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sexta-feira, 31 de julho de 2015

Este Livro


Meu filho. Não é automatismo. Juro. É jazz do
coração. É prosa que dá prêmio. Um tea for two
total., tilintar de verdade que você seduz,
charmeur volante, pela pista, a toda. Enfie a
carapuça.
E cante.
Puro açúcar branco e blue.


Ana Cristina Cesar

terça-feira, 10 de abril de 2012

Que deslize

Onde seus olhos estão
as lupas desistem.
O túnel corre, interminável
pouco negro sem quebra
de estações.
Os passageiros nada adivinham.
Deixam correr
Não ficam negros
Deslizam na borracha
carinho discreto
pelo cansaço
que apenas se recosta
contra a transparente
escuridão.

Ana Cristina Cesar

A teus pés, Editora Brasiliense, 1997 – São Paulo, Brasil

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Chove

A chuva cai.

Os telhados estão molhados,

Os pingos escorrem pelas vidraças.

O céu está branco,

O tempo está novo.

A cidade lavada.

A tarde entardece,

Sem o ciciar das cigarras,

Sem o jubilar dos pássaros,

Sem o sol, sem o céu.

Chove.

A chuva chove molhada,

No teto dos guarda-chuvas.

Chove.

A chuva chove ligeira,

Nos nossos olhos e molha.

O vento venta ventado,

Nos vidros que se embalançam,

Nas plantas que se desdobram.

Chove nas praias desertas,

Chove no mar que está cinza,

Chove no asfalto negro,

Chove nos corações.

Chove em cada alma,

Em cada refúgio chove;

E quando me olhaste em mim,

Com os olhos que me seguiam,

Enquanto a chuva caía

No meu coração chovia

A chuva do teu olhar.

Ana Cristina Cesar


Novembro 65. Do livro Inéditos e Dispersos