sexta-feira, 5 de abril de 2019

Castells vê “expansão do não capitalismo”

03/12/2012

Entrevista a Paul Mason. Tradução: Gabriela Leite para o Outras Palavras

O professor Manuel Castells é um dos sociólogos mais citados no mundo. Em 1990, quando os mais tecnologicamente integrados de nós ainda lutavam para conseguir conectar seus modens, o acadêmico espanhol já documentava o surgimento da Sociedade em Rede e estudava a interação entre o uso da internet, a contracultura, movimentos de protesto urbanos e a identidade pessoal.

Paul Mason, editor de notícias econômicas da rádio BBC, entrevistou o professor Castells na London School of Economics (Escola de Economia de Londres) sobre seu último livro, “Aftermath: The Cultures of Economic Crisis” (“Resultado: as Culturas da Crise Econômica”), ainda sem tradução para português.

Castells sugere que talvez estejamos prestes a ver o surgimento de um novo tipo de economia. Os novos estilos de viver dão sentido à existência, mas a mudança tem também um segundo motor: consumidores que não têm dinheiro para consumir.

São práticas econômicas não motivadas pelo lucro, tais como o escambo, as moedas sociais, as cooperativas, as redes de agricultura e de ajuda mútua, com serviços gratuitos – tudo isso já existe e está se expandindo ao redor do mundo, diz ele. Se as instituições políticas vão se abrir para as mudanças que acontecem na sociedade – é cedo para saber. Seguem trechos da conversa.

O que é surgimento de novas culturas econômicas?

Quando menciono essa Cultura Econômica Alternativa, é uma combinação de duas coisas. Várias pessoas têm feito isso já há algum tempo, porque não concordam com a falta de sentido em suas vidas. Agora, há algo mais — é a legião de consumidores que não podem consumir. Como não consomem — por não terem dinheiro, nem crédito, nem nada — tentam dar sentido a suas vidas fazendo alguma coisa diferente. Portanto, é por causa das necessidades e valores — as duas coisas juntas — que isso está se expandindo.

Você escreveu que as economias são culturais. Pode falar mais sobre isso?

Se queremos trabalhar para ganhar dinheiro, para consumir, é porque acreditamos que comprando um carro novo ou uma nova televisão, ou um apartamento melhor, seremos mais felizes. Isso é uma forma de cultura. As pessoas estão revertendo essa noção. Pelo contrário: o que é importante em suas vidas não pode ser comprado, na maioria dos casos. Mas elas não têm mais escolha porque já foram capturadas pelo sistema. O que acontece quando a máquina não funciona mais? As pessoas dizem “bem, eu sou mesmo burro. Estou o tempo todo correndo atrás de coisa nenhuma”.

Qual a importância dessa mudança cultural?

É fundamental, porque desencadeia uma crise de confiança nos dois maiores poderes do mundo: o sistema político e o financeiro. As pessoas não confiam mais no lugar onde depositam seu dinheiro, e não acreditam mais naqueles a quem delegam seu voto. É uma crise dramática de confiança – e se não há confiança, não há sociedade. O que nós não vamos ver é o colapso econômico per se, porque as sociedades não conseguem existir em um vácuo social. Se as instituições econômicas e financeiras não funcionam, as relações de poder produzem transformações favoráveis ao sistema financeiro, de forma que ele não entre em colapso. As pessoas é que entram em colapso em seu lugar.

A ideia é que os bancos vão ficar bem, nós não. Aí está a mudança cultural. E grande: uma completa descrença nas instituições políticas e financeiras. Algumas pessoas já começam a viver de modo diferente, conforme conseguem – ou porque desejam outras formas de vida, ou porque não têm escolha. Estou me referindo ao que observei em um dos meus últimos estudos sobre pessoas que decidiram não esperar pela revolução para começar a viver de outra maneira – o que resulta na expansão do que eu chamo de “práticas não capitalistas”.

São práticas econômicas, mas que não são motivadas pelo lucro – redes de escambo, moedas sociais, cooperativas, autogestão, redes de agricultura, ajuda mútua, simplesmente pela vontade de estar junto, redes de serviços gratuitos para os outros, na expectativa de que outros também proverão você. Tudo isso existe e está se expandindo ao redor do mundo.

