domingo, 30 de outubro de 2016

O imaginário da globalização


O discurso político aposta na globalização como solução dos problemas crônicos da UE. Mas na opinião pública alemã e nas análises sociológicas, globalização ainda desencadeia visões apocalípticas do futuro.
Manifestantes em Munique, em fevereiro último

Para a maior parte das pessoas do mundo, a globalização não passa de uma miragem, longe de ser realidade: esta é a tese do economista francês Daniel Cohen.

Por um lado, os países ricos se confrontariam com outras sociedades sobretudo através da televisão e de férias exóticas, enquanto os países pobres seriam bombardeados com imagens de uma riqueza de que não dispõem.

Em Mondialisation et ses ennemis (2004), Cohen argumenta que a globalização de hoje, na verdade, é imóvel. Afinal, os imigrantes perfazem atualmente apenas 3% da população mundial, enquanto em 1913 este índice era de 10%.

O mal necessário

Mesmo assim, a imagem da globalização que se cristaliza na opinião pública alemã é fortemente vinculada ao temor de deslocamentos drásticos e da ameaça de uma mobilidade descontrolada.
Protesto de agricultores alemães e franceses contra a redução da taxação alfandegária de produtos agrícolas, dezembro de 2005

O discurso político europeu tenta propagar que a única saída para problemas econômicos crônicos da União Européia seria se adaptar com maior flexibilidade aos desafios da globalização. Mesmo assim, os países-membros tendem nitidamente para o nacionalismo econômico, bloqueando estratégias de liberalização até dentro da comunidade.

Em um recente simpósio sobre empresa, Estado e globalização, realizado em Berlim, o historiador Gerald Feldman defendeu a elaboração de um cronograma europeu para a solução de problemas como desemprego e imigração. A abordagem da imigração como um problema marca um debate público que voltou a se inflamar há alguns meses com o temor de um "choque de civilizações" entre Ocidente e o mundo islâmico.

Alemães-alemães em extinção

Na Alemanha, esta discussão culminou em visões apocalípticas sobre o futuro da sociedade, teoricamente ameaçada pela baixa taxa de natalidade da população puramente alemã e o crescimento das famílias imigradas.

Em 'Complô de Matusalém', livro de 2004, Schirrmacher tratava do envelhecimento da população
No livro recém-publicado Minimum – Vom Vergehen und Neuentstehen unserer Gemeinschaft (Minimum – Do Desaparecimento e Ressurgimento da nossa Comunidade), o jornalista e editor-chefe do Frankfurter Allgemeine Zeitung, Frank Schirrmacher, esboçou o futuro de uma sociedade em as pessoas terão poucos ou nenhum parente de sangue, em decorrência do envelhecimento demográfico e dos múltiplos efeitos da globalização.
A tese do jornalista recebeu críticas por promover visões sensacionalistas hostis a uma sociedade multicultural, mas veio a calhar para a política restritiva de imigração e o programa coercivo de integração do governo democrata-cristão e social-democrata em Berlim.

"Em 2010 haverá tantos estrangeiros quanto jovens alemães": este o título de uma entrevista da subsecretária de Estado Maria Böhmer, encarregada do governo federal para assuntos de integração, ao jornal popular Bild.

A democrata-cristã prevê que, daqui a quatro anos, o índice de pessoas com menos de 40 anos provindas "de um contexto de migração", em grande parte sem qualificação profissional, chegará a 50% nas cidades grandes. A projeção deste cenário como fracasso da sociedade multicultural desencadeou inúmeras críticas na imprensa alemã.

Estado nacional, não social

O temor de que as identidades locais se dissolvam em decorrência da globalização levou a uma nova defesa e legitimação do Estado nacional. Para o sociólogo Ralf Dahrendorf, defensor do liberalismo político, a atual "moda" de minimizar a importância do Estado nacional diante da formação de blocos econômicos regionais e de instituições globais é errônea e até perigosa.

"Apesar da contínua busca de novas identidades – européias, latino-americanas e outras – e apesar das várias referências a uma nova cidadania mundial ou até uma 'sociedade global de cidadãos', a maioria das pessoas se sente em casa em seu país, num Estado nacional a que eles pertencem como cidadãos", afirmou o sociólogo em artigo publicado no diário conservador Die Welt.

Tradições políticas extra-nacionais, como o Estado social europeu, estão sendo questionadas como construção. Num recente simpósio sobre globalização e cultura social, o teórico de cultura econômica Joachim Zweynert argumentou que uma cultura social comum da Europa seria apenas uma reação à crise em que se encontra o continente: "Toda discussão sobre um modelo social europeu é uma mera tentativa das elites de encontrar sustentação diante dos desafios da globalização".

O 3º Mundo não é longe daqui?

O temor da dissociação das fronteiras nacionais, culturais e étnicas vem acompanhado da apreensão por uma possível globalização do terceiro-mundismo. Para o sociólogo e historiador Reinhart Koessler, o subdesenvolvimento já perdeu o vínculo territorial e deixou de ser privilégio do Terceiro Mundo.

Sem-teto na Alemanha

"Os excluídos, discriminados e abandonados das inner cities da América do Norte e dos banlieues de Paris – assim como aqueles que vivem nas amplas regiões da África, América Latina e Sudeste Asiático desvinculadas do mercado mundial – são confrontados com uma realidade impiedosa semelhante: quem depende – para sua sobrevivência – de ser inserido no contexto de aproveitamento capitalista está em desvantagem se não conseguir realizar a exploração de sua própria mão de obra", afirmou o sociólogo em artigo publicado no diário berlinense taz.

Comparações do gênero dão a pensar por sua falta de parâmetros reais. E talvez corroborem a opinião de Daniel Cohen de que, nos países ricos, a globalização é – de fato – sobretudo imaginária.

Sensibilidade islâmica e massas movidas a mídia

Intelectuais atuantes na Alemanha comentam a onda de violência desencadeada pelas polêmicas charges de Maomé. A dinâmica da mídia é tão poderosa no contágio das massas, que nem importa mais qual tenha sido o motivo do conflito. 



Autoria Simone de Mello

Assuntos relacionados Lago de Constança, Mercedes-Benz, Baden-Württemberg, Camarote.21, Cerveja, Alemanha
Palavras-chave globalização, alemanha, opinião, pública, sociologia, subdesenvolvimento, terceiro mundo

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Emigrante che vieni Emigrante che vai (Canti popolari)

Diversidade cultural nas escolas é relevante para as aulas de História


A percentagem de filhos de imigrantes nas escolas alemãs é cada vez maior. Especialistas avaliam o quanto essa diversidade cultural e religiosa influencia as aulas de história.

Alunos de diferentes origens dão contribuições distintas nas aulas de História

A partir dos anos 1950, a Alemanha recebeu, durante várias décadas, o que se convencionou chamar de "trabalhadores convidados" (Gastarbeiter). Muitos deles acabaram ficando no país. Hoje, nas grandes cidades alemãs, é comum encontrar salas de aula com grande número de descendentes de imigrantes.
Num estudo realizado com recursos da Fundação Körber, de Hamburgo, especialistas avaliaram quais são as influências das diversas tradições culturais e religiosas para as aulas de história na Alemanha.

"Saltamos da Revolução Francesa para o período nazista, quer dizer, antes passamos rapidamente pela República de Weimar, mas ficou faltando tudo o que aconteceu entre uma coisa e outra. Não sei como a Europa se desenvolveu nessa época. O mesmo acontece com a minha própria história. Sou de origem turca, mas não estudei a história do Império Otomano", conta Hakan, estudante do Instituto Asiático-Africano da Universidade de Hamburgo.

Distância da realidade

Prisioneiros a caminho do campo de extermínio de Treblinka: perseguição aos judeus é tema recorrente nas aulas de História

A mesma crítica é feita por outro estudante, Bilal, filho de libaneses. Segundo ele, Hitler e a história do nazismo foram tratados nas aulas de História durante muitos anos, fazendo com que a abordagem do tema se tornasse cada vez mais distante da realidade.

"As aulas foram ficando cada vez mais objetivas, mais frias. Foi se perdendo a relação humana com o assunto, porque se repetia demais cada detalhe. Chega um ponto em que a história do nazismo se torna simplesmente um tema a ser obrigatoriamente tratado, mas as tragédias que se escondem por trás não são mais mencionadas, de tanto que o assunto é mastigado. É como quando você vê um filme muitas vezes e perde a relação com ele. Aí você não quer mais ver o filme pela vigésima vez", comenta o estudante.

Abordagem contemporânea

O período nazista e o extermínio de seis milhões de judeus é um dos temas centrais das aulas de História na Alemanha. O extremismo político e o antissemitismo entre jovens muçulmanos no país fazem com que o assunto, hoje, receba um destaque ainda maior.

Sebastian Marcks, professor de História na escola Johannes Brahms, no norte do estado de Schleswig-Holstein, não acredita que os temas tratados nas aulas de História deveriam ser outros; a forma de abordá-los, sim, é que deveria mudar. Filmes, jogos ou romances históricos poderiam, segundo ele, servir de base para uma aula de História mais moderna. Neste sentido, é preciso prestar atenção somente na veracidade dos fatos. E corrigir as abordagens errôneas durante as aulas.

Histórias pessoais

Em suas aulas sobre o nazismo, Marcks não faz seus alunos seguirem à risca os livros de história. No centro de seu curso estão, muito mais, as lembranças pessoais, ou seja, "histórias contadas".

Quando o assunto na sala eram os testemunhos da Segunda Guerra e dos anos do pós-guerra, "os alunos se mantiveram muito retraídos, até superarem um bloqueio inicial. Alguns tinham um parente, às vezes um avô, a quem podiam fazer perguntas. Mas outros não tinham. Foi quando os aconselhei a ir até um asilo de idosos ou dar uma olhada na vizinhança. Mesmo sem muito entusiasmo no começo, eles acabaram indo e os resultados foram ótimos. Eles gravaram entrevistas e nós produzimos um programa de rádio com esse material. Ou seja, esse é um tipo de aula voltada para a realização de um produto", explica o professor.

