segunda-feira, 9 de novembro de 2015
1943: Goebbels declara guerra total
Em 18 de fevereiro de 1943, Joseph Goebbels, o ministro da
Propaganda de Hitler, proclamou a guerra total num discurso à nação em que
apelava ao nacionalismo.
Joseph Goebbels fala para 100 mil alemães, em Zweibrücken
"Eu lhes pergunto: Vocês querem a guerra total?"
Interrompido por aplausos e gritos de "sim", o orador insistiu na
pergunta. "Vocês a querem, se necessário, mais total e radical do que a
podemos imaginar hoje?". E recebeu nova ovação e um decidido
"sim" da plateia. Este foi o auge do discurso do chefe da propaganda
nazista, Joseph Goebbels (1897-1945), no dia 18 de fevereiro de 1943, diante de
14 mil pessoas reunidas no Palácio dos Esportes, em Berlim.
Essa mistura de ambição pelo poder e desprezo pelo ser
humano era típica do oportunista Goebbels. A Alemanha encontrava-se em ruínas e
a Segunda Guerra já estava decidida quando Goebbels tentou evocar, pela última
vez, o mito da "comunidade do povo" (Volksgemeinschaft).
O discurso no Palácio dos Esportes não passou de encenação,
gravada para transmissão por rádio e nos cinemas. A ideia lhe ocorrera em
outubro de 1942, quando se delineara a derrota de Stalingrado. A intenção era
não só entusiasmar os ouvintes, mas também os soldados nas frentes de batalha.
Apesar disso, Goebbels referiu-se à plateia que o ouvia ao
vivo como sendo "uma amostra da sociedade em seu todo". O sucesso do
rádio empolgou as multidões, por se tratar de um acontecimento fabuloso da
mídia na época. Seu efeito sugestivo foi enfatizado pelo suposto imediatismo e
a impressão de ser ao vivo. O programa, porém, havia sido gravado durante o dia
e só foi ao ar à noite.
Goebbels ressaltou ameaças judia e bolchevique
O discurso expressou a convicção pelos nazistas de sua
causa. Goebbels ainda aperfeiçoou tecnicamente os aplausos, para que tivessem o
efeito esperado no país e no exterior. Ressaltando a ameaça bolchevique, o
ministro da Propaganda tentou conquistar os países neutros e os aliados
ocidentais para uma luta conjunta contra a União Soviética. Insistiu também na
campanha de perseguição aos judeus. "A Alemanha não pretende se curvar à
ameaça judaica e, sim, enfrentá-la, se necessário, com o extermínio total e
radical do judaísmo", disse sob aplausos.
Goebbels ambicionava melhorar sua posição no comando
nazista. Nos anos 1930, ele havia sido uma figura marginal. Fora relegado a
segundo plano nas decisões que antecederam o início da Segunda Guerra Mundial.
Apesar disso, era considerado um importante representante do regime nazista,
tanto no país como no exterior. Seu papel era propagar o culto ao Führer e
maquiar o caráter terrorista do regime de Hitler com a visão da
"comunidade do povo" (Volksgemeinschaft). Goebbels estava ligado ao
centro do poder através da propaganda.
Apelo veemente ao nacionalismo
O discurso de 18 de fevereiro de 1943 teve diferentes
repercussões no exterior. Hitler classificou-o como "obra-prima da
propaganda", uma advertência fatídica que combinava fascínio e violência
sutil. Nunca antes Goebbels havia apelado com tanta veemência ao nacionalismo,
à esperança e à perseverança de milhões de alemães.
Suas táticas para manipulação das massas, porém, já eram
conhecidas. Em 1938, alertara para a "crescente insatisfação do povo
alemão" com o Tratado de Versalhes. Com inédita habilidade, usou o rádio,
a fotografia e o cinema para propagar os ideais do nazismo. Tramou também a
chamada Noite dos Cristais de 9 de novembro de 1938, uma operação brutal
montada para vingar o assassinato de um diplomata alemão em Paris por um jovem
comunista judeu.