Na Catalunha, 97% das pessoas que você pesquisou estavam engajadas em atividades econômicas não capitalistas.

Bem, estão entre 30-40 mil os que são engajados quase completamente em modos alternativos de vida. Eu distinguo pessoas que organizam a vida conscientemente através de valores alternativos de pessoas que têm vida normal, mas que têm costumes que podem ser vistos como diferentes, em muitos aspectos. Por exemplo, durante a crise, um terço das famílias de Barcelona emprestaram dinheiro, sem juros, para pessoas que não são de sua família.

O que é a Sociedade em Rede?

É uma sociedade em que as atividades principais nas quais as pessoas estão engajadas são organizadas fundamentalmente em rede, ao invés de em estruturas verticais. O que faz a diferença são as tecnologias de rede. Uma coisa é estar constantemente interagindo com pessoas na velocidade da luz, outra é simplesmente ter uma rede de amigos e pessoas. Existe todo tipo de rede, mas a conexão entre todas elas – sejam os mercados financeiros, a política, a cultura, a mídia, as comunicações etc –, é nova por causa das tecnologias digitais.

Então, nós vivemos numa Sociedade em Rede. Podemos deixar de viver nela?

Podemos regredir a uma sociedade pré-eletricidade? Seria a mesma coisa. Não, não podemos. Apesar de agora muitas pessoas estarem dizendo “por que não começamos de novo?” É um grande movimento, conhecido como “decrescimento”. Algumas pessoas querem tentar novas formas de organização comunitária etc.

No entanto, o interessante é que, para as pessoas se organizarem e debaterem e se mobilizarem pelo decrescimento e o comunitarismo, elas têm que usar a internet. Não vivemos numa cultura de realidade virtual, mas de real virtualidade, porque nossa virtualidade – significando as redes da internet – é parte fundamental da nossa realidade. Todos os estudos mostram que as pessoas que são mais sociáveis na internet são também mais sociáveis pessoalmente.

Existem diversos grupos que hoje protestam sobre o assunto A, amanhã sobre o assunto B, e à noite jogam World of Warcraft (jogo RPG online de aventura). Mas será que eles vão conseguir o que Castro e Guevara conquistaram?

O impacto nas instituições políticas é quase insignificante, porque elas são hoje impermeáveis a mudanças. Mas, se você olhar para o que está acontecendo em termos de consciência… há coisas que não existiam três anos, como o grande debate sobre a desigualdade social.

Em termos práticos, o sistema é muito mais forte do que os movimentos nascentes… você atinge a mente das pessoas por um processo de comunicação, e esse processo, hoje, acontece fundamentalmente pela internet e pelo debate. É um processo longo, que vai das mentes das pessoas às instituições da sociedade. Vamos usar um exemplo histórico: a partir do fim do século XIX, na Europa, existiam basicamente os Conservadores e os Liberais, direita e esquerda. Mas então alguma coisa aconteceu – a industrialização, os movimentos da classe trabalhadora, novas ideologias. Nada disso estava no sistema político. Depois de vinte ou trinta anos, vieram os socialistas e depois a divisão dos socialistas… e os liberais basicamente desapareceram. Isso mudará a política, mas não por meio de ações políticas organizadas da mesma maneira. Por quê? Porque as redes não necessitam de organizações hierárquicas.

Onde isso vai dar?

Tudo isso não vai virar uma grande coalizão eleitoral, não vai virar nenhum novo partido, nenhum novo coisa nenhuma. É simplesmente a sociedade contra o Estado e as instituições financeiras – mas não contra o capitalismo, aliás, contra instituições financeiras, o que é diferente.

Com esse clima, acontece que nossas sociedades se tornarão cada vez mais ingovernáveis e, em consequência, poderá ocorrer todo tipo de fenômeno – alguns muito perigosos. Veremos muitas expressões de formas alternativas de política, que escaparão das correntes principais de instituições políticas tradicionais. E algumas, é claro, voltando ao passado e tentando construir uma comunidade primitiva e nacionalista para atacar todos os outros movimentos e, finalmente, conseguir ter uma sociedade excluída do mundo, que oprime seu próprio povo.

