quinta-feira, 2 de março de 2017

Embora a França esteja cada vez mais próxima de ter um governo que desvele no voto o que representou de fato a relação da burguesia francesa e agora parte da classe trabalhadora com o uber fascismus. Entre o ideal e como a França se vê e propaga e como no cotidiano se relaciona com a alteridade.

 A vitória da esquerda deve ser concretizada numa ação de esquerda, discurso sem prática é fumaça nos olhos.

Wilson Roberto Nogueira
engolir - se, como comer fogo para disseminar devastações espirituais tem sido comum ao meu testemunho. tenho visto gigantes do sentir quebrando suas raízes sem que ninguém o saiba e mantendo o sorriso que é um muro com peixes dentro e sereias glutonas de sentido e meninos querendo fugir pra condição de pássaro. se contasse o que tenho visto pela fresta das abominações de encanto humano, qualquer um diria que fundi a cuca. queria ser porto para tanto balanço, sintonia de algo mais acolhedor. mas vejo tormenta, essa é a tela incurável pregada nas minhas pálpebras, esse é o ritmo ensurdecedor, mãe de um novo escutar
Não conhecemos a nossa própria alma e muito menos a dos outros. (...) Há, em cada um de nós, uma floresta virgem, emaranhada, inexplorada; um campo nevado onde não se veem nem pegadas de pássaros.
(...)
Eles marcham para a batalha. Nós flutuamos com os gravetos na corrente; nos confundimos com as folhas mortas na clareira entre as árvores, irresponsáveis e desinteressados e aptos, talvez, pela primeira vez em anos, para olhar em volta, olhar para cima _ olhar, por exemplo, para o céu.

Virginia Broken Wings Woolf

quarta-feira, 1 de março de 2017

confissão

confissão
esperando pela morte
como um gato
que vai pular
na cama
sinto muita pena de
minha mulher
ela vai ver este
corpo
rijo e
branco
vai sacudi-lo
talvez
sacudi-lo de novo:
hank!
e hank não vai
responder
não é minha morte que me
preocupa, é minha mulher
deixada sozinha com este monte
de coisa
nenhuma.
no entanto
eu quero que ela
saiba
que dormir
todas as noites
a seu lado
e mesmo as
discussões mais banais
eram coisas
realmente esplêndidas
e as palavras
difíceis
que sempre tive medo de
dizer
podem agora
ser ditas:
eu te
amo.
.
confession
waiting for death
like a cat
that will jump on the
bed
I am so very sorry for
my wife
she will see this
stiff
white
body
shake it once, then
maybe
again
“Hank!”
Hank won’t
answer.
it’s not my death that
worries me, it’s my wife
left with this
pile of
nothing.
I want to
let her know
though
that all the nights
sleeping
beside her
even the useless
arguments
were things
ever splendid
and the hard
words
I ever feared to
say
can now be
said:
I love
you.
– Charles Bukowski, em “Os 25 Melhores Poemas de Charles Bukowski”. [tradução Jorge Wanderley]. Edição Bilíngüe, 2ªed., Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 2003.

.revistaprosaversoearte.com
"Os romances retratam o indivíduo na sociedade, seja por meio de Balzac ou Dostoiévski, e transmitem conhecimentos sobre sentimentos, paixões e contradições humanas. A poesia é também importante, nos ajuda a reconhecer e a viver a qualidade poética da vida. As grandes obras de arte, como a música de Beethoven, desenvolvem em nós um sentimento vital, que é a emoção estética, que nos possibilita reconhecer a beleza, a bondade e a harmonia. Literatura e artes não podem ser tratadas no currículo escolar como conhecimento secundário."
.
- Edgar Morin

Templo cultural delfos

A MUSA DOENTE



Que manhã trazes, ó musa em mágoas?
Teus olhos fundos de visões macabras
em teu rosto emergem das negras águas
a fria doida dor na qual, só, te acabas.

Que duende obsessor ou exu de encosto
te seduziu para a euforia infame de tua turma?
Que pesadelo ainda se repete no teu rosto,
como se tragada em lodos de promíscua furna?

Tomara Deus que, voltando à boa velha forma,
teu pensamento batuque outro ritmo
e que, nele, Jesus Cristo toque teu íntimo

com o primitivo poema da magnânima norma,
que no eco dos anjos soa dulcíssima cantiga
e nos campos do senhor te estende a mão amiga.

