quarta-feira, 25 de novembro de 2015
Ricardo Costa de Oliveira
23 de novembro
Resultados eleitorais argentinos ainda mais divididos e mais
apertados do que no Brasil. A Argentina periférica e mais pobre, com herança
indígena, as Argentinas Guarani, Andina, Mapuche e Patagônica votaram
diferentemente da Argentina das migrações europeias centrada em Buenos Aires e
vizinhanças. Serve como alento para a direita não precisar de golpes militares
ou de chicanas judiciárias para mudar presidências eleitas. O desafio é como
uma candidatura mais à direita, apoiada pelos mais ricos e privilegiados pode
mudar alguma coisa, sem piorar muito a vida dos descamisados e trabalhadores. A
direita sul americana investiu muito antes em Piñeira (2010-2014) no Chile e
colheu um fracasso muito grande. O grande desafio da democracia na América
Latina é incluir socialmente os mais pobres, construir a cidadania das grandes
massas de trabalhadores excluídas ao longo dos séculos, não governar para a
minoria dos mais ricos neoliberais e servir apenas os interesses dos grandes
capitalistas internacionais.
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
1943: Nazistas fecham jornal "Frankfurter Zeitung"
INSTANTÂNEOS: NAZIFASCISMO E 2ª GUERRA MUNDIAL1933
Brecht
foge da Alemanha 1933: Repressão ao Partido Comunista da Alemanha1933:
Aprovação da Lei Plenipotenciária 1933: UFA demite funcionários judeus1933:
Grande queima de livros pelos nazistas1933: DVP e DNVP se dissolvem 1933:
Hitler controlava a imprensa falada1933: Alemanha deixa a Liga das Nações1934:
Hitler manda executar Ernst Röhm 1934: Nazistas assassinam ditador da
Áustria1934: Regime nazista intervém na Justiça 1935: Nazistas retiram a
cidadania alemã de escritores e oposicionistas1936: Abertura dos Jogos
Olímpicos de Berlim1936: Constituição do Eixo Berlim-Roma1936: Thomas Mann é
expatriado1938: O pogrom da "Noite dos Cristais"1939: Assinado o
Pacto de Não-Agressão1939: Eslováquia torna-se independente1939: Alemanha
invade a Polônia1939: Programa nazista de extermínio1939: Soviéticos invadem a
Polônia1939: Primeiro atentado contra Hitler1940: Alemanha inicia ofensiva
ocidental1940: Armistício de Compiègne1940: Estreia do filme "O judeu
Süss"1940: Crianças alemãs refugiam-se dos bombardeios1941: Selada aliança
entre Londres e Moscou 1941: EUA decidem construir a bomba atômica 1941: Aberto
o campo de concentração de Theresienstadt 1942: A Conferência de Wannsee1942:
Genocídio dos judeus poloneses 1942: Judeus proibidos de ter animais
domésticos1942: Ofensiva dos Aliados em El Alamein1942: Anne Frank inicia seu
diário 1942: Batalha de Tobruk1942: Panfletos da resistência antinazista
"Rosa Branca"1942: Pedagogo Janusz Korczak é deportado para
Treblinka1942: Fracassa primeiro desembarque na Normandia1942: Tropas alemãs
invadem o sul da França1943: Goebbels declara guerra total
Em 31 de agosto de 1943, o jornal "Frankfurter
Zeitung", cuja relativa independência era tolerada para dar um tom liberal
ao regime de Hitler, foi fechado pelos nazistas.
A última edição do jornal Frankfurter Zeitung foi publicada
em 31 de agosto de 1943, quando o órgão que dava um tom liberal ao regime
nazista foi proibido de circular por ordem pessoal do ministro da Propaganda,
Joseph Goebbels. O jornal econômico republicano-liberal da era Bismark teve de
parar as rotativas depois de dez anos de atividade sob o emblema oficial do
partido nazista e do Terceiro Reich.
O Frankfurter, como era carinhosamente chamado pelos
leitores, fora o diário de maior destaque da República de Weimar e era um
incômodo constante para os nazistas. Tanto mais surpreendeu o fato de que ele
continuara circulando depois de 1933.
Fritz Sänger, à época correspondente em Berlim e, após 1945,
diretor da agência de notícias DPA, lembra que durante o nazismo toda a
imprensa alemã foi amordaçada. Uma exceção era o Frankfurter Zeitung que, ao
lado de alguns outros jornais, tentou combater o regime. Hitler acreditava que
esses jornais serviriam de cartão de visita do nazismo no plano internacional.
