sexta-feira, 5 de junho de 2015

Proposta inaceitável & Brinde inacessível




Sexta-feira, 05 de junho de 2015.

Proposta inaceitável & Brinde inacessível (jorgeyared.blogspot.com)

Entendo que a proposta intermediada pelos deputados da base aliada de Richa atende mais ao interesse do governo do que a dos professores e deveria ser rechaçada. Percebam professores que os deputados que costuraram esta proposta medíocre são os mesmos que enquanto vocês eram bombardeados em frente à Assembléia, no último dia 29 de abril afirmavam que “o que acontecia lá fora não era assunto deles”. Caso vocês aceitem, eles sairão como os grandes vitoriosos da sua volta à sala de aula e, certamente ganharão algum dividendo político junto às suas bases. Hoje leio uma notícia publicada no site da Gazeta do Povo e a única coisa que me vem à cabeça é que a estratégia maquiavélica do governo Richa infelizmente começa a dar resultado: O uso do tempo, da mídia e das ameaças aliadas para desgastar o fator unidade (essencial) de um movimento grevista. O que mais me chocou e surpreendeu em todo esse episódio foi o posicionamento do Tribunal de Justiça do Paraná ao não acatar a legalidade do movimento e aplicar multa diária ao sindicato da categoria desde as primeiras horas da paralisação, um verdadeiro recorde mundial. Já naquele dia percebi que os professores não teriam pela frente uma tarefa fácil, uma greve normal. Diante de um governo violento e insensível mas, habilidoso nas articulações entre os poderes, o sindicato e os milhares de professores passaram a contar apenas com meia duzia de formadores de opinião para tentar mostrar à sociedade que seu movimento alem de justo é necessário em defesa de um ensino público que se depara com um elemento predador de conquistas históricas: O atual gestor que, ao contrário de cumprir com promessas recentes de campanha, investe de maneira violenta e inescrupulosa contra a categoria. Hoje os professores indagam a si mesmos:
“Como vamos voltar para sala de aula?”
- A nossa previdência alterada;
- O trauma dos ataques de 29 de abril ainda impacta na memória;
- O não respeito à data-base com reposição da inflação garantida no primeiro dia do mês de maio permanece na proposta apresentada pelos deputados de Richa;
- As ameaças e perseguição aos diretores que apoiaram a greve também são uma realidade e, na prática, devem continuar caso ela cesse;
- E a questão dos descontos dos dias parados na folha.
O pior disso tudo é que, como resultado da propaganda maciça, muita gente entende que é hora de os professores pararem com o movimento. O que lamento é que, pela matéria que li (espero que não seja verdade) a maior preocupação hoje da APP-Sindicato nas negociações passa a ser se governo vai ou não descontar o salário e manter as faltas caso a categoria decida pelo encerramento da greve, na terça-feira, dia 9 de junho.
Caso isso aconteça mesmo vejo como uma vitória dos articuladores do mal sobre um justo movimento que nada mais solicita do que o cumprimento da lei e o reconhecimento de conquistas importantes para a educação pública.
Mas, o que fazer diante da má vontade e da insensibilidade dos poderes que se uniram contra o movimento?
Esta greve dos professores públicos paranaenses será, sem dúvida, emblemática pois atinge seriamente a confiança do povo em suas instituições. Pelo menos a minha. Não é possível que um gestor público violento, incompetente e desacreditado saia vencedor por entender que no jogo do poder vence aquele que paga mais e/ou dá benefícios a quem lhe interessa. É preciso que a sociedade entenda que o retorno das aulas nessas circunstâncias não será benéfica para os estudantes e muito menos para a educação pública paranaense. Os únicos a comemorar serão aqueles que com toda a certeza não têm, nem terão seus filhos algum dia matriculados em uma escola estadual. Os mesmos que preparam um brinde financeiramente inacessível aos professores, que com toda certeza nada terão para comemorar. JoYa



Tenho acompanhado, com desgosto, o desenrolar das negociações – se é que se pode chamar isso de negociação – entre a classe docente e o governo do Estado. Hoje, após mais uma declaração irresponsável de alguns que teimam em apequenar os professores, apetece-me dizer o seguinte:
Eu, PAI de duas crianças, estudantes da Escola Estadual Nossa Senhora das Graças, em Irati-PR, declaro publicamente que meus filhos só retornarão à escola quando os PROFESSORES decidirem, em comum acordo, retomar as atividades letivas. Portanto, só após posicionamento oficial da classe! NÃO enviarei meus filhos a uma escola sem professores, e NÃO USAREI meus filhos numa patética tentativa de pressão ou manobra política para denegrir a imagem dos professores ante a sociedade. Seria uma irresponsabilidade!
Para aqueles que vêm tentando denegrir professores, digo que, Sim, as crianças têm direito sim às aulas, mas também têm direito a uma EDUCAÇÃO DE QUALIDADE, com PROFESSORES QUALIFICADOS, BEM PAGOS e RESPEITADOS, quer socialmente, quer pelo poder público. Considero um desrespeito aos direitos das nossas crianças, tratar seus professores e professoras como cidadãos de segunda, sem substância moral de pessoa digna, tal como se fez e se vem fazendo historicamente, culminando naquela selvageria que se viu em Curitiba no dia 29 de abril de 2015.
Entretanto, devo dizer que, diante das circunstâncias, torna-se evidente que não haverá da parte do Estado qualquer proposta de reajuste que atenda ou que chegue perto do percentual pretendido pelos professores. Infelizmente! O governo, de forma inédita (¿), tem a benevolência dos poderes legislativo e judiciário e, prolongar a greve por mais tempo, tende a desgastar a classe e não o governador. Talvez seja momento de avaliar e negociar o possível, deixando o resto para outras demandas e batalhas futuras. Digo isso a partir do resultado das discussões sobre a previdência. Não só o Estado venceu, como também o Judiciário já sacou a sua parte... adivinhem quem vai perder de novo...

 Joaquim J M Morais

terça-feira, 2 de junho de 2015


[O cenário pornopolítico foi dominado pelo massacre dos professores no Paraná.
Depois do “prendo e arrebento”, temos Bato Racha, vulgo Beto 9.9 em violência na escala Richa. Bato Racha levou nove dias para se arrepender, e com a frase mais — desculpem, não há outra palavra — escrota que pode brotar da boca de um covarde: “Machucou mais a mim...” O perdigoto não agradou, Racha deu ré e agora aprova de novo a pancadaria sanguinolenta, balas na cara, bombas, pitbulls...

