plásticos voando baixo
cacos de uma garrafa
pétalas
sobre o asfalto
aquilo
que não mais
se considera útil
ou propício
há um balde
naquela lixeira
está nos sacos
jogados na esquina
caixas de madeira
está nos sacos
ao lado da cabine
telefônica
o lixo está contido
em outro saco
restos de comida e cigarros
no canteiro, sem a árvore,
lixo consentido
agora sob o viaduto
onde se confunde
com mendigos
Régis Bonvicino
Mostrando postagens com marcador régis bonvicino. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador régis bonvicino. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
AGONIA
uma gaivota rente ao mar
voa entre os barcos
no pôr-do-sol
toca
asas na água
sem o peixe
voando em círculos
perto da árvore
em bando barcos parados
a voz da gaivota,
aguda, ecoa
rumo ao mar
fechado, mergulha
imersa, agora, como ostra
destroça o peixe
entre as patas gaivotas a lua?
na água que apagou
nuvens sobre a montanha
onde já é quase noite
acima um céu azul ainda
horizonte uma gaivota voa
luz acesa da ponte
silêncio íntimo da baía
cor no entanto a onda
Régis Bonvicino
Régis Bonvicino é autor de vários livros de poesia, entre eles: Bicho papel (SP, Groove, 1975); Régis Hotel (SP, Groove, 1978); Sósia da cópia (SP, Max Limonad, 1983); Más companhias (SP, Olavobrás, 1987); 33 poemas (SP, Iluminuras, 1990); Outros poemas (SP, Iluminuras, 1993); Ossos de borboleta (SP, 34, 1996); Céu-eclipse (SP, 34, 1999); Remorso do cosmos (SP, Ateliê, 2003).
voa entre os barcos
no pôr-do-sol
toca
asas na água
sem o peixe
voando em círculos
perto da árvore
em bando barcos parados
a voz da gaivota,
aguda, ecoa
rumo ao mar
fechado, mergulha
imersa, agora, como ostra
destroça o peixe
entre as patas gaivotas a lua?
na água que apagou
nuvens sobre a montanha
onde já é quase noite
acima um céu azul ainda
horizonte uma gaivota voa
luz acesa da ponte
silêncio íntimo da baía
cor no entanto a onda
Régis Bonvicino
Régis Bonvicino é autor de vários livros de poesia, entre eles: Bicho papel (SP, Groove, 1975); Régis Hotel (SP, Groove, 1978); Sósia da cópia (SP, Max Limonad, 1983); Más companhias (SP, Olavobrás, 1987); 33 poemas (SP, Iluminuras, 1990); Outros poemas (SP, Iluminuras, 1993); Ossos de borboleta (SP, 34, 1996); Céu-eclipse (SP, 34, 1999); Remorso do cosmos (SP, Ateliê, 2003).
