sábado, 3 de setembro de 2016

Encantação pelo riso

Велимир Хлебников - Vielimir Khlébnikov - Haroldo de Campos.
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Encantação pelo riso
Ride, ridentes!
Derride, derridentes!
Risonhai aos risos, rimente risandai!
Derride sorrimente!
Risos sobrerrisos - risadas de sorrideiros risores!
Hílare esrir, risos de sobrerridores riseiros!
Sorrisonhos, risonhos,
Sorride, ridiculai, risando, risantes,
Hilariando, riando,
Ride, ridentes!
Derride, derridentes!
1910
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Заклятие смехом
Op. 2.
О, рассмейтесь, смехачи!
О, засмейтесь, смехачи!
Что смеются смехами, что смеянствуют смеяльно,
О, засмейтесь усмеяльно!
О, рассмешищ надсмеяльных — смех усмейных смехачей!
О, иссмейся рассмеяльно, смех надсмейных смеячей!
Смейево, смейево!
Усмей, осмей, смешики, смешики!
Смеюнчики, смеюнчики.
О, рассмейтесь, смехачи!
О, засмейтесь, смехачи!
[1910]

- Vielimir Khlébnikov (Велимир Хлебников).. 

{tradução Haroldo de Campos}, em "Poesia Russa Moderna' [Traduções Augusto de Campos, Haroldo de Campos, Boris Schnaiderman]. São Paulo: Editora Perspectiva, 2001.


 "Não se deve confundir 'cordialidade' com 'boas maneiras'. (...) O 'homem cordial' não pressupõe bondade, mas somente o predomínio dos comportamentos de aparência afetiva, inclusive suas manifestações externas, não necessariamente sinceras nem profundas, que se opõem aos ritualismos da polidez."
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Sérgio Buarque de Holanda.

Los días inútiles


Jaime Sabines

Los días inútiles son como una costra
de mugre sobre el alma.
Hay una asfixia lenta que sonríe,
que olvida, que se calla.
¿Quién me pone estos sapos en el pecho
cuando no digo nada?
Hay un idiota como yo andando,
platicando con gentes y fantasmas,
echándose en el lodo y escarbando
la mierda de la fama.
Puerco de hocico que recita versos
en fiestas familiares, donde mujeres sabias
hablan de amor, de guerra,
resuelven la esperanza.
Puerco del mundo fácil
en que el engaño quiere hacer que engaña
mientras ácidos lentos
llevan el asco a la garganta.
Hay un hombre que cae días y días
de pie, desde su cara,
y siente que en su pecho van creciendo
muertes y almas.
Un hombre como yo que se avergüenza,
que se cansa,
que no pregunta porque no pregunta
ni quiere nada.
¿Qué viene a hacer aquí tanta ternura fracasada?
¡Díganle que se vaya!


La dicha de vivir



Leopoldo Lugones

Poco antes de la oración del huerto, un hombre tristísimo que había ido a ver a Jesús, conversaba con Felipe, mientras concluía de orar el Maestro.

-Yo soy el resucitado de Naim -dijo el hombre-. Antes de mi muerte, me regocijaba con el vino, holgaba con las mujeres, festejaba con mis amigos, prodigaba joyas y me recreaba en la música. Hijo único, la fortuna de mi madre viuda era mía tan solo. Ahora nada de eso puedo; mi vida es un páramo. ¿A qué debo atribuirlo?

-Es que cuando el Maestro resucita a alguno, asume todos sus pecados -respondió el apóstol-. Es como si aquel volviera a nacer en la pureza del párvulo…

-Así lo creía y por eso vengo.

-¿Qué podrías pedirle, habiéndote devuelto la vida?

-Que me devuelva mis pecados -suspiró el hombre.

FIN

De Filosofícula, 1924

MÁS CUENTOS DE LEOPOLDO LUGONES

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domingo, 28 de agosto de 2016

Najat Ya Msafer Wahdak

Ricardo Costa de Oliveira


Daí você sai com o seu cachorrinho Lhasa, na coleira, em um passeio para desestressar. Em uma das bucólicas ruas da vizinhança um carro abre um portão e saem dois pastores alemães ameaçadoramente agressivos na sua direção. Aprendi esta técnica e que até agora sempre funcionou para o bem de todos. Levanto o meu cachorrinho na altura do meu peito e encaro de frente o cão atacante. O agressor canino nunca ataca outro cão muito acima da cabeça dele, até para não expor o próprio pescoço, cabeça e orelhas a um contra-ataque de cima. Ufa, escapamos ilesos mais uma vez, no caso reincidente naquela mesma casa. Vou reclamar para os moradores, no carro coberto de adesivos da Lava Jato e não recebo nem um pedido de desculpa, pelo menos a minha dissuasão funcionou plenamente...
Marcos Siscar

Editorial da Folha, hoje: a "governabilidade" justifica a ilegalidade. E, em nome dela, teremos que aceitar o veredicto (golpe). Não dá pra dizer que não está claro.
"A abreviação do mandato presidencial, por contrariar o desejo expresso pelos eleitores, deveria ocorrer somente em circunstâncias excepcionais, quando o detentor houvesse perdido todas as condições de seguir governando e estivesse comprovado de maneira cabal o envolvimento direto do chefe do Executivo nas irregularidades.
A defesa de Dilma alega que as decisões sobre pedaladas e créditos suplementares foram tomadas por técnicos, e não pela petista, e que tais expedientes já eram usuais na administração pública. Se a atribuição de crime de responsabilidade a ela tem algo de questionável, sobressai o descompasso entre a conduta que se pretende punir e a sanção extrema que será imposta.
Ainda assim, 367 dos 513 deputados votaram pelo impeachment; calcula-se que em torno de 60 senadores farão o mesmo. Supera-se com folga o mínimo de dois terços exigido na Constituição, requisito alto o suficiente para garantir que só presidentes já incapazes de governar se arriscam a perder o cargo.
Dilma Rousseff está prestes a perder o seu. Após extenso processo supervisionado pelo Supremo Tribunal Federal, o Senado definirá o destino da petista —e não haverá motivo para recusar o veredicto."


Западный ветер погнал облака.
Забеспокоилась Клязьма-река.
С первого августа дочке неможется.
Вон как скукожилась черная кожица.
Слушать не хочет ершен да плотвиц,
Губ не синит и не красит ресниц.
- Мама-река моя, я не упрямая,
Что ж это с гребнем не сладит рука моя?
Глянула в зеркало - я уж не та,
Канула в омут моя красота.
Замуж не вышла, детей не качала я,
Так почему ж я такая усталая?
Клонит ко сну меня, тянет ко дну,
Вот я прилягу, вот я усну.
- Свет мой, икринка, лягушечья спинушка,
Спи до весны, не кручинься, Иринушка!


