segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

O Alexandre de Moraes, cogitado para o STF, representa de maneira perfeita a completa indigência moral do PSDB de São Paulo, a falência ética do atual direito, do ministério público e de todo sistema judicial, também ilustra o colapso completo da política de segurança, da justiça e do sistema prisional, com o fracasso completo do desgoverno golpista de Temer de maneira total. Caso indicado será importante fator para a convocação de referendos populares, ou uma nova constituinte, para a reformulação completa do judiciário, suas remunerações acima do teto constitucional e a dissolução do atual STF golpista por total falta de decoro político-institucional. Um plebiscito popular deve ser convocado para a população decidir sobre este tipo de poder judiciário atualmente existente.

RCO
A Universidade Federal do Paraná vergonhosamente contribuiu no golpe de 1964 e no de 2016. No golpe de 1964 com o reitor e ministro da educação autoritário Flavio Suplicy de Lacerda. No golpe de 2016 com seus juristas oportunistas, seletivos, ativistas da perseguição política conservadora e sua justiça golpista, desequilibrada na forma de lawfare. A farsa a jato, o STF acovardado e golpista, como podemos constatar novamente, merecem o repúdio e a crítica de todos os democratas. A democracia e a liberdade são objetivos permanentes. Sociedades mais desenvolvidas, democráticas e justas são sociedades sem golpes. Golpes políticos só ocorrem em sociedades autoritárias, desiguais e atrasadas. Qualquer golpe sempre termina com muitos piores problemas e prejuízos do que quando começou, como podemos observar na história da América Latina, Ásia, África e Europa do Sul. Golpes sempre causam profundas vergonhas históricas, quebras nos valores democráticos e fracassos institucionais difíceis de serem reparados.

RCO

domingo, 5 de fevereiro de 2017

1936: "Tempos Modernos" chega às telas



Em 5 de fevereiro de 1936, Charlie Chaplin lançou "Tempos Modernos" em pré-estreia nos EUA. Ele dirigiu o filme e interpretou o papel principal. Na Alemanha e na Itália, a película "de tendência comunista" foi proibida.

Na comédia Tempos Modernos, o autor, diretor e ator Charles Spencer Chaplin parodiava as facetas nefastas da crise econômica mundial e da nova fase da industrialização. Gente lutando contra máquinas, a exploração, a necessidade extrema. No centro da história, alguém tenta sobreviver aos difíceis tempos: um vagabundo, com chapéu-coco, bigode, sapatos enormes e bengala.

Devido a seus filmes de humor sofisticado, Charlie Chaplin pode ser considerado ainda hoje o comediante mais famoso de todos os tempos do cinema. Ele negava, porém, a imagem que faziam dele em função de seu trabalho.

"As pessoas dizem que sou uma pessoa alegre. Não sou de jeito algum. Sou um homem bem sério. Com frequência não sei como devo expressar alguma coisa. Por isso meus filmes são sempre tão longos. E o mais difícil é dar-lhes a aparência de simples."

Marco cinematográfico

Chaplin precisou de quatro anos para concluir Tempos Modernos. O filme tornou-se um momento de ruptura em sua carreira. Pela última vez, o artista levava para as telas seu legendário vagabundo. E este entrou para a história do cinema como seu derradeiro filme mudo.

Há tempos as películas haviam ganhado falas. Mesmo assim, Chaplin confiou mais uma vez em sua muda arte da pantomima, restringindo a sonorização à música e efeitos sonoros. Somente um personagem podia falar: o dono da fábrica, que vigiava seus operários através de uma gigantesca parede de projeção.
"Pavilhão Número 5 está trabalhando muito devagar! Dobrem a velocidade! Capataz, os parafusos estão frouxos demais. Verifique o que está acontecendo! Ei, aqui não é lugar de se fumar, mas para trabalhar!", ditava ordens o patrão, interpretado por Alan Garcia.

Cenas inesquecíveis

O pequeno vagabundo, auxiliar na linha de montagem, aperta os parafusos muito devagar. De repente, fica preso numa peça na esteira rolante e é arrastado para dentro de uma enorme engrenagem da máquina. Mais uma cena de Chaplin que entrou para a história do cinema. Tempos Modernos é antes uma sequência de cenas engraçadas isoladas do que grande roteiro dramático.

