domingo, 27 de agosto de 2017

Uma vontade física de comer o universo
Toma às vezes o lugar do meu pensamento...
Uma fúria desmedida
A conquistar a posse como que absorvedora
Dos céus e das estrelas
Persegue-me como um remorso de não ter cometido um crime.

Como quem olha um mar
Olho os que partem em viagem...
Olho os comboios como quem os estranha
Grandes coisas férreas e absurdas que levam almas,
Que levam consciências da vida e de si-próprias
Para lugares verdadeiramente reais,
Para os lugares que - custa a crer - realmente existem
Não sei como, mas é no espaço e no tempo
E têm gente que tem vidas reais
Seguidas hora a hora como as nossas vidas...

Ah, por uma nova sensação física
Pela qual eu possuísse o universo inteiro
Um uno tacto que fizesse pertencer-me,
A meu ser possuidor fisicamente,
O universo com todos os seus sóis e as suas estrelas
E as vidas múltiplas das suas almas...


* Álvaro de Campos é um dos heterônimos do poeta português Fernando Pessoa.

L’ INVIBILITÉ



Je suis comme l' air
Se feché dans une ampoule
en verre transparent
je prends evaporé
Ressemblant qui n’a pas rien.


- pour Joseph Louis, Le JL Semeateur –

GERALDO VANDRÉ - VOU CAMINHANDO

Geraldo Vandré - Ladainha

Geraldo Vandré - Che

Geraldo Vandré - Réquiem para Matraga

Geraldo Vandré canta "Aroeira" - 1967

Alegria, Alegria - Caetano Veloso

Chico Buarque - Construção

Chico Buarque - "As Caravanas" (Vídeo Oficial)

sábado, 26 de agosto de 2017

 Nação, Estado e imperialismo europeu - A desconfiança sobre o conceito de nação e a tendência europeísta, ambas disseminadas em diversos setores da sociedade italiana, são produto de nossa história recente e não tão recente. O imperialismo italiano, entre os anos 1880 e os anos 1940, fez da Nação, na forma ideológica extremista do nacionalismo, o substrato da sua política expansionista. O Estado liberal e o Estado fascista, sem qualquer solução de continuidade entre eles, geraram uma série de guerras, das primeiras expedições coloniais em Eritréia, Somália e Líbia, à Primeira Guerra Mundial, às guerras na Etiópia e na Espanha e, finalmente, à participação desastrosa na Segunda Guerra Mundial.

DOMENICO MORO

Instituto Grabois
Plena mulher, maçã carnal, lua quente,
espesso aroma de algas, lodo e luz pisados,
que obscura claridade se abre entre tuas colunas?
que antiga noite o homem toca com seus sentidos?
Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas,
com ar opresso e bruscas tempestades de farinha:
amar é um combate de relâmpagos e dois corpos
por um so mel derrotados.
Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito,
tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos,
e o fogo genital transformado em delícia
corre pelos tênues caminhos do sangue
até precipitar-se como um cravo noturno,
até ser e não ser senão na sombra de um raio.


"Pablo Neruda"

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho...
Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, que é meu sentimento...e não brinque com ele.
E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.
Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe...
Que ele é superior ao ódio e ao rancor, .............
Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas...
"Mário Quintana"


"Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem...
O ato de ver não é coisa natural.
Precisa ser aprendido!"

Rubem Alves
Marx e Engels foram homens de Partido. Sempre o valorizaram como instrumento privilegiado na luta pela conquista do socialismo e nunca se prenderam, dogmaticamente, a uma forma rígida de organização. Esta deveria servir à política transformadora e não o contrário. Tinham a consciência de que as formas poderiam variar de país para país, tendo em vista as particularidades nacionais e da luta de classes. Contudo, acreditavam que este partido socialista deveria ter como princípios norteadores: ser um partido da classe operária e, ao mesmo tempo, de vanguarda desta mesma classe; um partido de ruptura com o capitalismo; um partido internacionalista; e, por fim, ser uma organização regida por normas centralistas que fossem profundamente democráticas.

