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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012


Nas horas tardias que a noite desmaia,
Que rolam na praia mil vagas azuis,
A lua cercada de pálida chama
Nos mares derrama seu pranto de luz,

Eu vi entre as flores de névoas imensas,
Que em grutas extensas se elevam no ar,
Um corpo de fada, serena dormida,
Tranquila sorrindo num brando sonhar.

- Fagundes Varela

domingo, 30 de setembro de 2012

SONETO



Desponta a estrela d'alva, a noite morre.
Pulam no mato alígeros cantores,
E doce a brisa no arraial das flores
Lânguidas queixas murmurando corre.

Volúvel tribo a solidão percorre
Das borboletas de brilhantes cores;
Soluça o arroio; diz a rola amores
Nas verdes balsas donde o orvalho escorre.

Tudo é luz e esplendor; tudo se esfuma
Às carícias da aurora, ao céu risonho,
Ao flóreo bafo que o sertão perfuma!

Porém minh'alma triste e sem um sonho
Repete olhando o prado, o rio, a espuma:
- Oh! mundo encantador, tu és medonho

 Fagundes Varela