domingo, 26 de março de 2017

Não ha lugar para a poesia em Kassel

"Diferente das bienais e outros eventos de promoção e discussão da arte como o Documenta, as festas literárias não dão conta de um encontro do leitor com acontecimento literário. Aliás, acreditar que aconteça algo de muito relevante para o debate literário ali é acreditar também que a literatura se basta na presença ou na glamorização póstuma dos autores, pois estes eventos apenas endossam um sistema de canonização forjado pelo mercado editorial que é, por sua vez, sustentado pelas mídias de grande circulação. " 
(Juliana Bratfisch, "Não ha lugar para a poesia em Kassel", Suplemento Pernambuco, Setembro de 2016)


O professor disserta
Sobre ponto difícil do programa.
Um aluno dorme,
Cansado das canseiras desta vida.
O professor vai sacudi-lo?
Vai repreendê-lo?
Não.
O professor baixa a voz
Com medo de acordá-lo.

Carlos Drummond de Andrade, “Mosaico de Manuel Bandeira” .
Um Bolsonaro incomoda muita gente; milhões de Bolsonarinhos incomodarão muito mais... Eu não sei porque tem tanta gente surpresa com o "ódio nas redes", como se isso fosse culpa da internet. Basta ler as considerações de Marcuse (dentre outros) nos anos 60 sobre as fontes do ódio nas sociedades industriais modernas; está tudo explicado lá. Uma socialização primária excessivamente individualista e competitiva, pouco cosmopolita, sem confiança no próximo e autoritária, gera um sentimento neurótico que faz com que indivíduos de certos grupos sociais descarreguem sua ira nos outros sem motivo aparente, especialmente nos que julgam ser os mais fracos e que recebem auxilio do Estado, por exemplo. Isso explica facilmente porque Bolsonaro tem maiores índices de popularidade nos setores mais escolarizados. Não se trata de ignorância, mas sim de um fenômeno ideológico e psico-social que já foi exaustivamente mapeado nas democracias mais institucionalizadas. A solução para essa intolerância é uma educação cívica nos valores democráticos sistemática desde a infância, como ocorre nos países civilizados, inclusive nos EUA. É por isso que esses mesmos grupos se opõem ao ensino de ciências humanas nas escolas públicas e privadas. Ao eliminar disciplinas como Sociologia, Filosofia e História do Ensino Médio, o governo PSDB-PMDB está criando as condições favoráveis para a proliferação de pequenos bolsonarinhos pelo Brasil afora. Reflitam sobre isso antes que seja muito tarde....

Sérgio Braga
Só no Brasil mesmo é que se faz manifestação contra o voto em lista fechada. Na maioria dos países de democracia mais avançada, este é o sistema predominante e o que ocorre na maior parte das vezes é justamente o contrário, ou seja, manifestações contra as exclusões de minorias nos sistemas majoritários. Dizer que no Brasil já existe a lista fechada porque os partidos são oligárquicos, só pode ser piada. Lista fechada no Brasil não seria nenhuma catástrofe, é plenamente compatível com a democracia, ao contrário do que dizem os oportunistas mal-intencionados de sempre, embora eu mesmo não a considere a melhor solução para os problemas de representação no Brasil atual.

Sérgio Braga
"Alguém já viu uma ditadura bater na porta, e se apresentar: "boa tarde, eu sou a ditadura e vou entrar, ok?" Nem quando ela arromba a porta, meu amigo. Até nesses casos, ela diz: "olha, entrei assim porque sou a democracia, estavam me perseguindo e eu não posso morrer, você não acha? Pode deixar que eu conserto a fechadura".
Pronto, quando você se dá conta, já está com um hóspede indesejado que só te dá despesa, e ainda te dá na cara, por vinte anos.
Fiquem atentos. A condução coercitiva do blogueiro hoje é mais uma prova de que esse cara que está aí tocando seu interfone é para lá de suspeito..."
Leonardo Valente
"Vocês ainda não perceberam que eles vão continuar aprovando isso e todo o resto? Não se deram conta de que o sofrimento será grande e a única chance é que seja pedagógico? Ainda não viram que no dia em que o vento soprar em direção contrária não haverá outra alternativa a não ser desfazer tudo o que fizeram e ainda vão fazer? Todas as portas nos serão fechadas, a única a continuar aberta será a da revolução."

