sábado, 4 de dezembro de 2010

Soneto

Se, para possuir o que me é dado,

Tudo perdi e eu própio andei perdido,

Se, para ver o que hoje é realizado,

Cheguei a ser negado e combatido.

Se, para estar agora apaixonado,

Foi necessário andar desiludido,

Alegra-me sentir que fui odiado

Na certeza imortal de ter vencido!

Porque, depois de tantas cicatrizes,

Só se encontra sabor apetecido

Àquilo que nos fez ser infelizes!

E assim cheguei à luz de um pensamento

De que afinal um roseiral florido

Vive de um triste e oculto movimento.


António Botto

António Boto

Aves de Um Parque Real

As Canções de António Botto

Editorial Presença

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Amorosa antecipação

Ni la intimidad de tu frente clara como una fiesta

ni la costumbre de tu cuerpo, aún misterioso y tácito y de niña,

ni la sucesión de tu vida asumiendo palabras o silencios

serán favor tan misterioso

como el mirar tu sueño implicado

en la vigilia de mis brazos.

Virgen milagrosamente otra vez por la virtud absolutoria del sueño,

quieta y resplandeciente como una dicha que la memoria elige,

me darás esa orilla de tu vida que tú misma no tienes,

Arrojado a quietud

divisaré esa playa última de tu ser

y te veré por vez primera, quizá,

como Dios ha de verte,

desbaratada la ficción del Tiempo

sin el amor, sin mí.



Jorge Luis Borges in Luna de enfrente(1925) -Versión transcripta por José Ignacio Márquez.,pp 9.



Amorosa antecipação

Nem a intimidade da tua fronte clara como uma festa,

nem o hábito do teu corpo, ainda de menina e misterioso e tácito,

nem a sucessão da tua vida assumindo palavras ou silêncios

serão favor tão misterioso

como olhar o teu sono envolvido

na vigília dos meus braços:

Virgem milagrosamente outra vez, pela virtude absolutória do sono,

serena e resplandecente como a alegria que a memória escolhe,

dar-me-ás essa margem da tua vida que tu própria não tens.

Entregue à serenidade,

divisirei essa praia última do teu ser

e ver-te-ei acaso pla primeira vez

como Deus te verá,

já dissipada a ficção do Tempo,

sem o amor, sem mim.

Una furtiva Lacrima

Una furtiva lagrima


Una furtiva lagrima

negli occhi suoi spuntò

quelle festose giovani

invidiar sembrò

Che più cercando io vo?

Che più cercando io vo?

M’ama, si m’ama lo vedo;

lo vedo.

Un solo istante i palpiti

del suo bel cor sentir!

I miei sospir confondere

per poco ai suoi sospir!

I palpiti, i palpiti sentir

confondere i miei coi suoi sospir!

Cielo, si può morir;

di più non chiedo.

non chedo!

Cielo si può, si può morir!

di non chiedo

non chiedo!

Si può morir!

Si può morir!

d’amor.



Une larme furtive

A jailli dans ses yeux…

Elle paraissait envier

Ces joyeuses jeunes filles…

Que puis-je désirer de plus ?

Que puis-je désirer de plus ?

Elle m’aime, je le vois.

Un seul instant sentir

Les palpitations de son beau coeur

Confondre un moment

Mes soupirs avec les siens

Ciel, on peut mourir, je n’en demande pas plus.

Je ne demande rien de plus.

Ciel, si je peux mourir, si je peux mourir, je n’en demande pas plus.

Je ne demande pas d’amour si je peux mourir, ah oui !



[Ciel, on peut mourir... d'amour !

Vivre sa vie

Victoria (1930)

Saraca, Victoria;

Planté de la noria,

Se fue mi mujer!



Si me parece mentira…

¡Después de seis años

volver a vivir!

Volver a ver mis amigos…

Vivir con mama otra vez…

¡Victoria,

cantemos victoria,

yo estoy en la gloria,

se fue mi mujer!



Me saltaron los tapones

Cuando tuve esta mañana

La alegría de no verla más;

Y es que, al ver que no la tengo,

Corro, salto, voy y vengo

Desatentao. ¡Gracias a Dios,

Que me salvé de andar

Toda la vida atao

Llevando el bacalao

De la emulsión de Scott!