Arseny  Tarkowsky
tá foda viver nesta ditadura temerosa onde o que exala é podre e nada rima com rosa...


Bárbara Lia.escritora e poeta paranaense
Perdi o sono na noite anterior. Quando era adolescente, volta e meia estava na iminência de ser expulso da escola. Arrumava encrenca fácil, brigava. Mas nunca fui de tirar sarro de ninguém. Era o mais alto da turma, os baixinhos adoram crescer em cima da gente. Eu também tinha um gênio difícil e não levava o tal falado desaforo pra casa, perdia o sono a noite. Com o passar dos anos, agora aos 50, pensava que havia me equilibrado, mas não é que corro novamente o risco, agora como professor, de ser expulso da escola!
Mais uma vez que o colega de magistério, passar pela salinha onde faço quieto e concentrado minha hora atividade, com ar de superior, zombando da democracia, tirando sarro das minhas dores, dos meus valores, dizendo que o Brasil já está melhor sem a Dilma, sem o PT. Que Temer será um ótimo presidente, falando bem da meritocracia, contra os programas sociais, entre outras falas absurdas, chamando todos da esquerda de mortadela , não mais darei uma aula de sociologia para esse professor, darei uma porrada na saída do colégio. Detalhe que me dói, esse colega foi cotista, formou-se pelas mãos do Estado . Pensando bem, não evolui, apenas envelheci, mas continuo não zombando de ninguém, respeito as dores, a cultura, a ignorância do outro. Principalmente dos pobres que se dizem da direita, defendem neoliberalismo sem saber que estão brigando por interesses que não são os seus. Mas por favor, não me venha tirar uma com a minha cara. Continuo um moleque briguento. Creio ter recebido um convite desse colega no face, sendo assim, está avisado!

Julio Damásio, professor de sociologia e contista.


A questão habitacional em Curitiba é muito grave. A depender do orçamento municipal de 2016 destinado para construir moradias populares e regularizar as áreas irregulares da cidade, demoraremos mais de 3 mil anos para zerar a fila da COHAB. Isso mesmo, não é exagero: o atual orçamento permitiria a construção de 20 apartamentos populares e temos uma fila (que é sempre crescente) de 72 mil pessoas para acessar novas moradias e mais de 200 mil pessoas morando em áreas irregulares. Absolutamente toda política habitacional em Curitiba nos últimos 10 anos foi realizada com recursos do programa "Minha Casa, Minha Vida" e agora o programa, para as faixas de renda mais baixas, foi suspenso pelo governo do Temer.

André Castelo Branco Machado

Processo politico


Júlio Urrutiaga Almada..........Tudo que agora passa no país, ressalta a ideia de que sempre deve valer a "lei de Gerson", instituída habilmente pela ditadura militar.De igual maneira, a máxima raquítica que "futebol, política e religião não se discute" - quando o dito seria: nosso futebol é o melhor do mundo:a religião é a católica e política: vá trabalhar vagabundo! até quando seremos subservientes? Agora fazem uso indevido e indecente, das mesmas premissas: futebol, apreciem.política:todos são corruptos e religião...??? não se discute. viva a esta pátria colonizada, a esta pátria sem povo.Até quando, está dormência pós-colonial?

William Teca......Processo democrático. vamos lembrar que temer foi eleito vice - numa chapa coadunada pelo lula (assim como o bom lula vendeu a alma do pt pro Maluff pra eleger o Haddad). quem fez a propaganda e convenceu o povão de que esses caras eram legais e "vote neles" foi justamente a esquerda que estava no poder - o filho é seu. adotaram o fisiologismo, o mercantilismo rasteiro e agora dizem que a culpa é de quem? o mínimo é assumir a cagada e mudar.

Transición


Algernon Blackwood

John Mudbury regresaba de sus compras con los brazos llenos de regalos navideños. Eran las siete pasadas y las calles estaban atestadas de gente. Era un hombre corriente, vivía en un piso corriente de las afueras, con una mujer corriente y unos hijos corrientes. Él no los consideraba corrientes, aunque sí los demás. Traía un regalo corriente a cada uno: una agenda barata para su mujer, una pistola de aire comprimido para el chico y así sucesivamente. Tenía más de cincuenta años, era calvo, oficinista, honesto de hábitos y manera de pensar, de opiniones inseguras, ideas políticas inseguras e ideas religiosas inseguras. Sin embargo, se tenía a sí mismo por un caballero firme y decidido, sin percatarse de que la prensa matinal determinaba sus opiniones del día. Y vivía… al día. Físicamente estaba bastante sano, salvo el corazón, que lo tenía débil (cosa que nunca le preocupó); y pasaba las vacaciones de verano jugando mal al golf, mientras sus hijos se bañaban y su mujer leía a Garvice tumbada en la arena. Como la mayoría de los hombres, soñaba, ociosamente con el pasado, se le escapaba embarulladamente el presente, e intuía vagamente -tras alguna que otra lectura imaginativa- el futuro.

-Me gustaría sobreexistir -decía- si la otra vida fuera mejor que ésta -mirando a su mujer y sus hijos, y pensando en el trabajo diario-. ¡Si no…! -y se encogía de hombros como hace todo hombre valeroso.

Acudía a la iglesia con regularidad. Pero nada en la iglesia lo convencía de que iba a subsistir en la otra vida, ni le inclinaba a esperar tal cosa. Por otra parte, nada en la vida lo convencía de que no fuera o no pudiera ser así. «Soy evolucionista», le encantaba decir a sus pensativos amigotes (delante de una copa), ignorando que se hubiera puesto en duda jamás el darwinismo.

Así, pues, volvía a casa contento y feliz, con su montón de regalos navideños «para la mujer y los chicos», y recreándose con la idea de la alegría y animación de su familia. La noche anterior había llevado a «su señora» a ver Magia en un selecto teatro de Londres frecuentado por intelectuales… y se había entusiasmado lo indecible. Había ido indeciso, aunque esperando algo fuera de lo corriente. «No es un espectáculo musical -advirtió a su mujer-; ni tampoco una comedia o una farsa, en realidad», y en respuesta a la pregunta de ella sobre qué decían las críticas, se encogió, suspiró y enderezó cuatro veces su chillona corbata en rápida sucesión. Porque no podía esperarse que un «hombre de la calle» con una pizca de dignidad entendiese lo que decían los críticos, aunque entendiese la Obra. Y John había contestado con toda sinceridad: «Bueno, dicen cosas. Pero el teatro está siempre lleno… y eso es lo que cuenta».

