quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013



Julio Urrutiaga Almada
Quem foi o primeiro Papa? Pedro que era cristão primitivo e foi perseguido pelos romanos ou Constantino e seus capangas históricos que transformaram a Igreja Católica na permanência do Império Romano por séculos e séculos e Amem? E usaram Jesus de Nazaré, um dos maiores revolucionários - Anarquista defensor da igualdade e coletivismo, defensor do fim da hierarquia e contra a autoridade - como garoto propaganda de uma instituição dedicada a conquistar o mundo novo a ferro e fogo.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013



''Não digo que eu fosse desprovido de amor-próprio, mas jamais este sentimento me dominou; ao contrário, fui obrigado a lutar contra mim mesmo e contra minha natureza toda vez que me preparava para falar publicamente ou mesmo para escrever para o público. Eu não tinha também esses vícios enormes, ao modo Danton ou Mirabeau, eu não conhecia essa depravação ilimitada e insaciável que, para se satisfazer, está pronta a chocar o mundo inteiro.

E se eu sofresse de egoísmo, este egoísmo seria unicamente necessidade de movimento, necessidade de ação. Sempre houve em minha natureza um defeito capital: o amor pelo fantástico, pelas aventuras extraordinárias e inauditas, ações abrindo à visão de horizontes ilimitados e das quais ninguém pode prever onde vai desembocar. Numa existência ordinária e calma eu sufocava, sentia-me mal em minha pele. Os homens procuram ordinariamente a tranqüilidade e a consideram como o bem supremo; no que me concerne, ela me mergulhava no desespero; minha alma se encontrava em perpétua agitação, exigindo ação, movimento e vida.

Eu deveria ter na nascido em algum lugar nas florestas americanas, entre os colonos do Far West, lá onde a civilização está ainda em seu início e onde toda existência nada mais é do que uma luta incessante contra homens selvagens e contra a natureza virgem, e não numa sociedade burguesa organizada. E, também, se desde minha juventude o destino tivesse querido fazer de mim um marinheiro, eu seria ainda hoje, provavelmente, um bom homem, eu não teria pensado na política e não teria procurado outras aventuras e tempestades a não ser as do mar. Mas o destino decidiu de outra forma e minha necessidade de movimento e de ação permaneceu insatisfeita. Esta necessidade , junta, em seguida, à exaltação democrática, foi, por assim dizer, minha única motivação. No que concerne a esta exaltação, ela pode ser definida em poucas palavras: o amor pela liberdade e um ódio invencível por toda opressão, ódio ainda mais intenso quando esta opressão dizia respeito a outra pessoa, e não a mim mesmo. Procurar minha felicidade na felicidade do outro, minha dignidade pessoal na dignidade de todos aqueles que me cercavam, ser livre na liberdade dos outros, eis todo meu credo, a aspiração de toda minha vida. Eu considerava como o mais sagrado dos deveres o de me revoltar contra toda opressão, fosse o autor ou a vitima. Sempre houve em mim muito de Dom Quixote, não somente na política, mas também em minha vida privada; eu não podia ver, com olhar indiferente, a mínima injustiça, e, por uma razão ainda mais forte, uma gritante opressão; algumas vezes, sem ter a competência nem o direito, eu me intrometi, de modo irrefletido, nos problemas dos outros e cometi, também, durante uma existência agitada, mas vazia e inútil, muitas besteiras, incorri em muitas contrariedades e fiz inúmeros inimigos, sem odiar, por assim dizer, ninguém. Eis, Sire, a verdadeira chave de todos meus atos insensatos, de meus pecados e de meus crimes. Se falo disso com esta segurança e com esta clareza, é que eu tive, durante estes dois últimos anos, bastante tempo para estudar a mim mesmo e para refletir sobre meu passado; agora me vejo com indiferença, como se pode ver um moribundo ou um morto.''

-Michail Bakunin

(carta ao czar Nikolai I)

A manhã





Ninguém sabe se a manhã
Traz promessa de prazer.
Anônimas sanfoninas
Alternam como sábias.

Transformou-se o vento de ontem,
Agora sopra sereno.

Sai um homem para o trabalho,
Saem dois, saem três, saem mil
Pensando na volta.
Ontem não havia
Aquela roseira em pé,
E a carícia d'agora
Desapareceu no ar.

Os braços espantam
Os restos da noite.

  Murilo Mendes

O direito de mamar



Galeano - 12 de fevereiro 
 
Debaixo do teto ondulado da estação de Chengdu, em Sichuan, centenas de jovens chinesas sorriem para a fotografia.
Todas exibe idênticos aventais novos.
Estão todas recém-penteadas, lavadas, passadas.
Estão todas recém paridas.
Esperam o trem que as levará a Pequim.
Em Pequim, todas darão de mamar a bebês alheios.
Essas vacas leiteiras serão bem pagas e bem alimentadas.
Enquanto isso, muito longe de Pequim, nas aldeias de Sichuan, seus bebês serão alimentados com leite em po'.
Todas dizem que fazem o que fazem por eles para poder pagar a eles uma boa educação.




segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

como é que a mídia nacional ainda não viu isto?



Alexandre França
O que acontece hoje na música pop da classe média brasileira minimamente letrada e inteligente:
- Ukulele ou
- Fela Kuti ou
- Jovem Guarda cult ou
- Vanguarda light.
Qual seria, então, o caminho mais interessante da canção pop hoje no Brasil, longe destes MODISMOS que já começam a dar sinais de desgaste -
A MÚSICA CURITIBANA.
Música curitibana nas figuras de:
Confraria da Costa, Banda Gentileza, Troy Rossilho, Eugênio Fim e Luiz Felipe Leprevost, Klemorin, Marcelo Lique, entre outros (MUITOS outros).
Quais seriam as diferenças básicas da música curitibana, para outros movimentos musicais que ocorreram no Brasil.
Ao invés do velho sistema "mistura do Brasil com o que vem de fora"
a construção de novos territórios musicais (através de ecos, um olhar refratado acerca do lugar onde se fala - por exemplo, falar sobre a Rússia, falando, na verdade, sobre Curitiba - criação de ambientes outros, situações outras na canção, outras temáticas e contundência poética no que diz respeito a sua construção)
Influência da musicalidade da velha Europa.
Dna da poesia punk feita em Curitiba nos anos 80 e 90.
A performance como forma de musicalidade.

Há outras características que eu vou falando com o tempo.
Este é apenas um recorte - É CLARO que a musica curitibana envolve outros estilos, pessoas, etc, etc.
Mas é uma semente que eu tô plantando e um questionamento:
como é que a mídia nacional ainda não viu isto?



La ideología fatalista, inmovilizadora, que anima el discurso liberal anda suelta en el mundo. Con aires de posmodemidad, insiste en convencemos de que nada podemos hacer contra la realidad social que, de histórica y cultural, pasa a ser o a tornarse "casi natural". Frases como "la realidad es justamente así, ¿qué podemos hacer?" o "el desempleo en el mundo es una fatalidad de fin de siglo" expresan bien el fatalismo de esta ideología y su indiscutible voluntad inmovilizadora." 
Paulo Freire
Pedagogía de la autonomía. P. 11