Foi um tremendo rasgo na Cortina de Penas do bom-mocismo tucano. Eles são aquilo mesmo. Bato Racha mandou fitas para jornalistas comprovarem a ação de “elementos infiltrados” no protesto. Ninguém encontrou um único agente provocador. Bato Racha é também um deslavado mentiroso.] 

por Aldir Blanc
 - Em 2008 eu colaborei para a tradução de um trabalho dos 100 anos da inicio da colonização alemã na cidade; e entre os estudos, se descobriu que pejoração '' alemão batata come queijo com barata'' veio daí. Em japoneses alemães e italianos, tinham suas casas às vezes pichadas com insultos, e outros episódios aviltantes. A avó de uma ex namorada minha , que era alemã e judia,contava q recém chegada ao Brasil, um policial (próximo ao Palácio do Catete) abordou ela e o marido, também judeu-alemão,e ao mostrarem seus documentos, e o policial disse: alemães! de maneira grosseira, daí os levou à delegacia, e fez um puta inquérito, o q eles não entenderam q o casal tinha exatamente saído da Alemanha por serem judeus., foram liberados, mas fichados e criptografados, daí em diante tinham q comparecer toda semana, à delegacia; nem um documento comprovando q eram judeus, valeu muito. o bonzinho do Vargas também não curtia judeus. O mesmo acontece com ambas minhas tias, chegadas na mesma época no Brasil (meu pai viria bem depois) elas tinham q comparecer à delegacia toda semana por estarem na condição de ''quinta coluna'' passarem por interrogatórios, serem corrigidas quando não erravam o português, situação impossível para um estrangeiro recém chegado .A situação de uma tia minha no RJ era ainda pior, ela era cantora , artista, e estava qualificada como prostituta. mesmo já sendo casada ( o governo brasileiro não aceitava matrimônios feitos fora do país) .Os descerebrados mal sabiam o que também acontecia na cidade de onde elas provinham na Itália , com a queda do governo fascistas foi sitiada por nazistas alemães, ,e sendo sangrento palco de disputas entre nazistas e comunistas iugoslavos, atrocidades mil; os comunistas iugoslavos, permaneceram na cidade e na região, o conflito durou ainda oito anos depois da guerra. Para a mentalidade maniqueísta, o presa justifica o caçador.

Talvez, é uma pergunta que me faço, embora o assunto fosse pouco abordado; e muita coisa eu descobri nas cartas entre familiares, e através de documentos. as minhas tias, nem meu pai falavam com ódio de certas ideologias que culminaram todo esse advento de atrocidades, acho até porque não tinham opinião formada a respeito. o meu pai é quem dizia alguma coisa neste sentido,; minhas tias (com quem convivi mais) tinham um ódio visceral dos eslovenos e croatas, até porque além de confiscarem os bens da família, assassinaram dois irmãos delas, meus avós só se safaram porque foram com meu pai (ainda criança) para a Suiça, e lá obtiveram exílio [ o mais interessante, que ficaram alguns dias em acampamento de anarquista em Lugano; antes do exílio ter sido ratificado legalmente; posteriormente, finda a guerra foram para Argentina, a cidade ainda se encontrava sob perigo de sitiamento, não tinham como retornar para a Itália . eis aí que surge a xenofobia, quando não se pensa que o problema está na doutrinação de massa, feita pela mídia ou por maneiras outras de propaganda, se valendo de uma circunstância social ou financeira; se eslovenos, croatas e alemães cometeram os maiores dolos com a minha família paterna, os fascistas, conterrâneo deles, obrigavam meu avô (que era um industrial de porte) a fazer algumas coisas nos negócios dele, inclusive colaborar com cooperativas q nada tinham a ver com o ramo de fabricação no qual trabalhava, entre outras coisas. a questão não era os alemães ou eslovenos , a questão foi a ideologias que lhes asenhoriou, o mesmo diríamos do Brasil na era Vargas. A minha consciência sócio- política (creio que da maioria daqueles que tem) adveio mais por sede de justiça,pessoalmente a vontade de justiça, coesa a um questionamento ávido desde pequeno. Aos 16 anos cheguei até flertar com o comunismo, mas me livrei dessa gonorréia juvenil como diria Roberto Campos, em tempo, pois logo percebi o nível de autoritarismo que havia nele, não o diferenciando em sua regência do poder macro-estatal., menos ainda do fascismo. Li O capital Marx e seus sequazes (prefiro alguns dos discípulos do que o ''mestre'') , como li Riqueza das Nações de Adam Smith; Locke; Hume e seu Ensaios Morais, Políticos e Literários, pasme li o Mein kampf de Hitler, citando alguns clássicos; estudei e estudo alguns economistas;autores das mais diferentes correntes políticas, gosto de estudá-los (as ortodoxias ideológicas parecem desconhecer o que é de fato a dialética) foram leituras mais ou menos recentes, que me ajudaram (e ajudam) a consolidar meu pensamento de liberdade e de justiça individual, sem pensar o Único usando a terminologia de Max Stirner , não se pode ter uma coletividade equânime. O homem nada é sem o impacto social, e dirá a você que foi este impacto que me fez às vezes um pequeno ativista, mas sobretudo uma pessoa que busca o conhecimento, e que faz do conhecimento [também] uma forma de resistência ao que deduzo como injusto.


 Tullio Sartini
Dos czares aos bolcheviques, da Perestróika a Putin, otomanos e a culpa dos correligionários turcos na questão palestina, que ninguem se lembra, sem falar no genocídio armênio e grego; a lista é longa nas metastases megalocrátas do que chamam de imperialismo. E o direito de autodeterminação das nações agora aviltado na Ucrânia, sob pretextos ideológicos, quando o que se quer é um acesso amplo e desembaraçado ao petróleo nos limítrofes da Ásia menor.. Respiramos o tempo não mais da guerra fria, mas sim da água morna.


Tullio Sartini
Enquanto a história, a política e a economia forem explicadas por binômios de vencedores e vencidos, vítimas e vitimizados, oprimidos e opressores; enquanto ''teorias'' da conspiração, forem a inspiração dos paranóides, e não teses comprobatórias; enquanto se pensar que a competitividade, é um mal e não um meio de cooperação e criatividade, e que a solidariedade não se faz por caridade; enquanto vivermos expondo os fatos das mais diversas dimensões à revelia da racionalidade e da crítica de precisão; em suma, teremos sempre júris para um bode expiatório, e a expiação de réus que um dia estavam sob o júri e quando um acordo entre deuses e semideuses lhes dá o alvará de soltura, se tornam juízes; assim, seremos essa perpetuidade num palco da culpa construída e da incompetência desconstruída.

