quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Onde reina o golpe, a democracia não tem lugar. Quem apoiou o golpe que embale ! Anistia ao caixa 2 só atualiza a análise anteriormente feita do legislativo: assembleia de bandidos comandada por bandidos. Estão temerários porque já começam os próprios deputados golpistas e pobres de direita a temer os outros golpistas ! Câmara dos Deputados deu golpe rasteiro para colocar Temer, Geddel, Jucá, Serra, Mendoncinha, Padilha, Moreira Franco e outros sem votos no poder. Falar em combater a corrupção sem tocar na imensa sonegação empresarial, nos marajás do judiciário, os mesmos da farsa a jato, entreguistas que ganham acima do teto, na mídia surgida das concessões, falcatruas e favores do Estado é mais do mesmo para todo esse bando oficializado no poder golpista

RCO

Ainda não rolou greve ?

Ainda não rolou greve ? Professorado da UFPR. A atual geração de professores com uns cinquenta e poucos anos é que realmente tornou a UFPR uma verdadeira universidade de pesquisa. Muitos são contra a greve porque "atrapalha" as férias de verão. Muitos não podem comparecer nas assembleias de greve se não tiverem médico, dentista, portão eletrônico estragado, o encanador que atrasou, ou a família que precisou de ajuda em algum compromisso. Não somos como os jovens de 18, ou 20 e poucos anos, que são muito mais idealistas, livres e descompromissados com o establishment, até porque jovens são os principais críticos do sistema, como deve ser próprio da juventude. Muitos jovens afirmam que não confiam em ninguém com mais de 30 anos e bem mais de 10 mil reais de remuneração ! Hoje esse grupo de professores está avançado na meia idade, a maioria orientou teses, são associados ou já são titulares. O maior benefício coletivo dos últimos anos para esse professorado cinquentenário foi a criação da categoria de professor associado, ainda com Lula e depois as passagens para o topo dentro da carreira como titular, ainda mais nos ataques contra as aposentadorias. No início dos anos 1990 esse grupo ainda era composto por professores "novos", em torno dos trinta anos, a maioria doutorandos e na época assistentes, o que significava um grande arrocho salarial na malfadada época de FHC e do Paulo Renato, sem recomposições salariais e total falta de investimentos. Nos anos Lula e Dilma houve um grande crescimento e expansão das IFES, até mesmo as condições salariais melhoraram muito em relação aos anos 90. Ainda vivemos o final do orçamento 2016 de Dilma e do PT, mas no ano que vem em diante teremos o imenso impacto do corte de recursos e o arrocho salarial típico da era do PSDB, back to the past, anos 90. O problema é que a maioria dos professores contrários à greve ainda não recebeu o impacto da PEC55 na infra-estrutura e da MP746 nas licenciaturas. Ainda há poucos meses atrás estavam juntos o professor trotsquista de ultra esquerda da Conlutas com o professor de direita, apoiador do MBL, no apoio ao golpe e derrubada de Dilma. Os professores têm origens, ideologias e carreiras muito diferentes. Por que enfrentar pequenos poderes, burocracias e relatórios para se ter uma bolsa de iniciação científica, para quem orienta muitos doutorados? Bolsa produtividade, uma bolsa pequena e com valores pobres, se um professor com nome reconhecido academicamente e cientificamente recebe muito mais em uma palestra ? Precisamos aumentar as bolsas e não burocratizá-las para diminuí-las. Muitas são as diferenças entre as áreas. As humanidades precisam de livros e de bibliotecas, outras ciências trabalham com laboratórios e artigos compactos coletivos. Os melhores investimentos sempre devem passar pela boa formação e remuneração institucionalizada dos professores, contra o peg-pag de certos produtivismos. Quem só viveu as "vacas gordas" do PT, com aumentos das bolsas para alunos da pós, infelizmente viverá as "vacas magras" dos golpistas a partir do ano que vem. Será uma má experiência para toda uma nova geração de professores conhecer o que conhecemos nos anos 90. Quando esses professores sentirem os profundos cortes e arrochos a greve será reavaliada.