Charles Baudelaire (França, 1821/1867)
Livre adaptação de Antonio Thadeu Wojciechowski e Roberto Prado


TRÊS PALAVRAS ESTRANHAS DEMAIS


Quando digo a palavra FUTURO,
a primeira sílaba já é passado.
Quando peço SILÊNCIO,
eu faço muito barulho.
Quando eu falo NADA,
nenhum não-ser pode reter esse bagulho.
.
WISLAWA SZYMBORSKA

Por antonio thadeu wojciechowski

ALEGRIA DE ESCREVER



Aonde vai com tanta pressa o cervo escrito
na floresta que escrevi?
Beber da água escrita,
com as letras de seu focinho?
Por que a cabeça se ergue? Escutou algo?
Firme nas quatro patas da verossimilhança,
ele é todo ouvidos em suas orelhas sob meus dedos.
Silêncio – essa palavra ecoa na textura do papel,
fazendo brotar galhos-letras da palavra floresta.
Sobre a folha em branco há outras à espreita
que podem ir pelo mau caminho
formando ameaças com sílabas em riste
às quais nada escapa.
Em cada letra há um estoque considerável
de caçadores com o dedo no cão,
basta um pouco de ação
para cercar o cervo e armar o olho na mira.
Nunca esqueçam que aqui não há vida de verdade.
O preto no branco tem outras leis.
Num piscar de olhos tenho o tempo que eu quiser
e posso dividi-lo em imedíveis eternidades,
cada qual com seu chumbo grosso em pleno voo.
Aqui nada acontece sem meu aval.
Contra minha vontade, nem uma folha cai
e grama alguma se curva sob o casco do cervo.
Mas então existe um mundo
onde eu posso impor o destino?
Um tempo que obedece uma corrente de sinais?
Vidas, sob minhas ordens, sem finais?

Oh! Alegria de escrever!
O poder imortal do criador:
vingança de minha mão por ser mortal.

WISLAWA SZYMBORSKA

Por antonio thadeu wojciechowski

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017


De maneira geral, homens héteros têm poucas amigas héteros solteiras. Isso tem razões históricas devido ao tratamento inferior e desrespeitoso que os homens prestavam e prestam às mulheres. Entre outras coisas, isso causou o seguinte comportamento nas mulheres héteros: você impressiona ou é pretendido para casamento, ou você não serve pra nenhum outro tipo de relação mais íntima. Já os "príncipes" têm mais amigas que os demais. Comparado com que fizemos e fazemos com as mulheres, isso não é nada. É quase um "bem feito!" para boa parte dos homens. Mas superar tal comportamento é mais um auxílio em direção a igualdade de gênero.

Thiago Melo 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017


Duas verdades da política que convém relembrar nos dias atuais: governo ruim não é necessariamente governo instável e vice-versa; governo ultra-conservador não é necessariamente anti-democrático até prova em contrário.Reconhecer essas verdades básicas é fundamental para traçar uma estratégia oposicionista adequada. Às vezes a democracia tem de sofrer um choque de realidade para apreender algumas lições. Keep calm and study political science...

Sérgio Braga
"O desemprego está aumentando. O poder aquisitivo dos salários, diminuindo - hoje o valor médio pago na indústria é menor do que o da China. Milhões de pessoas voltaram a ficar abaixo da linha de pobreza.
Isso não é um retrato do fracasso do governo golpista. É o indício de que ele está conseguindo fazer o que se propôs: fragilizar a classe trabalhadora.
O passo seguinte é a abolição das leis trabalhistas, que é o que significa a famosa 'prevalência do negociado sobre o legislado'. Trabalhadores fragilizados, cercados por um exército de reserva crescente, serão compelidos a trocar direitos por emprego, na "livre negociação" entre Golias e Davi. Lembrando: Davi só ganha na história bíblica. Fora dela, pode apostar em Golias, que é barbada.
Para completar, a 'reforma do ensino médio' institucionaliza o apartheid educacional no Brasil e retira dos trabalhadores até mesmo a esperança da mobilidade social individual."

Luis Felipe Miguel
a garantia de que NUNCA chegaremos a viver tempos de trabalho 100% automatizado, reside no fato de que robôs não bebem Coca-Cola...

Henrique Collares 

MAS DE UNA..


Cuando estamos en el señor verano del amor, es cómo estar en el desierto del corazón.
Por eso hay que estar siempre en las primaveras universales del Romanticismo para que no haya resequedad en las felicidades del amor y las del corazón.
.
Un verano árido sin abono es cómo no tener sentimientos en el alma.
Unos dirán, pero yo ando sólo y mi verano no es triste sino desolado.
Un verano triste y desolado, pero tienes aguas que te llegan al alma de vez en cuando a darle vida al corazón.
Y él corazón es un laberinto que sabe acumular para regar por dentro más de una felicidad.