AUGUSTO BUONICORE

fonte : Fundação Grabois

A censura aos professores da educação básica



Há um mantra no debate educacional do Brasil de que toda a sociedade deve participar dessa discussão. Clamam por todo tipo de opinião para superarmos os problemas da educação. Vou defender neste texto que esse tipo de ideia é o grande obstáculo para as soluções necessárias, pois acaba por eliminar do debate o principal ator: o professor da educação básica.

A variedade de instituições, órgãos e profissionais que participam do debate para a melhoria da educação brasileira é única no mundo. Participam o Banco Mundial, Unicef, ONGs, empresas, empreendedores, pastores, padres, socialites, banqueiros, professores universitários etc. Muita gente querendo dar seu pitaco. É neste “grande debate” que o professor secundarista perde a vez, já que ele é muito desvalorizado por toda a sociedade, não só pelos políticos. Essa desvalorização pode ser vista na ausência dos professores secundaristas na mídia. Peço ao leitor para tentar lembrar ou pesquisar algum colunista de jornal ou revista de grande circulação que seja professor de escola pública. Eu não conheço. Alguém lembra se algum professor da educação básica já ocupou o centro do programa Roda Viva, da TV Cultura? Nunca vi sequer participarem da bancada. Em reportagens sobre educação, dificilmente um professor da educação básica é ouvido para dar opinião e apresentar propostas. Na imensa maioria das vezes, só é ouvido para relatar violências e coisas do tipo. A apresentação de propostas só é concedida para membros de ONGs, celebridades, professores universitários, políticos, psicólogos e os ditos especialistas.

O resultado dessa espécie de censura é o desconhecimento das demandas necessárias para resolver os problemas da educação básica. Isso porque quem dita as ações educacionais não sabe nada ou quase nada do que acontece na escola e em suas salas de aula. Desconhecem, por exemplo, que a escola pública brasileira é administrada para diminuir ao máximo o trabalho de pedagogos, diretores e funcionários de secretarias de educação. E a melhor maneira de se fazer isso é jogar todas as responsabilidades para o professor. Se o aluno tira nota ruim, é mais fácil culpar o professor do que conversar com o aluno e seus pais. Imagine se os pedagogos tivessem de conversar com mais de 50% dos alunos e pais sobre notas ruins. Haja reuniões! É bem mais fácil o professor dar provas mais fáceis. Se o aluno comete indisciplinas em sala de aula, é mais fácil pressionar o professor para suportar o comportamento do aluno do que tentar discipliná-lo. Pois o diretor vai ter de marcar reunião com os pais do aluno, que podem ser muito desrespeitosos. Isso dá trabalho. Como dá trabalho também suspender alunos com indisciplinas graves. Dizem que a secretaria pode “pegar no pé”. Em todas essas situações, o ensino é deixado de lado para dar lugar a outros interesses. Aí, podem contratar os melhores professores do mundo que não darão jeito. Podem comprar tablets, diminuir as disciplinas, implantar métodos de ensino revolucionários que não vai adiantar.

É preciso que o professor secundarista seja o condutor maior da educação básica brasileira. O autor da aula é o professor. Ele é o quem mais tem contato com o aluno no tratamento do conteúdo apresentado. Assim, é ele que tem mais propriedade para apontar as dificuldades de aprendizado dos alunos e propor as medidas adequadas para garantir o aprendizado do conteúdo. Mas o que se vê são outros profissionais e cidadãos ditando as ações educacionais. E, na maior parte das vezes, falam sobre o que não sabem (conteúdo) e sobre o que não veem (atividades dos alunos).

Antes de mais nada, é preciso permitir que o professor exija que o estudante estude. Se o professor não pode cobrar leitura, exercícios e disciplina, não consegue expor conteúdos e orientar os alunos. Nessa situação, o professor não exerce sua função e o estudante não exerce a dele. Vejam que nem sua função básica a educação brasileira consegue executar. A sociedade quer colocar banco de couro em carro sem chassi. E termina por conseguir duas coisas: permitir todo tipo de maus-tratos para com o professor dentro da escola, com professores sendo sistematicamente desrespeitados e agredidos verbalmente pelos alunos, como também cotidianamente assediados moralmente por pedagogos e diretores; e deformar o intelecto e a moral dos alunos. Os alunos saem da escola analfabetos funcionais e marginais das regras e leis da sociedade.

