terça-feira, 5 de novembro de 2013
O Brasil como problema
"...Sou um homem de causas. Vivi sempre
pregando, lutando, como um cruzado, pelas causas que comovem. Elas são muitas
demais: a salvação dos índios, a escolarização das crianças, a reforma agrária,
o socialismo em liberdade, a universidade necessária. Na verdade somei mais
fracassos que vitórias em minhas lutas, mas isso não importa. Horrível seria
ter ficado ao lado dos que nos venceram nessas batalhas."
‘Os mascates da liberdade não sabem chorar e
não sabem soluçar. Amam com seus cérebros e odeiam com seus genitais.”
“O desejo de se
fundir com outro organismo no abraço genital é tão forte no organismo
encouraçado como no não encouraçado. No encouraçado ele será até mais violento
porque a satisfação total está bloqueada. Enquanto a Vida simplesmente ama, a
vida encouraçada fode.” (Wilhelm Reich -1897-1957)
domingo, 3 de novembro de 2013
Nicolau II
Em 2 de novembro de 1894, Nikolai Aleksandrovich Romanov sobe
ao trono para se tornar Nicolau II, o último imperador da Rússia, título que
acumulou com o de Rei da Polônia e o de Grão-Duque da Finlândia. A coroação se
deu um dia após a morte de seu pai, Alexandre III, falecido em decorrência de
uma nefrite crônica. Durante seu reinado, Nicolau II viu a Rússia Imperial
passar da condição de um dos maiores países do mundo para uma situação de
desastre econômico e militar. Seu governo chegou ao fim com a Revolução Russa
de 1917, quando em 15 de março ele abdicou e renunciou em seu nome e em nome de
seu herdeiro, passando o trono para seu irmão, o Grão-Duque Miguel Romanov.
Nicolau II foi executado pelos bolcheviques em 1918, junto com toda a sua
família. Mais tarde, a sua mulher, Imperatriz Aleksandra, e seus filhos seriam
canonizados como mártires pela Igreja Ortodoxa Russa, enquanto Nicolau II foi
considerado São Nicolau, o Portador da Paz.
Assinatura
Entre lágrimas de crocodilo
o homem com gestos de lava
que aponta o local do crime
todas as manhãs
e eu despido de rosas
subo a escada de caracol da morte
para ir deixar na tua pele a assinatura bárbara
com a caligrafia trémula todas as manhãs
e todas as noites de terror
entre a música dos astros
António José Forte/
Uma Faca nos Dentes
Página 91
Declaração*
Eu de barba branca a tiracolo
rodeado de fumo por todos os lados vadios
menos pelo lado do mar
com um incêndio à ilharga
e dois artelhos clandestinos
eu salvo miraculosamente para te amar e curar
e esperar o teu regresso glacial e escarlate
que escrevo poemas desde que um rato
me entrou prós pulmões e só por causa disso
eu que disse: há um cancro no mapa universal
e engenheiros, geógrafos, doutores se apressaram a negá-lo
eu da cintura pra cima de alcatrão e terror
e do umbigo pra baixo de quiosque chinês
eu não espero piedade obrigado
António José Forte/
Uma Faca nos Dentes
página 55
AS PORRADAS DE NIETZSCHE NA PRIVATIZAÇÃO E NO INDIVIDUALISMO ESTREITO E BURGUÊS -
“...A nenhuma das medidas executadas por um governo será
garantida continuidade...Ninguém sentirá para com uma lei nenhuma obrigação
maior que a de se inclinar momentaneamente à força que a sustenta: as pessoas,
então, imediatamente porão mãos à obra para subverte-la com uma nova força, a
criação de nova maioria. Por fim –pode-se dizê-lo com certeza—a resolução de
por fim ao conceito de estado, de abolir a distinção entre particular e público.
As companhias particulares gradualmente absorverão a tarefa do estado: mesmo o
mais resistente resíduo do que antes foi função do governo (por exemplo, suas
atividades destinadas a proteger o indivíduo do indivíduo) será, com o
decorrer do tempo, tratado por contratantes particulares.”
