Eu entendo que não entende o afastamento da Dilma como um
golpe, e são várias as facetas desse golpe: é um golpe judiciário, parlamentar,
midiático, econômico. Eu entendo o seu pensamento que o liberalismo, o Estado
mínimo e a redução ou até o fim dos gastos públicos beneficiariam o Brasil,mesmo
sendo você um usuário do SUS e do Ensino Público. Eu entendo sua aversão pela
bandeira do PT e de toda a esquerda, mesmo sendo ela que defende na Câmara e
nas ruas os seus direitos. Eu entendo que vota em partidos da direita com medo
de que a esquerda seja comunista, mesmo que não exista regime comunista e, na
forma como pensou Marx, nunca tenha existido. Eu entendo que pensa com a cabeça
dos editoriais das grandes mídias, entendo o seu senso comum, a sua falta de
senso crítico. Mas o que eu não entendo, apesar de tudo isso, é o seu ódio, a
sua ira pelas pessoas pobres, sendo você igualmente pobre. Nesse caso, você não
é tão somente pobre, mas um miserável pela própria falta de percepção. JD
sexta-feira, 28 de outubro de 2016
(...) "A primeira coisa que a maioria das pessoas
assiste toda manhã é o noticiário local, depois o noticiário nacional. A partir
desses, é possível inferir que não há nada mais importante na vida do que o
clima e o trânsito. O fato de nossa presidente, Dilma Rousseff, enfrentar um
sério risco de impeachment e que seu principal oponente político, Eduardo
Cunha, o presidente da Câmara, está sendo investigado por receber propina,
recebe menos tempo no ar do que os detalhes dos congestionamentos. Esses
boletins são atualizados pelo menos seis vezes por dia, com os âncoras
conversando amigavelmente, como tias velhas na hora do chá, sobre o calor ou a
chuva." (17/NOV/2015)
O Texto é da jornalista Vanessa Barbara
UMA VOZ
Recorda aquela ilha onde se erige o fogo
Dos vivos olivais no flanco das cimeiras,
E é para que mais alta a noite seja e à aurora
Não haja vento mais que de esterilidade.
Tanto caminho negro há de fazer um reino
Onde recuperar o orgulho que já fomos,
Pois nada há de aumentar mais uma força eterna
Do que uma chama eterna e tudo se desfaça.
Por mim, irei buscar essa terra de cinzas,
Meu coração irei deitar sobre teu corpo.
Arrasado. Não sou tua vida em fundas ânsias,
Cujo só monumento é Fénix na fogueira?
.
UNE VOIX
Souviens-toi de cette île où l'on bâtit le feu
De tout olivier vif au flanc des crêtes,
Et c'est pour que la nuit soit plus haute et qu"à
l'aube
Il n"y ait plus de vent que de stérilité.
Tant de
chemins noircis feront bien un royaume
Où rétablir l'orgueil que nous avons été,
Car rien ne
peut grandir une éternelle force
Q'une
éternelle flamme et que tout soit défait.
Pour moi je
rejoindrai cette terre cendreuse,
Je
coucherai mon coeur sur son corps dévasté.
Ne suis-je pas ta vie aux profondes alarmes,
Qui n'a de monument que Phénix au bûcher?
"Foi da Ana Júlia a melhor e mais
verdadeira manifestação pública capaz, efetivamente, de expressar os sentidos
reais das ocupações. É válido e respeitável o entendimento que as ocupações -
uma atitude radical ante um dilema igualmente radical - não seja a melhor forma
de luta. É compreensível, também, que a maioria dos docentes, das comunidades
escolares e, até mesmo, do estudantado esteja mais preocupada/o com os dias de
reposição, as festas de formatura, os trabalhos finais, a "baderna"
que julgam ser o movimento social, PORÉM, acreditem amig@s: em cada ocupa deste
país há estudantes que poderiam ser a Ana Júlia, que falam como ela, que
comungam de sua força e de suas ideias; que sabem, como ela, o que é ser
criminalizado por lutar por um ideal coletivo; que, mesmo com tudo contra, não
abdicam de momentos de alegria. Esperança, utopia, destemor, verdade... nossos
estudantes que passaram e/ou passam pela experiência de conviver numa ocupação
aprenderam vivencialmente, na pele e no espírito, a identificar as contradições
sociais e tomaram para si uma responsabilidade que deveria ser de tod@s. Um
outro mundo é possível. Lutemos então, inspirados na força de tantos homens e
mulheres que fizeram de suas vidas uma constante missão de solidariedade e
busca pela justiça. Nas palavras inspiradoras de Olga Benário, lutemos
"pelo bem. pelo bom, pelo justo (...) pelo melhor do mundo". Brava
Ana Júlia, bravos/as estudantes do Brasil. Vocês nos dão uma lição essencial: a
humanidade ainda tem algum fôlego para construir um futuro viável, um mundo em
que tod@s e cada um/a tenha direito ao discernimento e à felicidade."