"Bom dia, meus senhores e minhas senhoras, aqui fala o vendedor automático. Eu tenho a honra de apresentar-lhes o Sr. John Billows, inventor da máquina automática de alimentação. O aparelho é uma invenção genial para se comer automaticamente. Os senhores economizam o intervalo do almoço e dão um golpe na concorrência", anuncia a nova máquina.

Mas golpe mesmo sofre apenas o pequeno vagabundo. Testada tendo justamente ele como cobaia, a máquina de dar de comer sai fora do controle, dá um banho de sopa nele, alimenta-o com parafusos e o surra com o mecanismo que deveria limpar sua boca. O público na pré-estreia, em 5 de fevereiro de 1936, no cinema Rivoli de Nova York, fica deslumbrado.

A música de Tempos Modernos também deve-se às ideias de Chaplin. Sua voz igualmente pode ser ouvida no filme. Num restaurante, o pequeno vagabundo deve entreter os fregueses com uma canção. No momento decisivo, ele esquece a letra, canta algo absurdo, improvisado, misturando idiomas, e vai de novo para a rua. Mais um trabalho sem sucesso.

Mensagem política ou pura diversão?

"Eu acho que passar mensagens é muito problemático. Elas podem ser indignas. Podem até mesmo serem ridículas. Não acredito em mensagens", comentou certa vez ao falar de Tempos Modernos.

Chaplin não via seu último filme mudo como uma sátira política, mas como entretenimento. Mesmo assim, o governo americano sentiu-se incomodado, assim como os governos nazista da Alemanha e fascista da Itália, que proibiram a exibição da película. Após novos filmes e anos de atritos com o governo dos EUA, o artista britânico deixou o país que escolhera para viver, retornando à Europa.

Somente décadas depois Hollywood reconheceria o mérito das obras do criador do vagabundo. Em 1971, Chaplin, já com 83 anos, recebeu um Oscar por sua "incalculável contribuição ao cinema".

Autoria Catrin Möderler (mw)


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A classe dominante historicamente também exerce o quase completo monopólio do controle político das emoções populares e exige exclusividade na direção política do domínio emocional popular. A grande mídia seleciona quais emoções podem interessar ao seu domínio político, quais mortes podem ser homenageadas e quais são lucrativas e comercializáveis. A morte de Lily Marinho foi muito mais noticiada do que a de Marisa Lula da Silva, ainda que as diferenças políticas das duas tenham sido imensamente grande desde suas trajetórias, status e inserções ideológicas. As origens sociais determinam os direitos. O único direito do trabalhador pobre é não ter os mesmos direitos já assegurados por nascimento aos dominantes. Lula nunca poderia ter participado autonomamente da política, nunca poderia ter sido eleito, nunca poderia andar de avião presidencial, nunca poderia frequentar hotéis, restaurantes, hospitais de ricos. Lula nunca poderia denunciar politicamente a nojenta perseguição judicial extralegal contra sua família, Lula nunca poderia denunciar politicamente os facínoras da medicina, da mídia e do judiciário, uma vez que é um sem-mídia, uma vítima eterna da mídia burguesa. Lula não poderia e nem deveria falar, jamais poderia emitir posições políticas, ter voz, nem no enterro de Letícia, nem no de Chico Mendes, ou de qualquer liderança popular. Somente a toda poderosa Globo pode definir rituais televisivos de morte, pode monopolizar centenas de horas nas coberturas de seus esportistas, cantores e políticos lucrativos e funcionais aos interesses do marketing da mídia dominante. Novamente, jamais haverá democracia no Brasil sem a democratização e despartidarização da grande indústria da mídia golpista brasileira, a mesma surgida na ditadura militar e o tempo todo amparada politicamente de dentro do Estado, pelos grupos mais reacionários da classe dominante brasileira.