Goebbels alegou que foi um protesto espontâneo das massas,
mas hoje sabe-se que a "Noite dos Cristais" marcou o início de uma
nova fase do regime hitlerista: o nacional-socialismo deixava as camuflagens
para assumir o terror.
Perdida a guerra, os dois principais mentores desse terror -
o Führer e seu chefe de propaganda - escolheram o mesmo destino: suicidaram-se
em 30 de abril de 1945. No testamento escrito pouco antes do suicídio, Hitler
ainda nomeara Goebbels para sucedê-lo no cargo de chanceler do 3º Reich.
Autoria Michael Marek (gh)
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1938: O pogrom da "Noite dos Cristais"
Em 9 de novembro de 1938, sinagogas foram incendiadas em
toda a Alemanha. Polícia e bombeiros foram impedidos de agir pelo governo
nazista.
Novemberpogrome 1938 Zerstörte jüdische
Geschäfte in Magdeburg
Aquela que ficaria conhecida no próprio jargão nazista como
a "noite dos cristais quebrados" marcou o início do Holocausto, que
causou a morte de seis milhões de judeus na Europa até o final da Segunda
Guerra Mundial.
A "Noite dos Cristais" (Kristallnacht ou
Reichspogromnacht), de 9 para 10 de novembro de 1938, em toda a Alemanha e
Áustria, foi marcada pela destruição de símbolos judaicos. Sinagogas, casas
comerciais e residências de judeus foram invadidas e seus pertences destruídos.
Série de proibições aos judeus
Milhares foram torturados, mortos ou deportados para campos
de concentração. A justificativa usada pelos nazistas foi o assassinato do
então diplomata alemão em Paris, Ernst von Rath, pelo jovem Herschel Grynszpan,
de 17 anos, dois dias antes.
A perseguição nazista à comunidade judaica alemã já havia
começado em abril de 1933, com a convocação aos cidadãos a boicotarem estabelecimentos
pertencentes a judeus. Mais tarde, foram proibidos de freqüentar
estabelecimentos públicos, inclusive hospitais.
No outono europeu de 1935, a perseguição aos judeus,
apontados como "inimigos dos alemães", atingiu outro ponto alto com a
chamada "Legislação Racista de Nurembergue". Enquanto o resto do
mundo parecia não levar o genocídio a sério, Hitler via confirmada sua política
de limpeza étnica.
Trajetória para o Holocausto já havia sido aberta
Uma lei de 15 de novembro de 1935 havia proibido os
casamentos e condenado as relações extraconjugais entre judeus e não-judeus.
Havia ainda a proibição de que não-judeus fizessem serviços domésticos para
famílias judaicas e que um judeu hasteasse a bandeira nazista.
Ainda em 1938, as crianças judias foram expulsas das escolas
e foi decretada a expropriação compulsória de todas as lojas, indústrias e
estabelecimentos comerciais pertencentes a judeus. Em 1º de janeiro de 1939,
foi adicionado obrigatoriamente aos documentos de judeus o nome Israel para homens
e Sarah para mulheres.
A proporção da brutalidade do pogrom de 9 de novembro foi
indescritível. Hermann Göring, chefe da SA (Tropa de Assalto), lamentou
"as grandes perdas materiais" daquele 9 de novembro de 1938,
acrescentando: "Preferia que tivessem assassinado 200 judeus em vez de
destruir tantos objetos de valor!"
Autoria Doris Bulau (rw)
Fonte : Deutsche Welle
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¡Escribe!” Es la mejor receta contra las malos recuerdos
Publicado por Tes Nehuén 9 de noviembre de 2015
"¡Escribe!" Es la mejor receta contra las malos
recuerdosDesde tiempos antíquisimos el arte ha servido para dejar constancia de
nuestro paso por este mundo. No, para que hagamos de él un uso egocéntrico (que
también se puede) sino para que al exteriorizar nuestras experiencias podamos
empatizar con personas de otras edades y culturas. La escritura, es entre otras
artes, una herramienta ineludible de catarsis tanto para recuperar nuestro
propio equilibrio como para reflexionar en pos del equilibrio del mundo.