Leonardo Valente
"Não vi ninguém fazendo essa ligação direta entre os fatos, mas me parece bem clara a ligação entre o escândalo da carne e a votação da terceirização ontem. Vejam: só na indústria da carne são mais de 6 milhões de empregos. Não se enganem que o desemprego seja sinal de incompetência do governo golpista. Pelo contrário, é objetivo do golpe, visto que jamais teria sucesso a terceirização sem que houvesse um índice elevado de desemprego. Como se irá convencer o empregado a trabalhar 12 hs/dia, sem férias, sem 13º, com baixos salários, se ele tiver opção de emprego? A destruição das maiores empreiteiras, da industria naval e agora, às vésperas da votação, da indústria da carne, foi cirurgicamente planejada para reduzir drasticamente o emprego e viabilizar o projeto da terceirização. Sem emprego perde-se a capacidade de resistência, a capacidade de negociação e mesmo a dignidade, pois a sobrevivência pessoal e da família é a prioridade. Muito mais do que a criação de empregos, sabemos que o capitalismo vive da exploração dos empregados e, muito pelo contrário, quanto maior o desemprego maior o sucesso do capitalista na exploração do trabalho."

Eduardo Cabral

A Educação pela Pedra


(João Cabral de Melo Neto)

Uma educação pela pedra: por lições;
Para aprender da pedra, frequentá-la;
Captar sua voz inenfática, impessoal
(pela de dicção ela começa as aulas).
A lição de moral, sua resistência fria
Ao que flui e a fluir, a ser maleada;
A de poética, sua carnadura concreta;
A de economia, seu adensar-se compacta:
Lições da pedra (de fora para dentro,
Cartilha muda), para quem soletrá-la.
Outra educação pela pedra: no Sertão
(de dentro para fora, e pré-didática).
No Sertão a pedra não sabe lecionar,
E se lecionasse, não ensinaria nada;
Lá não se aprende a pedra: lá a pedra,

Uma pedra de nascença, entranha a alma.

domingo, 19 de março de 2017

O alvo é o Brasil

Roberto Elias Salomão__________________Essa discussão toda levantada pela carne podre, sobre capital nacional ou internacional, está sendo feita de forma enviesada.A corrupção deve ser combatida? Deve.Vender carne podre para a população e até para a merenda escolar é um crime? É.Os responsáveis devem ir para a cadeia? Com certeza.Os principais frigoríficos brasileiros têm ligação com o capital multinacional? Sem dúvida.Esses postulados, parece, são suficientes, não? Não, não são. A menos que você acredite que a polícia federal, o Ministério Público, o STF e a república de Curitiba tenham de fato o objetivo de combater a corrupção, e não outro, mais sinistro, e que fica cada vez mais claro.Uma grande empresa, por mais corrupta que seja, por mais bandidos que sejam seus proprietários e executivos, tem no seu acervo o trabalho de milhares de operários e de trabalhadores não operários, os verdadeiros responsáveis por sua produção, por sua tecnologia, por seu sucesso. É o caso da Petrobras (ainda estatal) e da Odebrecht (privada).Há corrupção quase endêmica na Petrobras e na Odebrecht, assim como em todas as grandes empreiteiras e, com certeza, nos grandes frigoríficos. Espantar-se com isso é acreditar que o capitalismo pode ter as mãos limpas (e tem gente nossa que acredita).Eu, por mim, me espanto mais com a credulidade manifestada por muitos, ou seja, que se trata de uma operação anticorrupção, ou ainda que o capitalismo seja capaz de auto-higienizar-se.Nessas empresas, corruptas como não podem deixar de ser, há milhares e milhões de empregos. A única coisa que ainda não vi nos comentários é que, se há corrupção, se a população está sendo prejudicada, a saída não é fechá-las, mas que elas mudem de mãos. Quais mãos? As mãos daqueles que as construíram com seu suor.

Luiz Felipe Bergmann____________________ Parabens Roberto Elias Salomão. Você não caiu naquele discurso maluco (para pegar leve), e achar que a PF e o MP querem destruir empresas brasileiras para beneficiar o capital estrangeiro. Para os que fazem este discurso, uma boa notícia: doença mental tem tratamento

Julio Cezar Soares______________________ Divergências filosóficas ideológicas saudáveis e necessárias, e não questão de doenças mentais Os referidos companheiros empreenderam uma primeira abordagem aproximativa verdadeira e o próprio curso do debate certamente ofereceu recursos pra superarem suas visões com esse determinante de imbricação entre os 2 Capitais. Daí o essencial é a preservação do emprego, do controle social e também para tal da indústria relativamente "nacional" (analogamente ao haver algo nacional na Petrobras atacada apesar dos então 49% dos capitalistas internacionais e nacionais.  O Brasil e o maior produtor e exportador de carne bovina e derivados do mundo.Mais ou menos a dois anos atras a OIC(organização mundial do comercio) deu ganho de causa aos exportadores brasileiros pois os EUA acusavam de colocarem o preço muito baixo na União Europeia a custas de subsídios(nunca existiu) .Em razão do exposto o Brasil entrou com imensas exportações para a U. E . Isso nunca foi aceito pelo Tio Sam que hoje com auxilio de traidores do sul criam escândalos para denegrir os produtos do Brasil.


