quinta-feira, 29 de abril de 2010

Arrebátame, amor, águila esquiva…

Arrebátame, amor, águila esquiva,

mátame a desgarrón y a dentellada,

que tengo ya la queja amordazada

y entre tus garras la intención cautiva.



No finjas más, no ocultes la excesiva

hambre de mí que te arde en la mirada.

No gires más la faz desmemoriada

y muerde de una vez la carne viva.



Batir tu vuelo siento impenetrable,

en retirada siempre y al acecho.

Tu sed eterna y ágil desafío.



Pues que eres al olvido invulnerable,

vulnérame ya, amor, deshazme el pecho

y anida en él, demonio y ángel mío.


                                                       Antonio Gala
***



Antonio Gala – Poeta, dramaturgo y novelista español nacido en Brazatortas, Ciudad Real en 1930. Cordobés por adopción, es licenciado en Derecho, Filosofía y Letras y Ciencias Políticas y Económicas. Ha cultivado todos los géneros literarios, incluidos el periodismo, el relato, el ensayo y el guión televisivo. Ha obtenido numerosos premios no sólo por la poesía, sino por su valiosa contribución al Teatro y la Ópera: Calderón de la Barca, Nacional de Literatura, Adonais, Ciudad de Barcelona, Quijote de Oro y Planeta, han sido sus galardones más significativos. De su obra poética se destacan las siguientes publicaciones: «Enemigo íntimo», «Sonetos de La Zubia», «Poemas de amor»

y «Testamento Andaluz».

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Romance sonâmbulo




Federico Garcia Lorca



(A Gloria Giner e a

Fernando de los Rios)









Verde que te quero verde.

Verde vento. Verdes ramas.

O barco vai sobre o mar

e o cavalo na montanha.

Com a sombra pela cintura

ela sonha na varanda,

verde carne, tranças verdes,

com olhos de fria prata.

Verde que te quero verde.

Por sob a lua gitana,

as coisas estão mirando-a

e ela não pode mirá-las.



Verde que te quero verde.

Grandes estrelas de escarcha

nascem com o peixe de sombra

que rasga o caminho da alva.

A figueira raspa o vento

a lixá-lo com as ramas,

e o monte, gato selvagem,

eriça as piteiras ásperas.



Mas quem virá? E por onde?…

Ela fica na varanda,

verde carne, tranças verdes,

ela sonha na água amarga.

— Compadre, dou meu cavalo

em troca de sua casa,

o arreio por seu espelho,

a faca por sua manta.

Compadre, venho sangrando

desde as passagens de Cabra.

— Se pudesse, meu mocinho,

esse negócio eu fechava.

No entanto eu já não sou eu,

nem a casa é minha casa.

— Compadre, quero morrer

com decência, em minha cama.

De ferro, se for possível,

e com lençóis de cambraia.

Não vês que enorme ferida

vai de meu peito à garganta?

— Trezentas rosas morenas

traz tua camisa branca.

Ressuma teu sangue e cheira

em redor de tua faixa.

No entanto eu já não sou eu,

nem a casa é minha casa.

— Que eu possa subir ao menos

até às altas varandas.

Que eu possa subir! que o possa

até às verdes varandas.

As balaustradas da lua

por onde retumba a água.



Já sobem os dois compadres

até às altas varandas.

Deixando um rastro de sangue.

Deixando um rastro de lágrimas.

Tremiam pelos telhados

pequenos faróis de lata.

Mil pandeiros de cristal

feriam a madrugada.



Verde que te quero verde,

verde vento, verdes ramas.

Os dois compadres subiram.

O vasto vento deixava

na boca um gosto esquisito

de menta, fel e alfavaca.

— Que é dela, compadre, dize-me

que é de tua filha amarga?

— Quantas vezes te esperou!

Quantas vezes te esperara,

rosto fresco, negras tranças,

aqui na verde varanda!



Sobre a face da cisterna

balançava-se a gitana.

Verde carne, tranças verdes,

com olhos de fria prata.

Ponta gelada de lua

sustenta-a por cima da água.

A noite se fez tão íntima

como uma pequena praça.

Lá fora, à porta, golpeando,

guardas-civis na cachaça.

Verde que te quero verde.

Verde vento. Verdes ramas.

O barco vai sobre o mar.

E o cavalo na montanha.





Federico Garcia Lorca nasceu na região de Granada, na Espanha, em 05 de junho de 1898, e faleceu nos arredores de Granada no dia 19 de agosto de 1936, assassinado pelos “Nacionalistas”. Nessa ocasião o general Franco dava início à guerra civil espanhola. Apesar de nunca ter sido comunista – apenas um socialista convicto que havia tomado posição a favor da República – Lorca, então com 38 anos, foi preso por um deputado católico direitista que justificou sua prisão sob a alegação de que ele era “mais perigoso com a caneta do que outros com o revólver.” Avesso à violência, o poeta, como homossexual que era, sabia muito bem o quanto era doloroso sentir-se ameaçado e perseguido. Nessa época, suas peças teatrais “A casa de Bernarda Alba”, “Yerma”, “Bodas de sangue”, “Dona Rosita, a solteira” e outras, eram encenadas com sucesso. Sua execução, com um tiro na nuca, teve repercussão mundial.



A poesia acima foi extraída de sua “Antologia Poética”, Editora Leitura S. A. – Rio de Janeiro, 1966, pág. 53, tradução e seleção de Afonso Felix de Sousa.



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O Caminhante

Volver a los 17




Violeta Parra



Volver a los diecisiete después de vivir un siglo

Es como descifrar signos sin ser sabio competente,

Volver a ser de repente tan frágil como un segundo

Volver a sentir profundo como un niño frente a Dios

Eso es lo que siento yo en este instante fecundo.



Se va enredando, enredando

Como en el muro la hiedra

Y va brotando, brotando

Como el musguito en la piedra

Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.



Mi paso retrocedido cuando el de ustedes avanza

El arco de las alianzas ha penetrado en mi nido

Con todo su colorido se ha paseado por mis venas

Y hasta la dura cadena con que nos ata el destino

Es como un diamante fino que alumbra mi alma serena.



Se va enredando, enredando

Como en el muro la hiedra

Y va brotando, brotando

Como el musguito en la piedra

Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.



Lo que puede el sentimiento no lo ha podido el saber

Ni el más claro proceder, ni el más ancho pensamiento

Todo lo cambia al momento cual mago condescendiente

Nos aleja dulcemente de rencores y violencias

Solo el amor con su ciencia nos vuelve tan inocentes.



Se va enredando, enredando

Como en el muro la hiedra

Y va brotando, brotando

Como el musguito en la piedra

Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.



El amor es torbellino de pureza original

Hasta el feroz animal susurra su dulce trino

Detiene a los peregrinos, libera a los prisioneros,

El amor con sus esmeros al viejo lo vuelve niño

Y al malo sólo el cariño lo vuelve puro y sincero.



Se va enredando, enredando

Como en el muro la hiedra

Y va brotando, brotando

Como el musguito en la piedra

Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.



De par en par la ventana se abrió como por encanto

Entró el amor con su manto como una tibia mañana

Al son de su bella diana hizo brotar el jazmín

Volando cual serafín al cielo le puso aretes

Mis años en diecisiete los convirtió el querubín.



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Karl Marx Sem Teto

«O HORROR ECONÓMICO [6]




[...] A indiferença é feroz. Constitui o partido mais activo e sem dúvida o mais poderoso. Permite todas as arbitrariedades, os desvios mais funestos e mais sórdidos. Este século é um trágico testemunho disso.

Obter a indiferença geral representa, para um sistema, uma vitória maior que qualquer adesão parcial, ainda que considerável. E é, de facto, a indiferença que permite as adesões maciças a certos regimes; das consequências disso sabemos nós.

A indiferença é quase sempre maioritária e desenfreada. Ora, estes últimos anos foram, à sua maneira, campeões da inconsciência plácida face à instalação de um domínio absoluto; campeões da História camuflada, dos avanços despercebidos, da desatenção geral. Desatenção tal que nem foi registada. Desinteresse, deficiente observação, obtidos sem dúvida graças a estratégias silenciosas, obstinadas, que insinuaram lentamente os seus cavalos de Tróia e souberam alicerçar-se tão bem sobre aquilo que propagam – a falta de qualquer tipo de vigilância – que foram e continuam a ser indetectáveis e por isso mais eficazes.