RCO

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Quem salvar primeiro?


Considerando as muitas variáveis possíveis, entendo que entre duas pessoas que estiverem com risco de morte iminente, salva-se primeiro aquela que tem mais chances de sobreviver. Se uma estiver em estado "grave" e a outra "leve", salva-se primeiro a grave.
Penso que o profissional da saúde deve julgar suas escolhas por esses critérios ou outros mais adequados, que um leigo como eu desconhece. A resposta à pergunta da Fátima Bernardes ("salva-se antes o traficante em estado grave ou o policial levemente ferido?"), me parece mais que óbvia: salva-se antes o traficante.
Mas não parece racional para aqueles que atacaram com fúria a apresentadora, como se ela estivesse defendendo "bandidos". Aliás, os tais "bandidos" se tornaram uma categoria discursiva interessante no pensamento binário: universais e homogêneos, são seres maus e que precisam ser exterminados sumariamente.
A polêmica, portanto, não foi dar ou não a preferência ao atendimento do policial, mas de se negligenciar ou não o atendimento ao "bandido". Uma parcela da população deseja que o médico julgue seus pacientes e, se for o caso, autorizam que ele execute, a seu critério, a pena de morte. Assim, a pergunta em questão seria se o traficante pobre (ou que assim o for pelo julgamento do médico), que vende a cocaína para as festas dos ricos, deveria ou não ser salvo quando toma um tiro do policial.
Ou melhor, sem tergiversar, o que se pretende por essas pessoas é permitir que os policiais possam entrar em uma favela e eliminar quem quer que seja, em nome do extermínio da "bandidagem", quando os verdadeiros bandidos estão justamente entre aquelas "pessoas de bem" que invariavelmente pregam a chacina dos pobres.

André Castelo Branco Machado
"Então, aproveite que o senhor ainda não tem altos índices de popularidade e faça coisas impopulares que serão necessárias e que vão desenhar este governo para os próximos anos. Aproveite sua impopularidade. Tome medidas amargas. Aliás, este é o grande desafio das democracias do mundo. Como fazer coisas impopulares?”

Nizan Guanaes, ontem, no 'Conselhão', dirigindo-se ao golpista Temer.

Em outras palavras, a democracia é um estorvo.


SOBRE AMIZADES E LUTA POLITICA:


 Valério Arcary:

"Entre aqueles engajados na militância há muita confusão entre o que são as relações de amizade e as relações de camaradagem. Esta confusão gera muitas desilusões quando as diferenças políticas levam à perda das relações de amizade. Relações de amizade são um vínculo emocional poderoso. Lidar com perdas é sempre uma experiência dolorosa. Não é incomum que as decepções pessoais com camaradas se transformem em desalento ideológico no futuro da luta pelo socialismo. E o desânimo, a desesperança, o desengano são maus conselheiros, porque obscurecem a mente e diminuem a lucidez.
Tentar definir o que é a amizade foi sempre difícil. Em uma época em que confiar nos outros é percebido como credulidade ingênua é importante lembrar que uma vida sem amizade é muito triste. A solidão parece ser uma epidemia no mundo contemporâneo. Ela é sempre mencionada como um dos fatores de depressão. A desconfiança generalizada – contra tudo e todos – só pode alimentar, evidentemente, vidas solitárias.
(...)
Lealdade entre amigos não pode repousar somente em acordos políticos. Ela se constrói alicerçada na confiança pessoal, que vai além das ideias políticas. Existindo, inevitavelmente, diferenças de opinião, cultivar amizades exige uma disposição para a tolerância. Ninguém gosta de ser contrariado. Podemos ficar desgostosos ou até aborrecidos quando discordam de nossas opiniões. Mas romper amizades por diferenças de opinião é uma tolice infantil. Estar disposto a acolher ideias diferentes das nossas revela maturidade para aceitar graus de dissenso com que podemos conviver.
O que são camaradas? Camaradas são aqueles que, na tradição socialista, pertencem a uma mesma organização e ou compartilham uma visão do mundo comum, o igualitarismo, ou luta pela igualdade social. Esta visão do mundo socialista se fundamenta, em primeiro lugar, no reconhecimento de que todos os seres humanos têm em comum necessidades, intensamente, sentidas que são iguais. Ser socialista significa uma ruptura ideológica com o capitalismo, uma adesão ao movimento dos trabalhadores e dos oprimidos, uma aposta no projeto de luta pela revolução, e uma aspiração internacionalista por um mundo sem dominação imperialista. Nas sociedades em que vivemos ser socialista exige, portanto, uma escolha de classe. Não importa a classe social na qual nascemos. O que importa é a qual classe unimos nosso destino.
Acontece que nem todos os nossos amigos são camaradas, e nem todos os camaradas são amigos. Porque amigos podem ter visões do mundo diferentes. Amizades não devem ter como condição, necessariamente, uma mesma visão do mundo. Por outro lado e, talvez, mais importante, podemos ser camaradas de militantes que não conhecemos tão bem. Só em pequenas organizações, núcleos de pouco mais do que cem militantes, é que é possível conhecer todos os membros. Se a amizade pessoal for um critério de pertencimento, uma organização revolucionária estará condenada à estagnação, ou a rupturas recorrentes.
(...)
A violência verbal, seja na forma ou no conteúdo, é uma maneira desonesta, intelectualmente, de tentar ganhar um debate a qualquer preço. Acusações ad hominem são aquelas que são dirigidas às pessoas, e não às ideias que elas defendem.
Coloca-se o caráter do adversário em dúvida, através de ataques pessoais, para desqualificar suas ideias. Trata-se de uma tática diversionista porque tenta desviar o tema da polêmica. Aqueles que recorrem a este método retórico confessam, involuntariamente, que não têm confiança nos seus argumentos. Precisam destruir o outro porque não conseguem refutar suas ideias. Violência verbal através de acusações ad hominem é um método inaceitável, porque diminui a importância das ideias, e só serve para a desmoralização dos adversários.

Na esquerda revolucionária para o século XXI que queremos construir devemos saber preservar amizades, apesar das diferenças políticas que nos separam em distintas organizações, e aprender a distinguir os adversários dos inimigos. Isso parece simples e elementar. Mas não é.

Agora mesmo ·

Ricardo Costa de Oliveira


Acertou plenamente a defesa de Lula ao enquadrar Moro, juiz denunciado na ONU pela acusação de desrespeitar os direitos humanos de Lula, como uma justiça persecutória e arbitrária, semelhante aos procedimentos políticos do fascismo italiano e do nazismo derrotados em 1945, bem como apontarem ranços do típico "Juiz de Paz da Roça", clássico de nosso teatro para tipos prepotentes, imbuídos de provincianismos, característicos de uma região agrícola e sem maiores culturas cosmopolitas. Porém o funcionário golpista do mês é o Ministro Geddel Vieira Lima, citado no livro biográfico "Renato Russo: O filho da Revolução" como "suíno" desde o Colégio Marista ! Geddel representa a previsão do filme "Aquarius", este capitalismo familiar destrutivo que existe no Brasil. Geddel pertence a uma das principais famílias políticas na Bahia, os Vieira Lima, ocupantes de vários cargos políticos, o irmão, tio e pai foram deputados. O Desembargador Alfredo Luiz Vieira Lima foi Presidente do Tribunal de Justiça da Bahia nos anos 1950. Uma família de pecuaristas e grandes proprietários rurais. Geddel foi acusado pelo ex-Ministro da Cultura Calero de graves irregularidades nas licenças do alto apartamento La Vue, em Salvador e nada aconteceu até agora, mesmo com todas as provas e evidências colocadas contra ele, exatamente o contrário do processo contra Lula, sem provas e sem evidências em prédio nenhum. A crise política, jurídica, educacional e econômica afunda o projeto dos golpistas de vez.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Sempre existiu movimento dos estudantes! Juventude que não se rebela, nega seu papel de desafiar -se, de desafiar. Tenho visto muitos conformados na forma da obediência extrema acusar de canalhas os que lutam por uma sociedade igualitária. Os verdadeiros canalhas são os que defendem a exploração do trabalho e do trabalhador ampliando a alienação e destruindo os indivíduos em nome do individualismo parasitário. Todo poder ao Povo, em nome de uma sociedade mais igualitária!

