domingo, 2 de agosto de 2015

Si pudiera dibujar con mis palabras
la expresión de tu rostro y tu sonrisa.
Si estas palabras mías tuvieran esa suerte,
sin pretender que otros entendieran.

Trasmutaría palabras en colores
y con el arco iris te diría: yo te amo.
Hablar de tu silencio sería como dibujar atardeceres
y un cielo azul hablaría de tu alegría

Palabras, convertidas en pinceles, dibujarían
el abrazo de una serena compañía
y palabras, escogidas por sus colores,
hablarían de tus manos posadas en las mías

Para tu tristeza, tus enojos y tus penas,
las palabras y su dibujo, serían como de invierno
y así y en todo, siempre sería...

¡Si pudiera dibujar con mis palabras!


Guzmán Lavenant
Cuando cierro los ojos y me pongo a pensar
en medio del universo de sensaciones
que me provoca pensar en ti y solas,
comparo tu mirada con la luz de las estrellas
y encuentro que cuando miras se rompe soledades
como rompen soledades la luz de las estrellas.

Encuentro que tu voz resume la belleza
de todos los sonidos de la tierra:
como el canto de las aves, el rayo o el
majestuoso sonido del mar y de las olas.

Y encuentro, sobre todo a ti, mujer, mi compañera,
la criatura más perfecta para mi en esta tierra


Guzmán Lavenant

Mujer



Yo aprendí de ti la forma justa
de encontrar la luz en medio de las sombras.
Aprendí también que existe algo más
que la roca dura y el concepto de la nada.

Aprendí que se puede tener las manos llenas
y el alma perdida en un espacio muy grande y muy vacío
cuando en esas mano solo existen objetos sin sentido

Pero sobre todo aprendí de ti, mujer,
que todo el Universos se puede comprender
en un gesto, en gesto pequeño de ternura femenina


Guzmán Lavenant
Soy el abismo verdadero
donde se pierde todo
o soy la histeria colectiva
y el miedo.

O soy también el fuego
o la inmensa alegría de sentirme vivo
Y así, inconciente y sin ruido,
estoy plenamente en ello.

Y con todo me quedo,
que vivir sin lado negativo
no le da sentido a lo bello.

Por eso conforme con lo que vivo...vivo.
Y me enamoro de ti y sonrío y lloro


Guzmán Lavenant
Se va la tarde en alas de gaviotas.
Se va cabalgando entre las olas
de un mar que se convierte
en un rumor oscuro de la noche larga que le espera

Se va dejando sin eco a las palabras
que se convierten en sombras todas.

Se va la tarde, indiferente
a la roca que el mar ha convertido
en arena de una playa enormemente sola

Se va, se va y mi corazón se ha ido en ella


Guzmàn Lavenant
Tendré que confesar que tengo una ambición cuando escribo,
no tiene que ver con ser reconocido.
Es algo tan simple que puede ser más complicado.

Ambiciono que en un futuro, en algún lugar cualquiera,
se encuentre una hoja con un verso mío
escrito por una mano apresurada.
Nada de nombre del autor ni el apellido.

Que alguien lo lea, lo comprenda, lo haga suyo
y de esta manera...volver a estar vivo


Guzmán Lavenant
Cuando casi todo se extinguía
y de la vida pretendida ya no quedaba nada o casi nada.
Cuando el Sol de la mañana tan solo era uno más
en esas madrugadas ya casi sin sentido.
Cuando los ríos de los sueños ya casi no corrían
y todo era simplemente…un día,
llegaste a mi vida.

Y desde entonces y poco a poco,
con ese amor que le tienes a la vida,
aprendí de ti lo que creí saber y no sabía:
Que amar es una entrega tierna y total
y que esta es la única forma de dar amor en esta vida

Guzmán Lavenant


La mañana, la rutina y el lavado de los dientes.
Las calcetas que combinen con la ropa y lo negro del zapato.
Desayuno con un jugo de naranja
y las prisas …y las prisas.

Ir corriendo a esperar la pasada de autobuses.
Descender en la parada de las Cruces
Caminar entre mezcla de sonidos
que provienen de los coches y la gente.

Saludar a un portero que parece siempre triste
Sonreír al pasar junto al gerente.
Admirar de reojo esas formas de Celeste
y desear que alguna vez ese cielo nos acepte.

Escritorio, los papeles, la pantalla,
la sonrisa a los clientes…
Lo de siempre, lo de siempre
y la vida esperando que comience.


Guzmàn Lavenant
"Se há presentemente, a esta hora da civilização, fenômeno
ao mesmo tempo lastimável e ridículo, é por certo o esforço
que ainda fazem espíritos apoucados para sufocar o filósofo
no fundo de seu pensamento e dizer à razão: Cala-te, louca!"
(Tobias Barreto)

La riqueza y el reparto,
las ganancias y el trabajo.
Los extremos que se alejan:
Se acumula la riqueza
y se abarata la pobreza.

La riqueza que trastorna
y la pobreza que reclama.

Y en los templos bendiciendo
al creador de los mercados:
No es pecado acumular lo innecesario,
el pecado es ser un pobre que violente la armonía
entre pocos poderosos y los humanos marginados.

Y la vida es una sola con su muerte inevitable
en riqueza acumulada o pobreza lamentable.
¿Dónde existe inteligencia?
¿En los perros, los delfines o las aves?

Ah, esta forma tan "humana" de perderse
lo sublime por comprar lo miserable.


Guzmán Lavenant

UMA APRENDIZAGEM OU O LIVRO DOS PRAZERES (EXCERTO)

CLARICE LISPECTOR : 


— Um dia eu fui de madrugada ao mar sozinha, não tinha ninguém na praia, eu entrei na água, só tinha um cachorro preto mas longe de mim!
Ele olhou-a com atenção, a princípio como se não entendesse que significado invulgar poderia haver naquela declaração emocionada. Afinal como se tivesse compreendido, perguntou devagar:
— Gostou?
— Gostei, respondeu com humildade, e de vergonha seus olhos se encheram de lágrimas que não caíam, só faziam com que parecessem duas poças plenas. Não, corrigiu-se depois, procurando o termo exato, não é que tenha gostado. É outra coisa.
— Melhor ou pior que gostar?
— Foi tão diferente que não posso comparar. Ele examinou-a um instante:— Sei, disse depois.
E acrescentou simples:
— Eu te amo.
Ela olhou-o com olhos obscurecidos mas seus lábios estremeceram. Ficaram em silêncio por um momento.— Teus olhos, disse ele mudando inteiramente de tom, são confusos mas tua boca tem a paixão que existe em você e de que você tem medo. Teu rosto, Lóri, tem um mistério de esfinge: decifra-me ou te devoro.
Ela se surpreendeu de que também ele tivesse notado o que ela via de si mesma no espelho.
— Meu mistério é simples: eu não sei como estar viva.
— É que você só sabe, ou só sabia, estar viva através da dor.
— É.
— E não sabe como estar viva através do prazer?
— Quase que já. Era isso o que eu queria te dizer.
Houve uma pausa longa entre os dois. Quem parecia emocionado agora era Ulisses. Chamou o garçom, pediu mais uma dose. Depois que o garçom se afastou, ele disse num tom de voz como se tivesse mudado de assunto e no entanto o assunto era o mesmo:
— Pois eu tive que pagar a minha dívida de alegria a um mundo que tantas vezes me foi hostil.
— Viver, disse ela naquele diálogo incongruente em que pareciam se entender, viver é tão fora do comum que eu só vivo porque nasci. Eu sei que qualquer pessoa diria o mesmo, mas o fato é que sou eu quem está dizendo.
— Você ainda não se habituou a viver? perguntou Ulisses com intensa curiosidade.
— Não.
— Então é perfeito. Você é a verdadeira mulher para mim. Porque na minha aprendizagem falta alguém que me diga o óbvio com um ar tão extraordinário. O óbvio, Lóri, é a verdade mais difícil de se enxergar — e para não tornar grave a conversa acrescentou sorrindo — já Sherlock Holmes sabia disso.
— Mas é triste só enxergar o óbvio como eu e achá-lo estranho. É tão estranho. De repente é como se eu abrisse minha mão fechada e dentro descobrisse uma pedra: um diamante irregular em estado bruto. Oh Deus, eu já nem sei mais o que estou dizendo.
Ficaram em silêncio.
— Nunca falei tanto, disse Lóri.— Comigo você falará sua alma toda, mesmo em silêncio. Eu falarei um dia minha alma toda, e nós não nos esgotaremos porque a alma é infinita. E além disso temos dois corpos que nos será um prazer alegre, mudo, profundo.
Lóri, para a surpresa encantada de Ulisses, enrubesceu.
Ela examinou-a profundamente e disse:
— Lóri, você está vermelha e no entanto já teve cinco amantes.
Ela abaixou a cabeça, não em culpa, mas numa infantilidade de criança que esconde o rosto. Foi o que Ulisses pensou e seu coração bateu de alegria. Porque ele estava infinitamente mais adiantado na aprendizagem: ele reconhecia em si a alegria e a vitória.
De novo ficaram em silêncio. Como se sentisse que haviam falado mais do que ela no presente, poderia suportar, Ulisses tomou dessa vez um tom mais leve e casual:
— Há quanto tempo você se formou, quero dizer, para ser professora?
— Cinco anos.