Podría decirse que la literatura fue y es para muchos un
canal de salvación frente a las miserias y las dificultades de la vida. Y así
ha quedado demostrado a lo largo de la historia, ya que muchísimos autores han
afirmado salvarse gracias al descubrimiento de las letras. La posibilidad de
ser otros, de vivir en otro lugar, en otros cuerpos, fue una de las grandes ayudas
que nos ofreció a muchos la lectura siendo niños, salvación que se extendió a
nuestra vida adulta a través del descubrimiento de la escritura. Tanto lectura
como escritura extienden nuestra vida imaginaria y nos ayudan a pasar por este
mundo de una forma más intensa, y a la vez, más fructífera. Sobre esa capacidad
de la literatura como método de salvación escribo en este texto.
Autores que no se ahogaron
La literatura tiene una doble función: por un lado puede ser
una fantástica herramienta de autoconocimiento y, por el otro, una forma de
abandonar la propia vida para recordar cómo eran otras sensaciones y tomar
impulso para mejorar nuestra realidad. En cualquiera de los dos casos, puede
ser una maravillosa forma de explicar(nos) las consecuencias que las
experiencias marcan en nuestra psique.
La escritura puede ser, según lo afirman muchísimos
psicólogos y especialistas de diferentes disciplinas vinculadas al cuidado de
la salud mental, una fantástica tabla de salvación: un método para enfrentar las
situaciones traumáticas del pasado y conocernos a nosotros mismos.
Para muchos autores la lectura fue una forma de huir de la
propia realidad para habitar otros mundos. Herta Müller ha narrado muchísimas
veces que mientras estaba siendo interrogada por la Securitae del régimen de
Ceaușescu se ausentaba del presente a través de la poesía: repetía versos y
poemas enteros que le ayudaban a blindar su mente y a mantenerse a salvo.
Similares fueron las vivencias de Mircea Catarescu quien aseguró que gracias a
la literatura se salvó en la infancia y durante la dictadura también fue la
literatura, esos libros que estaban censurados pero que leía de forma
clandestina, quienes le ayudaron a seguir confiando y a poner en palabras lo
que le rondaba dentro del cráneo.
La lista de autores que se aferraron a la literatura y
consiguieron mantenerse a salvo es larga. En su último libro, “Niños en el
tiempo” (Seix Barral, 2014), Ricardo Menéndez Salmón apoya esta idea de la
literatura como salvación, al presentar un relato que se ve atravesado por la
pérdida y donde la escritura emerge como un bote salvavidas.
También el famosísimo autor, Haruki Murakami ha dicho en
varias ocasiones que si no fuera por la escritura apenas sabría qué cosas
rondan su cabeza, ya que no las conoce hasta que no las pone por escrito. El
escritor peruano Mario Vargas Llosa, también manifestó que aprender a leer fue
una de las mejores cosas que le pasó en la vida y que su acercamiento a las
novelas de Flaubert fue una forma ineludible de aferrarse a la palabra como
instrumento de salvación. Y Alfredo Conte dice que ve la literatura como una
forma de salvarse y agrega que escribir y leer son formas de robarle tiempo a
la muerte.
"¡Escribe!" Es la mejor receta contra las malos
recuerdos
Escribir para no morir
Voltaire decía que la escritura era la pintura de la voz. Y
quizá, ninguna frase puede acercarse más a lo que la literatura implica para
quien la escribe: la posibilidad de trazar su propio camino, de escuchar su voz
y manifestarse con la certeza de que no hay terreno firme, que la única
seguridad que tenemos en esta vida es la posibilidad de estar de paso.
Escribir puede ser una excelente terapia para conquistar
terrenos nebulosos de nuestros miedos. Y no lo digo como una especie de fétida
terapia en la que nos refugiamos en la tristeza y sentimos compasión de
nosotros mismos y nuestras miserias. Sino más bien, en cuanto a que la
escritura puede ser una fantástica puerta de entrada para reflexionar sobre lo
que el mundo es más allá de nosotros; nos ayuda a convertirnos en observadores
capaces de volverse invisibles y observar la vida más allá de nuestras narices.