Roberto Elias Salomão_________________ O sempre lúcido Claudio Ribeiro foi mais claro: "Agora falando sério. Com o Moro perdemos o governo, o pré-sal, estamos entregando plataformas até de graça (França), destruímos a indústria naval, o acesso à tecnologia nuclear foi barrado, etc., etc. Com a ‘Carne Fraca’, a Operação vai explodir nossa participação no mercado mundial da carne, em que somos fortes concorrentes dos EUA. Eu, no começo, caí na armadilha e de cara no chão com piadas e mais piadas. Acordei. A guerra é comercial e, com os golpistas no governo, vamos ser engolidos em mais uma fonte de recursos indispensáveis ao crescimento do Brasil. Estamos com as calças caídas e a trolha é enorme. Deletei todas as piadinhas e peço que me perdoem por não haver compreendido antes os reais interesses em jogo."

Adalberto Prado___________________ Enquanto estamos focados nos escândalos dos frigoríficos muitas outras coisas piores estão rolando no golpe contra o povo brasileiro, envolvendo principalmente os menos favorecidos.

Julio Cezar Soares_________________ Setores da JF, do MPF e da PF... Pelo menos, controle social público e pelas/os trabalhadoras/es do Brasil e dessas empresas já !

Lays Gonçalves______________________ Salomão, didático e objetivo. Ótima forma de colocar a questão. Confusão é o que mais tá rolando, piadas mil.. e falas de que "a esquerda secundariza o combate à corrupção" no Brasil.

Alice Ruiz___________________________ Mas, lamentavelmente, todo esse auê, que veio à tona, pode ser uma preparação para justificar maior interferência das multinacionais. Afinal, estamos entre os principais concorrentes dos EUA na criação de gado.

Edison Taques__________________ Acho que estamos encontrando (na letra dos nossos camaradas mais sábios) a linha correta quanto à questão da corrupção.

Claudio Ribeiro__________________ Concordo em gênero, número e grau. Defender nossas indústrias, já anêmicas, é defender nossos trabalhadores; e que estes, operários que são, aprendam a tomar conta das gestões. A cambada de proprietários que seja devidamente encanada e exportada como carne podre, diretamente para Miami. .

Edson Almeida ____________________A imprensa golpista gosta muito de escândalos, de preferência aqueles que atacam a esquerda. O mordomo de filme de terror está entupindo os jornais de anúncios. A notícia da carne trouxe muita espuma e pouca informação. Os jornais nem sabiam que ácido ascórbico é vitamina C. Isso não quer dizer que deva ser usado para recuperar carne estragada. Mas é preciso ter melhores informações para analisar até onde ia esse esquema de fraudar produtos, quem de fato estava envolvido e, sobretudo, entender melhor essa história de por que os grandes setores da economia estão sendo destruídos pela república fascista de Curitiba.

Ludimar Rafanhim_________________ Trabalhadores ocupem as indústrias e procuradoria do trabalho requeira a intervenção

Julio Cezar Soares Bruno Moreno
Eu queria só dizer que o fato da JBS e da BRF serem duas holdings que exploram trabalho escravo, desmatam a torto e a direito, que colocam coisas medonhas em seus produtos e impedem a fiscalização através de propina não faz com que elas não incomodem empresas que concorrem com elas no mercado mundial. Capitalismo não é só acordo entre as classes dominantes, caso contrário não haveria o conceito de imperialismo.

Luizinho Souza _______________Nesta questão da carne fraca, vai sobrar para os trabalhadores/as dessas empresas. Empresa fecha as portas e muda cnpj e começa tudo de novo, e com apoio da República de Curitiba...cadeia para os culpados.