Ricardo Costa de Oliveira

sábado, 4 de fevereiro de 2017

A política hoje em dia, em todas as suas instâncias, sofre um processo crescente de carnavalização. Ou seja, é o simulacro do simulacro do simulacro, onde são seus atores, os ditos políticos profissionais, que parodiam o povo, o criticam e o ridicularizam.
A categorização da classe artística como vagabunda, sendo que é a arte, a partir dos elementos culturais, que constantemente redefine e critica a noção de identidade, é própria de um sistema carnavalizado pelo poder onde numa oficial democracia o voto do cidadão é deslegitimado.
A metáfora mais propícia da carnavalização política é um Rei Momo de uma província qualquer, que ao ser coroado, decreta a extinção do Carnaval.

Ricardo Alejandro Pozzo
Lava a Jato e Súmula Vinculante 13 do STF como enganações politiqueiras. Para entender a profunda hipocrisia, golpismo e reacionarismo jurídico-político no Brasil é necessário entender o país, que cria medida jurídico-política no pseudo combate a grave problema, sempre com a intenção de piorar, promover e dar o máximo poder ao mesmo problema. Enquanto finge ideologicamente combater e regular o problema, a medida só aumenta o poder do próprio problema, sem nenhuma mudança institucional. A farsa a jato alegava combater a corrupção seletivamente e só piorou a cultura da impunidade na corrupção do Brasil. Lava a jato faz parte do golpe jurídico-político, que só promoveu os piores,Temer e seus golpistas, acusados das piores corrupções ao poder executivo e legislativo. Ontem mesmo foi indicado o novo relator Fachin e o investigado Moreira Franco, o angorá, foi imediatamente promovido a ministro, com foro privilegiado e ninguém do STF golpista interveio, o que significa que o apoiaram em mais um golpe sucessivo. Da mesma maneira a Súmula 13 procurava combater o nepotismo e só promoveu milhares de nepotes ao poder máximo, nos cargos de primeiro escalão, onde são protegidos para sempre nos seus nepotismos achacadores da administração pública brasileira. Combater a corrupção promovendo, aumentando o poder dos mais notórios políticos corruptos e partidos corruptos da república é a façanha programada do golpe a jato. Corruptos no poder sem um único voto presidencial. Enganação total mais uma vez revestida de manipulação midiática enquanto a situação só vai piorando...

RCO

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Fahrenheit 451

 (...) Gosto de observar as pessoas. Às vezes ando de metrô o dia todo e fico olhando e ouvindo o que elas dizem. Tento imaginar quem são e o que querem e para onde vão [...] Às vezes ando de mansinho pelo metrô só para ficar escutando. Ou fico à escuta nos bebedouros de refrigerantes, e sabe de uma coisa?
— O quê?
— As pessoas não conversam sobre nada.
— Ah, elas devem falar de alguma coisa!
— Não, de nada. O que mais falam é de marcas de carros ou roupas ou piscinas e dizem: "Que legal!".
Mas todos dizem a mesma coisa e ninguém diz nada diferente de ninguém.

Do romance "Fahrenheit 451" de Ray Bradbury

Que o ódio absurdo, injustificado, desumano que hoje aflorou de maneira virulenta abra os olhos daqueles que ainda não perceberam que a sociedade brasileira está em franco processo de deterioração, caminhando a passos largos para o conflito final.
O monstro criado para odiar a esquerda - personificada em Lula - está fora de controle.
Em nome desse ódio já perdemos a democracia, soberania, direitos, renda e empregos e hoje perdemos qualquer esperança de reconciliação com esses zumbis teleguiados que abdicaram da mínima decência.
Nos preparemos então para o inevitável, para o desfecho amargo dessa ópera bufa.
Se tivermos sorte, que o embate seja no campo das ideias, da política. Se não, que seja como tiver que ser; mas não entregaremos, sem resistência, o futuro de nossos filhos na mão desses monstros.