Julio Urrutiaga Almada

sábado, 19 de novembro de 2016

Los heraldos negros



Hay golpes en la vida, tan fuertes… ¡Yo no sé!
Golpes como del odio de Dios; como si ante ellos,
la resaca de todo lo sufrido
se empozara en el alma… ¡Yo no sé!

Son pocos; pero son… Abren zanjas oscuras
en el rostro más fiero y en el lomo más fuerte.
Serán tal vez los potros de bárbaros atilas;
o los heraldos negros que nos manda la Muerte.

Son las caídas hondas de los Cristos del alma
de alguna fe adorable que el Destino blasfema.
Esos golpes sangrientos son las crepitaciones
de algún pan que en la puerta del horno se nos quema.

Y el hombre… Pobre… ¡pobre! Vuelve los ojos,
como cuando por sobre el hombro nos llama una palmada;
vuelve los ojos locos, y todo lo vivido se empoza,
como charco de culpa, en la mirada.

Hay golpes en la vida, tan fuertes… ¡Yo no sé!

CÉSAR VALLEJO


Biblioteca Digital Ciudad Seva

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Dica da matéria do Luiz Domingos Costa

Well, well, well... senão vejamos. Há na literatura sobre survey, metodologia de pesquisa, uma montoeira de recomendações, técnicas, experimentos, grupos de controle, etc., etc., para evitar viés na coleta de dados. Parece que o governo (não sei do instituto de pesquisa) não leu nem o básico.

A literatura ainda é ingênua e propõe que há algo conhecido como "Observer Expectancy Effect", que é quando o pesquisador enviesa inconscientemente a resposta do entrevistado ou a coleta de dados. Frisem o inconscientemente.

As perguntas que o IBOPE (jura? espero que não sejam eles que formularam) usou na pesquisa abaixo passam de qualquer limite do 'inconsciente' e do 'viés'. As perguntas foram:

"a) o senhor é a favor ou contra a reformulação do ensino médio que, em linhas gerais, propõe ampliação do número de escolas de ensino médio em tempo integral, permite que o aluno escolha entre o ensino regular e o profissionalizante, define as matérias que são obrigatórias, entre outras ações?"

b) A PEC 241 ou PEC do Teto de Gastos é uma iniciativa que tem como objetivo limitar as despesas do governo federal. O senhor aprova ou desaprova essa iniciativa?"

Imaginem quem seria contra 'ampliar o número de escolas'?
Sobre a PEC, quem é contra que o 'governo gaste menos'? Eu sou à favor que eu mesmo gaste menos, ainda sim...

Seria como perguntar algo do tipo: "o senhor/a é a favor ou contra uma democracia onde Adolf Hitler será o presidente?", algum democrata à favor?

Surpreende que as taxas de concordância tenham sido tão baixas.


O Brasil dos golpistas representa hoje plenamente o que Durkheim denominava de anomia, o enfraquecimento completo das normas e instituições na sociedade, a incapacidade da sociedade em regular comportamentos e normas. A direita deu o golpe para jogar o país nessa situação de profunda instabilidade e agora devem temer mais golpes sobre golpes deles mesmos. A culpa da mídia golpista antidemocrática, a culpa do judiciário e de procuradores da República, que agem como ativistas alucinados na procura de holofotes midiáticos, a culpa de grupelhos delirantes de extrema direita na Câmara, culpa de um pai tresloucado que mata o filho sobre ocupações, culpa de pacotes fracassados de austeridade e PECs miseráveis de legislativos golpistas e corruptos, desmoralização da Câmara dos Deputados, Senado e ALERJ, poderes golpistas sitiados. Os discursos ignaros de ódios e de fantoches da direita já inviabilizaram o próprio governo golpista de Temer, do PMDB, PSDB, DEM e nenhum outro golpe judicial, legislativo, militar e empresarial poderia gerar mais anomia e fracassos do que a direita já conseguiu hoje. Marx investiga estes fenômenos como a luta de classes, a velha direita no poder com Temer e seus privilégios não conseguem propor nada de diferente e o novo, uma nova alternativa popular, ainda surgirá contra esse estado de coisas do Brasil dos golpistas.