Diversidade de informação

Escola com alunos de várias origens: histórias também diversas

O historiador Rainer Ohliger escreveu, junto com Viola Georgi, professora de Educação Intercultural da Universidade Livre de Berlim, o livro Crossover Geschichte (História crossover).

Neste, os autores apontam as falhas de dar aulas de História hoje, como se fosse 50 ou 60 anos atrás. Naquele tempo, a maioria dos estudantes estava, há várias gerações, enraizada na Alemanha. Numa sala de aula hoje estão sentados, muitas vezes, escolares com pais vindos de 20 nações diferentes ou mais.

Histórias sobrepostas

"Isso implica uma maior diversidade nas aulas de História", analisa Ohliger. "Os alunos trazem mais histórias, as informações não são mais uniformes como eram há 30, 40 ou 100 anos, quando as histórias iam sendo passadas de pai para filho, sem que mudasse muita coisa. E eram histórias sempre parecidas com as dos outros colegas também. Hoje, as histórias das famílias são diferentes; a forma de contá-las e os contextos nos países de origem dos pais desses alunos também são distintos. E ainda há a história da própria migração, que desempenha um papel importante. Daí surge um mosaico no qual se sobrepõem muitas histórias, interpretações e formas de narrar, o que acaba gerando algo novo", completa o especialista.

Não seria o caso, todavia, de jogar o livro de história do avô no lixo. A Segunda Guerra e o período nazista são um capítulo da história alemã que não se apagou automaticamente nem para sempre depois de 1945. Estudantes, professores e pesquisadores precisam, contudo, atualizar a forma de tratar do assunto. Só assim os jovens – sejam eles descendentes de migrantes ou não – poderão reconhecer como as lições do passado são importantes para o presente e para o futuro.

Autora: Ute Hempelmann

Revisão: Simone Lopes

Acordo para levar mão de obra turca à Alemanha completa 55 anos

Grupo de 55 trabalhadores turcos chega à Alemanha em novembro de 1961
Deutschland türkische Gastarbeiter 1961 (picture-alliance/dpa/W. Hub)

Após a Segunda Guerra, a produção na Alemanha Ocidental cresceu tanto que havia mais trabalho do que mão de obra. Em 30 de outubro de 1961, um acordo com a Turquia buscou resolver o problema.


Há 55 anos, em 30 de outubro de 1961, era assinado na então capital Bonn o chamado "Acordo de recrutamento" entre a Alemanha e a Turquia. Seu objetivo era trazer turcos saudáveis e solteiros para trabalhar na Alemanha, num tratado bilateral que, nas décadas seguintes, iria mexer profundamente na demografia alemã.

Os termos incluíam o pagamento da passagem e despesas de viagem até a Alemanha. O bilhete de volta para a terra natal, por outro lado, caberia ao empregador alemão – porém não em todos os casos. Assim rezava o "Regulamento da contratação de empregados turcos para a República Federal da Alemanha".

Dupla vantagem

Antes, a Alemanha já havia firmado acordos de recrutamento de mão de obra com a Itália (1955) e a Espanha (1960). Depois da Turquia, e até 1968, vieram Marrocos, Portugal, Tunísia e a então Iugoslávia.
 Deutschland türkische Gastarbeiter 1960/70 (picture-alliance/CPA Media Co. Ltd)
Ministro turco do Trabalho, Ali Naili Erdem (esq.), visita a Ford na Alemanha, 1964
Durante o assim chamado "milagre econômico", o país precisava de reforço operário. Em seguida à Segunda Guerra Mundial, a produção na Alemanha Ocidental crescera tanto que havia mais trabalho do que mão de obra nas fábricas e minas.

O acordo de 1961 permitiu à Alemanha Ocidental abrir uma sucursal da agência alemã de trabalho em Istambul. Os empregadores alemães podiam comunicar a essa central suas necessidades concretas de trabalhadores. A agência, por sua vez,  recebia as candidaturas, fazia uma seleção preliminar e organizava a apresentação dos trabalhadores.

O grande afluxo de interessados em trabalhar na Alemanha tinha duas vantagens para a Turquia: eles eram bem pagos, e geralmente enviavam dinheiro para suas famílias no país natal. Além disso, através da nova atividade, os operários se qualificavam profissionalmente, podendo mais tarde levar esses conhecimentos de volta para a Turquia.

Hóspedes por tempo limitado

A atuação dos contratados turcos deveria ser por prazo limitado. Assim, da mesma forma que seus colegas italianos, gregos ou espanhóis, eles eram chamados de gastarbeiter (trabalhadores convidados). Após dois anos, deveriam voltar para o país de origem, sendo substituídos por novos candidatos, uma medida que visava evitar a imigração. De início, a vinda da família também era proibida.


Por desejo dos empregadores, a nova versão do acordo com a Turquia, de 1964, suspendeu a restrição de dois anos de permanência. Era demasiado caro e trabalhoso repetidamente trazer e treinar novos operários. Mais tarde, passou-se a também permitir que trouxessem suas famílias para a Alemanha.

Porém o milagre econômico alemão foi cortado pela crise econômica no início da década de 1970, desencadeada pela crise mundial do petróleo. Em 1973,suspendeu-se o recrutamento de trabalhadores convidados: neste meio tempo, 2,7 milhões de turcos haviam se candidatado ao trabalho na Alemanha Ocidental. Contudo, apenas cerca de 750 mil vieram de fato e, segundo estimativas, a metade deles permaneceu no país.

Opções forçadas

Hoje, os turcos constituem o maior grupo de imigrantes da Alemanha: aqui vivem pelo menos 3 milhões de pessoas nascidas na Turquia ou de ascendência turca. Destas, 800 mil possuem nacionalidade alemã.
Mas os turcos não podem manter dupla cidadania, por isso, os que nasceram na Alemanha e possuem ambas as nacionalidades têm que optar por um dos dois passaporte até os 23 anos de idade.
Apesar do grande número de operários recrutados que optaram por viver aqui, a Alemanha só foi declarada país de imigração de fato através das leis de cidadania do ano 2000 e da lei de imigração de 2005.
Relíquias da Guerra Fria


Data 30.10.2016
Autoria Klaudia Prevezanos (ms)


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Em Juiz de Fora, muita gente manipulada pela mídia reelegeu o candidato do PMDB, não porque suas propostas fossem melhores ou seu mandato seja eficiente, mas por um tal de ódio ao PT. O que mais se lia nas redes sociais era sobre esse ódio. Então o ódio não deixou que a candidata do PT vencesse, não foi o programa dela, foi o ódio, o ódio burro, o ódio da ignorância. Mesmo com projetos para a saúde e educação muito superiores ao quem vem sendo feito (aliás, não feito) na cidade, o ódio venceu. Não se votou pensando naqueles que precisam das unidades de saúde do município, das creches ou das escolas. Penso que ser limitado é isso, é não conseguir ir além de si mesmo, é não saber pensar socialmente na hora de um voto, é não saber cidadania ,é ser levado pelo ódio da ignorância.

Lázara Papandrea

O NOVO DE NOVO !!!!!!

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E não é que os ventos renovadores da política nacional parece que vieram para ficar de vez ? O novo, a renovação tão reclamada pelo povo vestido de palhaç.....quero dizer de patriota verde e amarelo que invadiu as ruas , praças e avenidas chegou e chegou com força total.
Porto Alegre na vanguarda do atraso elege Nelson Marchezan Jr, um neófito na política, novinho e que nem sabia o que era isso até o outro dia. prova é que seu pai foi deputado da ARENA partido da sustentação do golpe de 64 e foi líder do governo ultimo governo golpista daquele período , o do General Figueiredo.
Portanto as credenciais do indigitado falam por si, nem precisa escrever mais nada e só nos resta parabenizar esse povo maravilhoso da capital gaúcha pela sua excelente e renovadora escolha pois nada faz mais sentido do que eleger um filho golpista de um pai golpista.
Mais uma vez parabéns povo gaúcho, parabéns povo brasileiro que mais uma vez deu provas ao criador que foi uma excelente escolha dele em não colocar vulcões, terremotos, maremotos e tsunamis por aqui, com esse povo somos um país totalmente auto suficiente em catástrofes .

Amém !!!!!

Rubem Gonzalez

REFLEXÃO, A QUENTE, DE UM MILITANTE DE ESQUERDA INDIGNADO

Milton Temer

REFLEXÃO, A QUENTE, DE UM MILITANTE DE ESQUERDA INDIGNADO - Tristes tempos. Terminado o segundo turno, que ninguém me venha mais com a vitória do “ninguém”. Voto nulo e voto branco, queiramos ou não, só garantem a vitória de quem ganhou.
E quem ganhou foi a direita.
O retrocesso e até o obscurantismo se instalam pelo voto popular. Os golpistas festejam, e já estão aí as manchetes dizendo que o governo golpista saiu das urnas referendado.
Como explicar isso depois de 14 anos da eleição de líder sindical, e de seu partido definido como classista, dos trabalhadores, socialista?
Ouso dizer, e que ninguém me venha de borzeguins ao leito achando que não é hora de comentar, que mergulhamos nesse cenário trágico exatamente por conta deste combinado Presidente eleito/cúpula do neoPT não ter tido a coragem política de por em prática nada daquilo que justificou sua esperançosa chegada ao Planalto.
Pelo contrário.
Traiu o que marcava sua caminhada quase heroica de duas décadas na oposição aos governos neoliberais e se instalou, não para desconstruir, mas, sim, par dar continuidade ao que antes condenava.
Neste último período, então, chegamos ao alambrado da vilania, quando não da traição vil, pela vilania do estelionato eleitoral de Dilma Roussef.
Estelionato, ademais, que terminou por concorrer de forma intensa com a audácia de uma direita absolutamente bandalha - porque muito mais corrupta, oportunista e desqualificada, do que propriamente ideológica.
Veto à Auditoria da Divida que o PSOL conseguiu fazer aprovar no Congresso; sanção da Lei Antiterror, hoje principal instrumento de repressão do clone pindorama de Mussolini; acordo para o primeiro passo do projeto criminoso de entrega do Pré-Sal, proposto por José Serra; para além das tentativas de “ajuste”, via Levy e Nelson Barbosa, na linha do que o economista referencial de Lula, o banqueiro tucano Henrique Meirelles, ora implementa ritmo acelerado.
Está aí uma penca de rendições humilhantes que não impediram que a direita mais reacionária rompesse o Pacto Conservador de Alta Intensidade que mantinha com o lulopragmatismo.
O resultado não poderia ser outro, senão a tragédia concretizada nessa ascensão brutal do retrocesso político e social .
Uma tragédia que lamentavelmente não se restringiu aos responsáveis pela desmoralização de suas bandeiras.
Frustrou também os esforços do PSOL, no Rio, em Belém e em Sorocaba.
Que essa cúpula petista seja rapidamente varrida, para que a esquerda possa reiniciar sua afirmaçãoo de valores reformistas e revolucionários.
PS - Não culpo eleitores que optaram pelo obscurantismo no Rio. Que ele realize, na própria vida, a responsabilidade pela eleição de um perigoso reacionário, apóstolo do mais abjeto obscurantismo. E daí tire as consequências. Deposito minhas esperanças na lucidez, na coragem e na combatividade dos que sufragaram Marcelo Freixo