— Tudo com você é cinco? perguntou sorrindo. Aposto que você era a primeira da turma.

Vozes anoitecidas



"Eu somos tristes. Não me engano, digo bem. Ou talvez: nós sou triste? Porque dentro de mim, não sou sozinho. Sou muitos. E esses todos disputam minha única vida. Vamos tendo nossas mortes. Mas parto foi só um. Aí, o problema. Por isso, quando conto a minha história me misturo, mulato não das raças, mas de existências."

Mia Couto

"Entre amigos"




"Nas oito histórias interligadas que compõem Entre Amigos, Amós Oz recria com precisão a realidade de um kibutz. Inicia com o solitário Tzvi Provizor, que se ocupa diligentemente de seus jardins, mas no tempo livre espalha com especial prazer as notícias de tragédias e calamidades que escuta no rádio. A narrativa final retrata os últimos dias do velho sobrevivente do Holocausto, Martin Vanderberg, que acredita na abolição de todos os estados nacionais e numa fraternidade mundial e pacifista, coroada pelo uso do esperanto como idioma comum a todas as pessoas."

- Amós Oz

CONTAM DE CLARICE LISPECTOR


Um dia, Clarice Lispector
intercambiava com amigos
dez mil anedotas de morte,
e do que tem de sério e circo.
Nisso, chegam outros amigos,
vindos do último futebol,
comentando o jogo, recontando-o.
refazendo-o, de gol a gol.
Quando o futebol esmorece,
abre a boca um silêncio enorme
e ouve-se a voz de Clarice:
Vamos voltar a falar de morte?

João Cabral de Melo Neto
O homem que vinha ao entardecer
(Ouvindo “Sonho de Um Camponês”, por Teta Lando)

Falava com devagar, ajeitando as
palavras. Falava com cuidado,
houvesse lume entre as palavras.
Chegava ao entardecer, os sapatos
cheios de terra vermelha e do perfume
dos matos.
Cumpria rigorosamente os rituais.
Batia primeiro as palmas (junto
ao peito)
Depois falava.
Dos bois, das lavras, das coisas
simples do seu dia-a-dia. E todavia
era tal o mistério das tardes quando
assim falava
que doía.


- Agualusa, em "O coração dos bosques". 1991.

FLAVIO MORGENSTERN | AUTOR DE 'POR TRÁS DA MÁSCARA'


“O Brasil está conhecendo a direita, e a esquerda está desesperada”

Autor de livro sobre as manifestações de 2013 diz onda conservadora no Brasil é positiva

A direita brasileira pensa, escreve e não para de vender livros

RODOLFO BORGES São Paulo 1 AGO 2015 - 12:31 BRT

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Flávio Morgenstern, na foto de orelha do livro. / DIVULGAÇÃO (RECORD)
 “Se eu fizesse ciência política [em universidade] no Brasil, não aprenderia nenhuma das citações deste livro”, diz Flavio Morgenstern, em referência a Por trás da máscara (Editora Record), obra em que se propõe a analisar os protesto de junho de 2013. Um dos expoentes da jovem intelectualidade brasileira de direita, que encontrou terreno fértil para se desenvolver na internet, Morgenstern (“estrela da manhã” em alemão, um nickname herdado dos tempos de chats online) se vale de pensadores conservadores como Ortega y Gasset, Thomas Sowell e Eric Hoffer para criticar as ações dos black blocs, expor semelhanças entre os métodos dos protestos brasileiros e os do Occupy Wall Street e apontar os riscos de totalitarismo naqueles movimentos de rua puxados pelo Movimento Passe Livre.

Protesto contra todo o sistema?

A aventura de vestir uma camiseta vermelha em dia de ato anti-PT
As vozes do “Fora Dilma!”
“O poder público está surdo para a voz das ruas”
Para onde vai o MPL?

“Não aumentar a tarifa de ônibus seria demagogia, puro eleitoralismo”
“A grande tese do meu livro é que aquilo foi um movimento de massa, sem foco ou objetivo claro, com uma pauta aberta (...) Quando está todo mundo com o mesmo slogan, quem aparecer dizendo que representa essas pessoas vai de fato passar a representá-las. Assim, a divisão de poderes some”, analisa em entrevista ao EL PAÍS o escritor e tradutor de 30 anos — sua descrição no portal do Instituto Millenium, think tank do pensamento liberal, acrescenta ator e designer free-lance ao currículo. Morgenstern estuda Letras-Alemão na Universidade de São Paulo (USP) e se formou analista político por conta própria.

Na conversa abaixo, o analista, que colabora com publicações como Gazeta do Povo e escreve em sites como Implicante e Instituto Liberal, diz que a “onda conservadora” por que o país passa é positiva, mas pondera que “o conservador quer conservar leis eternas, e não a sociedade como ela é”. O autor também aproveita para marcar posição em relação aos políticos brasileiros. “Esses livros [conservadores] que estão sendo lançados vão demorar até chegar à política. O que está acontecendo no Congresso não tem nada a ver com essa direita”.

Pergunta. Por que os brasileiros foram às ruas em junho de 2013?

Resposta. Ninguém sabe. É bizarro dizer isso, mas vários teóricos de esquerda dizem que o importante é ir para a rua; depois você discute por que está ali. A grande tese do meu livro é que aquilo foi um movimento de massa, sem foco ou objetivo claro, com uma pauta aberta. Num primeiro momento, houve a pauta dos transportes, que já vinha sendo mapeada pela esquerda brasileira há bastante tempo. Depois, virou movimento de massa. Isso vinha sendo tentado desde 2010, com outras manifestações, e finalmente desta vez eles conseguiram que essa pauta se tornasse chamativa para a população.

P. Você diz no livro que o Brasil esteve à beira do totalitarismo. Por quê?

R. Havia três milhões de pessoas nas ruas no Brasil, no principal dia de manifestações, gritando “quero saúde, educação, transporte, segurança”. Como o Estado vai te dar tudo isso? Ele precisa se agigantar e dominar a economia. Na hora em que você pede transporte de graça, o Estado precisa estatizar todas as companhias, proibir qualquer iniciativa particular e dominar tudo. Se ele vai fazer isso com todas as áreas, precisamos de um Estado muito maior do que a estrutura inchada que a gente já tem. Todos os movimentos de massa na história do mundo geraram totalitarismo. O grande risco de uma manifestação como essa é derrubar a ordem vigente. Os livros de esquerda que eu estava estudando antes de 2013 usam a palavra ruptura o tempo todo.

Vários teóricos de esquerda dizem que o importante é ir para o rua; depois você discute por que está ali
P. Se houve risco de totalitarismo no Brasil, por que ele não se confirmou?

R. Para ter ruptura, é preciso ter um confronto enorme. O maior risco estava nos confrontos com a polícia, que são provocados em busca de um apelo social que comprove que a ordem social está errada. E ocorreram agressões horrendas e absolutamente criminosas por parte da polícia. Ninguém gosta disso, é um perigo. Mas o pior confronto aconteceu, por coincidência, quando os aumentos de passagem estavam sendo revogados. O principal deles foi em Brasília, no Itamaraty. Foi estarrecedor e perigosíssimo, mas virou nota de rodapé de jornal. Por que uma manifestação sobre preço de passagem tem de ir para o Ministério das Relações Exteriores, e não, por exemplo, para o Ministério da Justiça, que fica do outro lado da rua? Como cuida de coisas ultramar, o Itamaraty é guardado pela Marinha. Se houvesse confronto entre manifestantes e Forças Armadas, duvido que dali a uma semana não teria acontecido um golpe. Provavelmente 99% da manifestação não sabia disso, mas a linha de frente sabia: se você tem uma cacetada entre um membro das Forças Armadas e um manifestante, ainda mais com o histórico de ditadura militar que nós tivemos, o Brasil hoje seria outro, seria difícil eu conseguir escrever um livro desses.