Tão eficazes que as paisagens políticas e económicas puderam metamorfosear-se à vista de todos (mas sem que ninguém o soubesse) sem despertar a atenção e muito menos a inquietação. O novo esquema planetário, passando despercebido, pôde invadir e dominar as nossas vidas sem ser tomado em conta, a não ser pelas potências económicas que o lançaram. E cá estamos num mundo novo, dirigido por essas potências segundo sistemas inéditos, e no seio do qual, agindo e reagindo como se de nada se tratasse, continuamos a sonhar em função de uma organização e de uma economia que deixaram de funcionar.

O desapego e a letargia obtiveram tal preponderância que, se nos propusermos hoje, contra o que é vulgar, a impedir qualquer processo político ou social, qualquer pirataria “politicamente correcta”, descobriremos que, enquanto dormitávamos, foram longa e minuciosamente elaborados, a montante, os projectos que queremos combater; inscreveram-se de forma sólida e são os únicos em conformidade com os princípios; de tal forma que surgem enraizados, inelutáveis e até por vezes muito calmamente instalados nos factos!

Tudo foi montado muito antes de intervirmos (ou pensarmos intervir). Até o sentido do nosso protesto foi já esvaziado. Nem sequer nos encontramos diante do facto consumado: estamos já aferrolhados dentro dele.

A nossa passividade deixa-nos nas malhas de uma rede política que cobre por inteiro a paisagem planetária. Não se põe tanto a questão do valor positivo ou nefasto da política que presidiu a esse estado de coisas, mas o facto de um tal sistema ter podido impor-se como um dogma sem ter provocado turbulência ou suscitado comentários, a não ser raramente e tarde de mais. No entanto, ocupou tanto o espaço físico como o espaço virtual, instalou a prevalência absoluta dos mercados e das suas oscilações; soube confiscar como nunca as riquezas, e escamoteá-las, pô-las fora do alcance ou até anulá-las sob forma de símbolos, por sua vez núcleos de tráficos abstractos, subtraídos a quaisquer trocas além das virtuais.

[...]

A origem do perigo não é tanto a situação – ela podia ser modificada –, mas mais precisamente a nossa aquiescência cega, a resignação geral face ao que nos apresentam em bloco como inelutável. [...]

O sistema liberal actual é flexível e transparente, o bastante para se adaptar às diversidades nacionais, mas bastante “mundializado” para as confinar pouco a pouco ao campo folclórico. Severo, tirânico, mais difuso, pouco detectável, expandido por toda a parte, esse regime que nunca foi proclamado detém todas as chaves da economia, que reduz ao domínio dos negócios, os quais se apressam a absorver tudo o que ainda não pertença à sua esfera.

[...]

As armas do poder? A economia privada nunca as perdeu. Por vezes vencida ou ameaçada disso, soube conservar, mesmo nessas ocasiões, os seus instrumentos, em particular a riqueza e a propriedade. A finança. Sempre que, temporariamente forçada, teve necessidade de renunciar a certas vantagens: essas vantagens foram sempre muito inferiores àquelas de que não abdicou.

Mesmo nos momentos de derrotas mais ou menos passageiras, nunca deixou de minar as posições do adversário com uma tenacidade sem igual, e de resto muito valorosa. Foi talvez nessas alturas que deu provas de melhores recursos. Ocasionalmente, alimentou-se dos seus revezes, sabendo fazer-se esquecida, camuflar-se enquanto polia como nunca as armas conservadas, ao mesmo tempo que aperfeiçoava as suas pedagogias, consolidando as suas redes. A sua ordem sempre perdurou. O modelo que representa pôde ser negado, espezinhado, desprezado, ao ponto de parecer afundar-se – mas estava apenas suspenso. O predomínio das esferas privadas, das suas classes dominantes, restabeleceu-se sempre.

Porque o poder não é o poderio. Ora o poderio (que não quer saber dos poderes, os quais, na maior parte das vezes, ele próprio outorgou e delegou, a fim de melhor os gerir) nunca mudou de campo. As classes dirigentes da economia privada perderam algumas vezes o poder, mas nunca o poderio, esse poderio que Pascal designa sob o termo de força: “O império baseado na opinião e na imaginação reina algum tempo e esse império é suave e voluntário; o da força reina sempre. Assim, a opinião é como a rainha do mundo, mas a força é o seu tirano.” [...]»



Viviane Forrester



[in O Horror Económico: Lisboa, trad. Ana Barradas, Terramar, 1997;
A utopia capitalista realizou-se no tempo dos seus decisores. Como não hão-de eles regozijar-se disso? É uma satisfação justificada, humana. Demasiado? O problema não é deles, que se limitam aos negócios. De resto, nem têm tempo para se deter no assunto, demasiado preocupados que estão em obter sempre cada vez mais lucro, o que, na sua perspectiva, faça-se-lhes justiça, tem sobretudo e mais exactamente o sentido de “sucesso”.

O seu mundo é apaixonante, têm dele uma visão inebriante e que, graças à sua redução despótica, funciona. Funesto, nem por isso deixa de ter sentido para quem nele participa. Mas as suas lógicas, a sua inteligência segura conduzem fatalmente ao desastre da sua hegemonia. Quaisquer que sejam as demonstrações sabiamente hipócritas, o seu poderio está posto em proveito próprio, em proveito dessa arrogância que faz considerar bom para todos aquilo que a si dá proveito. Natural é, pois, que um mundo subalterno seja sacrificado.

Estão agora de novo cheios de razão, e é seu dever explorar uma situação e uma época abençoadas, as nossas, em que nenhuma teoria, nenhum grupo credível, nenhuma forma de pensamento, nenhuma acção séria já se lhes opõem.

Isso dá-nos oportunidade de assistir a essas obras-primas de estratégia persuasiva que conseguem convencer-nos de que as políticas conducentes ou que aceleram a bancarrota social e a pauperização em detrimento da imensa maioria, não só são as únicas possíveis, como também as únicas desejáveis, em primeiro lugar... para esta maioria. [...]»



Viviane Forrester



[in O Horror Económico: Lisboa, trad. Ana Barradas, Terramar, 1997]
«O HORROR ECONÓMICO [7]



[...] Desvendam-se aqui os sentimentos reais que os dominadores experimentam pelos outros, seja qual for o regime – e em que base se calculam. Depressa descobriremos, e sem dúvida cada vez melhor, infelizmente, com o tempo, como, segundo esses cálculos, depois de transformado em zero, de excluído se passa a expulso.

O declive é bem inclinado. As agonias do trabalho perdido vivem-se a todos os níveis da escala social. Em cada um deles, são sentidas como uma prova acabrunhante que parece profanar a identidade de quem a sofre. Ocorre de imediato o desequilíbrio, a humilhação (injustificada), e o perigo. Os quadros podem estar sujeitos a isto, no mínimo tanto quanto os trabalhadores menos qualificados. É surpreendente descobrir até que ponto se pode perder rapidamente o pé e como a sociedade se torna severa, como se perdem todos ou quase todos os recursos quando se está destituído! Tudo vacila, se fecha e se afasta ao mesmo tempo. Tudo se fragiliza, mesmo a casa onde se mora. A rua torna-se próxima. Respeitam-se muito pouco os direitos daquele que deixou de ter “meios”. Sobretudo o direito de ser poupado, em qualquer aspecto.

Instalam-se então os limites, a exclusão social. E acentua-se a ausência geral e flagrante de racionalidade. Que correlação razoável pode haver, por exemplo, entre perder um trabalho e ser expulso, ver-se na rua? A punição não tem medida comum com o motivo apresentado, dado como evidente. Que seja tratado como um crime o facto de não se poder pagar, de não se conseguir pagar, é já em si surpreendente, se pensarmos bem. Mas ser castigado dessa maneira, lançado à rua por já não estar em condições de pagar um aluguer porque se perdeu o trabalho, numa situação em que esse trabalho escasseia por toda a parte, manifesta e oficialmente, ou por o emprego que nos está atribuído estar tarifado demasiado abaixo, se comparado com o preço aberrante de alugueres demasiado raros, tudo isso tem o seu quê de demencial ou de uma perversidade deliberada. Tanto mais que nos é exigido um domicílio, para conservar ou encontrar esse trabalho que constitui o único meio de obter um domicílio.