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
“Quantas vezes
esfregou
os dedos nas unhas
o sol caindo atrás
das paredes
quantas vezes revezou-se
consigo mesmo em silêncio
quantas vezes esteve
no justo oriente de qualquer limo
quantas vezes quis
ser Rimbaud e traficou
aspirina
os dias passaram, severos,
como o vazio
hoje?, ontem?, quantas vezes
as grimpas não giraram
o amor era das palavras, entre elas
fria estrela que irrompe
(Canção 4. De Remorso do Cosmos, 2003)
ATÉ AGORA
Autor: Régis Bonvicino. Editora: Imprensa Oficial
esfregou
os dedos nas unhas
o sol caindo atrás
das paredes
quantas vezes revezou-se
consigo mesmo em silêncio
quantas vezes esteve
no justo oriente de qualquer limo
quantas vezes quis
ser Rimbaud e traficou
aspirina
os dias passaram, severos,
como o vazio
hoje?, ontem?, quantas vezes
as grimpas não giraram
o amor era das palavras, entre elas
fria estrela que irrompe
(Canção 4. De Remorso do Cosmos, 2003)
ATÉ AGORA
Autor: Régis Bonvicino. Editora: Imprensa Oficial
“Me
transformo,
outra janela–
outro
que se afasta e não se
reaproxima
nas desobjetivações e
reativações,
nas linhas e realinhamentos
outros
me atravessam
morto de ser
coisas perdem sentido
expressões figuradas como
ossos de borboleta
me transformo
na observação
de uma pétala
*
Me destransformo
a mesma janela –
outro
que não se afasta
Nas objetivações,
alinhamentos
e linhas inexistentes
iguais me repassam
Retrato desativado,
taxidermista de mim mesmo
Régis Bonvicino
(Me Transformo. Ossos de Borboleta, 1999)
transformo,
outra janela–
outro
que se afasta e não se
reaproxima
nas desobjetivações e
reativações,
nas linhas e realinhamentos
outros
me atravessam
morto de ser
coisas perdem sentido
expressões figuradas como
ossos de borboleta
me transformo
na observação
de uma pétala
*
Me destransformo
a mesma janela –
outro
que não se afasta
Nas objetivações,
alinhamentos
e linhas inexistentes
iguais me repassam
Retrato desativado,
taxidermista de mim mesmo
Régis Bonvicino
(Me Transformo. Ossos de Borboleta, 1999)
“O que matou com disparos
na cabeça
O que eletrocutou o
estuprador
- fio puxado do bico de luz
da cela -
e pediu perdão a Deus
O que decepou um dos seus
O que trocava de nome & de sexo
a cada morte
O que ouvia vozes
O que estuprou a filha
(meses)
O que atraía garotos
com revistas de mulheres nuas
“Papillon” traficava cocaína
e crack
Narque espancou o cara
até abrir sua carne
(O Que. Outros Poemas, 1993)
Régis Bonvicino
na cabeça
O que eletrocutou o
estuprador
- fio puxado do bico de luz
da cela -
e pediu perdão a Deus
O que decepou um dos seus
O que trocava de nome & de sexo
a cada morte
O que ouvia vozes
O que estuprou a filha
(meses)
O que atraía garotos
com revistas de mulheres nuas
“Papillon” traficava cocaína
e crack
Narque espancou o cara
até abrir sua carne
(O Que. Outros Poemas, 1993)
Régis Bonvicino
“O lobo-guará é manso
foge diante de
qualquer ameaça
é solitário
avesso ao dia, tímido
detesta as cidades
para fugir do ataque
cada vez mais inevitável
dos cachorros
atravessa estradas
onde quase sempre é
atropelado
onívoro, com mandíbulas
fracas
come pássaros, ratos, ovos,
frutas
às vezes, quando está perdido,
vasculha latas de lixo nas ruas
engasga ao mastigar garrafas
de plástico ou isopores
se corta e ou morre ao morder
lâmpadas fluorescentes
ou engolir fios elétricos
morre ao lamber inseticidas
ou restos de tinta
ou ao engolir remédios
vencidos
ou seringas e agulhas
descartáveis
dócil, sem astúcia,
é facilmente capturado e morto
por traficantes de pele
quando então uiva
(Extinção. Página Órfã, 2007)
foge diante de
qualquer ameaça
é solitário
avesso ao dia, tímido
detesta as cidades
para fugir do ataque
cada vez mais inevitável
dos cachorros
atravessa estradas
onde quase sempre é
atropelado
onívoro, com mandíbulas
fracas
come pássaros, ratos, ovos,
frutas
às vezes, quando está perdido,
vasculha latas de lixo nas ruas
engasga ao mastigar garrafas
de plástico ou isopores
se corta e ou morre ao morder
lâmpadas fluorescentes
ou engolir fios elétricos
morre ao lamber inseticidas
ou restos de tinta
ou ao engolir remédios
vencidos
ou seringas e agulhas
descartáveis
dócil, sem astúcia,
é facilmente capturado e morto
por traficantes de pele
quando então uiva
(Extinção. Página Órfã, 2007)
Assinar:
Postagens (Atom)