P. Mas teria de aparecer alguém para assumir o comando do país.

R. Exatamente, para salvar tudo. Meu grande problema com esse personalismo é que quando está todo mundo com o mesmo slogan, de que “o Brasil acordou”, “vem pra rua”, coisas genéricas, todo mundo concorda, todo mundo quer mais saúde, mais educação, tudo coisas muito abstratas, e quem aparecer dizendo que representa essas pessoas vai de fato passar a representá-las. Assim, a divisão de poderes some. Para que imprensa livre ou eleições se está todo mundo pensando a mesma coisa? O totalitarismo começa com esse discurso de participação nas ruas, esse ativismo cívico de micareta que acaba sendo péssimo.

Mesmo manifestações de esquerda, como Marcha da Maconha, podem ter um foco claro
P. O que diferencia as manifestações de 2013 para a manifestações contra o Governo federal neste ano?

R. Em 2015, a manifestação já não é mais aberta como foi em 2013. A manifestação de esquerda tem a ver com estatização, com poder, com democracia direta, com a força do Estado. Em 2015 há um fato claro, de a [presidenta] Dilma ter sido reeleita de uma forma muito controversa, sem representatividade. Quando isso acontece, ninguém aguentava mais, inclusive petistas de 30 anos de militância. Já são manifestações que têm a ver com o Fora Collor, as Diretas já, a Marcha da Família pela Liberdade, com um foco objetivo. Mesmo manifestações de esquerda, como a Marcha da Maconha, podem ter um foco claro. Concordando ou não com o tipo de demanda, elas são boas, porque pelo menos promovem discussão.

P. Os críticos das manifestações de 2015 se incomodaram com a aparente ordem dos manifestantes, inclusive com direito a fotografias ao lado de policiais.

R. A manifestação de 2013, que estava pautada pelo passe livre – uma pauta que não tem a confiança da população em geral – precisa do confronto com a polícia para sensibilizar a população. O Manuel Castells, um dos grandes ideólogos de esquerda, em seu último livro, chamado Redes de Indignação e Esperança, fala que é preciso trabalhar com sentimentos; o argumento vem depois. Esse tipo de manifestação precisa de um confronto com a ordem atual, para tomar a ordem para si. Já numa manifestação como a de 2015, esse confronto não é necessário. Quando você vê um policial ordenando a manifestação, você agradece. Daí surge o discurso de que essas pessoas gostam de polícia, de repressão, de violência. Mas é o contrário. Tudo que estou falando é que não gosto da Dilma, e não preciso de confronto.

Hoje a esquerda brasileira é hegemônica na política. Você não vai ver um partido claramente de direita no Brasil
P. Que esquerda é essa que você tanto critica no livro?

R. É uma ideologia, a mais hierarquizada e organizada das ideologias. Sua capacidade de formar partidos e dissidências dentro dos partidos é enorme. Hoje a esquerda brasileira é hegemônica na política. Você não vai ver um partido claramente de direita no Brasil. No máximo, dizem que não são de esquerda. O problema é que a população não é de esquerda. Ela pode não saber o que é direita, mas os valores da população são conservadores.

P. A que você atribui esse paradoxo?

R. Durante a ditadura militar [1964-1985], havia uma resistência de esquerda, que ganhou um prestígio enorme por causa disso. Os ditadores optaram por combater a guerrilha, mas deixaram as universidades livres. Era a teoria da panela de pressão, para não estourar. Com isso, houve um grande apelo da esquerda na universidade brasileira. A partir desse momento, eles entopem as universidades e se tornam os intelectuais públicos, que dão opiniões para cima e para baixo contra um inimigo comum: a ditadura brasileira — apesar de serem a favor da ditadura do proletariado. Em compensação, a esquerda perdeu muito desse prestígio depois que o Lula chegou ao poder, com o mensalão, a eleição da Dilma e, depois, essa reeleição que resulta em baixíssima aprovação.


P. O que você sente quando escuta que o Brasil passa por uma “onda conservadora”?

R. Eu acho muito positivo. A palavra “conservador” é muito assustadora no Brasil, mas eu não conheço praticamente ninguém que tenha pegado um livro de filosofia conservadora para tentar entender. Essas pessoas tentam tirar o significando de conservador da própria palavra: conservador seria querer conservar o mundo como está. Só que o mundo é injusto, errado, tem um monte de problema. Na verdade, o conservador quer conservar leis eternas, e não a sociedade como ela é. As sociedades conservadoras são as que mais progrediram em termos de tecnologia e valores: Áustria, Canadá, Austrália, Inglaterra, [Estados Unidos da] América, Suíça, todos conservadores. Os outros países é que estão parados no tempo. Essa “onda conservadora” que acontece no Brasil é na verdade uma onda restauradora. A gente quer progredir, não ficar no mesmo discurso.

P. De onde vem essa onda conservadora?

R. O Brasil está conhecendo uma intelectualidade de direita, e a esquerda está desesperada. Apesar da mentalidade conversadora no Brasil — que paradoxalmente adora o Estado —, a intelectualidade é de esquerda. Uma intelectualidade que escorraçou a direita da universidade, que não dialoga. Com a internet e as redes sociais, agora nós temos acesso aos grandes intelectuais de direita, principalmente de fora do Brasil. Olha a lista de mais vendidos de qualquer livraria: é só livro de direita na parte de não-ficção.

Olha a lista de mais vendidos de qualquer livraria: é só livro de direita na parte de não-ficção
P. O Brasil está melhorando ou piorando?

R. Para afirmar que o Brasil está melhorando eu teria de dizer que o [senador e ex-presidente Fernando] Collor melhorou o Brasil porque gerou uma crise e foi deposto. O Brasil está muito ruim. Não é uma crise de representatividade, mas de modelo, da mentalidade brasileira, de amar o Estado e odiar político, de querer que o Estado dê tudo, mas não gostar de corrupção ou de pagar imposto. Estamos forçados a escolher um caminho. A grande questão é que as respostas boas, que são antigas pra caramba, estão demorando para aparecer. Essa “onda conservadora” aparece para dizer: “pense em algo em que as pessoas formadas em universidade depois da ditadura nunca tiveram conhecimento", algo fora da solução estatal, do pensamento único, do slogan.

P. Você se considera portador de um discurso de ódio?

R. Expressões como “discurso de ódio” e “distribuição de renda” e palavras como “intolerância” e “preconceito” são associadas a sentimentos vindos do pensamento de esquerda. Ao invés de analisar fatos concretos, como assassinatos, roubos, corrupção, etc, parte-se para o abstrato. Como definir o que é ódio? Ou preconceito ou intolerância? Se ocorre uma invasão militar em um país que está praticando mutilação genital feminina, isso é feminismo ou imperialismo? Não tem uma definição clara, são palavras abstratas. A forma de a esquerda argumentar sem precisar de argumentos é chamar de discurso de ódio, de preconceito, intolerância, gritar "fascismo", associar à ditadura.

P. A pauta conservadora que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, conduziu no parlamento ao longo do primeiro semestre tem algo a ver com a produção intelectual da direita no Brasil hoje?

R. São coisas distintas. Não vejo nenhum dos congressistas lendo esses livros. São pessoas que estão em busca de poder e enxergam uma brecha no pós-PT. A redução da maioridade penal deve ser o único assunto que me parece ir além dessa disputa por poder. Com 64.000 homicídios por ano, esse se tornou um tema urgente, sobretudo para os pobres. As celebridades dizem que reduzir a maioridade penal é racismo, mas quem mais sofre com criminalidade é pobre, pois eles moram em comunidades violentas. Esses livros [conservadores] que estão sendo lançados e traduzidos vão demorar pra caramba até chegar à política. O que está acontecendo no Congresso não tem nada a ver com essa onda conservadora, com essa direita que anda surgindo.

O que está acontecendo no Congresso não tem nada a ver com essa onda conservadora, com essa direita que anda surgindo
P. Por que você não se formou em ciência política, sociologia ou algum curso que lhe ajudasse a fazer análises políticas?

R. Não pretendo fazer nada academicamente em relação à ciência política. Letras eu faço por conhecimento e humor, já que não consigo levar a USP a sério – pelo menos o curso que eu faço. Se eu fizesse ciência política no Brasil, não aprenderia nenhuma das citações deste livro. Tem professor que explode, que entra em choque epistemológico e desaparece no ar se ler algo deste livro. Na universidade brasileira — e é algo que está acontecendo mesmo nas melhores universidades centenárias ao redor do mundo — não só o debate livre não existe, como se finge que a outra parte não existe. A crítica literária é marxista, pós-marxista ou pós-pós-marxista. Quando o professor ouve o nome de um crítico não-marxista, que ele não conhece, nem considera.


