sexta-feira, 4 de maio de 2018

1919: Protesto estudantil em Pequim



No dia 4 de maio de 1919, universitários chineses protestaram contra o Tratado de Versalhes, que concedia antigos territórios alemães na região aos japoneses. Manifestação desembocou na renovação cultural chinesa.


"Esta é a última chance para a China, na sua luta de vida e morte. Juramos hoje solenemente, junto com todos os nossos compatriotas: o território da China pode ser ocupado, mas não pode ser entregue! O povo chinês pode ser massacrado, mas não se renderá! Nossa pátria está diante da destruição. Levantem-se, irmãos!"

Rebelião no centro de Pequim: 3 mil estudantes distribuem panfletos na praça da Paz Celestial, um lugar que ainda viria a ser palco de outras manifestações estudantis, muitos anos depois.

Jovens querem sacudir o país

Os estudantes estavam decididos a despertar a resistência no país: resistência contra o Tratado de Versalhes, que concedera ao Japão o antigo território colonial alemão. E resistência contra o próprio governo, que pretendia assinar o tratado. Eles marchavam pela cidade e muitos choravam à beira da calçada. Atravessaram o bairro dos diplomatas e invadiram a casa do ministro dos Transportes e chefe do banco estatal, um simpatizante dos japoneses. E gritavam: "Abaixo os traidores!".

O Japão aproveitou a confusão da Primeira Guerra Mundial na Europa para assumir o controle sobre uma grande parte da província oriental chinesa Xantung. Tratava-se da cidade portuária de Tsingtao e suas redondezas, um território que a Alemanha ocupara em 1898 e arrendara posteriormente por 99 anos.

Depois que a Alemanha foi vencida na Primeira Guerra Mundial e o presidente norte-americano Woodrow Wilson enunciou os seus 14 pontos do direito de autodeterminação dos povos, os chineses estavam otimistas de que o Japão devolveria esse território. A delegação chinesa na conferência de paz de Versalhes teve um grande apoio popular, em especial dos estudantes, mas, em vão.

A China não era uma colônia, como a Índia, a Indonésia ou o Vietnã; mas, desde meados do século 19, as potências estrangeiras ocuparam, passo a passo, partes atraentes do seu território, como Hong Kong e Xangai. Muitos chineses sentiam-se humilhados, como uma "meia colônia". A abolição do império milenar, em 1911, não contribuiu para a situação.

Tudo ficou diferente

As manifestações de 4 de maio e das semanas seguintes não obtiveram grande êxito político. Apesar disso, o 4 de maio de 1919 está entre as datas mais conhecidas da história chinesa do século 20: nada ficou como era antes.

O dia é um símbolo da arrancada da China rumo aos tempos modernos. E esse entusiasmo das manifestações estudantis foi preservado durante toda a década de 20. O Movimento de Quatro de Maio, como seria denominado posteriormente, era sedento de toda novidade proveniente do Ocidente.

Surgiram na época tanto o Partido Comunista da China quanto os anarquistas chineses. Também a moderna literatura chinesa teve sua origem com o Quatro de Maio. Ela foi chamada de "nova literatura" – e o que era novo, era considerado bom. Uma das revistas mais importantes da época denominava-se "Nova Juventude".

Os jovens intelectuais do Quatro de Maio fizeram um acerto de contas radical com o tradicional e com os velhos, como nunca ocorrera antes, nem viria a ocorrer depois. Eles viam nesse mofo milenar a verdadeira causa da fraqueza e do atraso da China. Em 1919, a Nova Juventude escrevia:

"Acreditamos que as ciências naturais e a filosofia pragmática sejam condições indispensáveis para o progresso da nossa sociedade atual, e que a superstição e a especulação devam ser abolidas. Acreditamos que o respeito à personalidade e aos direitos da mulher sejam absolutamente imprescindíveis para a evolução progressista da nossa sociedade atual."

Até mesmo novos nomes

Mulheres subservientes, respeito pelos pais: súbito, os valores de Confúcio não prevaleciam mais. A família ficou fora de moda, não se desejava manter nem mesmo os sobrenomes, como recorda o escritor Chang Yiping:

"Conheci um jovem que substituiu os três ideogramas do seu nome por 'Ele-Você-Eu'. E na Universidade de Pequim, na entrada da Faculdade de Filosofia, encontrei certa vez um amigo que estava acompanhado por uma moça de cabelos curtos. Eu lhe perguntei: 'Qual é o seu sobrenome?' Ela me olhou espantada e gritou: 'Eu não tenho sobrenome!' Havia também quem escrevesse a seu pai uma carta com o teor: 'A partir do dia tal, eu não o considerarei mais como meu pai. Somos todos amigos com direitos iguais'."

Posteriormente, a maioria dos chineses considerou tudo isso ridículo. Poucos anos depois, Mao Tsé-tung idealizava o caminho próprio da China para o comunismo. Não era mais possível, simplesmente, copiar o estrangeiro. A China fechava-se cada vez mais em relação ao exterior.

Também Mao Tsé-tung estava na Universidade de Pequim em 1918 e 1919. Como bibliotecário.

Autoria Thomas Bärthlein (am)

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terça-feira, 1 de maio de 2018

MAN WATCHING A WOMAN




I want your hand to be placed on my heart, and come,
I want the palm of your hand on my heart, for it to be placed on me.
Before you come I shall light a fire and I shall await
Your coming patiently. I want the big fire

To be alight all night, and voices in the silence of this fire
To be heard only as we once heard the sound of the sea,
For your shoulder, hand, arm to be put on my heart,
And for the fire to be alight.

Let it snow outside, let's not remember anyone outside.
Let the town fall into a heavy sleep, let the town sleep,
Let fathers, brothers sleep sweetly and bitterly.
Let every place, space and area be covered in white snow.