Fernando Lopez


terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Uma tese de doutorado sobre Mano Brown e a periferia

Ricardo Costa de Oliveira...........“A Periferia Pede Passagem: Trajetória social e Intelectual de Mano Brown”. Filho de pai porteiro e mãe diarista, o sociólogo cresceu numa Cohab... Precisamos de mais intelectuais, teses e sociólogos de origens populares porque a sua sociologia poderá ser um olhar crítico e detalhado das realidades periféricas, populares e subalternas. Interessante escolha de tema de pesquisa. O que leva um sociólogo a escolher "livremente" um tema sempre é uma autobiografia na forma de uma autossociologia do que se vive, do que incomoda, do que deve ser dito e pesquisado. As dimensões de classe, etnia, gênero e principalmente ideologia atuam de forma direta. O que se fala, como escolher um objeto, como se escreve, o que se silencia, todas conceituações passam por estas categorias estruturantes e ambiências vividas. Toda sociologia é profundamente política e biográfica. Precisamos de sociólogos periféricos críticos, que jamais devem esquecer a ideologia de uma sociologia oficial da ordem dominante, com alguns pseudo formalismos e rigorismos, frutos de inseguranças sociais e políticas dos que vieram mais de baixo na sociedade de classes, vítimas de preconceitos e que procuram apenas o verniz uma sociologia importada, estrangeira e colonizada, supostamente técnica, profissional, asséptica, uma ciência social acrítica e defensora da ordem desigual. Todos sempre sentirão as pesadas influências e heranças da própria condição humana, familiar, social, política e identitária de qualquer cientista social. Origens já determinam em boa parte as atitudes, os horizontes ideológicos de qualquer texto e mesmo a escolha do tema nas ciências sociais. Na verdade é o objeto sociológico, o tema de pesquisa, que também escolhe o sociólogo.


Uma tese de doutorado sobre Mano Brown e a periferia
“A Periferia Pede Passagem: Trajetória social e Intelectual de Mano Brown”. Tese de doutorado explica que líder dos Racionais MC's é um intelectual

Roseli Bregantin Advogada Com certeza, Professor, e por isso é tão importante que o lugar de fala do pesquisador seja explícito, e não se esconda atrás de um total distanciamento do objeto para que suas observações ganhem status de isenção. Estudar é sempre uma forma racional de lidar com as nossas paixões e incomodos.

Marcio Mittelbach Olha aí, Sandro F. Paim, sobre o q vc estava tentando me dizer ontem...
Paulo Cesar Da Silva Acompanho a carreira do Mano desde o início.E o nojo que a polícia tem dos negros e pobres?Notório na obra de Mano,Eduardo e outros rappers!

Danilo Svirbul Vieira A academia ainda tem sua estrutura baseada no elitismo intelectual daqueles que possuem os meios para alcançá-la. A resistência intrínseca para aceitar intelectuais de origem "marginal" sempre foi muito evidente, ainda mais por se tratar de um núcleo do qual a residência é nativa das classes médias/altas. Ora, não se faz pesquisador de barriga vazia, e sabemos como é difícil se manter vivo neste meio sem as condições necessárias para um bom estudo, tendo que deliberar entre as complicações de uma vida privada penosa e toda a carga de desconfiança dos pares dentro da universidade. Que se façam mais destes pesquisadores, que se quebrem esses paradigmas elitistas dos cursos (principalmente de humanas) e que sociólogos de origens periféricas possam dar voz para aqueles que costumam ser apenas um objeto de estudo distante.

Valeria Tuleski Prof., na sua frase sobre os sociólogos, a questão é essa: Todo o cientista social sentirá as heranças que sofre em termos de determinações culturais? DE minha parte, tão importante quanto teses de doutorado que conseguem vir a público de uma maneira mais bem acabada, também precisávamos de jornalistas que sabem dialogar com as CS. Tenho encontrado um abismo entre uns e outros...

Valeria Tuleski A frase é: Todos sempre sentirão as pesadas influências e heranças da própria condição humana, familiar, social, política e identitária de qualquer cientista social. Desculpe-me a confusão.


terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Um sociólogo norte-americano dos anos 50 já deu o diagnóstico: com o deslocamento geográfico de um segmento da classe média intelectualizada para os "campi" universitários, um setor importante da esquerda, que varia de numero segundo a institucionalização do aparelho burocrático-universitário de país para país, separou sua experiência de vida quotidiana da grande massa da classe trabalhadora. Daí que surjam tantas palavras de ordem e arroubos radicais dos quais a massa sequer toma conhecimento. A pergunta que se coloca é: as redes sociais agravaram esse fenômeno, insulando ainda mais os "liberals" do restante da população comum, ou serviram para "reconectar" as camadas médias liberais com o duro e sofrido cotidiano do cidadão comum? Talvez esteja aí a fonte do famoso "mal-estar" com a democracia monitorada que tantos ideólogos sentem...