El Pais. Madrid. Edição eletrônica em sua versão brasileira.21/07/ 2015

sábado, 1 de agosto de 2015

Espaço curvo e finito


Oculta consciência de não ser,
Ou de ser num estar que me transcende,
Numa rede de presenças e ausências,
Numa fuga para o ponto de partida:
Um perto que é tão longe, um longe aqui.
Uma ânsia de estar e de temer
A semente que de ser se surpreende,
As pedras que repetem as cadências
Da onda sempre nova e repetida
Que neste espaço curvo vem de ti.

[José Saramago]

(In OS POEMAS POSSÍVEIS, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1981. 3ª edição)

Acordai

Acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raiz.
Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações.
Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!


Poema: José Gomes Ferreira

Instituto Camões

Fascismo Presente e sua Dimensão Psicossocial


 ARNOBIOROCHA · 30 DE JULHO DE 2015



A luta contra o Fascismo, ontem e hoje, uma obrigação de vida e liberdade.
O Fascismo é, antes de tudo, um estado de espírito (ou de ânimo), ele é, primeiro, emocional, está no inconsciente, ali meio escondido, sempre ameaçando se revelar, nos denunciar, está presente nas nossas conversas privadas quando falamos de sexualidade, futebol ou religião, ou quando nos acerbamos nas relações conflituosos de uma sociedade cada vez mais paranoica, em especial nas redes sociais em que os baixos instintos prevalecem, em detrimento da lógica e da razão.

O Fascismo se instaura lentamente, ganhando corpo e almas, aos poucos, não é uma coisa imediata, é resultado de um estado de coisas. Mais precisamente ele explode e se torna força social viva e visível nas crises econômicas, pois essas elevam o nível de frustrações pessoais e as ambições (pessoais ou coletivas) deixam de ser satisfeitas ou ficam distantes de serem atendidas.

A luta pela sobrevivência ou a selvageria causada por ela, vai elevando aos pícaros as nossas mazelas humanas, coletivamente (na sociedade) não se enxerga qualquer saída, o passo natural seguinte é crescer nossa revolta e nosso sentimento beligerante se acentuar. Wilhelm Reich,  médico, psicanalista e cientista social, talvez tenha sido quem mais compreendeu a gênese e desenvolvimento da “mente fascista”.

Reich tem uma definição clássico do Fascismo que, segundo ele, é “a expressão da estrutura irracional do caráter do homem médio, cujas necessidades biológicas primárias e cujos impulsos têm sido reprimidos há milênios”. Enquanto nossas satisfações pessoais estão sendo atendidas, o “monstro” vai sendo relevado, escondido ou adormecido.

Leio constantemente nas redes sociais  algo como se o fascismo estivesse para ser instalado no Brasil, aqui entendido como regime político ditatorial de extrema-direita. Tenho uma discordância quanto à questão estrutural da instalação, mas, ao mesmo tempo, afirmo que nós já vivemos psicologicamente e socialmente o fascismo, que, por enquanto, não se instaurou como regime político de poder.

As relevantes manifestações de jundo de 2013 foram um ensaio coletivo, uma catarse do que estava por vir , aliás em julho de 2013, ainda no calor das “massas”, publiquei um artigo sobre o tema “A Psicologia de Massas do Fascimo – Ou, o Gigante Acordou”, ali já alertava que “o fenômeno do Fascismo, de como surge e suas principais características, em particular a catarse de massas, de movimento contra tudo e todos, que esconde um profundo reacionarismo político”.

O resultado eleitoral posterior foi desigual e incompleto em relação aos desejos do movimento de junho de 2013, se por um lado conseguiu eleger majoritariamente o pior congresso nacional em décadas. Em outra mão e, contraditoriamente, Dilma Rousseff se reelegeu, houve uma sobrevida do PT, o que parecia impossível diante do que se gestou e do que se colheu no parlamento.

A conta não bate, a leva reacionária não se fez ouvir por completo, então passa a questionar e não aceitar o que saiu das urnas, este é o embate. A contradição se deu na estrutura econômica, incerta, mas o avanço da crise 2.0 no Brasil passou a cobrar a fatura explicitamente, exigindo a ruptura irracional, através de qualquer golpe possível.

Quando o processo de fascistização psicológico e social se torna majoritário e bestial, a comoção fascista justifica e legaliza qualquer ação, ainda que racionalmente seja repudiável, que em sã consciência jamais se tentaria esse caminho, como, por exemplo, o rompimento com a democracia, ainda que ela se apresente como democracia formal.

Esse é o nosso drama, potencializado pelas redes sociais, o embrutecimento parece completo, não se consegue mais qualquer debate honesto e mesmo os mais simples, a radicalização em forma de adjetivos pejorativos, sem base ou consistência, venceu a argumentação substantiva. Avança escandalosamente pela sociedade a ignorância, o “baixo clero” e o desvalor humano, presa fácil nos momentos de crise e torpor.

Ainda segundo, Reich, “O fascismo só pode ser vencido se for enfrentado de modo objetivo e prático, com um conhecimento bem fundamentado dos problemas da vida.” Basta lembrar que a culta e racional sociedade alemã se deixou levar pelo fascismo, as razões de fundo são brilhantemente analisadas por Reich, o que demonstra que não há nada de novo ou inovador na revolta do “Gigante” dos “bem informados”, “plugados”, as questões são bem mais irracionais e perversas, mas é preciso ler o Todo e entender as Partes do problema.

Portanto não adianta vociferar de forma estéril contra queda de governo, fim da democracia, pois o gene do mal já deu cria, a sociedade está muito doente, sem remédio aparente para curá-la. Aqui não se trata de falar que escrevi antes, ou que avisei etc. Isso não vale nada, mas sim saber por qual razão não temos diálogo e repercussão diante da tragédia que ameaça a todos nós.


Ainda teremos tempo de deter o caos?

Estado, classe dominante e parentesco no Paraná

Um dos capítulos do livro "Estado, classe dominante e parentesco no Paraná" é de autoria de Daiane Resende.

O DESMONTE DO REGIME AUTORITÁRIO E O CONTEXTO HISTÓRICO DO PMDB NA ESFERA PARANAENSE: A HETERODOXIA DE ROBERTO REQUIÃO EM RELAÇÃO ÀS CONCEPÇÕES PEEMEDEBISTAS LOCAIS

RESUMO: Neste artigo, será traçado uma breve análise sobre o período histórico da ditadura militar, procurando-se explicitar a importância do MDB (atual PMDB) na luta contra a militarização e também a sua ascensão ao poder após a derrocada deste regime, a chamada “redemocratização” em vários estados, salientando principalmente o Paraná. Consideramos de extrema importância evidenciar esses fatos para contextualizar o período histórico no qual Roberto Requião foi inserido politicamente no Paraná como Deputado Estadual, no ano de 1982, e sua participação neste momento conturbado que o país atravessava, primando por uma postura muitas vezes independente da doxa partidária. Utilizaremos, para tanto, HELLER (1988) , BREPHOL (2001) e BEGA (1990) como aparato teórico-histórico.


A política virou um espetáculo

Ricardo Costa de Oliveira

Para o doutor em Sociologia e professor da Universidade Católica de Brasília (UCB) Luiz Otávio Teles Assumpção, o fortalecimento de nomes que não possuem trajetória política está relacionado à exposição midiática e à despolitização da população.


“Para alguns, a política deixou de ser campo de formação cultural, educacional e isso dá margem, obviamente, para quem está exposto, para quem tem acesso à mídia. E essa turma vai vender a si mesmo como um produto. Surgem essas lideranças oportunistas”, analisa.
A política virou um espetáculo, critica especialista sobre políticos ‘midiáticos’
Para doutor em Sociologia, a falta de interesse da população por política amplia a força da mídia e propicia o surgimento de candidatos sem qualquer trajetória de militância, como Datena 

Em diversas partes do mundo, pessoas públicas, conhecidas por suas aparições na televisão e em outros meios de comunicação, ingressam na política. O fenômeno é registrado no Brasil, nos Estados Unidos, na Itália, além de outros países. O último anúncio foi a pré-candidatura à Prefeitura de São Paulo do apresentador José Luiz Datena, pelo PP. O empresário João Dória também ambiciona o cargo, pelo PSDB.

Datena segue o caminho de outros famosos da TV, como Celso Russomanno, que se elegeu deputado federal (PRB-SP) com mais de 1,5 milhão de votos.

Nos Estados Unidos, o magnata Donald Trump é pré-candidato à presidência pelo Partido Republicano e está em larga vantagem sobre seu concorrente, de acordo com pesquisa divulgada na semana passada. Trump ficou ainda mais conhecido depois de apresentar o reality show de negócios The Apprentice.