Let factories, stations, the airport sleep in peace,
Let the sky too rest in sleep, let there be no flying,
Let the yard dogs, the tramp, the bird on the wire
Be overcome by slumber, let everything surrender to slow

Sleep and peace. But let me hold your weak
And white hand the whole night and have it on my heart.
Let for a moment an unknown god stop by our windows,
And let us too go to sleep, but let the fire stay alight.



© 2004,   Rati Amaghlobeli
© Translation: 2007, Donald Rayfield  

http://georgia.poetryinternationalweb.org/piw_cms/cms/cms_module/index.php?obj_id=11179

fonte : "poemoftheweek@poetryinternational.org" 

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Último deseo

Théophile Gautier

Hace ya tanto tiempo que te adoro
-dieciocho años son muchos días-
eres de color rosa, yo soy pálido,
yo soy invierno y tú la primavera.

Lilas blancas de camposanto
en torno de mis sienes florecieron,
y pronto invadirán todo mi cabello
enmarcando mi frente ya marchita.

Mi sol pálido que declina
al fin se perderá en el horizonte,
y en la colina fúnebre, a lo lejos,
veo la morada final que me espera.

Deja al menos que caiga de tus labios
sobre mis labios un tardío beso,
para que así una vez esté en mi tumba,
mi corazón tranquilo pueda reposar.
Biblioteca Digital Ciudad Seva



sexta-feira, 20 de abril de 2018

Olgária matos - Tempo sem experiência

Sociologia Descolada: Sobre ser sociólogo

Sociologia Descolada: Sobre ser sociólogo: Nós, sociólogos, analisamos a sociedade a partir de teorias e métodos científicos. Defendemos a igualdade social e os valores democráticos...

AÉCIO EXEMPLO



Enquanto vocês criticam Aécio Neves eu só consigo pensar que ele é um exemplo a ser usado para a educação das crianças que estão entrando em idade escolar, viu.
Olha só,
- Para quando a criança não aceitar brincar com amiguinhos, excluindo eles do time ou do jogo, use o exemplo do Aécio.
- Para quando a criança não aceitar o resultado da brincadeira, caso derrotada, ou por ter ficado em segundo lugar, use o exemplo do Aécio.
- Para quando a criança for pega mentindo e continuar dizendo que ela não fez nada de muito errado, foi só um pouquinho, use Aécio como exemplo.
Afinal de contas: Se Aécio não tivesse passado a perna em Serra e Alckmin em 2014, um dos paulistas teria sido candidato a presidente e pelo PSDB, se derrotados por Dilma, Aécio teria continuado na liderança do partido e seria o candidato natural à presidência em 2018. Mas, foi brigar com os amiguinhos de SP em 2014, deu no que deu.
Se Aécio tivesse aceitado a derrota em 2014, não teria apresentado o primeiro pedido de impeachment de Dilma, não teria desarticulado as relações entre governo e oposição, criando um grupo de traidores do governo dentro do governo e, por consequência, não teria dado tanta força pública para a criminalização judicial da política. Mas, não aceitou ser derrotado e acabou sendo vítima do próprio veneno, pois caiu nas “armadilhas” da indústria judiciária de delações contra políticos.
E, se tudo isso não tivesse acontecido até então, as denúncias contra ele e/ou PSDB continuariam sendo arquivadas ou por transcurso de prazo ou por falta de provas em Brasília (vide caso Furnas). Mas ele foi pego na mentira e insiste que só errou um pouquinho, mas que não é criminoso. Ainda assim, passou a ser réu em uma ação. Prova de que criança não pode mentir. A denúncia não deve ir muito adiante. O mais provável é ser arquivada ou o crime prescrever por transcurso de prazo. Ou seja, só foi colocado no “cantinho do pensamento” da escola, muito longe de ter que ajoelhar no milho.

Veja como em educação o uso de exemplo inverso ajuda no amadurecimento das crianças. Se Aécio não tivesse feito tudo o que fez nos últimos quatro anos teríamos um exemplo a menos de comportamento infantil e irresponsável para a educação das nossas futuras gerações. 

Emerson Urizzi Cervi


#paz #meditacoespedagogicas #educadordefacebook

domingo, 8 de abril de 2018


Lula não foi condenado pelo tríplex (esqueçam isso!). Lula foi condenado quando decidiu que cada brasileiro deveria fazer três refeições ao dia. Lula foi condenado quando tirou o brasil do mapa da fome mundial. Lula foi condenado quando milhões ascenderam socialmente. Lula foi condenado quando decidiu que pobres poderiam chegar à universidade e às escolas técnicas. Lula foi condenado quando a filha do pedreiro virou engenheira, o filho do garçom virou advogado e o negro favelado deixou de ser bandido para ser médico: invertendo, assim, a lógica dessa porra toda. Lula foi condenado quando começou a dar show pelo mundo, no g-20, nas nações unidas e nos cambau a quatro. Lula foi condenado quando investiu mais em educação e saúde que todos os outros presidentes. Lula foi condenado quando investiu no nordeste brasileiro, sempre esquecido. Lula foi condenado quando mostrou à elite deste país que um operário sabia governar. Lula foi condenado quando alcançou 80% de aprovação popular. Lula foi condenado por suas virtudes, não por seus eventuais pecados. Lula é imenso, do tamanho do Brasil. Lula é a história."

kafkianas


Josef K. que foi condenado e julgado por um tribunal misterioso, em que muitos ficam em dúvida sobre a real história acontecida. A justiça questionada na obra revela a obscuridade do processo realizado contra Josef K e quão vago ele se transforma e são usadas provas absurdas contra ele durante todo o romance. O Estado é considerado arbitrário e autoritário. Demonstram que os direitos sociais do homem são tolhidos e revelam as falhas e erros o sistema judiciário. Pode-se dizer que a liberdade que é um direito de todos os direitos de ser ouvido e de defesa, nesta obra, é negada, e a aplicação o poder democrático também é alienado e impedido
Louise Ronconi de Nazareno

