domingo, 12 de fevereiro de 2017

O MEDO DE SER LIVRE PROVOCA O ORGULHO EM SER ESCRAVO


"O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Mas é isso o que tememos: o não ter certezas. Por isso trocamos o voo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde onde as certezas moram." Os Irmãos Karamazov, Dostoiévski.

Há no homem um desejo imenso pela liberdade, mas um medo ainda maior de vivê-la. Algo parecido disse Dostoiévski, ou talvez eu esteja dizendo algo parecido com o dito pelo escritor russo. No entanto, como seres significantes que somos, analisamos as coisas sempre a partir de uma determinada perspectiva e, assim, passamos a atribuir-lhes valor. Dessa maneira, até conceitos completamente opostos, como liberdade e escravidão, podem se confundir ou de acordo com o prisma de quem analisa, tornarem-se expressões sinônimas, como acontece no mundo distópico de George Orwell, 1984, em que um dos lemas do partido – “Escravidão é Liberdade” – é repetido à exaustão.
Não à toa, as boas distopias têm como grande valor predizer o futuro. E em todas elas – 1984, Admirável Mundo Novo, Fahrenheit 451, Laranja Mecânica – há um ponto em comum: a liberdade dos indivíduos é tolhida e, consequentemente, convertida em escravidão. No entanto, através de mecanismos sócio-políticos a escravidão é ressignificada como liberdade, de modo que mesmo tendo a sua liberdade cerceada, os indivíduos entendem gozarem plenamente desta.
Nas histórias supracitadas, embora a maior parte da população esteja acomodada e aceite com enorme facilidade absurdos, existem indivíduos que se permitem compreender as suas reais situações e ousam lutar contra a ordem estabelecida. Esse processo é, todavia, extremamente doloroso, uma vez que é muito mais fácil se acomodar a enfrentar a realidade e todas as consequências dolorosas que enfrentamos invariavelmente quando decidimos sair da caverna, para lembrar Platão.
Posto isso, há de se considerar que ser verdadeiramente livre requer a responsabilidade de encarar o mundo sem fantasias, ou seja, tal como ele é. Dessa forma, existe no homem grande suscetibilidade a aceitar o irreal como real, a fantasia como verdade, a Matrix como o mundo real. Sim, Matrix é um grande exemplo do medo que possuímos de encarar a realidade. No personagem de Cypher (Joe Pantoliano) encontramos o maior expoente desse comodismo, já que sendo a realidade um mundo destruído, um caos constante, é muito melhor viver na Matrix, onde ele “pode ser o que quiser”, ainda que não passe de uma grande mentira.
Em outras palavras, Cypher representa a ideia de que sendo a realidade algo tão assustador, a ignorância é uma benção, pois sendo ignorante, pode-se comprar mentiras como verdades facilmente, bem como, aceitar a Matrix como realidade e a escravidão como liberdade.
As realidades apresentadas no mundo das artes (ficções, que ironia), refletem a nossa própria realidade, em que, assim como Cypher, temos preferido viver vidas fantasiosas, cercadas de superficialidade e aparências, determinadas pelo hedonismo da sociedade de consumo e, consequentemente, o nosso egoísmo ganancioso buscando galopantemente realizar todos os desejos que impedem de acordarmos de um sonho ridículo.
Apesar de tudo isso, pode-se considerar que de fato é melhor ser um escravo feliz do que um ser livre, triste, inconformado e amedrontado. No entanto, a problemática ganha corpo na medida em que se entende que há coisas que só podem ser feitas sendo o sujeito livre, uma vez que a gaiola é sempre limitadora, sobretudo, aos desejos mais intrínsecos e, portanto, mais latentes e verdadeiros no ser. Assim, por mais que a escravidão seja ressignificada, fantasiada e “transformada” em liberdade, sempre haverá pontos em que o indivíduo sentirá necessidade de alçar voos mais altos, os quais, obviamente, não poderão ser realizados, haja vista a limitação das gaiolas, o que implica a insatisfação, ainda que tardia, da condição escrava em que o indivíduo se encontra.
Sendo assim, constatamos que “O medo de ser livre provoca o orgulho em ser escravo”, posto que para gozar a liberdade é preciso coragem para se arriscar no terreno das incertezas e da luta. E, assim, temos preferido permanecer na caverna, orgulhosos das nossas sombras, já que lembrando outra vez Dostoiévski – “As gaiolas são o lugar onde as certezas moram”. Entretanto, como disse, mais hora, menos hora, nos enxergamos e percebemos que o que nos circunda é falso, de tal maneira que desejamos sair, correr, voar, ser livres.
O grande problema nisso é que quando se acostuma a viver em uma gaiola, quando se é livre perde-se a capacidade de voar, pois as correntes que nos prendem são criadas pelas nossas mentes, de forma que mesmo fora da caverna, continuamos prisioneiros de uma mente que se acostumou a ser covarde e preferiu acreditar na contradição de que ser escravo era o maior ato de liberdade.
 
ERICK MORAIS
Um menestrel caminhando pelas ruas solitárias da vida.

fonte : © obvious: http://obviousmag.org/genialmente_louco/2017/o-medo-de-ser-livre-provoca-o-orgulho-em-ser-escravo.html#ixzz4YUIlPGzg




sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

 “Pode-se medir nosso grau de barbárie ou civilização por como percebemos e acolhemos os outros, os diferentes. Os bárbaros são os que consideram que os outros, porque não se parecem com eles, pertencem a uma humanidade inferior e merecem ser tratados com desprezo ou condescendência", Tzvetan  Todorov  2008.

NENHUM DIREITO A MENOS! MAIS EDUCAÇÃO, MENOS GOLPE!



A partir de hoje, cada jovem estudante do ensino médio brasileiro terá acesso a apenas um quinto do conhecimento a quem tem direito garantido em lei; a partir de hoje esses jovens e suas escolas viverão a farsa do ensino em tempo integral, que atenderá a menos de 4% da matrícula e com a manutenção das condições precárias em que se encontram suas escolas. Os jovens das escolas públicas, a partir de hoje, estarão em condições ainda mais desiguais de conseguir uma vaga no ensino superior; e viverão também a farsa da formação técnica e profissional, que se dará de forma aligeirada e dissociada da formação científica básica. A partir de hoje, os professores e professoras do ensino médio terão que dar aulas em ainda mais escolas, para completar a carga horária devido ao parcelamento do currículo em cinco itinerários formativos. Em contrapartida, a partir de hoje, assistiremos ao regozijo do setor privado com a oferta de cursos técnicos, precários, mas bem remunerados. E com a oferta de cursos a distância que vão substituir parte da formação presencial. A partir de hoje veremos o vale-tudo na formação de professores com a habilitação para docência por “notório saber”, e, com isso, cada vez mais o enfraquecimento da carreira docente. Enterra-se, na data de hoje, qualquer possibilidade de uma educação escolar pública para a juventude brasileira, sobretudo para aquela mais empobrecida e periférica, que já sofre com o descaso da sociedade e do Estado. Nada a comemorar, nesta data de 08 de fevereiro de 2017, em que o Senado Federal vota a Medida Provisória 746/PLV 34/16, a reforma do ensino médio proposta pelo governo Temer, que desfere assim um duro golpe na educação brasileira, golpe atestado pelo parecer do Procurador Geral da República em ação direta de inconstitucionalidade, que sustenta que a medida provisória não atende aos pressupostos de urgência e relevância, como exige a Constituição Federal.

Monica Ribeiro
Mais uma denúncia contra a família Barros. O Ministro da Saúde, Ricardo Barros, adquiriu milionário latifúndio para se beneficiar do Contorno Sul na região de Maringá. O golpe ascendeu ainda mais a "nepocracia", a oligarquia do nepotismo ao poder. O Paraná apresenta uma das políticas mais corruptas e escandalosas do Brasil, enquanto seus juristas aplicam golpes políticos em Brasília e vivem de holofotes midiáticos. Falar no golpe é falar nas famílias apoiadoras. Bolsonaro e seu filho, que não votou no pai e ficaram com medo da Papuda. Rodrigo Maia e seu "sogrão" Moreira Franco denunciados toda semana. No Senado se cheira nepotismo pra todo lado, Eunício e Lobão dariam teses de doutorado sobre o fenômeno e sobem, novamente, ao máximo poder. Daí o Marco Aurélio Mello do STF, primo do Collor, resolve afastar o filho do Crivella da prefeitura do RJ, e os outros milhares de casos de flagrantes nepotismos impunes no país do golpe ?

