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domingo, 17 de novembro de 2013

Fábulas

"as fábulas constituem um alimento espiritual correspondente ao leite na primeira infância. Por intermédio delas a moral, que não é outra coisa mais que a própria sabedoria da vida acumulada na consciência da humanidade, penetra na alma infante, conduzida pela loquacidade inventiva da imaginação. Esta boa fada mobiliza a natureza, dá fala aos animais, às árvores, às águas e tece com esses elementos pequeninas tragédias donde ressurte a ‘moralidade’, isto é, a lição da vida. O maravilhoso é o açúcar que disfarça o medicamento amargo e torna agradável a sua ingestão."

- Monteiro Lobato, em Fábulas, 1918.

furacão na Botocúndia.

"O chamado progresso não passa de uma escravização cada vez mais apertada, que as massas consentem e aplaudem e, portanto, impõem à minoria individualista (...) Ignoro se é para o bem ou para o mal nosso que progredimos em corporatividade e diminuímos em indivíduo. Vamos tendendo para a vida da colméia, onde o indivíduo não conta. A marcha para a frente é dirigida, mais e mais, por fatores corporados, com rumo a um ideal coletivo. O motor e a eletricidade, como os temos agora, a imiscuírem-se em quase todos os atos da nossa vida diária, nos gregarizam mil vezes mais do que no tempo de Thoreau."


- Monteiro Lobato, em América, p. 265. Apud AZEVEDO, Carmen Lúcia de: Monteiro Lobato: furacão na Botocúndia. São Paulo, Ed. SENAC, 1997, p. 249.