Valéria Arias
MEU FILHO QUER ESTUDAR II-
O argumento dos pais e mães que forçam a desocupação das
escolas é que seus filhos "querem estudar."
Talvez, seja necessário explicar que se a PEC 241 ( agora,
55, no Senado) for aprovada não haverá verba suficiente para a educação, nos
próximos 20 anos.
Talvez, seja importante dizer que se a MP do Ensino Médio
persistir seu filho só vai poder estudar as disciplinas que a escola tiver
condições materiais para ofertar.
É para que os filh@s de todos estudem, com qualidade e
amplitude de conhecimentos, que os estudantes ocupam as escolas!
Da Andrea Caldas
sexta-feira, 21 de outubro de 2016
Funchal
um poema no nobel de literatura 2011
Tomas Transtromer
O restaurante do peixe na praia, uma simples barraca,
construída por náufragos.
Muitos, chegados à porta, voltam para trás, mas não assim as
rajadas de vento do mar. Uma sombra encontra-se num cubículo fumarento e assa
dois peixes, segundo uma antiga receita da Atlântida, pequenas explosões de
alho.
O óleo flui sobre as rodelas do tomate. Cada dentada diz que
o oceano nos quer bem, um zunido das profundezas.
Ela e eu: olhamos um para o outro. Assim como se trepássemos
as agrestes colinas floridas, sem qualquer cansaço. Encontramo-nos do lado dos
animais, bem-vindos, não envelhecemos. Mas já suportámos tantas coisas juntos,
lembramo-nos disso, horas em que também de pouco ou nada servíamos ( por
exemplo, quando esperávamos na bicha para doar o sangue saudável – ele tinha
prescrito uma transfusão). Acontecimentos, que nos podiam ter separado, se não
nos tivéssemos unido, e acontecimentos que, lado a lado, esquecemos – mas eles
não nos esqueceram!
Eles tornaram-se pedras, pedras claras e escuras, pedras de
um mosaico desordenado.
E agora aconteceu: os cacos voam todos na mesma direcção, o
mosaico nasce.
Ele espera por nós. Do cimo da parede, ele ilumina o quarto
de hotel, um design, violento e doce, talvez um rosto, não nos é possível
compreender tudo, mesmo quando tiramos as roupas.
Ao entardecer, saímos. A poderosa pata, azul escura, da meia
ilha jaz, expelida sobre o mar. Embrenhamo-nos na multidão, somos empurrados
amigavelmente, suaves controlos, todos falam, fervorosos, na língua estranha. “
um homem não é uma ilha.“ Por meio deles fortalecemo-nos, mas também por meio
de nós mesmos. Por meio daquilo que existe em nós e que os outros não conseguem
ver. Aquela coisa que só se consegue encontrar a ela própria. O paradoxo
interior, a flor da garagem, a válvula contra a boa escuridão.
Uma bebida que borbulha nos copos vazios. Um altifalante que
propaga o silêncio.
Um atalho que, por detrás de cada passo, cresce e cresce. Um
livro que só no escuro se consegue ler.
Tomas Tranströmer
(Traducão do sueco para alemão por Hans Grössel)
Traducão do alemão para português por Luís Costa
"Primeira foto de Hitler",
de Wislawa Szymborska
"E quem é essa gracinha de tiptop?
É o Adolfinho, filho do casal Hitler!
Será que vai se tornar um doutor em direito?