RCO
O caos no Espírito Santo não é uma exceção, nem acidente, nem anomia, mas a própria realização do modelo de ajuste da política social golpista. A ponte para o futuro começara antes por lá. O modelo de administração pública do Espírito Santo era recomendado como o modelo de gestão por excelência da aliança PMDB-PSDB, muito elogiado pela mídia oligárquica. Cortem investimentos na educação, saúde e segurança para o Brasil inteiro virar um caos. Governador Paulo Hartung (PMDB), vice Cesar Colnago (PSDB), senadores Rose de Freitas (PMDB), Magno Malta (PR) e Ricardo Ferraço (PSDB). Um time de parabéns pela materialização do horror golpista no ES e se continuar assim o amanhã de todo Brasil, com a aprovação da PEC55 do "fim do mundo" social, instabilidade e inseguranças patrocinadas pelo golpista Temer e seus apoiadores cúmplices.

RCO
Prossegue o golpe de Temer, do PMDB-DEM-PSDB. A destrutiva MP746 foi aprovada ontem contra o ensino médio no Senado. Os trabalhadores da segurança e policiais é que protestaram ontem no Congresso contra a tragédia da reforma da previdência. Em uma sociedade democrática os protestos e manifestações são essenciais. Os setores militares também estão profundamente descontentes, quem lembra da Revolução dos Cravos, na redemocratização de Portugal, em 1974 ? Os golpistas perdem apoios todo dia. Toda manifestação deve ser pacífica e constitucional. Precisamos da CUT, Nova Central Sindical, Conlutas, movimento docente, movimento estudantil, movimentos sociais, MST, MTST, juventude, em Brasília, ao lado desses movimentos, como não vimos ontem. Todos juntos, o povo unido pela democracia nunca mais será vencido.

RCO

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

O Alexandre de Moraes, cogitado para o STF, representa de maneira perfeita a completa indigência moral do PSDB de São Paulo, a falência ética do atual direito, do ministério público e de todo sistema judicial, também ilustra o colapso completo da política de segurança, da justiça e do sistema prisional, com o fracasso completo do desgoverno golpista de Temer de maneira total. Caso indicado será importante fator para a convocação de referendos populares, ou uma nova constituinte, para a reformulação completa do judiciário, suas remunerações acima do teto constitucional e a dissolução do atual STF golpista por total falta de decoro político-institucional. Um plebiscito popular deve ser convocado para a população decidir sobre este tipo de poder judiciário atualmente existente.

RCO
A Universidade Federal do Paraná vergonhosamente contribuiu no golpe de 1964 e no de 2016. No golpe de 1964 com o reitor e ministro da educação autoritário Flavio Suplicy de Lacerda. No golpe de 2016 com seus juristas oportunistas, seletivos, ativistas da perseguição política conservadora e sua justiça golpista, desequilibrada na forma de lawfare. A farsa a jato, o STF acovardado e golpista, como podemos constatar novamente, merecem o repúdio e a crítica de todos os democratas. A democracia e a liberdade são objetivos permanentes. Sociedades mais desenvolvidas, democráticas e justas são sociedades sem golpes. Golpes políticos só ocorrem em sociedades autoritárias, desiguais e atrasadas. Qualquer golpe sempre termina com muitos piores problemas e prejuízos do que quando começou, como podemos observar na história da América Latina, Ásia, África e Europa do Sul. Golpes sempre causam profundas vergonhas históricas, quebras nos valores democráticos e fracassos institucionais difíceis de serem reparados.

RCO

domingo, 5 de fevereiro de 2017

1936: "Tempos Modernos" chega às telas



Em 5 de fevereiro de 1936, Charlie Chaplin lançou "Tempos Modernos" em pré-estreia nos EUA. Ele dirigiu o filme e interpretou o papel principal. Na Alemanha e na Itália, a película "de tendência comunista" foi proibida.

Na comédia Tempos Modernos, o autor, diretor e ator Charles Spencer Chaplin parodiava as facetas nefastas da crise econômica mundial e da nova fase da industrialização. Gente lutando contra máquinas, a exploração, a necessidade extrema. No centro da história, alguém tenta sobreviver aos difíceis tempos: um vagabundo, com chapéu-coco, bigode, sapatos enormes e bengala.

Devido a seus filmes de humor sofisticado, Charlie Chaplin pode ser considerado ainda hoje o comediante mais famoso de todos os tempos do cinema. Ele negava, porém, a imagem que faziam dele em função de seu trabalho.

"As pessoas dizem que sou uma pessoa alegre. Não sou de jeito algum. Sou um homem bem sério. Com frequência não sei como devo expressar alguma coisa. Por isso meus filmes são sempre tão longos. E o mais difícil é dar-lhes a aparência de simples."

Marco cinematográfico

Chaplin precisou de quatro anos para concluir Tempos Modernos. O filme tornou-se um momento de ruptura em sua carreira. Pela última vez, o artista levava para as telas seu legendário vagabundo. E este entrou para a história do cinema como seu derradeiro filme mudo.

Há tempos as películas haviam ganhado falas. Mesmo assim, Chaplin confiou mais uma vez em sua muda arte da pantomima, restringindo a sonorização à música e efeitos sonoros. Somente um personagem podia falar: o dono da fábrica, que vigiava seus operários através de uma gigantesca parede de projeção.
"Pavilhão Número 5 está trabalhando muito devagar! Dobrem a velocidade! Capataz, os parafusos estão frouxos demais. Verifique o que está acontecendo! Ei, aqui não é lugar de se fumar, mas para trabalhar!", ditava ordens o patrão, interpretado por Alan Garcia.

Cenas inesquecíveis

O pequeno vagabundo, auxiliar na linha de montagem, aperta os parafusos muito devagar. De repente, fica preso numa peça na esteira rolante e é arrastado para dentro de uma enorme engrenagem da máquina. Mais uma cena de Chaplin que entrou para a história do cinema. Tempos Modernos é antes uma sequência de cenas engraçadas isoladas do que grande roteiro dramático.

"Bom dia, meus senhores e minhas senhoras, aqui fala o vendedor automático. Eu tenho a honra de apresentar-lhes o Sr. John Billows, inventor da máquina automática de alimentação. O aparelho é uma invenção genial para se comer automaticamente. Os senhores economizam o intervalo do almoço e dão um golpe na concorrência", anuncia a nova máquina.

Mas golpe mesmo sofre apenas o pequeno vagabundo. Testada tendo justamente ele como cobaia, a máquina de dar de comer sai fora do controle, dá um banho de sopa nele, alimenta-o com parafusos e o surra com o mecanismo que deveria limpar sua boca. O público na pré-estreia, em 5 de fevereiro de 1936, no cinema Rivoli de Nova York, fica deslumbrado.

A música de Tempos Modernos também deve-se às ideias de Chaplin. Sua voz igualmente pode ser ouvida no filme. Num restaurante, o pequeno vagabundo deve entreter os fregueses com uma canção. No momento decisivo, ele esquece a letra, canta algo absurdo, improvisado, misturando idiomas, e vai de novo para a rua. Mais um trabalho sem sucesso.

Mensagem política ou pura diversão?

"Eu acho que passar mensagens é muito problemático. Elas podem ser indignas. Podem até mesmo serem ridículas. Não acredito em mensagens", comentou certa vez ao falar de Tempos Modernos.

Chaplin não via seu último filme mudo como uma sátira política, mas como entretenimento. Mesmo assim, o governo americano sentiu-se incomodado, assim como os governos nazista da Alemanha e fascista da Itália, que proibiram a exibição da película. Após novos filmes e anos de atritos com o governo dos EUA, o artista britânico deixou o país que escolhera para viver, retornando à Europa.

Somente décadas depois Hollywood reconheceria o mérito das obras do criador do vagabundo. Em 1971, Chaplin, já com 83 anos, recebeu um Oscar por sua "incalculável contribuição ao cinema".

Autoria Catrin Möderler (mw)


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A classe dominante historicamente também exerce o quase completo monopólio do controle político das emoções populares e exige exclusividade na direção política do domínio emocional popular. A grande mídia seleciona quais emoções podem interessar ao seu domínio político, quais mortes podem ser homenageadas e quais são lucrativas e comercializáveis. A morte de Lily Marinho foi muito mais noticiada do que a de Marisa Lula da Silva, ainda que as diferenças políticas das duas tenham sido imensamente grande desde suas trajetórias, status e inserções ideológicas. As origens sociais determinam os direitos. O único direito do trabalhador pobre é não ter os mesmos direitos já assegurados por nascimento aos dominantes. Lula nunca poderia ter participado autonomamente da política, nunca poderia ter sido eleito, nunca poderia andar de avião presidencial, nunca poderia frequentar hotéis, restaurantes, hospitais de ricos. Lula nunca poderia denunciar politicamente a nojenta perseguição judicial extralegal contra sua família, Lula nunca poderia denunciar politicamente os facínoras da medicina, da mídia e do judiciário, uma vez que é um sem-mídia, uma vítima eterna da mídia burguesa. Lula não poderia e nem deveria falar, jamais poderia emitir posições políticas, ter voz, nem no enterro de Letícia, nem no de Chico Mendes, ou de qualquer liderança popular. Somente a toda poderosa Globo pode definir rituais televisivos de morte, pode monopolizar centenas de horas nas coberturas de seus esportistas, cantores e políticos lucrativos e funcionais aos interesses do marketing da mídia dominante. Novamente, jamais haverá democracia no Brasil sem a democratização e despartidarização da grande indústria da mídia golpista brasileira, a mesma surgida na ditadura militar e o tempo todo amparada politicamente de dentro do Estado, pelos grupos mais reacionários da classe dominante brasileira.