Mas acontece que, em qualquer processo de mudança social desorganizada e caótica, todos esses fenômenos coexistem. E o modo como atuam uns contra os outros vai depender, em última análise, de as instituições políticas abrirem suficientemente seus canais de participação para a energia de mudança que existe na sociedade. Então talvez elas possam superar a resistência das forças reacionárias que também estão presentes em todas as sociedades.
Esta reportagem foi publicada no site http://revistaforum.com.br/. Todas as informações nela contidas são de responsabilidade do autor.
A partir do site da SEED : http://www.sociologia.seed.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=483

segunda-feira, 25 de março de 2019

Qual o motivo da temporalidade da escolha da prisão de Temer e Moreira Franco para hoje ?


"Qual o motivo da temporalidade da escolha da prisão de Temer e Moreira Franco para hoje ? Por que não foram presos antes e afastados do poder quando ainda comandavam o jogo político ? 1 - Querem tirar da agenda do noticiário as grandes manifestações de amanhã contra o roubo da previdência, a principal política do desgoverno dos Bozos e maior objetivo do capital financeiro nessa conjuntura. 2 - Ameaçar e responder às críticas feitas ao "partido político lavajateiro" esculachado pelo STF e pelo presidente da Câmara. 3 - Ameaçar com o punitivismo fora de tempo e espaço qualquer outra liderança política que questione o Estado dentro do Estado da farsa a jato, magoados depois que impediram o uso privado dos roubados 2,5 bilhões 4 - Dar o recado para a família dos Bolsonaros e para qualquer membro do sistema político que eles podem ser o Lula e o Temer amanhã, se não os empoderarem e financiarem. 5 - Garantir a continuidade da juridiocracia que destruiu a democracia brasileira, atacando o que resta de institucionalidade e garantismo no STF e Congresso. 6- Querem manter Lula preso sem crime, Lula sim é o maior líder da oposição injustamente convertido em refém desse sistema judicial e preso político. Metáfora: Um fortíssimo antibiótico é como a prisão de políticos, deve ser dado na hora certa, somente para causas certas, se derem antes ou depois só poderá piorar as coisas, como o que está acontecendo no Brasil."
Ricardo Costa de Oliveira

A causa de ser vital ler Maquiavel...




"Espero, e o esperar aumenta o tormento:
Choro, e o choro nutre o coração prostrado;
Rio e o riso me não repercute dentro;
Queimo e a minha chama não vem para fora;
Temo o que vejo e o que sinto;
Qualquer coisa me traz nova dor;
Então, esperando, choro rio e queimo,
E medo tenho do que ouço e vejo"

(poema de Maquiavel, citado por Roberto Ridolfi, Biografia de Maquiavel, Musa Editora).


 É o que vive o brasileiro de hoje, sem mais nem menos.

 Roberto Romano

terça-feira, 5 de março de 2019

Incompreensível para as massas



Vladimir Maiakóvski

Tradução: Augusto e Haroldo de Campos

Entre escritor
e leitor
posta-se o intermediário,
e o gosto
do intermediário
é bastante intermédio.
Medíocre
mesnada
de medianeiros médios
pulula
na crítica
e nos hebdomadários.
Aonde
galopando
chega teu pensamento,
um deles
considera tudo
sonolento:
– Sou homem
de outra têmpera! Perdão,
lembra-me agora
um verso
de Nadson…
O operário
Não tolera
linhas breves.
E com tal
mediador
ainda se entende Assiéiev
Sinais de pontuação?
São marcas de nascença!
O senhor
corta os versos
toma muitas licenças.
Továrich Maiacóvski,
porque não escreve iambos?
Vinte copeques
por linha
eu lhe garanto, a mais.
E narra
não sei quantas
lendas medievais,
e fala quatro horas
longas como anos.
O mestre lamentável
repete
um só refrão:
– Camponês
e operário
não vos compreenderão.
O peso da consciência
pulveriza
o autor.
Mas voltemos agora
ao conspícuo censor:
Campones só viu
há tempo
antes da guerra,
na datcha,
ao comprar
mocotós de vitela.
Operários?
Viu menos.
Deu com dois
uma vez
por ocasião da cheia,
dois pontos
numa ponte
contemplando o terreno,
vendo a água subir
e a fusão das geleiras.
Em muitos milhões
para servir de lastro
colheu dois exemplares
o nosso criticastro.
Isto não lhe faz mossa -
é tudo a mesma massa…
Gente – de carne e osso!!
E à hora do chá
expende
sua sentença:
– A classe
operária?
Conheço-a como a palma!
Por trás
do seu silêncio,
posso ler-lhe na alma -
Nem dor
nem decadência.
Que autores
então
há de ler essa classe?
Só Gógol,
só os clássicos.
Camponeses?
Também.
O quadro não se altera.
Lembra-me e agora -
a datcha, a primavera…
Este palrar
de literatos
muitas vezes passa
entre nós
por convívio com a massa.
E impige
modelos
pré-revolucionários
da arte do pincel,
do cinzel,
do vocábulo.
E para a massa
flutuam
dádivas de letrados -
lírios,
delírios,
trinos dulcificados.
Aos pávidos
poetas
aqui vai meu aparte:
Chega
de chuchotar
versos para os pobres.
A classe condutora,
também ela pode
compreender a arte.
Logo:
que se eleve
a cultura do povo!
Uma só,
para todos.
O livro bom
é claro
e necessário
a vós,
a mim,
ao camponês
e ao operário.

