sexta-feira, 29 de novembro de 2013

na szczęście
rodzice dali mi łatwopalne ciało
wystarczy odrobina benzyny
w lekkich fałdach sukienki

H. Poświatowska


Felizmente, meus pais me deram um corpo inflamável 
só um pouco de gasolina em dobras de luz vestidos


h. Poświatowska 

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Talves poesia

Poemas e cores do sertão e do agreste
Contrastes de verticalidade gótica e de volúpias rasteiras,
rudezas do alto sertão e do agreste,
maciços de catingueiras
salpicadas
nos tempos de chuva de vermelhos
que são ao sol como pintas de sangue fresco,
e de amarelos vivos,
de roxos litúrgicos.
No verão chupadas pelo sol de todo esse sangue e de toda
[essa cor,
quase reduzidas
aos ossos dos cardos.
Paisagem animada de tantos verdes
tantos vermelhos, tantos roxos, tantos amarelos
em tufos, cachos, corolas e folhas
como os cachos rubros em que esplende a ibirapitanga e
[arde o mandacaru,
como as formas verdadeiramente heráldicas em que se
[ouriçam os quipás,
como as folhas em que se abrem os mamoeiros
e as manchas violáceas das coroas-de-frade.

- Gilberto Freyre, do livro “Talves poesia”, 1962.
http://www.elfikurten.com.br/2012/02/gilberto-freyre-o-mestre-de-apipucos.html
"A educação corrente e formal, simplificadora das realidades do mundo, subordinada à lógica dos negócios, subserviente às noções de sucesso, ensina um humanismo sem coragem, mais destinado a ser um corpo de doutrina independente do mundo real que nos cerca, condenado a ser um humanismo silente, ultrapassado, incapaz de atingir uma visão sintética das coisas que existem, quando o humanismo verdadeiro tem de ser constantemente renovado, para não ser conformista e poder dar resposta às aspirações efetivas da sociedade, necessárias ao trabalho permanente de recomposição do homem livre, para que ele se ponha à altura do seu tempo histórico."


- Milton Santos.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Vietnã

 Wislawa Szymborska

Mulher, como você se chama? - Nao sei.
Quando voçê nasceu, de onde voçê vem? - Nao sei.
Para que cavou uma toca na terra?- Nao sei.
Desde quando está aqui escondida?- Nao sei.
Por que mordeu meu dedo anular?- Nao sei.
Nao saber que nao te vamos fazer nenhum mal? - Nao sei.
De que lado voçê está? - Nao sei.
É a guerra, voçê tem que escolher.- Nao sei.
Tua aldeia ainda existe? - Nao sei.
Esses sao teus filhos? -Sao.


Traduçao: Regina Przybycien.

Los Adioses

"El sabía, porque yo se lo había dicho. Todos, los sanos y los otros, los que estaban de paso en el pueblo y los que aún podían convencerse de que estaban de paso, todos los que se dejaban sorprender por las fiestas como por un aguacero en descampado, los que habitan los hoteles y las monótonas casitas rojiblancas, todos adoptaban desde el atardecer de ambas vísperas, una forma de locura especial y tolerable. Y siempre las fechas les caían encima como una sorpresa; aunque hicieran planes y cálculos, aunque contaran los días, aunque previeran lo que iban a sentir y lucharan para evitar esta sensación o se abandonaran al deseo de anticipar e irla fortaleciendo para asegurarle una mayor potencia de crueldad. Tenían entonces algo de animales, perros, caballos, mezclaban una dócil aceptación de su destino y circunstancia con rebeldías y espantos, con mentirosas y salvajes intenciones de fuga.

(...)


Sabía que iban a estar gimiendo sin sonido bajo la música, los gritos, las detonaciones, teniendo sus orejas hacia supuestos llamados, de machos y hembras, de supuestas almas afines que se alzarían al otro lado de la selva, en Buenos Aires, o en Rosario, en cualquier nombre y distancia." In Los Adioses, JUAN CARLOS ONETTI, p. 58-59.