Sérgio Soares Braga

terça-feira, 17 de janeiro de 2017


Você possui algum parente preso ? Responda abaixo os 20 itens para saber a probabilidade social de ser preso e morto no Brasil.
Você possui algum parente ganhando até um salário mínimo ?
Você possui algum parente migrante de regiões mais pobres e do meio rural ?
Você possui algum parente pardo ou negro ?
Você é vítima de preconceitos e discriminações ?
Você possui algum parente morador em sub-habitações, na periferia ou favela ?
Você não mora em bairro com mínima infraestrutura urbana ?
Você possui algum parente analfabeto ou com ensino fundamental incompleto ?
Você possui algum parente evangélico ?
Você possui algum parente com histórico de violência e de transgressões, desde a infância e adolescência ?
Você possui algum parente assassino e/ou assassinado, cresceu entre corpos mortos ?
Você possui mãe e pai distantes ou separados ?
Você não cresceu com segurança física, emocional e ambientado em uma tradição de inclusão ?
Você tem medo da polícia e das forças de segurança ?
Você nunca viu nenhuma escola, centro cultural, musical, de esportes, ou lazer minimamente organizado e acessível ?
Você nunca possuiu referência de contato com carreiras científicas ou tecnológicas ?
Você foi educado para sempre obedecer, ser submisso e ser subalterno como modelo de vida ?
Você possui parentes desempregados e deve seguir ocupações de baixa renda, baixa escolaridade e baixo prestígio social ?
Você não sabe o que são direitos humanos ?
Você não sabe o que é uma cultura cívica, nem valores democráticos e nacionais ?

Você nunca teve direitos sociais e políticos plenos, nunca teve cidadania ?

Ricardo Costa de Oliveira

domingo, 15 de janeiro de 2017

O PALÁCIO DE INVERNO



Muitos se dizem mais sábios na velhice:
a mim isso parece-me uma tolice.
No meu segundo quarto de século perdi
tudo o que na universidade aprendi.
E no que se passou depois, a minha mente nem pensa.
Já não conheço os que saem na imprensa
e as pessoas ofendem-se pois esqueço as suas caras
e juro que nunca estive em suas casas.
Valeria a pena se conseguisse eliminar
o que quer que seja que me começa a prejudicar.
E no final não saberei nada.
A minha mente encerrar-se-á como um campo, uma nevada.


- in Antología Poética, Cátedra, 2016.

Philip Larkin (1922-1985) poeta inglês. 
Tradução :Fátima Diogo .