O fenômeno não é recente. Controlador da Mediaset e proprietário do clube de Futebol Milan, Silvio Berlusconi foi primeiro-ministro da Itália por nove anos ao todo, entre 1994 e 1995, de 2001 a 2006 e entre 2008 e 2011. Há ainda outros nomes na política brasileiro, como o humorista Tiririca, reeleito deputado federal como o segundo mais votado de São Paulo.

Para o doutor em Sociologia e professor da Universidade Católica de Brasília (UCB) Luiz Otávio Teles Assumpção, o fortalecimento de nomes que não possuem trajetória política está relacionado à exposição midiática e à despolitização da população.

“Para alguns, a política deixou de ser campo de formação cultural, educacional e isso dá margem, obviamente, para quem está exposto, para quem tem acesso à mídia. E essa turma vai vender a si mesmo como um produto. Surgem essas lideranças oportunistas”, analisa.

Um problema de base, avalia Assumpção, que começa no desinteresse pelo assunto e deságua na falta de participação na política cotidiana.

“Parte da população só considera política importante em época de eleição, quando há uma crise muito forte ou quando ocorre uma pressão da mídia sobre o assunto. As pessoas não lutam por causas coletivas, não se associam”, afirma Assumpção.

O resultado da falta de conhecimento, é a fragilização diante das informações expostas pela mídia. “O fato é construído e desconstruído pela mídia e se você não tem conhecimento, uma coisa mais sólida, você começa a entrar nesse jogo e começa a fazer papel de bucha de canhão”, critica.

Para o professor, como o eleitor não monitora e não participa, os políticos não se sentem obrigados a representar os interesses do País. “As próprias bancadas estão muito concentradas em assuntos particulares. Poucos no Brasil discutem o País como um todo, os projetos a longo prazo”, argumenta.

“Nos Estados Unidos chega a assustar. Trump talvez represente o ideal consumista da população. Na Itália, um país que tem uma tradição política, elege um fanfarrão como Berlusconi. O que ele era? Um rei da mídia, do império midiático”, comenta.

Corrupção – Assumpção cita como exemplo da manipulação da mídia e da falta de conhecimento da história do País a ideia, já transformada em senso comum, de que a corrupção é um fenômeno recente.

“A história política brasileira é uma história corrupta. Desde a descoberta do Brasil, no Brasil Colônia, no Império, no período dos grandes coronéis, sempre houve corrupção. O País passou por ditaduras seríssimas, em que censura impedia qualquer denúncia de corrupção, de suborno”, lembra.


Por Cristina Sena, da Agência PT de Notícias

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Cordeis de Minelvino Francisco Silva (1926/1999)

(...)E também o presidente
A mesma coisa se dá,
Todo povo contra ele
Se danam logo a falar,
Ele lá só se virando
E o povo todo falando
Que não sabe governar.
#
O homem religioso
Que quer seguir para a luz
Não deve entrar na política
Pois dobra o peso da cruz
Por fim vai sair da ética
Da santa lei de Jesus.


Cordeis de Minelvino Francisco Silva (1926/1999)

Cordel de Expedito Sebastião da Silva (1928/1977)

Cada vida é um destino
De impenetrável sigilo
Não há na terra quem possa
Desvendá-lo ou corrigi-lo
Somente o Divino Mestre
É quem sabe defini-lo


Cordel de Expedito Sebastião da Silva (1928/1977)

Cordéis de João Martins de Athayde

A esperança do pobre,
Quase toda é vice-versa,
O peixe cai pela isca,
O velho pela conversa,
A galinha pelo milho,
O pobre pela promessa.
#
A humanidade campeia
Nutrida por um consolo
A mulher não quer ser feia
Nem o homem quer ser tolo.
#
Não se engane com o mundo
Que o mundo não tem que dar,
Quem com ele se iludir
Iludido há de ficar.


Cordéis de João Martins de Athayde (1877/1959 )

Odisséia

Depois de terem comido e bebido à vontade, Ulisses exclamou : “ Demódocos, coloco-te acima de todos os homens mortais ! Deves ter aprendido com a Musa, filha de Zeus, ou com Apolo, seu filho, pois contas muito bem o destino dos aqueus, tudo o que eles fizeram e sofreram e as dificuldades que enfrentaram, como se ali estivesses estado, ou ouvido de alguém que esteve . Agora muda o tom e conta o ardil do cavalo de madeira, como Epeios o fez com a ajuda de Atenéia, e Ulisses o introduziu dentro da cidadela, por meio de um estratagema , cheio dos homens que tomaram Ilion. Depois se contares bem a história, declararei sem demora a todo mundo que Zeus foi generoso contigo e  inpirou  teu canto .


Homero. Odisséia. Tradução e adaptação de Fernando C. de Araújo Gomes. Rio de Janeiro, ed. de Ouro, s.d. p 126

11 Princípios de Goebbels

Conhece Joseph Goebbels, o violento ministro de propaganda de Hitler? Estes são os 11 princípios que levaram o povo alemão a tentar exterminar à humanidade:

1.- Princípio da simplificação e do inimigo único.

Simplifique não diversifique, escolha um inimigo por vez. Ignore o que os outros fazem concentre-se em um até acabar com ele.

2.-Princípio do contágio

Divulgue a capacidade de contágio que este inimigo tem.  Colocar um antes perfeito e mostrar como o presente e o futuro estão sendo contaminados por este inimigo.

3.-Princípio da Transposição

Transladar todos os males sociais a este inimigo.

4.-Princípio da Exageração e desfiguração

Exagerar as más noticias até desfigurá-las transformando um delito em mil delitos criando assim um clima de profunda insegurança e temor. “O que nos acontecerá?”

5.-Princípio da Vulgarização

Transforma tudo numa coisa torpe e de má índole. As ações do inimigo são vulgares, ordinárias, fáceis de descobrir.

6.-Princípio da Orquestração

Fazer ressonar os boatos até se transformarem em notícias sendo estas replicadas pela “imprensa oficial’.

7.-Princípio da Renovação

Sempre há que bombardear com novas notícias (sobre o inimigo escolhido) para que o receptor não tenha tempo de pensar, pois está sufocado por elas.

8.-Princípio do Verossímil

Discutir a informação com diversas interpretações de especialistas, mas todas em contra do inimigo escolhido. O objetivo deste debate é que o receptor, não perceba que o assunto interpretado não é verdadeiro.

9.-Princípio do Silêncio.

Ocultar toda a informação que não seja conveniente.

10.-Princípio da Transferência

Potencializar um fato presente com um fato passado. Sempre que se noticia um fato se acresce com um fato que tenha acontecido antes

11.-Princípio de Unanimidade

Busca convergência em assuntos de interesse geral  apoderando-se do sentimento  produzido por estes e colocá-los em contra do inimigo escolhido.




Este Livro


Meu filho. Não é automatismo. Juro. É jazz do
coração. É prosa que dá prêmio. Um tea for two
total., tilintar de verdade que você seduz,
charmeur volante, pela pista, a toda. Enfie a
carapuça.
E cante.
Puro açúcar branco e blue.


Ana Cristina Cesar

Canto y baile



Manuel Rojas

Los muebles de aquel salón de baile eran tapizados con brocato color rojo; rojo era también el papel que cubría las paredes y roja la alfombra que, después de orillar de encarnado las patas de las sillas y sillones, terminaba súbitamente ante el piano. En las ropas de las mujeres de aquel salón de baile predominaba igualmente el color rojo. Los espejos, cuatro grandes, colocados uno encima del piano, otro al fondo, en la pared contraria a la que ocupaba el primero, y dos frente a frente en las paredes restantes, recogían y multiplicaban aquel tono como una sinfonía en rojo, tal vez si conscientemente organizada por la dueña de casa, que no ignoraría, ya que eso formaba parte de su conocimiento del negocio, que el color rojo influye en los nervios, excitando a los apacible y enloqueciendo a los irritables.
El piano, negro, alto, profundo, destacándose entre el rojo, semejaba un catafalco contrariado, constreñido, a pesar de su seriedad, a presenciar aquella orgía ultrarroja. A su lado había una mesilla vacilante con cubierta de lata, donde las mujeres acostumbraban a tamborilear con la palma de las manos para evitar el baile. Parecía una desordenada y pequeña murga al lado del piano.

El salón tenía forma rectangular; dos puertas se le abrían en un mismo muro. Los muebles de aquel salón de baile eran viejos; pero firmes, como hechos para soportar la caída de cuerpos vacilantes y cansados; únicamente su brocato rojo claudicaba ya, deshilachado y un poco desvaído, y los muelles, molestos por la presión de tantos años, se erguían amenazadores e hirsutos bajo la tela lustrosa. La alfombra, gastada por los millares de pies que habían bailado y zapateado sobre ella, mostraba algunos flecos rojizos.

