sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

CASI ALBA



Casi alba,
como decir arroyo entre la fuente,
como decir estrella,
como decir paloma en cielo de alas.
Esta noche se ha ido
casi aurora, casi ronda de luna entre montañas,
como una sensación de golondrina
al picar su ilusión en una rama.
Amanecer, sin alas para huirse,
regreso de emoción hasta su alma,
palomitas de amor entre mis manos
que al asalto de amor subieron castas.
Noche rasgada al tiempo repetido,
detenida ciudad de esencias altas,
como una claridad rompes mi espíritu,
circundas mi emoción como una jaula.
Amor callado y lejos...
tímida vocecita de una dalia,
así te quiero, íntimo,
sin saberte las puertas al mañana,
casi sonrisa abierta entre las risas,
entre juego de luces, casi alba...


 Julia de Burgos. 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Se o sono é o ponto mais alto da distensão física, o tédio é o ponto mais alto da distensão psíquica. O tédio é o pássaro de sonho que choca os ovos da experiência

O Narrador - Walter Benjamin

Cinta verde en el cabello


Había una vez una aldea en algún lugar, ni mayor ni menor, con viejos y viejas que viejaban, hombres y mujeres que esperaban, y chicos y chicas que nacían y crecían.

Todos con juicio suficiente, menos -por el momento- una nenita.

Un día, ella salió de la aldea con una cinta verde imaginada en el cabello.

Su madre la mandaba con una cesta y un frasco, a ver a la abuela -que la amaba- a otra aldea vecina casi igualita.

Cinta Verde partió, enseguida, ella la linda, todo érase una vez. El frasco contenía un dulce en almíbar y la cesta estaba vacía, para llenarla con frambuesas.

De ahí que, al atravesar el bosque, vio solo los leñadores, que por allá leñaban; pero ningún lobo, desconocido ni peludo. Pues los leñadores habían exterminado al lobo.

Entonces, ella misma se decía:

-Voy a ver a abuelita, con cesta y frasco, y cinta verde en el cabello, como mandó mamita.

La aldea y la casa esperándola allá, después de aquel molino, que la gente piensa que ve, y de las horas, que la gente no ve que no son.

Y ella misma resolvió escoger tomar ese camino de acá, loco y largo, y no el otro, corto. Salió, detrás de sus alas ligeras, su sombra también le venía corriendo detrás.

Se divertía con ver que las avellanas del piso no volaran, con no alcanzar esas mariposas nunca, ni en buquet ni en pimpollo, y con ignorar si las flores -plebeyitas y princesitas a la vez- estaban cada una en su lugar al pasar a su lado.

Venía soberanamente.

Tardó, para dar con la abuela en casa, que así le respondió, cuando ella, toc, toc, golpeó:

-¿Quién es?

-Soy yo… -y Cinta Verde descansó la voz-. Soy su linda nietita, con cesta y frasco, con la cinta verde en el cabello, que la mamita me mandó.

Ahí, con dificultad, la abuela dijo:

-Empuja el cerrojo de madera de la puerta, entra y abre. Dios te bendiga.

Cinta Verde así lo hizo y entró y miró.

La abuela estaba en la cama, triste y sola. Por su modo de hablar tartamudo y débil y ronco, debía haber agarrado una mala enfermedad. Diciendo:

-Deja el frasco y la cesta en el arcón y ven cerca de mí, mientras hay tiempo.

Pero ahora Cinta Verde se espantaba, más allá de entristecerse al ver que había perdido en el camino su gran cinta verde atada en el cabello; y estaba sudada, con mucha hambre de almuerzo. Ella preguntó:

-Abuelita, ¡qué brazos tan flacos los suyos, y qué manos temblorosas!

-Es porque no voy a poder nunca más abrazarte, mi nieta…. -la abuela murmuró.

-Abuelita, pero qué labios tan violáceos.

-Es porque nunca más voy a poderte besar, mi nieta…. -la abuela suspiró.

-Abuelita, y qué ojos tan profundos y quietos en este rostro ahuecado y pálido.

-Es porque ya no te estoy viendo, nunca más, mi nietita… -la abuela aún gimió.

Cinta Verde más se asustó, como si fuese a tener juicio por primera vez. Gritó:

-¡Abuelita, tengo miedo del Lobo!

Pero la abuela no estaba más allá, estaba demasiado ausente, a no ser por su frío, triste y tan repentino cuerpo.

FIN

“Fita verde no cabelo”


 JOÃO GUIMARÃES ROSA


Biblioteca Digital Ciudad Seva

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Pós-modernidade sólida. Para mim, a grande revelação do Facebook não foi descobrir que indivíduos que eu antes considerava tucanos assumidos são na realidade petistas roxos, ou que eu julgava céticos-liberais são na verdade reacionários consumados sempre dispostos a ostentar sua reacionarice, mas perceber como as pessoas enquadram os acontecimentos mais díspares em seus esquemas mentais pré-definidos, e os manifestam veementemente sem o menor constrangimento. De uma rebelião de presos em Manaus, até um atentado terrorista na Síria, passando, é claro, pelas machadadas no missionário Valdomiro e pela PEC 55, todos os acontecimentos adquirem prontamente, antes mesmo que todos os seus desdobramentos empíricos estejam completamente claros e que os atores envolvidos sejam ouvidos, uma lógica cristalina. E sem que muitas vezes se apresentem as evidências mais elementares para a justificação de seus pontos de vista. É como se esses formadores de opinião tivessem uma lente especial para explicar a realidade, advinda seja leitura das obras de Gramsci-Althusser, seja de uma crença na sabedoria infalível do deus ex-machina Mercado ou do Juiz Moro e dos procuradores da República de Curitiba que os eximisse do dever de persuadir quem não compartilha estritamente de suas premissas estreitas. A
Ao contrário de muitos, acho ótimo que todos expressem suas opiniões, mas às vezes eu fico pasmo porque, quando me vejo diante de um evento desconhecido, minha primeira preocupação é estuda-lo e conhecer todas as interpretações dos fatos, antes de me posicionar sobre eles. Gostaria de ter a convicção em suas próprias opiniões que esses fundamentalistas do Facebook possuem... Talvez aí esteja a verdadeira fonte da tal religiosidade celebrada por Cazuza e outros eruditos do Posto 6.