a classe dominante tem um projeto

 Embora as pessoas não reconheçam, a classe dominante tem um projeto muito bem elaborado para o país (e o está aplicando com bastante sucesso). Este projeto é o de acabar com a ideia de desenvolvimentismo, ou seja, a ideia de que Estado deve induzir o desenvolvimento, em detrimento de uma ideia de que o Estado deve garantir as condições de funcionamento do mercado; acabar com a ideia de Estado de bem-estar social, ou seja, que o Estado tem a função de garantir alguns direitos sociais aos cidadãos - e, para isso, não estão preocupados com a degradação da democracia -; e o retorno a um tipo de sociedade em que o Estado tem a única função de garantir a segurança e o controle orçamentário. Esta classe pretende acabar com a ideia de que os cidadãos têm qualquer direito a ser garantido pelo Estado, para que o setor privado possa vir a suprir as necessidades das pessoas e obter lucros com isso, e também que o Estado tem qualquer função de administrar empresas públicas, que devem ser privatizadas. Para que as pessoas possam adquirir planos de saúde, pagar pela educação e pela previdência privada, enfim, tudo o que precisam, este projeto inclui o estímulo à iniciativa privada, as pessoas devem abrir seus próprios negócios e assim se dará a manutenção da economia. Os cortes dos gastos primários (sem contar os juros da dívida) tem isso como objetivo, a única função do Estado é a segurança e o pagamento dos juros da dívida pública, e, para pagá-los, o Estado deve arrecadar impostos, que servirão apenas para isso, para o pagamento dos juros para os detentores da dívida pública. Isso é o Consenso de Washington, uma receita de desregulamentação financeira, em que é preconizado um conjunto de 10 medidas para o ajustamento econômico, e significa uma reconfiguração do capital, que exige a disciplina fiscal, realinhamento dos gastos públicos, a liberalização financeira, a liberalização comercial, a desregulamentação e a questão da propriedade intelectual. Enfim, estamos em um momento em que os interesses financeiros dominam todas as sociedades, que devem canalizar toda a arrecadação para o sistema financeiro, e a sociedade acabar com toda a regulação e controle do Estado para que os investidores privados possam atender às necessidades das pessoas por meio da iniciativa privada. Por fim, não vemos resistência porque para isso precisamos de uma classe trabalhadora forte, e a classe trabalhadora se torna forte com a garantia e a proteção de direitos - sobretudo a garantia de emprego, e com o crescimento da economia; com a política, ou seja, a disputa do Estado através da organização de partidos políticos capazes de apresentar um projeto e obter apoio de massa; e com a mobilização dos movimentos sociais. Não há outro caminho para lidar com estas questões, mas a economia e as condições de emprego estão degradadas, e a classe trabalhadora, frágil; e a política, e, sobretudo, os partidos de origem popular, foi deliberadamente deslegitimada pela classe dominante exatamente para impedir a resistência aos seus interesses... Mais especificamente, acho que o objetivo é que o atual governo aprove essas medidas duras e estruturais (o teto dos gastos, a reforma da previdência, a flexibilização das leis trabalhistas, e, também, a privatização das empresas públicas) já que ele não tem condições de disputar eleições e, portanto, não tem problema em sofrer com o desgaste político, e depois o PSDB deve entrar para controlar essa sociedade. Em geral, apenas os setores das classes populares são prejudicados. O único setor da classe dominante que também está sendo prejudicado é o da indústria, e não sei porquê eles aderem a esse projeto. Mas, de qualquer forma, esse é um projeto do setor financeiro internacional, que a mídia, a política, os poderes constitucionais, e a sociedade em geral, entram de roldão... Enfim, houve um setor da classe dominante, o setor financeiro internacional, que ascendeu ao domínio, e que esta situação, embora ruim para a sociedade como um todo, e mesmo para a manutenção do capitalismo e da democracia, é bom para esse setor, e, enquanto for bom para esse setor, este continuará impondo os seus interesses sobre o restante da sociedade.


 Mauro Costa Assis




O FIM DO NEOLIBERALISMO PROGRESSISTA

Publicado por Gilberto Maringoni e o Opera Mundi: uma análise de Nancy Fraser sobre o significado da vitória de Donald Trump

Já publiquei aqui este ótimo artigo de Nancy Fraser, em inglês. Agora o Opera Mundi lança sua tradução.
Trata-se de texto fundamental para se perceber o crescimento de um movimento anti-globalização pela direita que pode também auxiliar a identificação de suas decorrências aqui no Brasil. (Indicação de Breno Altman).

"Ao longo dos anos, à medida que o setor industrial ruía, o país ouviu falar muito de “diversidade”, “empoderamento” e “não discriminação”. Ao identificar “progresso” com meritocracia, em vez de igualdade, o discurso igualou o termo “emancipação” à ascensão de uma pequena elite de mulheres “talentosas”, minorias e gays na hierarquia corporativista exclusivista.
Esta compreensão individualista e liberal de “progresso” gradualmente substituiu o entendimento de emancipação mais abrangente, anti-hierárquico, igualitário, sensível às questões de classe e anticapitalista, que prosperou nos anos 1960 e 70.