Portanto, resta-nos a rua. A rua, menos difícil, menos insensível do que os nossos sistemas!

Não só é injusto, como é de um absurdo atroz, de uma estupidez consternante, que torna cómicos os modos auto-suficientes das nossas sociedades ditas civilizadas. A menos que isso denuncie também interesses muito bem geridos. De qualquer maneira, morre-se de vergonha. Mas afinal quem passa pela vergonha, chegando por vezes à morte, e estragando sempre a vida?

Ausência de racionalidade? Alguns exemplos:

Isentar de censura as castas afortunadas, dirigentes, neste caso ignoradas, mas acusar certos grupos desfavorecidos por o serem menos que outros. Por serem, em suma, um pouco menos humilhados. Tomar assim as humilhações por modelo pelo qual devemos alinhar – numa palavra, tomar como norma o facto de se ser humilhado.

Considerar também privilegiados, no fundo aproveitadores, os que ainda têm trabalho, mesmo mal pago; portanto, tomar como norma a ausência de trabalho. Indignar-se com o “egoísmo” dos trabalhadores, esses sátrapas que rosnam quando se trata de partilhar o trabalho, mesmo mal pago, com os que o não têm, mas não alargar essa exigência de solidariedade à partilha das fortunas ou dos lucros – o que seria considerado, nos tempos que correm, imbecil, obsoleto e além disso de uma grande falta de educação!

[...]

Outro exemplo: os esforços há muito envidados para se colocar uma parte do país contra a outra parte, declarada vergonhosamente favorecida (agentes públicos, funcionários de base), sem tomar em conta os que de facto o são, a não ser para os designar como “forças vivas da nação”. E considerar essas “forças vivas”, esses dirigentes de multinacionais (amalgamados com os das PME), como os únicos a ousar correr riscos, como se eles fossem aventureiros impacientes por correr perigos incessantes e infinitos, sempre ansiosos por pôr em jogo... não se sabe bem o quê, enquanto os nababos condutores de metropolitano, os novos-ricos encartados empregados dos correios prosperam escandalosamente, em total segurança!

“Forças vivas”, assim denominadas por se supor serem detentoras e produtoras de empregos, mas que, mesmo subvencionadas, isentas de impostos, mimadas para esse fim, não só não criam nenhum ou quase nenhum (o desemprego continua a aumentar), como, mesmo recebendo benefícios (em parte graças às vantagens mencionadas), despendem a torto e a direito.

“Forças vivas”, portanto, antigamente designadas, de forma bastante estúpida, patrões, mas que, de repente, relegam músicos, pintores, escritores, investigadores científicos e outros saltimbancos para o papel de pesos-mortos, sem contar o resto dos humanos, todos convidados a erguer para o brilho de tais constelações humildes olhares de vermes ofuscados.

Quanto aos usurpadores que se refastelam sem vergonha na garantia de um emprego, a sua imunidade ao pânico resultante da precariedade, da fragilidade, do desaparecimento desses mesmos empregos representa um perigo escandaloso. E pior ainda, retardam a asfixia do mercado de trabalho. Ora, asfixia e pânico são o sustento da economia na sua exuberante modernidade, e os melhores garantes da “coesão social”.

[...]
«O HORROR ECONÓMICO [8]



[...] Um efeito de estupor, de certo modo, [...] não deixa de recordar o abatimento dos povos colonizados por homens que tinham, para o melhor ou para o pior, atingido uma idade histórica diferente da sua e que assim viam a sua civilização revogada. Os valores espezinhados dos indígenas tornavam-se inoperantes nos próprios locais onde haviam florescido, onde pouco tempo antes ainda se aplicavam, mas onde eram vencidos, como que exilados, perante o novo poder que se instalava sem lhes conferir os meios de penetrar livres, em pé de igualdade, no novo sistema importado à força e sem lhes dar direito a nenhum direito.

Em contrapartida, os usurpadores outorgavam-se todos os direitos sobre os que, privados dos seus modos de vida, de pensamento, de crença e de saber, deixados sem referências, verdadeiramente siderados, acabavam por perder a energia e toda a capacidade, mas mais ainda todos os desejos, entre os quais o de compreender, e sobretudo de resistir. Povos cuja sabedoria, ciência e valores hoje reconhecemos, muitas vezes bons guerreiros apagavam-se, aprisionados numa civilização predadora que não era a sua e os rejeitava. Povos petrificados, paralisados, tetanizados, em sofrimento entre duas eras, vivendo num tempo anterior, numa cronologia diferente da dos seus conquistadores, que lhes impunham o outro presente sem o partilhar em nada. E isso em regiões que, compondo todo o seu mundo, tudo o que sabiam e imaginavam do mundo, se tornavam em prisão visto que, para eles, não existia mais nada.

Isto, será que não faz lembrar algo?

Não estamos nós também assustados, amarrados dentro de um mundo familiar mas mergulhado num domínio que nos é estranho? Sob o império mundializado do “pensamento único”, num mundo que já não funciona ao mesmo ritmo do nosso, que já não responde às nossas cronologias, mas cujo horário prevalece. Um mundo sem distâncias, por estar todo sob esse domínio, mas ao qual nos agarramos, empenhados em continuar seus súbditos doloridos, fascinados para sempre pela sua beleza, pelas suas oferendas, as suas trocas e perseguidos pela lembrança do tempo em que, submergidos pelo trabalho, ainda podíamos dizer: “Não morreremos, estamos demasiado atarefados.”

Hoje estamos ainda na fase da surpresa, de um certo definhar, de um condicionamento. A tragédia ainda não é espectacular. No entanto, no cerne, bem próximo do nervo daquilo que se considera ser o auge da civilização, “civilizados” dessa civilização excluem os que já não convêm e cujo número se sabe ir crescendo em proporções inimagináveis. Ainda se toleram os outros, mas cada vez menos outros, com cada vez mais impaciência e em condições mais e mais severas, segundo pontos de vista cada vez mais abertamente brutais. Já não se procuram tantos álibis e desculpas: o sistema está dado como adquirido. Baseado no dogma do lucro, está para lá das leis, que desarticula se necessário.

Já hoje, as regiões onde ainda se respeita minimamente a condição humana – com tal especiosidade, tais reticências e como que a custo, com remorso –, essas regiões são apontadas a dedo, vilipendiadas pelos Gary Becker, implicitamente desaprovadas pelos Bancos Mundiais e outras OCDE, sem contar com todos os adeptos do “pensamento único” que, unidos às “forças vivas” de todas as nações, se empenham em chamar esses excêntricos à razão. Com êxito.

Diante disto, que contrapoderes? Nenhum. Abrem-se sem resistência as portas aos bárbaros afectados, ao saque de luva branca.

E isto é só o começo. Convém estar muito atento a este tipo de começos: a princípio, nunca parecem criminosos, nem mesmo realmente perigosos. Desenvolvem-se com a concordância de pessoas perfeitamente encantadoras, de boas maneiras e bons sentimentos, incapazes de fazer mal a uma mosca, e que, aliás – se se derem ao trabalho de pensar nisso –, consideram lamentáveis, mas infelizmente inevitáveis, certas situações, e que ainda não sabem que é nesse preciso ponto que se inscreve a História, aquela de que não se aperceberam quando se tramava, quando se geravam acontecimentos que mais tarde se considerariam “indizíveis”.

É sem dúvida através desse tipo de acontecimentos (passados despercebidos quando ocorreram, ou antes censurados, eliminados da consciência) que se desenha por vezes a História. São eles que mais tarde – tarde de mais – se tornarão os sinais legíveis do que, na época, não foi digno de nota.

Por não termos tido consciência do que significava, desde o início, a sorte dos nossos contemporâneos sacrificados, tidos como um rebanho anónimo, talvez, quando tiverem passado por todas as provas daí resultantes, provas que se propagarão, cada vez mais permissivas – se é que terão fim –, talvez ainda venhamos a dizer que elas eram “indizíveis” e que “acima de tudo, não podemos esquecer”. Mas isso não será possível, porque ninguém o saberá.