 THIAGO MELO, professor de Filosofia da rede estadual de ensino  [28/01/2015] [22h07]

Gazeta do Povo 15 de Agosto de 2017


domingo, 20 de agosto de 2017

"Beber é uma coisa emotiva. É um ato que cria uma quebra na mesmice da rotina. Tira você do seu corpo e da sua mente e te joga contra a parede. Sinto que beber é como uma forma de suicídio em que você pode voltar à vida e começar tudo de novo no dia seguinte. É como se matar, e nascer outra vez. Acho que eu vivi umas dez ou quinze mil vidas até agora."

Bukowski

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Aleluia é parente de João Doria ! Como a classe dominante brasileira é formada por grandes estruturas de parentescos políticos do atraso ! O jovem vereador de Salvador, Bahia, Alexandre Aleluia (DEM) tenta impedir a entrega do título de “Doutor Honoris Causa” ao Ex-Presidente Lula, criador e fundador da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, com apoio de setores reacionários na justiça. O vereador Alexandre Aleluia (DEM) é filho do deputado federal José Carlos Aleluia (DEM), neto do coronel Nivaldo José da Costa e quinto neto de José da Costa Doria, sim, parentes do mesmo clã Costa Doria do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), descendentes do senhoriato colonial escravista nordestino. O Recôncavo Baiano era um lugar somente para engenhos escravistas agroexportadores e uma universidade, modernidade, ciência, tecnologia e cultura, sempre despertam o antagonismo de setores reacionários de direita, da velha classe dominante colonial, com mentalidade ainda colonizada e autoritária.

RCO

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Já conheço os passos dessa estrada             
sei que não vai dar em nada                       
seus segredos sei de cór                              
já conheço as pedras do caminho               
e sei também que ali sozinho                      
eu vou ficar, tanto pior
o que é que eu posso contra o encanto
desse amor que eu nego tanto
evito tanto
e que no entanto
volta sempre a enfeitiçar
com seus mesmos tristes velhos fatos
que num álbum de retrato
eu teimo em colecionar
Lá vou eu de novo como um tolo
procurar o desconsolo
que cansei de conhecer
novos dias tristes, noites claras
versos, cartas, minha cara
ainda volto a lhe escrever
pra lhe dizer que isso é pecado
eu trago o peito tão marcado
de lembranças do passado
e você sabe a razão
vou colecionar mais um soneto
outro retrato em branco e preto
a maltratar meu coração.

Juan Zapato | febrero 9, 2012 at 3:57 pm | Etiquetas: Bossa Nova, MPB, Paul Sonnenberg en el Blog de Juan Zapato, Poesía de Brasil, Tom Jobim & Chico Buarque en el Blog de Juan Zapato | Categorías: Acuarelas, América Latina, Blogroll, Bossa Nova, Chico Buarque, Música, Música latinoamericana, Paul Sonnenberg, Poetry, Tom Jobim | URL: http://wp.me/p5c8l-D7


mi abuelo lo único que hacía era afeitarse y temblar
frente al televisor.

mi padre todas las mañanas se perdía en el campo,
transformado en un punto tridimensional de la nieve.

regresaba con una sonrisa mística en su rostro y nadie
sabía por qué.

en verano también esa misma sonrisa y frutillas
en sus manos, en primavera frambuesas.

la sonrisa de mi padre traía frutos maravillosos.

mi abuelo temblaba cada día más, su cabeza recaía
como mandolina y se erguía como un piano.

un día mi padre regresó con manzanas

mi abuelo dio con la clave del silencio.



Natalia Litvinova  Poema del libro “Esteparia” Ediciones del Dock, 2010, Argentina.