Julio Cezar Soares__________________ Além de violar direitos trabalhistas, uma das empresas envolvidas na operação a carne é fraca, é, também, campeã em acidentes de trabalho, por exemplo.
Este setor é o principal responsável pelos crimes ambientais e contra os povos originários também.
Mas não se trata disso. Uma operação da PF e do MP - diria aliás que qualquer operação espetaculosa que surge da união destas duas instituições - com evidente apoio prévio dos mesmos veículos de sempre - não estão nem aí para estas questões que nos afligem.
Estas operações conseguem, a meu ver, ser mais nossas inimigas que a jbs, dirigida por Meireles com apoio de dinheiro público e internacionalizado capital no exato momento do golpe.
Pq não se trata de denúncias a favor da saúde da população ou da honestidade de quem quer que seja.
Se trata, escancaradamente, da destruição do Plano de 30 anos da Economia do Brasil.
Plano este que foi divulgado quando a Dilma tomou posse e que infelizmente baseava-se grandemente nas divisas adquiridas no pré sal, no agronegocio, na exportação de serviços de primeira classe (setor pesado da construção), mineração e o que mais logo se tornará alvo destas operações espetaculosas e pirotécnicas, as que já não o foram.
Trata-se de colocar o Brasil de joelhos.
Não estranhem que mês que vem esteja chegando carne dos EUA por aqui.
(Lara Sfair)

Luiz Manfredini ___________________Pois é, Salomão, e assim vão destruindo a indústria brasileira, para satisfação daqueles que, de fora, certamente virão ocupá-la. Precisa a sua postagem.

Edison Taques _______________________Vamos às ruas denunciar isso tudo!

Julio Cezar Soares____________________ Ok. Lá vai a polêmica: Que tal desfazermo-nos da corrupção de uma maneira não seja, ela mesma, CORRUPTA?

1) Para os meus companheiros de esquerda que criticam a esquerda que se preocupa com questões econômicas recomendo a leitura de "O Capital" , Marx, K..
2) Quanto à defesa da posição tautológica segundo a qual o mal é mal e o bem é bem, isso é, que a corrupção é um problema e que a honestidade (capitalista, de concorrência inclusive) é um bem a ser respeitado, quero lembrá-los que a quebra dessa tautologia seria uma contradição, no sentido ruim da palavra até para um hegeliano.
Entretanto a maneira como se combate a corrupção é tão importante quanto o combate à corrupção, e ela está errada, deformada, politicamente deformada, desde seu princípio. Se a PF descobre a corrupção e o judiciário a pune isso é ótimo, mas se um mecanismo intermediário usa isso para produzir política no pior sentido da palavra, com vazamentos trabalhados com marketing, e leva ao desemprego e à ruína econômica um país inteiro, o custo para desfazer a corrupção assim é muito alto!
3) Peço aos meus demais colegas que pensam à esquerda que levem em consideração a dependência que a classe trabalhadora tem com relação a seus empregos e o quanto é trágico a destruição econômica de um país. --- Paulo Vieira Neto


Sugestões de nomes para outras operações policiais necessárias e nunca realizadas

Ricardo Costa de Oliveira


Sugestões de nomes para outras operações policiais necessárias e nunca realizadas: Plim-Plim na gigantesca sonegação platinada. NSA-gringa e escuta de autoridades brasileiras. Bom-burguês usurário e crimes dos capitais financeiros. Jornais mentirosos, publicidade e manipulação editorialista. Togas de aluguel. Parlamentares à venda para lamentar. Como potências estrangeiras compram, domesticam, equipam, colonizam e teleguiam mentalmente funcionários públicos federais.

Eu queria cantar para dentro de alguém,
sentar-me junto de alguém e estar aí.
Eu queria embalar-te e cantar-te mansamente
e acompanhar-te ao despertares e ao adormeceres.
Queria ser o único na casa
a saber: a noite estava fria.
E queria escutar dentro e fora
de ti, do mundo, da floresta.
Os relógios chamam-se anunciando as horas
e vê-se o fundo do tempo.
E embaixo ainda passa um estranho
e acirra um cão desconhecido.
Depois regressa o silêncio. Os meus olhos,
muito abertos, pousaram em ti;
e prendem-te docemente e libertam-te
quando algo se move na escuridão.
Rainer Maria Rilke
(Trad.: Maria João Costa Pereira.)
"A Samsung foi a única empresa que até agora realmente apavorou o Vale do Silício, com sua capacidade criativa e sua gestão muito mais profissional do que a Apple e afins. Gente do setor não tinha muita dúvida sobre o fato de que caminhava a passos largos para a hegemonia e para ser a vanguarda tecnológica e de tendência. Os chineses, mesmo com a Le Novo, ainda estão bem atrás.
Pois a Samsung está no chão, encurralada, assim como a Petrobras, as empreiteiras brasileiras e, já já, as gigantes do agronegócio.
A presidente coreana afastada do cargo tinha uma linha desenvolvimentista e projetos para consolidar de vez as gigantes do país.
Quem debocha das teorias da conspiração deveria ler mais sobre o que está acontecendo na Coreia do Sul. Se ler, vai cair em uma encruzilhada: ou passa a acreditar na conspiração, ou em carma cósmico, tamanha a semelhança conosco do que acontece por lá."