Talvez haja quem esteja ainda em condições de dizer: “Isto nunca mais.” Mas talvez um dia já não haja ninguém capaz sequer de o pensar.

Exageros? É o que se diz “antes”, quando ainda se está a tempo de saber que só tocar numa unha, num cabelo, só um ultraje, constituem já um prenúncio do pior. E que os crimes contra a humanidade são sempre crimes da humanidade. Perpetrados por ela.

Este século ensinou-nos que nada dura, nem mesmo os regimes “de pedra e cal”, mas também que tudo é possível em termos de ferocidade. Ferocidade que, como nunca, se tornou apta a desencadear-se sem freio; sabe-se que, com as novas tecnologias, ela disporia hoje de dez vezes mais meios, ao lado dos quais as atrocidades passadas parecem não passar de esboços tímidos.

Como não pensar nos cenários possíveis sob um regime totalitário que não teria dificuldade em “mundializar-se” e que disporia de meios de eliminação com uma eficácia, amplitude e rapidez nunca imaginadas? Seria o genocídio total.

Mas talvez se ache uma pena não aproveitar melhor esses rebanhos de seres humanos; não os conservar com vida para fins diversos. Entre outros, como reservas de órgãos de transplante. Gado humano, stocks de órgãos vivos a que se recorreria à vontade, segundo as necessidades dos privilegiados do sistema.

Exagero? Mas qual de nós grita ao saber que na índia, por exemplo, há pobres que vendem os órgãos (rim, córnea, etc.) para sobreviver por uns tempos? É conhecido. Há clientes. Sabe-se. Isso acontece hoje. Esse comércio existe, e das regiões mais ricas, mais “civilizadas”, há quem venha fazer compras a baixo preço. Sabe-se que noutros países se roubam esses órgãos – raptos, homicídios – e que há clientes. Sabe-se. Quem grita, a não ser as vítimas? Que escudos se erguem contra o turismo sexual? Os únicos a reagir são os consumidores: acorrem. É conhecido. Assim como se sabe que é necessário abordar não tanto epifenómenos como a venda de órgãos humanos ou o turismo sexual, mas o fenómeno que lhes está na origem: a pobreza que todos conhecem, repetimos, conduz alguns pobres a deixar-se mutilar em benefício de possidentes, com o único objectivo de sobreviver um pouco mais. É aceite. Tacitamente. E estamos em democracia, livres, em grande número. Quem levanta um dedo, a não ser para fechar um jornal, apagar o televisor, dócil perante o apelo para se manter confiante, sorridente, lúdico e beato (se não se está já escondido, vencido e coberto de vergonha), enquanto o aspecto grave, a tragédia, se acentuam, invisíveis, subterrâneos e funestos, no meio de um mutismo quase geral, entrecortado por tagarelices que prometem curar o que já está morto?

Discursos atrás de discursos anunciam um “emprego” que não aparece, que não aparecerá. Locutores e ouvintes, candidatos e eleitores, políticos e público, sabem-no todos, associados em volta dos encantamentos com que procuram esquecer e negar, com motivações diversas, esse saber.

Esta atitude, que se furta ao desespero por meio de mentiras, de camuflagens, de fugas aberrantes, é desesperada e desesperante. Correr o risco da exactidão, o risco da constatação, mesmo que conduzam a um certo desespero, é, pelo contrário, o único gesto lúcido quanto ao presente e que preserva o futuro. Oferece de imediato a força de falar ainda, de pensar e de dizer. De tentar ser lúcido, de viver pelo menos com dignidade. Com inteligência. E não na vergonha e no receio, imobilizado numa armadilha a partir da qual nada nos é permitido.

Ter medo do medo, medo do desespero, é abrir caminho às chantagens que bem conhecemos. [...]»



Viviane Forrester



[in O Horror Económico: Lisboa, trad. Ana Barradas, Terramar, 1997]



Selecção de PCD
«Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.

A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.»



Guerra Junqueiro, 1896



Selecção de Daniel Pires

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A infanticida Marie Farrar


Tradução de Paulo César de Souza

1

Marie Farrar, nascida em abril, menor

De idade, raquítica, sem sinais, órfã

Até agora sem antecedentes, afirma

Ter matado uma criança, da seguinte maneira:

Diz que, com dois meses de gravidez

Visitou uma mulher num subsolo

E recebeu, para abortar, uma injeção

Que em nada adiantou, embora doesse.

Os senhores, por favor, não fiquem indignados.

Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados.



2

Ela porém, diz, não deixou de pagar

O combinado, e passou a usar uma cinta

E bebeu álcool, colocou pimenta dentro

Mas só fez vomitar e expelir

Sua barriga aumentava a olhos vistos

E também doía, por exemplo, ao lavar pratos.

E ela mesma, diz, ainda não terminara de crescer.

Rezava à Virgem Maria, a esperança não perdia.

Os senhores, por favor, não fiquem indignados

Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados.



3

Mas as rezas foram de pouca ajuda, ao que parece.

Havia pedido muito. Com o corpo já maior

Desmaiava na Missa. Várias vezes suou

Suor frio, ajoelhada diante do altar.

Mas manteve seu estado em segredo

Até a hora do nascimento.

Havia dado certo, pois ninguém acreditava

Que ela, tão pouco atraente, caísse em tentação.

Mas os senhores, por favor, não fiquem indignados

Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados.



4

Nesse dia, diz ela, de manhã cedo

Ao lavar a escada, sentiu como se

Lhe arranhassem as entranhas. Estremeceu.

Conseguiu no entanto esconder a dor.

Durante o dia, pendurando a roupa lavada

Quebrou a cabeça pensando: percebeu angustiada

Que iria dar à luz, sentindo então

O coração pesado. Era tarde quando se retirou.

Mas os senhores, por favor, não fiquem indignados

Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados.



5

Mas foi chamada ainda uma vez, após se deitar:

Havia caído mais neve, ela teve que limpar.

Isso até a meia-noite. Foi um dia longo.

Somente de madrugada ela foi parir em paz.

E teve, como diz, um filho homem.

Um filho como tantos outros filhos.

Uma mãe como as outras ela não era, porém

E não podemos desprezá-la por isso.

Mas os senhores, por favor, não fiquem indignados.

Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados.



6

Vamos deixá-la então acabar

De contar o que aconteceu ao filho

(Diz que nada deseja esconder)

Para que se veja como sou eu, como e você.

Havia acabado de se deitar, diz, quando

Sentiu náuseas. Sozinha

Sem saber o que viria

Com esforço calou seus gritos.

E os senhores, por favor, não fiquem indignados

Pois todos precisamos de ajuda, coitados.



7

Com as últimas forças, diz ela

Pois seu quarto estava muito frio

Arrastou-se até o sanitário, e lá (já não

sabe quando) deu à luz sem cerimônia

Lá pelo nascer do sol. Agora, diz ela

Estava inteiramente perturbada, e já com o corpo

Meio enrijecido, mal podia segurar a criança

Porque caía neve naquele sanitário dos serventes.

Os senhores, por favor, não fiquem indignados

Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados.



8

Então, entre o quarto e o sanitário diz que

Até então não havia acontecido a criança começou

A chorar, o que a irritou tanto, diz, que

Com ambos os punhos, cegamente, sem parar

Bateu nela até que se calasse, diz ela.

Levou em seguida o corpo da criança

Para sua cama, pelo resto da noite

E de manhã escondeu-o na lavanderia.

Os senhores, por favor, não fiquem indignados

Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados.



9

Marie Farrar, nascida em abril

Falecida na prisão de Meissen

Mãe solteira, condenada, pode lhes mostrar

A fragilidade de toda criatura. Vocês

Que dão à luz entre lençóis limpos

E chamam de abençoada sua gravidez

Não amaldiçoem os fracos e rejeitados, pois

Se o seu pecado foi grave, o sofrimento é grande.

Por isso lhes peço que não fiquem indignados

Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados.

domingo, 11 de abril de 2010

primeiro versos do Martín Fierro

1



Aquí me pongo a cantar

Al compás de la vigüela,

Que el hombre que lo desvela

Una pena extraordinaria

Como la ave solitaria

Con el cantar se consuela.