(trecho de Humano, Demasiadamente Humano, de Nietzsche. É
impressionante a atualidade dessas palavras, dirigidas a um público de leitores
europeus do fim da década de 1870 e não da década atual.)
A estrutura das revoluções científicas
" Ainda nos resta perguntar como terminam as revoluções
científicas. No entanto, antes de fazê-lo, parece necessário realizar uma
última tentativa no sentido de reforçar a convicção do leitor quanto à sua
existência e natureza. "
-Thomas S. Kuhn; A estrutura das revoluções científicas.
ODOACRO
Odoacro (cerca de 434 - 493), rei da tribo germânica dos
hérulos, Filho de Edeco, príncipe da corte de Átila rei dos Hunos ,nasceu perto
do Rio Danúbio, em território que hoje é parte da Alemanha. Ao depor o
imperador Rômulo Augusto, em 476, pôs fim ao Império Romano do Ocidente e se
tornou o primeiro dos reis bárbaros de Roma.
Odoacro foi Rei dos Hérulos entre 476 e 493. Pertencia a uma
tribo germânica, mas, depois desta ter sido destruída pelos Ostrogodos,
coloca-se ao serviço dos Romanos.
Em 469 se pôs a serviço dos romanos como chefe de um exército
de mercenários germânicos de estirpe hérula.
Tornou-se um dos chefes da guarda germânica do imperador.
Participou numa revolta que colocou no trono Rómulo Augústulo, em 475. Como os
soldados germânicos não obtiveram as terras que lhes haviam sido prometidas,
Odoacro enceta uma nova revolta que provocou a queda de Rómulo , entregou as
insígnias imperiais a Zenão, imperador do Oriente, declarando-se governador de
Itália em 476. Este golpe de Estado marcou o final do Império do Ocidente.
Tomou para si o título de Patrício e iniciou a árdua tarefa de organizar o
país.
Começou por anexar a Sicília e procurou proteger o Norte da
península com uma política de boa vizinhança com os Visigodos da Gália e com a
ocupação da Dalmácia.
Zenão I de Bizâncio, preocupado com os recentes sucessos do
rei germânico Odoacro, estimulou Teodorico o Grande, rei dos ostrogodos, a
invadir a Península Itálica. Teodorico derrotou Odoacro em Aquileia (488) ,
Verona (489) e no Rio Adda (490), depois de um cerco de 3 anos a Ravenna,
Teodorico e Odoacro assinaram um acordo que garantiu a supremacia de ambos. Um
banquete foi organizado para celebrar o tratado. Foi nesse banquete que
Teodorico matou Odoacro com as próprias mãos.
Fontes:http://historia10alfandega.blogspot.com.br/2011/08/biografia-odoacro-herulo.html
Não te Arrependas
Não te arrependas, Amada, porque a mim tão depressa te
deste!
Podes crer, nem por isso de ti penso coisas insolentes e
vis!
Vária é a acção das setas do Amor: algumas arranham,
E do rastejante veneno languesce pra anos o peito.
Mas, com penas potentes e gume afiado de fresco,
Outras penetram até ao tutano e rápido inflamam o sangue.
Nos tempos heróicos, quando Deuses e Deusas amavam,
Ao olhar seguia o desejo, ao desejo o prazer.
Crês tu que a Deusa do Amor pensou muito tempo
Quando no bosque de Ida um dia Anquises lhe agradou?
Se Luna tardasse a beijar o belo dormente,
Auiora, invejosa, em breve o teria acordado.
Hero descobriu Leandro no festim ruidoso, e ligeiro,
Ardente saltou o amante pra a corrente nocturna.
Rhea Sílvia, a virgem princesa, vai descuidosa
Buscar água ao Tibre, e o Deus dela se apossa.
Assim Marte gerou os seus filhos! — Uma loba amamenta
Os Gémeos, e Roma nomeia-se princesa do mundo.