Aunque también, por otro lado, ese mirar hacia afuera nos lleva
indefectiblemente a regresar a nosotros y a nuestras experiencias para
convertirnos en personas más reflexivas y, en lo posible, más fuertes.
La lectura y la escritura son sin duda dos armas ineludibles
para llegar a conocernos y para entender qué cosas de nosotros no nos gustan,
cuáles deseamos cambiar y de qué forma creemos que podremos conseguirlo. Sin
duda, una maravillosa terapia para transformarnos en personas más satisfechas y
felices. ¿Qué me dicen?
CE
Louis Aragon
Todo empezará en el CE,
el puente que yo crucé.
Habla un romance perdido
del buen caballero herido;
de una rosa en la calzada
y una túnica soltada;
de un castillo misterioso
y albos cisnes en el foso,
y una pradera en que danza
la novia sin esperanza.
Como una noche de hielo,
el lay de glorias en duelo.
Se van con mis pensamientos
por el Loire los armamentos;
y los convoyes volcados
y llantos mal enjugados.
¡Oh Francia, mi bien amada!
¡Oh mi dulce abandonada!
qué sola yo te dejé
cruzando el puente de CE.
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sábado, 7 de novembro de 2015
A Tosco
A Tosco,
Sí Tosco, sí Agustín,
como hace la madera,
con la tenacidad de la flor que no cesa,
de ese modo Agustín, Tosco como la tierra
en donde el Cordobazo alzó su polvareda,
como ese grito tuyo que sale de las fábricas,
de los talleres grises y las villas miseria.
Sí Agustín tumulto, de esa manera entera,
avanzamos contigo y con la clase obrera.
Nadie sabe en qué aire te volviste bandera
trasparente Agustín de overol primavera.
Toscamente Agustín, sangre de sangre nuestra
córdobamente hermano para que el día vuelva
contigo en cada nido, en cada campanario.
Y el motín de palomas que de tu sangre vuela.
Nadie se ha detenido, nadie ha dicho me rindo;
a cada santo y seña tu multitud regresa,
con los puños en alto hacia la vida nueva,
y tu overol azul de patria en primavera
de Armando Tejada Gómez.
Sennin
Ryunosuke Akutagawa
Un hombre que quería emplearse como sirviente llegó una vez
a la ciudad de Osaka. No sé su verdadero nombre, lo conocían por el nombre de
sirviente, Gonsuké, pues él era, después de todo, un sirviente para cualquier
trabajo.
Este hombre -que nosotros llamaremos Gonsuké- fue a una
agencia de COLOCACIONES PARA CUALQUIER TRABAJO, y dijo al empleado que estaba
fumando su larga pipa de bambú:
-Por favor, señor Empleado, yo desearía ser un sennin1.
¿Tendría usted la gentileza de buscar una familia que me enseñara el secreto de
serlo, mientras trabajo como sirviente?
El empleado, atónito, quedó sin habla durante un rato, por
el ambicioso pedido de su cliente.
-¿No me oyó usted, señor Empleado? -dijo Gonsuké-. Yo deseo
ser un sennin1. ¿Quisiera usted buscar una familia que me tome de sirviente y
me revele el secreto?
-Lamentamos desilusionarlo -musitó el empleado, volviendo a
fumar su olvidada pipa-, pero ni una sola vez en nuestra larga carrera
comercial hemos tenido que buscar un empleo para aspirantes al grado de sennin.
Si usted fuera a otra agencia, quizá...
Gonsuké se le acercó más, rozándolo con sus presuntuosas
rodillas, de pantalón azul, y empezó a argüir de esta manera:
-Ya, ya, señor, eso no es muy correcto. ¿Acaso no dice el
cartel COLOCACIONES PARA CUALQUIER TRABAJO? Puesto que promete cualquier
trabajo, usted debe conseguir cualquier trabajo que le pidamos. Usted está
mintiendo intencionalmente, si no lo cumple.