Tullio Sartini

'' nenhum partido político é de esquerda, quando assume o poder''

'' nenhum partido político é de esquerda, quando assume o poder''
essa eu tive de traduzir; bravissmo! sig. Morselli.


--felizmente até a natureza me fez ambidestro. eu jamais seria um jacobino que explicitamente ou implicitamente, assim que sobe ao poder,(ou está junto a ele) será um girondino , nem tão pouco seria eu um girondino; que tem muito de jacobino em seus neurônios; se dobram a deuses, veladamente apaziguam 'sans-culottes', vivem como gorilas psicóticos (uns da montanha outros da planície) quando não, são sapos dos 'montagnards' ou do "peuple de Marais' . o fato de ser naturalmente ambidestro, não me faz centrista à moda da casa; não gosto das guilhotinas; em suma ''ni dieu ni maitre'.

Tullio Sartini

O objeto primário da justiça é a estrutura básica da sociedade, ou mais exatamente, a forma pela qual as instituições sociais mais importantes distribuem os direitos e deveres fundamentais e determinam a divisão dos benefícios da cooperação em sociedade."
--John Rawls
[''Uma teoria da justiça'']




Tullio Stefano Sartini - Pois é ! num país que as pessoas falam muito de direito, e mal sabem que cada direito somente é justo quando é logico à pressuposição e implicatura do dever nele contido, a leitura do livro do supracitado autor, faz-se uma das mais recomendadas. interessante o fato que como ele exorta a questão da equidade ao invés da igualdade, algo que anos atrás eu , um mero pensador sem compromissos , exceto comigo mesmo, já pensava. há outro trecho do livro bem interessante de ser pensado: "A justiça é a virtude primeira das instituições sociais, tal como a verdade o é para os sistemas de pensamento. Uma teoria política, por mais elegante ou parcimoniosa que seja, deve ser rejeitada ou alterada se não for verdadeira, da mesma forma, as leis e as instituições, não obstante o serem eficazes e bem concebidas, devem ser reformadas ou abolidas se forem injustas"
O nefasto de algumas ideologias , que na América latina tornam pessoas como eu nefandas, consiste no fato que todos aguardam um messias e com ele a possibilidade messiânica dos milagres, do éden e da igualdade paranormal julgada por uma sobrenaturalidade com miolos humanos.


Tullio Stefano Sartini

As táticas de pagar dívida como presente e de tirar dois e devolver um


Thiago Melo

É difícil se dar conta que os governos brasileiros constantemente agem para ludibriar a população, e assim conseguir satisfazer seus interesses. Dado o volume de artimanhas políticas, deixamos passar muitas destas ações. O Governo do Paraná vem usando fortemente essas táticas em todos serviços essenciais para a população, principalmente, na educação básica. Ele paga dívidas e fala que é presente. Descumpre ou muda leis dizendo ainda que até cedeu em alguns pontos. Vou tentar mostrar aqui essas duas táticas e onde elas acontecem.
Imagine que alguém pediu para você pagar um almoço para ele. Ele alega que está sem dinheiro no momento mas que depois irá te pagar. Você paga o almoço. No dia do seu aniversário, o devedor lhe convida para almoçar e diz que este será o presente que te dará de aniversário. Você aceita o presente. Depois de algum tempo, você precisa de dinheiro e liga para o devedor para cobrar o almoço. O devedor então, na maior cara de  pau, te constrange perguntando se você esqueceu o almoço no aniversário. Você sabe que presente é algo feito para agradar, não o pagamento de um dívida. Porém, como esta é um questão informal, você deixa passar. É este tipo de atitude que o Governo do Paraná tem com professores da educação básica. Repõe perdas inflacionárias conforme ordena a lei e tenta ajustar o salário dos professores no mesmo nível que qualquer outro servidor com curso superior, depois diz que é presente; que é agrado de um governante bem intencionado. Na verdade, deve e paga dizendo que é presente. E não é só isso. Mente que igualou os salários dos professores com o de outros servidores. O que acontece é que ele soma o vale transporte com o salário. Somente com esta soma se dá a equiparação salarial.
Outra dívida que o Governo diz ser presente é da hora-atividade. Hora-atividade são os horários que o professor deveria possuir para preparar aulas, elaborar e corrigir provas e exercícios, como também participar de reuniões com pais e direção. A lei ordena que o mínimo de hora-atividade seja de 33% do total de horas trabalhadas. Reforço que é o mínimo, não o máximo. Isso que dizer que pode ser dado mais horas-atividade, como faz os Institutos Federais e a Universidades Federais. Gradativamente e com muitas insistências o Governo do Paraná chegou em 2015 aos 33%. Mas sem deixar de ter uma artimanha. Os professores que não possuem 40 horas semanais – vale lembrar que o concurso para professor é para 20 horas de trabalho – são forçados a cumprir uma hora-extra por semana para atingir os 33%.
A tática usada contra a educação básica que julgo mais nociva é do tira dois e devolve um. Já é nítido que sempre sobra para educação os cortes. Não sobra para áreas de muita barganha política, como o IAP e a Receita estadual, nem para os altos escalões dos três poderes. Já que a maioria dos cidadãos veem isso como errado, como acontece os cortes na educação? Acontece da seguinte maneira. O Governo sabe que não consegue tirar as coisas simplesmente com uma canetada. Ainda mais tirar coisas de áreas já fragilizadas e sem razão plausível para tirar. Vamos supor que ele queira tirar duas coisas. Em vez de tirar as duas, o Governo ameaça tirar ou tira dez coisas. Aí, no debate com os servidores e com o impasse, ele diz que irá ceder em oito pontos, mas que em nome da negociação e do bom senso os servidores tem que ceder ao menos em dois pontos. No fim das contas, o Governo acaba tirado justamente o que queria. Agora, imaginem essa estratégia acontecendo há décadas. O resultado é uma escola cada vez mais precária e ruim.
A tática do tira dois e devolve um foi usada visivelmente no pacotaço de fevereiro e está sendo usado agora no caso da lei de ajuste salarial. A lei diz que o governo deve repor a inflação do ano anterior. O Governo primeiramente disse que não ia pagar nada e agora fala em pagar um valor irrisório. Além de praticamente anular a lei a partir do ano que vem.
Expus aqui só uma parte do problema. Há vários outros problemas que merecem páginas e paginas de muito detalhamento e paciência. É isso mesmo! As leis e regras da educação básica pública se transformaram ao longo dos anos num monstro frágil de ser lesado.