Cuatro mesitas de color negro, que hacían, con su color, menos sensible la soledad obscura del piano, extendían sus cubiertas opacas en los espacios que quedaban libres entre los muebles.

De día el salón permanecía desierto y los grandes espejos, vacíos de imágenes móviles, se miraban entre sí, con ojos claros veteados de rojo, como personas que no tuvieran nada que hacer. El salón y sus muebles, el piano y las mesitas se multiplicaban en ellos a sus anchas.

Pero de noche... De noche las lunas claras se llenaban de imágenes, negras o blancas, que se movían dentro de ellas y a través de ellas como grandes peces en un estanque con algas rojas y negras, y a veces eran tantas las imágenes, que los cuatro espejos no bastaban para reflejarlas y retenerlas a todas.

Se llegaba al salón después de atravesar un estrecho y obscuro patio, en cuyo centro varios bambúes estiraban sus delgadas cañas verdes. A ambos lados del patio se abrían las puertas de los cuartos de las mujeres, cuartos que no estaban amoblados sino por una cama, un velador, una silla y un bacín de fierro enlozado.

La puerta de calle era maciza y ancha y una luz roja llameaba en lo alto de su ceño adusto. En una de sus hojas había una ventanilla enrejada, que servía para mirar desde dentro a los que desde fuera llamaban. Una gruesa tranca la atravesaba de lado a lado. Al entrar al zaguán se veía, a la izquierda, por el vano de una puerta que no estaba nunca cerrada, la habitación de la dueña de casa; un catre grande, bronceado, adornado de cintas y encajes, con sobrecama de seda roja y amplios almohadones, alzaba en el medio de esta habitación sus brillantes varillas.

El patio, de noche, estaba siempre obscuro y únicamente lo alumbraban de modo ambiguo los resplandores que salían por las puertas del salón de baile; al fondo estaba el depósito de los licores, dos o tres cuartuchos destinados a usos menores y una pared de escasa altura, límite último de la casa de canto y baile de doña María de los Santos.

***

A las ocho y media de la noche de aquel día sábado, empezaron a llegar, en hilera alternada, los parroquianos de la casa. Algunos venían en coche, baja la capota; cantaban y gritaban, golpeando las palmas y accionando violentamente; la obscura calle se llenaba con sus aullidos. Otros llegaban a pie, en grupos vacilantes. Golpeaban la maciza y sorda puerta, que devolvía un sonido opaco, como de tronco de árbol; se descorría la placa de hierro del ventanuco y una voz de vieja inquiría:

-¿Quién es?

Esta pregunta era nada más que una fórmula, pues fuera el que fuera con tal que no fuera policía, la puerta se abría en seguida. Contestaban todos a una y nada se entendía, pero el hecho de que no se entendiera nadie equivalía a una clara contestación. Se corría la tranca, se abría luego la puerta lentamente y los hombres se hundían en la obscura oquedad del zaguán. La puerta se cerraba despacio tras ellos.

Así fue absorbiendo la casa a sus parroquianos. Algunos salían poco después de haber entrado dando como excusa la excesiva cantidad de personas que llenaban el salón o la ausencia de la mujer que preferían.

Desde el zaguán se oía ya la algazara del salón, un ruido espeso de música, de zapateo, de gritos, de jaleo y de voces. La voz de la mujer que tocaba el piano y cantaba, la tocadora, se elevaba agudamente por encima del tumulto, con acento desgarrador; parecía que la maltrataban o la herían, arrancándole gritos de dolor: ¡Ay, ay, ay!

Si yo llorara...
El corazón, de pena,
se me secara.

El ritmo del baile era siempre el mismo; únicamente cambiaba la letra de sus coplas. Era un ritmo vivo e impetuoso, pero idéntico, que vibraba en el aire como una sola cuerda de un solo tono, saliendo después hacia el patio, envuelto entre los gritos y los zapateos y perdiéndose en los rincones. Un tamborileo claro y seco, hecho con los nudillos de los dedos sobre la caja de una guitarra, surgía en los espacios que dejaban vacíos el canto y la música. En ese tamborileo, alma verdadera del baile nacional, la cueca, que marcaba un ritmo monocorde y constante, estaba el encanto y la atracción de él. Algunas manos tocando sus palmas y otras sonando sobre la vacilante mesilla con cubierta de lata, ayudaban a animar el baile que sin tamborileo y sin palmadas habría cerrado sus alas, dejando caer al suelo, como un murciélago, su ritmo monocorde.

Bailaban los hombres con los ojos bajos, serios, como si cumplieran una obligación ineludible; únicamente en las vueltas, de pasada, mientras el hombre acariciaba a la mujer con su pañuelo arrugado, ambos se sonreían, como quienes están cometiendo a escondidas alguna picardía. Después, los pañuelos daban vueltas en el aire y la seriedad recomenzaba. El ritmo impetuoso parecía dominarlos, ciñéndolos a su voluntad, impidiéndoles pensar en otra cosa que no fuera su seguimiento. El mundo exterior desaparecía para ellos; estaban unidos, mientras duraba el baile, por una especie de compromiso contraído ante una persona que temieran. Muy pocos, casi ninguno, tenía en sus movimientos vivacidad y entusiasmo.

Pero el final del baile los libertaba y una explosión de gritos y aullidos surgía de sus gargantas, haciendo oscilar la araña de cuatro luces que pendía en el centro del salón y empañando los espejos con un vaho caliente. Las manos se extendían ávidamente hacia los grandes vasos llenos de vino, colocados encima de las mesillas negras. Algunos se vaciaban el licor en la garganta, no bebían; estaban dominados por el deseo de embriagarse pronto y perder la timidez y su cordura, timidez y cordura que les impedían desatar toda la puerilidad y locura que bullían en sus corazones. Pero poco a poco todo se iba andando, andando sin prisa y cerca de la media noche ya el salón era una reunión de posesos que se retorcían de embriaguez, bailaban a saltos, desdeñando el ritmo imperioso del baile, gritaban, reían a gritos, abrazándose, llorando. Con las ropas en desorden y mojadas de chorreaduras de licor, revueltas las apelmazadas cabelleras, los rostros congestionados, las narices anhelantes y las bocas llenas de una saliva clara que no podían controlar, rodaban al suelo, hipando. Las mujeres se los llevaban a sus cuartos, vacilantes, los ojos vidriosos, mudos como idiotas.

En medio de este derrumbe, una voluntad y un espíritu permanecían firmes: los de doña María de los Santos. Sentada junto al piano en una amplia silla de paja, desbordante de grasa y de trapos, contemplaba la barahúnda humana; ella no se entusiasmaba, ella no reía, ella no bebía, no hacía otra cosa que cobrar lo que se consumía. Sus ojos sin expresión controlaban el negocio; ni una gota de vino se bebía o se derramaba sin que hubiese sido religiosamente pagada. Su mano derecha bajaba y subía desde el brazo de la silla hasta el bolsillo de su delantal, que poco a poco se hinchaba como un sapo, lleno de dinero.

Así se iba la noche...

***

Después de medianoche, el salón se despejó bastante; cuatro horas de baile y de licor eran más que suficientes para derribar al más fuerte. Sin embargo, algunos, cuyas cabezas sin duda eran de fierro o de madera, persistían aún; pero no bailaban, bebían solamente, conversando entre ellos, tartajeando, riéndose y profiriendo tremendas palabras. Las mujeres habían sido olvidadas; ellos no venían por ellas, venían por beber, por embriagarse, y las utilizaban al principio como un medio de lograr su objeto. Hasta el baile era para ellos un pretexto para emborracharse. Sentadas, inclinaban ellas sus humildes cabezas, esperando una nueva remesa de hombres que vinieran a buscar allí su desequilibrio y su demencia alcohólica y a los cuales ayudarían en la tarea. Ese era su papel. No existían allí como mujeres, simplemente como mujeres, sino como medio de alcanzar esto o lo otro.

En la calle se oían gritos; los hombres que salían de la casa se quedaban parados al borde de la acera, embotados, sin conciencia alguna; permanecían así un instante, procurando darse cuenta del sitio y estado en que se encontraban, y cuando al fin se orientaban, desaparecían gritando en la noche. Otros peleaban, cayendo al suelo y sonando sordamente como sacos llenos de papas y de sandías.

Tres o cuatro dormían sobre los sofás del salón; inútiles fueron los gritos y los remezones induciéndolos a despertar y retirarse. Sus camaradas, aburridos, los habían abandonado y allí estaban, como si estuvieran fosilizados, pálidos, recorridos de improviso por largos escalofríos que les hacían rechinar los dientes.