Ricardo Costa de Oliveira

terça-feira, 15 de novembro de 2016



A exclusão dos professores do ensino básico em QUASE TODAS as políticas educacionais é uma situação semelhante a de que negros e mulheres passaram quando não foram levados em conta nas Constituições nacionais.

Thiago Melo

O que as pessoas desconhecem é que as manifestações políticas escolares no Brasil, em última instância, não são por meras melhorias. As manifestações são causadas por um estado degradante de trabalho e estudo diante de um completo desprezo da sociedade pelo trabalho escolar. É um erro pensar que toda esta situação precária da escola pública não atinge à queima-roupa as pessoas que lá frequentam. É como pensar que um presídio dominado pelo crime só tem o problema de não reabilitar os presidiários, ignorando todos os outros aspectos da vida que qualquer pessoa nestas condições passa, inclusive as pessoas que lá trabalham (ameaça de morte etc.).
ficavam ali enchendo o saco de quem passava pela frente da Praça? O que está acontecendo com o Juiz da Camisa Preta, o Procurador do Power Point e o Boca de Peixe? Quem souber me diga.


Thiago Melo



O Símbolo da República de Curitiba, dos Golpistas e da Direita foi desmontado neste fim de semana. Desmancharam a casa construída no Largo Santa Rita, no Ahu, em frente à Justiça Federal, onde o Juiz Moro está instalado, pontificando. Alguém sabe me dizer o que isto significa? Será o fim da Lava Jato e da República de Curitiba que se avizinha? Será que a dona de cadeira de rodas e seus 100 comandados vão gritar em outra freguesia? O que estará acontecendo com os vendedores de camisetas pretas dando vivas ao Juiz e à PF? Os vendedores de pixulecos onde vão se instalar? O que estará acontecendo com o Juiz Moro, os machinhos de academia e as mocinhas de shopping center que ficavam ali enchendo o saco de quem passava pela frente da Praça? O que está acontecendo com o Juiz da Camisa Preta, o Procurador do Power Point e o Boca de Peixe? Quem souber me diga.


Jose Miguel Rasia

sábado, 12 de novembro de 2016


Trabalhei no meu trabalho
Dormi no meu sono
Morri na minha morte
E agora posso abandonar
Abandonar aquilo que faz falta
E abandonar aquilo que está cheio
Necessidade de espírito
E necessidade no Buraco
Amada, sou teu
Como sempre fui
Da medula aos poros
Do anseio à pele
Agora que a minha missão
Chegou ao fim:
Reza para que me seja perdoada
A vida que levei
O Corpo que persegui
Perseguiu-me igualmente
O meu anseio é um lugar
O meu morrer, uma vela.

LEONARD COHEN

domingo, 6 de novembro de 2016

Ricardo Costa de Oliveira

Como eu afirmo nas minhas aulas, nenhuma sociedade necessita mais de sociologia e de humanidades do que o Brasil, nenhuma sociedade precisará mais delas do que a sociedade do futuro. A série Black Mirror vale por um curso de tecnologia e sociedade, quase todas as principais questões estão lá: informática, computação, redes, biotecnologias, poder político, trabalho, desigualdade social, status, ideologias, interações e relações sociais, famílias, instituições, autoridades, punições, conceitos sociais de crimes, violências, lazer, reprodutibilidade, ambientes de realidades, alienação.. e por aí vai. A falta de sociologia e de humanidades é o pior desastre para uma sociedade que se quer moderna, com cidadania e direitos para todos. A falta de sociologia e de reflexões sociais sai mais cara do que a falta de tecnologia porque a destruição social será muito pior pelo mau uso das tecnologias acéfalas do futuro. Black Mirror serve como complementação para qualquer curso de sociedade e tecnologia, da mesma maneira que um House of Cards (ou House of Cunha) serve para a complementação da política como ela realmente é, em um bom curso sobre Maquiavel.



