sábado, 15 de dezembro de 2012

menino de Kabul


Dia de Ação de Graças


 

Agradeço pelo peru selvagem e os pombos passageiros, destinados a virar merda nas saudáveis tripas americanas.
Agradeço por um continente a espoliar e envenenar.
Agradeço pelos índios por garantirem uma módica dose de desafio e perigo.
Agradeço pelas vastas manadas de bisões para matar e depelar e depois deixar as suas carcaças à putrefação.
Agradeço pelos troféus de caça de lobos e coiotes.
Agradeço pelo sonho americano, por inventar lorotas até que elas brilhem à luz do dia.
Agradeço pela Klu Klux Klan, aos policiais que matam negros e os contabilizam, às decentes beatas de igreja com suas mesquinhas, interesseiras, feias e perversas caras.
Agradeço pelos adesivos de ‘mate uma bicha em nome de Jesus Cristo’
Agradeço pela Aids de laboratório.
Agradeço pela proibição e pela guerra contra as drogas.
Agradeço por um país onde a ninguém é permitido cuidar de seus próprios problemas.
Agradeço por uma nação de dedos-duros.
Agradeço, sim, todas as lembranças, ok, deixa eu ver o que você tem nas mãos!
Você foi sempre uma dor de cabeça e uma encheção de saco.
Agradeço pela última e maior traição do último e maior sonho dos sonhos humanos.
 
 
William Burroughs/ via Giuliano Quase

terça-feira, 11 de dezembro de 2012


Maggie’s Farm


O SÍTIO DA MARGA
(Maggie’s Farm)

Não vou trampar no sítio da Marga mais
Não, não vou trampar no sítio da Marga mais
Pois eu acordo de manhã
Junto as mãos, rezo por chuva
Minha cabeça ferve
Co’as ideias mais malucas
Mas é uma vergonha, esfregar chão ela me faz
Não vou trampar no sítio da Marga mais

Não vou trampar pro irmão da Marga mais
Não, não vou trampar pro irmão da Marga mais
Pois ele te dá uma moeda
Ele te dá uns dez centavos
E te pergunta sorrindo
Se divertem-se os escravos
E ele multa a gente por ofensa ao capataz
Não vou trampar pro irmão da Marga mais

Não vou trampar pro pai da Marga mais
Não, não vou trampar pro pai da Marga mais
Pois fumar na nossa cara
É o seu divertimento
E a janela do seu quarto
Ela é feita de cimento
A Guarda Nacional, desse velho ela anda atrás
Não vou trampar pro pai da Marga mais

Não vou trampar pra mãe da Marga mais
Não, não vou trampar pra mãe da Marga mais
Pois ela fala aos serviçais
Sobre Deus, leis e conselho
E todo mundo diz
Que ela é o cérebro do velho
Ela tem sessenta e tantos mas diz que tem vinte e tais
Não vou trampar pra mãe da Marga mais

Não vou trampar no sítio da Marga mais
Não, não vou trampar no sítio da Marga mais
Pois eu faço meu melhor
Pra ser eu na minha pele
Mas todos eles querem
Que eu seja ao jeito deles
Eles cantam enquanto eu trampo, eles estragam minha paz
Não vou trampar no sítio da Marga mais

canção do Bob Dylan
versão da letra em português feita pelo poeta
Ivan Justen Santana




Poema 15


Pablo Neruda

Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.
Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía;
Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
déjame que me calle con el silencio tuyo.
Déjame que te hable también con tu silencio
claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.
Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.


PARLEZ-MOI D’AMOUR



Paroles et musique: Jean Lenoir


Parlez-moi d’amour,
Redites-moi des choses tendres.
Votre beau discours,
Mon coeur n’est pas las de l’entendre.
Pourvu que toujours
Vous répétiez ces mots suprêmes:
Je vous aime.
Vous savez bien
Que dans le fond je n’en crois rien
Mais cependant je veux encore
Écouter ce mot que j’adore.
Votre voix aux sons caressants
Qui le murmure en frémissant
Me berce de sa belle histoire
Et malgré moi je veux y croire.
Il est si doux,
Mon cher trésor, d’être un peu fou.
La vie est parfois trop amère
Si l’on ne croit pas aux chimères.
Le chagrin est vite apaisé
Et se console d’un baiser.
Du coeur on guérit la blessure
Par un serment qui le rassure.


L'âme des poètes


Juliette Gréco
L'âme des poètes
(Charles Trenet, 1951)

Longtemps, longtemps, longtemps
Après que les poètes ont disparu
Leurs chansons courent encore dans les rues
La foule les chante un peu distraite
En ignorant le nom de l'auteur
Sans savoir pour qui battait leur coeur
Parfois on change un mot, une phrase
Et quand on est à court d'idées
On fait la la la la la la
La la la la la la

Longtemps, longtemps, longtemps
Après que les poètes ont disparu
Leurs chansons courent encore dans les rues
Un jour, peut-être, bien après moi
Un jour on chantera
Cet air pour bercer un chagrin
Ou quelque heureux destin
Fera-t-il vivre un vieux mendiant
Ou dormir un enfant
Tournera-t-il au bord de l'eau
Au printemps sur un phono

Longtemps, longtemps, longtemps
Après que les poètes ont disparu
Leurs chansons courent encore dans les rues

Leur âme légère, et leurs chansons
Qui rendent gais, qui rendent tristes
Filles et garçons
Bourgeois, artistes
Ou vagabonds.