Ou um tenor da ópera de Viena?
De quem é essa mãozinha, essa orelhinha, esse olhinho, esse
narizinho?
De quem é essa barriguinha cheia de leite, ainda não se
sabe;
de um tipógrafo, padre, médico, mercador?
Quais caminhos percorrerão essas pernocas, quais?
Irão para o jardinzinho, a escola, o escritório, o casório
com a filha do prefeito?
Anjinho, pimpolho, docinho de coco, raiozinho de sol,
quando chegou ao mundo um ano atrás,
não faltaram sinais na terra nem no céu:
gerânios na janela, um sol primaveril,
a música de um realejo no portão,
votos de bom augúrio envoltos em papel crepom rosa,
pouco antes do parto, o sonho profético da mãe:
sonhar com uma pomba - sinal de boas-novas,
se for pega - vem uma visita muito esperada.
Toc, toc, quem é, é o coraçãozinho do Adolfinho que bate.
Fralda, babador, chupeta, chocalho,
o menino, com a graça de Deus e bate na madeira, é sadio,
parecido com os pais, com um gatinho no cesto,
com os bebês de todos os outros álbuns de família.
Não, não vai chorar agora,
o fotógrafo atrás do pano preto vai fazer um clique.
Ateliê Klinger, Grabenstrasse Braunau,
e Braunau é uma cidade pequena mas respeitável,
firmas sólidas, vizinhos honestos,
cheiro de massa de pão e de sabão cinzento.
Não se ouve o ladrar dos cães nem os passos do destino.
Um professor de história afrouxa o colarinho
e boceja sobre os cadernos."
(De Poemas de Wislawa Szymborska, tradução de Regina
Przybycien, publicação da Companhia das Letras.)
Com Deus A Nosso Lado
um poema (musicado) do nobel de literatura 2016
Com Deus A
Nosso Lado
(With God
On Our Side - Bob Dylan - 1964)
Com Deus Ao Nosso Lado
Meu nome não importa, e a idade, tampouco
Minha terra natal se chama Meio Oeste
Pois lá fui criado pras leis respeitar
E a terra onde vivo tem Deus a seu lado
Os livros de história contam, e contam tão bem
A cavalaria atacava, e os índios caíam
A cavalaria atacava, e os índios morriam
O país era jovem, com Deus a seu lado
A Guerra Hispano-Americana teve o seu dia
E a Guerra Civil também depressa se foi
E os nomes de heróis me forçaram a decorar
Com armas nas mãos e Deus a seu lado
A Primeira Grande Guerra lacrou nosso destino
A razão dessa luta eu nunca entendi
Mas aprendi a aceitá-la e aceitá-la com orgulho
Pois não se contam os mortos quando Deus está a seu lado
A Segunda Grande Guerra chegou ao seu fim
Perdoamos os alemães e nos tornamos seus amigos
E embora seis milhões nos fornos eles tenham fritado
Os alemães agora também têm Deus a seu lado
Aprendi a odiar os russos por toda minha vida
Se outra guerra começar serão eles os inimigos
De odiar e temer, de correr e se esconder
E tudo aceitar bravamente, com Deus a meu lado
Mas agora temos armas de pós químicos tóxicos
Se formos obrigados, vamos usar esses tóxicos
Um apertar um botão, e lá se vai o mundo todo
E você nunca faz perguntas, quando Deus está a seu lado
Nas minhas horas escuras tenho pensado sobre isso:
Que o próprio Jesus Cristo foi traído por um beijo
Mas não posso pensar por você, decidir sobre o fato:
Se Judas Iscariotes tinha Deus a seu lado
Então agora em despedida, estou cansado pra diabo.