Independência tolerada
O alinhamento da imprensa alemã com o nazismo, portanto, não
era total, como frequentemente se afirma. Goebbels tolerava uma certa
independência do Frankfurter Zeitung para tornar o nazismo socialmente
aceitável nos meios burgueses. O ministro da propaganda esperava que a
circulação do jornal servisse de prova da liberalidade do regime no exterior.
O alto nível dos artigos publicados pelo jornal era
garantido por autores como o futuro presidente da Alemanha, Theodor Heuss, e os
publicistas Walter Dirks, Karl Korn e Dolf Sternberger. No caderno de cultura
escreviam esquerdistas-liberais como Ernst Bloch, Hermann Hesse ou Siegfried
Kracauer.
Segundo Fritz Sänger, praticamente não ocorreram mudanças na
equipe de redatores após a tomada do poder pelos nazistas. "Alguns, porém,
foram demitidos, porque eram judeus. Outros foram embora. Vieram alguns novos,
mas em apenas um caso foi desmascarado um membro do partido nazista, que logo
sumiu. A redação, portanto, era um círculo fechado em que não ocorriam
traições."
Os redatores do Frankfurter, no entanto, aceitaram
passivamente a demissão dos colegas judeus e a faxina étnica na empresa. Como
órgão de oposição, o jornal oscilava entre o oportunismo e uma certa autonomia.
Com o início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, a redação começou a silenciar.
Refúgio intelectual
Conteúdos subversivos somente eram publicados pelo folhetim
num estilo de linguagem bem diferente do antissemitismo vulgar de um observador
popular e serviam de refúgio intelectual para os leitores não nazistas. Segundo
Dolf Sternberger, à época redator do Frankfurter Zeitung, apesar de usar uma
série de malabarismos para escapar da censura, a direção do jornal foi obrigada
a fazer concessões humilhantes ao nazismo.
Alguns jornalistas do Frankfurter até mesmo fortaleceram o
regime com seu trabalho. Uma das versões correntes sobre a causa do fechamento
do jornal foi a publicação de um artigo criticando as obras de Paul Ludwig Troost,
um dos arquitetos preferidos de Hitler.
Outra versão é um artigo publicado em 23 de março de 1943 e
que apresentou o cofundador do movimento nazista, Dietrich Eckart, mentor de
Hitler e criador do slogan "Acorda Alemanha!", como indivíduo sem
caráter e classificou sua obra literária como um amontoado de frases. Mencionou
também que Eckart era um dependente de morfina.
Algumas semanas depois, o jornal foi proibido de circular,
mas não em função da publicação do perfil de Eckart e, sim, devido aos paralelos
que traçou com o morfinismo de Hermann Göring. Oficialmente, o regime alegou
que o fechamento do jornal devia-se à medidas de economia de guerra.
Na realidade, o papel representativo do Frankfurter Zeitung
para o exterior havia se esgotado em 31 de agosto de 1943. O comportamento da
Alemanha na Segunda Guerra Mundial e os horrores de Auschwitz dispensavam
qualquer tentativa de vender uma imagem liberal do regime nazista.
Michael Marek (gh)
Fonte Deutsche Welle
Rio de Lama que Vale uma vida
Quanto ele recebeu da Vale ?Quanto o seu partido fez pela
irresponsabilidade das empresas ao não darem a Minas uma legislação que
protegesse os mineiros? As leis impotentes , fracas diante do forte capital
assassinou vidas um rio que corria ao oceano atravessando dois estados. Por
isso ele está mudo . Um estado de Anastasias e Aécios não precisam de
tsunamis.
Quando o capital não é controlado ele mata.Quando o Estado prevarica ou não legisla visando o bem comum - das pessoas pobres que mais precisam do estado,Torna-se um cúmplice coletivo sem face, mas com endereço conhecido. A Assembléia mineira e seu governador . Na época de tantas décadas abandonada, Minas Gerais ,a fome pantagruélica das mineradoras e metalúrgicas soterrou montanhas ,fez ninhos de águas pútridas e agora matou um rio e todas as vidas que dele dependiam.