Frente a un argumento tan razonable, el empleado no censuró
el explosivo enojo:
-Puedo asegurarle, señor Forastero, que no hay ningún
engaño. Todo es correcto -se apresuró a alegar el empleado-, pero si usted
insiste en su extraño pedido, le rogaré que se dé otra vuelta por aquí mañana.
Trataremos de conseguir lo que nos pide.
Para desentenderse, el empleado hizo esa promesa y logró,
momentáneamente por lo menos, que Gonsuké se fuera. No es necesario decir, sin
embargo, que no tenía la posibilidad de conseguir una casa donde pudieran
enseñar a un sirviente los secretos para ser un sennin. De modo que al
deshacerse del visitante, el empleado acudió a la casa de un médico vecino.
Le contó la historia del extraño cliente y le preguntó
ansiosamente:
-Doctor, ¿qué familia cree usted que podría hacer de este
muchacho un sennin, con rapidez?
Aparentemente, la pregunta desconcertó al doctor. Quedó
pensando un rato, con los brazos cruzados sobre el pecho, contemplando
vagamente un gran pino del jardín. Fue la mujer del doctor, una mujer muy
astuta, conocida como la Vieja Zorra, quien contestó por él al oír la historia
del empleado.
-Nada más simple. Envíelo aquí. En un par de años lo haremos
sennin.
-¿Lo hará usted realmente, señora? ¡Sería maravilloso! No sé
cómo agradecerle su amable oferta. Pero le confieso que me di cuenta desde el
comienzo que algo relaciona a un doctor con un sennin.
El empleado, que felizmente ignoraba los designios de la
mujer, agradeció una y otra vez, y se alejó con gran júbilo.
Nuestro doctor lo siguió con la vista; parecía muy
contrariado; luego, volviéndose hacia la mujer, le regañó malhumorado:
-Tonta, ¿te has dado cuenta de la tontería que has hecho y
dicho? ¿Qué harías si el tipo empezara a quejarse algún día de que no le hemos
enseñado ni una pizca de tu bendita promesa después de tantos años?
La mujer, lejos de pedirle perdón, se volvió hacia él y
graznó:
-Estúpido. Mejor no te metas. Un atolondrado tan
estúpidamente tonto como tú, apenas podría arañar lo suficiente en este mundo
de te comeré o me comerás, para mantener alma y cuerpo unidos.
Esta frase hizo callar a su marido.
A la mañana siguiente, como había sido acordado, el empleado
llevó a su rústico cliente a la casa del doctor. Como había sido criado en el
campo, Gonsuké se presentó aquel día ceremoniosamente vestido con haori y
hakama, quizá en honor de tan importante ocasión. Gonsuké aparentemente no se
diferenciaba en manera alguna del campesino corriente: fue una pequeña sorpresa
para el doctor, que esperaba ver algo inusitado en la apariencia del aspirante
a sennin. El doctor lo miró con curiosidad, como a un animal exótico traído de
la lejana India, y luego dijo:
-Me dijeron que usted desea ser un sennin, y yo tengo mucha
curiosidad por saber quién le ha metido esa idea en la cabeza.
-Bien señor, no es mucho lo que puedo decirle -replicó
Gonsuké-. Realmente fue muy simple: cuando vine por primera vez a esta ciudad y
miré el gran castillo, pensé de esta manera: que hasta nuestro gran gobernante
Taiko, que vive allá, debe morir algún día; que usted puede vivir
suntuosamente, pero aun así volverá al polvo como el resto de nosotros. En
resumidas cuentas, que toda nuestra vida es un sueño pasajero... justamente lo
que sentía en ese instante.
-Entonces -prontamente la Vieja Zorra se introdujo en la
conversación-, ¿haría usted cualquier cosa con tal de ser un sennin?
-Sí, señora, con tal de serlo.