Y ahora, al cruzar Piccadilly Circus entre el gentío para coger el autobús, quiso el azar que (al ver un anuncio) le absorbiese el cerebro dicha Obra particular, o más bien el efecto que le causara en su momento. Porque le había cautivado lo indecible: con las maravillosas posibilidades que insinuaba, su tremenda osadía, su belleza alerta y espiritual… El pensamiento de John se lanzó en pos de algo: en pos de esa sugerencia curiosa de un universo más grande, en pos de la sugerencia cuasi divertida de que el hombre no es el único… Y aquí chocó con una frase que la memoria le puso delante de las narices: «La ciencia no agota el Universo», ¡al tiempo chocaba con otra clase de fuerza destructora…!

No supo exactamente cómo ocurrió. Vio un Monstruo feroz que lo miraba con ojos de fuego. ¡Era horrible! Se abalanzó sobre él. Lo esquivó… y otro Monstruo salió de una esquina a su encuentro. Corrieron los dos a un tiempo hacia él. Se hizo a un lado otra vez, con un salto que podía haber salvado fácilmente una valla, pero fue demasiado tarde. Le cogieron entre los dos sin piedad, y el corazón se le subió literalmente a la boca. Le crujieron los huesos… Tuvo una sensación dulce, un frío intenso y un calor como de fuego. Oyó un rugir de bocinas y voces. Vio arietes; y un testudo de hierro… Luego surgió una luz cegadora… «¡Siempre de cara al tráfico!», recordó con un grito frenético; y merced a una suerte extraordinaria, ganó milagrosamente la acera opuesta.

No había duda al respecto. Se había librado por los pelos de una muerte desagradable. Primero, comprobó a tientas los regalos: los tenía todos. Luego, en vez de alegrarse y tomar aliento, emprendió apresuradamente el regreso -¡a pie, lo que probaba que se le había descontrolado un poco la cabeza!-, pensando sólo en lo desilusionados que se habrían quedado su mujer y sus hijos si… bueno, si hubiese ocurrido algo. Otra cosa de la que se dio cuenta, extrañamente, fue de que ya no amaba a su mujer en realidad, y que sólo sentía por ella un gran afecto. Sabe Dios por qué se le ocurrió tal cosa; el caso es que lo pensó. Era un hombre honesto, sin fingimientos. La idea le vino como un descubrimiento. Se volvió un instante, vio la multitud arremolinada alrededor del barullo de taxis, cascos de policías centelleando con las luces de los escaparates… y avivó el paso otra vez, con la cabeza llena de pensamientos alegres sobre los regalos que iba a repartir… los niños acudiendo a la carrera… y su mujer -¡un alma bendita!- contemplando embobada los paquetes misteriosos…

Y, aunque no lograba explicarse cómo, al poco rato estaba ante la puerta del edificio carcelario donde tenía su piso, lo que significaba que había hecho a pie las tres millas. Iba tan ocupado y absorto en sus pensamientos que no se había dado cuenta de la larga caminata. «Además -reflexionó, pensando cómo se había salvado por los pelos-, ha sido un susto tremendo. Una mald… experiencia, a decir verdad.» Todavía se notaba algo aturdido y tembloroso. A la vez, no obstante, se sentía contento y eufórico.

Contó los regalos… saboreó con antelación la alegría que iban a producir… y abrió rápidamente con la llave. «Llego tarde -comprendió-; pero cuando ella vea los paquetes de papel marrón, se le olvidará decir nada. Dios bendiga a esa alma fiel.» Hizo girar suavemente la llave una segunda vez y entró de puntillas en el piso… Tenía el espíritu henchido del sentimiento dominante de esta tarde: la felicidad que los regalos navideños iban a proporcionar a su mujer y sus hijos.

Oyó ruido. Colgó el sombrero y el abrigo en el diminuto vestíbulo (nunca lo llamaban «recibimiento»), y se dirigió sigilosamente a la puerta del salón con los paquetes escondidos detrás. Sólo pensaba en ellos, no en sí mismo… O sea, en su familia, no en los paquetes. Abrió la puerta a medias y se asomó discretamente. Para estupefacción suya, la habitación estaba llena de gente. Retrocedió con rapidez, preguntándose qué podía significar. ¿Una fiesta? ¿Sin saberlo él? ¡Qué raro…! Experimentó un profundo desencanto. Pero al retroceder, se dio cuenta de que en el vestíbulo había gente también.

Estaba enormemente sorprendido; aunque, por otra parte, no lo estaba en absoluto. Lo estaban felicitando. Había una verdadera muchedumbre. Además, los conocía a todos; al menos, sus caras le sonaban más o menos. Y todos lo conocían a él.

-¿No es gracioso? -rió alguien, dándole una palmadita en la espalda-. ¡Ellos no tienen ni la menor idea…!

El que hablaba -el viejo John Palmer, el contable de la oficina, recalcó la palabra «ellos».

-Ni la menor idea -contestó él con una sonrisa, diciendo algo que no entendía, aunque sabía que era cierto.

Su rostro, al parecer, reflejaba la absoluta perplejidad que sentía. El impacto del golpe recibido había sido mayor de lo que él había creído, evidentemente… Su cabeza desvariaba… ¡al parecer! Pero lo raro era que jamás en la vida se había sentido tan despejado. Había mil cosas que de repente se le habían vuelto de lo más sencillas. Pero cómo se apretujaba esta gente, y con cuánta… ¡familiaridad!

-Mis paquetes -dijo, abriéndose paso a empujones, alegremente, entre la multitud-. Son regalos de Navidad que les he comprado -señaló con la cabeza hacia la habitación-. He estado ahorrando durante semanas, sin fumar un cigarro ni acercarme a un billar, y privándome de otras cosas, para comprarlos.

-¡Buen muchacho! -dijo Palmer con una risotada-. El corazón es lo que cuenta.

Mudbury lo miró. Palmer había dicho una verdad como un templo; aunque, probablemente, la gente no lo entendería ni le creería.

-¿Eh? -preguntó, sintiéndose torpe y estúpido, confundido entre dos significados, uno de los cuales era bonito y el otro indeciblemente idiota.

-Por favor, señor Mudbury, pase. Lo están esperando -dijo amable y pomposamente una voz. Y al volverse, se encontró con los ojos benévolos y estúpidos de sir James Epiphany, el director del banco donde trabajaba.

El efecto de la voz fue instantáneo debido al prolongado hábito.

-Desde luego -sonrió de corazón, y avanzó como movido por una costumbre inveterada. ¡Ah, qué feliz y contento se sentía! Su afecto por su mujer era real. El amor, desde luego, se había desvanecido; pero la necesitaba… y ella le necesitaba a él. Y a sus hijos -Milly, Bill y Jean- los quería profundamente. ¡Valía la pena vivir!