AINDA PENSO NAQUELA NOITE



pássaros se revoltam
o gavião ataca
Afonsina atravessa o mar
um pouco antes
ao anoitecer
Violeta dispara sua arma
a quietude se instala
em La Reina
mas os poetas não desistem
apesar do tiro no peito
apesar do cheiro de gás
apesar do mergulho
apesar do tamanho da queda
os pássaros ainda sobrevoam
o mundo
e o silêncio pesa
ao amanhecer

Lalo Arias


FUGA


Poema de Lera Auerbach

Estou coreografando

meu próprio descontentamento.

Os dias se acumulam

em vaidade seca e frugal,

complicando manobras

de mãos sempre em movimento,

pêndulo oscilante

do suicídio ao sacrifício,

do êxtase à gratidão

em todos os tons de cinza.

A fuga se acelera:

ainda lembro seu tema principal,

mas seu contra-sujeito me deixa

sem ar.

Esse contraponto é venenoso

em maiores quantidades,

e não tenho um antídoto

para essa música infecciosa.

Minha febre está subindo.

As pontas quentes dos meus dedos tocam

o corpo intocável da fuga —

ela não pode ser totalmente capturada

nas redes de notas e compassos,

ela foge, selvagem,

pelo riso indomesticável

de deuses e demônios, quem quer

que esteja vigiando as portas do som,

as quimeras lamuriantes

do céu e do inferno.

Olho para a chama negra.

Logo ela consumirá meus dias,

já congela meu coração,

e toma tudo o que ainda chamo de “meu”,

transformando em colheita seca

que queima — oh, tão intensamente —

até que já não seja

até que seja só cinzas,

até que retorne ao pó,

vire aquela nota silenciosa

depois do fim, mas logo

antes do aplauso

enquanto as mãos do maestro ainda seguram

as asas de uma frase musical

e a audiência segura a respiração

como que para não perturbar a mágica;

exceto por ninguém estar esperando

por mim do outro lado, não há

nenhum aplauso ou cumprimento, nem bravi,

mas apenas aquele momento de infinita

solidão

quando o som morre.


Tradução de Sofia Mariutti.

Sirin and Alkonost (the Birds of Joy and Sorrow)



Sirin is a mythological creature of Russian legends, with the head and chest of a beautiful woman and the body of a bird (usually an owl). According to myth, the Sirins lived "in Indian lands" near Eden or around the Euphrates River. These half-women half-birds are directly based on the Greek myths and later folklore about sirens. They were usually portrayed wearing a crown or with a nimbus. Sirins sang beautiful songs to the saints, foretelling future joys. For mortals, however, the birds were dangerous. Men who heard them would forget everything on earth, follow them, and ultimately die. People would attempt to save themselves from Sirins by shooting cannons, ringing bells and making other loud noises to scare the bird off. Later (17-18th century), the image of Sirins changed and they started to symbolize world harmony (as they live near paradise). People in those times believed only really happy people could hear a Sirin, while only very few could see one because she is as fast and difficult to catch as human happiness. She symbolizes eternal joy and heavenly happiness. The legend of Sirin might have been introduced to Kievan Rus by Persian merchants in the 8th-9th century. In the cities of Chersonesos and Kiev they are often found on pottery, golden pendants, even on the borders of Gospel books of tenth-twelfth centuries. Pomors often depicted Sirins on the illustrations in the Book of Genesis as birds sitting in paradise trees.

The Alkonost is, according to Russian mythos and folklore, a creature with the body of a bird but the head of a beautiful woman. It makes sounds that are amazingly beautiful, and those who hear these sounds forget everything they know and want nothing more ever again. She lives in the underworld with her counterpart the sirin. The alkonost lays her eggs on a beach and then rolls them into the sea. When the alkonost's eggs hatch, a thunderstorm sets in and the sea becomes so rough that it is untravelable. The name of the alkonost came from a Greek demigoddess whose name was Alcyone. In Greek mythology, Alcyone was transformed by the gods into a kingfisher.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013


