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terça-feira, 8 de maio de 2018

1945: Capitulação da Alemanha



Em 8 de maio de 1945, o Alto Comando da Wehrmacht assina em Berlim a capitulação incondicional do Terceiro Reich ante as forças aliadas. Era o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa, cinco anos e meio após seu início.



Ao fim da guerra, Berlim e todas as grandes cidades alemãs haviam se transformado em ruínas

"Nós, abaixo-assinados, que negociamos em nome do Alto Comando alemão, declaramos a capitulação incondicional ante o Alto Comando do Exército Vermelho e ao mesmo tempo ante o Alto Comando das forças expedicionárias aliadas de todas as nossas Forças Armadas na terra, na água e no ar, assim como de todas as demais que no momento estão sob ordens alemãs. Assinado em 8 de maio de 1945 em Berlim. Em nome do Alto Comando alemão: Keitel, Friedeburg, Stumpf..."

O que o locutor da Rádio do Reich anunciava em poucas palavras na manhã de 9 de maio de 1945 era o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa. Todos os sobreviventes respiraram aliviados. Mas aquilo que a maioria – também dos alemães – sentiu como libertação, significava para outros vergonha e afronta.

As vitórias-relâmpago sobre a Polônia, a França e a Noruega haviam cegado os alemães e, acima de tudo, a própria liderança nazista. O ataque à União Soviética, em 22 de junho de 1941, resultava desse delírio provocado pelas fáceis conquistas militares.

"Do quartel-general do Führer, o Alto Comando informa: em defesa contra o ameaçador perigo do leste, a Wehrmacht (as Forças Armadas) atacou, às 3 horas da manhã de 22 de junho, a violenta marcha das tropas inimigas. Uma esquadrilha da Luftwaffe bombardeou o inimigo soviético ainda ao alvorecer."

Os esmagadores sucessos iniciais da Operação Barbarossa (ou Barba Ruiva), nome secreto do assalto alemão à União Soviética, também pareciam levar o Reich a mais um triunfo militar. Em 3 de outubro de 1942, ao inaugurar a obra assistencial de inverno, Hitler zombou das reações da imprensa estrangeira: 

"Se nós avançamos mil quilômetros, não se pode chamar isso exatamente de fracasso (...). Por exemplo, nos últimos meses – e é em apenas alguns meses que se pode sensatamente promover uma guerra neste país – nós avançamos até o Rio Don, o descemos e chegamos finalmente ao Volga. Cercamos Stalingrado e vamos tomá-la – no que os senhores podem confiar."

Era a primeira vez que Hitler mencionava publicamente o nome da cidade que viria, quatro meses mais tarde, mudar o destino da guerra. Se na ocasião muitos generais acreditavam no sucesso militar da ofensiva, no momento da capitulação do Sexto Exército em Stalingrado restavam poucos otimistas ainda cegamente convictos de um fim vitorioso para a Alemanha de Hitler.

A derrota das tropas alemãs na África do Norte, no mesmo ano, e o desembarque dos Aliados na Normandia, em junho de 1944, reverteram o destino militar do Exército alemão.

Um dia após a capitulação incondicional, a emissora de rádio do Reich da cidade de Flensburg, onde residia o grande almirante Dönitz, que após o suicídio de Hitler exerceu interinamente o posto de chanceler do Reich até 23 de maio, levou ao ar o último boletim da Wehrmacht, elogiando a heróica resistência dos últimos batalhões na foz do Rio Vístula:

"Vinte horas e três minutos. No ar, a emissora do Reich de Flensburg e sua rede de afiliadas. Hoje, transmitimos o último boletim da Wehrmacht sobre esta guerra. Do quartel-general do grande almirante, em 9 de maio de 1945, o Alto Comando informa que..."

O que todos os boletins oficiais das Forças Armadas sempre haviam omitido, passou gradualmente a ficar claro a partir de 8 de maio de 1945. Além dos monstruosos danos materiais e da destruição irreparável de obras de arte, a Grande Guerra consumira não menos que 55 milhões de vidas humanas.

Autoria Norbert Ahrens (mw)
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Bildergalerie Zweiter Weltkrieg Karte Europa 1939 Portugiesisch

domingo, 19 de março de 2017

1848: Combates em barricadas nas ruas de Berlim


Em 18 de março de 1848, 270 pessoas morreram em choques nas ruas de Berlim. Chegara à capital da Prússia a Revolução de Março, que conduziria à convocação da Assembleia Constituinte na Paulskirche de Frankfurt.


A população berlinense estava inquieta desde 14 de março de 1848: um dia antes, Viena, a capital da Áustria, fora contagiada pelo espírito que motivara uma rebelião popular em Paris no mês anterior, levando à destituição do rei e à proclamação da Segunda República. Nas ruas de Berlim, a cavalaria avançou pela primeira vez contra os cidadãos que, por sua vez, levantaram barricadas para se defender.