segunda-feira, 4 de março de 2019

LULA:QUASE 1 ANO NA PRISÃO,QUASE 1 DIA EM LIBERDADE


Helio Fernandes

Iam repetindo a leviandade, parcialidade, inconstitucionalidade, acontecida quando morreu o irmão do ex-presidente. Armaram deliberada confusão ,e quando chegou a decisão final, o enterro já havia terminado. Então, como "compensação", o presidente do STF, DiasToffoli, determinou que o ex-presidente se encontrasse com familiares, num quartel. Inacreditável, logico, Lula recusou.
Agora, os advogados entraram com pedido de autorização para ir ao enterro de um neto. (De apenas 7 anos, paixão do ex -presidente, lindo, lindo, atingido por meningite. Quando Lula foi preso, estava com o neto no colo, foi afastado violentamente pelos irresponsáveis que executavam a operação ).
A defesa foi atendida nas varias instancias, mas espantosamente negado em duas, sendo que numa, concediam, mas queriam que fosse algemado .A decisão positiva surgiu da administração, que liberou até avião para leva-lo até SP, e lá, helicóptero, que o transportou até o velório. Na volta, o mesmo esquema.
Os derrotados ,cheios de ódio, entraram com recurso no STF. O mesmo Dias Toffoli, imediatamente recusou tudo, e ratificou o que estava decidido.
Não houve manifestação, apesar da presença de grandes personalidades, e multidão de amigos e correligionários. Só um discurso emocionante e emocionado, da extraordinária figura de Eduardo Suplicy. Varias vezes senador, de grandeza insuperável.
O carnaval de Lula, ( não de festa, mas de sofrimento) começou ás 7 da manhã, quando saiu de Curitiba, terminou ás 4 da tarde, quando voltou. Por decisão dele mesmo.
PS- Não quis aproveitar seu tempo, ás 15 para ás 4, estava na carceragem.


Sonia Sales_____________________________ Tirsite demais! Acho que ele não vai aguentar.

Evandro Gonçalves de Almeida_______________ Vai sair mais forte, o que não te mata te fortalece.


Kacá Versiani _____________________________Que desgraça esse judiciário, esse desgoverno, essas pessoas que estão destruindo nossas vidas...!
Com total apoio dos fuzis !

Alexandre Lydia _______________________Reaça prefere acreditar que o Lula é culpado mesmo sabendo que não há provas e que a ONU vai denunciar o lawfare que o vitima ainda este ano. Porque reconhecer a inocência do Lula para bolsominions envergonhados é o mesmo que passar um atestado de burrice e canalhice completa. Então continuam fingindo que acreditam que o Lula roubou um apartamento que nunca foi dele e um sítio que pertence ao melhor amigo. Só pra não verem quem são realmente no espelho negro, depois de perseguirem e caluniarem a vida inteira um inocente que nunca lhes fez nada.
Direitista não tem idealismo ou senso de solidariedade como esquerdista. Direitista não acredita no estado como instituição, só pensa em privatizar. Entra na política para fazer carreira e ganhar dinheiro apoiando a pauta dos milionários, praticando aulicismo. pos-quim.com