Maio 30th, 2015


crítica lógica





sábado, 30 de maio de 2015

Sobre os governantes

Sobre os governantes, se pode dizer, com Maquiavel:

“Nasce daqui uma questão: se vale mais ser amado que temido ou temido que amado. Responde-se que ambas as coisas seriam de desejar; mas porque é difícil juntá-las, é muito mais seguro ser temido que amado, quando haja de faltar uma das duas. Porque dos homens se pode dizer, duma maneira geral, que são ingratos, volúveis, simuladores, covardes e ávidos de lucro, e enquanto lhes fazes bem são inteiramente teus, oferecem-te o sangue, os bens, a vida e os filhos, quando, como acima disse, o perigo está longe; mas quando ele chega, revoltam-se.”

MAQUIAVEL, N. O príncipe. Rio de Janeiro: Bertrand, 1991.

TRÊS PALAVRAS QUE DEFINEM UM GOVERNO

Will Coutinho Hamon

Não sei o que é maior entre nós educadores. Se é a descrença ou se é a revolta. É provável que seja um misto destes dois sentimentos e o sabor intragável que eles nos proporcionam.
Acompanhando a cobertura da mídia e conversando com colegas cheguei à conclusão de que não disponho de outro modo de expressar o que estamos vivendo em nosso Estado do que a descrença e a revolta.
Vivemos em uma democracia. Reconhecemos e respeitamos os seus mecanismos de participação e nos lançamos em uma luta legítima (entendendo como legítima uma luta que se trava pela garantia dos direitos constitucionais que são prerrogativa de todos os cidadãos). Ainda assim, após uma extensa e custosa greve que a todos afetou e afeta – dos diretamente prejudicados (alunos, pais, funcionários, pedagogos, professores e diretores) aos indiretamente implicados (condutores de vans escolares, proprietários de pequenos comércios locais, empresas de eventos e formaturas, etc.) nos deparamos novamente com a tríade de palavras-ações que melhor caracterizam este governo e que são a INDIFERENÇA, a PILHERIA e a TRUCULÊNCIA.

Senão vejamos.

O que foi proposto neste dia 27/05/15 por parte do governo do Estado do Paraná (deste governo com letra minúscula mesmo) não foi senão o resultado da ausência de diálogo, do desdém frente aos direitos adquiridos e da tentativa de manipulação descarada da opinião pública por intermédio de propagandas enganosas que não tem outro objetivo que o de tratar a população como massa de manobra, lançando-a contra uma classe de trabalhadores. E o que é pior. Contra aqueles trabalhadores que formam e muitas vezes e educam os seus filhos.

Ir aos meios de comunicação disseminando a falsa informação de que se está dando um aumento de 12% para o funcionalismo público quando na verdade o que se oferece são 3,45% em três suaves parcelas de 1,15% a serem pagas em setembro, outubro e novembro de 2015, vinculando o restante dessa “correção” a um labirinto de condicionantes jurídicos do tipo “se” e “dependendo da disponibilidade orçamentária e financeira”, e isso tudo a ser pago no longínquo janeiro de 2016 é, em outras palavras, dizer para nossos alunos e para os seus pais – “Estão vendo os seus professores! Estão acompanhando os professores dos seus filhos! Pois aprendam. Não vale a pena lutar por direitos. O melhor a fazer é aceitar o que vier e seguir de cabeça baixa.” É também esperar que funcionários e professores comportem-se como cães acovardados, daqueles que mesmo sendo tratados com migalhas, sobras e vivendo sob a mais escancarada violência, pela absoluta falta de orgulho próprio e de capacidade de iniciativa, retornam para suas casas-prisões com seus “rabos entre as pernas”.

Lembramos, para nunca mais esquecer, que num passado bastante recente nossas reivindicações também foram encerradas sob a garantia da ampla discussão, porém que, quando nos deparamos com a realidade dos fatos, o que encontramos foi um verdadeiro esquema de guerra nos vedando a participação em qualquer diálogo, e que custou, não uma ou duas, porém centenas de vítimas, maculando para sempre a imagem de um Estado que até então era tido como ordeiro e progressista.
Aqueles que mentem e traem com tanta naturalidade vivem num círculo vicioso e doentio. Obtém sucesso nas suas malfadadas iniciativas tão somente por encontrar pessoas tão inescrupulosas ou fracas quanto a si mesmas. Para seu azar aqui no Paraná neste ano de 2015 encontraram funcionários públicos e professores em seu caminho. Também encontraram uma população cansada de engolir mentiras, sofrer com aumentos de impostos e tarifas, e, ser mal atendida por intermédio de serviços públicos inexistentes, ausentes, quando não absolutamente precários.

Não vejo a hora desta greve acabar. Quero muito voltar a dar aula. É o que eu gosto e acredito que de alguma forma saiba fazer. Infelizmente, na contramão desta minha vontade, não vejo de que Realmente Cris! forma ela poderá ter fim...

                 Chegamos a um impasse. Não vejo possibilidade de recuo. Mas a frente, até que o tempo se abra novamente, segue-se um longo e denso nevoeiro.

    Ana Amorim__________________Estou com saudades do colégio, mas quando achei que o governador iria abaixar a bola para tentar amenizar o gigantesco índice de rejeição, ele se mostra ainda mais incompetente.

    Eu devo estar muito mal de matemática mesmo... Não consigo entender essa conta do reajuste acima de 12%. Será que usaram a mesma calculadora mágica que chegou aos 60% de aumento salarial?! Ele pensa estar lidando com acéfalos, somando os dois índices(e somente assim chegaria a algo entorno de 12%) e dividindo pelos dois anos daria mais ou menos 6% ao ano, abaixo da inflação e sem qualquer garantia que irão mesmo receber... que porcaria de proposta...

    Ainda tive o desprazer de ver o Traiano sorridente ao apresentar a proposta à mídia... sem contar o Betinho se dizendo perseguido e apelando para a infinita bondade de Deus contra as "terríveis agressões e maldades" que ele diz sofrer... É o fim mesmo.