Luta que Segue!! Pois Moer no Áspero é nossa sina

Eleições municipais


Quem perdeu?
São todos presos, todos pretos, todas mulheres, são todos pobres, todo poetas todos loucos e miseráveis.

Vida que segue.

Jose Carlos Sucupira

A direita passou o rodo nas eleições municipais. Será que deveriam mesmo comemorar?
Agora vão ter que governar sem grana para cumprir as muitas promessas e provar que são a solução.
Vão ter que fazer a mágica de defender estado mínimo e ao mesmo tempo garantir a melhoria dos serviços públicos.
E a gente só de boa, trabalhando a base, tomando as ruas e construindo o momento do retorno; dessa vez pra ficar.

2018 promete!

Fernando Lopez
No Rio de Janeiro, somando os ausentes com os votos nulos e brancos, quase 40% dos eleitores abriram caminho para a vitória de Crivella. Sem mencionar o perfil assustador da Câmara de Vereadores. O Rio de Janeiro é uma distopia em movimento. 2016 tem sido um ano dos mais sombrios de que tenho memória. E olha que nasci no primeiro ano da ditadura. Em 1965. Familiares e pessoas muito próximas foram exiladas. Torturadas. Assassinadas. A homofobia levou meu talentoso tio-irmão. Mas hoje sinto o peso da volta de algo que já imaginava pertencer ao passado longínquo. Doce inocência. Quanta ingenuidade. Fascistas proliferam por todos os lados. Os que lutam por um mundo melhor são acusados de arrogantes, até pelos seus pares. Mundo estranho. A intolerância reina soberana. Hoje a democracia e o Estado de direito não passam de formalismo retórico. Mas estamos todos imobilizados discutindo filigranas ideológicas enquanto o Brasil é tomado de assalto pelas elites de ocasião. Com nossa falta de reação, deixamos que se destruísse rapidamente um país. Todas as redes de proteção social estão sendo desmanteladas. Princípios mínimos de dignidade e cidadania já não fazem mais parte do nosso cotidiano. Capitulamos. E nos tornamos meros destroços humanos. Despojos descartáveis para o banquete voraz dos devoradores da vez: Temers, Dórias, Grecas, Marchezans, Moros, Moraes, Serras, Aécios e Crivellas. Até Donald Trump nos assombra. A lista é sem fim. A dor é imensa. Faço uma pausa. O amanhã escurece. A tarde se esquece. A noite é tão longe. Outro mês se aproxima. Não me lembro dos últimos novembros. Quantos sóis delicados, céus azulados? Quantas nuvens aflitas, chuvas amargas? Sinto falta de novos setembros... Ah, se eu pudesse apagar todos os dezembros! Por hora, meus inimigos venceram. Os restos de mim pedem descanso.


Ulysses ferraz
" Я, как стакан,хрупок и тонкостенен. Я многогранен, как
стакан".

(Венедикт Ерофеев)

При всей эксцентричности и как будто крайней субъекти-
вности, его потусторонняя точка зрения близка к тому, что
называют "голосом совести". Не знаю, какие у него были
отношения с самим собой, то есть ставил ли он себя перед
тем судом,какому подвергал происходящее. Но его
обыкновенно безапелляционные суждения почему-то прини-
мались без сопротивления. Почему-то мы признавали за ним
власть судить так решительно. Чем-то это было оплачено.

(Ольга Седакова.Из воспоминаний)

Признанный гений творческой свободы- Венедикт Ерофеев
родился 24 октября 1938 года







sábado, 29 de outubro de 2016

PAUTA PARA QUEM GOSTA DE COMBATER A CORRUPÇÃO


A primeira medida que deve ser tomada por um governo popular, sério e comprometido efetivamente com os desmandos, a corrupção e a impunidade é a reabertura do caso "Banestado" aonde o país foi lesado em centenas de BILHÕES de reais ou dólares , tanto faz.
Esse caso ficou a cargo de apenas um juiz de primeira instância - advinha o nome dele - e graças a uma derrapada fenomenal do Planalto e a conivência criminosa de setores do judiciário e do legislativo ficou no zero a zero, inclusive o "cumpadi" Youssef ficou na boa como sempre, afinal quem tem padrinho não morre pagão.
O caso Banestado é crime de estado, é crime de lesa-pátria e deve ser apurado profundamente por uma comissão multidisciplinar que devem constar desde auditores independentes, banco central, judiciário e justiça militar pois o caso extrapola os danos de ordem civil e pecuniária e se coadunam com a segurança do estado.
Um ervanário que representa mais que o PIB de muitos países de primeiro mundo ou o PIB de dezenas de anos de países mais pobres não pode ser tratado cartesiana e burocraticamente por um juizinho de primeira instância como se tratasse de uma pirâmide fantasiada de MMN da TelexFree ou Hinode.
O tratamento deve ser de forma de quebra de segurança de estado, é grana suficiente para transformar por exemplo o Brasil na quarta potência militar do planeta ou garantir a universidade pública e gratuita para cada jovem brasileiro da próxima geração e ainda sobrar troco para a merenda.
Portanto urge que esse processo seja reaberto o quanto antes, que seja prioridade do primeiro governo popular que assumir o país, até porque esse que aí está é composto por quadrilheiros réus desse processo e são salvaguardados por um judiciário que levou a sua parte num passado recente para que a punição tenha sido exemplar.

No caso uma punição que foi um exemplo de impunidade, sem vergonhice, acobertamento de crimes diversos e que enche de vergonha qualquer brasileiro que possua mais de dois neurônios e antes de tudo dignidade e vergonha na cara. 

Por Rubem Gonzalez
Marcelo Varnoux Garay
cientista político

Si eventualmente los resultados del Sí y el No a la reforma parcial de la CPE son ajustados, la distorsión del padrón electoral podría inclinar la balanza en favor, por supuesto, del oficialismo.

No cabe duda que los vocales del anterior Tribunal Supremo Electoral  protagonizaron un papel de fundamental importancia para los objetivos políticos del oficialismo. La circular 071 de diciembre de 2014, la suspensión de la candidatura de UD en el Beni y la grosera violación del principio de preclusión en Chuquisaca devaluaron derechos civiles y políticos fundamentales, pero consiguieron "fraguar” resultados favorables a varios candidatos del MAS.

El daño propiciado por los exvocales a la democracia boliviana es extenso y profundo, por lo que en algún momento tendrán que rendir cuentas de sus actos ante la justicia.
Sobre los actuales vocales del TSE todavía se ciernen más dudas que certezas. La sombra de una dependencia política respecto del oficialismo no ha conseguido disiparse y la ciudadanía desconfía de su transparencia. Hasta el momento sus actuaciones no se han orientado, precisamente, a iniciar el proceso de reparación de los daños provocados por sus antecesores, más al contrario, se presentan ambiguas e incluso contradictorias.
Algunos ejemplos de lo afirmado: su presidenta defendió el principio de preclusión por el cual los vocales departamentales de Chuquisaca anularon más de 9.000 votos del FRI, lo que permitió la victoria del candidato del MAS a la Gobernación en primera vuelta. Sin embargo, el proceso que ha instaurado el TSE contra estas personas no aborda el problema de fondo (elección irregular del gobernador masista) y las sanciones impuestas son, prácticamente, un saludo a la bandera, ya que dejan en la impunidad la comisión de un delito electoral según la norma.
En octubre de este año el TSE no permitió que Página Siete publicara una encuesta que indaga el porcentaje de personas a favor de la re-reelección de Evo Morales, aduciendo que esto implicaría una especie de "inducción del voto”. Sin embargo, pocos días después, no se pronunció sobre una encuesta, sobre el mismo tema, que publicó IPSOS en varios medios de comunicación. Y así…
Al parecer, en el interior del grupo de vocales existen tensiones y criterios contrapuestos que pueden colocar en riesgo el desempeño del Órgano Electoral y afectar, por ejemplo, el proceso del referendo convocado para febrero de 2016, en el que se consultará a la ciudadanía si está o no de acuerdo con la reforma parcial de la CPE para viabilizar la re-reelección de Morales y García Linera.
En medio de estas dudas aparecen las grandes tareas que el TSE debe realizar para intentar recuperar la credibilidad ciudadana. La más importante, por supuesto, es la auditoría y/o debida depuración del padrón electoral. Sobre el particular, es preciso recordar que en 2009, cuando Antonio Costas presidía la extinta Corte Nacional Electoral, se constituyó el padrón biométrico con el fin de resolver un tema pendiente por años: la inflación del padrón electoral. En ese momento, Costas indicó que la tarea estaría respaldada por una impresionante plataforma tecnológica que podría realizar algunas de las siguientes tareas: si usted se cambió de domicilio entre dos eventos electorales, el sistema podría detectar esto y habilitar su nueva dirección eliminando la antigua de forma automática. De igual forma, las personas que fallecieran deberían ser automáticamente depuradas del padrón. En fin, el sistema parecía destinado a resolver un problema complejo.
Pero resulta que el padrón biométrico, según expertos de la OEA, es vulnerable a manipulaciones informáticas (hackeo) y al parecer es una lista de nombres, fotos y huellas que no están vinculadas con los datos del Sereci. Y es que desde 2009 nadie ha realizado una auditoría completa del mismo, agravando el problema de la ya referida inflación del padrón electoral. Cuando fue director del SEGIP, Antonio Costas denunció la existencia de más de 600 mil cédulas de identidad duplicadas que constituyen un verdadero riesgo en cualquier evento electoral, ya que fácilmente pueden distorsionar el resultado de la voluntad del pueblo (con un margen de entre 8 y 10%). ¿Qué ha hecho Costas desde el TSE para resolver este problema?
Si eventualmente los resultados del Sí y el No a la reforma parcial de la CPE son ajustados, la distorsión del padrón electoral podría inclinar la balanza en favor, por supuesto, del oficialismo, ya que seguramente habrán personas que voten dos y hasta tres veces; posiblemente también lo hagan un número indeterminado de fallecidos. Entonces, ¿hasta dónde es cierta la voluntad de los actuales vocales del TSE de rescatar a la institución del hoyo en el que la han dejado los anteriores titulares?
Nos encaminamos hacia un referendo en el que el oficialismo ha declarado que se "juega la vida”, y habrá que añadir también que los bolivianos nos jugamos la viabilidad de nuestra "democracia”. ¿Qué garantías ofrecen los actuales vocales del TSE para que la voluntad del pueblo se exprese fidedignamente, sin distorsiones y/o sospechas de fraude? En términos sencillos, los Costas, los Exenis y el resto deben demostrar al país que no son simplemente los "mandaderos” del MAS, como fue el caso de Ovando y compañía. Deben convencernos de que ya no juegan un rol político en la validación y/o distorsión de la voluntad popular expresada en las urnas.