Há crises para muito tempo…



Outras constatação importante: os países ricos seguem padecendo de consequências do terremoto econômico-financeiro que foi a crise de 2008. Pela primeira vez, a União Europeia, (e o “Brexit” confirma), vê ameaçada sua coesão e até sua existência. Na Europa, a crise econômica durará ao menos mais uma década, até pelo menos 2025.
Há crise, em qualquer setor, quando algum mecanismo deixa de atuar, começa a ceder e acaba rompendo-se. Essa ruptura impede que o conjunto da maquinaria siga funcionando. É o que aconteceu com a economia mundial desde o estouro da crise das sub-primes em 2007-2008.
As consequências sociais desse cataclismo econômico foram brutalmente inéditas: 23 milhões de desempregados na União Europeia e mais de 80 milhões de pobres… Os jovens, em particular, são as principais vítimas; gerações sem futuro. Mas as classes médias também estão assustadas porque o modelo neoliberal de crescimento abandonou-as à margem do caminho.
A velocidade da economia financeira de hoje é de relâmpago, enquanto que a velocidade da política, em comparação, é de caracol. Resulta que fica cada vez mais difícil conciliar tempo econômico e tempo político. E também crises globais e governos nacionais. Tudo isto provoca, nos cidadãos, frustração e angústia.
A crise global produz perdedores e ganhadores. Os ganhadores encontram-se, essencialmente, na Ásia e nos países emergentes, que não têm uma visão tão pessimista da situação, como os europeus. Também há muitos ganhadores no interior dos países ocidentais, cujas sociedades encontram-se fraturadas pela desigualdade entre ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres.

Na realidade, não estamos suportando uma crise, mas uma série de crises, uma soma de crises mescladas tão intimamente umas às outras que não conseguimos distinguir entre causas e efeitos. Porque os efeitos de umas são as causas das outras, e assim até formar um verdadeiro sistema de crises. Ou seja, enfrentamos uma autêntica crise sistêmica do mundo ocidental, que afeta a tecnologia, a economia, o comércio, a política, a democracia, a identidade, a guerra, o clima, o meio ambiente, a cultura, os valores, a família, a educação, a juventude etc.

Extraído de análise de Ignácio Ramonet em outraspalavras.net de 15/10/2016. 

Como começou... gato negro em campo de neve ...