        Will Coutinho Hamon_________________ Como sempre falou muito bem Ana! A proposta e tão absurda que beira ao ridículo. E no mínimo subestimar a capacidade de alguém esperar que venha a acreditar numa alternativa que consegue ser pior que a anterior (que já era pífia). A proposta de resolução da greve não e outra que a de que todos façamos papel de trouxas. Os alunos por terem que se adequar a um novo calendário escolar, fruto de uma luta malsucedida. Os professores por desperdiçarem esforços e meses de luta em vão. Os pais e responsáveis por assistirem um péssimo político e ator posar de "bom moço", que se diz perseguido e que não têm o mínimo de hombridade para assumir sua responsabilidade. A educação de um modo geral e a escola pública no Estado do Paraná tornaram-se um "cemitério" de possibilidades. Lamentável que se esteja assim...
             Para todo o lado que miramos (rádio, tv, internet) não vemos outra coisa que não a corrupção e o erro. A coisa chegou a um ponto que nem se faz questão de esconde-la. E escancarada mesmo. Penso que mais do que nunca seja importante nos voltarmos para nossas famílias, nossos amigos e nossa espiritualidade para ressignificar esse mundo que de outra forma está perdido. Também, que ao buscar equilíbrio nesse lado positivo da vida possamos encontrar forças para lutar e exercer nossa cidadania.

            -Teremos de buscar ainda um pouco de otimismo mesmo quando, como agora, ele falhar. Penso que o saldo final de todo esse esforço e luta ainda será positivo. Enquanto movimento nos fortalecemos muito e conquistamos importantes apoios. Não podemos contar com o bom senso onde ele não existe. Este governo terá que ser destituído para que qualquer razoabilidade prevaleça.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Братья Жемчужные - Годы мчатся...

A  vida  escorre em gotas preciosas diante da sede dos  sonhos em meio a escuridão raios rasgam os céus das bocas com maldições cegas enquanto a  escuridão  a vela precipícios  .Embriagados passos flertam com a morte da razão.Na miragem da planície sem sol delira a esperança .

Wilson Roberto Nogueira

Farid Al Atrache - Yaritni Tir فريد الاطرش - يارتني طير

Os filhos dos dias

 Eduardo Galeano

28 de maio - Oswiecim

No dia de hoje do ano de 2006,o papa Bento, sumo pontífice da Igreja Católica, passeou entre os jardins da cidade que se chama, em língua polonesa, Oswiecim.
A certa altura do passeio, a paisagem mudou.
Em lingua alemã, a cidade de Oswiecin se chama Auschwitz.
E em Auschwitz o papa falou. Na fábrica de morte mais famosa do mundo, falou:
- E Deus, onde estava?
E ninguém informo a ele que Deus nunca havia mudado de endereço.
E perguntou:
- Por que Deus ficou calado?

E ninguém explicou que quem havia se calado era a Igreja, a sua Igreja, que falava em nome de Deus.

fenômenos viróticos

Dois "fenômenos viróticos", sociais e políticos, aparentemente absurdos e incompatíveis com o século XXI surgiram no ano passado. A epidemia de ebola na África Ocidental e o Estado Islâmico (ISIL, ISIS, EI) no Oriente Médio. "Epidemias" só se espalham com nichos ecológicos e habitats favoráveis. Após um ano a epidemia de ebola parece ter diminuído e começou a ser contida, já o EI resistiu e amplia a sua esfera de ação. Vitórias no Iraque, Ramadi, na Síria, Palmira e na fronteira entre os dois Estados. Existe uma base social de apoio ao Estado Islâmico. As ditaduras, a pobreza, a ignorância, a violência, o caos, a humilhação e o desespero dos últimos anos aumentaram e criaram esta grande base social na região. Pela primeira vez o EI ataca uma mesquita xiita na Arábia. Os Estados Unidos não vão enfrentar mais um tiranete árabe facilmente derrubável. Uma intervenção terrestre seria extremamente cara para um país quebrado financeiramente, com Fergusons e Baltimores explodindo e um custo militar bem mais elevado para uma nova guerra no Oriente Médio. Cenários iniciais de 50 mil mortos e 500 mil feridos dos Estados Unidos para tentarem extirpar o Estado islâmico não receberão nenhum apoio eleitoral por lá e uma guerra ainda poderia ser mais um trauma como as guerras anteriores, com possibilidade de uma derrota ainda mais humilhante do que no Vietnã. Para Israel o pior pesadelo seria o Estado Islâmico fazendo fronteiras ou com presenças na Síria, Jordânia, Cisjordânia, Palestina, Gaza, Sinai, com células ativas em Jerusalém e dentro de Israel. O cenário é de grave instabilidade política espalhada pela Arábia Saudita, o Egito, a Líbia, o Paquistão e o Afeganistão convulsionados pelas ações do Estado Islâmico nos próximos dez anos em graus variáveis.


Ricardo Costa de Oliveira
"O velho mundo queria viver mais uma primavera"..
"O sol surgia no horizonte glorioso, era um despertar de regozijo por tôda a extensão do campo. Uma vaga de ouro rolava do oriente ao ocidente, sôbre a imensa planície. Êsse calor de vida avançava, estendia-se num estremecer de juventude, e nêle vibravam os suspiros da terra, o canto dos pássaros, todos os murmúrios das águas e dos bosques. Era bom estar vivo, o velho mundo queria viver mais uma primavera."

Émile Zola, em "Germinal".Tradução Francisco Bittencourt. Rio de Janeiro: Editorial Bruguera, 1969, pg. 606.

http://www.elfikurten.com.br/2014/08/emile-zola.html
La libertà è una sorella morta appena nata.
Un lamento che ti segue è non sai dove trovare.
Un'altro mondo ricoperto dalla superficialità del presente mondo.

Antonio Oliani

quarta-feira, 27 de maio de 2015

PAULO FREIRE JÁ DIZIA: Fundamental diminuir a distância daquilo se fala e o que se faz, de tal forma que em determinado momento sua fala seja sua prática.

Epigrama

Ernesto Cardenal

Al perderte yo a ti, tú y yo hemos perdido:
yo, porque tú eras lo que yo más amaba,
y tú, porque yo era el que te amaba más.

Pero de nosotros dos, tú pierdes más que yo:
porque yo podré amar a otras como te amaba a ti,
pero a ti no te amarán como te amaba yo.