www.paginasiete.bo

13 teses sobre a direita golpista "envergonhada" no Brasil:

Ricardo Costa de Oliveira

- Não existe direita e esquerda - É de direita.
- Fala da educação, saúde e não apoia movimentos e greves dessas áreas - É de direita.
- Diz defender a educação e nunca critica os desastres na educação de Temer e Beto Richa - É de direita.
- Não existem classes sociais e nem lutas de classe -- É de direita.
- Quase só critica o PT e pouco se lembra do Temer, PSDB - É de direita.
- PT hater - É de direita.
- Diz ser apartidário, apolítico e só critica preferencialmente a esquerda - É de direita.
- Vive pregando o impossível e vota nulo quando existem alternativas de esquerda - É de direita.
- Finge ou parece ser de ultra-esquerda e só prega confusão e desmobilização na ferradura junto com a ultra-direita - É de direita.
- Diz que o seu partido é o Brasil integral, não reconhece o fracasso do golpe de 64 e é do tipo colonizado e entreguista - É de direita.
- Jornalista ou magistrado associado, puxa-saco e defensor dos donos do poder - É de direita.
- Não quer definir o golpe como golpe - É de direita.
- Quer vender serviços para golpistas - É de direita.

A direita golpista contra a democracia é a desigualdade social necessária, "natural" do mercado e mantida pelo Estado com suas (in)justiças e mídias seletivas. Para a direita o Estado serve para ser privatizado, para proteger com uso de violências os interesses dos mais ricos, para garantir a imensa acumulação de riquezas e poderes para esta minoria empresarial e política.
O jornalista Luís Nassif afirmou nesta sexta-feira, 28, que o avanço das investigações da operação Lava Jato esbarraram no "poder real" da elite brasileira.
"Daqui para frente irão se confrontar com as verdadeiras estruturas de poder, o pacto tácito entre mídia, lideranças tucanas, a PGR e os Ministros mais combativos do STF. E perceberão a diferença entre bater em um governo inerte e investir contra o poder real. Será um embate curioso", afirma.
Segundo Nassif, embora haja uma clara tomada de posição de toda a Lava Jato contra Lula/PT e a favor do PSDB, a mina Lula está prestes a se esgotar. Para sobreviver, a Lava Jato terá que virar o disco. E virar o disco significará romper com o pacto de impunidade do PSDB.
"Não é por outro motivo que Gilmar Mendes e seus blogueiros começaram a bater forte na operação e em Sérgio Moro", afirma. "Procuradores e delegados têm o poder de controlar os fluxos seguintes de vazamentos, para uma mídia pouco propensa a dar espaço contra os seus. Depois, no âmbito do STF – para onde irão os acusados com foro privilegiado – a PGR poderá se valer do fator tempo de acordo com seus critérios. Bastará colocar mais gás em alguns processos que nos outros, para controlar os efeitos políticos", argumenta Nassif.
"Mesmo assim, a mega-delação da Odebrecht significa artilharia pesada contra todos os frequentadores do saloon, em um momento em que a blindagem do PSDB passou a incomodar até a opinião a pública não alinhada e se tornar motivo de chacota nacional."
(via 247)

Carlos Ruggi
Na década de 1990, as greves foram duramente reprimidas para arrochar os trabalhadores e arrancar direitos.
No BB, por exemplo, o movimento foi enfraquecido de tal forma, com demissões e assédio aos grevistas, que o governo FHC conseguiu impor o silêncio, uma perda salarial de pouco mais de 50%, o fim da licença prêmio e a retirada de uma série de outros direitos.
Nos anos dos governos Lula e Dilma, a categoria voltou a fazer greve e, mesmo com toda dificuldade da disputa entre patrões e empregados, não houve demissões ou descontos salariais de grevistas. A luta dos trabalhadores garantiu uma recuperação de cerca de 30% (além da inflação) das perdas do governo tucano e a conquista de muitos outros direitos.
Com o golpe, tudo isso está escapando pelos dedos. O Ministro Gilmar Mendes concedeu uma liminar para aniquilar nossos direitos assegurados na Convenção e Acordo Coletivos; o STF decidiu que os trabalhadores podem ter seus salários suspensos e descontados com a greve; o governo prepara uma contra reforma trabalhista e previdenciária duríssima.
O golpe foi contra você.

ACBM

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Eu entendo que não entende o afastamento da Dilma como um golpe, e são várias as facetas desse golpe: é um golpe judiciário, parlamentar, midiático, econômico. Eu entendo o seu pensamento que o liberalismo, o Estado mínimo e a redução ou até o fim dos gastos públicos beneficiariam o Brasil,mesmo sendo você um usuário do SUS e do Ensino Público. Eu entendo sua aversão pela bandeira do PT e de toda a esquerda, mesmo sendo ela que defende na Câmara e nas ruas os seus direitos. Eu entendo que vota em partidos da direita com medo de que a esquerda seja comunista, mesmo que não exista regime comunista e, na forma como pensou Marx, nunca tenha existido. Eu entendo que pensa com a cabeça dos editoriais das grandes mídias, entendo o seu senso comum, a sua falta de senso crítico. Mas o que eu não entendo, apesar de tudo isso, é o seu ódio, a sua ira pelas pessoas pobres, sendo você igualmente pobre. Nesse caso, você não é tão somente pobre, mas um miserável pela própria falta de percepção. JD


(...) "A primeira coisa que a maioria das pessoas assiste toda manhã é o noticiário local, depois o noticiário nacional. A partir desses, é possível inferir que não há nada mais importante na vida do que o clima e o trânsito. O fato de nossa presidente, Dilma Rousseff, enfrentar um sério risco de impeachment e que seu principal oponente político, Eduardo Cunha, o presidente da Câmara, está sendo investigado por receber propina, recebe menos tempo no ar do que os detalhes dos congestionamentos. Esses boletins são atualizados pelo menos seis vezes por dia, com os âncoras conversando amigavelmente, como tias velhas na hora do chá, sobre o calor ou a chuva." (17/NOV/2015)

O Texto é da jornalista Vanessa Barbara 

UMA VOZ


Recorda aquela ilha onde se erige o fogo
Dos vivos olivais no flanco das cimeiras,
E é para que mais alta a noite seja e à aurora
Não haja vento mais que de esterilidade.
Tanto caminho negro há de fazer um reino
Onde recuperar o orgulho que já fomos,
Pois nada há de aumentar mais uma força eterna
Do que uma chama eterna e tudo se desfaça.
Por mim, irei buscar essa terra de cinzas,
Meu coração irei deitar sobre teu corpo.
Arrasado. Não sou tua vida em fundas ânsias,
Cujo só monumento é Fénix na fogueira?
.
UNE VOIX
Souviens-toi de cette île où l'on bâtit le feu
De tout olivier vif au flanc des crêtes,
Et c'est pour que la nuit soit plus haute et qu"à l'aube
Il n"y ait plus de vent que de stérilité.
Tant de chemins noircis feront bien un royaume
Où rétablir l'orgueil que nous avons été,
Car rien ne peut grandir une éternelle force
Q'une éternelle flamme et que tout soit défait.
Pour moi je rejoindrai cette terre cendreuse,
Je coucherai mon coeur sur son corps dévasté.
Ne suis-je pas ta vie aux profondes alarmes,
Qui n'a de monument que Phénix au bûcher?