La casa permaneció así, en silencio, durante largo rato. Las mujeres dormitaban; los borrachos, ahítos ya y callados, no hacían ademán alguno de retirarse; ahí estaban, sin saber por qué estaban allí, pues ya no sentían deseo de nada, ni de beber, ni de bailar, ni de hablar. Se miraban entre sí, dirigiéndose forzadas e inexplicables sonrisas. Pero de pronto, el obscuro patio se llenó de voces claras, firmes, alegres. La dueña de casa, que no bebía, ni bailaba, ni dormía, animó a las mujeres:

-Ya viene gente...

-Las mujeres, soñolientas y destempladas, se acercaron a la puerta. Una fila de individuos penetró al salón. Al verlos, la patrona se encogió de hombros y dijo:

-La que faltaba, la palomilla.

Era, en efecto, la palomilla, la terrible y peligrosa palomilla; pero no la formada por chiquillos vendedores de diarios, lustrabotas y raterillos, sino otra muy distinta: la palomilla cuchillera, la fina palomilla, que mariposea en la noche bajo la luz de los faroles suburbanos y desaparece al amanecer en los zaguanes de los conventillos, la palomilla que roba cuando tiene ocasión de hacerlo y mata cuando la dejan y cuando nadie la ve, y que, sin embargo, no es ladrona ni asesina de profesión, faltándole audacia para lo primero y valor para lo segundo, pues no es ni valiente ni audaz sino en la obscuridad y en la soledad de las callejuelas apartadas.

La dueña de casa tenía razón al no recibirlos con agrado; la palomilla no es generosa, puesto que es pobre de condición y miserable de espíritu; no es amable, puesto que es brutal; no es tranquila, puesto que es maleante. Gastaban poco y se divertían mucho, pero su diversión era fría como una daga y triste como una máscara.

Eran seis hombres y los seis iban vestidos de una manera desaliñada y pobre. Camisa sin cuello, gorra o sombrero, ropas lustrosas y deshilachadas; algunos calzaban zapatos gastados y rotos, otros llevaban alpargatas; varios no tenían chaleco.

Uno de ellos se acercó a la dueña de casa. Era un hombre como de veintiocho años, alto y delgado, con movimientos de autómata en todo su cuerpo; los brazos le colgaban fláccidamente de los enjutos hombros; tenía un rostro grande, huesudo, lampiño, de color mate, linfático, sin expresión, de labios finos y descoloridos, entre los cuales asomaban largos dientes verdosos. Todo él daba una fuerte impresión de frialdad, que hacía encogerse a las mujeres como ante una culebra. Se llamaba Atilio, apodado "El Maldito", es decir, el cuchillero sin valor.

-Buenas noches, misiá María -dijo, con una sonrisa que quería ser jovial-. ¿Cómo le va?

-No tan bien como a vos. ¿Qué andan haciendo por acá?

-Venimos a visitarla; a divertirnos un ratito.

-¡Pero no vayan a pelear!

-No, somos gente tranquila...

-Sí, muy tranquila. ¿Cuántas veces han estado presos esos que vienen contigo?

Atilio se encogió de hombros y mostró sus dientes verdosos:

-Las cosas de misiá María... ¡Siempre tan tandera!

-Sí, no ves que yo no los conozco. ¿Cuándo saliste en libertad?

-El miércoles. Fíjese que me estaban echando la culpa de la muerte del Negro Agustín. ¡Tanto tiempo que no lo veo!

-¡Tanto tiempo que no lo veo! El día antes que lo mataran estuvieron aquí con él.

-Je, je ¡Las cosas de misiá María!...

-Bueno, ¿van a tomar algo?

-Sí, unos diez vasitos de vino. Aquí está la plata.

Extendió la mano, mostrando en la palma de ella un arrugado y sucio billete de diez pesos; pero la dueña de casa vaciló en tomarlos. A pesar de su avaricia, era generosa con la palomilla, pero esta generosidad era solamente un cálculo; regalándoles un poco de licor, se irían en cuanto lo terminaran, y como lo que ella quería era que se fueran cuanto antes, raras veces les cobraba. Además, con ello hacía méritos para que no le robaran. Por fin dijo:

-No, no me pagues; les regalo los diez vasos.

-Muchas gracias, señora María; siempre tan generosa con los pobres.

-Pero no peleen ni se roban nada.

-¡Cómo se le ocurre! No somos gente tragediosa...

-¡Hum!

Volvió a empezar la música y el baile; bailaban los palomillas en parejas, animándose unos a otros con ásperos gritos y palmoteando las flacas manos, que sonaban como delgadas tablas. Bailaban gravemente, dramáticamente, con una expresión trágica en sus rostros demacrados; hacían la menor cantidad posible de movimientos y sus piernas parecían pegadas unas a otras, de tal modo eran lentos y breves sus pasos. Exigían que la letra de los cantos fueran tristes, que no hablaran de amores alegres, ni de esperanzas sencillas; cuando las tocadoras no les daban en el gusto, cantaban ellos, acompañándose del piano, con voz blanca, sin tono, versos que parecían escritos en la cárcel o en el hospital: ¡Mi vida!

Solicito un imposible,
por un imposible muero;
imposible es olvidar
el imposible que quiero...

¡Ay, ay, ay! Y los que bailaban, al zapatear silenciosamente sobre la alfombra, con movimientos arrastrados y sin moverse de un mismo lugar, parecían hacer un agujero en el suelo.

Poco a poco se fueron animando. Al terminar de bailar, bebían moderadamente, haciéndose guiños de inteligencia. No servían ni una gota a las mujeres; el licor era para los hombres. Y ellas bailaban sin ganas, por obligación y por temor. De aquellos hombres no se podía esperar amor, ni generosidad, ni siquiera amabilidad; pero, tampoco había que olvidarlos o desairarlos, porque se podía recibir de ellos algo más duro y para ellas más temibles: una bofetada o una puñalada.

***

Una hora larga haría que aquellos seis hombres estaban allí, cuando penetró al salón un nuevo grupo de individuos, la mayor parte de ellos vestidos de negro, decentemente. La dueña de casa, que conocía a cada uno y a todos sus parroquianos, comentó:

-¡Bah! Primero la palomilla y ahora los ladrones... Se juntó el hambre con las ganas de comer...

Se habían reunido las dos ramas últimas de la fauna santiaguina: los palomillas y los ladrones. Cuando éstos entraron, bailaban Atilio y uno de sus compañeros. Los recién llegados se agruparon en la puerta del salón, observando y comentando.

-Son malditos. Fíjate cómo bailan.

-Ese que baila, el más alto, es el maldito Atilio.

-He estado preso con él en el mismo calabozo.

-Cuchillero fino.

-Pega a la mala, por detrás y a la segura...

Los otros, por su parte, hacían lo mismo:

-Son ladrones.

-Ese chico de bigotes es Tobías, el maletero.

-Ese alto es el Cabro Armando, llavero.

-Andan tomando.

-Vámonos -insinuó uno.

-¿Por qué? -interrogó Atilio, que terminaba de bailar-. ¿Qué nos pueden hacer ellos que nosotros no les hagamos? Además, aquí se trata de divertirse y no de pelear. Sigamos bailando...

Al ver a los ladrones, las mujeres palmotearon de contento. Para ellas el ladrón es siempre más amable y más generoso que el palomilla; gasta cuanto tiene y quiere que todos se alegren junto a él. Las mujeres los conocían bien y fueron hacia ellos, olvidando a los otros. Pero la dueña de casa, que conocía muy bien el carácter de unos y otros, intervino:

-No dejen solos a los niños; hay que atender a todos.

Las mujeres se rebelaron:

-¡Qué, esos rotos! Ni las gracias le dan a una cuando terminan de bailar, ni un traguito le sirven. Palomilla y basta...

Los ladrones pidieron una considerable cantidad de licor y pagaron en el acto. La zalagarda empezó de nuevo, pero ahora estruendosamente, con ímpetu renovador; los ladrones bailaban y cantaban, gritando con aturdimiento, riendo, cortejando a las mujeres, bromeando entre ellos. Eran muy buenos camaradas que se divertían juntos durante un momento, sin importarles el momento siguiente, que para ellos era siempre desconocido.

Entretanto, los palomillas quedaron olvidados en un rincón, bebiendo en silencio y mirando a mujeres y hombres con ojos de rencor. Hicieron dos o tres tentativas para que las mujeres bailaran nuevamente con ellos, pero no lo consiguieron; contestaban:

-Estoy tan cansada.

-Otro ratito...

-Estoy comprometida.

Se daban aires de señoritas. El maldito Atilio, que recibió una contestación semejante, apretó los dientes y se puso más pálido; los labios se le pusieron más delgados. Murmuró:

-Bueno está...