"A transformação de uma operação de combate à corrupção com 50 etapas em um objetivo único que é prender um ex-presidente expõe a face mais danosa de todo o processo: a implosão institucional, em especial do poder judiciário.
Isso se dá pela tentativa de substituição de uma liderança personalista por outra. De Lula pelos seus algozes. Todos os envolvidos, da primeira à última instância, não souberam lidar com a visibilidade pública que tiveram até aqui. Pensaram que poderiam substituir o personalismo de Lula por um novo perfil de líder popular. Enganaram-se. Visibilidade pública não produz liderança real. É o contrário. Mas isso os sinhozinhos provincianos não entendem. O que inclui ministros do supremo que essa semana experimentaram o gosto amargo de críticas públicas feitas por seus próprios pares, algo inédito na história das instituições, em especial, das instituições jurídicas brasileiras. Em 2018 o judiciário começa a se canibalizar em frente às câmeras de televisão, assim como a elite política vem fazendo desde 2013.
O pior de tudo isso é que o legado deixado por uma operação que usa a corrupção para substituir (substituir e não combater) lideranças personalistas é o desmonte das estruturas formais de combate efetivo à corrupção. Sem instituições fortes, que respeitem as regras, nunca haverá combate à corrupção de fato.
A diferença entre a liderança personalista de Lula e a dos sinhozinhos é que Lula, como conciliador, conseguiu criar uma imagem de líder personalista ao mesmo tempo em que se fortaleciam as instituições. Quem busca se transformar em nova liderança personalista sem a experiência da representação e a qualidade da conciliação, fatalmente terminará implodindo as instituições.
Pelo enfraquecimento institucional é que perderemos todos no futuro, ainda que por agora pareça que exista um vencedor."
Emerson Urizzi Cervi:

terça-feira, 3 de abril de 2018

Tiros que o senhor ouviu


Fernando Limongi: Tiros que o senhor ouviu

- Valor Econômico 2/4/2018

Lula divide a sociedade como ninguém antes o fez

O clima político esquentou. Nas duas últimas semanas, a radicalização voltou a dar as caras, culminando em tiros contra a caravana de Lula, declarações desastradas do candidato tucano e apologia ao porte de armas por Bolsonaro e seus seguidores. O espaço para a serenidade e o razoável se viu reduzido. Voltamos ao sertão de Riobaldo em que até Deus deveria andar armado.

O julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do habeas corpus solicitado pela defesa de Lula explica o recrudescimento do embate político. O cerco sobre o presidente Temer e o calendário eleitoral (prazo de desincompatibilização e de filiação partidária) também contribuíram, mas Lula, como nenhum outro personagem da história política brasileira recente, desperta paixões e divide a sociedade brasileira em grupos antagônicos, os que o amam e os que o odeiam.

O STF recebeu a batata quente de Moro e do TRF-4. As duas instâncias sabiam quais as consequências de suas decisões, isto é, estavam cientes que colocariam o STF contra a parede e, mais, que a prisão após condenação em segunda instância poderia ser a vítima do seu blefe. Pagaram para ver. O destino da Lava Jato não está em causa. Está em causa a prisão do ex-presidente.

A resposta virá ao longo da semana. Todo observador da cena política (incluindo Moro e os três do TRF-4) sabe que a nossa Corte Suprema é antes de tudo inconstante, discricionária e aleatória. Isso é sabido. Basta olhar o histórico de suas decisões. Portanto, não será surpresa se a Corte alterar sua posição.

Nesse imbróglio, o texto constitucional é o que menos importa. Faz tempo que o Supremo vem decidindo sem precisar se referir à Constituição, a seus artigos, incisos ou o quer que seja. A jurisprudência vigente é a de que o STF faz o que lhe dá na telha e, mais, que atira para o lado que estiver voltado. No caso, as considerações politicas se sobreporão às convicções jurídicas, se é que a decisão anterior sobre a matéria se deu por razões jurídicas.

O julgamento de Lula será palco do teatro a que os brasileiros foram forçados a se acostumar nos últimos tempos: um show de vaidades representado por personagens picarescos. As datas vênias, referências a leis e decisões anteriores torrarão a paciência dos cidadãos plugados na TV Justiça. Ninguém dará a mínima para os argumentos dos magistrados, nem os próprios. Interessa apenas o placar, o resultado final, se Lula ganha ou perde.

Gilmar Mendes, com o tom de superioridade professoral que o caracteriza, achou por bem pedir aparte para explicar aos demais como devem votar. Começou frisando ninguém poderá lhe "imputar simpatia pelo PT", mas que Rui Barbosa teria lhe ensinado que se a "lei cessa de proteger nossos adversários, cessa virtualmente de nos proteger". Trocando em miúdos: se ponho meu adversário em cana, não tenho como proteger meus amigos. Assim será.

Assim, qualquer ela seja a decisão sobre o destino de Lula, ela estará de acordo com precedentes e a jurisprudência e, por isso mesmo, será vista como casuísta pelos perdedores e legítima pelos ganhadores. E mais, quem perder terá toneladas de exemplos para provar que vem sendo sistematicamente perseguido, que a Corte favorece seus adversários.

A tensão é alta e todos pressionam o STF. Fica por saber como se comportarão após a decisão. O Vem Pra Rua voltou à vida e achou recursos para pagar anúncio de página inteira nos jornais pedindo a confirmação da sentença. O moralismo e a renovação da turma, portanto, só ganha corpo se o alvo é o PT. Quando Temer era a bola da vez, o Vem Pra Rua, alegando falta de recursos e cansaço cívico, ficou em casa.