- Yves Bonnefoy. Obra Poética. [tradução e organização de Mário Laranjeira]. São Paulo: Editora Iluminuras, 1998.
 "Foi da Ana Júlia a melhor e mais verdadeira manifestação pública capaz, efetivamente, de expressar os sentidos reais das ocupações. É válido e respeitável o entendimento que as ocupações - uma atitude radical ante um dilema igualmente radical - não seja a melhor forma de luta. É compreensível, também, que a maioria dos docentes, das comunidades escolares e, até mesmo, do estudantado esteja mais preocupada/o com os dias de reposição, as festas de formatura, os trabalhos finais, a "baderna" que julgam ser o movimento social, PORÉM, acreditem amig@s: em cada ocupa deste país há estudantes que poderiam ser a Ana Júlia, que falam como ela, que comungam de sua força e de suas ideias; que sabem, como ela, o que é ser criminalizado por lutar por um ideal coletivo; que, mesmo com tudo contra, não abdicam de momentos de alegria. Esperança, utopia, destemor, verdade... nossos estudantes que passaram e/ou passam pela experiência de conviver numa ocupação aprenderam vivencialmente, na pele e no espírito, a identificar as contradições sociais e tomaram para si uma responsabilidade que deveria ser de tod@s. Um outro mundo é possível. Lutemos então, inspirados na força de tantos homens e mulheres que fizeram de suas vidas uma constante missão de solidariedade e busca pela justiça. Nas palavras inspiradoras de Olga Benário, lutemos "pelo bem. pelo bom, pelo justo (...) pelo melhor do mundo". Brava Ana Júlia, bravos/as estudantes do Brasil. Vocês nos dão uma lição essencial: a humanidade ainda tem algum fôlego para construir um futuro viável, um mundo em que tod@s e cada um/a tenha direito ao discernimento e à felicidade."

Valéria Arias

MEU FILHO QUER ESTUDAR II-

O argumento dos pais e mães que forçam a desocupação das escolas é que seus filhos "querem estudar."
Talvez, seja necessário explicar que se a PEC 241 ( agora, 55, no Senado) for aprovada não haverá verba suficiente para a educação, nos próximos 20 anos.
Talvez, seja importante dizer que se a MP do Ensino Médio persistir seu filho só vai poder estudar as disciplinas que a escola tiver condições materiais para ofertar.

É para que os filh@s de todos estudem, com qualidade e amplitude de conhecimentos, que os estudantes ocupam as escolas!

Da Andrea Caldas

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Funchal

um poema no nobel de literatura 2011

Tomas Transtromer

O restaurante do peixe na praia, uma simples barraca, construída por náufragos.
Muitos, chegados à porta, voltam para trás, mas não assim as rajadas de vento do mar. Uma sombra encontra-se num cubículo fumarento e assa dois peixes, segundo uma antiga receita da Atlântida, pequenas explosões de alho.
O óleo flui sobre as rodelas do tomate. Cada dentada diz que o oceano nos quer bem, um zunido das profundezas.
Ela e eu: olhamos um para o outro. Assim como se trepássemos as agrestes colinas floridas, sem qualquer cansaço. Encontramo-nos do lado dos animais, bem-vindos, não envelhecemos. Mas já suportámos tantas coisas juntos, lembramo-nos disso, horas em que também de pouco ou nada servíamos ( por exemplo, quando esperávamos na bicha para doar o sangue saudável – ele tinha prescrito uma transfusão). Acontecimentos, que nos podiam ter separado, se não nos tivéssemos unido, e acontecimentos que, lado a lado, esquecemos – mas eles não nos esqueceram!
Eles tornaram-se pedras, pedras claras e escuras, pedras de um mosaico desordenado.
E agora aconteceu: os cacos voam todos na mesma direcção, o mosaico nasce.
Ele espera por nós. Do cimo da parede, ele ilumina o quarto de hotel, um design, violento e doce, talvez um rosto, não nos é possível compreender tudo, mesmo quando tiramos as roupas.
Ao entardecer, saímos. A poderosa pata, azul escura, da meia ilha jaz, expelida sobre o mar. Embrenhamo-nos na multidão, somos empurrados amigavelmente, suaves controlos, todos falam, fervorosos, na língua estranha. “ um homem não é uma ilha.“ Por meio deles fortalecemo-nos, mas também por meio de nós mesmos. Por meio daquilo que existe em nós e que os outros não conseguem ver. Aquela coisa que só se consegue encontrar a ela própria. O paradoxo interior, a flor da garagem, a válvula contra a boa escuridão.
Uma bebida que borbulha nos copos vazios. Um altifalante que propaga o silêncio.
Um atalho que, por detrás de cada passo, cresce e cresce. Um livro que só no escuro se consegue ler.

Tomas Tranströmer
(Traducão do sueco para alemão por Hans Grössel)

Traducão do alemão para português por Luís Costa

"Primeira foto de Hitler",


de Wislawa Szymborska

"E quem é essa gracinha de tiptop?
É o Adolfinho, filho do casal Hitler!
Será que vai se tornar um doutor em direito?
Ou um tenor da ópera de Viena?
De quem é essa mãozinha, essa orelhinha, esse olhinho, esse narizinho?
De quem é essa barriguinha cheia de leite, ainda não se sabe;
de um tipógrafo, padre, médico, mercador?
Quais caminhos percorrerão essas pernocas, quais?
Irão para o jardinzinho, a escola, o escritório, o casório
com a filha do prefeito?
Anjinho, pimpolho, docinho de coco, raiozinho de sol,
quando chegou ao mundo um ano atrás,
não faltaram sinais na terra nem no céu:
gerânios na janela, um sol primaveril,
a música de um realejo no portão,
votos de bom augúrio envoltos em papel crepom rosa,
pouco antes do parto, o sonho profético da mãe:
sonhar com uma pomba - sinal de boas-novas,
se for pega - vem uma visita muito esperada.
Toc, toc, quem é, é o coraçãozinho do Adolfinho que bate.
Fralda, babador, chupeta, chocalho,
o menino, com a graça de Deus e bate na madeira, é sadio,
parecido com os pais, com um gatinho no cesto,
com os bebês de todos os outros álbuns de família.
Não, não vai chorar agora,
o fotógrafo atrás do pano preto vai fazer um clique.
Ateliê Klinger, Grabenstrasse Braunau,
e Braunau é uma cidade pequena mas respeitável,
firmas sólidas, vizinhos honestos,
cheiro de massa de pão e de sabão cinzento.
Não se ouve o ladrar dos cães nem os passos do destino.
Um professor de história afrouxa o colarinho
e boceja sobre os cadernos."

(De Poemas de Wislawa Szymborska, tradução de Regina Przybycien, publicação da Companhia das Letras.)

Com Deus A Nosso Lado

um poema (musicado) do nobel de literatura 2016

Com Deus A Nosso Lado
(With God On Our Side - Bob Dylan - 1964)

Com Deus Ao Nosso Lado
Meu nome não importa, e a idade, tampouco
Minha terra natal se chama Meio Oeste
Pois lá fui criado pras leis respeitar
E a terra onde vivo tem Deus a seu lado
Os livros de história contam, e contam tão bem
A cavalaria atacava, e os índios caíam
A cavalaria atacava, e os índios morriam
O país era jovem, com Deus a seu lado
A Guerra Hispano-Americana teve o seu dia
E a Guerra Civil também depressa se foi
E os nomes de heróis me forçaram a decorar
Com armas nas mãos e Deus a seu lado
A Primeira Grande Guerra lacrou nosso destino
A razão dessa luta eu nunca entendi
Mas aprendi a aceitá-la e aceitá-la com orgulho
Pois não se contam os mortos quando Deus está a seu lado
A Segunda Grande Guerra chegou ao seu fim
Perdoamos os alemães e nos tornamos seus amigos
E embora seis milhões nos fornos eles tenham fritado
Os alemães agora também têm Deus a seu lado
Aprendi a odiar os russos por toda minha vida
Se outra guerra começar serão eles os inimigos
De odiar e temer, de correr e se esconder
E tudo aceitar bravamente, com Deus a meu lado
Mas agora temos armas de pós químicos tóxicos
Se formos obrigados, vamos usar esses tóxicos
Um apertar um botão, e lá se vai o mundo todo
E você nunca faz perguntas, quando Deus está a seu lado
Nas minhas horas escuras tenho pensado sobre isso:
Que o próprio Jesus Cristo foi traído por um beijo
Mas não posso pensar por você, decidir sobre o fato:
Se Judas Iscariotes tinha Deus a seu lado
Então agora em despedida, estou cansado pra diabo.
A confusão que sinto língua alguma falava
As palavras me enchem a cabeça, e se derramam por terra:
E se Deus está a nosso lado, impedirá a próxima guerra

versão brasileira: ijs

tradução do Ivan Justen Santana, link para o seu blog


“O desenvolvimento não pode ser matéria de decretos, nem é assim que uma nação aprende de outra. Uma elite não pode, pela compulsão, pela ideologia, gerar a nação. A nação que quer se modernizar sob o impulso e o controle da classe dirigente cria uma enfermidade, que a modernidade, quando aflorar, extirpa, extirpando os Modernizadores. Todos os países que sofreram modernizações (...) expulsaram, para que o desenvolvimento se irradiasse ao povo, a elite, a classe dirigente, a burocracia (...). A modernidade emergiu com a ruptura, construindo, sobre a ruína das autocracias o desenvolvimento, capaz de se sustentar com o movimento próprio, eliminando, juntamente com os males antigos, os males modernos. Todos deixaram de ser uma dualidade, uma imobilizada oposição de direções, para revelarem sua identidade cultural, num vôo próprio, dentro do universo, libertos da tradição e da contemplação nacional.”
.

- Raymundo Faoro, em "Existe um pensamento político brasileiro?". São Paulo: Ática, 1994, p. 113.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Era pobre com FHC, andava a pé, morava de aluguel, não estudava. Ficou classe media com Lula,dois carros,casa própria e fez faculdade. Com Dilma teve que vender um dos carros. Revoltado, agora o desorientado pensa q é elite, vota na direita.jd

sábado, 15 de outubro de 2016


naquela solidão, a fome o perseguia, tinha que comer alguma coisa. 'o gato', 'óbvio', pensou. olhou o bichano que o olhava. 'coragem', pensou. 'a criatura, pense que é só uma criatura'. então, a coisa preta se esfregou em suas pernas. 'não, não teria coragem', pensou. 'melhor bater uma punheta'. esfregou o dedo no sovaco e depois na virilha, depois cheirou, iniciando o movimento. não adiantou; cortou o próprio dedo e fez uma sopa."


in: KATZELSSE, Ich. "Der katze". p1.
fonte : William Teca

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Com esse governo do golpe todo dia é um sete a um.