A confusão que sinto língua alguma falava
As palavras me enchem a cabeça, e se derramam por terra:
E se Deus está a nosso lado, impedirá a próxima guerra
versão brasileira: ijs
tradução do Ivan Justen Santana, link para o seu blog
“O desenvolvimento não pode ser matéria de decretos, nem é
assim que uma nação aprende de outra. Uma elite não pode, pela compulsão, pela
ideologia, gerar a nação. A nação que quer se modernizar sob o impulso e o
controle da classe dirigente cria uma enfermidade, que a modernidade, quando
aflorar, extirpa, extirpando os Modernizadores. Todos os países que sofreram
modernizações (...) expulsaram, para que o desenvolvimento se irradiasse ao
povo, a elite, a classe dirigente, a burocracia (...). A modernidade emergiu
com a ruptura, construindo, sobre a ruína das autocracias o desenvolvimento,
capaz de se sustentar com o movimento próprio, eliminando, juntamente com os
males antigos, os males modernos. Todos deixaram de ser uma dualidade, uma
imobilizada oposição de direções, para revelarem sua identidade cultural, num
vôo próprio, dentro do universo, libertos da tradição e da contemplação
nacional.”
.
- Raymundo Faoro, em "Existe um pensamento político
brasileiro?". São Paulo: Ática, 1994, p. 113.
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
sábado, 15 de outubro de 2016
naquela solidão, a fome o perseguia, tinha que comer alguma
coisa. 'o gato', 'óbvio', pensou. olhou o bichano que o olhava. 'coragem',
pensou. 'a criatura, pense que é só uma criatura'. então, a coisa preta se
esfregou em suas pernas. 'não, não teria coragem', pensou. 'melhor bater uma
punheta'. esfregou o dedo no sovaco e depois na virilha, depois cheirou,
iniciando o movimento. não adiantou; cortou o próprio dedo e fez uma
sopa."
in:
KATZELSSE, Ich. "Der katze". p1.
fonte : William Teca
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
Com esse governo do golpe todo dia é um sete a um.
Na semana
em que foi aprovado a PEC dos gastos, que congelará o investimento nas áreas
sociais pelos próximos vinte anos promovendo um verdadeiro colapso nos serviços
públicos, o ministro da Educação, Mendonça Filho, afirmou no programa Roda Viva
que falta de verba não é o problema da educação no país.
Para falar tamanha besteira, o ministro deve ter se
consultado com os “especialistas” que o cercam, como o Alexandre Frota. Se
Mendonça Filho conversasse tão somente com um professor perceberia de imediato
o problema gravíssimo que existe na carreira docente no Brasil e também o
conjunto das dificuldades enfrentadas na educação.
Em relação à meta do Plano Nacional de Educação que prevê a
destinação de 10% do PIB, falou nas entrelinhas que não fará o que a lei manda
e justificou alegando que os ministros anteriores também não davam conta das
metas.
Ao optar pelo sucateamento deliberado da educação pública
desse país, os golpistas abrem espaço para a privatização. Na verdade, já vêm
dando indícios desse caminho. Cobrança em cursos de pós-graduação em
universidades públicas já foi aventada.
Temer, Medonça Filho e o conjunto dos golpistas querem
promover um Plano de Metas ao contrário: fazer o país retroceder décadas em
apenas dois anos.
Ivan Valente
http://educacao.uol.com.br/…/para-ministro-da-educacao-prob…
André Castelo Branco Machado
Se o país é como uma família e não pode gastar mais do que
ganha, como afirmou o ministro Henrique Meirelles em cadeia nacional, então
como deveriam atuar os nossos governantes? A prioridade seria sempre a comida
na mesa, saúde, moradia e educação para os filhos. Qualquer família fraterna
buscaria, como primeira medida, renegociar suas dívidas mais pesadas com os
bancos, como empréstimos que comprometessem metade das receitas do mês por
juros mais baixos, parcelas menores e contratos mais vantajosos. Mães ou pais
não diriam para seus filhos passarem por extremas privações por 20 anos sem
antes cortar todos os seus privilégios e daqueles que são sustentados pelos
seus recursos. Nem tampouco sairiam para jantar em um restaurante de luxo para
decidir cortar a comida dos seus filhos. Nada disso seria feito. Acredito que a
família a que se refere Meirelles é encabeçada por pessoas sem caráter,
manipuladoras, insensíveis, sádicas e que só pensam em si mesmas, sem qualquer
ligação afetiva com seus filhos. O governo ilegítimo do Temer está mudando a
Constituição para congelar gastos sociais e as pessoas mais vulneráveis ficarão
sem remédios, salários serão arrochados, escolas serão fechadas, entre muitas
outras mazelas. Esse modelo de país a que se refere o Meirelles é bem
diferentes das famílias reais do povo brasileiro, tão solidárias e fraternas,
que não abandonam seus filhos nos momentos em que mais precisam.