En la habitación había bastante gente… pero reinaba un asombroso silencio. John Mudbury miró en torno suyo. Dio unos pasos hacia su mujer, que estaba sentada en la butaca del rincón con Milly sobre sus rodillas. Algunos hablaban y andaban de un lado para otro. El número de personas aumentaba por momentos. Se colocó frente a ellas: frente a Milly y su mujer. Y les dirigió la palabra, tendiéndoles los paquetes. «Es Nochebuena -susurró tímidamente-; y les he… les he traído algo… a cada una. ¡Miren!» Les puso los paquetes delante.

-Por supuesto, por supuesto -dijo una voz detrás él-; pero aunque se pasase usted un siglo entero presentándoselos, daría igual: ¡no los verán jamás!

-Creo… -susurró Milly, mirando a su alrededor.

-¿Qué es lo que crees? -preguntó vivamente su madre-. Siempre estás pensando cosas extrañas.

-Creo -prosiguió la niña, ensoñadora- que Papá ya está aquí -calló; luego añadió con la insoportable convicción de los niños-: estoy segura. Siento su presencia.

Sonó una carcajada extraordinaria. Era sir James Epiphany el que reía. Los demás -toda la multitud- volvieron la cabeza y sonrieron también. Pero la madre, apartando de sí a la criatura, se levantó súbitamente con un gesto violento. Se le había vuelto blanca la cara. Extendió los brazos… al aire que tenía ante ella. Aspiró con dificultad, se estremeció. Había angustia en sus ojos.

-¡Miren! -repitió John-. Les he traído los regalos.

Pero su voz, por lo visto, no produjo el menor sonido. Y con una punzada de frío dolor, recordó que Palmer y sir James habían muerto hacía años.

-Es magia -exclamó-. Pero… yo te quiero, Jinny; te quiero… y… y siempre te he sido fiel; fiel como el acero. Nos necesitarnos el uno al otro… ¿acaso no te das cuenta? Seguiremos juntos, tú y yo, por los siglos de los siglos…

-Piense -lo interrumpió una voz exquisitamente tierna-; ¡no grite! Ellos no pueden oírlo… ahora -y al volverse, John Mudbury se encontró con los ojos de Everard Minturn, su presidente del año anterior. Minturn se había ahogado en el hundimiento del Titanic.

Entonces se le cayeron los paquetes. El corazón le dio un enorme brinco de alegría.

Vio que su cara -la de su mujer- miraba a través de él.

Pero la niña lo miraba directamente a los ojos. Lo veía.

Lo que su conciencia registró a continuación fue el tintinear de algo… lejos, muy lejos. Sonaba a millas debajo de él… dentro de él… era él mismo quien sonaba -absolutamente desconcertado- como una campanilla. Era una campanilla.

Milly se inclinó y recogió los paquetes. Su cara irradiaba felicidad y alegría…

Pero a continuación entró un hombre, un hombre de cara solemne y ridícula, con un lápiz y un cuaderno. Llevaba un casco azul marino. Detrás de él venía una fila de hombres. Traían algo… algo…, Mudbury no podía ver con claridad qué era. Pero cuando se abrió paso entre la alegre muchedumbre para mirar, distinguió vagamente dos ojos, una nariz, una barbilla, una mancha de color rojo oscuro y un par de manos cruzadas sobre un abrigo. Una figura de mujer cayó entonces sobre ellas, y oyó a sus hijos sollozar extrañamente… luego otros sonidos… como de voces familiares riendo… riendo de alegría.

-Dentro de poco se reunirán con nosotros. El tiempo es como un relámpago.

Y, al volverse rebosante de dicha, vio que era sir James quien había hablado, al tiempo que cogía a Palmer del brazo, como en un gesto natural, aunque inesperado, de afectuosa y amable amistad.

-Vamos -dijo Palmer sonriendo, como el que acepta un don en la comunidad universal-, ayudémoslos. No lo comprenderán… Pero siempre podemos intentarlo.

La multitud entera, riente y gozosa, se elevó. Fue, por fin, un instante de vida auténtica y cordial. La paz y la alegría y el júbilo reinaban en todas partes.

Entonces comprendió John Mudbury la verdad: que estaba muerto.



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Pequeñez


Emily Dickinson

Es cosa tan pequeña nuestro llanto;
son tan pequeña cosa los suspiros…
Sin embargo, por cosas tan pequeñas
vosotros y nosotras nos morirnos.


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Es propia de mi mundo una reservada felicidad



Salvador Espriu

Detrás de esta puerta vivo,
pero no sé
si puedo llamarla vida.

Cuando vuelvo, al atardecer,
de mi diario odio contra el pan
(¿no sabías que tengo
la inmensa suerte de venderme
a trozos por una moneda
que llega ya a valer
mucho menos que nada?),
me quito un viejo abrigo, la esperanza,
y me adentro por los caminos de mis ojos,
por el vacío espanto donde siento,
más allá, a mi Dios,
más allá siempre, más allá de los falsos
profetas y de extrañas culpas
y de este viejo necio enfermo de los versos
disciplinados, como éstos, con pintas
de oscuras marcas que el afán de los críticos
un día aclarará para vergüenza mía.

Sí, puedes encontrarme, si te atreves,
detrás de la glacial nada de esta
puerta, aquí, en donde vivo y siento
esta añoranza y el grito de Dios y soy,
con los nocturnos pájaros de mi soledad,
un hombre ya sin sueños en mi soledad.



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El ganador


Enrique Anderson Imbert

Bandidos asaltan la ciudad de Mexcatle y ya dueños del botín de guerra emprenden la retirada. El plan es refugiarse al otro lado de la frontera, pero mientras tanto pasan la noche en una casa en ruinas, abandonada en el camino. A la luz de las velas juegan a los naipes. Cada uno apuesta las prendas que ha saqueado. Partida tras partida, el azar favorece al Bizco, quien va apilando las ganancias debajo de la mesa: monedas, relojes, alhajas, candelabros… Temprano por la mañana el Bizco mete lo ganado en una bolsa, la carga sobre los hombros y agobiado bajo ese peso sigue a sus compañeros, que marchan cantando hacia la frontera. La atraviesan, llegan sanos y salvos a la encrucijada donde han resuelto separarse y allí matan al Bizco. Lo habían dejado ganar para que les transportase el pesado botín.

FIN



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Los egoístas


Ramón de Campoamor

Por no amenguar sus brillos celestiales,
los lanza el alto y los rechaza el bajo,
porque achican su horror huéspedes tales.
(14. -Canto III del Infierno. -Traducción
del Marqués de la Pezuela.)



Vegeta sin sufrir, vive en mal hora,
amigo infiel y cómodo enemigo,
que, egoísta, jamás llevas contigo
la pena del tormento que se adora.
De premio indigna tu virtud traidora,
ni dignas son tus faltas de castigo;
y no hallas en la tierra un solo amigo
a quien decir ¿qué tienes? cuando llora.

Vos, los que ajenos de placer y duelo,
vais dando, sin amar ni ser amados,
abrazos sin calor, besos de hielo.