Ricardo Costa de Oliveira

sábado, 4 de fevereiro de 2017

A política hoje em dia, em todas as suas instâncias, sofre um processo crescente de carnavalização. Ou seja, é o simulacro do simulacro do simulacro, onde são seus atores, os ditos políticos profissionais, que parodiam o povo, o criticam e o ridicularizam.
A categorização da classe artística como vagabunda, sendo que é a arte, a partir dos elementos culturais, que constantemente redefine e critica a noção de identidade, é própria de um sistema carnavalizado pelo poder onde numa oficial democracia o voto do cidadão é deslegitimado.
A metáfora mais propícia da carnavalização política é um Rei Momo de uma província qualquer, que ao ser coroado, decreta a extinção do Carnaval.

Ricardo Alejandro Pozzo
Lava a Jato e Súmula Vinculante 13 do STF como enganações politiqueiras. Para entender a profunda hipocrisia, golpismo e reacionarismo jurídico-político no Brasil é necessário entender o país, que cria medida jurídico-política no pseudo combate a grave problema, sempre com a intenção de piorar, promover e dar o máximo poder ao mesmo problema. Enquanto finge ideologicamente combater e regular o problema, a medida só aumenta o poder do próprio problema, sem nenhuma mudança institucional. A farsa a jato alegava combater a corrupção seletivamente e só piorou a cultura da impunidade na corrupção do Brasil. Lava a jato faz parte do golpe jurídico-político, que só promoveu os piores,Temer e seus golpistas, acusados das piores corrupções ao poder executivo e legislativo. Ontem mesmo foi indicado o novo relator Fachin e o investigado Moreira Franco, o angorá, foi imediatamente promovido a ministro, com foro privilegiado e ninguém do STF golpista interveio, o que significa que o apoiaram em mais um golpe sucessivo. Da mesma maneira a Súmula 13 procurava combater o nepotismo e só promoveu milhares de nepotes ao poder máximo, nos cargos de primeiro escalão, onde são protegidos para sempre nos seus nepotismos achacadores da administração pública brasileira. Combater a corrupção promovendo, aumentando o poder dos mais notórios políticos corruptos e partidos corruptos da república é a façanha programada do golpe a jato. Corruptos no poder sem um único voto presidencial. Enganação total mais uma vez revestida de manipulação midiática enquanto a situação só vai piorando...

RCO

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Fahrenheit 451

 (...) Gosto de observar as pessoas. Às vezes ando de metrô o dia todo e fico olhando e ouvindo o que elas dizem. Tento imaginar quem são e o que querem e para onde vão [...] Às vezes ando de mansinho pelo metrô só para ficar escutando. Ou fico à escuta nos bebedouros de refrigerantes, e sabe de uma coisa?
— O quê?
— As pessoas não conversam sobre nada.
— Ah, elas devem falar de alguma coisa!
— Não, de nada. O que mais falam é de marcas de carros ou roupas ou piscinas e dizem: "Que legal!".
Mas todos dizem a mesma coisa e ninguém diz nada diferente de ninguém.

Do romance "Fahrenheit 451" de Ray Bradbury

Que o ódio absurdo, injustificado, desumano que hoje aflorou de maneira virulenta abra os olhos daqueles que ainda não perceberam que a sociedade brasileira está em franco processo de deterioração, caminhando a passos largos para o conflito final.
O monstro criado para odiar a esquerda - personificada em Lula - está fora de controle.
Em nome desse ódio já perdemos a democracia, soberania, direitos, renda e empregos e hoje perdemos qualquer esperança de reconciliação com esses zumbis teleguiados que abdicaram da mínima decência.
Nos preparemos então para o inevitável, para o desfecho amargo dessa ópera bufa.
Se tivermos sorte, que o embate seja no campo das ideias, da política. Se não, que seja como tiver que ser; mas não entregaremos, sem resistência, o futuro de nossos filhos na mão desses monstros.

Fernando Lopez


terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Uma tese de doutorado sobre Mano Brown e a periferia

Ricardo Costa de Oliveira...........“A Periferia Pede Passagem: Trajetória social e Intelectual de Mano Brown”. Filho de pai porteiro e mãe diarista, o sociólogo cresceu numa Cohab... Precisamos de mais intelectuais, teses e sociólogos de origens populares porque a sua sociologia poderá ser um olhar crítico e detalhado das realidades periféricas, populares e subalternas. Interessante escolha de tema de pesquisa. O que leva um sociólogo a escolher "livremente" um tema sempre é uma autobiografia na forma de uma autossociologia do que se vive, do que incomoda, do que deve ser dito e pesquisado. As dimensões de classe, etnia, gênero e principalmente ideologia atuam de forma direta. O que se fala, como escolher um objeto, como se escreve, o que se silencia, todas conceituações passam por estas categorias estruturantes e ambiências vividas. Toda sociologia é profundamente política e biográfica. Precisamos de sociólogos periféricos críticos, que jamais devem esquecer a ideologia de uma sociologia oficial da ordem dominante, com alguns pseudo formalismos e rigorismos, frutos de inseguranças sociais e políticas dos que vieram mais de baixo na sociedade de classes, vítimas de preconceitos e que procuram apenas o verniz uma sociologia importada, estrangeira e colonizada, supostamente técnica, profissional, asséptica, uma ciência social acrítica e defensora da ordem desigual. Todos sempre sentirão as pesadas influências e heranças da própria condição humana, familiar, social, política e identitária de qualquer cientista social. Origens já determinam em boa parte as atitudes, os horizontes ideológicos de qualquer texto e mesmo a escolha do tema nas ciências sociais. Na verdade é o objeto sociológico, o tema de pesquisa, que também escolhe o sociólogo.


Uma tese de doutorado sobre Mano Brown e a periferia
“A Periferia Pede Passagem: Trajetória social e Intelectual de Mano Brown”. Tese de doutorado explica que líder dos Racionais MC's é um intelectual

Roseli Bregantin Advogada Com certeza, Professor, e por isso é tão importante que o lugar de fala do pesquisador seja explícito, e não se esconda atrás de um total distanciamento do objeto para que suas observações ganhem status de isenção. Estudar é sempre uma forma racional de lidar com as nossas paixões e incomodos.

Marcio Mittelbach Olha aí, Sandro F. Paim, sobre o q vc estava tentando me dizer ontem...
Paulo Cesar Da Silva Acompanho a carreira do Mano desde o início.E o nojo que a polícia tem dos negros e pobres?Notório na obra de Mano,Eduardo e outros rappers!

Danilo Svirbul Vieira A academia ainda tem sua estrutura baseada no elitismo intelectual daqueles que possuem os meios para alcançá-la. A resistência intrínseca para aceitar intelectuais de origem "marginal" sempre foi muito evidente, ainda mais por se tratar de um núcleo do qual a residência é nativa das classes médias/altas. Ora, não se faz pesquisador de barriga vazia, e sabemos como é difícil se manter vivo neste meio sem as condições necessárias para um bom estudo, tendo que deliberar entre as complicações de uma vida privada penosa e toda a carga de desconfiança dos pares dentro da universidade. Que se façam mais destes pesquisadores, que se quebrem esses paradigmas elitistas dos cursos (principalmente de humanas) e que sociólogos de origens periféricas possam dar voz para aqueles que costumam ser apenas um objeto de estudo distante.

Valeria Tuleski Prof., na sua frase sobre os sociólogos, a questão é essa: Todo o cientista social sentirá as heranças que sofre em termos de determinações culturais? DE minha parte, tão importante quanto teses de doutorado que conseguem vir a público de uma maneira mais bem acabada, também precisávamos de jornalistas que sabem dialogar com as CS. Tenho encontrado um abismo entre uns e outros...

Valeria Tuleski A frase é: Todos sempre sentirão as pesadas influências e heranças da própria condição humana, familiar, social, política e identitária de qualquer cientista social. Desculpe-me a confusão.


terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Um sociólogo norte-americano dos anos 50 já deu o diagnóstico: com o deslocamento geográfico de um segmento da classe média intelectualizada para os "campi" universitários, um setor importante da esquerda, que varia de numero segundo a institucionalização do aparelho burocrático-universitário de país para país, separou sua experiência de vida quotidiana da grande massa da classe trabalhadora. Daí que surjam tantas palavras de ordem e arroubos radicais dos quais a massa sequer toma conhecimento. A pergunta que se coloca é: as redes sociais agravaram esse fenômeno, insulando ainda mais os "liberals" do restante da população comum, ou serviram para "reconectar" as camadas médias liberais com o duro e sofrido cotidiano do cidadão comum? Talvez esteja aí a fonte do famoso "mal-estar" com a democracia monitorada que tantos ideólogos sentem...