Jair Bolsonaro, o candidato da segurança, houve por bem fugir do Rio de Janeiro sem dizer uma palavra sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco. Preferiu confrontar Lula em Curitiba, onde, mantida a distância, disparou suas bravatas usuais, cercado por um punhado de policiais e militares aposentados. A violência verbal de Bolsonaro tem alvo preciso: o PT e Lula, a quem não cansa de equiparar a criminosos. Com o requinte habitual, declarou: "Presidente tem que meter bala em vagabundo e não formar quadrilha com eles."

O circunspecto Geraldo Alckmin também entrou na dança da insensatez e escorregou na casca de banana que o clima politico lançou à sua frente. Na semana retrasada, propôs trégua, afirmando que era hora de deixar "lado os pesadelos do passado." Disse mais: "não vou ficar brigando por coisa do PT, vou olhar para o futuro." Diante dos tiros no sul, esqueceu-se do Alckmin "paz e amor" para afirmar que o "PT colhia o que plantava." A retratação posterior não esconde as dificuldades do candidato de tratar Lula e o PT com civilidade, como se a moderação fosse responsável pelo apoio tímido que vem colhendo nas pesquisas.

A ironia das ironias é que Alckmin deu essas declarações ao comparecer à estreia do épico "Nada a perder: a história real de Edir Macedo", filme em que o bispo é retratado como um defensor dos humildes, preso em razão da reação sórdida das elites ciosas da preservação de seus privilégios. Ocorre a alguém o paralelo?

Quanto ao PT e ao que estaria plantando, vale ter em mente que em que pese ter 'gritado golpe', Dilma deixou o poder de forma ordeira. A ameaça de convocar o exército de Stédile não passou disso, de uma ameaça. Lula está se defendendo apelando para as armas legais que lhe restam, um pedido de habeas corpus à Corte Suprema, tendo como advogado um ex-ministro dessa mesma corte. Nada poderia ser mais 'burguês', 'legalista' e comportado.

A existência do diabo atormentava Riobaldo. O Papa Francisco declarou que o inferno não existe, mas a notícia ainda não chegou por aqui. A lógica do sertão resiste.
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Fernando Limongi é professor do DCP/USP e pesquisador do Cebrap.

terça-feira, 27 de março de 2018

A une femme






Enfant ! si j'étais roi, je donnerais l'empire,
Et mon char, et mon sceptre, et mon peuple à genoux
Et ma couronne d'or, et mes bains de porphyre,
Et mes flottes, à qui la mer ne peut suffire,
Pour un regard de vous !

Si j'étais Dieu, la terre et l'air avec les ondes,
Les anges, les démons courbés devant ma loi,
Et le profond chaos aux entrailles fécondes,
L'éternité, l'espace, et les cieux, et les mondes,
Pour un baiser de toi !



Victor HUGO (1802-1885)

segunda-feira, 26 de março de 2018

1871: A Comuna de Paris



Em 26 de março de 1871 eclodiu a insurreição conhecida como Comuna de Paris, com a instituição de uma ditadura proletária, esmagada por tropas francesas conservadoras e estrangeiras em maio do mesmo ano.






Ruínas do Hotel de Ville, sede da Comuna

O tiro de partida para a insurreição havia sido dado um mês antes, quando manifestantes de esquerda haviam capturado 200 canhões da Guarda Nacional. Há exatamente oito dias, o governo conservador tentava em vão retomar as armas e, depois do fiasco e de forma totalmente inesperada, se retirou para Versalhes em 18 de março.

Foram várias as razões para a insurreição de Paris. A França havia perdido uma guerra para a Alemanha. Os termos da paz proposta pelos prussianos foram rejeitados pelo socialista Louis Blanc e o anarquista Joseph Proudhon. Quando o resto do país já havia capitulado, Paris manteve a resistência.

Revolta espontânea

As tropas prussianas mantiveram a cidade sitiada durante meses. As privações consequentes do cerco custaram a vida de milhares de pessoas. Mesmo depois da capitulação, em janeiro de 1871, o drama social dos parisienses era grande, pois o gabinete conservador nacional governava à revelia das necessidades da população de Paris. Tudo isso gerou uma revolta espontânea contra o governo em março de 1871.

Após a retirada do governo de Paris para Versalhes, os revolucionários vitoriosos deliberaram sobre novas medidas. Alguns queriam marchar imediatamente para Versalhes e prender o governo antigo. Mas a maior parte dos insurgentes não tinha ambições de longo alcance. Eles queriam simplesmente autonomia política local. Quer dizer, desejavam um governo de maioria de esquerda conquistado em eleição e com isso se tornarem independentes do governo nacional conservador. Por isso, o Comitê Central convocou uma eleição municipal para 26 de março de 1871.

Atender necessidades do proletariado

O resultado da eleição foi o desejado pela esquerda. Em 28 de março entrou para a comuna uma mistura de jacobinos, anarquistas e socialistas, que se denominou "A Comuna". Em seus dois meses de governo, ela aprovou uma série de leis. As principais visavam atender as necessidades mais prementes do proletariado parisiense.

Entre as mais profundas destacaram-se a separação entre o Estado e a Igreja, o fim dos privilégios dos nobres, a autonomia do governo de Paris e a famigerada "lei do refém", que ameaçava com a pena de morte aquele que cooperasse com o governo antigo.

A experiência da Comuna de Paris chegou ao fim com uma semana sangrenta, após dois meses caóticos que se seguiram ao começo entusiástico. As tropas do governo que se encontrava em Versalhes conquistaram a cidade de volta depois de batalhas sangrentas. A Comuna de Paris matou cerca de 500 presos, principalmente policiais e clérigos, inclusive o arcebispo da cidade.