O Senhor Aécio está calado, o senhor Anastasia, os executivos da Vale pensam em termos de números e como Eichmanns abstraem as vidas por traz de seus relatórios , faram todo o possível para minorar os custos para a Vale e sua sócia australiana. Dará até para dar uns trocados para quem perdeu toda uma vida
wrnj
1945: Início dos julgamentos de Nurembergue
INSTANTÂNEOS: NAZIFASCISMO E 2ª GUERRA MUNDIAL1933:
Brecht
foge da Alemanha 1933: Repressão ao Partido Comunista da Alemanha1933:
Aprovação da Lei Plenipotenciária 1933: UFA demite funcionários judeus1933:
Grande queima de livros pelos nazistas1933: DVP e DNVP se dissolvem 1933:
Hitler controlava a imprensa falada1933: Alemanha deixa a Liga das Nações1934:
Hitler manda executar Ernst Röhm 1934: Nazistas assassinam ditador da
Áustria1934: Regime nazista intervém na Justiça 1935: Nazistas retiram a
cidadania alemã de escritores e oposicionistas1936: Abertura dos Jogos
Olímpicos de Berlim1936: Constituição do Eixo Berlim-Roma1936: Thomas Mann é
expatriado1938: O pogrom da "Noite dos Cristais"1939: Assinado o
Pacto de Não-Agressão1939: Eslováquia torna-se independente1939: Alemanha
invade a Polônia1939: Programa nazista de extermínio1939: Soviéticos invadem a
Polônia1939: Primeiro atentado contra Hitler1940: Alemanha inicia ofensiva
ocidental1940: Armistício de Compiègne1940: Estreia do filme "O judeu Süss"1940:
Crianças alemãs refugiam-se dos bombardeios1941: Selada aliança entre Londres e
Moscou 1941: EUA decidem construir a bomba atômica 1941: Aberto o campo de
concentração de Theresienstadt 1942: A Conferência de Wannsee1942: Genocídio
dos judeus poloneses 1942: Judeus proibidos de ter animais domésticos1942:
Ofensiva dos Aliados em El Alamein1942: Anne Frank inicia seu diário 1942:
Batalha de Tobruk1942: Panfletos da resistência antinazista "Rosa
Branca"1942: Pedagogo Janusz Korczak é deportado para Treblinka1942:
Fracassa primeiro desembarque na Normandia1942: Tropas alemãs invadem o sul da
França1943: Goebbels declara guerra total
Poucos meses após o fim da Segunda Guerra Mundial e do
suicídio de Adolf Hitler, alguns de seus principais colaboradores sentaram no
banco dos réus, em 20 de novembro de 1945, para serem julgados por crimes de
guerra.
Göring, Hess, Ribbentrop, Keitel, Dönitz, Raeder, Schirach e
Sauckel no banco dos réus
Nurembergue, novembro de 1945. A cidade na qual Hitler e
seus cúmplices eram festejados anualmente nas convenções do partido nazista
está destruída, como a maioria dos centros urbanos alemães. O prédio da Justiça
na rua Fürther Strasse, no entanto, mal fora danificado. Ali, na sala 600 do
Tribunal do Júri, reuniu-se de 20 de novembro de 1945 a 1º de outubro de 1946 o
Tribunal Militar Internacional.
Já durante a guerra os Aliados haviam decidido levar a elite
nazista ao banco dos réus quando o conflito terminasse. Desde outubro de 1942,
a Comissão de Crimes de Guerra das Nações Unidas juntava provas e documentos e
elaborava uma lista de crimes.
"Quando eu comecei, no ano de 1942, a trabalhar neste
assunto nos Estados Unidos, meus colegas americanos me perguntavam: 'Então, é
tudo verdade? Podemos provar isto?' E eu respondia que podíamos comprovar 100%.
Em Nurembergue, pude ver mais tarde que as coisas não eram 100%, mas 105%. Eles
mesmos deixaram por escrito, a começar por Hermann Göring", recorda Robert
Kempner, um jurista teuto-americano, que atuou na acusação em Nurembergue.
Lista de acusados
Em 20 de novembro de 1945, a audiência contra os principais
criminosos de guerra foi aberta. A lista de acusados era um "quem é
quem" do regime de Hitler: Hermann Wilhelm Göring, Rudolf Hess, Joachim
von Ribbentrop, Robert Ley, Wilhelm Keitel, Ernst Kaltenbrunner...