O BB chegou a 79 mil funcionários, em 2000, no governo FHC.
Se tornou um banco ineficiente, mesmo que as cartilhas neoliberais tenham como
mantra da eficiência o "downsizing" e o "turnover"
(enxugamento e rotatividade). Os bancos privados cresceram muito no espaço
deixado pelo BB. O banco esteve na mira da sua total privatização.
O Banco do Brasil voltou a crescer no governo Lula,
chegando, em 2008, a ter 115 mil funcionários e a ser o maior banco em ativos
do país. Jogou um papel central na adoção de medidas anticíclicas pelo governo
naquele ano.
O que será do banco mais enxuto? Quem ganhará se o BB voltar
novamente para a geladeira?
Acbm
sábado, 8 de outubro de 2016
Quando o feitiço vira contra o feiticeiro... rs
Para mim, beijar os teus pés nunca foi um problema,
descobrir as veredas, até chegar ao lóbulo da orelha.
E a cada beijo ver o quanto teu todo se redesenha:
novíssimo mar, branquíssimas pedras, virginal areia.
Beijar-te é pura renovação, é a arte que nos nomeia:
é sempre morrer náufrago e te fazer renascer sereia.
Jeferson Bandeira
"" Podem me colocar algemas
mesmo inerte, verão em meus olhos a resistência
não cederei aos que maculam nas sombras da noite
e seguirei como luz que busca a esperança
não me roubarão as vitórias que irei conquistar
nem me aprisionarão em pequenos albergues
quero a busca de dias melhores
quero irmãos de fato se amando
quero cores, vibrantes pinturas a enfeitar meus aranhas céus
posso passar como musica suave, mas sempre baterei meus
tambores avisando a todos um novo amanhã
e se amanhã for a vez adas minhas cinzas
que elas adubem algum jardim
não quero simplesmente ser amor,
mas espinhos para cutucar a mesmice de quem fica olhando
e só quer colher a flor...
Oscar De Jesus Klemz
Oscar.
Abuela Julieta
Cada vez más hundido en su misantropía, Emilio no conservaba
ya más que una amistad: la de su tía la señora Olivia, vieja solterona como él,
aunque veinte años mayor. Emilio tenía ya cincuenta años, lo cual quiere decir
que la señora Olivia frisaba en los setenta. Ricos ambos, y un poco tímidos, no
eran éstas las dos únicas condiciones que los asemejaban. Parecíanse también
por sus gustos aristocráticos, por su amor a los libros de buena literatura y
de viajes, por su concepto despreciativo del mundo, que era casi egoísta, por
su melancolía, mutuamente oculta, sin que se supiese bien la razón, en la
trivialidad chispeante de las conversaciones. Los martes y los jueves eran días
de ajedrez en casa de la señora Olivia, y Emilio concurría asiduamente, desde
hacía diez años, a esa tertulia familiar que nunca tuvo partícipes ni
variantes. No era extraño que el sobrino comiese con la tía los domingos; y por
esta y las anteriores causas desarrollose entre ellos una dulce amistad,
ligeramente velada de irónica tristeza, que no excluía el respeto un tanto
ceremonioso en él., ni la afabilidad un poco regañona en ella. Ambos hacían sin
esfuerzo su papel de parientes en el grado y con los modos que a cada cual
correspondían. Aunque habíanse referido todo cuanto les era de mutuo interés,
conservaban, como gentes bien educadas, el secreto de su tristeza. Por lo
demás, ya se sabe que todos los solterones son un poco tristes; y esto era lo
que se decían también para sus adentros Emilio y la señora Olivia, cuando
pensaban con el interés que se presume, ella en la misantropía de él, él en la
melancolía de ella. Los matrimonios de almas, mucho más frecuentes de lo que se
cree, no están consumados mientras el secreto de amargura que hay en cada uno
de los consortes espirituales, y que es como quien dice el pudor de la
tristeza, no se rinde al encanto confidencial de las intimidades. La señora
Olivia y su sobrino encontrábanse en un caso análogo. Si aquella tristeza que
se conocían, pero cuyo verdadero fundamento ignoraban, hubiéraseles revelado,
habrían comprobado con asombro que ya no tenían nada que decirse. Reservábanla,
sin embargo, por ese egoísmo de la amargura que es el rasgo característico de
los superiores, y también porque les proporcionaba cierta inquietud, preciosa
ante la perfecta amenaza de hastío que estaba en el fondo de sus días
solitarios. Un poco de misterio impide la confianza, escollo brutal de las
relaciones en que no hay amor. Así, por más que se tratara de dos viejos, la
señora Olivia era siempre tía, y Emilio se conservaba perpetuamente sobrino.
