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domingo, 7 de agosto de 2011

POEMAS SÃO COMO VITRAIS PINTADOS

Poemas são como vitrais pintados !

Se olharmos da praça para a igreja,

Tudo é escuro e sombrio;

E é assim que o Senhor Burguês os vê.

Ficará agastado ? – Que lhe preste !...

E agastado fique toda a vida !





Mas – vamos ! – vinde vós cá para dentro,

Saudai a sagrada capela !

De repente tudo é claro de cores:

Súbito brilham histórias e ornatos;

Sente-se um presságio neste esplendor nobre;

Isto, sim, que é pra vós, filhos de Deus !

Edificai-vos, regalai os olhos !


Johann Wolfgang von Goethe
Tradução: Paulo Quintela

domingo, 12 de dezembro de 2010

Com teu rir descarnado, tu, caveira,


Que me dizes, senão que em outro tempo,

Como o meu, delirou teu pobre cérebro,

A luz do dia procurou, com vasto

Desejo de verdade, e vagou triste

Em deprimente, lúgubre crepúsculo?




J. W. Goethe. Fausto. Trad. Agostinho D'Ornelas. Ed. ao cuidado de Paulo Quintela. , 1953, Acta Universitatis Conimbrigensis.,p 40
«Ardo como de mosto embriagado;


Ânimo sinto de arrojar-me ao mundo,

Da terra os gozos partilhar e as penas,

Lutar com a tormenta , e ao estrondo

De naufrágio cruel suster o rosto!»





J. W. Goethe. Fausto. Trad. Agostinho D'Ornelas. Ed. ao cuidado de Paulo Quintela. , 1953, Acta Universitatis Conimbrigensis.,p 32/3
«Teu mundo é isto?! Chama-se isto um mundo?!

E perguntas ainda porque ansioso

Teu coração no peito confrange,

E oculto sofrer inexplicado

A energia vital em ti comprime?

Em lugar de vivente natureza.

Em cujo seio Deus criou os homens,

Rodeiam-te entre a podridão e o fumo

Somente ossadas nuas e esqueletos.»







J. W. Goethe. Fausto. Trad. Agostinho D'Ornelas. Ed. ao cuidado de Paulo Quintela. , 1953, Acta Universitatis Conimbrigensis.,p 30/1
Etiquetas: Fausto, J.W.Goethe, poetas alemães, verso solto


240 Falar de inspiração pouco aproveita,

Nunca ao homem que hesita ela se mostra.

Se vos dais por poetas, que a poesia

A vosso mando ceda. O que é preciso

Já de mais o sabeis; licor bem forte

245 Desejamos beber; pois sem demora

No-lo dai preparado. Não se cumpre

Amanhã o que hoje não for feito,

E nem um dia só perder se deve.

Um homem resoluto, do possível

250 Lança mão com ardor, fugir não o deixa

E na empresa prossegue, assim lhe é a força.

Sabeis que cada qual nos nossos palcos

Exp'rimenta o que quer; pois neste dia

Prospectos não poupeis nem maquinismos.

255Da lua e sol servi-vos, e aos centos

Espalhai as estrelas. Fogo e águas,

Rochedos, bosques, pássaros não faltem.

Do bastidor no acanhado espaço

A criação inteira se desdobre,

260E caminhai, com rapidez medida,

Desce o céu, pela terra, ao fundo inferno.





J. W. Goethe. Fausto. Trad. Agostinho D'Ornelas. Ed. ao cuidado de Paulo Quintela. , 1953, Acta Universitatis Conimbrigensis.,p 19/20