Johann
Wolfgang von Goethe, in "Elegias Romanas"
Tradução de Paulo Quintela
“A grande conquista
do governo Lula foi a criação de empregos e a elevação do poder aquisitivo dos
pobres. Esses foram ganhos dentro das relações do mercado. Mas sem avanços
correspondentes nas esferas da vida em que as relações de commodities não
deveriam ter lugar, o risco é realmente gerar uma sociedade de consumo em que,
como nos Estados Unidos, aumentar a prosperidade não é, na verdade, empecilho
para aumentar, ainda mais rapidamente, a desigualdade. No Brasil, que ainda
continua perto do recorde mundial de má distribuição de renda, só uma reforma
radical da estrutura tributária, da administração pública e do sistema político
pode frear esse perigo. É necessário um Estado que esteja verdadeiramente sob o
controle de seus cidadãos, que seja capaz de oferecer serviços honestos, justos
e construtivos para eles."
PERRY ANDERSON
O SENSACIONAL DEBATE ENTRE ŽIŽEK E O SAPO GONZALO
“Tudo foi preparado e em pouco tempo, lá estavam os dois
‘contendores’, diante de um auditório lotado de estudantes, ‘blogueiros’,
anarco-skatistas, blequebloques, beiçudos capiléticos e alguns radicais de
nosso tempo. Até o cantor e campositor Caetano Veloso se encontrava no local,
aproveitando uma folga entre dois shows que faria na cidade. ‘Esse Zizeque é
muito porreta, minha nêga!’, disse à barraqueira oficial dos artistas unidos
pela censura, Paula Lavigne, sentada a seu lado...”
Luiz Bernardo Pericás, no Blog da Boitempo: http://wp.me/pB9tZ-23S
She was
young and beautiful too,
A madonna
for no man`s taking,
As bright
as the sheen on the tranguil stream.
My heart
was the nearer to breaking!
So carefree
she was, as the faraway blue
A swan
between sleeping and waking;
Who knows,
but perhaps there was sadness too.
My heart
was the nearer to breaking!
But as she
sang softly of love that is true,
My soul was
in sympathy,
But passion
was the nearer to breaking!
Alexander Blok (1880-1921)
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Zelimkhan Guzhmazukayev
After the February
Revolution in Russia in 1905 the Tsarist police attempted to nip revolutionary
activities in the bud with cruel repression, and the effects were felt in
Chechnya, too. On 10 October 1905 the police shot into the crowd during a
strike at the industrial plant in Grozny, killing 17 people. A week later
Abreke Zelimkhan held up a passenger train near Kadi-Yurt Station and had the
same number of men shot.
Zelimkhan Guzhmazukayev
was born in Khara-choy near Vedeno in 1872. After a dispute involving his
brother’s bride led to the death of a man in his family, Zelimkhan was required
by the code of clan revenge to kill a man from the other family. Although peace
was restored between the two families and there was no evidence of any crime,
Zelimkhan, his father and his two brothers were sentenced by the Russian
administration. Zelimkhan escaped from prison. One brother died in custody. The
other returned from banishment only to be sentenced unjustly yet again, and
fled to the mountains. Other relatives and villagers were banished without
legal justification. In 1906 Zelimkhan killed Lieutenant-Colonel Dobrovolski,
the district official in Vedeno who was responsible for these decisions,
followed in 1908 by Colonel Galaev, who had banished over 500 innocent Chechens
to the Russian North.
As he was unable to
live a life in peace, Zelimkhan became an abreke (lone resistance fighter),
wreaking vengeance Robin Hood style on the arrogant Russian governors.
On 1909 the Tsarist
powers placed a reward of 5,000 roubles on his head. But all efforts to capture
him were in vain. Zelimkhan attacked Grozny Station in January 1910 and made
off with 18,000 roubles. In response to the pogrom in Gudermes he warned the
Cossack ataman (leader) Ferbizki that he would raid the bank in Kizlyar at 12
noon on 9 April. He 27 attacked punctually and all Chechnya mocked the Tsar’s
police for their failure to stop him. Zelimkhan distributed the proceeds among
the poor and needy.