2



Pido a los Santos del Cielo

Que ayuden mi pensamiento;

Les pido en este momento

Que voy a cantar mi historia

Me refresquen la memoria

Y aclaren mi entendimiento.



3



Vengan Santos milagrosos,

Vengan todos en mi ayuda,

Que la lengua se me añuda

Y se me turba la vista;

Pido a Dios que me asista

En una ocasión tan ruda.



4



Yo he visto muchos cantores,

Con famas bien obtenidas,

Y que después de adquiridas

No las quieren sustentar:

Parece que sin largar

Se cansaron en partidas.



5



Mas ande otro criollo pasa

Martín fierro ha de pasar,

Nada la hace recular

Ni las fantasmas lo espantan;

Y dende que todos cantan

Yo también quiero cantar.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Europa

EMMENEZ-MOI

Charles Aznavour


Vers les docks où le poids et l’ennui

Me courbent le dos

Ils arrivent le ventre alourdi

De fruits les bateaux



Ils viennent du bout du monde

Apportant avec eux

Des idées vagabondes

Aux reflets de ciels bleus

De mirages



Traînant un parfum poivré

De pays inconnus

Et d’éternels étés

Où l’on vit presque nus

Sur les plages



Moi qui n’ai connu toute ma vie

Que le ciel du nord

J’aimerais débarbouiller ce gris

En virant de bord



Emmenez-moi au bout de la terre

Emmenez-moi au pays des merveilles

Il me semble que la misère

Serait moins pénible au soleil



Dans les bars à la tombée du jour

Avec les marins

Quand on parle de filles et d’amour

Un verre à la main



Je perds la notion des choses

Et soudain ma pensée

M’enlève et me dépose

Un merveilleux été

Sur la grève



Où je vois tendant les bras

L’amour qui comme un fou

Court au devant de moi

Et je me pends au cou

De mon rêve



Quand les bars ferment, que les marins

Regagnent leur bord

Moi je rêve encore jusqu’au matin

Debout sur le port



Emmenez-moi au bout de la terre

Emmenez-moi au pays des merveilles

Il me semble que la misère

Serait moins pénible au soleil



Un beau jour sur un rafiot craquant

De la coque au pont

Pour partir je travaillerais dans

La soute à charbon



Prenant la route qui mène

A mes rêves d’enfant

Sur des îles lointaines

Où rien n’est important

Que de vivre



Où les filles alanguies

Vous ravissent le coeur

En tressant m’a t’on dit

De ces colliers de fleurs

Qui enivrent



Je fuirais laissant là mon passé

Sans aucun remord

Sans bagage et le coeur libéré

En chantant très fort



Emmenez-moi au bout de la terre

Emmenez-moi au pays des merveilles

Il me semble que la misère

Serait moins pénible au soleil



Emmenez-moi au bout de la terre

Emmenez-moi au pays des merveilles

Il me semble que la misère

Serait moins pénible au soleil

domingo, 4 de abril de 2010

"Todas as elites a perigo socorren-se de seus Rasputins.Que não são Mães de Santo.São falsos videntes, com doutorado no Tio Sam."
Luís Fernando Veríssimo.19/05/1998
"A guerra é o maior dos crimes, mas não existe agressor que não disfarce seu crime com o pretexto da justiça. "
Voltaire
"Os homens fazem a sua  própria história, mas não a fazem segundo sua livre vontade em circunstâncias escolhidas por eles próprios, mas sob determinadas circunstâncias dadas, legadas e transmitidas pelo passado ".
Karl marx, em 18 de Brumário.
"Ainda hoje se mantém o 'mito' de que os aborígenes , nesta parte da América, limitaram-se a assistir a ocupação da terra pelos portugueses e a sofrer,passivamente, os efeitos da colonização(...).Todavia,nada está mais longe da verdade, a julgar pelos relatos da época.nos limites de suas possibilidades,foram inimigos duros e terríveis,que lutaram ardorosamente pelas terras,pela segurança, pela liberdade, que lhes eram arrebatadas conjuntamente. "
Fernandes,Florestan.in:Buarque de Holanda,1976.v I,p72.

Nova Zelândia e Brasil

É bem mais tranquilo para um país edenico menor que o Pará, com uma população de carneiros maior do que a de seres humanos. Pode comparar com o Uruguai ou o Chile cuja população  é menor do que São Paulo,mas não com o Brasil , quase do tamanho da Europa Ocidental. Cada Estado brasileiro possui suas especificidades. Santa Catarina antes dos cataclismos (o último o terremoto )Compare a cidade de "Óklan" com cidades ,não com países. Isso é elementar.Mas que a Nova Zelândia é linda isso é!Os serviços públicos de lá não são exemplos apenas para países em desenvolvimento como o Brasil, também são para os EUA, bom comparar "óklan" com Nova Jérsey ou mesmo com a Big Apple, é covardia.Como vive a classe trabalhadora nos EUA(http://www.ilo.org/)?Planos de saúde,...Quatro meses na Nova Zelândia,uma vida !Mas no geral concordo, nossos serviços públicos,aqueles para atender as necessidades da sociedade são em boa parte bem precários ,salvo quando para atender as demandas do Estado, nossa receita federal é ágil e competente para tirar nosso couro e dar para servir de tapete ao poder (a máquina pública ) não devolvem na forma de politicas públicas(agora está engrenando, a passos de tartaruga mas está )e também não pagam o funcionalismo (os servidores públicos-professores, médicos ligados ao sus, policiais militares...)só a pantagruelica anemia dos parlamentares e dos sicofantas.


É uma tristeza constatar que temos a maior malha indústrial e financeira da América do sul, e continuaremos a empoderarnos dessa realidade nosso PIB será condizente com o status de potencia regional, e blá, blá...mas o nosso povo está ao Deus dará e nossas estatísticas sociais serão tão confiáveis quanto às chinesas.

Mas eu acredito no nosso guia Lula e sua sucessora Nossa Senhora Dilma dos Pacs.Aliás o presidente amarrou direitinho os tucanos que ,caso vençam, terão que honrar os compromissos (os financiamentos dos pacs)e terminar as obras, uma suposta gestão tucana seria de fato lulista.Lula não é fraco não !
 
Wilson Roberto Nogueira

sábado, 3 de abril de 2010

Existem aqueles que mesmo sabendo que existe um limite para trazer do exterior mercadorias trazem, talvez estejam tão acostumadas a pagar subornos para funcionários mal pagos ao invés de denunciá-los.Existem bairros em determinados lugares dos EEUU e da Europa que vc precisa tomar cuidado pra não ser assaltado ou currado.Mas se vc for negro ou aparentar ser árabe, saiba que a policia não vai mover um dedo se vc estiver sendo espancado em certos lugares da Itália e da Espanha.NY tinha a policia mais corrupta , violenta e ineficiente dos EUA. Os EUA em Chicago era um antro..."O Passado não remove montanhas" Se os EUA conseguiram através da força de seu povo(ameríndios,afro-aericanos, e imiganes-indocumenados ou não )mover o colosso do Estado Estadunidense para a dimensão qu tem hoje.Assim se passará com o Brasil.O pior preconceito é o introjetado, naturalizado pela própria vítima que se submete .


O meu País nos anos 20 privilegiou o transporte rodoviário ao invés do ferroviário até chegar ao abuso de transformar nossas cidades práticamente intransitáveis para os pedestres, a maioria da frota sendo guiada por apenas uma pessoa poluindo e diminuino a vida útil do asfalto.Mas chegaremos a ser o produtor mundial!A sociedade civil é fundamental para empurrar as políticas públicas para o caminho correto, sem a pressão popular a caneta do poder não escreve.Os indices de criminalidade despencaram por fora da mobilização da sociedad civil organizada.Os indices foram pesquisados junto ao IML não nos BOs.

Devemos ler todo o jornal não só a parte de esportes ou os balancetes, consultar institutos sérios que vem pesquisando o fenomeno da violência e da corrupção e paremos de ser apedeutas bancando demiurgos.Isso é tipico de uma classe supérflua que não contribui em nada para mudar a situação e que parasitaram país até hoje bebendo o sangue da nossa classe trabalhadora obrigada a entrar pelos fundos e comer os resto dos banquetes, o Brasil está voltando a ser dos brasileiros que não perderam a identidade.
 