Moriréis sin virtud y sin pecados,
y siendo despreciables para el cielo,
seréis en el infierno despreciados.


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Tardes de lluvia


Julián del Casal

Bate la lluvia la vidriera
Y las rejas de los balcones,
Donde tupida enredadera
Cuelga sus floridos festones.

Bajo las hojas de los álamos
Que estremecen los vientos frescos,
Piar se escucha entre sus tálamos
A los gorriones picarescos.

Abrillántanse los laureles,
Y en la arena de los jardines
Sangran corolas de claveles,
Nievan pétalos de jazmines.

Al último fulgor del día
Que aún el espacio gris clarea,
Abre su botón la peonía,
Cierra su cáliz la ninfea.

Cual los esquifes en la rada
Y reprimiendo sus arranques,
Duermen los cisnes en bandada
A la margen de los estanques.

Parpadean las rojas llamas
De los faroles encendidos,
Y se difunden por las ramas
Acres olores de los nidos.

Lejos convoca la campana,
Dando sus toques funerales,
A que levante el alma humana
Las oraciones vesperales.

Todo parece que agoniza
Y que se envuelve lo creado
En un sudario de ceniza
Por la llovizna adiamantado.

Yo creo oír lejanas voces
Que, surgiendo de lo infinito,
Inícianme en extraños goces
Fuera del mundo en que me agito.

Veo pupilas que en las brumas
Dirígeme tiernas miradas,
Como si de mis ansias sumas
Ya se encontrasen apiadadas.

Y, a la muerte de estos crepúsculos,
Siento, sumido en mortal calma,
Vagos dolores en los músculos,
Hondas tristezas en el alma.



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¡Responde!

Virgilio Dávila

Te lo dijo Matienzo y no quisiste
oír del prócer el consejo sano,
y poco a poco en extranjera mano
cayendo va la tierra en que naciste.

Si el alma de criollo no resiste
la tentación del oro americano,
en un futuro por demás cercano
llegará un día doloroso y triste.

Llegará el día triste y doloroso
que de este suelo primoroso
ni un solo palmo quedará al isleño.

Y cuando tal enormidad suceda,
si ya nada de Borinquén te queda
di: ¿Cuál será tu patria, borinqueño?


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Los reyes

Guy de Maupassant

¡Ah!, dijo el capitán, conde de Garens. ¡Claro que me acuerdo de aquella cena de Reyes durante la guerra! Yo era entonces sargento de húsares, y hacía quince días que rondaba de explorador ante una vanguardia alemana. La víspera habíamos acuchillado a unos ulanos y perdido tres hombres, uno de ellos el pobrecito Raudeville. Ya saben ustedes, Joseph de Raudeville.

Ahora bien, ese día mi capitán me ordenó que cogiera diez jinetes y fuera a ocupar y custodiar durante toda la noche el pueblo de Porterin, donde nos habíamos batido cinco veces en tres semanas. En aquel avispero no quedaban en pie veinte casas ni doce habitantes.

Cogí, pues, diez jinetes y partí hacia las cuatro. A las cinco, en plena noche, llegamos a las primeras tapias de Porterin. Hice alto y ordené a Marchas, ya saben, Pierre de Marchas, que se ha casado luego con la pequeña Martel-Auvelin, la hija del marqués de Martel-Auvelin, que entrara solo en el pueblo y me trajera noticias.

Yo había escogido solo voluntarios, todos de buenas familias. Da gusto, en el servicio, no tener que tratar con patanes. Este Marchas era espabilado como nadie, fino como un zorro y ágil como una serpiente. Sabía husmear prusianos igual que un perro husmea la liebre, encontrar víveres allá donde sin él hubiéramos muerto de hambre, y conseguía informaciones de todo el mundo, informaciones siempre seguras, con una habilidad inimaginable. Regresó al cabo de diez minutos:

-Todo va bien -dijo- ningún prusiano ha pasado por aquí desde hace tres días. ¡Qué pueblo más siniestro! He charlado con una monja que cuida cuatro o cinco enfermos en un convento abandonado.

Ordené avanzar y penetramos en la calle principal. Se distinguían vagamente, a derecha e izquierda, paredes sin tejados, apenas visibles en la profunda noche. De trecho en trecho, una luz brillaba tras un cristal: una familia se había quedado para guardar su casa, más o menos en pie, una familia de valientes o de pobres. La lluvia empezaba a caer, una lluvia menuda, helada, que nos congelaba antes de habernos mojado, con solo tocar los capotes. Los caballos tropezaban con piedras, con vigas, con muebles. Marchas nos guiaba, a pie, ante nosotros, arrastrando a su animal por la brida.

-¿A dónde nos llevas? -le pregunté.

Respondió:

-He encontrado un refugio, y bueno.

Y se detuvo pronto ante una casita burguesa que seguía intacta, bien cerrada, dando a la calle y con un jardín atrás.

Por medio de un grueso guijarro recogido cerca de la verja, Marchas hizo saltar la cerradura, después subió la escalinata, forzó la puerta de entrada a patadas y empujones, encendió un cabo de vela que siempre llevaba en el bolsillo, y nos precedió por una buena y cómoda morada de particular rico, guiándonos con seguridad, con admirable seguridad, como si hubiera vivido en aquella casa que veía por primera vez.

Dos hombres se habían quedado fuera guardando nuestros caballos.

Marchas le dijo al gordo Ponderel, que le seguía:

-La cuadra debe estar a la izquierda; lo he visto al entrar; vete a acomodar los animales, no los necesitamos.

Después, volviéndose hacia mí:

-¡Da órdenes, rediez!

Siempre me asombraba aquel buen mozo. Respondí riendo:

-Voy a poner centinelas en las inmediaciones del pueblo. Volveré aquí.

Preguntó:

-¿Cuántos hombres te llevas?

-Cinco. Los otros los relevarán a las diez de la noche.

-Está bien. Me dejas cuatro para buscar provisiones, cocinar y poner la mesa. Ya encontraré yo el escondite del vino.

Y me fui a reconocer las calles desiertas hasta la salida a la llanura, para colocar a mis guardias.

Media hora más tarde estaba de regreso. Encontré a Marchas tumbado en un gran sillón Voltaire, al que le había quitado la funda, por amor al lujo, decía. Se calentaba los pies al fuego, fumando un excelente cigarro cuyo aroma llenaba la estancia. Estaba solo, con los codos en los brazos del asiento, la cabeza hundida entre los hombros, las mejillas rosadas, los ojos brillantes y aspecto satisfecho.