À medida que a Nova Esquerda sucumbia, sua crítica estrutural da sociedade capitalista desapareceu, e o pensamento individualista e liberal característico de nosso país se reafirmou, abalando imperceptivelmente as aspirações dos “progressistas” e autodeclarados esquerdistas. O que selou o acordo, no entanto, foi o fato de tais acontecimentos terem sido simultâneos à ascensão do neoliberalismo. Um partido que apoie a liberalização da economia capitalista é o parceiro perfeito para o feminismo corporativo e meritocrático focado em “assumir riscos” e “superar as barreiras da discriminação de gênero no trabalho”"

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

CASI ALBA



Casi alba,
como decir arroyo entre la fuente,
como decir estrella,
como decir paloma en cielo de alas.
Esta noche se ha ido
casi aurora, casi ronda de luna entre montañas,
como una sensación de golondrina
al picar su ilusión en una rama.
Amanecer, sin alas para huirse,
regreso de emoción hasta su alma,
palomitas de amor entre mis manos
que al asalto de amor subieron castas.
Noche rasgada al tiempo repetido,
detenida ciudad de esencias altas,
como una claridad rompes mi espíritu,
circundas mi emoción como una jaula.
Amor callado y lejos...
tímida vocecita de una dalia,
así te quiero, íntimo,
sin saberte las puertas al mañana,
casi sonrisa abierta entre las risas,
entre juego de luces, casi alba...


 Julia de Burgos. 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Se o sono é o ponto mais alto da distensão física, o tédio é o ponto mais alto da distensão psíquica. O tédio é o pássaro de sonho que choca os ovos da experiência

O Narrador - Walter Benjamin

Cinta verde en el cabello


Había una vez una aldea en algún lugar, ni mayor ni menor, con viejos y viejas que viejaban, hombres y mujeres que esperaban, y chicos y chicas que nacían y crecían.

Todos con juicio suficiente, menos -por el momento- una nenita.

Un día, ella salió de la aldea con una cinta verde imaginada en el cabello.

Su madre la mandaba con una cesta y un frasco, a ver a la abuela -que la amaba- a otra aldea vecina casi igualita.

Cinta Verde partió, enseguida, ella la linda, todo érase una vez. El frasco contenía un dulce en almíbar y la cesta estaba vacía, para llenarla con frambuesas.

De ahí que, al atravesar el bosque, vio solo los leñadores, que por allá leñaban; pero ningún lobo, desconocido ni peludo. Pues los leñadores habían exterminado al lobo.

Entonces, ella misma se decía:

-Voy a ver a abuelita, con cesta y frasco, y cinta verde en el cabello, como mandó mamita.

La aldea y la casa esperándola allá, después de aquel molino, que la gente piensa que ve, y de las horas, que la gente no ve que no son.

Y ella misma resolvió escoger tomar ese camino de acá, loco y largo, y no el otro, corto. Salió, detrás de sus alas ligeras, su sombra también le venía corriendo detrás.

Se divertía con ver que las avellanas del piso no volaran, con no alcanzar esas mariposas nunca, ni en buquet ni en pimpollo, y con ignorar si las flores -plebeyitas y princesitas a la vez- estaban cada una en su lugar al pasar a su lado.

Venía soberanamente.

Tardó, para dar con la abuela en casa, que así le respondió, cuando ella, toc, toc, golpeó:

-¿Quién es?

-Soy yo… -y Cinta Verde descansó la voz-. Soy su linda nietita, con cesta y frasco, con la cinta verde en el cabello, que la mamita me mandó.

Ahí, con dificultad, la abuela dijo:

-Empuja el cerrojo de madera de la puerta, entra y abre. Dios te bendiga.

Cinta Verde así lo hizo y entró y miró.

La abuela estaba en la cama, triste y sola. Por su modo de hablar tartamudo y débil y ronco, debía haber agarrado una mala enfermedad. Diciendo:

-Deja el frasco y la cesta en el arcón y ven cerca de mí, mientras hay tiempo.

Pero ahora Cinta Verde se espantaba, más allá de entristecerse al ver que había perdido en el camino su gran cinta verde atada en el cabello; y estaba sudada, con mucha hambre de almuerzo. Ella preguntó:

-Abuelita, ¡qué brazos tan flacos los suyos, y qué manos temblorosas!