Es olvido



Nicanor Parra

Juro que no recuerdo ni su nombre,
mas moriré llamándola María,
no por simple capricho de poeta:
por su aspecto de plaza de provincia.
¡Tiempos aquellos!, yo un espantapájaros,
ella una joven pálida y sombría.
Al volver una tarde del Liceo
supe de la su muerte inmerecida,
nueva que me causó tal desengaño
que derramé una lágrima al oírla.
Una lágrima, sí, ¡quién lo creyera!,
y eso que soy persona de energía.
Si he de conceder crédito a lo dicho
por la gente que trajo la noticia
debo creer, sin vacilar un punto,
que murió con mi nombre en las pupilas,
hecho que me sorprende, porque nunca
fue para mí otra cosa que una amiga.
Nunca tuve con ella más que simples
relaciones de estricta cortesía,
nada más que palabras y palabras
y una que otra mención de golondrinas.
La conocí en mi pueblo (de mi pueblo
sólo queda un puñado de cenizas),
pero jamás vi en ella otro destino
que el de una joven triste y pensativa.
Tanto fue así que hasta llegué a tratarla
con el celeste nombre de María,
circunstancia que prueba claramente
la exactitud central de mi doctrina.
Puede ser que una vez la haya besado,
¡quién es el que no besa a sus amigas!,
pero tened presente que lo hice
sin darme cuenta bien de lo que hacía.
No negaré, eso sí, que me gustaba
su inmaterial y vaga compañía
que era como el espíritu sereno
que a las flores domésticas anima.
Yo no puedo ocultar de ningún modo
la importancia que tuvo su sonrisa
ni desvirtuar el favorable influjo
que hasta en las mismas piedras ejercía.
Agreguemos, aún, que de la noche
fueron sus ojos fuente fidedigna.
Mas, a pesar de todo, es necesario
que comprendan que yo no la quería
sino con ese vago sentimiento
con que a un pariente enfermo se designa.
Sin embargo sucede, sin embargo,
lo que a esta fecha aún me maravilla,
ese inaudito y singular ejemplo
de morir con mi nombre en las pupilas,
ella, múltiple rosa inmaculada,
ella que era una lámpara legítima.
Tiene razón, mucha razón, la gente
que se pasa quejando noche y día
de que el mundo traidor en que vivimos
vale menos que rueda detenida:
mucho más honorable es una tumba,
vale más una hoja enmohecida,
nada es verdad, aquí nada perdura,
ni el color del cristal con que se mira.

Hoy es un día azul de primavera,
creo que moriré de poesía,
de esa famosa joven melancólica
no recuerdo ni el nombre que tenía.
Sólo sé que pasó por este mundo
como una paloma fugitiva:
la olvidé sin quererlo, lentamente,
como todas las cosas de la vida.


21 Nov 2012


Biblioteca Digital Ciudad Seva

Masa




Al fin de la batalla,
y muerto el combatiente, vino hacia él un hombre
y le dijo: «No mueras, te amo tanto!»
Pero el cadáver ¡ay! siguió muriendo.

Se le acercaron dos y repitiéronle:
«No nos dejes! ¡Valor! ¡Vuelve a la vida!»
Pero el cadáver ¡ay! siguió muriendo.

Acudieron a él veinte, cien, mil, quinientos mil,
clamando: «Tanto amor, y no poder nada contra la muerte!»
Pero el cadáver ¡ay! siguió muriendo.

Le rodearon millones de individuos,
con un ruego común: «¡Quédate hermano!»
Pero el cadáver ¡ay! siguió muriendo.

Entonces, todos los hombres de la tierra
le rodearon; les vio el cadáver triste, emocionado;
incorporose lentamente,
abrazó al primer hombre; echose a andar.


  

Biblioteca Digital Ciudad Seva

Cartas a una desconocida


Nicanor Parra

Cuando pasen los años, cuando pasen
los años y el aire haya cavado un foso
entre tu alma y la mía; cuando pasen los años
y yo sólo sea un hombre que amó,
un ser que se detuvo un instante frente a tus labios,
un pobre hombre cansado de andar por los jardines,
¿dónde estarás tú? ¡Dónde

estarás, oh hija de mis besos!

Imigrantes no Brasil

O que eu vi sobre os haitianos e senegaleses que chegaram em Santa Catarina é bem diferente de coisas que tenho lido e ouvido sobre eles. O que eu vi: homens, em sua maioria, fortes, que parecem saudáveis, dispostos a trabalhar. “Em qualquer coisa”, eles dizem. “Queremos emprego, educação, qualidade de vida”, dizem outros. “O Brasil é uma terra de oportunidades”, afirmam os que estão aqui há mais tempo e os receberam. Ainda sobre o que eu vi: vi pessoas que sabiam o que estavam fazendo. Que não chegaram aqui com o objetivo de “sugar” o estado, viver de favor, “roubar nossos empregos” (até porque há empregos para elas. Informe-se). Vi pessoas que, aparentemente, não são movidas por esse radicalismo absurdo. Mas também vi coisas que me chocaram: o olhar para o chão, o medo, vergonha, insegurança, não sei ao certo, de encarar os que aqui vivem nos olhos. Parece ingenuidade, parece respeito, parece educação. Mas a mim, pareceu um sinal de subserviência de alguém que se coloca numa condição inferior aos que ali estão. E isso, obviamente, não é uma escolha deles ou um traço de sua personalidade. Pode até ser, e eu preferia que assim fosse, mas me parece um sintoma. Sintoma de gente que já não foi tratada como gente. Que já foi mal tratada, repudiada, desprezada. De gente que vê nesse comportamento uma chance de sobreviver aqui, “sem atrapalhar”, “sem se impor”. E isso me dói, sabe? Imaginar que se colocar numa condição de inferioridade é estratégia de sobrevivência. Talvez nem seja assim, mas eu tenho medo que seja. Porque imagino o que causou isso. E causar isso nos torna menos humanos. Hoje eu ouvi um comentário sobre os haitianos e senegaleses que era o seguinte: “tem que mandar ‘isso’ aí pra Brasília”. “Isso?”, me pergunto. Por que usar uma palavra que dê a eles a condição de objeto, de bicho, e não de gente? Mesmo que, na frase, o autor deste absurdo tivesse substituído o “isso” por “eles”, ainda assim seria triste. Porque “mandar pra lá” os coloca mais uma vez em condição de objetos, de algo que não tem capacidade para escolher. E é o contrário daquilo que eu vi: eles sabem o que querem, sabem o que estão fazendo, precisam de ajuda, mas estão fugindo de uma realidade que mesmo que a gente queira, aqui, de longe, sem sentir na pele, jamais seremos capazes de entender. Eu só queria que da mesma forma como somos rápidos em julgar, expulsar, separar “eles” de “nós”, fossemos capazes de acolher. Lembrar o passado, a história. Pensar que nossos avós, bisavós, já foram “eles” também, talvez até “isso” pra uns. E se nada disso for capaz de te fazer ter o mínimo de empatia por aquelas pessoas que agora chegam aqui, procure ajuda. Porque o "isso", essa "coisa" vazia, sem alma, sem coração, me parece ser você.