En la pieza contigua oí un ruido de vajilla. Marchas me dijo, sonriendo beatífico:

-La cosa marcha, he encontrado el burdeos en el gallinero, el champán bajo los peldaños de la escalinata, el aguardiente -cincuenta botellas del fino- en el huerto, debajo de un peral que, al examinarlo con la linterna, no me pareció muy derecho. Y, de sólido, tenemos dos gallinas, una oca, un pato, tres pichones y un mirlo cogido en una jaula; nada más que carne de pluma, como ves. Todo se está guisando en este momento. Este pueblo es una maravilla.

Yo me había sentado frente a él. La llama de la chimenea me abrasaba la nariz y las mejillas:

-¿De dónde has sacado esa madera? -pregunté.

Murmuró:

-Magnífica madera, el coche del dueño, cortado. Es la pintura la que hace esa llama, un ponche de bencina y de barniz. ¡Buena casa!

Yo me reía, pues encontraba muy gracioso a aquel animal. Prosiguió:

-¡Y pensar que hoy es la noche de Reyes! Mandé meter una sorpresa en la oca; pero no tenemos reina, ¡es un fastidio!

Repetí, como un eco:

-Es un fastidio; pero ¿qué quieres que le haga?

-Pues que la encuentres, ¡diantre!

-Que encuentre ¿qué?

-Mujeres.

-¿Mujeres?… ¡Estás loco!

-Pues yo encontré el aguardiente bajo un peral, y el champán bajo los peldaños de la escalinata; y eso que nada podía guiarme. Mientras que, en tu caso, unas faldas son un indicio seguro. Busca, joven.

Tenía un aire tan serio, tan convencido, que no sabía si estaba bromeando.

Respondí:

-Veamos, Marchas, ¿estás de broma?

-Jamás bromeo durante el servicio.

-Pero ¿dónde diablos quieres que encuentre mujeres?

-Donde quieras. Deben quedar tres o cuatro en el pueblo. Da con ellas y tráelas.

Me levanté. Hacía demasiado calor ante aquel fuego. Marchas prosiguió:

-¿Quieres una idea?

-Sí.

-Vete a ver al cura.

-¿Al cura? ¿Para qué?

-Invítalo a cenar y ruégale que traiga una mujer.

-¿El cura? ¿Una mujer? ¡Ja, ja, ja!

Marchas prosiguió con extraordinaria gravedad:

-A mí no me hace gracia. Vete a ver al cura, cuéntale nuestra situación. Debe de aburrirse espantosamente, vendrá. Pero dile que necesitamos una mujer como mínimo, una mujer como Dios manda, claro, puesto que todos somos hombres de mundo. Debe conocer a sus feligreses al dedillo. Si hay alguna posible para nosotros, y si te das maña, te la indicará.

-¡Vamos, Marchas! ¡Qué cosas se te ocurren!

-Querido Garens, puedes hacerlo muy bien. E incluso sería muy divertido. Somos educados, ¡pardiez!, y nos mostraremos de una distinción perfecta, de una elegancia suma. Dile nuestros nombres al padre, hazlo reír, enternécelo, sedúcelo ¡y decídelo!

-No, es imposible.

Acercó su sillón y, como conocía mi punto flaco, el pícaro prosiguió:

-Imagínate lo estupendo que será hacerlo ¡y qué divertido contarlo! Se hablará de eso en todo el ejército. Y te dará una reputación envidiable.

Yo vacilaba, tentado por la aventura. Insistió:

-Vamos, Garens. Eres el jefe del destacamento, solo tú puedes ir a ver al jefe de la Iglesia en este pueblo. Por favor, ve. Contaré la cosa en versos en la Revue des Deux Mondes, después de la guerra, te lo prometo. Se lo debes a tus hombres. Los obligas a marchar desde hace un mes.

Me levanté preguntando:

-¿Dónde está la rectoral?

-Coge la segunda calle a la derecha. Al final encontrarás una avenida; y, al final de la avenida, la iglesia. La rectoral está al lado.

Salí; me gritó:

-¡Cuéntale el menú para que le entre hambre!

Descubrí sin dificultad la casita del eclesiástico, al lado de una fea y gran iglesia de ladrillo. Di unos puñetazos en la puerta, que no tenía ni timbre ni aldaba, y una voz potente preguntó desde dentro:

-¿Quién es?

Respondí:

-Un sargento de húsares.

Oí un ruido de cerrojos y de una llave que giraba, y me encontré ante un sacerdote alto de vientre prominente, con un pecho de luchador, formidables manos que salían de las mangas remangadas, tez roja y aspecto de buena persona.

Hice el saludo militar.

-Buenas noches, señor cura.

Había temido una sorpresa, una asechanza de merodeadores, y sonrió al responder:

-Buenas noches, amigo mío; pase.

Lo seguí a una pequeña habitación de suelo rojo, donde ardía un fuego pobre, muy diferente de la hoguera de Marchas.

Me indicó una silla, y después me dijo:

-¿En qué puedo servirle?

-Señor cura, permítame ante todo presentarme.

Y le tendí mi tarjeta. La leyó a media voz:

-El conde de Garens.

Proseguí.

-Somos once aquí, señor cura, cinco de guardia y seis instalados en casa de un vecino desconocido. Esos seis se llaman Garens, aquí presente, Pierre de Marchas, Ludovic de Ponderel, el barón de Etreillis, Karl Massouligny, hijo del pintor, y Joseph Herbon, un joven músico. Vengo, en su nombre y el mío, a rogarle que nos haga el honor de cenar con nosotros. Es una cena de Reyes, señor cura, y quisiéramos que resultara un poco alegre.

El sacerdote sonrió. Murmuró:

-No me parece que sea el momento de divertirse.

Respondí:

-Nos batimos todos los días, padre. Catorce de nuestros camaradas han muerto desde hace un mes, y tres han caído ayer mismo. Es la guerra. Nos jugamos la vida a cada instante, ¿no tenemos derecho a jugárnosla alegremente? Somos franceses, nos gusta reír, sabemos reír en cualquier parte. ¡Nuestros padres se reían en el cadalso! Esta noche, quisiéramos desentumecernos un poco, como personas bien educadas y no como soldadotes, ya me entiende. ¿Es un error?

Respondió vivamente:

-Tiene usted razón, amigo mío, y acepto su invitación con gran placer.

Gritó:

-¡Hermance!

Una vieja campesina, encorvada, arrugada, horrible, apareció y preguntó:

-¿Qué pasa?

-No ceno aquí, hija mía.

-¿Dónde cena, entonces?

-Con los señores húsares.

Me dieron ganas de decir «Tráigase a su criada», para ver la cara de Marchas, pero no me atreví.

Proseguí:

-Entre sus feligreses que se han quedado en el pueblo, ¿se le ocurre alguno o alguna a quien pudiera invitar también?

Vaciló, reflexionó y declaró:

-¡No, nadie!