Sérgio Soares Braga

terça-feira, 17 de janeiro de 2017


Você possui algum parente preso ? Responda abaixo os 20 itens para saber a probabilidade social de ser preso e morto no Brasil.
Você possui algum parente ganhando até um salário mínimo ?
Você possui algum parente migrante de regiões mais pobres e do meio rural ?
Você possui algum parente pardo ou negro ?
Você é vítima de preconceitos e discriminações ?
Você possui algum parente morador em sub-habitações, na periferia ou favela ?
Você não mora em bairro com mínima infraestrutura urbana ?
Você possui algum parente analfabeto ou com ensino fundamental incompleto ?
Você possui algum parente evangélico ?
Você possui algum parente com histórico de violência e de transgressões, desde a infância e adolescência ?
Você possui algum parente assassino e/ou assassinado, cresceu entre corpos mortos ?
Você possui mãe e pai distantes ou separados ?
Você não cresceu com segurança física, emocional e ambientado em uma tradição de inclusão ?
Você tem medo da polícia e das forças de segurança ?
Você nunca viu nenhuma escola, centro cultural, musical, de esportes, ou lazer minimamente organizado e acessível ?
Você nunca possuiu referência de contato com carreiras científicas ou tecnológicas ?
Você foi educado para sempre obedecer, ser submisso e ser subalterno como modelo de vida ?
Você possui parentes desempregados e deve seguir ocupações de baixa renda, baixa escolaridade e baixo prestígio social ?
Você não sabe o que são direitos humanos ?
Você não sabe o que é uma cultura cívica, nem valores democráticos e nacionais ?

Você nunca teve direitos sociais e políticos plenos, nunca teve cidadania ?

Ricardo Costa de Oliveira

domingo, 15 de janeiro de 2017

O PALÁCIO DE INVERNO



Muitos se dizem mais sábios na velhice:
a mim isso parece-me uma tolice.
No meu segundo quarto de século perdi
tudo o que na universidade aprendi.
E no que se passou depois, a minha mente nem pensa.
Já não conheço os que saem na imprensa
e as pessoas ofendem-se pois esqueço as suas caras
e juro que nunca estive em suas casas.
Valeria a pena se conseguisse eliminar
o que quer que seja que me começa a prejudicar.
E no final não saberei nada.
A minha mente encerrar-se-á como um campo, uma nevada.


- in Antología Poética, Cátedra, 2016.

Philip Larkin (1922-1985) poeta inglês. 
Tradução :Fátima Diogo .

a classe dominante tem um projeto

 Embora as pessoas não reconheçam, a classe dominante tem um projeto muito bem elaborado para o país (e o está aplicando com bastante sucesso). Este projeto é o de acabar com a ideia de desenvolvimentismo, ou seja, a ideia de que Estado deve induzir o desenvolvimento, em detrimento de uma ideia de que o Estado deve garantir as condições de funcionamento do mercado; acabar com a ideia de Estado de bem-estar social, ou seja, que o Estado tem a função de garantir alguns direitos sociais aos cidadãos - e, para isso, não estão preocupados com a degradação da democracia -; e o retorno a um tipo de sociedade em que o Estado tem a única função de garantir a segurança e o controle orçamentário. Esta classe pretende acabar com a ideia de que os cidadãos têm qualquer direito a ser garantido pelo Estado, para que o setor privado possa vir a suprir as necessidades das pessoas e obter lucros com isso, e também que o Estado tem qualquer função de administrar empresas públicas, que devem ser privatizadas. Para que as pessoas possam adquirir planos de saúde, pagar pela educação e pela previdência privada, enfim, tudo o que precisam, este projeto inclui o estímulo à iniciativa privada, as pessoas devem abrir seus próprios negócios e assim se dará a manutenção da economia. Os cortes dos gastos primários (sem contar os juros da dívida) tem isso como objetivo, a única função do Estado é a segurança e o pagamento dos juros da dívida pública, e, para pagá-los, o Estado deve arrecadar impostos, que servirão apenas para isso, para o pagamento dos juros para os detentores da dívida pública. Isso é o Consenso de Washington, uma receita de desregulamentação financeira, em que é preconizado um conjunto de 10 medidas para o ajustamento econômico, e significa uma reconfiguração do capital, que exige a disciplina fiscal, realinhamento dos gastos públicos, a liberalização financeira, a liberalização comercial, a desregulamentação e a questão da propriedade intelectual. Enfim, estamos em um momento em que os interesses financeiros dominam todas as sociedades, que devem canalizar toda a arrecadação para o sistema financeiro, e a sociedade acabar com toda a regulação e controle do Estado para que os investidores privados possam atender às necessidades das pessoas por meio da iniciativa privada. Por fim, não vemos resistência porque para isso precisamos de uma classe trabalhadora forte, e a classe trabalhadora se torna forte com a garantia e a proteção de direitos - sobretudo a garantia de emprego, e com o crescimento da economia; com a política, ou seja, a disputa do Estado através da organização de partidos políticos capazes de apresentar um projeto e obter apoio de massa; e com a mobilização dos movimentos sociais. Não há outro caminho para lidar com estas questões, mas a economia e as condições de emprego estão degradadas, e a classe trabalhadora, frágil; e a política, e, sobretudo, os partidos de origem popular, foi deliberadamente deslegitimada pela classe dominante exatamente para impedir a resistência aos seus interesses... Mais especificamente, acho que o objetivo é que o atual governo aprove essas medidas duras e estruturais (o teto dos gastos, a reforma da previdência, a flexibilização das leis trabalhistas, e, também, a privatização das empresas públicas) já que ele não tem condições de disputar eleições e, portanto, não tem problema em sofrer com o desgaste político, e depois o PSDB deve entrar para controlar essa sociedade. Em geral, apenas os setores das classes populares são prejudicados. O único setor da classe dominante que também está sendo prejudicado é o da indústria, e não sei porquê eles aderem a esse projeto. Mas, de qualquer forma, esse é um projeto do setor financeiro internacional, que a mídia, a política, os poderes constitucionais, e a sociedade em geral, entram de roldão... Enfim, houve um setor da classe dominante, o setor financeiro internacional, que ascendeu ao domínio, e que esta situação, embora ruim para a sociedade como um todo, e mesmo para a manutenção do capitalismo e da democracia, é bom para esse setor, e, enquanto for bom para esse setor, este continuará impondo os seus interesses sobre o restante da sociedade.


 Mauro Costa Assis




O FIM DO NEOLIBERALISMO PROGRESSISTA

Publicado por Gilberto Maringoni e o Opera Mundi: uma análise de Nancy Fraser sobre o significado da vitória de Donald Trump

Já publiquei aqui este ótimo artigo de Nancy Fraser, em inglês. Agora o Opera Mundi lança sua tradução.
Trata-se de texto fundamental para se perceber o crescimento de um movimento anti-globalização pela direita que pode também auxiliar a identificação de suas decorrências aqui no Brasil. (Indicação de Breno Altman).

"Ao longo dos anos, à medida que o setor industrial ruía, o país ouviu falar muito de “diversidade”, “empoderamento” e “não discriminação”. Ao identificar “progresso” com meritocracia, em vez de igualdade, o discurso igualou o termo “emancipação” à ascensão de uma pequena elite de mulheres “talentosas”, minorias e gays na hierarquia corporativista exclusivista.
Esta compreensão individualista e liberal de “progresso” gradualmente substituiu o entendimento de emancipação mais abrangente, anti-hierárquico, igualitário, sensível às questões de classe e anticapitalista, que prosperou nos anos 1960 e 70.

À medida que a Nova Esquerda sucumbia, sua crítica estrutural da sociedade capitalista desapareceu, e o pensamento individualista e liberal característico de nosso país se reafirmou, abalando imperceptivelmente as aspirações dos “progressistas” e autodeclarados esquerdistas. O que selou o acordo, no entanto, foi o fato de tais acontecimentos terem sido simultâneos à ascensão do neoliberalismo. Um partido que apoie a liberalização da economia capitalista é o parceiro perfeito para o feminismo corporativo e meritocrático focado em “assumir riscos” e “superar as barreiras da discriminação de gênero no trabalho”"

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

CASI ALBA



Casi alba,
como decir arroyo entre la fuente,
como decir estrella,
como decir paloma en cielo de alas.
Esta noche se ha ido
casi aurora, casi ronda de luna entre montañas,
como una sensación de golondrina
al picar su ilusión en una rama.
Amanecer, sin alas para huirse,
regreso de emoción hasta su alma,
palomitas de amor entre mis manos
que al asalto de amor subieron castas.
Noche rasgada al tiempo repetido,
detenida ciudad de esencias altas,
como una claridad rompes mi espíritu,
circundas mi emoción como una jaula.
Amor callado y lejos...
tímida vocecita de una dalia,
así te quiero, íntimo,
sin saberte las puertas al mañana,
casi sonrisa abierta entre las risas,
entre juego de luces, casi alba...