-Muy bien. Entonces usted vivirá aquí y trabajará para
nosotros durante veinte años a partir de hoy y, al término del plazo, será el
feliz poseedor del secreto.
-¿Es verdad, señora? Le quedaré muy agradecido.
-Pero -añadió ella-, de aquí a veinte años usted no recibirá
de nosotros ni un centavo de sueldo. ¿De acuerdo?
-Sí, señora. Gracias, señora. Estoy de acuerdo en todo.
De esta manera empezaron a transcurrir los veinte años que
pasó Gonsuké al servicio del doctor. Gonsuké acarreaba agua del pozo, cortaba
la leña, preparaba las comidas y hacía todo el fregado y el barrido. Pero esto
no era todo, tenía que seguir al doctor en sus visitas, cargando en sus espaldas
el gran botiquín. Ni siquiera por todo este trabajo Gonsuké pidió un solo
centavo. En verdad, en todo el Japón, no se hubiera encontrado mejor sirviente
por menos sueldo.
Pasaron por fin los veinte años y Gonsuké, vestido otra vez
ceremoniosamente con su almidonado haori como la primera vez que lo vieron, se
presentó ante los dueños de casa.
Les expresó su agradecimiento por todas las bondades
recibidas durante los pasados veinte años.
-Y ahora, señor -prosiguió Gonsuké-. ¿quisieran ustedes
enseñarme hoy, como lo prometieron hace veinte años, cómo se llega a ser sennin
y alcanzar juventud eterna e inmortalidad?
-Y ahora ¿qué hacemos? -suspiró el doctor al oír el pedido.
Después de haberlo hecho trabajar durante veinte largos años por nada, ¿cómo
podría en nombre de la humanidad decir ahora a su sirviente que nada sabía
respecto al secreto de los sennin? El doctor se desentendió diciendo que no era
él sino su mujer quien sabía los secretos.
-Usted tiene que pedirle a ella que se lo diga -concluyó el
doctor y se alejó torpemente.
La mujer, sin embargo, suave e imperturbable, dijo:
-Muy bien, entonces se lo enseñaré yo, pero tenga en cuenta
que usted debe hacer lo que yo le diga, por difícil que le parezca. De otra
manera, nunca podría ser un sennin; y además, tendría que trabajar para
nosotros otros veinte años, sin paga, de lo contrario, créame, el Dios
Todopoderoso lo destruirá en el acto.
-Muy bien, señora, haré cualquier cosa por difícil que sea
-contestó Gonsuké. Estaba muy contento y esperaba que ella hablara.
-Bueno -dijo ella-, entonces trepe a ese pino del jardín.
Desconociendo por completo los secretos, sus intenciones
habían sido simplemente imponerle cualquier tarea imposible de cumplir para
asegurarse sus servicios gratis por otros veinte años. Sin embargo, al oír la
orden, Gonsuké empezó a trepar al árbol, sin vacilación.
-Más alto -le gritaba ella-, más alto, hasta la cima.
De pie en el borde de la baranda, ella erguía el cuello para
ver mejor a su sirviente sobre el árbol; vio su haori flotando en lo alto,
entre las ramas más altas de ese pino tan alto.
-Ahora suelte la mano derecha.
Gonsuké se aferró al pino lo más que pudo con la mano
izquierda y cautelosamente dejó libre la derecha.
-Suelte también la mano izquierda.
-Ven, ven, mi buena mujer -dijo al fin su marido atisbando
las alturas-. Tú sabes que si el campesino suelta la rama, caerá al suelo. Allá
abajo hay una gran piedra y, tan seguro como yo soy doctor, será hombre muerto.
-En este momento no quiero ninguno de tus preciosos
consejos. Déjame tranquila. ¡He! ¡Hombre! Suelte la mano izquierda. ¿Me oye?
En cuanto ella habló, Gonsuké levantó la vacilante mano izquierda.
Con las dos manos fuera de la rama ¿cómo podría mantenerse sobre el árbol?