-Y volviendo hacia su asiento, dijo a sus compañeros:

-Afírmense, ñatos, porque de aquí alguien va a salir para los mármoles de la Morgue.

Los demás, que no tenían el avezamiento y la destreza de su camarada, se pusieron nerviosos, palpando inconscientemente los mangos de sus cuchillas, esperando el instante de la riña. Éste no se hizo esperar. En un salón lleno de hombres y mujeres de esa calaña, no había de faltar. Una de las mujeres, al terminar de bailar y desorientada por el griterío y el baile, equivocó la mesa de los ladrones con la de los palomillas y tomó un vaso, bebiendo un trago de vino; pero apenas había realizado este último movimiento, advirtió su error y miró hacia los maleantes. Doce ojos la miraban fijamente. Quiso pedir disculpas, pero antes de que lograra pronunciar una palabra recibió un insulto y un empujón que la estrelló violentamente contra uno de los ladrones. Y el maldito Atilio, de pie junto a la mesa, le gritó:

-¿Tenemos cara de tontos nosotros o crees que venimos aquí a regalarte el vino? Miren que niña...

La mujer, furiosa, contestó:

-¡Palomilla, maldito!

-¿Y qué más me sacas? -preguntó Atilio con sorna.

-¡Cobarde!

-¿Y qué más?

Un insulto brutal rebotó contra el rostro de madera de Atilio y éste marchó impetuosamente contra la mujer, levantando el brazo. Pero en ese instante un hombre se interpuso entre los dos. Era un hombre de baja estatura, pero grueso y musculoso, lleno de vivacidad y resolución en sus movimientos; su rostro moreno lucía un bigotillo negro y rizoso; los ojos eran grandes y llenos de fuego. Un diente de oro le relumbraba en la sonrisa, haciéndola más viva. Era la antítesis del maldito Atilio, frío y estirado como una raíz marina. Detuvo al maldito poniéndole una mano en el pecho y haciéndole retroceder.

-¿Qué pasa? -preguntó éste, asombrado.

-¡Eso es lo que digo yo, señor! ¿Qué pasa? -contestó el otro- ¿Para qué tanta bulla por un poco de vino? Yo se lo devolveré si tanta falta le hace y tanto lo siente. Tome...

Fue hacia la mesa y cogiendo dos vasos llenos de vino los colocó en la mesa de Atilio.

-Ahí tiene su vino; no llore.

Atilio se encogió como un gusano al ser tocado:

-¿Y quién le mete a usted en lo que no le importa?

-Me meto porque soy capaz de meterme. ¿O cree que el único capaz aquí es usted? Psché, qué niñito...

El tono del ladrón era agresivo y duro. Los demás presenciaban la escena sin intervenir, sorprendidos, tan rápido era el desarrollo de ella y tan enérgico su contenido. Estaban separados los dos grupos de hombres, y las mujeres, al fondo del salón, arrumadas al piano, parecían una parvada de pollos asustados. La patrona salió hacia el patio y desde allí observaba los acontecimientos, pronta a llamar a la policía.

-Pero Atilio, agachado, con los hombros encogidos, estiraba los brazos y abría las manos en un gesto de sorpresa:

-Bueno, pues señor, ¿qué le digo yo? Así será, pues...

Pero el otro no se dejaba engañar.

-No, no se encoja de hombros. Si yo le conozco... En cuanto me dé vuelta usted se me va a echar encima; pero a mí no, hermanito. Si es brujo me va a pegar por detrás; si no, no.

-¿Y con qué le voy a pegar yo?

-¿Con qué me va a pegar? Con su cuchilla, que la tiene en la cintura o debajo del brazo... Sáquela, ¿qué espera?

-Cuchilla... ¿De dónde saco yo cuchilla?

-Bueno, basta... Sigamos bailando -intervino uno de los compañeros del ladrón.

-Bailemos -contestó él. La tocadora se sentó al piano y empezó a tocar desmañadamente, sin quitar los ojos del espejo; las mujeres se rehicieron y la dueña de casa volvió al salón. Le parecía que el asunto había terminado. Sin embargo...

Tobías, el ladrón, que no quitaba ojo de las manos del maldito, quiso probarlo y se dio vuelta, dándole la espalda, pero observándole por el espejo; Atilio, que no esperaba sino este movimiento para proceder a su modo, sin sospechar que era una trampa que se le tendía, levantó rápidamente la mano hacia la axila del brazo izquierdo; pero Tobías se dio vuelta y se lanzó contra él, sujetándole el brazo derecho.

-¡Qué va a hacer, señor, que va a hacer!

-¡Suélteme! -gritó el otro, forcejeando, rabioso por haber sido sorprendido.

-¡Suéltese usted solo, si es capaz!

Pero el maldito se esforzaba inútilmente por soltarse; el ladrón lo tenía sujeto con mano de hierro. Tobías era mucho más bajo de estatura que Atilio, siendo, en cambio, más fuerte; su rostro enrojeció con el esfuerzo, mientras que el de Atilio empalidecía. La dueña de casa volvió a salir al patio y se fue directamente a la puerta. El asunto ya no tenía arreglo; alguien iba a quedar tirado en el suelo. De pronto, haciendo un violento esfuerzo, el maldito logró deslizar un poco el brazo y su mano apareció empuñando una cuchilla. Uno de los palomillas, más nervioso o más decidido que los otros, se lanzó hacia Tobías, pero recibió un puñetazo que lo derribó sordamente sobre la alfombra. Y el agresor, saltando al medio del salón y sacando una daga, gritó:

-Ya, Tobías, suéltalo, que yo lo afirmo.

Sin soltar el brazo derecho de Atilio, el ladrón dio un puñetazo en el rostro de su contrincante, empujándolo, al mismo tiempo que lo soltaba; luego saltó hacia atrás y gritó:

-¡Pásamela!

Recibió el arma e hizo frente a Atilio que se le venía encima, parándolo con un movimiento de su daga. Las mujeres salieron gritando.

-¡Y ahora, compadre Atilio, encomiéndese a su madre, porque usted no le volverá a pegar a nadie a la mala! -gritó Tobías.

Atilio tuvo miedo. Tenía costumbre de manejar cuchilla, pero no en esa forma y frente a un hombre apasionado como aquel; sin embargo, el hecho era inevitable y si no hería y mataba pronto, sería él el herido o el muerto. Se recogió sobre sí mismo y ocultó su arma bajo el sombrero, mostrando solamente la punta de ella asomada bajo el ala.

Los demás se dispusieron a pelear igualmente. Con los dientes y los puños apretados se miraban con rabia, dirigiéndose preguntas breves y agresivas:

-¿Y qué, pues, y qué?

-¿Y qué?

-¡Sácala!

-Sácala vos primero...

Un brazo volteó en el aire y los espejos recogieron un reflejo metálico. Tobías sorteando la puñalada, avanzó resueltamente, acercándose a Atilio, y en el momento en que éste echaba el brazo hacia atrás, su mano estiró el brazo, lo recogió y lo volvió a estirar y las dos veces su arma encontró el cuerpo del maldito. Atilio se encogió, cayendo pesadamente al suelo. Más pálido y demacrado que nunca, sus ojos miraban hacia un punto lejano. Tobías gritó:

-Tan diablo y tan maldito que eres y por dos chuzacitos que te pegué ya te estás muriendo...

Se oyó una voz de mujer que gritaba:

-¡La policía!

Uno de los ladrones cogió una silla y dio un fuerte golpe a la araña; se apagaron las luces y en la obscuridad nadie supo lo que pasó.

Cuando la policía, precedida de la dueña de casa, entró al salón, encontró en el suelo al maldito Atilio que se desangraba copiosamente y en los sillones a tres borrachos que dormían a pierna suelta. Los demás habían desaparecido.

Así terminó, en la casa de doña María de los Santos, aquella noche de canto y baile.


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Corazón nuevo



Federico García Lorca

Mi corazón, como una sierpe,
se ha desprendido de su piel,
y aquí la miro entre mis dedos
llena de heridas y de miel.

Los pensamiento que anidaron
en tus arrugas, ¿dónde están?
¿Dónde las rosas que aromaron
a Jesucristo y a Satán?

¡Pobre envoltura que ha oprimido
a mi fantástico lucero!
Gris pergamino dolorido
de lo que quise y ya no quiero.

Yo veo en ti fetos de ciencias,
momias de versos y esqueletos
de mis antiguas inocencias
y mis románticos secretos.

¿Te colgaré sobre los muros
de mi museo sentimental,
junto a los gélidos y oscuros
lirios durmientes de mi mal?

¿O te pondré sobre los pinos,
libro doliente de mi amor,
para que sepas de los trinos
que da a la aurora el ruiseñor?


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