Maxmiliano Rios Duran
"Raduan Nassar realmente merece todas as glórias. Autor de apenas três ou quatro livros excelentes, ganhou todos os prêmios literários e só abre a boca quando tem algo de relevante a dizer. Esse seu estilo conciso e sem afetação talvez seja uma de suas maiores qualidades, além da simplicidade e completa ausência de sabujice aos poderes constituídos. Um exemplo a ser seguido nesses tempos nada exemplares. Em vez de cultuar beleguins e "ôtoridades" de poucas letras, a juventude deveria se mirar no exemplo desse grande escritor, e conhecer melhor sua obra e sua vida. Depois ainda dizem que no Brasil não existem pessoas dignas em quem devemos nos inspirar..." (Sérgio Braga)

A institucionalidade do elitismo burocrático desnaturalizador da classe trabalhadora

Sérgio Braga______Um sociólogo norte-americano dos anos 50 já deu o diagnóstico: com o deslocamento geográfico de um segmento da classe média intelectualizada para os "campi" universitários, um setor importante da esquerda, que varia de numero segundo a institucionalização do aparelho burocrático-universitário de país para país, separou sua experiência de vida quotidiana da grande massa da classe trabalhadora. Daí que surjam tantas palavras de ordem e arroubos radicais dos quais a massa sequer toma conhecimento. A pergunta que se coloca é: as redes sociais agravaram esse fenômeno, insulando ainda mais os "liberals" do restante da população comum, ou serviram para "reconectar" as camadas médias liberais com o duro e sofrido cotidiano do cidadão comum? Talvez esteja aí a fonte do famoso "mal-estar" com a democracia monitorada que tantos ideólogos sentem...


Mariana R Espinosa__________ Interessante. Acho que a universidade federal com seus ritos, formas e status não deixa ser aquelas pessoas que vem de classe social menos privilegiadas. Mas de uma vez presenciei e vivenciei represarias por expressar pautas o comportamentos de classe trabalhadora. Um detalhe que sempre reparo é que aqui não cumprimentam os funcionários de limpeza o aqueles que estão na porta. De modo que, existe a possibilidade de que as instituições tenham certo padrão tendem a obrigar o coagir a quem deseje permanecer nela, um comportamento que pode ser contrário a sua própria classe.

O Monitor Legislativo

Sérgio Braga____________O Monitor Legislativo. Pergunta inocente: se o parlamento não tem importância no sistema político brasileiro, como dizem muitos politólogos, por que a Odebrecht e outras empresas gastavam tanto dinheiro com os políticos como mostram os relatórios das delações? Algum entendido aí pode explicar? Ou os executivos da Odebrecht não entendem patavinas de neoinstitucionalismo?

Edilson Montrose _________Pertinente. Mas acho que também seria o caso de aferirmos o quanto de sucesso teve a Odebrecht et.al. no lobby junto ao Legislativo: quantas leis, ou outras proposições legislativas, conseguiram emplacar; tais leis emplacaram porque tinha apoio do Executivo? Ou emplacaram mesmo contra o desejo deste?

Sérgio Braga____________ Edilson Montrose. A meu ver essa tese da ausência de relevância do parlamento é uma das grandes falácias que circulam por ai, e só se explica pela adesão de boa parte de nossos intelectuais ao populismo explícito. Essa contagem de leis tem pouca relevância e serve apenas para fazer levantamentos quantitativos preliminares. O importante são "pequenas" alterações nos textos dos projetos durante sua tramitação, como pode ser verificado pela leitura das delações. É aí que ocorre o lobby e onde o parlamento pode impor sua vontade ao executivo, mesmo com o poder de veto deste. Não se esqueça que a gloriosa Petrobrás, no formato em que a conhecemos, surgiu de uma pequena emenda ao texto do PL que a criou, e que não contemplava o monopólio da exploração. Uma pequena alteração legal, muitas vezes imperceptível para o leigo, pode gerar diferenças colossais na elaboração das políticas públicas ao longo do tempo. Aprendi isso com o saudoso Goffredo Telles, mas as delações deixam isso muito claro.

Sérgio Braga ____________Dos 20 países com maior IDH e onde os trabalhadores tem maior qualidade de vida, 19 são parlamentaristas, onde partidos social-democratas possuem grandes bancadas ou maioria no parlamento. Isso parece ser um mero detalhe para a maioria de nossos pensadores e bolivarianos de esquerda e de direita....

Edilson Montrose__________ 1- Fecho com o parlamentarismo, também me parece melhor, dá uma feição mais programática aos partidos. E isso, para um espectro de esquerda, a qual me reivindico, considero deveras importante. O Décio Saes tem um bom texto defendendo o parlamentarismo. 2 - Quanto a importância somente relativa do Congresso Nacional, que é a tese dos neo-institucionalistas, me parece que ela deriva menos de pendores populistas, mas sim, de aferições robustas dos poderes de agenda do Executivo, bem como das taxas de dominância e sucesso. As teses dos brasilianistas (Ames, Maniwaring) me parecem ser um modo de encaixar a configuração do modelo institucional brasileiro na teoria eleitoral deles, mas não me parece que dá certo. Eu tive aula com o Limongi, obviamente que sou mais influenciado pelas teses deles e outros neo-institucionalistas. Mas tô ligado que você e outros tem críticas qualificadas. Vamos debater, é capaz de me convencer....hahahaha