Leonardo Valente

O truque do Janot para implodir a candidatura do Lula



Por Jeferson Miola

O Que poderia ser celebrado como sinal de normalidade institucional – os pedidos do Rodrigo Janot ao STF para abrir inquéritos das delações da Odebrecht – na realidade é apenas um truque do procurador-geral para [i] proteger o bloco golpista, em especial o PSDB; mas, sobretudo, para [ii] viabilizar a condenação rápida do Lula e, desse modo, impedir a candidatura do ex-presidente em 2018, isso se a eleição não for cancelada pelos golpistas.

Janot seguiu fielmente Maquiavel: “aos amigos, os favores; aos inimigos, a lei”. Os golpistas, cujos indícios de crimes são contundentes, com provas de contas no exterior, jantares no Palácio Jaburu, códigos secretos para recebimento de dinheiro da corrupção e “mulas” para carregar propinas, serão embalados no berço afável do STF.

Lula, sobre quem não existe absolutamente nenhuma prova de crime, foi denunciado por Janot e será julgado por Sérgio Moro, um juiz parcial, que age como advogado de acusação. Ele é movido por um ódio genuíno e dominado por uma obsessão patológica de condenar Lula com base em convicções [sic]. Janot entregou a este leão faminto e raivoso a presa tão ansiada.

Os fatores que permitem prospectar esta hipótese da sacanagem do Janot são:

1. as listas parciais divulgadas em 14 e 15/03/2017 implodiriam qualquer governo, quanto mais o apodrecido e ilegítimo governo Temer – implodiriam, mas não implodirão, porque estamos num regime de exceção;

2. foram denunciados nada menos que: seis ministros [Padilha, Moreira Franco, Aloysio Nunes, Bruno Araújo, Kassab e Marcos Pereira] + os dois sucessores naturais do presidente em caso de afastamento do usurpador [Rodrigo Maia e Eunício Oliveira] + o idealizador da “solução Michel” para estancar a Lava Jato, atual presidente do PMDB [Romero Jucá] + o presidente do PSDB [Aécio “tarja-preta”] + quatro senadores da base do governo + cinco governadores + três deputados que apóiam Temer + três senadores da oposição + dois deputados de oposição;

3. uma pessoa iludida poderia concluir: “é uma decisão corajosa e imparcial do Janot”; afinal, ele investiga personagens poderosos e, aleluia, inclusive o PSDB. Ilusão: esta é, exatamente, a manobra diversionista do Janot;

4. os denunciados do governo golpista, todos eles, inclusive os sempre protegidos tucanos, têm foro privilegiado, e por isso serão investigados pelo STF, e não nas instâncias inferiores do judiciário [com minúsculo]. É verdade que Janot denunciou também golpistas sem foro privilegiado. Esses, porém, são as “genis” Eduardo Cunha e Sérgio Cabral, já presos; e Geddel Vieira Lima, que já está no corredor do cárcere;

5. o supremo [com minúsculo], demonstram estudos da FGV, é a instância mais lenta, mais politizada [eventualmente mais partidarizada, para não dizer tucana] e mais inoperante do judiciário. A primeira lista do Janot, por exemplo, entrou no sumidouro do STF há dois anos [em março/2015], e lá dormita até hoje, sem nenhuma conseqüência na vida dos políticos denunciados por corrupção;

6. a composição ideológica do STF é aquela mesma que, agindo como o Pôncio Pilatos da democracia brasileira, lavou as mãos no processo do impeachmentfraudulento, e assim converteu o supremo em instância garantidora do golpe de Estado que estuprou a Constituição para derrubar uma Presidente eleita com 54.501.118 votos;

7. é fácil deduzir, portanto, qual será a tendência do STF na condução dos processos dos golpistas. Se esses julgamentos iniciarem antes de 2021, será um fato inédito.

A lista do Janot é um instrumento ardiloso da Lava Jato e da mídia para a caçada do Lula. Janot faz como o quero-quero, pássaro que grita longe do ninho para distrair os intrusos, afastando-os dos seus filhotes.

As instituições do país estão dominadas pelo regime de exceção que violenta a Constituição para permitir um processo agressivo e continuado de destruição dos direitos do povo, das riquezas do país e da soberania nacional.

O anúncio imediato da candidatura presidencial do Lula, abrindo uma etapa de mobilizações permanentes e gigantescas do povo, é a urgência do momento. É a garantia de proteção popular do Lula contra os arbítrios fascistas do regime de exceção e, ao mesmo tempo, fator que pode modificar a correlação de forças na sociedade.