Después, cuando el doctor y su mujer retomaron aliento, Gonsuké y su haori se
divisaron desprendidos de la rama, y luego... y luego... Pero ¿qué es eso?
¡Gonsuké se detuvo! ¡se detuvo! en medio del aire, en vez de caer como un
ladrillo, y allá arriba quedó, en plena luz del mediodía, suspendido como una
marioneta.
-Les estoy agradecido a los dos, desde lo más profundo de mi
corazón. Ustedes me han hecho un sennin -dijo Gonsuké desde lo alto.
Se le vio hacerles una respetuosa reverencia y luego comenzó
a subir cada vez más alto, dando suaves pasos en el cielo azul, hasta
transformarse en un puntito y desaparecer entre las nubes.
FIN
1. Según la tradición china, el Sennin es un ermitaño
sagrado que vive en el corazón de una montaña, y que tiene poderes mágicos como
el de volar cuando quiere y disfrutar de una extrema longevidad.
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Cuerpo de mujer
Una noche de verano un chino llamado Yang despertó de pronto
a causa del insoportable calor. Tumbado boca abajo, la cabeza entre las manos,
se había entregado a hilvanar fogosas fantasías cuando se percató de que había
un pulga avanzando por el borde de la cama. En la penumbra de la habitación la
vio arrastrar su diminuto lomo fulgurando como polvo de plata rumbo al hombro
de su mujer que dormía a su lado. Desnuda, yacía profundamente dormida, y oyó
que respiraba dulcemente, la cabeza y el cuerpo volteados hacia su lado.
Observando el avance indolente de la pulga, Yang reflexionó
sobre la realidad de aquellas criaturas. "Una pulga necesita una hora para
llegar a un sitio que está a dos o tres pasos nuestros, aparte de que todo su
espacio se reduce a una cama. Muy tediosa sería mi vida de haber nacido
pulga..."
Dominado por estos pensamientos, su conciencia se empezó a
oscurecer lentamente y, sin darse cuenta, acabó hundiéndose en el profundo
abismo de un extraño trance que no era ni sueño ni realidad. Imperceptiblemente,
justo cuando se sintió despierto, vio, asombrado, que su alma había penetrado
el cuerpo de la pulga que durante todo aquel tiempo avanzaba sin prisa por la
cama, guiada por un acre olor a sudor. Aquello, en cambio, no era lo único que
lo confundía, pese a ser una situación tan misteriosa que no conseguía salir de
su asombro.
En el camino se alzaba una encumbrada montaña cuya forma más
o menos redondeada aparecía suspendida de su cima como una estalactita,
alzándose más allá de la vista y descendiendo hacia la cama donde se
encontraba. La base medio redonda de la montaña, contigua a la cama, tenía el
aspecto de una granada tan encendida que daba la impresión de contener fuego
almacenado en su seno. Salvo esta base, el resto de la armoniosa montaña era
blancuzco, compuesto de la masa nívea de una sustancia grasa, tierna y pulida.
La vasta superficie de la montaña bañada en luz despedía un lustre ligeramente
ambarino que se curvaba hacia el cielo como un arco de belleza exquisita, a la
par que su ladera oscura refulgía como una nieve azulada bajo la luz de la
luna.
Los ojos abiertos de par en par, Yang fijó la mirada atónita
en aquella montaña de inusitada belleza. Pero cuál no sería su asombro al
comprobar que la montaña era uno de los pechos de su mujer. Poniendo a un lado
el amor, el odio y el deseo carnal, Yang contempló aquel pecho enorme que
parecía una montaña de marfil. En el colmo de la admiración permaneció un largo
rato petrificado y como aturdido ante aquella imagen irresistible, ajeno por
completo al acre olor a sudor. No se había dado cuenta, hasta volverse una
pulga, de la belleza aparente de su mujer. Tampoco se puede limitar un hombre
de temperamento artístico a la belleza aparente de una mujer y contemplarla
azorado como hizo la pulga.