In September 1910
Prince Andronnikov, the highest-ranking official in the Nazran region, set off
with a strong division on a penal expedition to catch Zelimkhan. He lured the
troops into am ambush by a bridge and personally took the lives of Prince
Andronnikov and First Lieutenant Afanasyev, wounding the Dagestani Staff
Captain Dayaghev.
Zelimkhan was a legend
in his own lifetime, and occasionally others sought to jump on the bandwagon.
One of these fake Zelimkhans is said to have taken a bull from a farmer by
claiming “I am Zelimkhan!”. By chance the real Zelimkhan came along, brought
the bull back and handed it over to the farmer together with an ear, saying:
“The man who took your bull is one-eared Zelimkhan. I am the true Zelimkhan for
I have, as you see, two ears.”
On a number of
occasions Zelimkhan slipped through troops laying siege. Badly wounded by a
shot in the back from a traitor, he hid in a house in Shali, but it was
surrounded on 27 September 1913 and after a long struggle he was killed. His
capturers proudly had their photograph taken with him. The inhabitants of
Grozny and Vedeno were forced to pay 100,000 roubles in reparation for the
damage caused by Zelimkhan and his companions.
All as before: against
the dining-room windows
Beats the scattered
windswept snow,
And I have not changed
either,
But a man came to me.
I asked: “What do you
want?”
He replied: “To be with
you in Hell.”
I laughed: “Oh, you’ll
foredoom
Us both to disaster.”
But lifting his dry
hand
He lightly touched the
flowers:
“Tell me how men kiss
you,
Tell me how you kiss
men.”
And his lusterless eyes
Did not move from my
ring.
Not a single muscle
quivered
On his radiantly evil
face.
Oh, I know: his delight
Is the tense and
passionate knowledge
That he needs nothing,
That I can refuse him
nothing.
"
— Anna Akhmatova
(1889-1966) - The Guest, January 1, 1914
"Last night I was
in the Kingdom of Shadows, If you only knew how strange it is to be there. It
is a world without sound, without colour. Everything there—the earth, the
trees, the people, the water and the air—is dipped in monotonous grey. Grey
rays of sun across the grey sky, grey eyes in grey faces, and the leaves of the
trees are ashen grey. It is not life but its shadow, it is not motion but its
soundless spectre. And all this is in a strange silence where no rumble of
wheels is heard, no sound of footsteps or of speech. Nothing. Not a single note
of the intricate symphony that always accompanies the movements of
people."
— Maxim Gorky
(1868-1936) on viewing a screening of the Lumiere CInematograph in 1896, his
review was published in the newspaper ‘Nizhegorodsky Listok’ under the pen name
of I. M. Pacatus
"You were the
first to demonstrate beyond question by your experience that man is man
everywhere, that is, a kind, sociable being with whom communication can and
should be established through kindness and truth, not guns and spirits. I do
not know what contribution your collections and discoveries will make to the
science for which you serve, but your experience of contacting the primitive
peoples will make an epoch in the science for which I serve i. e. the science
which teaches how human beings should live with one another."
— Leo Tolstoy
(1828-1910) in a letter to Nikolai Miklukho-Maklai, September 1886
The sun would fail in
the observant height,
In clear air, the
shining stars would vanish,
The world would sink
into a smoke lavish,
And thunders – into
silence of the night, –
On the sad moon,
invisible and black –
In its dark deeps –
would rise the awful fire,
And by the tracks, lost
in the Lethe’s mire,
Life would be gone
without coming back, –
A dust would lie
instead of all these grasses,
All nightingales would cut
their loving plea,
All wars and funs would
melt like snow masses, –
With a deep sigh, would
flee a spirit trustless,
It’d be the same – to
be or not to be –
Sooner than I might
cease remembering thee.
"
— Konstantin Balmont
(1867-1942)
"In order to
educate man to a new longing, everyday familiar objects must be shown to him
with totally unexpected perspectives and in unexpected situations. New objects
should be depicted from different sides in order to provide a complete
impression of the object."
— Aleksandr Rodchenko
(1891-1956)
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