Insistí:

-¿Nadie?… Vamos, señor cura, piense un poco. Sería muy grato contar con señoras. Quiero decir con matrimonios. ¡Yo qué sé! El panadero y su mujer, el tendero de ultramarinos, el… el… el relojero… el… el zapatero, el farmacéutico con la farmacéutica… Tenemos una buena comida, vino, estaríamos encantados de dejar un buen recuerdo entre la gente de aquí.

El cura meditó un buen rato, después pronunció con resolución:

-No, nadie.

Me eché a reír:

-¡Caramba!, señor cura, es fastidioso no tener una reina, ya que tenemos una sorpresa. Vamos, piénselo. ¿No hay un alcalde casado, un teniente de alcalde casado, un concejal casado, un maestro casado?…

-No, todas las señoras se han marchado.

-¿Cómo? ¿No hay en todo el pueblo una valiente burguesa con su correspondiente marido, a quienes podríamos darles ese gusto, pues será un gusto para ellos, y grande, en las presentes circunstancias?

De repente el cura se echó a reír, con una risa violenta que lo agitaba por entero, y gritaba:

-¡Ja, ja, ja! Ya di con lo que necesitan. ¡Jesús, María y José! ¡Ya di con ello! ¡Ja, ja, ja!, vamos a divertirnos, hijos míos, vamos a divertirnos. Y ellas estarán encantadas, sí, encantadísimas. ¡Ja, ja!… ¿Dónde se albergan ustedes?

Le describí la casa para explicárselo. Comprendió:

-Muy bien. Es la finca del señor Bertin-Lavaille. Estaré allí dentro de media hora con cuatro señoras… ¡Ja, ja, ja! ¡¡Cuatro señoras!!…

Salió conmigo, sin dejar de reír, y me dejó, repitiendo:

-Ya está; dentro de media hora, en casa de Bertin-Lavaille.

Regresé en seguida, muy extrañado, muy intrigado.

-¿Cuántos cubiertos? -preguntó Marchas al verme.

-Once. Somos seis húsares, más el señor cura y cuatro señoras.

Se quedó estupefacto. Yo exultaba.

-¿Cuatro señoras? ¿Has dicho cuatro señoras?

-Eso dije: cuatro señoras.

-¿Mujeres de verdad?

-Mujeres de verdad.

-¡Caray! ¡Enhorabuena!

-La acepto. Me la merezco.

Abandonó su sillón, abrió la puerta y vi un hermoso mantel blanco puesto sobre una larga mesa en torno a la cual tres húsares con delantales azules disponían platos y copas.

-¡Habrá mujeres! -gritó Marchas.

Y los tres hombres se pusieron a bailar, aplaudiendo con todas sus fuerzas.

Todo estaba preparado. Esperábamos. Esperamos casi una hora. Un delicioso olor de aves asadas flotaba en toda la casa.

Un golpe dado en el postigo nos levantó a todos al mismo tiempo. El gordo Ponderel corrió a abrir y, al cabo de apenas un minuto, una monja bajita apareció en el marco de la puerta. Era flaca, arrugada, tímida, y saludó sucesivamente a los cuatro pasmados húsares que la miraban entrar. Detrás de ella, un ruido de bastones martilleaba el pavimento del vestíbulo, y en cuanto ella hubo entrado en el salón vi, una detrás de otra, tres viejas cabezas con gorros blancos, que avanzaban balanceándose con diferentes movimientos, una tambaleándose hacia la derecha cuando otra se tambaleaba hacia la izquierda. Y se presentaron tres buenas mujeres, cojeando, arrastrando una pierna, lisiadas por las enfermedades y deformadas por la vejez, tres inválidas inservibles, las tres únicas pensionistas capaces de andar aún del centro hospitalario que dirigía la hermana san Benito.

Esta se había vuelto hacia sus impedidas, llena de solicitud con ellas; después, viendo mis galones de sargento, me dijo:

-Le agradezco mucho, señor oficial, que haya pensado en estas pobres mujeres. Tienen pocos placeres en la vida, y para ellas es al mismo tiempo una gran felicidad y un gran honor lo que ustedes hacen.

Distinguí al cura, que se había quedado en la penumbra del pasillo y se reía con toda su alma. A mi vez me eché a reír, mirando sobre todo la cara de Marchas. Después, indicando a la religiosa las sillas:

-Siéntese, hermana; estamos muy orgullosos y muy felices de que hayan aceptado ustedes nuestra modesta invitación.

Ella cogió tres sillas de junto a la pared, las alineó ante el fuego, condujo a ellas a sus tres buenas mujeres, las sentó, les quitó los bastones y las toquillas, que fue a dejar en un rincón; después, señalando a la primera, una flaca de vientre enorme, seguramente hidrópica:

-Esta es la señora Paumelle, cuyo marido se mató al caer de un tejado y cuyo hijo murió en África. Tiene sesenta y dos años.

Después señaló a la segunda, una muy alta cuya cabeza temblaba sin cesar:

-Esa es la señora Jean-Jean, de sesenta y siete años. Casi no ve, porque en un incendio se abrasó la cara y la pierna izquierda se le quemó hasta la mitad.

Nos mostró, por fin, a la tercera, una especie de enana con ojos saltones que giraban hacia todos los lados, redondos y estúpidos.

-Es la Putois, una simple. Tiene solo cuarenta y cuatro años.

Yo había saludado a las tres mujeres como si me hubieran presentado a altezas reales y, volviéndome hacia el cura:

-Es usted, señor cura, un hombre admirable, a quien todos debemos gratitud.

Todos reían, en efecto, salvo Marchas, que parecía furioso.

-¡La hermana san Benito está servida! -gritó de pronto Karl Massouligny.

La hice pasar delante con el cura, después levanté a la Paumelle, a la que cogí del brazo y arrastré hasta la estancia contigua, no sin trabajo, pues su vientre inflado parecía más pesado que el hierro.

El gordo Ponderel se llevó a la Jean-Jean, que gemía para que le dieran su muleta; y el joven Joseph Herbon condujo a la idiota, a la Putois, hacia el comedor, lleno de aromas de viandas.

En cuanto estuvimos ante nuestros platos, la hermana dio tres palmadas y las mujeres hicieron, con la precisión de soldados que presentan armas, una gran señal de la cruz, rápidamente. Después el sacerdote pronunció, lentamente, las palabras latinas del Benedicite.

Nos sentamos, y aparecieron las dos gallinas, traídas por Marchas, que quería servir para no tener que asistir como comensal a aquella ridícula comida.

Pero yo grité:

-¡El champán, pronto!

Saltó un tapón con un ruido de pistola que se descarga y, pese a la resistencia del cura y de la hermana, los tres húsares sentados al lado de las tres inválidas les metieron a la fuerza en la boca tres copas llenas.