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quarta-feira, 4 de novembro de 2015
POEMA DE FINADOS
Amanhã que é dia dos mortos
Vai ao cemitério. Vai
E procura entre as sepulturas
A sepultura de meu pai.
Leva três rosas bem bonitas.
Ajoelha e reza uma oração.
Não pelo pai, mas pelo filho:
O filho tem mais precisão.
O que resta de mim na vida
É a amargura do que sofri.
Pois nada quero, nada espero.
E em verdade estou morto ali.
Manuel Bandeira
VERSOS DE NATAL
Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado, obrigado!
Mas se fosses mágico,
Penetrarias até o fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta esse homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera do Natal
Pensa ainda em pôr os seus sapatinhos atrás da porta.
Manuel Bandeira
ESPELHO
Sou prateado e exato. Não tenho preconceitos.
Tudo o que vejo engulo no mesmo momento
Do jeito que é, sem manchas de amor ou desprezo.
Não sou cruel, apenas verdadeiro —
O olho de um pequeno deus, com quatro cantos.
O tempo todo medito do outro lado da parede.
Cor-de-rosa, malhada. Há tanto tempo olho para ele
Que acho que faz parte do meu coração. Mas ele falha.
Escuridão e faces nos separam mais e mais.
Sou um lago, agora. Uma mulher se debruça sobre mim,
Buscando em minhas margens sua imagem verdadeira.
Então olha aquelas mentirosas, as velas ou a lua.
Vejo suas costas, e a reflito fielmente.
Me retribui com lágrimas e acenos.
Sou importante para ela. Ela vai e vem.
A cada manhã seu rosto repõe a escuridão.
Ela afogou uma menina em mim, e em mim uma velha
Emerge em sua direção, dia a dia, como um peixe terrível.
Sylvia Plat
O ESPELHO
E como eu passasse por diante do espelho
não vi meu quarto com as suas estantes
nem este meu rosto
onde escorre o tempo.
Vi primeiro uns retratos na parede:
janelas onde olham avós hirsutos
e as vovozinhas de saia-balão
Como pára-quedistas às avessas que subissem do
fundo do tempo.
O relógio marcava a hora
mas não dizia o dia. O Tempo,
desconcertado,
estava parado.
Sim, estava parado
Em cima do telhado...
Como um catavento que perdeu as asas!
Mario Quintana
ESPELHO DE UM MOMENTO
Ele dissipa a claridade
Mostra aos homens as imagens sutis da aparência
Arrebata aos homens a possibilidade de se distraírem.
É duro quanto a pedra,
A pedra informe,
A pedra do movimento e da rua,
E seu brilho é tal que todas as armaduras, todas as
máscaras se deformam.
O que a mão tomou desdenha mesmo de tomar a forma da mão.
O que foi compreendido não existe mais,
A ave se confundiu com o vento,
O céu com sua verdade
O homem com sua realidade.
Paul Éluard
AS SEM RAZÕES DO AMOR
Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Carlos Drummond de Andrade.
"Escute, meu chapa: um poeta não se faz com versos. É o
risco, é estar sempre a perigo sem medo, é inventar o perigo e estar sempre
recriando dificuldades pelo menos maiores, é destruir a linguagem e explodir
com ela. Nada no bolso e nas mãos. Sabendo: perigoso, divino, maravilhoso.
Poetar é simples, como dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena etc.
Difícil é não correr com os versos debaixo do braço. Difícil é não cortar o
cabelo quando a barra pesa. Difícil, pra quem não é poeta, é não trair a sua
poesia, que, pensando bem, não é nada, se você está sempre pronto a temer tudo;
menos o ridículo de declamar versinhos sorridentes. E sair por aí, ainda por
cima sorridente mestre de cerimônias, 'herdeiro' da poesia dos que levaram a
coisa até o fim e continuam levando, graças a Deus. E fique sabendo: quem não
se arrisca não pode berrar. Citação: leve um homem e um boi ao matadouro. O que
berrar mais na hora do perigo é o homem, nem que seja o boi."
TORQUATO NETO (1944-1972)
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
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