quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

HE DADO AL ARTE




“Me siento y reflexiono.

He dado al arte
deseos, sensaciones.

Algunos entrevistos
rostros o líneas;
la indistinta memoria
de amores incompletos.

Dejad que a él me entregue.

El arte sabe cómo
dar forma a la belleza.

Su toque imperceptible
completando la vida,
combinando impresiones,
combinando los días”.

 Constantino Cavafis.-

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012


Nas horas tardias que a noite desmaia,
Que rolam na praia mil vagas azuis,
A lua cercada de pálida chama
Nos mares derrama seu pranto de luz,

Eu vi entre as flores de névoas imensas,
Que em grutas extensas se elevam no ar,
Um corpo de fada, serena dormida,
Tranquila sorrindo num brando sonhar.

- Fagundes Varela

Clarissa


"Fora, o luar cresce, tênue, inundando a paisagem.
Clarissa infla as narinas. Parece-lhe que o luar tem um perfume todo especial. Se ela pudesse pegar o luar, fechá-lo na palma da mão, guardá-lo numa caixinha ou no fundo de uma gaveta para soltá-lo nas noites escuras…"

- Érico Verissimo

"De onde eu tinha tirado essa ideia de que a felicidade é que media a qualidade da vida de uma pessoa?" (1). A felicidade da vida está na medida ou a medida está na felicidade? Por que esta pergunta em torno da medida? Não podemos esquecer que era a hybris - desmedida - que trazia a infelicidade e a desgraça, lançando a pessoa no mais profundo sofrimento. Por isso, em nossa vida toda ação ética tem como fundo a justa medida. Assim sendo, a medida se torna para o ser humano em seu agir e viver a questão decisiva. A presença mais efetiva da medida está na morte. Esta, em última e primeira instância, é a medida do sentido. Mas não há morte sem vida (zoé). É nesse sentido que eros e thanatos são para nós, mortais, a fonte de todas as grandes experienciações. "

Manuel Antônio de Castro.

Cantiga de Enganar


O mundo não vale o mundo, meu bem.
Eu plantei um pé-de-sono,
brotaram vinte roseiras.
Se me cortei nelas todas
e se todas se tingiram
de um vago sangue jorrado
ao capricho dos espinhos,
não foi culpa de ninguém.
O mundo, meu bem, não vale
a pena, e a face serena
vale a face torturada.
Há muito aprendi a rir, de quê? de mim? ou de nada?

- Carlos Drummond de Andrade, in Cantiga de Enganar, Claro Enigma, 1951 (Fotobiografia CDA, Edições Alumbramentos, 1998).

Saber encontrar a alegria
na alegria dos outros,
é o segredo da felicidade.

Georges Bernanos