Começou uma cruzada sangrenta de vingança depois da tomada de Paris pelas tropas governamentais. Eram executados todos os que faziam parte da Comuna de Paris ou pareciam ser simpatizantes. Historiadores calculam que as tropas governamentais mataram de 20 mil a 25 mil pessoas depois de conquistar a capital.

Autoria Rachel Gessat (ef)

Palavras-chave calendário histórico, Comuna de Paris, 26/03/1871, insurreição de Paris, guerra franco-prussiana, Versalhes

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1871: Termina a "semana sangrenta" de Paris



A semana de 21 a 28 de maio, que marcou o fim da Comuna de Paris, foi um dos episódios mais sangrentos da história da França.



O dia 28 de maio de 1871 foi um domingo, o Domingo de Pentecostes. Enquanto em outros lugares era festejada a descida do Espírito Santo, os fatos em Paris mais lembravam o inferno do que o céu. As lutas desesperadas entre os rebeldes da Comuna de Paris e as tropas do Exército já duravam uma semana.

Uma testemunha ocular narrou: "Eugène Varlin, que tinha lutado até o último instante, chegou a alcançar a Rue Lafayette, quando foi reconhecido por um oficial de Versalhes. Com as mãos amarradas nas costas, ele foi levado a Montmartre; durante todo o caminho para lá, ele foi golpeado com coronhas de fuzil e quase linchado por uma entusiástica multidão de parisienses. Quando chegou à tenebrosa Rue des Rosiers, o seu rosto estava massacrado e um olho pendia da cavidade ocular. Ele não conseguia mais ficar de pé, por isso foi arrastado para o jardim e fuzilado, sentado numa cadeira".

Dois meses caóticos

Com essa "semana sangrenta" terminou o experimento da chamada "Comuna de Paris", que durara dois caóticos meses. A Comuna surgira de maneira espontânea, alimentada por conflitos políticos e sociais. A guerra perdida contra a Alemanha, os meses de privação em decorrência do cerco pelos prussianos e um governo rural e conservador, que não demonstrava qualquer sensibilidade para a miséria da população urbana de Paris – tudo isto levou, em março de 1871, a uma rebelião contra o governo, que se retirou para Versalhes.

No dia 28 de março de 1871, uma horda heterogênea de jacobinos, anarquistas, socialistas e patriotas, que recusavam o acordo de paz com a Alemanha, invadiu a prefeitura parisiense. Eles se autodenominavam La Commune, a Comuna.

Nos dois meses do seu governo, a Comuna aprovou uma série de leis, cujo principal objetivo era atenuar a miséria do proletariado parisiense; mas também outras leis de caráter básico, como por exemplo, a separação da Igreja e do Estado, a abolição dos privilégios da nobreza, a autonomia do governo municipal, além de uma lei que ameaçava punição de morte a todo aquele que cooperasse com o antigo governo de Versalhes. Inúmeros militares e clérigos, entre eles o arcebispo de Paris, foram tomados como reféns.

Ação militar do governo

Enquanto isso, o governo de Versalhes preparava-se para retomar a cidade e o poder com uma ação militar. As simpatias da população estavam divididas entre os velhos conservadores e o novo governo de esquerda. Na noite de 21 de maio, as primeiras tropas governamentais invadiram a cidade, começando o que posteriormente seria chamado de "semana sangrenta" (semaine sanglante).

Inicialmente, as tropas governamentais não encontraram grande resistência. Mas as lutas foram se tornando cada vez mais ferozes, pois os integrantes da Comuna logo perceberam que nada mais tinham a perder. O antigo governo visara, desde o início, uma solução militar do conflito. Qualquer suspeito de integrar a Comuna, ou meros simpatizantes eram imediatamente fuzilados.

As tropas de Versalhes avançaram bairro por bairro, enquanto a Comuna erigia centenas de barricadas com pedras de calçamento e sacos de areia. Na sua retirada, os integrantes da Comuna ateavam fogo em tudo: na noite de 24 de maio foi incendiado o castelo das Tulherias, ruas inteiras foram consumidas pelas labaredas. Nos últimos dias de luta, inúmeros reféns foram mortos, entre eles também o arcebispo de Paris.

Com a queda da última barricada, no dia 28 de maio de 1871, terminou a "semana sangrenta", mas não o derramamento de sangue. Milhares ainda foram mortos, nos dias seguintes, nos parques, quintais e nas casernas. Os historiadores calculam que a Comuna tenha assassinado cerca de 500 adversários políticos, enquanto as tropas governamentais mataram entre 20 e 25 mil pessoas durante a reconquista de Paris e nos dias imediatamente posteriores.