No dia 18 de março, uma grande multidão aglomerava-se na praça diante do castelo. Operários e estudantes queriam estar presentes quando o rei anunciasse a abolição da censura e a convocação de um parlamento prussiano. As tropas em posição na frente do castelo foram vistas como uma ameaça pelos manifestantes, que exigiram aos brados que elas se retirassem.

Foi quando se ouviram os primeiros tiros – ninguém sabia de onde vinham – e caíram os primeiros mortos. Os manifestantes se refugiaram para trás das barricadas e, embora estivessem em menor número que os soldados – calcula-se que 4 mil contra 15 mil –, ofereceram resistência ferrenha.

Vítimas da industrialização

Das 270 pessoas que morreram nos combates de rua em Berlim, mais da metade eram artesãos, segundo a lista oficial de óbitos. Desenraizados em consequência da primeira onda de industrialização, eles constituíam o grupo mais numeroso entre os combatentes nas barricadas da capital da Prússia.
Na tarde do dia seguinte, um cortejo fúnebre em que muitos dos cadáveres eram transportados em carro aberto passou pelo castelo e obrigou o monarca a prestar homenagem aos mortos da revolução. Com isso, o rei perdera sua autoridade, na opinião dos monarquistas.

Primeiro Parlamento alemão
Mas Frederico Guilherme 4º resolveu virar o jogo e colocar-se ativamente à frente dos revolucionários. Dois dias após os sangrentos combates nas barricadas, ele saiu às ruas de Berlim a cavalo, portando uma echarpe em vermelho, amarelo e preto, as cores do movimento liberal-nacionalista. Na mesma noite, anunciou que se empenharia pela convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte para todo o território alemão.

A 18 de maio do mesmo ano, reuniu-se na Igreja de São Paulo (Paulskirche), de Frankfurt, o primeiro Parlamento alemão. Um grupo ilustre, constituído em sua maioria por representantes da elite. Apenas quatro deputados eram artesãos, o operariado não tinha nenhum representante no grêmio.

Os debates na Assembléia Constituinte estenderam-se por dez meses, tempo suficiente para que os regentes dos diferentes Estados alemães se recuperassem do abalo causado pela Revolução de Março. A recusa de Frederico Guilherme, que não se dispôs a aceitar a coroa de imperador de uma Alemanha unificada oferecida pelos parlamentares, acabou por esvaziar o poder do Parlamento, minimizando os efeitos do movimento iniciado em março de 1848. 


Autoria Norbert Ahrens (lk)
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sábado, 15 de agosto de 2015

1952: Stalin propõe reunificar Alemanha


No dia 10 de março de 1952, Josef Stalin surpreendeu o Ocidente com uma sugestão de unificar a Alemanha, desde que esta não entrasse para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).



Stalin pretendia acabar com a influência ocidental sobre a Alemanha

Entre os principais pontos da proposta apresentada pelo chefe de governo da antiga União Soviética estava o item de número 2: "Todas as tropas das forças de ocupação terão que se retirar do território alemão o mais tardar até um ano depois que o acordo de paz entrar em vigor. Ao mesmo tempo, serão fechadas todas as bases militares em território alemão."

E o item 7 dizia: "A Alemanha se compromete a não ingressar em nenhuma coalizão ou aliança militar, voltada contra qualquer outro Estado cujas tropas participaram da guerra contra a Alemanha."
Isso significaria a completa neutralidade política e militar de uma Alemanha reunificada. A Guerra Fria entre Leste e Ocidente atingia seu auge, e a crise na Coreia ameaçava inclusive transformar-se em terceira guerra mundial.

Estratégia da integração em alianças

As potências ocidentais, principalmente os Estados Unidos, tinham planos bem diferentes para o lado alemão ocidental. Eles queriam integrar a jovem República Federal da Alemanha em alianças militares e políticas. Discutia-se, por exemplo, a criação de uma comunidade europeia de defesa, que acabou fracassando por causa do veto francês.

Konrad Adenauer

A resposta indireta à sugestão de Stalin foi dada no dia 26 de maio de 1952, através da assinatura, em Bonn, do acordo que selava o ingresso da Alemanha nas alianças ocidentais.

Ao esclarecer sua importância diante do Parlamento alemão-ocidental, o então chefe de governo Konrad Adenauer destacou tratar-se da decisão sobre se a República Federal da Alemanha deveria ou gostaria de se integrar na Europa.

Não faltaram críticas da Alemanha Oriental, de regime comunista. Walter Ulbricht, presidente do Conselho de Estado da República Democrática Alemã, chegou a acusar o governo Adenauer de tornar-se "protetorado norte-americano e trair os interesses alemães".

Os adversários políticos de Adenauer na própria Alemanha Ocidental estavam convencidos de que em 1952 fora desperdiçada uma chance de reunificação. Esta aconteceria só quase 40 anos mais tarde, com a derrocada do comunismo no Leste Europeu.

Autoria Norbert Ahrens (rw)
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