Cuarenta años atrás -recordaba la señora Olivia- aquel
muchacho sombríamente precoz, cuyo desbocado talento, unido a sordas
melancolías, hizo temer más de una vez por su existencia; aquel hombrecito,
huraño ya como ahora, era su amigo. No tenía esos risueños abandonos de los
niños en las rodillas del ser predilecto; pero miraba con unos ojos tan
tristes, su frente era tan alta y despejada, que lo quería y estimaba al mismo
tiempo. No se dio cuenta de los veinte años que le llevaba; considerolo su
amigo, empezando a comprender aquella diferencia sólo cuando lo vio regresar de
Alemania, terminada ya su carrera, hecho todo un señor ingeniero, que vino a
saludarla, muy respetuoso, muy amable, pero demasiado sobrino para que ella no
asumiera inmediatamente sus deberes de tía. Las relaciones estrecháronse
después, pero ya de otro modo. Ella, en su independencia orgullosa de solterona
rica, acogió amablemente al joven cuya misantropía le pareció interesante; y
cuando tres años después, éste se quedó huérfano, encontró en la casa de la
vieja dama, a pesar de las etiquetas y los cumplimientos, el calor de hogar, no
muy vivo, que le faltaba.
Por un acuerdo inconfeso aunque no menos evidente, fueron
cambiando con los años sus pasatiempos. Después de las conversaciones, la
música; después de la música, el ajedrez. Y de tal modo estaban compenetrados
sus pensamientos y sus gustos, que cuando una noche de sus cuarenta años,
Emilio encontró en el saloncito íntimo el tablero del juego junto al cerrado
piano, sin notar al parecer aquella clausura del instrumento que indicaba el
fin de toda una época, hizo sus reverencias de costumbre y jugó durante dos
horas como si no hubiera hecho otra cosa toda la vida. Ni siquiera preguntó a
la señora Olivia cómo sabía que a él le gustaba el ajedrez. Verdad es que ella
habríase encontrado llena de perplejidad ante esa pregunta.
La diferencia de edades había concluido por desaparecer para
aquellos dos seres. Ambos tenían blancas las cabezas, y esto les bastaba. Tal
vez la misma diferencia de lo sexos ya no existía en ellos; sino corno un razón
de cortesía. La señora Olivia conservábase fresca, pues estaba cubierta por una
doble nieve: la virginidad y la vejez. Aun sonreía muy bien; y para colmo de
gracia apostataba de los anteojos. Su palabra era fluida y su cuerpo delgado.
La vida no la aplastaba con su peso de años redondamente vividos; al contrario,
la abandonaba, esto volvíala translúcida y ligera. No podía decirse, en
realidad, que fuese vieja; apenas advertíanse sus canas.
Emilio, sí, estaba viejo; mas no parecía un abuelo. Carecía
de esa plácida majestad de los ancianos satisfactoriamente reproducidos. Era un
viejo caballero que podía ser novio aún. Sus cabellos blancos, su barba blanca,
su talante un poco estirado, mas lleno de varonil elegancia, sus trajes
irreprochables, sus guantes, constituían un ideal de corrección. Llevando un
niño de mano, hubiéranlo tomado por un fresco viudo; pretendiendo una señorita
de veinticinco años, habrían tenido que alabar su amable cordura.
Su tía y él eran dos mármoles perfectamente aseados. Por
dentro, eran dos ingenuidades que disimulaban con bien llevada altivez candores
tardíos. La delicadeza de la anciana encubría un estupor infantil; la frialdad
del sobrino velaba una desconfianza de adolescente.