(A motivação para contar essa história - que parece fantasiosa, mas que é real - veio da polêmica atual sobre as manifestações de rua e seus desdobramentos em violência. Desde os meus 15 anos acho – e continuo achando ainda hoje – que a violência é caminho para lugar nenhum. Quer mudar o mundo? Ótimo. Entre no grêmio estudantil, filie-se a um sindicato ou a um partido, funde uma banda de rock, participe de um cineclube e veja muitos filmes, leia muito livros, estude bastante. São várias as opções. Pense em projetos e programas que possam beneficiar muita gente. E, se a oportunidade aparecer, não a perca.)
A comemoração, na próxima segunda-feira, dos dez anos do programa “Luz para todos” instituído pelo Decreto 4.873, de 11/11/2003, do então presidente Lula e da ministra de Energia Dilma Rousseff, me traz algumas lembranças que quero compartilhar com os amigos.
Corria o ano de 2002, último ano do segundo governo de FHC e, em março de 2002, o Ministério do Planejamento lançou a concorrência para o Estudo de Atualização do Portfólio dos Eixos Nacionais de Integração e Desenvolvimento (2004-2011). Este visava renovar os projetos de infraestrutura que poderiam ser do interesse do setor privado e de parcerias público-privado na concepção desenvolvimentista do então governo federal. Continha também um esforço meritório de planejamento do país por meio de grandes projetos de infraestrutura e estudos de logística realizados por profissionais experientes.
Participamos da concorrência respondendo pelo portfólio de projetos de Energia (já tinha feito o portfólio de projetos de Energia para a Região Amazônica no estudo anterior) pelo Consórcio Monitor/Boucinhas. Ganhamos a licitação e começamos a trabalhar na seleção de projetos de usinas de geração, linhas de transmissão e gasodutos para o país.
Ao iniciar os trabalhos, tendo que produzir um texto sobre a situação nacional na perspectiva do setor elétrico, oferta & demanda, aparecia como uma nódoa gigantesca a borrar o mapa nacional o número de brasileiros ainda sem acesso à energia elétrica, em pleno século XXI: algo como 10 milhões de pessoas! Nas trevas, ou quase. Isso me incomodava e desviava a minha atenção do portfólio de projetos. Comecei a pensar se não havia uma forma de “driblar” o escopo do projeto que eu tinha sido contratado para fazer, introduzindo, de alguma forma, a questão da população não atendida pelos serviços de eletricidade nas áreas rurais do país.
Vinha de uma gratificante experiência quando, dez anos antes na CESP, em São Paulo, tinha sido um dos artífices de um programa de eletrificação rural que atendeu as populações carentes do Vale do Ribeira, Pontal do Paranapanema e do fundo do Vale do Paraíba.
A eletrificação rural no país estava se desenrolando, de forma lenta, por meio de programas das concessionárias federais e de algumas empresas estaduais, sendo o maior deles o Luz no Campo (Eletrobras e subsidiárias). Como responsável por um portfólio de projetos de Energia para o Brasil, se eu conseguisse transformar a questão da eletrificação das moradias nas áreas rurais em um programa de governo, uno e nacional, daria um enorme passo no sentido da verdadeira universalização do acesso à energia elétrica a todos os brasileiros. Um único programa! Passo fundamental que romperia o “dique” setorial e traria o assunto para a responsabilidade do governo federal! Um programa de governo e não de empresas!
Comecei a trabalhar. Consultei, em primeiro lugar, Lucia Pilla (parceira em muitos projetos!), economista brilhante, que também estava no Consórcio, e conhecida por resolver problemas complexos. Perguntei-lhe de forma objetiva: será que você consegue o número de moradias rurais brasileiras que não possuem acesso à eletricidade? E ela, que adora desafios, respondeu: de todos os municípios brasileiros? E eu: sim, de todos, só serve se for de todos! Ela retrucou: se os dados existirem, consigo! E lhe expliquei o que pretendia. Com a informação e com custos das obras de eletrificação rural em andamento no país, que eu tinha como obter, poderíamos fazer orçamentos médios regionalizados e obter o custo muito aproximado de quanto precisaríamos para um programa de UNIVERSALIZAÇÃO da energia elétrica para o país. Poderia ser viável!
Conseguimos os dados, todos. O projeto estava andando e, muito importante, identifiquei que poderíamos, a partir de uma ação do governo, usar os recursos da Reserva Global de Reversão (RGR), recursos abundantes do próprio setor elétrico, para executar o programa. Ou seja, tínhamos os dados e a fonte de recursos. Precisava, agora, dar o segundo passo: convencer o Consórcio que o programa de UNIVERSALIZAÇÃO de acesso à eletricidade que estávamos desenvolvendo, apesar de não fazer parte do escopo contratado, merecia estar no estudo pelo seu caráter “estruturante do ponto de vista social”. Batalha.
Estava no Consórcio, como um dos coordenadores, o sociólogo Carlos Alberto Doria e fui consultá-lo sobre o assunto. Doria, um consultor experiente na relação com governos, homem de grande inteligência e sensibilidade, poderia ajudar na viabilização do programa. Mostrei a ele o que pretendíamos. Ele achou a ideia excelente e disse que claro, claro que sim, ajudaria a colocar o programa no portfólio de projetos. E assim o fez. Na reunião de coordenadores e responsáveis pelos vários portfólios, apresentei a ideia e Doria foi decisivo no convencimento do Prof. Paulo Haddad - economista mineiro, ex-ministro da Fazenda, homem muito educado, gentil e coordenador-geral dos trabalhos - a apoiar a inclusão do programa no nosso estudo.
Próximo passo, Brasília. Restrições, pois o programa não era “novidade” e não tinha apelo para atrair o capital privado. Com paciência fui explicando que a “abordagem” era nova, que a execução do programa movimentaria dezenas de empresas privadas produtoras de postes, cabos elétricos e transformadores e inúmeros pequenos empreiteiros. E que os benefícios sociais seriam enormes. Fomos conquistando adeptos. No final, surgiram pequenos óbices formais, relacionados com a aventada, por técnicos do MP, possível necessidade de um aditivo ao contrato pela inclusão do novo trabalho. Afastamos o problema dizendo que não seria necessário qualquer acréscimo ao contrato, que os homens-hora gastos nos estudos do programa seriam absorvidos por nós sem custos para o contratante.
E assim concluímos o estudo. Cerca de 2.150.000 moradias sem energia elétrica existentes no país poderiam ser atendidas a um custo de R$ 6.297.780.000,00 (Reais de outubro de 2002). Sim, era possível. No texto de justificativa do programa, que encaminhamos para o Ministério do Planejamento, o batizei. LUZ PARA TODOS! Programa de universalização do acesso à energia elétrica.
FHC se despedia. Lula assumiria o governo em 1/1/2003. Dilma foi nomeada para o Ministério de Energia. A sensibilidade social de ambos tirou o programa da prateleira do Ministério do Planejamento e o transformou em plano de governo. Os últimos números que tive acesso mostram que cerca de 15 milhões de brasileiros foram beneficiados pelo programa até meados de 2013!
Pequena ironia da história: um dos maiores programas sociais da era Lula foi gestado nos estertores do governo de FHC. Não por tucanos, nem por petistas. E sim por consultores independentes. Pessoas que sempre estiveram no “campo” da esquerda democrática, ”três mosqueteiros” lutando aqui e ali, aproveitando os espaços existentes para ousar um pouquinho visando à construção de uma sociedade mais justa e igualitária.Por Claudio Guedes