Vinte e dois acusados proeminentes, entre eles três do
estreito grupo de líderes em torno de Hitler: Martin Bormann, desaparecido
desde o fim da guerra, Hermann Göring e Rudolf Hess, assim como os militares
Keitel, Jodl, Raeder e Dönitz, e os ministros Ribbentrop, Frick, Funk e
Schacht. A relação prosseguia:
Alfred Rosenberg, que comandava a região leste
ocupada, Hans Frank, governador-geral da Polônia, Arthur Seyss-Inquardt,
comissário do Reich para a Holanda ocupada, Fritz Sauckel, que distribuía os
escravos do nazismo, e Albert Speer, que como ex-ministro da Munição e das
Armas recrutou vários trabalhadores forçados para as indústrias alemãs do setor.
Abertura
"O presidente do Tribunal abre a seção. Então, passa a
palavra ao principal promotor americano. Sua voz soa como se estivesse
distante. Os intérpretes murmuram atrás da divisória envidraçada. Todos os
olhos estão voltados para os acusados... Agora estão sentados, no banco dos
réus, a guerra, o pogrom, o rapto de pessoas, o assassinato em massa e a
tortura. Gigantescos e invisíveis, eles estão sentados ao lado das pessoas
acusadas", descreveu o escritor Erich Kästner suas impressões. Ele foi um
dos poucos alemães admitidos como observadores no julgamento.
A promotoria resumira em quatro pontos suas acusações:
Conspiração contra a paz mundial;
Planejamento, início e condução de guerra;
Crimes e violações ao direito de guerra;
Crimes contra a humanidade.
Lavando as mãos
Encerrada a leitura do libelo acusatório, os réus foram
perguntados se consideravam-se "culpados" ou "inocentes".
Hermann Göring tentou dar uma longa declaração, mas foi interrompido pelo juiz.
Göring: "Antes que eu responda à pergunta do tribunal
se eu me considero culpado ou inocente..."
Juiz: "Você deve declarar-se culpado ou
inocente..."
Göring: "No espírito da acusação, eu me considero
inocente".
Os demais acusados também alegaram inocência, dentro do
"espírito da acusação". Todos declararam ter apenas obedecido ordens,
não ter conhecimento dos crimes e empurraram toda a responsabilidade para o
ditador morto. Nenhum defendeu a ideologia em nome da qual milhões foram
atacados, escravizados e assassinados.
Autoria : Rachel Gessat (mw)
Fonte Deutsche Welle
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Sim. O Brasil é o país dos bacharéis.
"Os pobres sonham em se formar em Direito ou porque veem na
profissão um escudo contra a polícia ou porque querem ser da polícia.
Os de classe média querem ser advogados porque ou pretendem
os melhores empregos do serviço público em todo o universo - a sinecura sem limites e sem riscos do Judiciário brasileiro - ou contam enriquecer defendendo
grandes empresas e grandes criminosos,
Há um outro sujeito que quer mesmo ser advogado.
Juízes e desembargadores adoram preceder seu nome da palavra
mágica "Professor".
Os donos de faculdades privadas adoram ter no seu quadro
docente juízes e desembargadores. É uma espécie de seguro.
A maioria desses cursos oferece pacotes fartos de ideologia
pagos em cinco anos de prestações mensais."
Nilson Lage
De la nervadura abierta de la luz
cae un pájaro herido de cielo
Desciende como ruina del viento
trueno rojo en el fin de su vuelo
Lloro la belleza de su canto desperdigado por la tierra
Pero la tierra sabe que de pájaros y poetas
se amasa la hostia
en el hambre de Dios
*
Betsimar Sepulveda(Venezuela )
a tradução é de Luciana Cañete
Fonte : Mallarmargens:
1919: A "lenda da punhalada pelas costas" fomenta o nazismo
Em 18 de novembro de 1919, o marechal Paul von Hindenburg
usa a teoria da "punhalada pelas costas" para se eximir da
responsabilidade pela derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial.
Paul von Hindenburg semeou a lenda
A comissão parlamentar de inquérito investigava a questão
das responsabilidades pela Primeira Guerra Mundial, que se encerrara um ano
antes. Em seu depoimento em 18 de novembro de 1919, o marechal-de-campo Paul
von Hindenburg defendia a teoria de que movimentos revolucionários da Alemanha
teriam "apunhalado" o Exército pelas costas.
"Um general inglês disse, com razão: 'O Exército alemão
foi apunhalado pelas costas'." Essa foi uma das frases usadas por Von
Hindenburg ao tentar se eximir, diante do Parlamento, de qualquer
responsabilidade pela derrota da Alemanha na Primeira Guerra. Nascia ali a
chamada "lenda da punhalada pelas costas" (em alemão,
Dolchstosslegende), que anos mais tarde ajudaria os nazistas a tomar o poder.