 Julia de Burgos. 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Se o sono é o ponto mais alto da distensão física, o tédio é o ponto mais alto da distensão psíquica. O tédio é o pássaro de sonho que choca os ovos da experiência

O Narrador - Walter Benjamin

Cinta verde en el cabello


Había una vez una aldea en algún lugar, ni mayor ni menor, con viejos y viejas que viejaban, hombres y mujeres que esperaban, y chicos y chicas que nacían y crecían.

Todos con juicio suficiente, menos -por el momento- una nenita.

Un día, ella salió de la aldea con una cinta verde imaginada en el cabello.

Su madre la mandaba con una cesta y un frasco, a ver a la abuela -que la amaba- a otra aldea vecina casi igualita.

Cinta Verde partió, enseguida, ella la linda, todo érase una vez. El frasco contenía un dulce en almíbar y la cesta estaba vacía, para llenarla con frambuesas.

De ahí que, al atravesar el bosque, vio solo los leñadores, que por allá leñaban; pero ningún lobo, desconocido ni peludo. Pues los leñadores habían exterminado al lobo.

Entonces, ella misma se decía:

-Voy a ver a abuelita, con cesta y frasco, y cinta verde en el cabello, como mandó mamita.

La aldea y la casa esperándola allá, después de aquel molino, que la gente piensa que ve, y de las horas, que la gente no ve que no son.

Y ella misma resolvió escoger tomar ese camino de acá, loco y largo, y no el otro, corto. Salió, detrás de sus alas ligeras, su sombra también le venía corriendo detrás.

Se divertía con ver que las avellanas del piso no volaran, con no alcanzar esas mariposas nunca, ni en buquet ni en pimpollo, y con ignorar si las flores -plebeyitas y princesitas a la vez- estaban cada una en su lugar al pasar a su lado.

Venía soberanamente.

Tardó, para dar con la abuela en casa, que así le respondió, cuando ella, toc, toc, golpeó:

-¿Quién es?

-Soy yo… -y Cinta Verde descansó la voz-. Soy su linda nietita, con cesta y frasco, con la cinta verde en el cabello, que la mamita me mandó.

Ahí, con dificultad, la abuela dijo:

-Empuja el cerrojo de madera de la puerta, entra y abre. Dios te bendiga.

Cinta Verde así lo hizo y entró y miró.

La abuela estaba en la cama, triste y sola. Por su modo de hablar tartamudo y débil y ronco, debía haber agarrado una mala enfermedad. Diciendo:

-Deja el frasco y la cesta en el arcón y ven cerca de mí, mientras hay tiempo.

Pero ahora Cinta Verde se espantaba, más allá de entristecerse al ver que había perdido en el camino su gran cinta verde atada en el cabello; y estaba sudada, con mucha hambre de almuerzo. Ella preguntó:

-Abuelita, ¡qué brazos tan flacos los suyos, y qué manos temblorosas!

-Es porque no voy a poder nunca más abrazarte, mi nieta…. -la abuela murmuró.

-Abuelita, pero qué labios tan violáceos.

-Es porque nunca más voy a poderte besar, mi nieta…. -la abuela suspiró.

-Abuelita, y qué ojos tan profundos y quietos en este rostro ahuecado y pálido.

-Es porque ya no te estoy viendo, nunca más, mi nietita… -la abuela aún gimió.

Cinta Verde más se asustó, como si fuese a tener juicio por primera vez. Gritó:

-¡Abuelita, tengo miedo del Lobo!

Pero la abuela no estaba más allá, estaba demasiado ausente, a no ser por su frío, triste y tan repentino cuerpo.

FIN

“Fita verde no cabelo”


 JOÃO GUIMARÃES ROSA


Biblioteca Digital Ciudad Seva

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Pós-modernidade sólida. Para mim, a grande revelação do Facebook não foi descobrir que indivíduos que eu antes considerava tucanos assumidos são na realidade petistas roxos, ou que eu julgava céticos-liberais são na verdade reacionários consumados sempre dispostos a ostentar sua reacionarice, mas perceber como as pessoas enquadram os acontecimentos mais díspares em seus esquemas mentais pré-definidos, e os manifestam veementemente sem o menor constrangimento. De uma rebelião de presos em Manaus, até um atentado terrorista na Síria, passando, é claro, pelas machadadas no missionário Valdomiro e pela PEC 55, todos os acontecimentos adquirem prontamente, antes mesmo que todos os seus desdobramentos empíricos estejam completamente claros e que os atores envolvidos sejam ouvidos, uma lógica cristalina. E sem que muitas vezes se apresentem as evidências mais elementares para a justificação de seus pontos de vista. É como se esses formadores de opinião tivessem uma lente especial para explicar a realidade, advinda seja leitura das obras de Gramsci-Althusser, seja de uma crença na sabedoria infalível do deus ex-machina Mercado ou do Juiz Moro e dos procuradores da República de Curitiba que os eximisse do dever de persuadir quem não compartilha estritamente de suas premissas estreitas. A
Ao contrário de muitos, acho ótimo que todos expressem suas opiniões, mas às vezes eu fico pasmo porque, quando me vejo diante de um evento desconhecido, minha primeira preocupação é estuda-lo e conhecer todas as interpretações dos fatos, antes de me posicionar sobre eles. Gostaria de ter a convicção em suas próprias opiniões que esses fundamentalistas do Facebook possuem... Talvez aí esteja a verdadeira fonte da tal religiosidade celebrada por Cazuza e outros eruditos do Posto 6.

Sérgio Braga 
"A morte de Mário Soares pode ser um bom gancho para refletirmos sobre o fim da social-democracia no sentido em que o termo ganhou especialmente a partir da I Guerra Mundial.
Primeiro, é importante dizer que a social-democracia jamais foi possível nos países periféricos, justamente porque ela se alimentava do fluxo de capitais do sul para o norte.
Segundo, que a social-democracia só foi possível pela soma de dois fatores, ambos extintos.
De um lado, a Guerra Fria que obrigou o capital a fazer determinadas concessões.
De outro lado, o fordismo que permitia, em momentos de expansão na economia, fazer acordos do tipo ganha-ganha entre capital e trabalho.
Com a extinção das condições históricas que lhe permitiram o surgimento, a social-democracia entrou para o rol dos museus, quer gostamos dela ou não. A degeneração dos partidos social-democratas é apenas a consequência inevitável desse processo."
por

Gustavo Gindre

sábado, 7 de janeiro de 2017

"A arte só serve para alguma coisa se é irreverente, atormentada, cheia de pesadelos e desespero. Só uma arte irritada, indecente, violenta, grosseira, pode nos mostrar a outra face do mundo, a que nunca vemos ou nunca queremos ver, para evitar incômodos à nossa consciência."

Pedro Juan Gutiérrez
"Qual será o novo mobilizador das paixões sociais? Impossível sabê-lo. Todos os futuros são possíveis a partir do “nada” herdado. O comum, o comunitário, o comunista é uma dessas possibilidades que está aninhada na ação concreta dos seres humanos e na sua imprescindível relação metabólica com a natureza. Em qualquer caso, não existe sociedade humana capaz de se desprender da esperança. Não existe ser humano que possa prescindir de um horizonte e hoje estamos compelidos a construir um. Isso é o comum dos humanos, e esse comum é o que pode nos levar a desenhar um novo destino diferente a este emergente capitalismo errático que acaba de perder a fé em si mesmo."

García Linera é o vice-presidente do Estado Plurinacional da Bolívia.
A privatização é realmente ideal...para se terceirizar a responsabilidade: a empresa joga a culpa das cagadas no poder público e o governo joga nas costas da empresa privada que administra o serviço público. De resto, é sempre mais caro e serve apenas para engordar o bolso dos chegados.
ACBM
Realmente, muitas pessoas estão aplaudindo de pé as chacinas nos presídios, como disse o Francischini. São pessoas, como o próprio deputado, que se acham "pessoas de bem", mas estão comemorando (como bem pontuou o Galindo) a vitória do crime organizado, que mata dentro e fora dos presídios. Estão comemorando a falência do sistema prisional, que deveria ressocializar pessoas e serve apenas para inserir uma maioria condenada por crimes leves (ou sequer julgadas) no mundo da mais severa barbárie. Me parece que estão exatamente do mesmo lado daqueles que julgam combater.
Podem defender o ostracismo de todos os presos para uma ilha distante, a prisão perpétua ou a pena de morte, pensando que isso vai distancia-los da barbárie, mas o que estão produzindo é somente o fortalecimento dela. Afinal, os ícones da turma que pensa assim, como o Francischini ou o Bolsonaro, são os reacionários que estão de plantão em Brasília para defender os privilégios dos mais ricos e os cortes nos gastos sociais, fazendo somente aumentar as desigualdades sociais existentes hoje.
Daí o que sobra para os bolsões de miséria crescentes é a repressão, o encarceramento e a eliminação. "Pessoas de bem"? Não. Só se for "bem perversas".