La turba turba
La tumba turba
La turba tumba
La tumba tumba
¿No oyen, hermanitos,
al viento amarillo
retumbar como cañones
sus corazones de miedo
tambores negros
entre las raíces de la tierra?
La tumba tumba
La turba tumba
La tumba turba
La turba turba
¿A quién le toca tocar ahora
este cuero cansado
oveja solitaria que salta
el mismo alambrado
viene y va y nadie puede
ya dormir ni morirse del todo?
La turba turba
La tumba tumba
Turba la tumba turbia
la turbia turba
 
Gustavo Caso Rosendi
 

 
“A beleza ainda me emociona muito. Não só a beleza física, mas a beleza natural. Hoje, com quase oitenta e cinco anos, tenho uma visão da natureza muito mais rica do que eu tinha quando era jovem. Eu reparava mais em certas formas de beleza. Mas, hoje, a natureza, para mim, é um repertório surpreendente de coisas magníficas e coisas belas. Contemplar o vôo do pássaro, contemplar uma pomba ou uma rolinha que pousa na minha janela... Fico estático vendo a maravilha que é aquele bichinho que voou para cima de mim, à procura de comida ou de nem sei o quê. A inter-relação dos seres vivos e a integração dos seres vivos no meio natural, para mim, é uma coisa que considero sublime.”


- Carlos Drummond de Andrade, em trecho da última entrevista, publicada no suplemento Idéias - Jornal do Brasil, de 22 agos/1987.

As musas cegas



IV

É preciso falar baixo no sítio da primavera, junto
à terra nocturna. Junto à terra transfigurada.
Tudo ouve as minhas palavras talvez irremediáveis..
Infatigável perfume se acrescenta nos jacintos, fogo
sem fim circunda suas raízes leves.
É preciso não acordar do seu ofício a luz que inclina
os meus espinhos frios, a lua que inclina
meu sangue ligado e o sangue da terra nocturna.

Agora a primavera trabalha nas galerias mais antigas,
bate os seus martelos contra um milhão de estrelas.
É uma coisa estupenda a primavera que trabalha
nas caveiras dos cavalos enterrados.
E os cavalos ressuscitam pela noite adiante.
Inspiro-me na primavera com suas grutas de água
atenta, e amo a loucura -
a cabeça gelada sobre a corrente pura do terror.

Tenho medo de erguer a voz mais alto
que o meu coração, onde uma candeia
concentra um grande silêncio.
A primavera é algo prodigioso para o meu desbarato.
Que a tristeza me ajude, que me ajudem
os dentes da minha boca, os dedos das minhas mãos,
todos os mortos, todos os que amam
entre sangue no mundo, entre as águas das noites eternas.

Sinto os ossos ascenderem às cobras da cabeça -
e a obra está nas mãos.
Terra, terra preenchida. Enquanto os outros dormem,
fundo-me no verbo interior da primavera
como o vermelho se funde na flor futura.
Tu cantavas, sangue, a torrente translúcida da morte.
Cantavas o que já se não quebra com o uso
das vozes. Porque tu eras a minha
água salgada.

Fecho os olhos para ver como as acácias se iluminam
e a rutilação ascende pelas veias.
Tomo entre meus dedos a soturna amplidão dos mortos.
Primavera, como cresces.
Desespero ou alegria, como correm
nos membros reaparecidos.
Dizer devagar na humidade da carne, evocar
tuas colinas de sal, mistério.
Tudo em volta da primavera e da noite
com uma porta no coração para passar
num tremendo silêncio.

Ressuscitar uma vez com a cara extrema
junto a líquenes inocentes.
Entre os meses saber de um só que pede
a mudez aterradora.
A primavera cresce num núcleo de ideias, as cabras
evaporam-se, reaparecem em espírito
mastigando giestas. Primavera é uma palavra
numa língua demasiado estrangeira.
Uma coisa enorme, sem música.

Falo tão devagar que mal distingo
a noite sobre a terra
da minha garganta onde os animais passam
lentamente inspirados.
Só encosto a testa ao oculto fogo dos nomes,
e o sangue alimenta a loucura
devagar, devagar - como quem ressuscita.