Si no nace el marinero

Que me tire de esa piolita

Para hacerme resollar,

Yo ya estaba condenao

A morir crucificao

Como el último infeliz…



¡Victoria,

saraca, Victoria;

pianté de la noria,

se fue mi mujer!



Me da mucha tristeza el panete

Chicato inocente

Que se la llevó…

¡Cuando desate el paquete

y manye que se ensartó…!



¡Victoria,

cantemos victoria;

yo estoy en la gloria

se fue mi mujer !

João e Maria

Agora eu era o herói

E o meu cavalo só falava inglês

A noiva do cowboy

Era você

Além das outras três

Eu enfrentava os batalhões

Os alemães e seus canhões

Guardava o meu bodoque

E ensaiava um rock

Para as matinês



Agora eu era o rei

Era o bedel e era também juiz

E pela minha lei

A gente era obrigado a ser feliz

E você era a princesa

Que eu fiz coroar

E era tão linda de se admirar

Que andava nua pelo meu país



Não, não fuja não

Finja que agora eu era o seu brinquedo

Eu era o seu pião

O seu bicho preferido

Vem, me dê a mão

A gente agora já não tinha medo

No tempo da maldade

Acho que a gente nem tinha nascido



Agora era fatal

Que o faz-de-conta terminasse assim

Pra lá deste quintal

Era uma noite que não tem mais fim

Pois você sumiu no mundo

Sem me avisar

E agora eu era um louco a perguntar

O que é que a vida vai fazer de mim

SOCIALISME (2010) trailer with English subtitles (Jean-Luc Godard)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Balada para mi muerte

Moriré en Buenos Aires

será de madrugada

Guardaré mansamente

las cosas de vivir

Mi pequeña poesía

de adioses y de balas

Mi tabaco mi tango

mi puñado de spleen

Me pondré por los hombros

de abrigo toda el alba

Mi penúltimo whisky

quedará sin beber

Llegará tangamente

mi muerte enamorada

Yo estaré muerto en punto

cuando sean las seis

Hoy que Dios me deja soñar

A mi olvido iré por Santa Fe

Sé que en nuestra esquina vos ya estás Toda de tristeza hasta los pies Abrazame fuerte que por dentro

Oigo muertes viejas muertes

Agrediendo lo que amé

Alma mía vamos yendo

Llega el día

No llores Moriré en Buenos Aires

Será de madrugada

Que es la hora en que mueren

los que saben morir

Flotará en mi silencio

la mufla perfumada

De aquel verso que nunca

te pude decir

Andaré tantas cuadras

y allá en la plaza Francia

Como sombras fugadas

de un cansado ballet

Repitiendo tu nombre

por una calle blanca

Se me irán los recuerdos

en puntitas de pie

Moriré en Buenos Aires

Será de madrugada

Guardaré mansamente

las cosas de vivir

Mi pequeña poesía

de adioses y de balas

Mi tabaco mi tango

mi puñado de spleen

Me pondré por los hombros

de abrigo toda el alba

Mi penúltimo whisky

quedará sin beber

Llegará tangamente

mi muerte enamorada

Yo estaré muerto en punto

cuando sean las seis

de Astor Piazzolla e Horacio Ferrer
Uma emocionante versão do melhor conto de Chekhov


Antonio Gonçalves Filho – O Estado de S.Paulo

Um dos mais delicados contos de Chekhov, A Dama do Cachorrinho (1899), ganhou há 50 anos uma versão para o cinema quando se comemorava o centenário do escritor russo. O mínimo que se pode dizer dela é que se trata de uma transposição feita de pequenos gestos e filigranas. Seu diretor, Iosif Kheifits (1905- 1995), deu mais de uma vez provas de sua competência como artesão, realizando outras adaptações de grandes escritores, entre eles Turguêniev, de quem filmou Ásia, também uma história de amor impossível como A Dama do Cachorrinho.