ACBM

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Presídios privatizados, os mais caros, ruins e lucrativos para a ganância privada de poucos e sofrimento de muitos. Daí especialistas afirmaram que presídios estão sob administração, controle e direção dos próprios criminosos, o que não é diferente do resto do Estado, porque o executivo, legislativo e judiciário também estão ocupados pelos mais corruptos golpistas. Somente escolas diminuem a população carcerária do futuro. Para quem não quer entender basta a metáfora dos mosquitos, o mais importante é acabar com a reprodução das águas sujas e paradas. Sem escolas de qualidade e sem professores de qualidade, bem formados, investidos e estruturados, a bandidagem só aumenta. Quem maltrata, bate nos professores e nas suas justas reivindicações são os criadores, multiplicadores de bandidos, que depois tanto mal farão a toda sociedade.

RCO

Чёрный ворон_-_Чапаев.mp4

Валерий Золотухин в фильме "Хозяин тайги"

Казачий Круг — Ой, да не вечер (05.04.2010)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Krushshov







POEMA SEM TÍTULO


Digo ao chumbo:
por que você permitiu
ser moldado em bala?
Esqueceu os alquimistas?
Desistiu da esperança
de tonar-se ouro?
Ninguém responde.
Chumbo. Bala. Com nomes
como esses
o sono é longo e profundo.
.

[Charles Simic / Trad. Carlos Machado]




IX


Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.

~ “O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa


domingo, 1 de janeiro de 2017

Alexandrov Ensemble (Red Army Choir) - Whole Concert

Alexandrov Ensemble (Red Army Choir) - Whole Concert

Alexandrov Ensemble (Red Army Choir) - Whole Concert

ODE À ALEGRIA


(Friedrich Schiller)

Ó, amigos, mudemos de tom!
Entoemos algo mais prazeroso
E mais alegre!
Alegria, formosa centelha divina,
Filha do Elíseo,
Ébrios de fogo entramos
Em teu santuário celeste!
Tua magia volta a unir
O que o costume rigorosamente dividiu.
Todos os homens se irmanam
Ali onde teu doce vôo se detém.
Quem já conseguiu o maior tesouro
De ser o amigo de um amigo,
Quem já conquistou uma mulher amável
Rejubile-se conosco!
Sim, mesmo se alguém conquistar apenas uma alma,
Uma única em todo o mundo.
Mas aquele que falhou nisso
Que fique chorando sozinho!
Alegria bebem todos os seres
No seio da Natureza:
Todos os bons, todos os maus,
Seguem seu rastro de rosas.
Ela nos deu beijos e vinho e
Um amigo leal até a morte;
Deu força para a vida aos mais humildes
E ao querubim que se ergue diante de Deus!
Alegremente, como seus sóis voem
Através do esplêndido espaço celeste
Se expressem, irmãos, em seus caminhos,
Alegremente como o herói diante da vitória.
Abracem-se milhões!
Enviem este beijo para todo o mundo!
Irmãos, além do céu estrelado
Mora um Pai Amado.
Milhões, vocês estão ajoelhados diante Dele?
Mundo, você percebe seu Criador?
Procure-o mais acima do Céu estrelado!
Sobre as estrelas onde Ele mora!


- Friedrich Von Schiller, Ode à Alegria (An die Freude), 1786 - tradução do original, tal como se canta na Nona Sinfonia de Ludwig Van Beethoven, 1824.

Meu Amor da Rua Onze




Tantas juras nós trocámos,
Tantas promessas fizemos,
Tantos beijos nos roubámos
Tantos abraços nós demos.
Meu amor da Rua Onze,

Meu amor da Rua Onze,
Já não quero
Mais mentir.
Meu amor da Rua Onze,
Meu amor da Rua Onze,
Já não quero
Mais fingir.

Era tão grande e tão belo
Nosso romance de amor
Que ainda sinto o calor
Das juras que nós trocámos.

Era tão bela, tão doce
Nossa maneira de amar
Que ainda pairam no ar
As vezes promessas, que fizemos.

Nossa maneira de amar
Era tão doida, tão louca
Qu´inda me queimam a boca
Os beijos que nos roubámos.

Tanta loucura e doidice
Tinha o nosso amor desfeito
Que ainda sinto no peito
Os abraços que nós demos.

E agora
Tudo acabou
Terminou
Nosso romance
Quando te vejo passar
Com o teu andar
Senhoril,
Sinto nascer
E crescer
Uma saudade infinita
Do teu corpo gentil
de escultura
Cor de bronze

Meu amor da Rua Onze.


Aires Almeida Santos nasceu em Bié,  Angola, em 1921, falecendo em 1992 na cidade de Benguela. Recebeu instrução primária em Benguela e secundária em Nova Lisboa e Sá de Bandeira. Esteve preso por atividades ligadas ao MPLA. Fixou-se em Luanda em 1961, trabalhando como contador de algumas empresas. Em 1970 ingressou no jornalismo. Foi co-fundador da União dos Escritores Angolanos - UEA.  Sua obra poética é constituída de dois únicos livros:  Meu Amor da Rua Onze (Lisboa: Edições 70, 1987) e  A Casa (Lubango: edição do autor, 1987). Seu poema mais conhecido, publicado pela primeira vez em Mákua - Antologia Poética, vol 3 (Sá da Bandeira: Publicações Imbondeiro, 1963), é justamente o que dá título ao seu primeiro livro. Meu Amor da Rua Onze não é, como muito da produção poética do período, nenhuma peça de vanguarda; tampouco pertence ao rol dos textos angolanos que buscavam, de alguma forma, denunciar o colonialismo ou tratar das injustiças do regime. É um poema de amor, simples e nostálgico, mas que tem como principal característica a musicalidade. Pois foi justamente este o elemento que motivou este post. Em uma busca aleatória por poemas musicados na web, deparei-me com esta versão em ritmo de semba feita pelos angolanos da Banda Maravilha. O vídeo contém legendas com a letra em Português e Inglês.

Eu ia postar uma foto de praia, emanar um axé bacana, e ponto. Mas lembrei de súbito, nesses últimos momentos de 2016, o quanto tudo foi difícil pra nós todos. Alegrias imensas também, claro, no âmbito artístico ( o que pra mim significa a região pessoal, a intima e a profissional unidas como siamesas condenadas ), mas a lembrança firme de um susto coletivo, um incômodo de jogo em xeque-mate, de uma traição profunda, uma Ré, com maiúsculo mesmo, me paralisou. Então fico querendo, para o ano, se deixarem, passar a limpo o que desejo pra nós, porque eu tenho a clareza de que só se é feliz se muitos estiverem felizes. E assim, como foi, não dá. Eu sei ser sozinho, mas não sei ser feliz sozinho.
PS - Gente é pra brilhar! Lembra ?



 Matheus Nachtergaele:

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

"Le ''ça ira''"

Versione della Fête de la Fédération (14 luglio 1790)

" Ah ça ira ça ira ça ira
Les aristocrates à la lanterne
Ah ça ira ça ira ça ira
Les aristocrates on les pendra
Et quand on les aura tous pendus,
On leur fichera la pelle au cul!

V'la trois cents ans qu'ils nous promettent
Qu'on va nous accorder du pain
V'la trois cents ans qu'ils donnent des fêtes
Et qu'ils entretiennent des catins
V'la trois cents ans qu'on nous écrase
Assez de mensonges et de phrases
On ne veut plus mourir de faim

Ah ça ira ça ira ça ira
Les aristocrates à la lanterne
Ah ça ira ça ira ça ira
Les aristocrates on les pendra
Et quand on les aura tous pendus,
On leur fichera la pelle au cul

V'la trois cents ans qu'ils font la guerre
Au son des fifres et des tambours
En nous laissant crever d'misère
Ça n'pouvait pas durer toujours
V'la trois cents ans qu'ils prennent nos hommes
Qu'ils nous traitent comme des bêtes de somme
Ça n'pouvait pas durer toujours

Ah ça ira ça ira ça ira
Les aristocrates à la lanterne
Ah ça ira ça ira ça ira
Les aristocrates on les pendra
Et quand on les aura tous pendus
On leur fichera la pelle au cul

Le châtiment pour vous s'apprête
Car le peuple reprend ses droits
Vous vous êtes bien payé nos têtes
C'en est fini Messieurs les rois
Il n' faut plus compter sur les nôtres
On va s'offrir maint'nant les vôtres
Car c'est nous qui faisons la loi

Ah ça ira ça ira ça ira
Les aristocrates à la lanterne
Ah ça ira ça ira ça ira
Les aristocrates on les pendra
Et quand on les aura tous pendus
On leur fichera la pelle au cul "


"Le ''ça ira''" por Edith Piaf (Google Play • iTunes)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Ricardo Pedrosa Alves


vende-se ou aluga-se estonteante república de bananas, bois, grãos, açúcares e trabalhadores sem direito. investimento garantido: um dos maiores retornos financeiros do mercado. a aposta das próximas duas décadas! grandes áreas ainda por desmatar. inclui reservas de água, minério, petróleo e mão-de-obra domesticada e católica. segurança completa, não perca a oportunidade. o charme dos trópicos, com exotismo e espetáculos populares, tornam a experiência de ganhar dinheiro na propriedade um excelente investimento para o turismo sexual. negócio seguro, combinando a modernidade de uma legislação atualizada com a tradição de 516 anos no mercado.