Wilson Roberto Nogueira
O sistema bancário brasileiro, softwares para bancos,aviação regional,agroindústria e siderurgia,prospecção em águas profundas, bioenergia,...isso é o Brasil também.


Todos os países tem em maior ou menor grau, alguns dos "Mundos " (1,2,3,4)dentro de suas próprias fronteiras .Nossas ilhas de excelencia são cada vez maiores, embora ainda sejam ilhas nesse país continental que é o Brasil.Nossos desafios ainda são enormes ,mas estamos lutando.E venceremos aqui ou comprando mundo afora as "eficientes"empresas dos países do primeiro mundo.

Wilson Roberto Nogueira

V A Batalha Final

Assisti a série V a vitória final. embora Trash ela passava o recado, contra o totalitarismo e em louvor aos resistentes do mundo,a alusão a bandeira(lembrando as cores nazistas ), a televisão como elemento de propaganda e de resistência,a família judia que teve o filho cooptado para a " juventude ", o velho que ensinou os pichadores a fazerem o sinal da resistência "V" de vitória ,não de visitantes.


Na época assisti como um filme de Ficção cientifica , agora não consigo assistir nenhum filme da "indústria " sem devidamente referenciá-la ao contexto.

Anos 80."Reaganomics contra o Império do mal",Liberais(no sentido clássico europeu, nos EEUU chamam conservadores, republicanos )contra Capitalsmo de Estado ou Socialismo Realmente Existente “made in Moscou”,Invasão do Afeganistão e boicote estadunidense as olimpíadas de Moscou.O filme seria a instrumentalização ideológica de ligar os invasores saúrios não só aos nazismos também aos soviéticos, não só enaltecendo os partizans ou maqui da 2 guerra mas também os mujaheddins e os Contra da Nicarágua.Isso pode ser identificado pela mensagem que finalizava a apresentação: "Dedicada aos lutadores da liberdade..." Até um filme trash é instrutivo quando olhamos para além da superfície.

Procurarei ver o filme com a lente do século XXI.Questão de gênero,corporações , mídia e poder,ideologia e poder -cooptação,multi-lateralismo ,religião, pacifismo e belicismo... o filme lança luz sobre várias questões do ponto de vista a indústria cultural estadunidense que é um poderoso braço de sua ideologia(conjunto de valores que se quer hegemônico no mundo.Padronizando a sociedade a "aldeia global" )

Com relação a isso é um fato material da historia.

Inté

Wilson Roberto Noguera
Os EUA entre os países centrais é aquele que se situa mais desfavoravelmente , principalmente nas questões sociais, o ensino fundamental e médio no país é comparável aos dos países periféricos, embora tenha o primeiro PiB do mundo o tio Sam tem muitos remendos em sua casaca.


Quanto as estatísticas "podemos torcer os números até que digam o que queremos "ou seja, dependendo dos critérios, quem entrevistamos(classe social...)poderemos sem falsear a verdade subverte-la apanhando a parte pelo todo.Qual a margem de erro dessas pesquisas,quem os patrocina...?

A matemática é uma ciência exata mas a estatística , embora empregue números não é.

é necessário fazer perguntas,levantamentos...Quais perguntas, levantamentos em que regiões,quem faz as perguntas e quem paga o serviços do pesquisadores?

O" American way of live" estoca seus inadequados loosers ou nas prisões ou enviam para morrer por mentiras e óleo nos desertos e montanhas do terceiro mundo.Os negros nas prisões e latinos na boca dos canhões,pelo menos os últimos podem usufluir de alguns privilégios da casta militar,crediários, financiamentos, planos de saúde...em troca de uma escravidão disfarçada.O contrato que o milico yanqe assina esconde letras miúdas e implícitas que dificulta a dispensa e o desligamento.

essas informações podem ser coletadas nos movimentos sociais dos EUA.Um país que tem a necessária auto-críica e com humor e também com sridade a exerce, embora o governo a quisesse calar com os Atos Patioticos e o apoio do estado a delação.a Era Bush de triste lembrança para o mundo.

Com Obama vamos ver, está arrumando a casa que o pessoal de Wall- Street os republicanos ajudaram a detonar.Fora de casa contudo nada de novo na agenda imperial.Não tem mais a bandeira da moral.

Eu amo a América do Alasca a Terra o Fogo.América para mim não é apenas os EUA.

Wilson Roberto Nogueira

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Somos Plurais e Ricos em Nossa Diversidade

Menos .


Na rádio ouve-se o sotaque de outros estados que não o seu ?E que caricatura grotesca faziam da maneira de falar do nordeste nas tv.Devemos falar de uma certa hegemonia no país que empurra pro gueto da invisibilidade as manifestações culturais de outros estados.Tem a ver em parte como se deu o desenvolvimento eonomico

Não demonizem tanto o tio Sam pelo que ele tem de reflexo das condições do nosso Sistema . nós reproduzimos os mesmos mecanismos de exclusão, pasteurização para tornar nossa cultura ,tão rica e complexa, mais compreensível ao padrão consumista da casse média mundal dentro dos padrões aceitaveis pelas corporações, pela indústria cultural.

Assim como o estadunidense médio não conhece o Brasil além dos estereótipos vendidos em parte por nós mesmos, nós tbm não devemos achar que a visão de mundo de um califórniano , novaiorquino, texano, de New Orleans,Miami,é o mesmo da "américa profunda" assim como o Brasil somos etnica e culturalmete multidiversos.nós contudo não compartimentamos nossas origens não sou russo-polaco-negro-sefaradim curitibano nossa miscigenação torna tais rotulações um quebra cabeça, um callding pot verdadeiro .Nossa cultura tm absorve antropofagicamente a cultura de outros lugares dando a luz ao novo ,Nosso povo e nossa soiciedade, nossa civilização está em constante evolução,somos cosmopolitas e não abandnamos nossa idetidade cultural.Dar valor ao que é nosso só quando um francês ou americano diz que presta?

Ela é brasileira e sempre será ,também é estadunidense sim senhor. Minha pátria é minha língua(como depositária de um visão de mundo que é cultural ),eusolo é Brasil levo comigo para todo lugar que vou ,por que do barro deste chão fui feito.

Wilson Roberto  Nogueira

Salome . 1896. Pastel.

Fragmento.Corrupção e Poder.Remake do filme 'V"

Por favor povo,sem complexo de vira latas, Nélson Rodrigues estava certo , vamos deixar de complexos.


No Japão a yakuza é quase intocável ,não existem indices como os nossos por que os assuntos do crime organizado no Japão são solenemente ignorados.Lá no máximo uma barracuda, tubarões não .Políticos e empresários só quando caem nas malhas da imprensa e se vêem mais sujos que pão no galinheiro é que lembram dos valores do velho Japão mas não limpam mais a honra de seus ancestrais com o Sepuku,isso acabou com a vinda de MacArthur e o way of live se instalou no Japão.

A Itália , a abandonada Sicilia foi libertada pelos aliados e pela Máfia que ajudou os americanos e os libertadores ouviram em toda a Palermo . Viva Don Calló, viva laMáfia.

Período de ouro da máfia na Itália,anos 50 à 70.enfronhada em todo serviço público e na politica, lavando dineiro adoidado ,inlusive no Vaticano, caso Banco Ambrosiano.Desmoralização completa do Partido Democrtata Cristão.O povo clamava nas ruas a sociedad civil disse um basta que empoderou os lutadores da lei em torno de Falconi e da operção mãos limpas. Aliás o lixo de Nápoles e as docas da Itália são dos sindicaos ligados as Máfias.A Itália luta ;mas quando o Berlusconi para fugir de processos usa de seu poder politico para escolher o júri que será julgado...Por favor!

Para mim Morena Baccarin  é brasileira e norteamericana, não sou xenofobo nem preconceituoso ,não confundir o povo americano e sua culura com o governo lutocrata e imperal de Washington.Países como o Brasil, India , Rússia, China, EUA são grandes demais para caberem em estereotipos superficiais .