Guilherme Correa___________________________ Texto triste e preciso.
Mas aí vem a "perguntinha ingênua, inócua e inútil" (royalties para o senhor):
Devolveram o iPad da criança?
Só nessa República de m... um juiz com ajuda da PF rouba doce de criança.
"Manda a PF devolver os iPads dos meus netos", pede Lula a Moro

Alice Weiss__________________ Nosso Lula está tendo muitas provas,mas ve.se q continua íntegro e conserva sua sanidade mental apesar de abatido.Muitas perdas em tão pouco tempo!Quanta dor!Mas esse nordestino é mais forte q toda essa cambada q está assaltando nosso país e não vai ser destruído por esses infames.#Lulalivre
Cesar Fonseca Relatar com competência, eis o vício desse repórter sensacional
Ricardo José Lopes Clemente O aparato policial, armados com fuzis de alto poder, demonstra o povo que os covardes atuais tem de Lula, covardia inédita, se andassem por aí armados como estavam, os bandidos que nos atemorizam por aí, sumiriam de circulação. STF, redima-se com urgência.

Anthony Kudsi Rodrigues ________________ "Senhor, você perdeu, afinal, todo senso de decência?" perguntou o advogado Joseph Welch ao inquisidor-mór Senador McCarthy durante o Macartismo nos EUA , que durou do final dos anos 40 até o início dos anos 60. Quem fará o mesmo aqui no Macartismo tupiniquim, antes que se cometam as mesmas barbaridades como a eletrocussão do inocente casal Rosemberg e as perseguições em todo e estrato social que resultaram em suicídios e outras desagregações sociais?". Boa noite , Boa sorte" , como dizia outro grande combatente deste fascismo americano, o jornalista Ed Murrow.

Helio Fernandes_____________________ Texto muito bem escrito, e dominado por informações privilegiadas. Parabéns e obrigado, Anthony Kudsi Rodrigues.

Andre Gonzaga __________________Mestre Hélio, como pode até hoje não haver uma entrevista com o Lula,?O maníaco do parque deu entrevista, o Marcola deu entrevista, o assassino da luz vermelha, o ator que matou Daniela Peres, Suzana von Richthofen, Fernando beira mar, tantos outros criminosos polêmicos concederam longas e várias entrevistas, antes da condenação durante o processo e depois do trânsito em julgado, por quê o Lula continua incomunicável? Pensei que algum repórter conseguiria se aproximar dele. Isso é comum?

Alice Weiss_______________________ Andre Gonzaga, vc não me perguntou nada ,mas vou dar minha opinião. Tudo relativo a Lula nesse governo é significativo. Nada é comum. Eles nunca darão voz a ele. Querem q o povo esqueça seu herói e q Lula definhe na solidão. Essa postura e para apagar esse elo q existe entre Lula e nós POVÃO ,q conseguimos reconhecer nele o único presidente q se interessou em beneficiar os mais necessitados. Desculpas por me intrometer em sua Helio Fernandes André Gonzaga- Excelente colocação. Muitos jornalistas pediram para entrevista-lo, não recebem nem resposta. Seria sensacional. Na TV, recorde de audiência.

Andre Gonzaga ______________E um esclarecimento necessário à toda a população. Por quê manter o Lula incomunicável?

Fabiana Santos _______________Lula é preso político. Ainda há quem duvide disso... Por isso nada se esclarece à população, nada se explica ao povo neste estado de exceção. Enquanto as elites permanecerem caladas, o que significa apoio, nada mais é levado em conta... seguem olímpicos com o golpe.
Ricardo José Lopes Clemente Ainda não houve o trânsito em julgado da sentença.

sábado, 2 de março de 2019


POEMÍNIMO



já vai?
é tarde ainda
fique mais um pouco
deus me livre!
cansou de mim e de meu canto?
quando jovem era outro papo
a esperança cantava
esporro e sopapo
o fim era só o começo
e mais um tanto
meu destino é meu verso!
ainda imaginas
felicidade ao pôr do sol?
já era o dia
é frio o universo
dura a terra
a coruja pia
tuas pálpebras fecham
diante dos teus olhos
o mundo desaparece