Nos últimos dias a imprensa hegemônica do Brasil passou a divulgar as investigações do Departamento de Justiça dos EUA sobre a corrupção na Petrobrás. O que era apenas uma suspeita dos advogados do ex-presidente Lula, se confirmou como realidade cristalina.

Agora é possível entender porque Moro, muito zelosamente, sempre censurou as perguntas feitas pela defesa de Lula a delatores e testemunhas de acusação sobre a assinatura de acordos de colaboração com autoridades policiais e judiciais norte-americanas.

por Jeferson Miola


Por las calles de España...É a mesma equação: onde o neoliberalismo rapineiro avança, os direitos sociais minguam. A diferença é que, no Brasil, os grandes capitais representados pela corja corrupta que governa o país, estão agindo "a pedido" de centenas de milhares de verdeamarelos coxinhas que foram, repetidamente, às ruas e às panelas implorar para que a desgraça os atingisse.

Valéria Arias

sábado, 24 de dezembro de 2016

Quando os bares de rua de Curitiba entram em recesso é porque o ano realmente acabou. Aqui vai minha avaliação de 2016. Foi um ano excelente para o país. Finalmente as pessoas começaram a discutir ideias, já que a situação obrigou muitos a saírem de sua comodidade para não ficarem numa situação ainda pior. É com a discussão de ideias que colocamos nossas posições à prova. Pois coletivamente temos mais chances de perceber as falsidades e os erros. Não custa lembrar que foi com a discussão de ideias que a civilização e a ciência se desenvolveram com força.
A tão sonhada revolução nacional começou. E revoluções não acontecem de maneira tranquila e sem problemas. Elas exigem ainda mais atenção para não tomarmos caminhos errados, como o caminho da supressão dos direitos humanos e da democracia.

Thiago Melo

A CAVERNA E NOSSA SOCIEDADE


RENATO RIBEIRO VELLOSO *

A metáfora narrada por Platão em “A Republica”, cheia de mitos, foi criada
para compreendermos a realidade em que a humanidade se encontra, ou seja, estamos
sujeitos as sombras e vê-las como a verdade.
Em seu livro ele relata um grupo de pessoas que vivem no fundo de uma
caverna, todos foram presos na infância, imobilizados por correntes, sentados de costas
para a entrada da caverna, sem poder se moverem olhando sempre para o fundo da
caverna. Assim como a sociedade atual, o povo do subterrâneo, tem a sua existência
dominada pela ignorância, se contentando com a luz projetada nos objetos, que formam
sombras que surgem e desaparecem diante de seus olhos. As pessoas precisam sair da
caverna para chegar a um conhecimento superior, abrindo a mente para novas
experiências, para novos horizontes, podendo assim crescer interiormente e
politicamente.
Mas com isso Platão nos mostra como é difícil e doloroso chegarmos ao
conhecimento, se formos libertados e arrastados para longe de nossas cavernas, nos
sendo obrigado a percorrer caminhos indefinidos, para romper a ignorância. Em
primeiro instante a luminosidade não nos permitira enxergar nada, nesse instante não
iríamos conseguir capturar nada em sua totalidade, a princípio, entenderíamos as
sombras, porém com a persistência, finalmente poderemos ver os objetos em sua
totalidade, com perfis definidos, conseguindo distinguir os próprios seres.
Mas esta nova etapa não consiste apenas em descobrir, mas ir a busca de algo
superior, como contemplar idéias que regem as sociedades, conhecendo a verdade e
reunindo a inteligência, a moral e a lógica. Assim logo compreenderíamos que as
sombras, as quais estamos acostumados, são as coisas que consideramos reais, e que a
luz são as idéias verdadeiras, o conhecimento verdadeiro. Assim notamos a passagem da
ignorância para a opinião e depois para o conhecimento. Podendo contemplar as idéias,
tornando-se apto para descobrir que a luz representa a razão.
Então quando voltamos para a caverna, nossos antigos companheiros que
continuaram na escuridão da caverna, zombariam de nossas idéias, pois imaginam que o
mundo que conhecem é o único mundo verdadeiro e o pior, não querem se livrar dele,
isso porque estão presos a um método incorreto de ver a realidade e só conhecem aquele
mundo. Imaginam essa pessoa como um egocêntrico, um extravagante, ou um doido
como foram considerados a maioria dos pensadores.
Mas se alguns o ouvissem, e também decidissem sair de suas cavernas rumo a
realidade, não haveria tanta desigualdade, os sábios não devem apenas socializar os
conhecimentos, mas devem sim, ser chamados as regências das sociedades. O homem
justo em nada difere do estado justo, a mesma moral para o homem e o Estado
prudência, coragem e temperança.
O governo das cidades cabe aos mais instruídos e a aqueles que manifestam
mais indiferença ao poder, pela simples razão de serem os únicos a vislumbrar o belo, o
justo e o bem. Aquele que vê o bem em sua essência vive na realidade. O verdadeiro
líder é aquele que conduz sua alma racionalmente para se dirigir ao bem verdadeiro,
utilizando à energia do amor, podendo assim compreender a justiça, a honra, a
fidelidade, ou seja, todas as virtudes supremas.

BIBLIOGRAFIA

Platão, A Republica. Supervisão editorial Jair Lot Vieira. Bauru – 2001
Chalita, Gabriel. Vivendo a Filosofia – Filosofia antiga 1. São Paulo – Minden – 1998

* Renato Ribeiro Velloso - Bacharel em Direito pela Universidade Bandeirante de São Paulo – UNIBAN, Sub-Coordenador do Núcleo de Desenvolvimento Acadêmico da OAB SP, Conciliador Patronal do Sindicato das Micros ePequenas Empresas - SIMP, Membro do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais - IBCCrim.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

El cuento del niño malo



Mark Twain

Había una vez un niño malo cuyo nombre era Jim. Si uno es observador advertirá que en los libros de cuentos ejemplares que se leen en clase de religión los niños malos casi siempre se llaman James. Era extraño que este se llamara Jim, pero qué le vamos a hacer si así era.

Otra cosa peculiar era que su madre no estuviese enferma, que no tuviese una madre piadosa y tísica que habría preferido yacer en su tumba y descansar por fin, de no ser por el gran amor que le profesaba a su hijo, y por el temor de que, una vez se hubiese marchado, el mundo sería duro y frío con él.

La mayor parte de los niños malos de los libros de religión se llaman James, y tienen la mamá enferma, y les enseñan a rezar antes de acostarse, y los arrullan con su voz dulce y lastimera para que se duerman; luego les dan el beso de las buenas noches y se arrodillan al pie de la cabecera a sollozar. Pero en el caso de este muchacho las cosas eran diferentes: se llamaba Jim y su mamá no estaba enferma ni tenía tuberculosis ni nada por el estilo.

Al contrario, la mujer era fuerte y muy poco religiosa; es más, no se preocupaba por Jim. Decía que si se partía la nuca no se perdería gran cosa. Solo conseguía acostarlo a punta de bofetadas y jamás le daba el beso de las buenas noches; antes bien, al salir de su alcoba le halaba las orejas.

Este niño malo se robó una vez las llaves de la despensa, se metió a hurtadillas en ella, se comió la mermelada y llenó el frasco de brea para que su madre no se diera cuenta de lo que había hecho; pero acto seguido… no se sintió mal ni oyó una vocecilla susurrarle al oído: “¿Te parece bien hacerle eso a tu madre? ¿No es acaso pecado? ¿Adónde van los niños malos que se engullen la mermelada de su santa madre?”, ni tampoco, ahí solito, se hincó de rodillas y prometió no volver a hacer fechorías, ni se levantó, con el corazón liviano, pletórico de dicha, ni fue a contarle a su madre cuanto había hecho y a pedirle perdón, ni recibió su bendición acompañada de lágrimas de orgullo y de gratitud en los ojos. No; este tipo de cosas les sucede a los niños malos de los libros; pero a Jim le pasó algo muy diferente: se devoró la mermelada, y dijo, con su modo de expresarse, tan pérfido y vulgar, que estaba “deliciosa”; metió la brea, y dijo que esta también estaría deliciosa, y muerto de la risa pensó que cuando la vieja se levantara y descubriera su artimaña, iba a llorar de la rabia. Y cuando, en efecto, la descubrió, aunque se hizo el que nada sabía, ella le pegó tremendos correazos, y fue él quien lloró.