Esse conto de Chekhov – que Gorki adorava e Tolstoi detestava (por razões morais) – exige mesmo do leitor uma tomada de posição, o que explica principalmente a elipse final que dá ao texto um caráter de obra aberta. Tolstoi, então, acabara de lançar seu último livro, Ressurreição, quando leu A Dama do Cachorrinho e, talvez por se reconhecer na figura do adúltero Dimitri Gurov, tenha sentido certo desconforto com o conto de Chekhov. Compreensível. Alheio à moral conservadora russa da virada do século, o autor ousou contar uma história de amor entre duas pessoas casadas e entediadas.

Gurov (Aleksei Batalov) trabalha em um banco, apesar de sua formação como filólogo – o que informa à futura amante Ana (Iya Savvina) logo no primeiro encontro. Ana é a dama do cachorrinho que conhece numa cidade de veraneio, Ialta, balneário de encontros fugazes no Mar Negro. Logo na primeira sequência do filme, o passeio de Ana com seu lulu da Pomerânia à beira-mar é comentado como o grande acontecimento do dia no bar em que Gurov entra. Lendo o jornal, ele a observa de longe para em seguida ver a linda mulher sentar a seu lado. Conquistador, Gurov atrai a atenção do cachorrinho para chegar ao seu verdadeiro objeto de desejo.

O que era para ser uma aventura passageira acaba em caso amoroso sério. Assustada, ela volta à cidade onde mora ao receber uma carta do marido pedindo sua volta. A sequência da despedida na estação ferroviária subverte o clichê das separações cinematográficas: Gurov fica com a luva de Ana nas mãos e, no lugar de guardá-la, abandona-a na grade da plataforma.

Kheifits segue rigorosamente a progressão do caso no conto de Chekhov, acentuando o tormento de um homem mais velho, casado e com três filhos, ao se apaixonar por uma mulher casada e quase 20 anos mais nova. Ele tenta esquecê-la, mas a irrelevância de seu cotidiano o conduz à casa de Ana – a cena mais tocante do filme de Kheifits, todo ele feito de silêncios reveladores como o da sequência final, em que o banqueiro-filólogo não tem palavras para exprimir seu desamparo. Dificilmente o cinema alcançou um tom emocionado como esse epílogo. Para ver e rever várias vezes.

A DAMA DO CACHORRINHO. Direção: Iosif Kheifits. Elenco: Iya Savvina e Aleksei Batalov. Cult Classic, R$ 34,90

Poema para não ser lido no teu casamento

Poema para não ser lido no teu casamento


Beth Ann Fennelly – Poesia & Ltda

POEM NOT TO BE READ AT YOUR WEDDING

You ask me for a poem about love

in lieu of a wedding present, trying to save me

money. For three nights I’ve lain under

glow-in-the-dark stars I’ve stuck to the ceiling

over my bed. I’ve listened to the songs

of the galaxy. Well, Carmen, I would rather

give you your third set of steak knives

than tell you what I know. Let me find you

some other store-bought present. Don’t

make me warn you of stars, how they see us

from that distance as miniature and breakable,

from the bride who tops the wedding cake

to the Mary on Pinto dashboards

holding her ripe red heart in her hands.

(tradução colectiva PoesiaIlimitada)

POEMA PARA NÃO SER LIDO NO TEU CASAMENTO

Pedes-me um poema sobre o amor

em lugar de uma prenda de casamento, tentando que eu poupe

dinheiro. Por três noites estendi-me sob

estrelas que-brilham-no-escuro colei-me ao tecto

sobre a minha cama. Escutei as canções

da galáxia. Bem, Carmen, eu preferiria antes

dar-te o teu terceiro jogo de facas de carne

a ter de te contar o que sei. Deixa que te descubra

algum outro presente de loja, comprado. Não

me faças avisar-te das estrelas, de como nos vêem

à distância, tão diminutas e quebráveis,

desde a noiva que encima o bolo de casamento

até Maria, no tablier de um Ford Pinto

segurando seu coração rubro e maduro entre mãos.

Fonte : Poesia & Ltda

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Prokofiev - Dance of the Knights

Nesta última tarde em que respiro

Nesta última tarde em que respiro

A justa luz que nasce das palavras

E no largo horizonte se dissipa

Quantos segredos únicos, precisos,

E que altiva promessa fica ardendo

Na ausência interminável do teu rosto.