O estopim do primeiro conflito mundial havia sido o
assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono
austro-húngaro, por um nacionalista sérvio, em 28 de junho de 1914. Um mês
depois, a Áustria declarou guerra à Sérvia.
No início de agosto, a Alemanha declarou guerra à Rússia e à
França. A invasão da Bélgica pelos alemães, que não tinham outra forma de
atingir a França, foi pretexto para a entrada da Grã-Bretanha na guerra, que
envolveria ainda muitos outros países.
O plano alemão de cercar rapidamente o Exército francês fracassou.
Já em outubro de 1914, a guerra na Europa Ocidental passou a ser tática, com
pesadas perdas para todos e praticamente sem alteração nas frentes de batalha
até 1918.
O abastecimento piorou a tal ponto na Alemanha que 260 mil
civis morreram de fome em 1917. O anúncio alemão de contrabloqueio por
submarinos provocou a entrada dos Estados Unidos no conflito.
Em março de 1918, a Alemanha ainda forçou a Rússia a assinar
um acordo de paz no Leste Europeu; em agosto, praticamente capitulou diante dos
aliados na frente ocidental. Segundo anotações de um comandante da região de
Flandres, milhares de soldados alemães e divisões inteiras de tanques estavam
virando cinza.
Fome tirou entusiasmo pela guerra
Para antecipar-se a uma vitória das tropas aliadas no ocidente,
o comandante geral Erich Ludendorff pediu um cessar-fogo imediato. Na Alemanha,
as mortes de civis famintos no inverno de 1917 quebrara o entusiasmo inicial
pela guerra. Naquele ano, operários da indústria de armamentos entraram em
greve em protesto contra a fome.
Em julho, os partidos democráticos formaram uma comissão
interpartidária e exigiram do governo imperial – sem sucesso – uma "paz de
entendimento, sem anexação forçada de territórios".
No início de novembro de 1918, em meio às negociações do
cessar-fogo, marinheiros em Kiel impediram a partida da frota da Marinha para
um combate e, com essa insubmissão, desencadearam uma reação em cadeia na
Alemanha.
Na disputa pelo poder, as forças democráticas, comunistas e
nacionalistas derrubaram a monarquia. Os democratas saíram vitoriosos e foram
legitimados, mais tarde, pela Assembleia Nacional Constituinte. O antigo regime
entregou à comissão interpartidária o governo e o pesado fardo de aceitar um
acordo de paz desvantajoso, do ponto de vista da Alemanha.
Todos esses acontecimentos internos, que causaram a
derrocada do antigo regime e o nascimento da democracia, serviram ao Comando
Superior das Forças Armadas para desviar a atenção da própria culpa pela
guerra.
O argumento de Von Hindenburg, de que as forças
revolucionárias teriam desmoralizado e apunhalado o Exército pelas costas, foi
propagado por militares e políticos monarquistas, através de jornais
conservadores e de extrema direita, e ganhou um teor explosivo subestimado
pelos democratas.
A população, inicialmente castigada pelas reparações de
guerra pagas pela Alemanha, sofreu as consequências do desemprego e da
inflação, sem ter um esclarecimento amplo dos verdadeiros motivos da guerra. Os
nazistas aproveitaram essas circunstâncias para difamar a democracia e chegar
ao poder com promessas de salvação.
Henrike Scheidsbach (gh)
Fonte Deutsche Weller
domingo, 15 de novembro de 2015
Não, não é cansaço...
Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
Não. Cansaço porquê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...
Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.
(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)
Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...
- Álvaro de Campos [Heterônimo de Fernando Pessoa], In
Poesia, Assírio e Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002.
"Detesto comportamento xenófobo. E detesto comparações,
normalmente comparam alhos com bugalhos. Nosso sentimento de dor se expressa
com a cor que quisermos dar. Eu choro pelas vítimas de Paris, eu choro pelas
crianças da Síria que tombam sem saber do que se trata, eu choro pelo nosso
País tão contrário a si mesmo, tão avesso as suas dores, e tão revoltado e
participante na sua luta contra o preconceito e a injustiça. Eu amo esses
estudantes que com sua coragem e determinação ocupam as escolas e defendem um
bem e um direito que o Estado de São Paulo teima em extinguir em nome de uma
pseudo reforma que, sabemos, só vai piorar o que já está quase falindo. Eu
lamento que o atual governador esteja dando um tiro no pé de seu partido, esse "social-democrata"
que deveria fazer jus ao nome. Os nomes, esses e outros politicamente
encabeçados... que sentido agora fazem? Eu lamento que a ganância esteja
enterrando nossa riqueza natural. O rio Doce sucumbiu ao amargo dos desejos.