-Es porque no voy a poder nunca más abrazarte, mi nieta…. -la abuela murmuró.

-Abuelita, pero qué labios tan violáceos.

-Es porque nunca más voy a poderte besar, mi nieta…. -la abuela suspiró.

-Abuelita, y qué ojos tan profundos y quietos en este rostro ahuecado y pálido.

-Es porque ya no te estoy viendo, nunca más, mi nietita… -la abuela aún gimió.

Cinta Verde más se asustó, como si fuese a tener juicio por primera vez. Gritó:

-¡Abuelita, tengo miedo del Lobo!

Pero la abuela no estaba más allá, estaba demasiado ausente, a no ser por su frío, triste y tan repentino cuerpo.

FIN

“Fita verde no cabelo”


 JOÃO GUIMARÃES ROSA


Biblioteca Digital Ciudad Seva

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Pós-modernidade sólida. Para mim, a grande revelação do Facebook não foi descobrir que indivíduos que eu antes considerava tucanos assumidos são na realidade petistas roxos, ou que eu julgava céticos-liberais são na verdade reacionários consumados sempre dispostos a ostentar sua reacionarice, mas perceber como as pessoas enquadram os acontecimentos mais díspares em seus esquemas mentais pré-definidos, e os manifestam veementemente sem o menor constrangimento. De uma rebelião de presos em Manaus, até um atentado terrorista na Síria, passando, é claro, pelas machadadas no missionário Valdomiro e pela PEC 55, todos os acontecimentos adquirem prontamente, antes mesmo que todos os seus desdobramentos empíricos estejam completamente claros e que os atores envolvidos sejam ouvidos, uma lógica cristalina. E sem que muitas vezes se apresentem as evidências mais elementares para a justificação de seus pontos de vista. É como se esses formadores de opinião tivessem uma lente especial para explicar a realidade, advinda seja leitura das obras de Gramsci-Althusser, seja de uma crença na sabedoria infalível do deus ex-machina Mercado ou do Juiz Moro e dos procuradores da República de Curitiba que os eximisse do dever de persuadir quem não compartilha estritamente de suas premissas estreitas. A
Ao contrário de muitos, acho ótimo que todos expressem suas opiniões, mas às vezes eu fico pasmo porque, quando me vejo diante de um evento desconhecido, minha primeira preocupação é estuda-lo e conhecer todas as interpretações dos fatos, antes de me posicionar sobre eles. Gostaria de ter a convicção em suas próprias opiniões que esses fundamentalistas do Facebook possuem... Talvez aí esteja a verdadeira fonte da tal religiosidade celebrada por Cazuza e outros eruditos do Posto 6.

Sérgio Braga 
"A morte de Mário Soares pode ser um bom gancho para refletirmos sobre o fim da social-democracia no sentido em que o termo ganhou especialmente a partir da I Guerra Mundial.
Primeiro, é importante dizer que a social-democracia jamais foi possível nos países periféricos, justamente porque ela se alimentava do fluxo de capitais do sul para o norte.
Segundo, que a social-democracia só foi possível pela soma de dois fatores, ambos extintos.
De um lado, a Guerra Fria que obrigou o capital a fazer determinadas concessões.
De outro lado, o fordismo que permitia, em momentos de expansão na economia, fazer acordos do tipo ganha-ganha entre capital e trabalho.
Com a extinção das condições históricas que lhe permitiram o surgimento, a social-democracia entrou para o rol dos museus, quer gostamos dela ou não. A degeneração dos partidos social-democratas é apenas a consequência inevitável desse processo."
por

Gustavo Gindre

sábado, 7 de janeiro de 2017

"A arte só serve para alguma coisa se é irreverente, atormentada, cheia de pesadelos e desespero. Só uma arte irritada, indecente, violenta, grosseira, pode nos mostrar a outra face do mundo, a que nunca vemos ou nunca queremos ver, para evitar incômodos à nossa consciência."

Pedro Juan Gutiérrez