por Stefani Ceolla

Adriano Codato....Ministros no Brasil consideram uma ofensa (e os jornalistas um crise grave) serem convocados ou comparecerem ao Parlamento para dar explicações, quaisquer que sejam.
Um outro ponto interessante é que, no Brasil, ministros "técnicos" são supervalorizados em relação aos políticos, i.e., aos políticos eleitos que vêm a ocupar alguma posição ministerial.
É bastante sintomática das nossas diferenças (e das nossas escalas de prestígio e legitimidade) essa frase do deputado da direita para a ministra da Educação da França:
--- "Senhora ministra, quem é a senhora para se dirigir assim a um representante eleito pelo povo, a senhora que nunca foi eleita pra nada?"
p.s.: a reforma educacional é altamente defensável e a direita acusa o governo socialista de implantar uma pedagogia, mutatis mutandis, bolivariana e acabar com a meritocracia...

Felipe Calabrez....Essas diferenças a que se refere estão no âmbito da "sociedade" em geral ou opinião pública, não? Pergunto porque tenho a impressão de que "dentro" do Parlamento a postura lá é a mesma daqui. Isto é, os parlamentares sempre usam do discurso de que são "representantes do povo" e não costumam gostar muito de conversa de técnico e gestor. Duvido que explicações "técnicas" dadas no congresso mudem um único voto. E os técnicos e gestores de políticas públicas também não vêem políticos com bons olhos.

Adriano Codato.......Penso que essas são diferenças que são expostas à sociedade; ou que podem ser expostas sem chocar a opinião pública. E que alguma repercussão social devem ter. Imagine no Brasil alguém falar, por exemplo, para um juiz: 'o senhor fique quieto porque eu fui eleito para falar sobre esse tema, e o senhor não'. Seria o fim. Além disso, políticos parlamentares aqui e aí esgrimem essa retórica pomposa de Povo, Nação, etc.. Mas tenho a impressão que o eleitor médio ouve isso, no Brasil, como uma coisa caricata e sem sentido. E sim, de fato, político não engole técnico e vice-versa.

Eric Gil Dantas Apesar do avanço dos "economistas no governo", o técnico judiciário ainda é mais "respeitado" do que o técnico econômico, pelo que me parece.

Chants berbères de Kabylie

« J’ai dit ma peine à qui n’a pas souffert,
Il s’est ri de moi,
J’ai dit ma peine à qui a souffert, il s’est penché vers moi.
Ses larmes ont coulé avant mes larmes,
Il avait le cœur blessé ».


Jean Amrouche

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Quanto não lucra o complexo industrial militar em termos de encomendas para as forças armadas americanas; Sem falar nas suas empresas civis, as quais atendem às bases americanas no estrangeiro.Destroem um país para reconstruí-lo , financiando empresas estadunidenses em contratos milionários com governos enfraquecidos, que não colocaram obstáculos aos seus aliados libertadores paladinos da democracia e o que mais Hollywood disser que são ,desde que não contradiga o departamento de Estado . Pois todos nós sabemos quem é o mocinho "O Tio Sam ".

Wilson Roberto Nogueira

A disputa política no Paraná

A ignorância sempre custa muito caro. A disputa política no Paraná é uma disputa entre uma concepção de cidadania representada pelos professores contra uma estrutura oligárquica-familiar representada pelas engrenagens da teia do nepotismo paranaense. Educadores concursados contra famílias politiqueiras eleitas pelo abuso do poder econômico, pelo discurso ideológico enganador e pelos desfalques, como o escândalo da Receita Estadual e outras formas de corrupção, formas de extrativismo estatal. Professores contra uma máquina de comissionados alugados, opiniões que se compram e vendem, juntos com certas mídias estabelecidas com taxímetros caça-níquéis do erário público. A luta é de todos que defendem e querem criar um Estado moderno de bem-estar social, todos que apoiam a luta dos servidores e funcionários públicos da cidadania paranaense, contra as ilhas de privilégios e de luxo das famílias na governadoria e vice-governadoria do poder executivo, no legislativo e sua bancada do camburão, do judiciário, muitas vezes parcial, tendencioso e suas obras suntuosas, do tribunal de contas e seus indicados, apadrinhados políticos e do ministério público seletivo. O GAECO é uma esperança ! É uma luta do Brasil do século XXI contra o Brasil arcaico dos séculos XX e XIX. Isto é apenas a continuidade, em novos patamares, de longas lutas pela democracia, cidadania, modernização, transparência, educação e maior igualdade social.
Por que colocar dezenas de milhares de pessoas nas ruas do Paraná?

- Auditores fiscais do Paraná com salários de aproximadamente R$ 30 mil. Doaram à campanha do governador Beto Richa (PSDB) e a outros 25 aliados quase R$ 1 milhão;
- Aumento de 26,3% para os deputados (passando de R$ 20.400,00 para 25.200,00);
- Aumento no salário do governador (de R$ 29 400,00 para R$ 33 800,00);
- Aumento para os juízes estaduais (novo salário R$28.900,00) e desembargadores (R$30.400,00), juízes substitutos (R$27.8000,00);
- Aumento para os secretários do governo do estado (salário de R$23.600,00);
- Auxílio moradia de R$ 4.337,74 para os conselheiros do tribunal de contas.
E o problema é a data base dos funcionários públicos e dos professores concursados, os que ganham os piores salários trabalhando com os mais necessitados socialmente e com os menores reajustes possíveis ?