Friedrich Holderlin

por antonio thadeu wojciechowski


TRAZER PRA DENTRO DE SI O CÉU COM UM SORRISO




coração, abre as asas sobre a pequena ave!
é dela o segredo das eras antigas !
bem melhor é saber que já ouvi essas cantigas
quem não as ouve está morto e ainda não sabe

meu pensamento caminha pela amplidão,
inaudito, faminto, sedento, juvenil!
mesmo sendo domingo, onde já se viu?,
depois de jovens, homens se enchem de razão

tomara que eu não seja útil ou decisivo
mas que ame mais do que quem mendiga
não há ninguém tão louco que não consiga
trazer pra dentro de si o céu com um sorriso

E. E. Cummings

por antonio thadeu wojciechowski


Hino menino




Já faz muitos anos, mais de dez, quase quinze. Eu não era nem mãe ainda. Meu pai comentou que a escola fundada por ele não tinha hino, que a escola precisava de um hino. Entendi aquilo como um convite apelo e tomei pra mim o desafio de rabiscar num caderninho um refrão e mais duas estrofes.

Para o campo semântico, escolhi termos que sempre foram caros àquele educador apaixonado: paz, liberdade, abertura, respeito, aprendizado, criatividade, expressão, amizade, cooperação... Não demorou muito e, depois de alguns cortes e substituições de palavras para ajustar métrica e rimas, a letra ficou pronta.

Tentei fazer a melodia também, mas não prestou. Passei, então, a tarefa para o meu irmão mais novo, que rapidinho solucionou o problema, ajeitando ritmo e cifras. Botou inclusive uma pausa bem oportuna, que virou o charme da música.

Já faz alguns anos que a letra do hino vem impressa na agenda dos alunos da escola, mas eu nunca tinha visto as crianças cantando os meus versinhos. Depois de tanta história, finalmente eu tive o prazer de assistir à apresentação do hino pela criançada. Foi na solenidade de aniversário dos 14 anos da escola, que concentrou na quadra mais de 400 alunos de educação infantil e ensino fundamental. As turmas de 3º, 4º e 5º anos, uniformizadas e regidas pela professora de música, fizeram o coro: “Atual é a vontade de aprender. Atual é o desejo de ser feliz...”.

Eu ouvia a harmonia do conjunto, mas meus olhos se fixavam mesmo era numa moreninha do 3º ano: minha caçula, muito tímida, mas demonstrando orgulho de estudar na escola que o vovô e a vovó construíram (hoje administrada com zelo e dedicação pela vovó, pelo tio e pela tia). A minha primogênita também estava participando, toda prosa, lá na plateia.

Quanta emoção! E quanta saudade do meu pai, que estaria hoje com 74 anos. “Quero um mundo criativo e bem aberto (...) Muita paz e muito amor eu vou plantar.”

Maria Amélia Elói

Postado originalmente  no :

http://samizdat.oficinaeditora.com/feeds/posts/default

em : 26 Feb 2019

Es melancolía



Te llamarás silencio en adelante.
Y el sitio que ocupabas en el aire
se llamará melancolía.

Escribiré en el vino rojo un nombre:
el tu nombre que estuvo junto a mi alma
sonriendo entre violetas.

Ahora miro largamente, absorto,
esta mano que anduvo por tu rostro,
que soñó junto a ti.

Esta mano lejana, de otro mundo
que conoció una rosa y otra rosa,
y el tibio, el lento nácar.

Un día iré a buscarme, iré a buscar
mi fantasma sediento entre los pinos
y la palabra amor.

Te llamarás silencio en adelante.
Lo escribo con la mano que aquel día
iba contigo entre los pinos.