 Na semana em que foi aprovado a PEC dos gastos, que congelará o investimento nas áreas sociais pelos próximos vinte anos promovendo um verdadeiro colapso nos serviços públicos, o ministro da Educação, Mendonça Filho, afirmou no programa Roda Viva que falta de verba não é o problema da educação no país.
Para falar tamanha besteira, o ministro deve ter se consultado com os “especialistas” que o cercam, como o Alexandre Frota. Se Mendonça Filho conversasse tão somente com um professor perceberia de imediato o problema gravíssimo que existe na carreira docente no Brasil e também o conjunto das dificuldades enfrentadas na educação.
Em relação à meta do Plano Nacional de Educação que prevê a destinação de 10% do PIB, falou nas entrelinhas que não fará o que a lei manda e justificou alegando que os ministros anteriores também não davam conta das metas.
Ao optar pelo sucateamento deliberado da educação pública desse país, os golpistas abrem espaço para a privatização. Na verdade, já vêm dando indícios desse caminho. Cobrança em cursos de pós-graduação em universidades públicas já foi aventada.
Temer, Medonça Filho e o conjunto dos golpistas querem promover um Plano de Metas ao contrário: fazer o país retroceder décadas em apenas dois anos.

Ivan Valente
http://educacao.uol.com.br/…/para-ministro-da-educacao-prob…


André Castelo Branco Machado



Se o país é como uma família e não pode gastar mais do que ganha, como afirmou o ministro Henrique Meirelles em cadeia nacional, então como deveriam atuar os nossos governantes? A prioridade seria sempre a comida na mesa, saúde, moradia e educação para os filhos. Qualquer família fraterna buscaria, como primeira medida, renegociar suas dívidas mais pesadas com os bancos, como empréstimos que comprometessem metade das receitas do mês por juros mais baixos, parcelas menores e contratos mais vantajosos. Mães ou pais não diriam para seus filhos passarem por extremas privações por 20 anos sem antes cortar todos os seus privilégios e daqueles que são sustentados pelos seus recursos. Nem tampouco sairiam para jantar em um restaurante de luxo para decidir cortar a comida dos seus filhos. Nada disso seria feito. Acredito que a família a que se refere Meirelles é encabeçada por pessoas sem caráter, manipuladoras, insensíveis, sádicas e que só pensam em si mesmas, sem qualquer ligação afetiva com seus filhos. O governo ilegítimo do Temer está mudando a Constituição para congelar gastos sociais e as pessoas mais vulneráveis ficarão sem remédios, salários serão arrochados, escolas serão fechadas, entre muitas outras mazelas. Esse modelo de país a que se refere o Meirelles é bem diferentes das famílias reais do povo brasileiro, tão solidárias e fraternas, que não abandonam seus filhos nos momentos em que mais precisam.
O BB chegou a 79 mil funcionários, em 2000, no governo FHC. Se tornou um banco ineficiente, mesmo que as cartilhas neoliberais tenham como mantra da eficiência o "downsizing" e o "turnover" (enxugamento e rotatividade). Os bancos privados cresceram muito no espaço deixado pelo BB. O banco esteve na mira da sua total privatização.
O Banco do Brasil voltou a crescer no governo Lula, chegando, em 2008, a ter 115 mil funcionários e a ser o maior banco em ativos do país. Jogou um papel central na adoção de medidas anticíclicas pelo governo naquele ano.
O que será do banco mais enxuto? Quem ganhará se o BB voltar novamente para a geladeira?

Acbm

sábado, 8 de outubro de 2016

Lázara Papandrea


tô louca pra virar lesma, só pra me deslizar lentamente pela vida, chega de ser coelha ou coisa parecida, minhas pernas não aguentam mais tantos pulos.

Quando o feitiço vira contra o feiticeiro... rs
Para mim, beijar os teus pés nunca foi um problema,
descobrir as veredas, até chegar ao lóbulo da orelha.
E a cada beijo ver o quanto teu todo se redesenha:
novíssimo mar, branquíssimas pedras, virginal areia.
Beijar-te é pura renovação, é a arte que nos nomeia:

é sempre morrer náufrago e te fazer renascer sereia.

Jeferson Bandeira
"" Podem me colocar algemas
mesmo inerte, verão em meus olhos a resistência
não cederei aos que maculam nas sombras da noite
e seguirei como luz que busca a esperança
não me roubarão as vitórias que irei conquistar
nem me aprisionarão em pequenos albergues
quero a busca de dias melhores
quero irmãos de fato se amando
quero cores, vibrantes pinturas a enfeitar meus aranhas céus
posso passar como musica suave, mas sempre baterei meus tambores avisando a todos um novo amanhã
e se amanhã for a vez adas minhas cinzas
que elas adubem algum jardim
não quero simplesmente ser amor,
mas espinhos para cutucar a mesmice de quem fica olhando
e só quer colher a flor...

Oscar De Jesus Klemz

Oscar.

Abuela Julieta



Cada vez más hundido en su misantropía, Emilio no conservaba ya más que una amistad: la de su tía la señora Olivia, vieja solterona como él, aunque veinte años mayor. Emilio tenía ya cincuenta años, lo cual quiere decir que la señora Olivia frisaba en los setenta. Ricos ambos, y un poco tímidos, no eran éstas las dos únicas condiciones que los asemejaban. Parecíanse también por sus gustos aristocráticos, por su amor a los libros de buena literatura y de viajes, por su concepto despreciativo del mundo, que era casi egoísta, por su melancolía, mutuamente oculta, sin que se supiese bien la razón, en la trivialidad chispeante de las conversaciones. Los martes y los jueves eran días de ajedrez en casa de la señora Olivia, y Emilio concurría asiduamente, desde hacía diez años, a esa tertulia familiar que nunca tuvo partícipes ni variantes. No era extraño que el sobrino comiese con la tía los domingos; y por esta y las anteriores causas desarrollose entre ellos una dulce amistad, ligeramente velada de irónica tristeza, que no excluía el respeto un tanto ceremonioso en él., ni la afabilidad un poco regañona en ella. Ambos hacían sin esfuerzo su papel de parientes en el grado y con los modos que a cada cual correspondían. Aunque habíanse referido todo cuanto les era de mutuo interés, conservaban, como gentes bien educadas, el secreto de su tristeza. Por lo demás, ya se sabe que todos los solterones son un poco tristes; y esto era lo que se decían también para sus adentros Emilio y la señora Olivia, cuando pensaban con el interés que se presume, ella en la misantropía de él, él en la melancolía de ella. Los matrimonios de almas, mucho más frecuentes de lo que se cree, no están consumados mientras el secreto de amargura que hay en cada uno de los consortes espirituales, y que es como quien dice el pudor de la tristeza, no se rinde al encanto confidencial de las intimidades. La señora Olivia y su sobrino encontrábanse en un caso análogo. Si aquella tristeza que se conocían, pero cuyo verdadero fundamento ignoraban, hubiéraseles revelado, habrían comprobado con asombro que ya no tenían nada que decirse. Reservábanla, sin embargo, por ese egoísmo de la amargura que es el rasgo característico de los superiores, y también porque les proporcionaba cierta inquietud, preciosa ante la perfecta amenaza de hastío que estaba en el fondo de sus días solitarios. Un poco de misterio impide la confianza, escollo brutal de las relaciones en que no hay amor. Así, por más que se tratara de dos viejos, la señora Olivia era siempre tía, y Emilio se conservaba perpetuamente sobrino.

Cuarenta años atrás -recordaba la señora Olivia- aquel muchacho sombríamente precoz, cuyo desbocado talento, unido a sordas melancolías, hizo temer más de una vez por su existencia; aquel hombrecito, huraño ya como ahora, era su amigo. No tenía esos risueños abandonos de los niños en las rodillas del ser predilecto; pero miraba con unos ojos tan tristes, su frente era tan alta y despejada, que lo quería y estimaba al mismo tiempo. No se dio cuenta de los veinte años que le llevaba; considerolo su amigo, empezando a comprender aquella diferencia sólo cuando lo vio regresar de Alemania, terminada ya su carrera, hecho todo un señor ingeniero, que vino a saludarla, muy respetuoso, muy amable, pero demasiado sobrino para que ella no asumiera inmediatamente sus deberes de tía. Las relaciones estrecháronse después, pero ya de otro modo. Ella, en su independencia orgullosa de solterona rica, acogió amablemente al joven cuya misantropía le pareció interesante; y cuando tres años después, éste se quedó huérfano, encontró en la casa de la vieja dama, a pesar de las etiquetas y los cumplimientos, el calor de hogar, no muy vivo, que le faltaba.

Por un acuerdo inconfeso aunque no menos evidente, fueron cambiando con los años sus pasatiempos. Después de las conversaciones, la música; después de la música, el ajedrez. Y de tal modo estaban compenetrados sus pensamientos y sus gustos, que cuando una noche de sus cuarenta años, Emilio encontró en el saloncito íntimo el tablero del juego junto al cerrado piano, sin notar al parecer aquella clausura del instrumento que indicaba el fin de toda una época, hizo sus reverencias de costumbre y jugó durante dos horas como si no hubiera hecho otra cosa toda la vida. Ni siquiera preguntó a la señora Olivia cómo sabía que a él le gustaba el ajedrez. Verdad es que ella habríase encontrado llena de perplejidad ante esa pregunta.

La diferencia de edades había concluido por desaparecer para aquellos dos seres. Ambos tenían blancas las cabezas, y esto les bastaba. Tal vez la misma diferencia de lo sexos ya no existía en ellos; sino corno un razón de cortesía. La señora Olivia conservábase fresca, pues estaba cubierta por una doble nieve: la virginidad y la vejez. Aun sonreía muy bien; y para colmo de gracia apostataba de los anteojos. Su palabra era fluida y su cuerpo delgado. La vida no la aplastaba con su peso de años redondamente vividos; al contrario, la abandonaba, esto volvíala translúcida y ligera. No podía decirse, en realidad, que fuese vieja; apenas advertíanse sus canas.