Autoria Rachel Gessat/am

Palavras-chave Semana Sangrenta, Comuna de Paris, jacobinos, 28/05/1871

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Autoria Rachel Gessat/am

segunda-feira, 19 de março de 2018

Considerações sobre o fim do povo brasileiro como possibilidade



Parece que a cada dia que passa desde o assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes o episódio se torna mais e mais revelador da profundidade e do caráter irreversível da crise brasileira. Dentre tantos fatos e tendências relevantes me ocorre citar o que me parece ser o mais significativo: o caráter das manifestações públicas aos assassinatos caracterizados pela repulsa a um ato bárbaro, covarde e inaceitável. E ai reside uma das faces mais interessantes da atual crise porque revela o perfil inédito das manifestações populares. Vimos como no caso do julgamento do ex-presidente lulla no TRF-4 em Porto Alegre, em janeiro o ex-ministro Zé Dirceu, apesar de ter convocado a militância (que compareceu em peso) para “luta e combate” absolutamente nada aconteceu além de um tipo de compartilhamento coletivo de derrota sem qq efeito prático e esvaziado de sentido político. Trata-se de mais um episódio típico da assim chamada “conciliação” de classes praticada desde sempre pelo lullismo. Outro tipo de manifestação popular foram as motivadas pelo protesto e/ou luto pelos assassinatos de Marielle e Anderson, caracterizadas pela multiplicidade de apropriações do evento praticadas pelas diversas militâncias identitárias pós-modernas. Relegando a segundo plano a luta da falecida vereadora contra a violência policial, tais militâncias se apressaram em converte-la em ícone das demandas das mulheres, dos negros, dos favelados, das lésbicas, dos bissexuais, das mães solteiras e por ae afora. Até mesmo os manifestantes lullistas pretenderam associar o que alegam ser a perseguição a lulla aos assassinatos como se ambos eventos fizessem parte de um mesmo “golpe”. Ou seja, tais manifestações apenas aparentemente são de massa porque revelam a profunda divisão que existe entre os que delas participam. Além de divididos os manifestantes fazem questão de explicitar seu antagonismo aos demais, uma vez que a excludente e insular categoria do “lugar-de-fala” pregada pela militância identitária neoliberal a serviço do rentismo internacional pressupõem o monopólio do protagonismo por cada fração – minúscula como possa ser – na reivindicação do sentido político dos assassinatos. Dae a hostilidade, senão condenação, aos manifestantes que pretendem protagonizar os protestos em se tratando de indivíduos não-negros, moradores das regiões centrais, heterossexuais, cisgeneros, lullistas, etc. Neste caso temos uma multidão que é só aparente porque se trata na verdade de um conjunto de militâncias não apenas profundamente divididas mas hostis umas às outras e entre si msms. Com base nos dois exemplos citados pode-se elencar os novos tipos de manifestação popular do contexto atual: 1) manifestação com perfil militante definido mas sem propósito concreto; 2) manifestação que aparenta ser coletiva mas que na verdade é tão heterogênea que de evento de massa conserva só a aparência e seu sentido último pode ser, no limite, a confrontação entre seus participantes. É duvidoso que se possa contar com qualquer uma delas para se provocar qq mudança relevante. Pode ser que estejamos presenciando não apenas o fim da multidão como propôs Mike Davis (1990) mas também o fim do povo brasileiro enquanto possibilidade histórica, aquele que noutros tempos teria tornado possível as maiores manifestações de massa da história recente, como foram as da campanha em prol de eleições diretas-já (1984). A crise segue se aprofundando e é duvidoso, tomando como exemplo os dois tipos de manifestações citadas, que se possa contar com o protagonismo popular para definir seu desfecho. A possibilidade histórica de uma solução conservadora, senão reacionária, para a crise só aumenta, devendo os precedentes históricos de 1990 e 1964 serem tomados como base para reflexão.

Dennison de Oliveira

a questão "racial no Brasil":



Dedico este post aos militantes dos movimentos negros.


Eu não esperava apoio para o que venho dizendo há pelo menos 30 anos, assim como os colegas Peter Fry e Yvonne Maggie entre vários outros, de Pierre Bourdieu e Loïc Wacquant, dois intelectuais reconhecidamente de esquerda. Eles dois não citam nossos trabalhos, mas estão de pleno acordo com eles. O texto completo está em Estudos Afro-Asiáticos, Ano 24, no 1, 2002, pp. 15-33.

"Em um campo mais próximo das realidades políticas, um debate como o da “raça” e da identidade dá lugar a semelhantes intrusões etnocêntricas. Uma representação histórica, surgida do fato de que a tradição americana calca, de maneira arbitrária, a dicotomia entre brancos e negros em uma realidade infinitamente mais complexa, pode até mesmo se impor em países em que os princípios de visão e divisão, codificados ou práticos, das diferenças étnicas são completamente diferentes e em que, como o Brasil, ainda eram considerados, recentemente, como contraexemplos do “modelo americano”. A maior parte das pesquisas recentes sobre a desigualdade etno-racial no Brasil, empreendidas por americanos e latino-americanos formados nos Estados Unidos, esforçam-se em provar que, contrariamente à imagem que os brasileiros têm de sua nação, o país das “três tristes raças” (indígenas, negros descendentes dos escravos, brancos oriundos da colonização e das vagas de imigração européias) não é menos “racista” do que os outros; além disso, sobre esse capítulo, os brasileiros “brancos” nada têm a invejar em relação aos primos norte-americanos. Ainda pior, o racismo mascarado à brasileira seria, por definição, mais perverso, já que dissimulado e negado. É o que pretende, em Orpheus and Power (1994), o cientista político afro-americano Michael Hanchard: ao aplicar as categorias raciais norte-americanas à situação brasileira, o autor erige a história particular do Movimento em favor dos Direitos Civis como padrão universal da luta dos grupos de cor oprimidos. Em vez de considerar a constituição da ordem etno-racial brasileira em sua lógica própria, essas pesquisas contentam-se, na maioria das vezes, em substituir, na sua totalidade, o mito nacional da “democracia racial” (tal como é mencionada, por exemplo, na obra de Gilberto Freyre, 1978), pelo mito segundo o qual todas as sociedades são “racistas”, inclusive aquelas no seio das quais parece que, à primeira vista, as relações “sociais” são menos distantes e hostis. De utensílio analítico, o conceito de racismo torna-se um simples instrumento de acusação; sob pretexto de ciência, acaba por se consolidar a lógica do processo (garantindo o sucesso de livraria, na falta de um sucesso de estima).