O êxito dos protestos deste 15 de março, que levaram milhões de trabalhadores às ruas em todo o país, é um sinal positivo da retomada da resistência democrática e da luta contra o golpe e os retrocessos.
A democracia e o Estado de Direito somente serão restaurados no Brasil com a mobilização popular intensa e radical, e a candidatura do Lula é um motor para esta restauração.

Do blog do Nassif, 
"Entre as acusações contra Lula, aquelas lançadas por Delcídio do Amaral estão entre as mais insubstanciais. Ontem, ele foi depor diante de um juiz que o chamava de "seu Luiz Inácio" - quando a praxe, nos círculos do poder, é usar sempre o cargo mais alto ocupado, no caso "presidente". Ouviu perguntas de um procurador infantil, que queria porque queria passar um vídeo do Youtube que "provaria" que Lula controlava todas as nomeações da Petrobrás (uma fala de palanque banal, em que o ex-presidente dizia que ninguém tinha dado tanta atenção à empresa quanto ele). Teve que explicar também porque cometeu o grave crime de conversar sobre política na sede do seu instituto. Lula respondeu a tudo com calma, mas sem esconder a indignação.
E o que a Folha tem a dizer é que Lula "se preparou longamente" para o interrogatório, mas "parecia bastante nervoso". Eu não tinha notado que ele estivesse tão nervoso assim, mas a Folha explica. Ele coçou o bigode com o indicador direito. "Quem o conhece interpreta o gesto como sinal de nervosismo".
Com o perdão dos especialistas em lulogestologia da Folha, para mim, muito mais do que nervoso, Lula estava era puto. E com razão."
Luis Felipe Miguel


A JBS e a BRF são peças em um tabuleiro global de transnacionais que disputam o mercado, sob a única e exclusiva finalidade de ganhar dinheiro. Não importa que tipo de trabalho utilizam, não importa que tipo de sociedade produzam ou se devastam o meio ambiente. Fazem qualquer negócio por esse mercado: compram fiscais, organizam cartéis, envenenam os consumidores, eliminam concorrentes...tudo isso faz parte do jogo. Isso porque, diferente do que pregam os liberais, a "concorrência" no capitalismo é predatória, baseada em métodos do gangsterismo e tendendo sempre ao monopólio. Se, por conta dos crimes dos empresários brasileiros, há uma indústria nacional em risco, montada com bilionários subsídios públicos, e que ameaça desabar por suas próprias práticas, o que deveria ocorrer é a encampação delas pelo Estado, para compensar os prejuízos ao país e para opera-las sob novas regras. Isso vale para empresas de alimento, mas também para a Odebrecht, OAS e todas que sustentaram enormes esquemas de corrupção. O que não pode é deixar tudo ruir por conta do banditismo dos endinheirados

Acbm

1848: Combates em barricadas nas ruas de Berlim


Em 18 de março de 1848, 270 pessoas morreram em choques nas ruas de Berlim. Chegara à capital da Prússia a Revolução de Março, que conduziria à convocação da Assembleia Constituinte na Paulskirche de Frankfurt.


A população berlinense estava inquieta desde 14 de março de 1848: um dia antes, Viena, a capital da Áustria, fora contagiada pelo espírito que motivara uma rebelião popular em Paris no mês anterior, levando à destituição do rei e à proclamação da Segunda República. Nas ruas de Berlim, a cavalaria avançou pela primeira vez contra os cidadãos que, por sua vez, levantaram barricadas para se defender.

No dia 18 de março, uma grande multidão aglomerava-se na praça diante do castelo. Operários e estudantes queriam estar presentes quando o rei anunciasse a abolição da censura e a convocação de um parlamento prussiano. As tropas em posição na frente do castelo foram vistas como uma ameaça pelos manifestantes, que exigiram aos brados que elas se retirassem.

Foi quando se ouviram os primeiros tiros – ninguém sabia de onde vinham – e caíram os primeiros mortos. Os manifestantes se refugiaram para trás das barricadas e, embora estivessem em menor número que os soldados – calcula-se que 4 mil contra 15 mil –, ofereceram resistência ferrenha.

Vítimas da industrialização

Das 270 pessoas que morreram nos combates de rua em Berlim, mais da metade eram artesãos, segundo a lista oficial de óbitos. Desenraizados em consequência da primeira onda de industrialização, eles constituíam o grupo mais numeroso entre os combatentes nas barricadas da capital da Prússia.
Na tarde do dia seguinte, um cortejo fúnebre em que muitos dos cadáveres eram transportados em carro aberto passou pelo castelo e obrigou o monarca a prestar homenagem aos mortos da revolução. Com isso, o rei perdera sua autoridade, na opinião dos monarquistas.