Sérgio Braga 
"A morte de Mário Soares pode ser um bom gancho para refletirmos sobre o fim da social-democracia no sentido em que o termo ganhou especialmente a partir da I Guerra Mundial.
Primeiro, é importante dizer que a social-democracia jamais foi possível nos países periféricos, justamente porque ela se alimentava do fluxo de capitais do sul para o norte.
Segundo, que a social-democracia só foi possível pela soma de dois fatores, ambos extintos.
De um lado, a Guerra Fria que obrigou o capital a fazer determinadas concessões.
De outro lado, o fordismo que permitia, em momentos de expansão na economia, fazer acordos do tipo ganha-ganha entre capital e trabalho.
Com a extinção das condições históricas que lhe permitiram o surgimento, a social-democracia entrou para o rol dos museus, quer gostamos dela ou não. A degeneração dos partidos social-democratas é apenas a consequência inevitável desse processo."
por

Gustavo Gindre

sábado, 7 de janeiro de 2017

"A arte só serve para alguma coisa se é irreverente, atormentada, cheia de pesadelos e desespero. Só uma arte irritada, indecente, violenta, grosseira, pode nos mostrar a outra face do mundo, a que nunca vemos ou nunca queremos ver, para evitar incômodos à nossa consciência."

Pedro Juan Gutiérrez
"Qual será o novo mobilizador das paixões sociais? Impossível sabê-lo. Todos os futuros são possíveis a partir do “nada” herdado. O comum, o comunitário, o comunista é uma dessas possibilidades que está aninhada na ação concreta dos seres humanos e na sua imprescindível relação metabólica com a natureza. Em qualquer caso, não existe sociedade humana capaz de se desprender da esperança. Não existe ser humano que possa prescindir de um horizonte e hoje estamos compelidos a construir um. Isso é o comum dos humanos, e esse comum é o que pode nos levar a desenhar um novo destino diferente a este emergente capitalismo errático que acaba de perder a fé em si mesmo."

García Linera é o vice-presidente do Estado Plurinacional da Bolívia.
A privatização é realmente ideal...para se terceirizar a responsabilidade: a empresa joga a culpa das cagadas no poder público e o governo joga nas costas da empresa privada que administra o serviço público. De resto, é sempre mais caro e serve apenas para engordar o bolso dos chegados.
ACBM
Realmente, muitas pessoas estão aplaudindo de pé as chacinas nos presídios, como disse o Francischini. São pessoas, como o próprio deputado, que se acham "pessoas de bem", mas estão comemorando (como bem pontuou o Galindo) a vitória do crime organizado, que mata dentro e fora dos presídios. Estão comemorando a falência do sistema prisional, que deveria ressocializar pessoas e serve apenas para inserir uma maioria condenada por crimes leves (ou sequer julgadas) no mundo da mais severa barbárie. Me parece que estão exatamente do mesmo lado daqueles que julgam combater.
Podem defender o ostracismo de todos os presos para uma ilha distante, a prisão perpétua ou a pena de morte, pensando que isso vai distancia-los da barbárie, mas o que estão produzindo é somente o fortalecimento dela. Afinal, os ícones da turma que pensa assim, como o Francischini ou o Bolsonaro, são os reacionários que estão de plantão em Brasília para defender os privilégios dos mais ricos e os cortes nos gastos sociais, fazendo somente aumentar as desigualdades sociais existentes hoje.
Daí o que sobra para os bolsões de miséria crescentes é a repressão, o encarceramento e a eliminação. "Pessoas de bem"? Não. Só se for "bem perversas".

ACBM

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Presídios privatizados, os mais caros, ruins e lucrativos para a ganância privada de poucos e sofrimento de muitos. Daí especialistas afirmaram que presídios estão sob administração, controle e direção dos próprios criminosos, o que não é diferente do resto do Estado, porque o executivo, legislativo e judiciário também estão ocupados pelos mais corruptos golpistas. Somente escolas diminuem a população carcerária do futuro. Para quem não quer entender basta a metáfora dos mosquitos, o mais importante é acabar com a reprodução das águas sujas e paradas. Sem escolas de qualidade e sem professores de qualidade, bem formados, investidos e estruturados, a bandidagem só aumenta. Quem maltrata, bate nos professores e nas suas justas reivindicações são os criadores, multiplicadores de bandidos, que depois tanto mal farão a toda sociedade.

RCO

Чёрный ворон_-_Чапаев.mp4

Валерий Золотухин в фильме "Хозяин тайги"

Казачий Круг — Ой, да не вечер (05.04.2010)