Em um artigo clássico, publicado há trinta anos, o antropó- logo Charles Wagley mostrava que a concepção da “raça” nas Amé- ricas admite várias definições, segundo o peso atribuído à ascendência, à aparência física (que não se limita à cor da pele) e ao status sociocultural (profissão, montante da renda, diplomas, região de origem, etc.), em função da história das relações e dos conflitos en- tre grupos nas diversas zonas (Wagley, 1965). Os norte-americanos são os únicos a definir “raça” a partir somente da ascendência e, exclusivamente, em relação aos afro-americanos: em Chicago, Los Angeles ou Atlanta a pessoa é “negra” não pela cor da pele, mas pelo fato de ter um ou vários parentes identificados como ne- gros, isto é, no termo da regressão, como escravos. Os Estados Uni- dos constituem a única sociedade moderna a aplicar a one-drop rule e o princípio de “hipodescendência”, segundo o qual os filhos de uma união mista são, automaticamente, situados no grupo in- ferior (aqui, os negros). No Brasil, a identidade racial define-se pela referência a um continuum de “cor”, isto é, pela aplicação de um princípio flexível ou impreciso que, levando em consideração traços físicos como a textura dos cabelos, a forma dos lábios e do nariz e a posição de classe (principalmente, a renda e a educação), engendram um grande número de categorias intermediárias (mais de uma centena foram repertoriadas no censo de 1980) e não implicam ostracização radical nem estigmatização sem remédio. Dão testemunho dessa situação, por exemplo, os índices de segregação exibidos pelas cidades brasileiras, nitidamente inferiores aos das metrópoles norte-americanas, bem como a ausência virtual dessas duas formas tipicamente norte-americanas de violência racial como são o linchamento e a motim urbano (Telles, 1995; Reid, 1992). Pelo contrário, nos Estados Unidos não existe categoria que, social e legalmente, seja reconhecida como “mestiço” (Davis, 1991; Williamson, 1980). Aí, temos a ver com uma divisão que se assemelha mais à das castas definitivamente definidas e delimitadas (como prova, a taxa excepcionalmente baixa de intercasamentos: menos de 2% das afro-americanas contraem uniões “mistas”, em contraposição à metade, aproximadamente, das mulheres de origem hispanizante e asiática que o fazem) que se tenta dissimular, submergindo-a pela “globalização” no universo das visões diferenciantes.


Mas todos esses mecanismos que têm como efeito favorecer uma verdadeira “globalização” das problemáticas americanas, dando, assim, razão, em um aspecto, à crença americanocêntrica na “globalização” entendida, simplesmente, como americanização do mundo ocidental e, aos poucos, de todo o universo, não são su- ficientes para explicar a tendência do ponto de vista americano, erudito ou semi-erudito, sobre o mundo, para se impor como pon- to de vista universal, sobretudo quando se trata de questões tais como a da “raça” em que a particularidade da situação americana é particularmente flagrante e está particularmente longe de ser exemplar. Poder-se-ia ainda invocar, evidentemente, o papel motor que desempenham as grandes fundações americanas de filantropia e pesquisa na difusão da doxa racial norte-americana no seio do campo universitário brasileiro, tanto no plano das representações, quanto das práticas. Assim, a Fundação Rockefeller financia um programa sobre “Raça e Etnicidade” na Universidade Federal do Rio de Janeiro, bem como o Centro de Estudos Afro-Asiáticos (e sua revista Estudos Afro-Asiáticos) da Universidade Candido Mendes, de maneira a favorecer o intercâmbio de pesquisadores e estudantes. Para a obtenção de seu patrocínio, a Fundação impõe como condição que as equipes de pesquisa obedeçam aos critérios de affirmative action à maneira americana, o que levanta problemas espinhosos já que, como se viu, a dicotomia branco/negro é de aplicação, no mínimo, arriscada na sociedade brasileira."


Alba Zaluar

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018


Existe uma base social com vontade de lutar pela democracia e por Lula com determinação. Esta base precisa de comando e de direção política firme. Se Lula for preso o golpe e a ditadura burguesa-togada avançarão para os próximos passos: a hegemonia completa dos mais corruptos políticos e capitalistas no poder, a privatização das estatais, da Petrobras, o desmonte da educação e das universidades federais, a venda da saúde e da previdência, a criminalização dos movimentos sociais, como o MST, MTST, o fechamento do PT e a perseguição implacável contra qualquer candidatura, sindicato, partido e movimento que minimamente ameace os interesses da ordem dominante golpista nos seus arrochos trabalhistas e roubos de direitos. O último grande comandante institucional disposto a lutar pela democracia no Brasil foi o Marechal Lott, no contragolpe de 11 de novembro de 1955. Impressionante quando alguém de cima resolveu lutar, em igualdade de condições, contra a direita brucutu, contra os fascistas, os gorilas, contra o consórcio entreguista internacional, estes recuaram com medo da resoluta ação de Lott, infelizmente mal aproveitada. Vargas não teve condições de luta em 1954. Poderia ter tido como se viu na grande reação popular no dia seguinte do suicídio, muitos esperaram o comando. Jango não ouviu Brizola e ambos tiveram que fugir em 1964. Durante a ditadura civil-militar de 1964 o legislativo só não foi completamente fechado, como tinha sido na ditadura de 1937, pela existência de lutadores, os mesmos lutadores que garantiram a sobrevida do pequeno espaço legislativo para a grande derrota parlamentar das forças da ditadura, da Arena, nas eleições de 1974 em diante. As forças da ditadura militar não conseguiram fechar de vez e permanentemente o limitado parlamento por causa dos que resistiram. Sem os heróis da resistência contra a ditadura brasileira de 1964, ela poderia ter seguido o modelo das ditaduras espanhola e portuguesa, nas suas muitas décadas de continuidade, de atraso e de oligarquias reacionárias ditatoriais no poder. Agora estamos em outra encruzilhada decisiva e todos os cidadãos amantes da democracia, das liberdades, todos os militantes, todos sindicalistas, todos partidos de esquerda, todos parlamentares, todos governadores, prefeitos, todos artistas, todos intelectuais, todas as lideranças populares, movimentos sociais, trabalhadores e estudantes, todos comprometidos com a democracia, com as causas sociais e com eleições livres, todos devem lutar ao máximo neste momento de ameaça de prisão ilegal, imoral e forjada de Lula pelos tribunais de exceção do atual regime golpista. A pergunta que se deve fazer é a seguinte: Quem está disposto a lutar ao máximo pela democracia, pelas liberdades e pela causa de Lula ? Quem está disposto a lutar pelo golpe, por Temer, pelo PSDB, ou por qualquer dos seus serviçais golpistas subalternos, nos outros partidos de direita e nas outras lideranças apoiadoras do golpe, do desmonte do país e da incipiente ditadura burguesa-togada que existe ? Preparem-se para as batalhas políticas em defesa do Brasil.
RCO