http://blogdotarso.com/…/richa-diz-que-esposa-nao-e-corrup…/

Uma crônica do casamento do Deputado do Camburão



Publicação de Izabel Cristina Marson


"Estive no casamento do deputado Tiago Amaral.Fui como professora e para observar como Londrina reagiria ao protesto. Em síntese: convidados constrangidos entrando na igreja aos gritos "O Amaral vai ter um treco, os convidados tão na lista do Gaeco". Álvaro Dias se irritando com nossa presença. Romanelli entrando às escondidas dentro de um furgão. O noivo entrando "cafofado" em banco traseiro de camioneta carissima. Teve convidada fazendo uma selfie conosco. Durante a cerimônia veio a resposta de Londrina, centenas de carros que passavam buzinavam contra a corrupção. A PM que alegou ter feito uma blitz, ali estava para proteger a elite. O cerco foi dando errado, a cada rua bloqueada a população nos ajudava furando o esquema e vinha de outros lados para nos ajudar com o buzinaço. Casamento rápido, uma noiva nervosa entrando pela porta lateral, porque a porta principal era nossa. Na saída, a elite nervosa, camionetas aceleravam, os noivos escondidos em alguma delas. E os manifestantes deixando claro: "O dinheiro da festa é nosso". Na manifestaçao de ontem nós mostramos a cara, mas eles se esconderam. Como imagem simbólica da noite uma convidada chiquérrima tentou se esconder por detrás da bolsinha de prata que trazia às mãos. Uma manifestante perguntou de que você se esconde, ela simplesmente baixou a bolsa e nos olhou com perplexidade. Algo dentro dela ruiu. Enfim, foi o casamento do século. Quem não foi, perdeu!"
Valéria Arias 


Já sabemos como funciona a mente e o modus operandi das oligarquias que dominam os poderes econômico e político no Paraná. De algumas dezenas de anos para cá, o "extrativismo estatal" (expressão comum no âmbito da Ciência Política) é basicamente o mesmo. Porém, o "esclarecimento" das famílias empoderadas parece ter minguado. Para a economia política do poder, a diferença é que o discurso conservador, dantes refinado, agora expressa abertamente o caráter anti-povo que o fundamenta.

sábado, 23 de maio de 2015

Ebarcação com 300 migrantes a bordo, ao largo da Sicília.


Judiciário dá a medida do estofo moral de nossa elite.


(Professor Nilson Lage)

Se querem a perfeita medida do estofo moral da elite brasileira, olhem para o Judiciário do país.
Sua origem está na primogenitura dos latifundiários antigos que, buscando expandir propriedades e plantéis de escravos, cuidaram de prover, primeiro, na descendência, o doutor em leis.
Agora se vê que, em espírito, manteve-se esse compromisso ancestral com o próprio bolso e patrimônio.
No momento em que encontram caminhos fáceis, pela fratura da unidade política do Estado, a primeira preocupação dos magistrados é assaltar o Tesouro Nacional, arrancar o máximo de dinheiro possível e se espojar nele, numa disputa imoral de privilégios indecentes – do auxílio moradia a quem tem casa ao inalienável direito de ir comprar ternos em Miami.
Aos trabalhadores, o arrocho; ao Judiciário do Brasil, 78,56% de aumento, fora inúmeros e ridículos penduricalhos.



A comunicação dos governos e a sociedade

Eugênio Bucci é categórico ao afirmar que a comunicação de todos os governos é usada para fins partidários ou pessoais, e os brasileiros são os maiores anunciantes do mercado publicitário nacional por um único motivo: as verbas para esse fim saem dos cofres públicos.
- Brasileiros – Em O Estado de Narciso, o senhor aponta que o principal objetivo de parte das campanhas de todos os governos não é o de alertar a sociedade…
- Eugênio Bucci: O principal objetivo de comunicação das campanhas públicas, vacinação, prevenção de doenças, água, não é o de alertar a sociedade, mas convencê-la de que aquele governo está preocupado com os cidadãos. Trata-se de promoção de uma imagem, a partir da noção de que as pessoas se sentirão cuidadas, seguras e amparadas. Não estou falando do governo Lula, Dilma, Alckmin ou Haddad, mas de traços dominantes que atravessam todos os níveis das unidades da Federação e percorre todos os partidos.
- Brasileiros - Estamos sendo enganados?
- Eugênio Bucci: Não iria tão longe. Diria que há um esforço instalado no Estado para engambelar o eleitor. Se é bem-sucedido é outra conversa. Não existe uma publicidade do governo que diga: “Erramos aqui, precisamos da sua ajuda”. A publicidade governamental é de enaltecimento e é óbvio que se trata de uma versão parcial.


a entrevista:

A moralidade seletiva das corporações de mídia

"A imprensa brasileira trabalha os casos de corrupção não a partir do ato em si, mas, sim, a partir de quem praticou a corrupção e quem está envolvido nesses escândalos. Só depois desse filtro, dessa censura prévia, e só depois de verificar se não irá atingir interesses dos grupos econômicos influentes, é que a imprensa decide qual o tamanho da cobertura jornalística que dedicará, ou, então, se irá varrer os acontecimentos para debaixo do tapete, sumindo com esses fatos do noticiário. Nesse sentido, e parafraseando o próprio colunista Leonardo Souza, 'é uma pena que o ímpeto apurativo da imprensa brasileira não se dê pela vontade genuína de ver um Brasil limpo da corrupção'"


(Paulo Pimenta sobre à crítica do jornal Folha de S. Paulo, que o acusa de "inflar" a operação Zelotes, para atender interesses do PT, com o intuito de abafar a Lava Jato)
Uma compra dessas mercadorias ,mas do que um cala boca a compra da justiça com o dinheiro sujo da imoralidade.

Wilson Roberto Nogueira

Governo do Estado liberando verbas ao judiciário quando precisa do apoio de juízes para barrar eventuais contratempos com o mp.
Mais ministérios equivalem a mais cargos e verbas para os partidos da base que uma vez agraciados com fatias do 1, 2 e 3 escalão sentirão pagos pelos "votos de lealdade"ao governo, caso contrário votam com a oposição e denunciam  o tal excesso de ministérios ( na maior cara dura ).

Mesmo porque os ministérios,(quantos mais melhor,resultam em  mais secretarias de 1, 2 e 3 escalão mais cargos e "prestigio ' para o partido que acarinhado com cargos e verbas poderá sem receio votar as questões que o executivo enviar para os parlamentos

Clientelismo ou fisiologismo com patrimonialismo essa continua sendo modus operandi dos nossos homens e mulheres públicas (salvo uns e outras ).Rentistas sem serem nobres muito menos lejos de serem ou agirem como fidalgos.

Wilson Roberto Nogueira

quarta-feira, 20 de maio de 2015



"A cada bela impressão que causamos, conquistamos um inimigo. Para ser popular é indispensável ser medíocre." Oscar Wilde

Marcha pela data-base

Ato que exigia o cumprimento da lei da data-base pelo governo, reuniu cerca 30 mil educadores(as) e servidores(as) de outras categorias em Curitiba.19/05/2015
A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.

Eduardo Galeano
Every person is a half-opened door
   leading to a room for everyone.
                                   — Tomas Tranströmer