sábado, 31 de julho de 2010
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Acordes da noite
Eu vi o escasso tempo de malabarismos juvenis
A estalar a seiva acidentada da tarde,
A aurora pura entrelaçada ao meu próprio sono
Nos instantes precários de um segredo vago.
Na oblíqua solidez dos corpos
Abre-se a rosa inicial sem nome, turva e casta,
Impura como a brisa imaculada dos sonhos, da voz,
Em uma espécie de chamado.
Eu vi o estrondo de uma gloriosa infância,
A alegria que em mim eram crianças cintilantes,
Na tarde volúvel, onde o mar, em silêncio maior,
Faz dos corpos uma presença errante.
Devo amar calado o triunfo crepuscular da juventude,
Seus beijos ao mar e sua oferenda de mistérios,
Na rosa oblíqua de um chamado puro,
Na vastidão precária dos instantes.
Eu vi tudo isso e amei, sendo eu mesmo uma oferenda eclusa
Aos mistérios juvenis, que desafiam os segredos do mar.
Felipe Stefani
Fonte – Cronópios
A estalar a seiva acidentada da tarde,
A aurora pura entrelaçada ao meu próprio sono
Nos instantes precários de um segredo vago.
Na oblíqua solidez dos corpos
Abre-se a rosa inicial sem nome, turva e casta,
Impura como a brisa imaculada dos sonhos, da voz,
Em uma espécie de chamado.
Eu vi o estrondo de uma gloriosa infância,
A alegria que em mim eram crianças cintilantes,
Na tarde volúvel, onde o mar, em silêncio maior,
Faz dos corpos uma presença errante.
Devo amar calado o triunfo crepuscular da juventude,
Seus beijos ao mar e sua oferenda de mistérios,
Na rosa oblíqua de um chamado puro,
Na vastidão precária dos instantes.
Eu vi tudo isso e amei, sendo eu mesmo uma oferenda eclusa
Aos mistérios juvenis, que desafiam os segredos do mar.
Felipe Stefani
Fonte – Cronópios
Feitiço
Há qualquer coisa nas palavras. Em mãos habilidosas, manipuladas com perícia, elas aprisionam-nos. Enrolam-se em volta dos nossos membros como teias de aranha, e quando estamos tão enfeitiçados que não conseguimos mover-nos, perfuram-nos a pele, entram-nos no sangue, entorpecem-nos o pensamento. E uma vez dentro de nós, põem a sua magia a funcionar.
O Décimo Terceiro Conto, de Diane Setterfield
Fonte enfeitiçada
O Décimo Terceiro Conto, de Diane Setterfield
Fonte enfeitiçada
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Onda de calor mata 71 em 24 horas, pior seca em 130 anos
Pagina principal / Federação Russa
Konstantin KARPOV
Fonte: Pravda.ru .20.07.2010
Nos últimos vinte e quatro horas, setenta e uma pessoas morreram na Rússia, como resultado do calor. As temperaturas recorde sentiram-se em todo o país, mas principalmente em Moscou, que levou as pessoas a assumir riscos de natação em ambientes desconhecidos. Até agora, em Julho, 1.244 pessoas morreram, quase trezentos dessas na semana passada, enquanto que o país enfrenta sua pior seca em 130 anos.
As mortes ocorreram todas em consequência de afogamento, quando as pessoas tentaram escapar da onda de calor por natação em tanques de água, canais e rios. Segundo o Ministério de Situações de Emergência, apenas nas últimas 24 horas, setenta e uma pessoas se afogaram em todo o território da Federação Russa.
Este valor faz parte de um total de 1.244 mortes por afogamento no mês de Julho, cerca de 300 dos quais morreram na semana passada, quando as temperaturas atingiram níveis recordes quase históricos de 36,5 graus Celsius, enquanto cerca de 2.500 pessoas morreram desde o início do ano em incidentes relacionados com a água, segundo a mesma fonte.
Na semana passada um adicional número de 178 pessoas foram resgatadas pelos serviços de emergência e, ontem, para além das 71 mortes, houve também 20 resgatados.
Pior seca em 130 anos
Até vinte por cento da produção de grãos da Rússia foi destruída no pior seca em 130 anos, de acordo com o Ministério da Agricultura. 9,6 milhões de hectares de campos de grãos foram destruídas ou gravemente danificadas e uma situação de emergência devido à seca foi declarada em 19 regiões.
As temperaturas recordes são devem continuar durante a semana seguinte, pelo menos, de acordo com meteorologistas.
O Governo russo está atualmente fornecendo medidas para ajudar as pessoas afectadas. O primeiro-ministro Vladimir Putin está distribuindo empréstimos, subsídios e reduziu os preços dos combustíveis para os agricultores. Entretanto, foi declarado que o preço do pão não será afetado, porque há reservas suficientes para lidar com esta crise.
Os motoristas de táxi fazem lucro
Nem todo o mundo está enfrentando tempos difíceis em Moscou, devido ao calor. Alguns motoristas de táxis da cidade estão fazendo uma fortuna, acrescentando uma carga extra de ar condicionado, de acordo com relatos citados pela Komsomolskaya Pravda, embora não há nada na legislação para justificar isso.