Herberto Helder

Fotografía de la muchedumbre


En la fotografía de la muchedumbre
mi cabeza es la séptima de la orilla,
o tal vez la cuarta a la izquierda,
o la veinte desde abajo;

mi cabeza no sé cuál,
ya no una, no única,
ya parecida a las parecidas,
ni femenina, ni masculina,

las señales que me hace
son ningunos rasgos personales;

quizás la ve el Espíritu del Tiempo,
pero no la mira;

mi cabeza estadística
que consume acero y cables
tranquilísima, globalísimamente;

sin la vergüenza de ser una cualquiera,
sin la desesperación de ser cambiable;

como si no la tuviera en absoluto
a mi manera y por separado;
como si se hubiera desenterrado un cementerio
lleno de anónimos cráneos
en un aceptable estado de conservación
a pesar de su mortalidad;

como si ya hubiera estado allá
-mi cabeza, una cualquiera, ajena-

donde, si recuerda algo,
sea tal vez el profundo futuro.

De "Si acaso" 1978
Versión de Abel A. Murcia


La habitación del suicida

Seguramente crees que la habitación estaba vacía.
Pues no. Había tres sillas bien firmes.
Una lámpara buena contra la oscuridad.
Un escritorio, en el escritorio una cartera, periódicos.
Un buda despreocupado. Un cristo pensativo.
Siete elefantes para la buena suerte y en el cajón una agenda.
¿Crees que no estaban en ella nuestras direcciones?

Seguramente crees que no había libros, cuadros ni discos.
Pues sí. Había una reanimante trompeta en unas manos negras.
Saskia con una flor cordial.
Alegría, divina chispa.
Odiseo sobre el estante durmiendo un sueño reparador
tras las fatigas del canto quinto.
Moralistas,
apellidos estampados con sílabas doradas
sobre lomos bellamente curtidos.
Los políticos justo al lado se mantenían erguidos.

No parecía que de esta habitación no hubiera salida,
al menos por la puerta,
o que no tuviera alguna perspectiva, al menos desde la ventana.

Las gafas para ver a lo lejos estaban en el alféizar.
Zumbaba una mosca, o sea que aún vivía.

Seguramente crees que cuando menos la carta algo aclaraba.
Y si yo te dijera que no había ninguna carta.
Tantos de nosotros, amigos, y todos cupimos
en un sobre vacío apoyado en un vaso.


Wislawa Szymborska

sábado, 23 de novembro de 2013

 “É difícil separar a ficção da invenção, a fantasia da memória. Não há uma linha separando o que você viu do que você sonhou. A imaginação ocupa o espaço da memória.”

- Lygia Fagundes Telles, em entrevista ao jornal O Povo, 2007.


Não há literatura sem memória

"Não há literatura sem memória. A pátria de todo escritor é a infância. Acho que o momento da infância e da juventude é privilegiado para quem quer escrever. É onde a memória sedimenta coisas importantes: as grandes felicidades, os traumas, as alegrias e também as decepções. Certamente não estou falando da lembrança pontual e nítida. O que interessa é a memória desfalcada, a memória não lembrada. Isso é bom para a literatura porque aí é que se instala o espaço da invenção."

- Milton Hatoum - in: “Não há literatura sem memória”. [Entrevista concedida a Luiz Henrique Gurgel]. Na ponta do Lápis. Ano IV, n. 8. AGWM Editora e Produções editoriais, p. 2-4, Junho/2008, p. 4.


A Traição das Elegantes

(...)

Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus.

A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.


- Rubem Braga, do livro "A Traição das Elegantes", Editora Sabiá – Rio de Janeiro, 1967, pág. 83.