Pois não posso dizer sequer que te amei nunca

Senão em cada gesto e pensamento

E dentro destes vagos vãos poemas;

E já todos me ensinam em linguagem simples

Que somos mera fábula, obscuramente

Inventada na rima de um qualquer

Cantor sem voz batendo no teclado;

Desta falta de tempo, sorte, e jeito,

Se faz noutro futuro o nosso encontro

António Franco Alexandre

The Great October Socialist Revolution of 1917

terça-feira, 30 de novembro de 2010

“Putrefação”, 2009. Mariana Hardman

Fonte body and profane art

Francis Cabrel Je l'aime à mourir

Je l’aime à mourir

Moi je n’étais rien et voilà qu’aujourd’hui,

Je suis le gardien du sommeil de ses nuits. Je l’aime à mourir

Vous pouvez détruire tout ce qui vous plaira

Elle n’a qu’à ouvrir l’espace de ses bras

Pour tout reconstruire. Pour tout reconstruire. Je l’aime à mourir



Elle a gommé les chiffres des horloges du quartier

Elle a fait de ma vie des cocottes en papier, des éclats de rire

Elle a bâti des ponts entre nous et le ciel

Et nous les traversons à chaque fois qu’elle

Ne veut pas dormir. Ne veut pas dormir. Je l’aime à mourir



Refrain



Elle a dû faire toutes les guerres pour être aussi forte aujourd’hui,

Elle a dû faire toutes les guerres de la vie et l’amour aussi.



Elle vit de son mieux ses rêves d’opaline

Elle danse au milieu des forêts qu’elle dessine. Je l’aime à mourir

Elle porte des rubans qu’elle laisse s’envoler

Elle me chante souvent que j’ai tort d’essayer

De les retenir. De les retenir. Je l’aime à mourir



Pour monter dans sa grotte cachée sous les toits

Je dois clouer des notes à mes sabots de bois. Je l’aime à mourir

Je dois juste m’asseoir, je ne dois plus parler,

Je ne dois rien vouloir, je dois juste essayer

De lui appartenir. De lui appartenir.



Je l’aime à mourir



Refrain…



Elle a dû faire toutes les guerres pour être aussi forte aujourd’hui,

Elle a dû faire toutes les guerres de la vie et l’amour aussi.



Moi je n’étais rien et voilà qu’aujourd’hui,

Je suis le gardien du sommeil de ses nuits. Je l’aime à mourir

Vous pouvez détruire tout ce qui vous plaira

Elle n’a qu’à ouvrir l’espace de ses bras

Pour tout reconstruire. Pour tout reconstruire. Je l’aime à mourir

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

hymne actuel de la russie

Femme Fatale

Déshabillez-moi

Déshabillez-moi, déshabillez-moi

Oui, mais pas tout de suite, pas trop vite

Sachez me convoiter, me désirer, me captiver

Déshabillez-moi, déshabillez-moi

Mais ne soyez pas comme tous les hommes, trop pressés.

Et d’abord, le regard

Tout le temps du prélude

Ne doit pas être rude, ni hagard

Dévorez-moi des yeux

Mais avec retenue

Pour que je m’habitue, peu à peu…

Déshabillez-moi, déshabillez-moi

Oui, mais pas tout de suite, pas trop vite

Sachez m’hypnotiser, m’envelopper, me capturer

Déshabillez-moi, déshabillez-moi

Avec délicatesse, en souplesse, et doigté

Choisissez bien les mots

Dirigez bien vos gestes

Ni trop lents, ni trop lestes, sur ma peau

Voilà, ça y est, je suis

Frémissante et offerte

De votre main experte, allez-y…

Déshabillez-moi, déshabillez-moi

Maintenant tout de suite, allez vite

Sachez me posséder, me consommer, me consumer

Déshabillez-moi, déshabillez-moi

Conduisez-vous en homme

Soyez l’homme… Agissez!

Déshabillez-moi, déshabillez-moi

Et vous… déshabillez-vous !