Estou estarrecida com tudo. Cansada de ver tanto ódio brotando dos que se dizem
tementes a Deus. Que Deus é esse que deseja tanto ódio? Eu desejo que o povo
brasileiro se erga contra esses desmandos e elejam quem não faz panfletagem
religiosa e fascista e sexista e misógena. Que este túnel que estamos
atravessando de lama e horror encontre alguma luz e oxigênio do outro lado, ao
fim da travessia. Os mais corajosos encontrarão, tenho certeza. Os medrosos
morrerão com a boca e os ouvidos entupidos pelos dejetos. Não há deuses a
temer. Há homens há temer, gente como a gente, loucos e alucinados, doentes
mentalmente, sexualmente mal resolvidos. Estão presos nos seus padrões, nos
seus muros. Gostaria muito que se libertassem e respirassem o ar puro que se
tem de graça. Seriam mais felizes e mais humanos."
Por Susanna Busato
sábado, 14 de novembro de 2015
. "O
pensamento social crítico está guiado pelos princípios da igualdade, da justiça
social, do fortalecimento e da radicalização da democracia, pela necessidade de
destruir os poderes opressores, pela luta contra o racismo e contra toda forma
de violência.É um pensamento libertário e inconformista,
que sempre quer mais porque a democracia sempre pode ser fortalecida.”
Pablo Gentili
Pablo Gentili
O impacto político de confrontos religiosos e formas de guerras etnorreligiosas
Ainda estamos no ANNO de 1015. O impacto político de
confrontos religiosos e formas de guerras etnorreligiosas sempre foram muito
grandes e decisivos na configuração do próprio Estado. A própria concepção,
criação e organização do Estado Nacional Europeu, como nas origens de Portugal,
de quem o Estado do Brasil é o maior descendente, é resultado direto de guerras
religiosas contra o islamismo ibérico. O resultado final foi o extermínio, a
expulsão e a assimilação dos diferentes muçulmanos e judeus ao fim do longo
ciclo de violências. Sobreviveria no território apenas um povo, uma religião,
uma língua, um rei. Somente retornaram para o nosso convívio quando nos
modernizamos, democratizamos e os aceitamos de novo. Hoje os Estados se tornam
cada vez mais policialescos e mesmo organizados como Estados de apartheid
etnorreligioso - como todos do Oriente Médio, o que acelera e aprofunda as
guerras até o futuro desfecho de guerras totais, até que um lado vença e
destrua completamente os outros, como aconteceu na Península Ibérica Medieval.
A visão iluminista, a tolerância e a convivência serão desafios para novas
hegemonias. Muitos Estados europeus estão experimentado pela primeira vez uma
real diversidade social e etnorreligiosa, coisa que estamos acostumados há bem
mais de 1000 anos. Superar diferenças como o racismo, os preconceitos e a
discriminação étnica, religiosa, de gênero, de orientação sexual e muitas
outras continuam sendo imensos desafios para uma sociedade livre, igualitária e
democrática no ANNO de 2015.
Ricardo Costa de Oliveira
Nem a arma bestial dos terroristas nem a palavra mansa dos
fazedores do caos nem a violência de grupos com boas causas nem a palavra mansa
dos manipuladores de principios nem a raiva colérica dos saudosistas de tempos
inomináveis nem os transformadores com discursos de barricada.
A violência não é um direito, não é um sentimento válido,
nem ação correta para mudanças. Nem Líbano nem Síria nem Jerusalém nem Paris.
Nunca a cultura de paz foi tão necessária.
Hamilton Faria
Se somos todos parisienses, somos também todos estrangeiros,
somos também todos refugiados, todos africanos. Todos perdemos, a cada morte de
inocentes, sejam os lembrados pela grande mídia, sejam os anônimos e esquecidos
pela mídia que serve a certos "poderes". O pior é usar a dor e a
tragédia de um modo perverso, aproveitando para promover mais medo e terror, em
vez de compaixão e humanidade.
Ana Luisa Kaminski
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