Lavoura arcaica

 “... rico só é o homem que aprendeu, piedoso e humilde, a conviver com o tempo, aproximando-se dele com ternura, não contrariando suas disposições, não se rebelando contra o seu curso, não irritando sua corrente, estando aberto para o seu fluxo, brindando-o antes com sabedoria para receber dele os favores e não a sua ira; o equilíbrio da vida depende essencialmente deste bem supremo, e quem souber com acerto a quantidade de vagar, ou a de espera, que se deve pôr nas coisas, não corre nunca o risco, ao buscar por elas, de defrontar-se com o que não é.”

- Raduan Nassar, in: Lavoura arcaica, 1975.
http://www.elfikurten.com.br/2013/05/raduan-nassar-tradicao-e-vanguarda.html
Corren buenos tiempos,
buenos tiempos para la bandada
de los que se amoldan a todo
con tal que no les falte de nada.

Tiempos fabulosos,
fabulosos para sacar tajada
de desastres consentidos
y catástrofes provocadas.

Tiempos como nunca
para la chapuza,
el crimen impune
y la caza de brujas.

Corren buenos tiempos,
buenos tiempos para equilibristas,
para prestidigitadores
y para sadomasoquistas.

Y silenciosa
la mayoría,
aguantando el chaparrón
al pie de un cañón
de papel maché,
come el pan nuestro
de cada día
con un culo así
contra la pared.
Llorando en el mar
viéndolas venir,
viéndolas pasar,
pasar,
pasar.

Corren buenos tiempos,
buenos tiempos para esos caballeros
locos por salvarnos la vida
a costa de cortarnos el cuello.

Tiempos fabulosos
fabulosos para plañideras,
charlatanes visionarios
y vírgenes milagreras.

Tiempos como nunca
para echarle morro
o sacar coraje
y pedir socorro.

Corren buenos tiempos,
buenos tiempos preferentemente
para los de toda la vida
para los mismos de siempre.

Para los mismos de siempre.
Siempre.
Siempre.

J. M Serrat 

Quem é Lêdo Ivo?


"- É muito difícil saber isso. Você é você e você é aquilo que você pensa que é. E você é o que os outros pensam que você é. Então, você se faz com esta dupla imagem: uma real e outra imaginária. Embora ninguém saiba onde começa a realidade ou termina o imaginário. O filósofo alemão Schopenhauer (1788-1860) diz que o mundo é a representação que a pessoa tem dele. Este é o problema. Vivemos hoje numa época de incertezas. Guerras absurdas. Fome. Crises terríveis. Retrocessos. Um mundo cada vez mais kafkaniano como se a própria vida real -a vida acordada- fosse o pesadelo para milhões de pessoas. Talvez o próprio mundo em que vivamos seja hoje um mundo virtual no qual a gente não tem como sair. Esta é a minha visão. E dentro deste mundo eu não sei o que sou, nem quem sou."

- Lêdo Ivo, em 'entrevista' a Jairo Máximo/EuroLantinNews.
http://www.elfikurten.com.br/2013/04/ledo-ivo-uma-aventura-poetica.html
"Desde seus primórdios, as cidades surgiram nos lugares onde existe produção excedente, aquela que vai além das necessidades de subsistência de uma população. A urbanização, portanto, sempre foi um fenômeno de classe, uma vez que o controle sobre o uso dessa sobreprodução sempre ficou tipicamente na mão de poucos. Sob o capitalismo, emergiu uma conexão íntima entre o desenvolvimento do sistema e a urbanização."


David Harvey no Blog da Boitempo. Amanhã é sua última conferência no Rio de Janeiro. Ele estará em Florianópolis no dia 25 e em São Paulo no dia 26! Saiba mais: http://goo.gl/TytDhj

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Versos escritos n'água


Os poucos versos que aí vão,
Em lugar de outros é que os ponho.
Tu que me lês, deixo ao teu sonho
Imaginar como serão.
Neles porás tua tristeza
Ou bem teu júbilo, e, talvez,
Lhes acharás, tu que me lês,
Alguma sombra de beleza...
Quem os ouviu não os amou.
Meus pobres versos comovidos!
Por isso fiquem esquecidos
Onde o mau vento os atirou.


- Manuel Bandeira, em "A Cinza das Horas", 1917.