Emilio, sí, estaba viejo; mas no parecía un abuelo. Carecía de esa plácida majestad de los ancianos satisfactoriamente reproducidos. Era un viejo caballero que podía ser novio aún. Sus cabellos blancos, su barba blanca, su talante un poco estirado, mas lleno de varonil elegancia, sus trajes irreprochables, sus guantes, constituían un ideal de corrección. Llevando un niño de mano, hubiéranlo tomado por un fresco viudo; pretendiendo una señorita de veinticinco años, habrían tenido que alabar su amable cordura.

Su tía y él eran dos mármoles perfectamente aseados. Por dentro, eran dos ingenuidades que disimulaban con bien llevada altivez candores tardíos. La delicadeza de la anciana encubría un estupor infantil; la frialdad del sobrino velaba una desconfianza de adolescente.

Además, hablaban en términos literarios, hacían frases como las personas ilustradas y cortas de genio que no han gozado las intimidades del amor, ese gran valorizador de simplicidades. También eran románticos.

Precisamente, hacía tres meses que Emilio regaló a su tía un ruiseñor importado a mucho costo de Praga, por los cuidados del famoso pajarero Gotlieb Waneck, y en una legítima jaula de Guido Findeis, de Viena. Dos noches antes, el pájaro cantó, y ésta fue la noticia con que la señora Olivia había sorprendido a su sobrino un martes por la noche, mientras ocupaban sus casillas las piezas del ajedrez. Emilio, galante como siempre, traía para el pájaro un alimento especial: la composición de M. Duquesne. de l’Eure; pues, en punto a crianza, prefería los métodos franceses.

Aquel ruiseñor fue un tema de que se asieron ansiosamente, cansados ya por un año de plática sin asunto. Y del ruiseñor… ¡a Shakespeare!

-En Verona -decía la señora Olivia- aprendí, precisamente, a preferir la alondra; como que, al fin mujer, había de quedarme con la centinela de Romeo. Profésanle allí una predilección singular, llamándola, familiarmente, la Cappellata.

-Pero este ruiseñor -afirmó Emilio- no es de los veroneses. Es la clásica Filomela, ruiseñor alemán, el único pájaro quecompone, variando incesantemente su canto; mientras aquellos recitan estrofas hechas. Un verdadero compatriota de Beethoven.

¿Cuánto tiempo hablaron?… La luna primaveral que había estado mirándolos desde el patio, veíalos ahora desde la calle. Y Emilio contaba una cosa triste y suave como la flores secas de un pasado galardón. ¿Recordaba ella cuando la tifoidea lo postró en cama, siendo muy niño aún, de doce años creía? Ella fue su enfermera -se desveló tanto por él!… Miraba todavía sus ojeras, sus cabellos desgarbados por el insomnio en ondas flavas de fragante opulencia. Él sabía por los dichos de los otros, de los grandes, que era bella, aunque no se daba bien cuenta de lo que venía a ser una mujer hermosa. Pero la quería mucho, eso sí, como una hermana que fuese al mismo tiempo una princesa. Su andar armonioso, su cintura, llenábanlo ante ella de turbado respeto. Poníase orgulloso de acompañarla; y por esto, siempre que iba a su lado, estaba tan serio. Durante sus delirios febriles, fue la única persona que no viera deformada en contorsiones espeluznantes; y cuando vino la convalecencia, una siesta -llevaba ella un vestido a cuadritos blancos y negros- el niño, repentinamente virilizado por la enfermedad, comprendió que el amor de su tía le ocupaba el corazón con la obscura angustia de un miedo. Fue una religión lo que sintió entonces por ella durante dos años de silencio, siempre contenidos por su pantalón corto y su boina de alumno, ridículos para el amor…

Después, el colegio, los viajes, el regreso -¡y siempre esa extraña pasión poseyéndole el alma! Se hizo misántropo… ¡y cómo no! Esterilizó su vida, gastó el perfume de ese amor de niño concentrado por la edad, inútilmente, como un grano de incienso quemado al azar en el brasero de una chalequera dormida… Mas ¿para qué le estaba él diciendo todo eso?…

El silencio del saloncito se volvió angustioso. Con la mano apoyada en la mejilla, la tía y el sobrino, separados apenas por el tablero donde las piezas inmóviles eternizaban abortados problemas, parecían dormir. Allá en el alma del hombre, en una obscuridad espantosamente uniforme, derrumbábanse grandes montañas de hielo. Y la señora Olivia meditaba también. Sí, fue tal como él lo decía. Ella estaba en la trágica crisis mental de los veintinueve años. Aquel chiquillo la interesaba; pero ella descubrió primero que ese interés era un amor descabellado, imposible, una tentación quizá. Una noche deliraba mucho el pobrecito; los médicos presagiaban cosas siniestras con sus caras graves. Llorábase en la casa, sin ocultarlo ya. Entonces sus desvelos de tía, sus sobresaltos de vulgar ternura, reventaron en pedazos su desabrida corteza. Loca sin saber lo que hacía, corrió a la pieza contigua, y allá, desarraigándosele el corazón en sollozos, se comió a besos, locamente, el retrato del enfermo. Fue un relámpago, pero de aquel deslumbramiento no volvió jamás. ¡Y hacía cuarenta años de eso, Dios mío! Cuarenta años de amarlo en secreto consagrándole su virginidad, como él le había consagrado también su alma. ¡Qué delicada altivez surgía de ese doble sacrificio, qué dicha no haberse muerto desconociéndolo!

Poco a poco, un nebuloso desvarío ganó la conciencia de la anciana. Los años, las canas, el influjo de las conveniencias, fueron desvaneciéndose. Ya no había sino dos almas, resumiendo en una sola actualidad de amor, el ayer y el mañana. Y la niña, intacta bajo la dulce nieve de su vejez incompleta, se desahogó en un balbuceo:

-Emilio… yo también…

Él tuvo un estremecimiento casi imperceptible, que hizo palpitar, sin abrirlos, sus párpados entornados. Allá dentro, en la negrura remota, las montañas de hielo continuaban derrumbándose. Y pasó otra hora de silencio. Emilio… Olivia… suspiraban los rumores indecisos de la noche. La luna iluminaba aquella migaja de tragedia en la impasibilidad de los astros eternos.

Inmediato a ellos, sobre el piano, un viejo Shakespeare perpetuaba en menudas letras las palabras celestes del drama inmortal. En la blancura luminosa de la noche, muy lejos, muy lejos, diseñábanse inalcanzables Veronas. Y como para completar la ilusión dolorosa que envolvía las dos viejas almas en un recuerdo de amores irremediablemente perdidos, el ruiseñor, de pronto, se puso a cantar.

Espectral como un resucitado, Emilio abandonó bruscamente su silla. Y ya de pie, estremecidos por algo que era una especie de inefable horror, la señora Olivia y él se contemplaron. Debía de ser muy tarde, y tal vez no fuese correcto permanecer más tiempo juntos…

Era la primera vez que se les antojaba aquello. No advertían, siquiera, que fuese ridículo, pues dominábalos la emoción de su paraíso comprendido. Mas la luna, propicia por lo común a los hechizos, rompió esta vez el encanto. Uno de sus rayos dio sobre la cabeza de la anciana, y en los labios del hombre sonrió, entonces, la muerte. ¡Blancos! ¡Sí, estaban blancos, como los suyos, esos cabellos cuya opulencia fragante recordaba aún a través de tanto tiempo! Era Shakespeare el que tenía la culpa. ¡Quién lo creyera! ¡Tomar a lo serio un amor que representaba el formidable total de ciento veinte años!

El ruiseñor cantaba… Cantaba, sin duda, los lloros cristalinos de su ausencia, las endechas armoniosas de su viudez.

Una viva trisadura de cristal mordía lentamente los dos viejos corazones. De pie, frente a frente, no sabían qué decirse ni cómo escapar al prestigio que los embargaba. Y fue ella la que tuvo valor por fin, la que asumió heroicamente esa situación de tragedia absurda (porque, después de todo, no sabía que la luna le estaba dando en la cabeza). Como Emilio hiciera un movimiento para retirarse:

-Quédate; ya tienen bastante con los cuarenta años de vida que les hemos dado.

Es probable que el destino estuviera incluido en ese plural.

Bajo el bigote de Emilio se estiró una sonrisa escuálida como un cadáver. El lenguaje literario se le vino a la boca, y con una melancólica ironía que aceptaba todos los fracasos del destino, hizo una paráfrasis de Shakespeare:

-No, mi pobre tía, el rocío nocturno hace daño a los viejos. El ruiseñor ha cantado ya, y el ruiseñor es la alondra de la media noche…

FIN

 LEOPOLDO LUGONES


Biblioteca Digital Ciudad Seva

Hasta siempre

Hasta siempre,
canción de Carlos Puebla,
interpretada por los Olimareños
para cantarla juntos
Hasta siempre
Aprendimos a quererte
desde la histórica altura
donde el sol de tu bravura
le puso cerco a la muerte.
Aquí se queda la clara,
la entrañable transparencia
de tu querida presencia,
Comandante Che Guevara.
Tu mano gloriosa y fuerte
sobre la historia dispara
cuando todo Santa Clara
se despierta para verte.
Vienes quemando la brisa
con soles de primavera
para plantar la bandera
con la luz de tu sonrisa.
Tu amor revolucionario
te conduce a nueva empresa
donde esperan la firmeza
de tu brazo libertario.
Seguiremos adelante
como junto a ti seguimos,
y con Fidel te decimos:
¡Hasta siempre, Comandante!