Mas não dá para não ver semelhanças entre as Relações Exterioes dos USA (Ted Roosvelt_fala mansa, sorrso nos lábios e um porrete nas mãos )e os Vs."Politica de Boa vizinhança mas uma força tarefa pronta para agir caso seusintereses seam contrariados)

Os 'vs" Procuram no filme tbm "ganhar corações e mentes",cooptando lideraças e intrumetalizando poderes locais em seu beneficio ,da cadeia alimentar onde nós somos almoço.

Wilson Roberto Nogueira

domingo, 28 de março de 2010

Uma transdisciplinaridade humanista: a síntese subjetiva positivista

Desde há alguns anos fala-se bastante em “multidisciplinaridade”, “interdisciplinaridade” e até em “transdisciplinaridade”. Essas propostas são maneiras de perceber a realidade e, mais do que isso, o próprio conhecimento científico; cada uma delas são metodologias que organizam nossos conhecimentos, tendo em vista algumas perspectivas específicas sobre a realidade.



Assim, a multidisciplinaridade afirma que as diversas áreas do conhecimento devem colaborar entre si para a resolução dos problemas; por sua vez, a interdisciplinaridade reconhece a importância de essas áreas colaborarem entre si, mas dá um passo além, no sentido de haver trocas entre elas e também no sentido de desenvolverem-se maneiras de relacionar-se com intimidade.



Tomemos como exemplo o ser humano, com todas as suas necessidades físicas, biológicas, afetivas, econômicas e assim por diante. A multidisciplinaridade afirma que cada uma dessas necessidades pode e deve ser satisfeita pela aplicação de um conhecimento específico: os problemas emocionais e afetivos pela Psicologia, o trabalho pela Economia, a saúde pela Medicina, as relações sociais pela Sociologia etc. A interdisciplinaridade afirma, por outro lado, que, além de cada uma das áreas do conhecimento cuidar de um aspecto do ser humano, elas devem dialogar entre si, procurando uma solução em comum, havendo uma troca de perspectivas e de conteúdo entre elas; assim, a Economia contribuirá para a Psicologia e a Sociologia, que contribuirão para a Medicina e a Economia etc. Em termos de método, o resultado é que nenhum nível do conhecimento superpõe-se aos demais, considerando que a realidade é formada por múltiplos níveis e, nesse sentido, é inesgotável.



Essas maneiras de lidar com o conhecimento começaram a tornar-se mais conhecidas a partir dos anos 1960, em reação a diversas limitações teóricas e práticas que a especialização excessiva e alienante trouxe para o ser humano. Ora, o interessante é que elas foram propostas há mais de 150 anos por um filósofo da ciência que já gozou de bastante fama no Brasil e no mundo, mas que há um certo tempo está injustamente desconhecido: Augusto Comte.



Comte (1798-1857), fundador do Positivismo e formulador da frase que está na bandeira brasileira – Ordem e Progresso –, no começo do século XIX percebia que os conhecimentos estavam cada vez mais especializados, cada vez mais específicos. Por um lado, não há como nem porquê evitar que isso ocorra: afinal, é precisamente esse o caminho que se deve trilhar para aumentarmos o conhecimento da realidade. Mas, por outro lado, a especialização aumenta o conhecimento em profundidade, mas diminui o conhecimento em extensão: sabemos cada vez mais sobre cada vez menos; em outras palavras, perdemos a visão de conjunto. Ora, nós precisamos da visão de conjunto para entender a totalidade da realidade e para podermos, de fato, agir. Assim, o que em um primeiro momento A. Comte propôs foi mais uma especialidade: aquela que analisaria os principais resultados de cada uma das formas de conhecimento e procuraria elaborar uma síntese deles, de maneira a fornecer uma visão de conjunto. Tal síntese seria, necessariamente, filosófica e, se hoje em dia não fosse uma palavra com uma conotação negativa, diríamos que seria uma síntese filosófica e generalista. O interessante a notar é que, a partir do momento em que se parte dessa perspectiva, que é de conjunto, modifica-se a maneira como se percebem as várias partes, surgindo novos resultados para cada um dos conhecimentos. Como dissemos antes, essa é a própria interdisciplinaridade.



Continuando a estudar o ser humano, Augusto Comte percebeu que ainda poderia ir muito além disso. Afinal, o que dissemos até agora se refere apenas aos conhecimentos científicos, mas o ser humano é mais que a inteligência, incluindo também as ações práticas e, principalmente, os sentimentos. Cada uma dessas partes deve manter-se em harmonia com as demais, para os seres humanos considerados tanto individualmente quanto em termos coletivos; além disso, uma verdadeira consideração do conjunto dos seres humanos deve incluir também o local onde vivemos, ou seja, deve incluir também o próprio planeta e o meio ambiente. Assim, o resultado é que, partindo de uma perspectiva de conjunto baseada na realidade do ser humano, a única forma de mantermos em harmonia sentimentos, pensamentos e ações é por meio do desenvolvimento do altruísmo e da generosidade, regulando nossas ações individuais e coletivas tendo em vista o bem comum. Como no final é o ser humano o centro dos sentimentos, das concepções e das ações e como essa centralidade quem atribui é o próprio ser humano, a síntese é, necessariamente, subjetiva, isto é, referente ao sujeito.



É claro que o “ir além” da interdisciplinaridade, como apresentamos, refere-se a pautar as condutas humanas a partir de um padrão moral, ético, daí orientando as elaborações intelectuais. Bem entendidas as coisas, esse “ir além” é a transdisciplinaridade a que nos referimos no início do texto.



Para concluir, vale a pena notar que as concepções de Augusto Comte, embora tenham já cerca de 150 anos, mantêm-se extremamente atuais, podendo contribuir com grande fecundidade para os grandes desafios que enfrentamos atualmente.





Gustavo Biscaia de Lacerda . é Mestre em Sociologia Política

quinta-feira, 11 de março de 2010

Ponte Alexandrov sobre o Volga

Monge e acólito 1897

Povoado 1892

Enferma de tifo 1892

Má colheita na região de Nizhni Novgorod

Sacerdote Ortodoxo 1897


Má colheita na região de Nizhni Novgorod

Vilarejo Espanhol

Somme 1916

Esta magnifica fotografía muestra claramente el cansancio, las condiciones de vida y como se vivía (malvivía) en las trincheras durante la Primera Guerra Mundial. La foto esta tomada en 1916 durante la Batalla del Somme y en ella salen hombres de la compañía A del 11º Batallón del Regimiento Cheshire..

fonte: http://www.agaudi.wordpress.com/

Guerra Civil Espanhola .

Oficiales en Somosierra, Madrid julio de 1936
fonte: http://www.rosademadri.blogspot.com/

Giuseppe Garibaldi

As Portas do Inferno

August Rodin realizo este monumental grupo escultórico a partir de que en 1880 recibió el encargo para el futuro Museo de Artes Decorativas de París. El proyecto quedo cancelado y el escultor estuvo trabajando en esta puerta hasta su muerte en 1917. Mide 6 metros de altura, 4 de ancho y 1 de profundidad y contiene 180 figuras. La iconografía esta basada en la Divina Comedia de Dante y el poema de Baudelaire Las Flores del Mal. Rodin solo realizo una versión en yeso, después de su muerte se realizaron tres copias en bronce que están en diferentes museos. Una obra sencillamente impresionante.

Fonte: http://www.agaudi.wordpress.com/
Wilfred Owen se alistó como voluntario en 1915, en plena Primera Guerra mundial (Gran Guerra, la llamaban entonces) Después de algunas experiencias en batalla se le diagnostico trastorno de estrés postraumático y se le ingreso en un hospital en Edimburgo. Allí conoció al poeta Siegfried Sasson que le animó y ayudó a escribir su propia poesía. En 1918 volvió al servicio activo siendo muerto menos de una semana antes de que se firmase el armisticio. Owen retrata a la perfección el horror de la guerra, la primera guerra moderna, la primera en utilizar metralletas, cañones de enorme calibre y en abundancia, el uso de la aviación, el uso de gas mostaza, las trincheras inamovibles en una horrible guerra de posicionamiento. Sucia, interminable, pasando hambre, frío y penurias. El titulo de este poema esta sacado de unos versos del poeta latino Horacio. La versión castellana es de Miguel Imbelecio Delatorre.

DULCE ET DECORUM EST.