Además, hablaban en términos literarios, hacían frases como
las personas ilustradas y cortas de genio que no han gozado las intimidades del
amor, ese gran valorizador de simplicidades. También eran románticos.
Precisamente, hacía tres meses que Emilio regaló a su tía un
ruiseñor importado a mucho costo de Praga, por los cuidados del famoso pajarero
Gotlieb Waneck, y en una legítima jaula de Guido Findeis, de Viena. Dos noches
antes, el pájaro cantó, y ésta fue la noticia con que la señora Olivia había
sorprendido a su sobrino un martes por la noche, mientras ocupaban sus casillas
las piezas del ajedrez. Emilio, galante como siempre, traía para el pájaro un
alimento especial: la composición de M. Duquesne. de l’Eure; pues, en punto a
crianza, prefería los métodos franceses.
Aquel ruiseñor fue un tema de que se asieron ansiosamente,
cansados ya por un año de plática sin asunto. Y del ruiseñor… ¡a Shakespeare!
-En Verona -decía la señora Olivia- aprendí, precisamente, a
preferir la alondra; como que, al fin mujer, había de quedarme con la centinela
de Romeo. Profésanle allí una predilección singular, llamándola, familiarmente,
la Cappellata.
-Pero este ruiseñor -afirmó Emilio- no es de los veroneses.
Es la clásica Filomela, ruiseñor alemán, el único pájaro quecompone, variando
incesantemente su canto; mientras aquellos recitan estrofas hechas. Un
verdadero compatriota de Beethoven.
¿Cuánto tiempo hablaron?… La luna primaveral que había
estado mirándolos desde el patio, veíalos ahora desde la calle. Y Emilio
contaba una cosa triste y suave como la flores secas de un pasado galardón.
¿Recordaba ella cuando la tifoidea lo postró en cama, siendo muy niño aún, de
doce años creía? Ella fue su enfermera -se desveló tanto por él!… Miraba
todavía sus ojeras, sus cabellos desgarbados por el insomnio en ondas flavas de
fragante opulencia. Él sabía por los dichos de los otros, de los grandes, que
era bella, aunque no se daba bien cuenta de lo que venía a ser una mujer
hermosa. Pero la quería mucho, eso sí, como una hermana que fuese al mismo
tiempo una princesa. Su andar armonioso, su cintura, llenábanlo ante ella de
turbado respeto. Poníase orgulloso de acompañarla; y por esto, siempre que iba
a su lado, estaba tan serio. Durante sus delirios febriles, fue la única
persona que no viera deformada en contorsiones espeluznantes; y cuando vino la
convalecencia, una siesta -llevaba ella un vestido a cuadritos blancos y
negros- el niño, repentinamente virilizado por la enfermedad, comprendió que el
amor de su tía le ocupaba el corazón con la obscura angustia de un miedo. Fue
una religión lo que sintió entonces por ella durante dos años de silencio,
siempre contenidos por su pantalón corto y su boina de alumno, ridículos para
el amor…
Después, el colegio, los viajes, el regreso -¡y siempre esa
extraña pasión poseyéndole el alma! Se hizo misántropo… ¡y cómo no! Esterilizó
su vida, gastó el perfume de ese amor de niño concentrado por la edad,
inútilmente, como un grano de incienso quemado al azar en el brasero de una
chalequera dormida… Mas ¿para qué le estaba él diciendo todo eso?…
El silencio del saloncito se volvió angustioso. Con la mano
apoyada en la mejilla, la tía y el sobrino, separados apenas por el tablero
donde las piezas inmóviles eternizaban abortados problemas, parecían dormir.
Allá en el alma del hombre, en una obscuridad espantosamente uniforme,
derrumbábanse grandes montañas de hielo. Y la señora Olivia meditaba también.