Eduardo Carranza. Colômbia, (1913-1985)

Biblioteca Digital Ciudad Seva

Casablanca - As Time Goes By - Original Song by Sam (Dooley Wilson)


terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

DE CABEÇA


Poema de Ocean Vuong, traduzido por Rogério Galindo:



Você não sabe? O amor de mãe
ignora o amor-próprio
como o fogo ignora
os gritos sonoros
daquilo que queima. Meu filho,
mesmo amanhã
você vai ter o hoje. Você não sabe?
Alguns homens tocam seios
como tocassem
o topo de crânios. Homens
que ultrapassam montanhas
levando seus sonhos, seus mortos
nas costas.
Mas só uma mãe pode andar
com o peso
de um segundo coração que bate.
Garoto tolo.
Talvez você se perca em todo livro
mas jamais vai se esquecer de si
como deus esquece
as próprias mãos.
Quando alguém te perguntar
de onde você é,
responda sempre que o teu nome
virou carne na boca banguela
de uma mulher da guerra.
Que você não nasceu
que você rastejou, de cabeça —
rumo à fome dos cães. Meu filho, responda
que o corpo é uma lâmina que se afia
cortando.





"Se vamos à essência da nossa formação, veremos na realidade que nos constituímos para fornecer açúcar, tabaco, alguns outros gêneros; mais tarde ouro e diamantes; depois, algodão e, em seguida, café, para o comércio europeu. Nada mais que isto. É com tal objetivo, exterior, voltado para fora do país e sem atenção a considerações que não fossem o interesse daquele comércio, que se organizarão a sociedade e a economia brasileiras."

Caio Prado Jr., 'Formação do Brasil Contemporâneo'.

Paris, a "capital infame"


Baudelaire e sua relação de amor e ódio com Paris, a "capital infame":

EPÍLOGO

De coração contente escalei a montanha,
De onde se vê – prisão, hospital, lupanar,
Inferno, purgatório – a cidade tamanha,

Em que o vício, como uma flor, floresce no ar.
Bem sabes, ó Satã, senhor de minha sina,
Que eu não vim aqui para lacrimejar.

Como o amásio senil de velha concubina,
Vim para me embriagar da meretriz enorme,
Cujo encanto infernal me remoça e fascina.

Quer quando em seus lençóis matinais ela dorme,
Rouca, obscura, pesada, ou quando em rosicleres
E áureos brilhos venais pompeia multiforme,

– Amo-a, a infame capital! Às vezes dais,
Ó prostitutas e facínoras, prazeres
Que nunca há de entender o comum dos mortais.

Trad.: Manuel Bandeira

El corazón roto



John Donne

Demente está quien afirma
haber estado una hora enamorado,
mas no es que el amor así se desvanezca,
sino que, de hecho, en menos tiempo puede devorar.
¿Quién osará creerme si juro
haber sufrido un año de esta plaga?
¿Quién no se reiría de mí si yo dijera
que vi arder todo un día la pólvora de un frasco?

¡Ay, qué insignificante el corazón,
si llega a caer en manos del amor!
Cualquier otro pesar deja sitio
a otros pesares, y para sí reclama solo una parte.
Vienen hasta nosotros, pero a nosotros el Amor arrastra,
y, sin masticar, nos absorbe.
Por él, como por el infame hierro, tropas enteras caen.
Él es el esturión tirano; nuestros corazones, la morralla.

Si así no fue, ¿qué le sucedió
a mi corazón cuando te vi?
A la alcoba traje un corazón,
pero de ella emergí vacío, desolado.
Si contigo hubiera ido, sé
que a tu corazón el mío le habría enseñado
la compasión.
Pero, ¡ay!, Amor, de una herida lacerante la felicidad
se ha quebrado.

Más la Nada en Nada puede convertirse,
ni sitio alguno puede del todo vaciarse,
así, pues, pienso que aún posee mi pecho todos
esos fragmentos, aunque no estén reunidos.
Y ahora, como los espejos rotos muestran
cientos de rostros más menudos, así
los añicos de mi corazón pueden sentir agrado,
deseo y adoración,
pero después de tal Amor, jamás volverán a amar.

