e orgulhosa consciência no homem de princípios por ele mesmo
aprovados e auto-impostos, contrastando com sua total sujeição à doença, à
decadência, e a tudo o que implica o termo 'mortalidade'."
(PANOFSKY, Erwin. "Significado nas artes visuais".
tr. Maria Clara F. Kneese e J. Guinsburg. São Paulo: Perspectiva, 2014. p.
19-20)
O modo default de funcionamento do Estado sob a direção da
classe dominante brasileira arcaica, especificamente a paulista, com Temer, a
FIEP e mais o centrão do "café com leite" porque os golpistas só
sobreviveram com os votos de Minas Gerais, do PSDB, das áreas rurais e das
regiões agrícolas do país, tudo para seguirem no modo de reprodução e
aprofundamento das desigualdades sociais internas (desde a escravidão) e a
subalternidade entreguista internacional (desde o colonialismo). O fator que
ainda não entrou em cena é a juventude, os jovens com menos de 30 anos e que
tiveram os melhores 13 anos da história do Brasil com Lula, Dilma e o PT,
quando a imensa maioria desses jovens melhorou de vida em relação aos pais,
desde a diminuição da fome e pobreza, o aumento da renda, educação, políticas
públicas e políticas sociais. Esta juventude foi engabelada, enganada e
manipulada nas jornadas de junho de 2013, queimando a sua entrada precoce na
política e ajudando a eleger o pior Congresso desde a República Velha com
Eduardo Cunha e escória semelhante de votantes em Temer. Porém, a qualquer
momento podem despertar nas novas contradições, tal como foram os jovens as
principais forças em qualquer momento de progresso no Brasil, como em 1889, em
1930, nos Governos de Vargas, Jango, Brizola, na redemocratização de 1982 e
depois com Lula e Dilma. O status quo desse governo bandido de Temer sofre uma
contestação, uma pressão subterrânea crescente e lembremos que uma avalanche,
um terremoto, um maremoto, um grande incêndio sempre começam com uma aparente e
ilusória calma, quando as energias subterrâneas já estão a se acumularem, a se
posicionarem bem antes de serem ativas e visíveis. Vai rolar, é questão de
tempo !
RCO
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