Carlos Puebla

Un momento de felicidad


Un momento de felicidad,
tú y yo sentados en la varanda,
aparentemente dos, pero uno en alma, tú y yo.
sentimos el Agua de Vida que fluye aquí,
tú y yo, con la belleza del jardín
y el canto de las aves.
Las estrellas nos mirarán,
y les mostraremos
lo que es ser una fina luna creciente.
Tú y yo fuera de nosotros mismos, estaremos juntos,
indiferentes a conjeturas inútiles, tú y yo.
Los papagayos del paraíso harán el azúcar crujir
mientras reímos juntos tú yo.
de una forma en este mundo,
y de otra en una dulce tierra sin tiempo.

RUMI


Biblioteca Digital Ciudad Seva

Expressões idiomáticas alemãs

Weichei (Ei = ovo; weich = mole) ninguém gosta. Ovo mole na linguagem coloquial significa uma pessoa medrosa, que não tem opinião própria e evita situações perigosas ou desagradáveis.

Schlusslicht ninguém quer! Em seu sentido original, a palavra Schlusslicht (Licht = luz, Schluss = final) significa "luz traseira, lanterna traseira". Mas, usada ironicamente, significa "último colocado", “lanterninha”.

Helikoptermutter (Mutter = mãe, Helikopter = helicóptero). A "mãe helicóptero" quase não tem vida própria. Seu cotidiano gira única e exclusivamente em torno do pimpolho.

Seemannsgarn (Garn = fio, Seemann = marinheiro). E ainda completa com o ditado "quem tece com fio de marinheiro tem sempre muito o que contar".

Prügelknabe (Knabe = garoto; Prügel =surra) tenha surgido na Europa do século 17. As crianças brincavam juntas, nobres e plebeus. Porém, se acontecesse alguma coisa errada, um vaso partido, um brinquedo quebrado, uma roupa estragada, quem era castigado, quem levava a surra? O garoto plebeu! Prügelknabe significa “bode expiatório”, aquele que leva a culpa pelo mal feito.

O Bürohengst (Hengst = garanhão; Büro = escritório) por exemplo, ganhou este apelido de "garanhão do escritório" justamente por sua dedicação exagerada ao trabalho.

Patentrezept! Uma receita que seja infalível para resolver problemas. Mas, como já sabemos, na maioria dos casos isso é pura ilusão.

Antigamente na Alemanha, quem não podia pagar os gastos de um processo tinha que apresentar um atestado que comprovasse sua pobreza. Hoje, o "Armutszeugnis" (Zeugnis = atestado, certificado; Armut = pobreza) não é mais usado, mas a expressão ficou e é empregada para definir fraqueza de caráter ou incapacidade de fazer algo.

1992: Morre o ex-chanceler alemão Willy Brandt

ALEMANHA 60 ANOS: ACONTECIMENTOS QUE MARCARAM A HISTÓRIA DO PAÍS1949: 

Toma posse o primeiro presidente alemão1949: Promulgada a Lei Fundamental Alemã1949: Primeira Feira do Livro de Frankfurt1954: Alemanha ganha a Copa do Mundo1957: Equiparação dos direitos da mulher na Alemanha1957: Inauguração da Interbau em Berlim1961: Construção do Muro de Berlim1962: Fundação da Schaubühne de Berlim1963: Tratado da amizade franco-alemã1963: Começa "Julgamento de Auschwitz"1968: Atentado contra Rudi Dutschke1968: Atentados incendiários em Frankfurt1969: Willy Brandt vence as eleições federais1971: Cineastas alemães criam cooperativa do filme1971: Tratado das Quatro Potências sobre Berlim1972: Beuys demitido da Academia de Belas Artes1972: Atentado na vila olímpica em Munique1974: Helmut Schmidt torna-se chanceler federal1975: Começa julgamento de líderes da RAF1976: Ulrike Meinhof é encontrada morta na prisão1977: Terroristas alemães se suicidam na prisão1982: Morre o cineasta alemão Fassbinder1983: Stern publica os "Diários de Hitler"1984: Suborno derruba presidente do Parlamento alemão1988: Daimler-Benz indeniza trabalhadores forçados sob o regime nazista1989: Bomba da RAF mata banqueiro Alfred Herrhausen1989: A queda do Muro de Berlim1990: Kohl e Gorbatchov se reúnem no Cáucaso1990: Eleições livres para o Parlamento da Alemanha Oriental1991: Direitos iguais de sobrenome na Alemanha1992: Morre o ex-chanceler alemão Willy Brandt1993: Atentado incendiário xenófobo em Solingen1993: Restrições na lei de asilo político1994: Christo pode empacotar o Reichstag1994: Condenado espião alemão-oriental1998: Grupo terrorista alemão RAF anuncia dissolução2002: Morre primeiro ídolo do futebol alemão2007: Morre o fotógrafo Bernd Becher2008: Ano de grandes decisões e surpresas para cultura na Alemanha

O primeiro chanceler federal social-democrata pós-guerra morreu em Bonn, no dia 8 de outubro de 1992. Willy Brandt, Nobel da Paz de 1971, destacou-se pela aproximação com o Leste Europeu durante a Guerra Fria.


Herbert Ernst Karl Frahm nasceu a 18 de dezembro de 1913 em Lübeck, no norte da Alemanha. Com 18 anos, filiou-se ao Partido Socialista Trabalhista (SAP). Após a ascensão dos nazistas ao poder, em 1933, emigrou para a Noruega e, por razões de segurança, adotou o codinome Willy Brandt, que assumiu oficialmente em 1949.

Em Oslo, trabalhou como jornalista e estudou História. De 1936 até ser descoberto e expatriado, dois anos depois, viveu clandestinamente em Berlim, como universitário norueguês, participando da reorganização de seu antigo partido. Esteve na Guerra Civil Espanhola em 1937 como observador político e jornalista.
Quando obteve a cidadania norueguesa, no ano de 1940, a invasão da Noruega pelas tropas alemãs o obrigou a fugir para a Suécia. Depois do final da Segunda Guerra Mundial, retornou à Alemanha para escrever reportagens sobre os julgamentos de Nurembergue. A partir de 1947, trabalhou como adido de imprensa na representação da Noruega em Berlim.

Após receber de volta a cidadania alemã, em 1948, retomou a carreira política no Partido Social-Democrata (SPD), cuja vice-presidência assumiu na cidade de Berlim Ocidental. Entre 1949 e 1957, Willy Brandt esteve no Bundestag, o Parlamento alemão. Ainda em 1957, assumiu a prefeitura de Berlim, cargo que ocupou até 1966. Entre 1964 e 1987, foi presidente do SPD e, depois, presidente de honra do partido.
Confrontado com o ultimato soviético a Berlim Ocidental em 1958 e a construção do Muro, em 1961, Brandt começou a se projetar no cenário político internacional.

Em 1966 foi ministro das Relações Exteriores no governo de coalizão com os democrata-cristãos, chefiado por Kurt Georg Kiesinger (1966-1969). A meta de Brandt foi melhorar as relações com os vizinhos do Leste Europeu, isolados atrás da Cortina de Ferro.

Aproximação com o Leste

Em 1969 foi eleito chanceler federal, tornando-se o quarto chefe de governo da Alemanha depois da Segunda Guerra Mundial. Com o apoio de seu ministro do Exterior, Walter Scheel, prosseguiu com a "política da mudança através da aproximação". Ao ficar de joelhos no Gueto de Varsóvia, em 1970, e fazer uma visita a Israel em 1973, comoveu o mundo.
Nos meses de março e maio de 1970, participou de dois encontros interalemães, que serviram de base para a normalização das relações entre a República Federal da Alemanha (RFA) e a República Democrática Alemã (RDA).

Em agosto e dezembro do mesmo ano, seguiram as assinaturas dos tratados de Moscou e de Varsóvia, precursores dos acordos entre as quatro potências, em 1971; do acordo-base de relacionamento entre os dois Estados alemães (1972); e do acordo teuto-checo, de 1973. Esta política conciliadora lhe valeu o Prêmio Nobel da Paz em 1971.

Em 1974, Willy Brandt renunciou ao cargo em consequência de um caso de espionagem. Mas continuou ativo na política internacional: entre 1979 e 1983, foi membro do Parlamento Europeu; de 1976 a 1992, presidente da Internacional Socialista e, entre 1977 e 1989, da Comissão Norte-Sul. Ele faleceu em 8 de outubro de 1992 em Unkel, ao sul de Bonn. (rw)

1973: Willy Brandt em Israel
No dia 7 de junho de 1973, o então chanceler federal alemão Willy Brandt chegou a Israel para sua primeira visita oficial ao país. 
1971: Willy Brandt ganha Prêmio Nobel da Paz
A 20 de outubro de 1971, foi anunciada a escolha do então chefe de governo alemão para o Nobel, pela reconciliação entre as duas Alemanhas. 
1970: Brandt de joelhos em Varsóvia
No dia 7 de dezembro de 1970, o chanceler federal Willy Brandt e seu ministro do Exterior, Walter Scheel, assinaram na capital da Polônia o acordo de normalização das relações teuto-polonesas, o Acordo de Varsóvia. 
1970: Willy Brandt visita a Alemanha Oriental
No dia 19 de março de 1970, o então chefe do governo da Alemanha Ocidental, Willy Brandt, visitou a Alemanha Oriental. 
1969: Willy Brandt vence as eleições federais
No dia 28 de setembro de 1969, Willy Brandt foi eleito o primeiro chanceler federal social-democrata da Alemanha do pós-guerra. 
Autoria
1973: Termina a guerra do Vietnã 27.01.2016
Em 27 de janeiro de 1973, representantes do Vietnã do Norte e do Sul, bem como dos Estados Unidos, assinaram em Paris um difícil acordo que pôs fim à guerra do Vietnã.
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1971: Willy Brandt ganha o Prêmio Nobel da Paz 20.10.2014
Em 20 de outubro de 1971, o Comitê Norueguês do Nobel anunciou a escolha do então chanceler federal alemão, Willy Brandt, para o Nobel da Paz, pela sua política de reconciliação com o Leste Europeu.

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