Primeiro Parlamento alemão
Mas Frederico Guilherme 4º resolveu virar o jogo e colocar-se ativamente à frente dos revolucionários. Dois dias após os sangrentos combates nas barricadas, ele saiu às ruas de Berlim a cavalo, portando uma echarpe em vermelho, amarelo e preto, as cores do movimento liberal-nacionalista. Na mesma noite, anunciou que se empenharia pela convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte para todo o território alemão.

A 18 de maio do mesmo ano, reuniu-se na Igreja de São Paulo (Paulskirche), de Frankfurt, o primeiro Parlamento alemão. Um grupo ilustre, constituído em sua maioria por representantes da elite. Apenas quatro deputados eram artesãos, o operariado não tinha nenhum representante no grêmio.

Os debates na Assembléia Constituinte estenderam-se por dez meses, tempo suficiente para que os regentes dos diferentes Estados alemães se recuperassem do abalo causado pela Revolução de Março. A recusa de Frederico Guilherme, que não se dispôs a aceitar a coroa de imperador de uma Alemanha unificada oferecida pelos parlamentares, acabou por esvaziar o poder do Parlamento, minimizando os efeitos do movimento iniciado em março de 1848. 


Autoria Norbert Ahrens (lk)
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1848: Revolução de Março na Áustria


No dia 13 de março de 1848, burgueses, trabalhadores e universitários de Viena rebelaram-se contra o poder da dinastia dos Habsburg. Dois dias mais tarde, imperador Ferdinando teve que reconhecer sua derrota.



                                      Príncipe Metternich foi obrigado a renunciar

No ano de 1848 ocorreram várias revoluções na Europa. A 24 de fevereiro, em Paris, artesãos, universitários, trabalhadores e a Guarda Nacional haviam se rebelado contra a miséria e destituído o rei para proclamar a Segunda República. A revolta seguinte começou em 13 de março, em Viena. Trabalhadores e universitários se revoltaram contra 30 anos de opressão, censura e perseguição do conservador príncipe austríaco Klemens Wenzel Metternich.

Desde o Congresso de Viena, em 1815, ele era o homem mais poderoso nos países da Aliança Alemã. Mas o povo estava cansado da opressão e reuniu-se em Viena para protestar, em primeiro plano, contra a censura. A violência escalou depois que os militares dispararam contra a multidão, causando várias vítimas fatais.

Os manifestantes foram às barricadas, enquanto a rebelião eclodia também nos bairros operários. Em toda a cidade ouviam-se tiroteios e estabelecimentos comerciais eram saqueados. Como o governo não estivesse preparado para tanta disposição de luta dos manifestantes, dois dias mais tarde mandou recolher as tropas aos quartéis.

No dia 15 de março de 1848, o imperador Ferdinando aprovou a liberdade de imprensa, garantiu uma nova Constituição e a formação de uma guarnição civil armada, atendendo, assim, às "exigências de março" dos manifestantes. A consequência foi a composição de uma comissão de cidadãos, formada por 24 burgueses que ocuparam a administração de Viena.

Paris e Viena contagiam Berlim

Sem condições de governar, o imperador Ferdinando foi retirado de Viena; o príncipe Metternich renunciou e se exilou na Inglaterra. As revoltas em Paris e Viena contagiaram Berlim. A 18 de março de 1848, o povo reunido diante do palácio do rei Frederico Guilherme 4º exigiu liberdade de imprensa e de opinião, o fim da censura e a constituição de um Parlamento prussiano.

A violência escalou da mesma maneira como em Viena. Cerca de 4 mil manifestantes com armas rudimentares foram confrontados com um contingente de 15 mil militares fortemente armados. Mas venceram. Quatro dias depois, o imperador recolheu suas tropas e reconheceu a vitória dos revolucionários. Humilhado, foi obrigado a honrar no palácio os 230 mortos na revolução. No dia 21 de março, anunciou então a unidade nacional.

Sua medida seguinte foi a composição de um gabinete liberal e o anúncio de uma Assembleia Nacional dois meses depois. A Prússia, que junto a Rússia e Áustria havia fomentado a rebelião, deveria tornar-se monarquia constitucional. A revolução alemã, que foi apenas parte de um fenômeno pan-europeu, havia sido vitoriosa. No dia 18 de maio foi empossada a Assembleia Nacional, com 649 deputados das 39 províncias, inclusive a Prússia e a Áustria.

Sua tarefa era redigir uma Constituição democrática para todo o território alemão, introduzindo um sistema de governo centralizado. A nova carta magna, divulgada em dezembro do mesmo ano, é considerada pelo historiador alemão Wolfgang Mommsen como "mais moderna do que os direitos fundamentais de Weimar e, eventualmente, que a Lei Fundamental de 1949, afinal, inspirada na de 1848".