Sí, fue tal como él lo decía. Ella estaba en la trágica crisis mental de los
veintinueve años. Aquel chiquillo la interesaba; pero ella descubrió primero
que ese interés era un amor descabellado, imposible, una tentación quizá. Una noche
deliraba mucho el pobrecito; los médicos presagiaban cosas siniestras con sus
caras graves. Llorábase en la casa, sin ocultarlo ya. Entonces sus desvelos de
tía, sus sobresaltos de vulgar ternura, reventaron en pedazos su desabrida
corteza. Loca sin saber lo que hacía, corrió a la pieza contigua, y allá,
desarraigándosele el corazón en sollozos, se comió a besos, locamente, el
retrato del enfermo. Fue un relámpago, pero de aquel deslumbramiento no volvió
jamás. ¡Y hacía cuarenta años de eso, Dios mío! Cuarenta años de amarlo en
secreto consagrándole su virginidad, como él le había consagrado también su
alma. ¡Qué delicada altivez surgía de ese doble sacrificio, qué dicha no
haberse muerto desconociéndolo!
Poco a poco, un nebuloso desvarío ganó la conciencia de la
anciana. Los años, las canas, el influjo de las conveniencias, fueron
desvaneciéndose. Ya no había sino dos almas, resumiendo en una sola actualidad
de amor, el ayer y el mañana. Y la niña, intacta bajo la dulce nieve de su
vejez incompleta, se desahogó en un balbuceo:
-Emilio… yo también…
Él tuvo un estremecimiento casi imperceptible, que hizo
palpitar, sin abrirlos, sus párpados entornados. Allá dentro, en la negrura
remota, las montañas de hielo continuaban derrumbándose. Y pasó otra hora de silencio.
Emilio… Olivia… suspiraban los rumores indecisos de la noche. La luna iluminaba
aquella migaja de tragedia en la impasibilidad de los astros eternos.
Inmediato a ellos, sobre el piano, un viejo Shakespeare
perpetuaba en menudas letras las palabras celestes del drama inmortal. En la
blancura luminosa de la noche, muy lejos, muy lejos, diseñábanse inalcanzables
Veronas. Y como para completar la ilusión dolorosa que envolvía las dos viejas
almas en un recuerdo de amores irremediablemente perdidos, el ruiseñor, de
pronto, se puso a cantar.
Espectral como un resucitado, Emilio abandonó bruscamente su
silla. Y ya de pie, estremecidos por algo que era una especie de inefable
horror, la señora Olivia y él se contemplaron. Debía de ser muy tarde, y tal vez
no fuese correcto permanecer más tiempo juntos…
Era la primera vez que se les antojaba aquello. No
advertían, siquiera, que fuese ridículo, pues dominábalos la emoción de su
paraíso comprendido. Mas la luna, propicia por lo común a los hechizos, rompió esta
vez el encanto. Uno de sus rayos dio sobre la cabeza de la anciana, y en los
labios del hombre sonrió, entonces, la muerte. ¡Blancos! ¡Sí, estaban blancos,
como los suyos, esos cabellos cuya opulencia fragante recordaba aún a través de
tanto tiempo! Era Shakespeare el que tenía la culpa. ¡Quién lo creyera! ¡Tomar
a lo serio un amor que representaba el formidable total de ciento veinte años!
El ruiseñor cantaba… Cantaba, sin duda, los lloros
cristalinos de su ausencia, las endechas armoniosas de su viudez.
Una viva trisadura de cristal mordía lentamente los dos
viejos corazones. De pie, frente a frente, no sabían qué decirse ni cómo
escapar al prestigio que los embargaba. Y fue ella la que tuvo valor por fin,
la que asumió heroicamente esa situación de tragedia absurda (porque, después
de todo, no sabía que la luna le estaba dando en la cabeza). Como Emilio
hiciera un movimiento para retirarse:
-Quédate; ya tienen bastante con los cuarenta años de vida
que les hemos dado.
Es probable que el destino estuviera incluido en ese plural.
Bajo el bigote de Emilio se estiró una sonrisa escuálida
como un cadáver. El lenguaje literario se le vino a la boca, y con una
melancólica ironía que aceptaba todos los fracasos del destino, hizo una
paráfrasis de Shakespeare:
-No, mi pobre tía, el rocío nocturno hace daño a los viejos.
El ruiseñor ha cantado ya, y el ruiseñor es la alondra de la media noche…
FIN
LEOPOLDO LUGONES
Biblioteca Digital Ciudad Seva
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