Sérgio Braga____________ Edilson Montrose Sim, Edilson Montrose. Eu conheço o debate. Mas há autores que criticam os Limongi por várias vias, além do Ames e Mainwaring: taxa de atropelamento; importâncias das emendas na tramitação dos projetos; ausência de aprovação da agenda declarada do executivo etc.. Lula, por exemplo, durante sua primeira campanha eleitoral disse que iria fazer quatro reformas: a) política; b) tributária; c) trabalhista etc. etc. Para visualizar melhor o propalado "poder de agenda" do Executivo, você pode tentar encontrar 10 propostas do PT que foram ou não implementadas durante os 14 anos que o partido esteve no governo: http://www1.folha.uol.com.br/.../candidatos-lula-programa... É um ótimo passatempo para noites insones.

Edilson Montrose _____________Sérgio, óbvio que você conhece o estado das artes do debate. Sua tese inclusive fala disso (a qual iniciei a leitura ano passado, não terminei de ler, mas prometo fazê-lo). Mas fique registrado: vamos cerrar fileiras em defesa do parlamentarismo.

Sérgio Braga________________ Edilson Montrose Sim, Edilson Montrose. Mas eu deixei de fora muita coisa na tese, que não me satisfez. Espero ter tempo de reescreve-la algum dia. Sobre o parlamentarismo, a melhor defesa que conheço adaptada ao contexto brasileiro é a feita por Ives Gandra e pelo Dr. Franco Montoro: https://www.youtube.com/watch?v=yOmCtyOmdHQ

Edilson Montrose____________ Ives Gandra???? Amanhã eu assisto, do contrário terei pesadelos. Em tempo: Montoro foi bom. Desde que nasci, 79, com certeza foi o melhor governador que SP teve no período.


Sérgio Braga ________________Edilson Montrose O Ives Gandra é Opus Dei, mas a defesa que ele faz do parlamentarismo é bastante interessante.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Rei Leopold II: O Holocausto oculto no Congo


Quando se fala em atrocidade, um nome, inevitavelmente, vem à cabeça: Hitler! Mas, agora, outro nome se juntará à galeria dos monstros da história da humanidade: o do rei Leopoldo II, da Bélgica. E isso graças ao escritor polonês, naturalizado britânico, Adam Hochschild, que no livro “O Fantasma do Rei Leopoldo”, relata uma das maiores chacinas já cometidas em nome do poder, a mando do rei belga, quando colonizou o Congo (atual Zaire), no continente africano. As piores atrocidades aconteceram entre 1890 e 1910, tudo isso sem que o rei colocasse os pés na África e com o aval dos líderes mundiais, que fizeram “vista grossa”, enquanto milhares de congoleses sucumbiam ante a tirania do “filantrópico e humanitário” rei, que aos olhos do mundo “apenas libertava aquele povo medieval de uma ignorância crônica, levando até eles as benesses da civilização”.

Congo Belga, como ficou conhecido na época, foi uma das grandes fontes de riqueza para a minúscula Bélgica, que se enriqueceu com a venda de marfins. Outra fonte de riqueza foi a extração da borracha, responsável pelo desaparecimento de muitas espécies de árvores nativas daquela região.

Mas foi em outro aspecto que a tirania do rei Leopoldo mais se acentuou: na instituição do trabalho escravo. A ordem era lucrar muito com pouco investimento, e isso, logicamente, significava não se preocupar com a folha de pagamento. Muitos oficiais belgas foram enviados ao Congo, após previamente estudarem um “Manual”, onde se ensinavam as “técnicas” de como subjugar o povo. No dizer do próprio autor, “poucas vezes a história nos oferece uma chance como essa de ver instruções detalhadas de como executar um regime de terror”. São muitas as atrocidades, impossíveis de serem descritas, uma delas são as mãos cortadas. Mas, para quem pensava que no ranking dos monstros da humanidade, Hitler fosse imbatível, uma novidade: o pódio é também ocupado pelo rei Leopoldo II, da Bélgica, que traz em seu currículo 8 milhões de africanos dizimados, contra 6 milhões de judeus mortos, inseridos no histórico do austríaco.

O poeta norte-americano Vachel Lindsay traduziu bem a impressão deixada por Leopoldo, após sua morte:
“Ouçam como grita o fantasma de Leopoldo/A queimar no inferno por suas hostes sem mãos./Escutem como riem e berram os demônios/Lá no inferno, a lhe cortar fora as mãos”.

FONTE: FDR / King Leopold's Ghost: A Story of Greed, Terror, and Heroism in Colonial Africa, Adam Hochschild, Mariner Books, 1999