O despertar do nacional-popular crítico no Carnaval ! Sensacionais as produções como a do Paraíso do Tuiuti. Uma verdadeira aula de sociologia histórica dos brasileiros negros, aula de brasilidade, artística elaboração de toda uma trajetória e todo um processo social, político e histórico. O golpista Temer escrachado como o vampirão pérfido que ele é e o roubo dos votos, das moradias, das carteiras de trabalho e dos direitos sociais do povo trabalhador. A crítica da Mangueira contra o prefeito Crivella, representado como o fujão Judas, tudo revela a firme oposição da nossa autêntica cultura popular brasileira às formas de direita excludentes de certo protestantismo importado. Ao longo de toda a nossa história, nos momentos mais cruciais da nossa existência como Nação, nas guerras holandesas, nas guerras de fronteiras, nas guerras platinas, no Paraguai, o Brasil sempre foi defendido pela última trincheira dos brasileiros negros, tão injustamente maltratados e massacrados na nossa sociedade, mas sempre uma fonte permanente de criatividade, vibração, cultura e vitalidade. Agora, estes movimentos sociais e culturais populares, do Brasil profundo, das favelas, periferias, campos e cidades, novamente, têm o poder de nos livrarem dos invasores estrangeiros, da quadrilha golpista de Temer e de seus asseclas, ladrões internacionais e locais, de quadrilhas importadas com gente estrangeira e alienígena no Brasil, a direita querendo roubar, privatizar e pilhar nosso país. O povão brasileiro está despertando e ninguém vai conseguir segurar ! Explode coração !
RCO

O Desfile da Paraiso do Tuiuti


O desfile da Paraíso do Tuiuti mostrou a procissão dos trabalhadores negros desde a escravidão. Como seria o desfile da CDT, a Classe Dominante Tradicional e seus apêndices ? Começaria com os senhores de terras e escravos, das sesmarias e das casas grandes, daí viriam os homens bons das câmaras e depois da Independência, os das assembleias, os deputados e senadores, as mamatas, as mordomias do legislativo e dos tribunais de contas. Daí entrariam os barões imperiais, seus filhos e genros, os bacharéis, advogados, médicos e engenheiros, as elites da cultura bacharelesca, que não modernizaram e sim atrasaram o país em termos de mentalidades políticas. A ala dos comerciantes, dos que roubam no peso e no preço. O bloco dos militares, dos delegados, dos coronéis e generais, um dos mais disciplinados e querendo marchar. Destaque para grandes símbolos militares de direita, símbolos de cultura e de coragem bélica, como Bolsonaro e Ustra, referências para a direita militar torturadora. Outro grande destaque é a ala do sistema judicial, o judiciário e o mp, representando o velho ethos classista, defendendo os interesses dos dominantes, protegendo os seus apaniguados e perseguindo os adversários políticos. Tudo acima do teto. Quem entra na ala do judiciário logo é mentalmente, institucionalmente, politicamente hipnotizado e enquadrado, passa a ser o pior dos representantes da ordem, vide os bonecos gigantes do Joaquim Barbosa e do Fachin, que para serem aceitos logo viram um deles, esquecem totalmente qualquer passado subalterno crítico ou quais ideias lhes tenham dado o cargo. O grupo mais animado e jovial é a troça dos herdeiros do nepotismo, o grupo com mais algazarra, alvoroço e farra irresponsável, almas cheiram a talco, porque sabem que todas as instituições se abrem para o gozo e usufruto deles, moças e rapazes já eleitos como deputados, recebendo as melhores propinas, os melhores cartórios, os melhores cargos estatais e as mais gostosas negociatas. Muitos saem dos desfiles alcoolizados para atropelarem pessoas inocentes em alta velocidade na madrugada, logo um dos passistas do judiciário os soltará antes mesmo de serem presos. O próximo grupo é o dos donos e seus escravos da mídia, sempre com as bocas tapadas, todos preocupados com o que podem mostrar e falar, tudo para não desagradarem os chefes de redação e muito menos os donos familiares da grande mídia. A bateria dos fracos industriais, com pouco ritmo, segue acorrentada com sua dependência, arcaísmo, timidez e baixo espírito de inovação. Não querem fazer barulho para não incomodar e são importadores de tecnologia, usam mão de obra barata e são exportadores de matéria prima não manufaturada. Muitos querem logo casar com uma mocinha das outras alas para poderem apagar a sua origem imigrante e trabalhadora, muitas vezes até sujaram as mãos com trabalho braçal e manual, antes de enriquecerem. O apito de sonegadores é distribuído para todos integrantes da Escola de Samba CDT desde a concentração. Somente o vampirão neoliberalista Temer seria emprestado da Tuiuti, mais uma comissão traseira, uma comissão do atraso, da corrupção e com todos os protagonistas do golpe: Eduardo Cunha de terno, sorridente, com sua família esquiando e com prisão de mentirinha, Profeta Jucá, Angorá, Padilha, Geddel, boys do MBL, artistas do Cansei, muitos ministros golpistas, toda a quadrilha feliz e cantando no final.
RCO