Torcidos, como viejos mendigos bajo sus hatos,

renqueando, tosiendo como brujas, maldecíamos a través del lodo,

hasta que donde alumbraban las luces de las bengalas nos dimos la vuelta

y hacia nuestra lejana posición empezamos a caminar afanosamente.

Los hombres marchaban dormidos. Muchos habían perdido sus botas

Pero abrumados avanzaban sobre zapatos de sangre. Todos cojos, todos ciegos;

Borrachos de fatiga, sordos incluso al silbido de las balas

Que los cansados cañones de calibre 5.9 disparaban detrás de nosotros.



“¡Gas, gas! ¡Rápido, muchachos!”; un éxtasis de desconcierto,

Poniéndonos los toscos cascos justo a tiempo;

Pero alguien aún estaba gritando y tropezando

Y ardía retorciéndose, como ahogándose en cal viva…

Borroso, a través de los empañados cristales de la máscara y de la tenue luz verde,

Como en un mar verde le vi ahogarse.

En todas mis pesadillas, ante mi impotente mirada,

Se desploma boqueando, agonizando, asfixiándose.



Si en algún sofocante sueño tú también puedes caminar

Tras la carreta en la que lo pusimos,

Y mirar sus blancos ojos moviéndose

En su desmayada cara, como un endemoniado.

Si pudieses escuchar a cada traqueteo

El gorgoteo de la sangre saliendo de sus destrozados pulmones,

Repugnante como el cáncer, nauseabundo como el vómito

De horrorosas, incurables llagas en lenguas inocentes,

Amigo mío, no volverías a decir con ese alto idealismo

A los ardientes jóvenes sedientos de gloria

La vieja mentira: “Dulce et decorum est pro patria mori”.

Wilfred Owen



Los versos de Horacio dicen así:



“DULCE ET DECORUM EST PRO PATRIA MORI:

mors et fugacem persequitur virum

nec parcit imbellis iuventae

poplitibus timidove tergo.”



(DULCE Y HONROSO ES MORIR POR LA PATRIA:

la muerte persigue al hombre que huye

y no perdona de una juventud cobarde

ni las rodillas ni la temerosa espalda)

fonte: http ://www.agaudi.wordpress.com

O Corvo

vide cor meum

Y pensando en ella,


Me sorprendió un suave sueño

Ego dominus tuus, (Yo soy tu Dios)

Vide cor meum. (Mira tu corazón.)

Y este corazón ardiendo

Cor meum. (Es tu corazón.)



Ella con humildad comía temerosa:

Luego yo lo vi marchar llorando.

La alegría se convertía

en amargo llanto.

Estoy en paz

mi corazón.



Estoy en paz.

Mira mi corazón.

Patrick Cassidy
El irlandés Patrick Cassidy compuso esta maravillosa cancion, Vide Cor Meum, para la pelicula Hannibal, la continuación de El silencio de los corderos. Esta basaba en un soneto que aparece en la primera obra de Dante Alighieri: la Vita Nuova. También suena en otra pelicula de Ridley Scott, El Reino de los Cielos.



fonte :http://agaudi.wordpress.com/
Ustedes y nosotros




Ustedes cuando aman

exigen bienestar

una cama de cedro

y un colchón especial

nosotros cuando amamos

es fácil de arreglar

con sábanas qué bueno

sin sábanas da igual

ustedes cuando aman

calculan interés

y cuando se desaman

calculan otra vez

nosotros cuando amamos

es como renacer

y si nos desamamos

no la pasamos bien

ustedes cuando aman

son de otra magnitud

hay fotos chismes prensa

y el amor es un boom

nosotros cuando amamos

es un amor común

tan simple y tan sabroso

como tener salud

ustedes cuando aman

consultan el reloj

porque el tiempo que pierden

vale medio millón

nosotros cuando amamos

sin prisa y con fervor

gozamos y nos sale

barata la función

ustedes cuando aman

al analista van

él es quien dictamina

si lo hacen bien o mal

nosotros cuando amamos

sin tanta cortedad

el subconsciente piola

se pone a disfrutar

ustedes cuando aman

exigen bienestar

una cama de cedro

y un colchón especial

nosotros cuando amamos

es fácil de arreglar

con sábanas qué bueno

sin sábanas da igual.

Mario Benedetti
VELETA




Viento del Sur,

moreno, ardiente,

llegas sobre mi carne,

trayéndome semilla

de brillantes

miradas, empapado

de azahares.



Pones roja la luna

y sollozantes

de álamos cautivos, pero vienes

¡demasiado tarde!

¡Ya he enrollado la noche de mi cuento

en el estante!



Sin ningún viento,

¡hazme caso!,

gira, corazón;

gira, corazón.



Aire del Norte,

¡oso blanco del viento!

Llegás sobre mi carne

temboloroso de auroras

boreales,

con tu capa de espectros

capitanes,

y riyéndote a gritos

del Dante.

¡Oh pulidor de estrellas!

Pero vienes

demasiado tarde.

Mi almario está musgoso

y he perdido la llave.



Sin ningún viento,

¡hazme caso!,

gira, corazón;

gira, corazón.



Brisas, gnomos y vientos

de ninguna parte.

Mosquitos de la rosa

de pétalos pirámides.

Asilios destilados

entre los rudos árboles,

flautas en la tormenta,

¡dejadme!

Tiene recias cadenas

mi recuerdo,

y está cautiva el ave

que dibuja con trinos

la tarde.



Las cosas que se van no vuelven nunca,

todo el mundo lo sabe,

y entre el claro gentío de los vientos

es inútil quejarse.

¿Verdad, chopo, maestro de la brisa?

¡Es inútil quejarse!



Sin ningún viento,

¡hazme caso!,

gira, corazón;

gira, corazón.

Federico Garcia Lorca

Teste nuclear estadunidense em 1958

sexta-feira, 5 de março de 2010


CAMBODIA. Phnom Penh. Genocide museum of Tuol sleng, situated in a school transformed into an interrogation center by the Khmer Rouge. Dismantling of a map made by Vann Nath, one of two survivors of Tuol Sleng, in 1979 and made of skulls collected from nearby Choeung Ek Killing Field.
The Khmer Rouge, led by Pol Pot, was blamed for one of the worst horrors of the 20th century. At least 1.7 million people - nearly one-quarter of Cambodia's population - died under the regime, from execution, disease, starvation and overwork.

The first accused, Kaing Guek Eav, alias Duch, was in charge of the S21 interrogation center, a prison converted from a school. At the prison, men, women and children were shackled to iron beds and tortured before they were beaten to death. He is charged with crimes against humanity. His verdict will be pronounced within the next couple of months. Nuon Chea, Khieu Samphan, Ieng Sary and his wife Ieng Thirith, all the remaining top leaders of the 'Angkar' (the Organisation), are waiting in their cell for their trial to begin. They are charged with crimes against humanity and genocide

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Vietnam Veterans Memorial, Washington DC, 1983-1986
Vietnam Veterans Day in Texas. Dan Jordan, 36, Vietnam War veteran, and his son Chad Jordan, 10, after a speech about Agent Orange outside the Texas State Capital, Austin, Texas, 1981
Checking the rangeland, southwest Texas, 1974
A Moment of Relaxation, Municipal Auditorium, Savannah, Georgia, 1963
Family Decorating Cars, Pooler, Georgia, 1957
An American GI on a dawn patrol over the hill overlooking the capital. Kabul, Afghanistan.
Young women wearing loose headscarves outside a traditional café. Darakhé, Iran
Fundamentalist Christians display the Ten Commandments at the rally in front of the State Supreme Court. Montgomery, Alabama, USA.
A militant of the Islamist party Hamas with a face mask showing the Jerusalem Dome of the Rock. Gaza City, Palestine

sábado, 27 de fevereiro de 2010

"a vida diz respeito à atividadee sentido para os quais tanto a cidadania quanto a riqueza das nações são meramente uma condição " .
Ralf Dahrendorf,in  "conflito social moderno "

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Since 2007, Guinea-Bissau, a former Portuguese colony and one of the poorest nations in the world, has become the new hub for cocaine trafficking in Africa. Drug cartels from South America and the voracious appetite for cocaine in Europe has transformed this tiny country into a living hell.