Una vez se encaramó a un árbol de manzana del granjero Acorn para robar manzanas, y la rama no se quebró, ni se cayó él, ni se quebró el brazo, ni el enorme perro del granjero le destrozó la ropa, ni languideció en su lecho de enfermo durante varias semanas, ni se arrepintió, ni se volvió bueno. Oh, no; robó todas las manzanas que quiso y descendió sano y salvo; se quedó esperando al cachorro, y cuando este lo atacó, le pegó un ladrillazo. Qué raro… nada así acontece en esos libros sentimentales, de lomos jaspeados e ilustraciones de hombres en levitas, sombrero de copa y pantalones muy cortos, y de mujeres con vestidos que tienen la cintura debajo de los brazos y que no se ponen aros en el miriñaque. Nada parecido a lo que sucede en los libros de las clases de religión.

Una vez le robó el cortaplumas al profesor, y temiendo ser descubierto y castigado, se lo metió en la gorra a George Wilson… el pobre hijo de la viuda Wilson, el niño sanote, el niñito bueno del pueblo, el que siempre obedecía a su madre, el que jamás decía una mentira, al que le encantaba estudiar y le fascinaban las clases de religión de los domingos. Y cuando se le cayó la navaja de la gorra, y el pobre George agachó la cabeza y se sonrojó, como sintiéndose culpable, y el maestro ofendido lo acusó del robo, y ya iba a dejar caer la vara de castigo sobre sus hombros temblorosos, no apareció de pronto un juez de paz de peluca blanca, para pasmo de todos, que dijera indignado:

-No castigue usted a este noble muchacho… ¡Aquel es el solapado culpable!: pasaba yo junto a la puerta del colegio en el recreo, y aunque nadie me vio, yo sí fui testigo del robo.

Y, así, a Jim no lo reprendieron, ni el venerable juez les leyó un sermón a los compungidos colegiales, ni se llevó a George de la mano y dijo que tal muchacho merecía un premio, ni le pidió después que se fuera a vivir con él para que le barriera el despacho, le encendiera el fuego, hiciera sus recados, picara leña, estudiara leyes, le ayudara a su esposa con las labores hogareñas, empleara el resto del tiempo jugando, se ganara cuarenta centavos mensuales y fuera feliz. No; en los libros habría sucedido así, pero eso no le pasó a Jim. Ningún entrometido vejete de juez pasó ni armó un lío, de manera que George, el niño modelo, recibió su buena zurra y Jim se regocijó porque, como bien lo saben ustedes, detestaba a los muchachos sanos, y decía que este era un imbécil. Tal era el grosero lenguaje de este muchacho malo y negligente.

Pero lo más extraño que le sucediera jamás a Jim fue que un domingo salió en un bote y no se ahogó; y otra vez, atrapado en una tormenta cuando pescaba, también en domingo, no le cayó un rayo. Vaya, vaya; podría uno ponerse a buscar en todos los libros de moral, desde este momento hasta las próximas Navidades, y jamás hallaría algo así. Oh, no; descubriría que indefectiblemente cuanto muchacho malo sale a pasear en bote un domingo se ahoga: y a cuantos los atrapa una tempestad cuando pescan los domingos infaliblemente les cae un rayo. Los botes que llevan muchachos malos siempre se vuelcan en domingo, y siempre hay tormentas cuando los muchachos malos salen a pescar en sábado. No logro comprender cómo diablos se escapó este Jim. ¿Será que estaba hechizado? Sí… esa debe ser la razón.

La vida de Jim era encantadora, así de sencillo. Nada le hacía daño. Llegó al extremo de darle un taco de tabaco al elefante del zoológico y este no le tumbó la cabeza con la trompa. En la despensa buscó esencia de hierbabuena, y no se equivoco ni se tomó el ácido muriático. Robó el arma de su padre y salió a cazar el sábado, y no se voló tres o cuatro dedos. Se enojó y le pegó un puñetazo a su hermanita en la sien, y ella no quedó enferma, ni sufriendo durante muchos y muy largos días de verano, ni murió con tiernas palabras de perdón en los labios, que redoblaran la angustia del corazón roto del niño. Oh, no; la niña recuperó su salud.

Al cabo del tiempo, Jim escapó y se hizo a la mar, y al volver no se encontró solo y triste en este mundo porque todos sus seres amados reposaran ya en el cementerio, y el hogar de su juventud estuviera en decadencia, cubierto de hiedra y todo destartalado. Oh, no; volvió a casa borracho como una cuba y lo primero que le tocó hacer fue presentarse a la comisaría.

Con el paso del tiempo se hizo mayor y se casó, tuvo una familia numerosa; una noche los mató a todos con un hacha, y se volvió rico a punta de estafas y fraudes. Hoy en día es el canalla más pérfido de su pueblo natal, es universalmente respetado y es miembro del Concejo Municipal. Fácil es ver que en los libros de religión jamás hubo un James malo con tan buena estrella como la de este pecador de Jim con su vida encantadora.

FIN



“The Story of the Bad Little Boy”, 1875



domingo, 18 de dezembro de 2016

"Brasil acima de tudo", assim pensavam grupos da antiga classe dominante brasileira. Grupos conservadores e de direita também eram caracterizados por ardente nacionalismo. Quando isto mudou para os serviçais de interesses estrangeiros ? O antigo projeto da Independência, os valores do nativismo brasileiro, a campanha de nacionalização contra imigrantes estrangeiros inassimiláveis no Brasil, o desprezo contra entreguistas, tudo isto formava parte da mentalidade de uma elite política conservadora e de direita na primeira metade do século XX. O ponto mais obscuro na falta de transparência da farsa a jato é a relação com algumas autoridades estrangeiras dos Estados Unidos. "Para os advogados de Lula, a força-tarefa comete irregularidades ao cooperar com os EUA sem transparência. Ou seja, sem atender aos tratados de cooperação que obrigam o Estado brasileiro, via Ministério da Justiça e Procuradoria Geral da República, a participar das trocas de informações."(JornalGGN). Como as principais empresas brasileiras, a Petrobras, as grandes empreiteiras, as empresas de tecnologia, infraestrutura, as nossas grandes empresas estratégicas foram "criminosamente" atingidas por interesses estrangeiros entreguistas. Tudo isto será revelado quando as informações forem desclassificadas, como a "Brother Sam" já foi... O pai do juiz Moro, futuro professor Dalton Moro, foi fazer uma "visita" aos EUA em 1965, um ano após o golpe no Brasil, no ano da invasão da República Dominicana. "Americano do Norte é tão bonzinho" !

 http://jornalggn.com.br/…/reportagem-confirma-apoio-secreto…
"Não só de pão vive o homem. Eu se tivesse fome e estivesse à míngua na rua não pediria um pão; pediria meio pão e um livro. E daqui eu ataco violentamente aos que somente falam de reivindicações econômicas sem jamais apontar as reivindicações culturais que é o que os povos pedem aos gritos. Bem está que todos os homens comam, porém que todos os homens saibam. Que desfrutem de todos os frutos do espírito humano porque o contrário seria convertê-los em máquinas a serviço do Estado, seria convertê-los em escravos de uma terrível organização social."
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García Lorca

fonte : Elfi Kürten Fenske

Liberdade


Não ficarei tão só no campo da arte,
e, ânimo firme, sobranceiro e forte,
tudo farei por ti para exaltar-te,
serenamente, alheio à própria sorte.
Para que eu possa um dia contemplar-te
dominadora, em férvido transporte,
direi que és bela e pura em toda parte,
por maior risco em que essa audácia importe.
Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma,
que não exista força humana alguma
que esta paixão embriagadora dome.
E que eu por ti, se torturado for,
possa feliz, indiferente à dor,
morrer sorrindo a murmurar teu nome”

(Carlos Marighella)

domingo, 11 de dezembro de 2016

Cuando llegues a amar

Cuando llegues a amar, si no has amado,
sabrás que en este mundo
es el dolor más grande y más profundo
ser a un tiempo feliz y desgraciado.

Corolario: el amor es un abismo
de luz y sombra, poesía y prosa,
y en donde se hace la más cara cosa
que es reír y llorar a un tiempo mismo.

Lo peor, lo más terrible,
es que vivir sin él es imposible.

RUBÉN DARÍO


Biblioteca Digital Ciudad Seva