“The Broken Heart”, 1633

sábado, 9 de fevereiro de 2019


A forma como a lei é aplicada é o mais importante termômetro do autoritarismo e do golpismo. Na transição para qualquer ditadura, seja no fascismo italiano, no nazismo alemão, em ditaduras militares cucarachas, chama a atenção a continuidade dos mesmos juízes, da mesma magistratura, dos mesmos tribunais, das mesmas leis, agora personificadas e aplicadas por novas caras de juristas vingadores e oportunistas associados aos novos regimes golpistas autoritários. Como a história ensina, as democracias sempre morrem primeiro pela aplicação instrumental e golpista das leis existentes, retorcidas e desfiguradas para atenderem aos interesses autoritários dos novos regimes de exceção. Só depois de instalado o regime de exceção e depois a ditadura é que podem pensar em algumas mudanças institucionais, caso precisem posteriormente. No caso da Alemanha Nazista, o arquétipo do jurista autoritário como membro orgânico do partido político de direita, nem precisaram mudar a Constituição porque os magistrados e os tribunais já interpretavam e aplicavam as leis como queriam para perseguir opositores e adversários do regime.
RCO


"Não Verás País Nenhum", a distopia de Ignácio de Loyola Brandão, livro lançado em 1981, sempre me impressionou e assustou como o espelho do que podíamos negativamente nos tornar e efetivamente nos tornamos. Uma ficção passada no começo do século XXI, a ditadura militar nunca terminou, os desastres e crimes ambientais, os bolsões de calor, a destruição de museus e reservas.Os miseráveis refugiados, a grande pobreza e desigualdade, as multinacionais e seus interesses coloniais no país, a desnacionalização, a privatização, as grandes cercas físicas e sociais aumentando. Os desencontros das tragédias sociais ampliadas, a destruição da esfera pública e coletiva. Nós, jovens esperançosos do início dos anos 1980, lemos aquilo com um tom de perplexidade, angústia e desconfiança. Lamentavelmente o autor apontou corretamente o nosso futuro, um capitão da ditadura militar entusiasta da tortura e repressão no poder golpista, com seus empresários, governadores, assessores e a ARENA continua no comando, com o atual DEM, no Congresso, sempre continuando a tradição de corrupção, pilhagem e rapina. O "esquema" detalhado e descrito tristemente no livro é a narrativa de Brumadinho, do Ninho do Urubu, as mortes em favelas do "novo-velho"desgoverno na sua imensa ignorância e desprezo pela educação, saúde, direitos trabalhistas, humanos e a raiva das autoritárias elites tradicionais brasileiras pela ideia de moderna cidadania e democracia.
RCO

TRAGEDIA,DRAMA FATALIDADE


Helio Fernandes_______________________Tudo está acontecendo no Rio, a antiga Cidade Maravilhosa. Alem da insegurança total e absoluta,com praticamente toda a população aprisionada, ameaçada e amedrontada, pelo poder paralelo dos traficantes, facções criminosas e milicianos.Os traficantes garantidos pelos barões do asfalto, que remetem as drogas, se acumpliciam e dividem os lucros. Astrônomicos. As facções criminosas, dirigidas discricionariamente de dentro das penitenciarias.(Como aconteceu durante 1 mês no Ceará, impondo destruição, morte e medo, ás tropas enviadas pelo ministro Moro).E as cada vez mais poderosas e dominadoras milicias, altamente protegidas e inatingíveis. Se expandindo como verdadeiro Poder. Nada paralelo. Até um dos filhos de Bolsonaro,(Flavio), diz publicamente,"Milicia ignifica segurança". E como deputado condecora dezenas desses bandidos.Responsabilizado(e também por fraudes financeiras )protesta:"Estou sendo perseguido". Agora é a natureza que está contra o Rio e sua população.
 Na quinta feira, impiedoso temporal e vendaval, que atingiu a cidade inteira.
Na sexta, um incêndio restrito ao centro de treinamento do Flamengo, o famoso e popular " ninho do urubu". 10 mortos e 3 feridos, com a constatação lancinante.Jovens, sonhando com um futuro, que se projetava positivo e auspicioso.Alem dos que desapareceram, toda a comunidade se emocionou.Chorou. Lamentou.Compartilhou. Os jovens viviam ali, morreram em pleno sonho, sem saber o que aconteceu. Os pais, famílias, amigos, receberam o impacto,em pleno coração.

Manuela Frade de Almeida__________________ Mestre Helio Fernandes, perdoe minha ousadia mas meu diagnóstico aponta em outra direção: o golpe de 2016 desmontou todo arcabouço do que seria uma nação ou o que pensávamos que seria, rasgou o véu que nos encobria de nós mesmos e cá estamos nus, revelando nossa incapacidade de gerir nossas necessidades mesmo aquelas elementares de sobrevivência.