Konstantin KARPOV
Fonte: Pravda.ru .20.07.2010
O Povo é bom
Apesar de seus graves problemas, o Brasil possui expressivo potencial turístico. o americano Norton gostava muito de nosso país."Brezííl...as mulááts..."Mas o Brasil não é só samba, praia e futebol.Norton passeava pelo centro financeiro de São Paulo."Maravíl...cada baynquinh simpáátic."Olhou para a massa humana a seu redor. "O pouváum...eu adór o pouv brézileir."Começou a gritar junto com a massa. "O póuv unííd djemáis siráh vencííd.""Era uma manifestação contra o FMI.Um rapaz se exaltou."O gringo quer provocar."No tumulto,apareceu a tropa de choque.Atingido por um cassetete,norton faz reflexões no hospital."O pôuv é bóndouz.Mas a polííç dêix a dizejahr"."Quem traz dólares para a gente não merece pancada.
Voltaire de Souza
Vida Bandida.Folha de São Paulo
Orlas
Parou diante de uma água pingando-sem nada enxergar na noite encoberta.Era só pelo ouvido que recebia as gotas caindo.Pensou até em cegueira repentina, mas nisso não se fixou, preferindo soletrar seu nome, ou melhor, um outro que vinha repetindo havia dias, pelo belo prazer de ter a boca ocupada com uma coisa que não ancorava de chofre num sentido: pura passagem de ar, que ele às vezes abortava mordendo, mastigando, engolindo, devolvendo pela boca aos pedacinhos ele ainda falava no clarear do dia , enquanto a gota já longe silenciava...Silenciava dissolvendo-se no nevoeiro que impedia o avião de decolar. Encostado no aramado do aeroporto, ele tocava no limite , repetindo um nome que não era bem o seu , e sem parar...
João Gilberto Noll
Relâmpagos.Folha de São Paulo.09/07/2001
O claro enigma de Marize Castro
Astier Basílio – Jornal da Paraíba
Não existem fórmulas que garantam uma boa poesia. Não há receitas. O fato de Marize Castro, por exemplo, escrever poemas curtos, econômicos, apostar na simplificidade não dá nenhuma garantia de que seu trabalho poético seja bem realizado.
O que faz Lábios – espelhos (Una, Rio Grande do Norte, 2009, 97 págs.) uma obra de qualidade é algo mais do que a combinação de um receituário seguido à risca. Não. É algo imponderável chamado talento. Marize não se preocupa em ostentações.
Veja o poema “Deus é Mundo” em que ela diz:
pequenas mortes acompanham-me
Desamparo-me a cada página
Ela me disse: Deus é o mundo.
Desde então, não me encolho mais.
Amplio-me.
Há, neste curto texto, dois eixos fundamentais. O primeiro, a referência a um eu-lírico, exteriorizado em terceira pessoa, denominado de “Ela”, referência que atravessa vários textos. O outro eixo, ou melhor, mais a revelação de uma estratégia, mostra uma poeta que esconde suas intertextualidades, que aposta no simples, é que “pequenas mortes”, principalmente no idioma francês, é uma metáfora para orgasmo, elemento que ilumina a temática erótica e amorosa de seus textos curtos e fulminantes.
Quem é essa “ela”? Essa “ela” que se insurge (se eu não escrevo, ela me engole/ come meu útero./ Meu cérebro…) que, por que não dizer, se metamorfoseia em várias outras, multidão de uma só que canta e que anuncia:
conduzo águias
tropeço em harpas
troco em harpas
troco anáguas no jardim
onde os amantes são sepultados.
Tentando, em vão responder a essa pergunta, a de quem seja “ela”, a melhor resposta não é decifrar o enigma, mas de contemplar o enigma, beijá-lo, como sugere o título, Lábios – espelho, uma gradação em camadas, uma caixa de pandora luminosa e, ao mesmo tempo, opaca, pois, a transparência de Marize ilusoriamente revela.
Eis o jogo, como sugerido em “silente”: sinto urgência em dizer: calo.
Não existem fórmulas que garantam uma boa poesia. Não há receitas. O fato de Marize Castro, por exemplo, escrever poemas curtos, econômicos, apostar na simplificidade não dá nenhuma garantia de que seu trabalho poético seja bem realizado.
O que faz Lábios – espelhos (Una, Rio Grande do Norte, 2009, 97 págs.) uma obra de qualidade é algo mais do que a combinação de um receituário seguido à risca. Não. É algo imponderável chamado talento. Marize não se preocupa em ostentações.
Veja o poema “Deus é Mundo” em que ela diz:
pequenas mortes acompanham-me
Desamparo-me a cada página
Ela me disse: Deus é o mundo.
Desde então, não me encolho mais.
Amplio-me.
Há, neste curto texto, dois eixos fundamentais. O primeiro, a referência a um eu-lírico, exteriorizado em terceira pessoa, denominado de “Ela”, referência que atravessa vários textos. O outro eixo, ou melhor, mais a revelação de uma estratégia, mostra uma poeta que esconde suas intertextualidades, que aposta no simples, é que “pequenas mortes”, principalmente no idioma francês, é uma metáfora para orgasmo, elemento que ilumina a temática erótica e amorosa de seus textos curtos e fulminantes.
Quem é essa “ela”? Essa “ela” que se insurge (se eu não escrevo, ela me engole/ come meu útero./ Meu cérebro…) que, por que não dizer, se metamorfoseia em várias outras, multidão de uma só que canta e que anuncia:
conduzo águias
tropeço em harpas
troco em harpas
troco anáguas no jardim
onde os amantes são sepultados.
Tentando, em vão responder a essa pergunta, a de quem seja “ela”, a melhor resposta não é decifrar o enigma, mas de contemplar o enigma, beijá-lo, como sugere o título, Lábios – espelho, uma gradação em camadas, uma caixa de pandora luminosa e, ao mesmo tempo, opaca, pois, a transparência de Marize ilusoriamente revela.
Eis o jogo, como sugerido em “silente”: sinto urgência em dizer: calo.
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