Autoria Frank Gerstenberg

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sábado, 18 de março de 2017

Empresas são organizações políticas essencialmente nacionais mesmo quando operam como multinacionais. Qualquer Estado Nacional com mínima relevância e projeção geopolítica tem suas grandes empresas estratégicas nacionais, públicas e privadas. Analisem as empresas nacionais da Rússia, China, Índia, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Coreia do Sul e mesmo pequenos países como uma Suécia, Finlândia e Noruega para entenderem a importância desse fenômeno. O gigantesco orçamento estatal militar dos Estados Unidos é monopolizado exclusivamente pelas empresas tecnológicas nacionais deles, que são o tempo todo protegidas, prestigiadas, privilegiadas e apoiadas na dominação mundial (inescrupulosa) delas. O capitalismo avançado só existe com centros de poder organizados pelos Estados Nacionais e possuindo suas próprias empresas nacionais, com comando, sedes e burguesias no seu próprio território. Classes ou elites dominantes também são nacionais e mesmo etno-nacionais nas principais potências capitalistas hegemônicas. Aliás a combinação entre nacionalismo e socialismo também foi a força política motriz da União Soviética na Grande Guerra Patriótica de 1941-1945, na Revolução Cubana, na Guerra do Vietnã. Recomendo a leitura das obras de Benedict Anderson para quem gosta de uma epistemologia crítica e marxista para entender melhor a importância do nacionalismo na história política dos últimos séculos.

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Geração Beat


"Associada a esta tolerância, à abertura ao que não fosse expressão da ordem estabelecida, está a diversidade interna da beat. Seu caráter multicultural foi acentuado por Ginsberg, ao traçar o perfil de seus integrantes:
"Burroughs, protestante branco; Kerouac, índio norte-americano e bretão; Corso, católico italiano; eu, radical judeu; Orlovsky, russo branco; Gary Snyder, escocês-alemão; Lawrence Ferlinghetti, italiano, continental, educado na Sorbonne; Philip Lamantia, autêntico surrealista italiano; Michael McClure, escocês do meio-oeste norte-americano; Bob Kaufman, afro-americano surrealista; LeRoi Jones, poderoso negro, entre outros."
Talvez essa diversidade se relacione com características da própria sociedade norte-americana. A beat contou com negros e descendentes de imigrantes porque lá havia muitos negros e imigrantes. Mas reunir desde o filho de um morador de rua, Neal Cassady, até o descendente de uma elite econômica, William Burroughs, e do autodidata Gregory Corso, que conheceu literatura na cadeia, até Lawrence Ferlinghetti, doutorado na Sorbonne, a diferencia de movimentos europeus – e de outros lugares: nossos modernistas de 1922 têm perfis bem próximos uns dos outros. Pela primeira vez, as rebeliões artísticas anti-burguesas não foram encabeçadas exclusivamente por burgueses ou aristocratas. Vanguarda literária com adesão de proletários? Talvez. E proletarização voluntária, levando em conta as ocupações dos beats em seu período de obscuridade. Porém, mais que ao proletário, a beat se associou ao lumpen, o extrato inferior da sociedade, considerando algumas das amizades de Ginsberg, Kerouac e Burroughs, e de onde vinham Corso e Cassady. Literatura marginal por marginais.

Claudio Wiler _______Geração Beat" (L&PM, 2009). Leiam o livro todo, se possível:
Bismarck já afirmava que ninguém poderia dormir tranquilo se soubesse como são feitas as salsichas e as leis. As últimas operações policiais apenas revelam como operam os capitais na indústria do petróleo, nas empreiteiras e agora nas carnes. Sempre um bloco criminoso e promíscuo entre empresários, agentes públicos e políticos. Quem leu o capítulo XXIV d'O Capital, a chamada acumulação primitiva, o segredo da acumulação original, sabe que capitalismo sempre foi isso mesmo, um processo histórico de roubo social organizado, pilhagem, saque, enganação e violência sob o Estado. O direcionamento investigativo contra os setores estratégicos do Brasil segue um roteiro politicamente programado, uma linguagem de script. Esse mesmo bloco criminoso internacional é ainda pior na indústria cultural da mídia, no sistema financeiro, no capital imaterial, no complexo industrial-militar e nas importações estrangeiras. Temer e seus golpistas amestrados, principalmente os da região agrícola do Paraná, como o grampeado Ministro da injustiça do PMDB - Osmar Serraglio, podem ser serrados nessa dinâmica da carne e da justiça bem fracas e podres.

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