Massouligny, que tenía la virtud de estar como en su casa en cualquier parte y a sus anchas con todo el mundo, le hacía la corte a la Paumelle de la forma más graciosa. La hidrópica, que seguía siendo de humor alegre, a pesar de sus desdichas, le respondía bromeando con una voz de falsete que parecía fingida, y se reía tanto con las gracias de su vecino que su grueso vientre parecía a punto de encaramarse a la mesa y rodar sobre ella. El joven Herbon había emprendido seriamente la tarea de emborrachar a la idiota y el barón de Etreillis, que no era muy despierto, interrogaba a la Jean-Jean sobre la vida, costumbres y reglamentos del asilo.

La religiosa, espantada, le gritaba a Massouligny:

-¡Oh! ¡Oh! La va usted a poner enferma; no la haga reír así, por favor, caballero. ¡Oh!, caballero…

Después se levantaba y se arrojaba sobre Herbon para arrancarle de las manos una copa llena que él vaciaba prestamente entre los labios de la Putois.

Y el cura se desternillaba de risa y repetía a la hermana:

-Déjelas por una vez, no les hace daño. Déjelas.

Después de las dos gallinas, habíamos comido el pato, acompañado de los tres pichones y del mirlo; y apareció la oca, humeante, dorada, difundiendo un cálido olor de carne dorada y grasa.

La Paumelle, que se animaba, aplaudió; la Jean-Jean dejó de responder a las numerosas preguntas del barón, y la Putois lanzó gruñidos de gozo, mitad gritos, y mitad suspiros, como hacen los niños cuando les enseñan caramelos.

-¿Me permiten -dijo el cura- encargarme de ese animal? Soy un experto en ese tipo de operaciones.

-Desde luego, señor cura.

Y la hermana dijo:

-¿Por qué no abrimos un poco la ventana? Tienen demasiado calor. Estoy segura de que se pondrán enfermas.

Me volví hacia Marchas:

-Abre la ventana un minuto.

Abrió, y el aire frío de fuera entró, hizo vacilar las llamas de las velas y revolotear el humo de la oca, cuyas alas el sacerdote, con una servilleta al cuello, levantaba con mucha ciencia.

Lo mirábamos trinchar, sin hablar ya, interesados por el tentador trabajo de sus manos, asaltados por un renovado apetito a la vista de aquel grueso animal dorado, cuyos miembros caían uno tras otro en la salsa oscura, en el fondo de la bandeja.

Y de repente, en medio de aquel silencio glotón que nos mantenía atentos, entró, por la ventana abierta, el ruido remoto de un disparo.

Me puse en pie tan rápidamente que la silla rodó a mis espaldas; y grité:

-¡Todos a caballo! Tú, Marchas, ve a buscar dos hombres y tráeme noticias. Te espero aquí dentro de cinco minutos.

Y mientras los tres jinetes se alejaban al galope en la noche, monté a caballo con mis otros dos húsares, ante la escalinata de la casa, mientras el cura, la hermana y las tres buenas mujeres asomaban por las ventanas sus cabezas asustadas.

No se oía nada, solo un ladrido de perro en la campiña. La lluvia había cesado; hacía frío, mucho frío. Y pronto distinguí de nuevo el galope de un caballo, de un solo caballo que regresaba.

Era Marchas. Le grité:

-¿Qué ocurre?

Respondió:

-Nada, François ha herido a un viejo campesino, que se negaba a responder al “¿Quién vive?” y seguía avanzando, a pesar de la orden de alejarse. Ahora lo traen. Ya veremos de qué se trata.

Ordené que devolviesen los caballos a la cuadra y envié a mis dos soldados al encuentro de los otros; después entré en la casa.

Entonces el cura, Marchas y yo bajamos un colchón a la sala para poner al herido; la hermana, rasgando una servilleta, preparó hilas, mientras las tres mujeres, asustadas, permanecían sentadas en un rincón.

Pronto distinguí un ruido de sables arrastrados por el camino; cogí una vela para alumbrar a los hombres que regresaban; y aparecieron, llevando esa cosa inerte, blanca, larga y siniestra en lo que se convierte un cuerpo humano cuando la vida ya no lo sostiene.

Depositaron al herido en el colchón preparado para él, y vi a la primera ojeada que estaba moribundo. Respiraba con estertores y escupía sangre que corría de las comisuras de los labios, expulsada de la boca por cada uno de los hipos. ¡El hombre estaba cubierto de sangre! Sus mejillas, su barba, sus cabellos, su cuello, sus ropas, parecían haber sido frotados, bañados en una cuba roja. Y la sangre se había pegado a él, se había vuelto apagada, mezclada con barro, con un aspecto espantoso.

El viejo, envuelto en una gran capa de pastor, entreabría a veces los ojos tristes, apagados, sin ideas, que parecían estupefactos, como los de esos animales a los que el cazador mata y que lo miran, caídos a sus pies, casi muertos, ya embrutecidos por la sorpresa y el espanto. El cura exclamó:

-¡Ah! Es el Plácido, el viejo pastor de los Molinos. Es sordo. El pobre no habrá oído nada. ¡Ay, Dios mío! ¡Han matado ustedes a ese infeliz!

La hermana había apartado la blusa y la camisa, y miraba en el centro del pecho un agujerito violeta que ya no sangraba.

-No hay nada que hacer -dijo.

El pastor, jadeando espantosamente, seguía escupiendo sangre con cada uno de sus últimos alientos, y en su garganta se oía, hasta el fondo de los pulmones, un gorgoteo siniestro y continuo.

El cura, en pie sobre él, alzó la mano derecha, trazó la señal de la cruz y pronunció, con voz lenta y solemne, las palabras latinas que lavan las almas.

Cuando las hubo terminado, el viejo fue agitado por una breve sacudida, como si algo acabara de romperse en su interior. Ya no respiraba. Estaba muerto.

Al volverme, vi un espectáculo más espantoso que la agonía de aquel miserable: las tres viejas, de pie, apretadas una contra otra, horrorosas, haciendo muecas de angustia y de terror.

Me acerqué a ellas y empezaron a lanzar gritos agudos, tratando de escapar como si fuera a matarlas también a ellas.

La Jean-Jean, a la que su pierna quemada ya no sostenía, cayó al suelo cuan larga era.

La hermana san Benito, abandonando al muerto, corrió hacia sus invalidas y, sin decirme una palabra, sin mirarme, las cubrió con sus toquillas, les dio sus muletas, las empujó hacia la puerta, las hizo salir y desapareció con ellas en la noche profunda, tan negra.

Comprendí que ni siquiera podía mandar que las acompañase un húsar, pues el mero ruido del sable las habría asustado.

El cura seguía mirando al muerto. Por fin, volviéndose hacía mí:

-¡Ah! ¡Qué escándalo! -dijo.

FIN



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