Lugar Lugares

Parece que sim, que tinha demasiada imaginação, e levaram-na ao médico e ele disse: aguente-se, e ela não se aguentou. Era uma criança. Não, não, nessa altura já tinha crescido, bebia pelo menos um litro de brandy por dia. Nada mau, para uma antiga criança. A verdade é que era uma criança, e não se aguentou quando o médico disse: aguente-se. E as ruas são tão tristes. Precisam de mais luz. Mas nesta, por exemplo, já puseram mais luz, e mesmo assim é triste. É até mais triste que as outras. Estou tão triste. Vamos para as férias, para o pequeno paraíso. Contaram-me que ele tinha uma alegria tão grande que não podia agarrar num copo: quebrava-o com a força dos dedos, com a grande força da sua alegria. Era uma criatura excepcional. Depois foi-se embora, e até já desconfiavam dele, e embarcou, e talvez não houvesse lugar na terra para ele. E onde está? Mas era uma alegria bárbara, uma vocação terrível. Partiu. E agora chove, e vamos para casa, e tomamos chá, e comemos bolos que tu gostas tanto. E depois, e depois?


(Herberto Helder, trecho de Lugar Lugares, em "Os Passos em Volta")

Ensinamento - coisas que vamos descobrindo à medida que envelhecemos




As nossas experiências e insights mais profundos devem permanecer secretos e não falados, isto é, devemos manter sigilo pelas experiências esotéricas por quais passamos. Quando descobrimos coisas ou passamos por experiências místicas e começamos a falar poderemos ser rejeitados ou mal interpretados pelos outros. É inútil falar o que os outros não podem alcançar. Por isso, quando Cristo disse: “não se jogam pérolas aos porcos.”, ele quis dizer que algumas mensagens não chegam a algumas pessoas, e que nessas ocasiões é melhor não falar nada. Não devemos ultrapassar a capacidade de compreensão dos outros. O silêncio e o respeito muitas vezes são as atitudes mais corretas. Quando guardamos para nós nossas descobertas seremos aguilhoados com mais descobertas, quanto maior o nosso sigilo fazer, mais receberemos. O filme japonês “A Partida” trata de forma belíssima e pungente este assunto.

Eloi Beto Zanetti