quarta-feira, 21 de abril de 2010

A infanticida Marie Farrar


Tradução de Paulo César de Souza

1

Marie Farrar, nascida em abril, menor

De idade, raquítica, sem sinais, órfã

Até agora sem antecedentes, afirma

Ter matado uma criança, da seguinte maneira:

Diz que, com dois meses de gravidez

Visitou uma mulher num subsolo

E recebeu, para abortar, uma injeção

Que em nada adiantou, embora doesse.

Os senhores, por favor, não fiquem indignados.

Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados.



2

Ela porém, diz, não deixou de pagar

O combinado, e passou a usar uma cinta

E bebeu álcool, colocou pimenta dentro

Mas só fez vomitar e expelir

Sua barriga aumentava a olhos vistos

E também doía, por exemplo, ao lavar pratos.

E ela mesma, diz, ainda não terminara de crescer.

Rezava à Virgem Maria, a esperança não perdia.

Os senhores, por favor, não fiquem indignados

Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados.



3

Mas as rezas foram de pouca ajuda, ao que parece.

Havia pedido muito. Com o corpo já maior

Desmaiava na Missa. Várias vezes suou

Suor frio, ajoelhada diante do altar.

Mas manteve seu estado em segredo

Até a hora do nascimento.

Havia dado certo, pois ninguém acreditava

Que ela, tão pouco atraente, caísse em tentação.

Mas os senhores, por favor, não fiquem indignados

Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados.



4

Nesse dia, diz ela, de manhã cedo

Ao lavar a escada, sentiu como se

Lhe arranhassem as entranhas. Estremeceu.

Conseguiu no entanto esconder a dor.

Durante o dia, pendurando a roupa lavada

Quebrou a cabeça pensando: percebeu angustiada

Que iria dar à luz, sentindo então

O coração pesado. Era tarde quando se retirou.

Mas os senhores, por favor, não fiquem indignados

Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados.



5

Mas foi chamada ainda uma vez, após se deitar:

Havia caído mais neve, ela teve que limpar.

Isso até a meia-noite. Foi um dia longo.

Somente de madrugada ela foi parir em paz.

E teve, como diz, um filho homem.

Um filho como tantos outros filhos.

Uma mãe como as outras ela não era, porém

E não podemos desprezá-la por isso.

Mas os senhores, por favor, não fiquem indignados.

Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados.



6

Vamos deixá-la então acabar

De contar o que aconteceu ao filho

(Diz que nada deseja esconder)

Para que se veja como sou eu, como e você.

Havia acabado de se deitar, diz, quando

Sentiu náuseas. Sozinha

Sem saber o que viria

Com esforço calou seus gritos.

E os senhores, por favor, não fiquem indignados

Pois todos precisamos de ajuda, coitados.



7

Com as últimas forças, diz ela

Pois seu quarto estava muito frio

Arrastou-se até o sanitário, e lá (já não

sabe quando) deu à luz sem cerimônia

Lá pelo nascer do sol. Agora, diz ela

Estava inteiramente perturbada, e já com o corpo

Meio enrijecido, mal podia segurar a criança

Porque caía neve naquele sanitário dos serventes.

Os senhores, por favor, não fiquem indignados

Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados.



8

Então, entre o quarto e o sanitário diz que

Até então não havia acontecido a criança começou

A chorar, o que a irritou tanto, diz, que

Com ambos os punhos, cegamente, sem parar

Bateu nela até que se calasse, diz ela.

Levou em seguida o corpo da criança

Para sua cama, pelo resto da noite

E de manhã escondeu-o na lavanderia.

Os senhores, por favor, não fiquem indignados

Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados.



9

Marie Farrar, nascida em abril

Falecida na prisão de Meissen

Mãe solteira, condenada, pode lhes mostrar

A fragilidade de toda criatura. Vocês

Que dão à luz entre lençóis limpos

E chamam de abençoada sua gravidez

Não amaldiçoem os fracos e rejeitados, pois

Se o seu pecado foi grave, o sofrimento é grande.

Por isso lhes peço que não fiquem indignados

Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados.

domingo, 11 de abril de 2010

primeiro versos do Martín Fierro

1



Aquí me pongo a cantar

Al compás de la vigüela,

Que el hombre que lo desvela

Una pena extraordinaria

Como la ave solitaria

Con el cantar se consuela.



2



Pido a los Santos del Cielo

Que ayuden mi pensamiento;

Les pido en este momento

Que voy a cantar mi historia

Me refresquen la memoria

Y aclaren mi entendimiento.



3



Vengan Santos milagrosos,

Vengan todos en mi ayuda,

Que la lengua se me añuda

Y se me turba la vista;

Pido a Dios que me asista

En una ocasión tan ruda.



4



Yo he visto muchos cantores,

Con famas bien obtenidas,

Y que después de adquiridas

No las quieren sustentar:

Parece que sin largar

Se cansaron en partidas.



5



Mas ande otro criollo pasa

Martín fierro ha de pasar,

Nada la hace recular

Ni las fantasmas lo espantan;

Y dende que todos cantan

Yo también quiero cantar.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Europa

EMMENEZ-MOI

Charles Aznavour


Vers les docks où le poids et l’ennui

Me courbent le dos

Ils arrivent le ventre alourdi

De fruits les bateaux



Ils viennent du bout du monde

Apportant avec eux

Des idées vagabondes

Aux reflets de ciels bleus

De mirages



Traînant un parfum poivré

De pays inconnus

Et d’éternels étés

Où l’on vit presque nus

Sur les plages



Moi qui n’ai connu toute ma vie

Que le ciel du nord

J’aimerais débarbouiller ce gris

En virant de bord



Emmenez-moi au bout de la terre

Emmenez-moi au pays des merveilles

Il me semble que la misère

Serait moins pénible au soleil



Dans les bars à la tombée du jour

Avec les marins

Quand on parle de filles et d’amour

Un verre à la main



Je perds la notion des choses

Et soudain ma pensée

M’enlève et me dépose

Un merveilleux été

Sur la grève



Où je vois tendant les bras

L’amour qui comme un fou

Court au devant de moi

Et je me pends au cou

De mon rêve



Quand les bars ferment, que les marins

Regagnent leur bord

Moi je rêve encore jusqu’au matin

Debout sur le port



Emmenez-moi au bout de la terre

Emmenez-moi au pays des merveilles

Il me semble que la misère

Serait moins pénible au soleil



Un beau jour sur un rafiot craquant

De la coque au pont

Pour partir je travaillerais dans

La soute à charbon



Prenant la route qui mène

A mes rêves d’enfant

Sur des îles lointaines

Où rien n’est important

Que de vivre



Où les filles alanguies

Vous ravissent le coeur

En tressant m’a t’on dit

De ces colliers de fleurs

Qui enivrent



Je fuirais laissant là mon passé

Sans aucun remord

Sans bagage et le coeur libéré

En chantant très fort



Emmenez-moi au bout de la terre

Emmenez-moi au pays des merveilles

Il me semble que la misère

Serait moins pénible au soleil



Emmenez-moi au bout de la terre

Emmenez-moi au pays des merveilles

Il me semble que la misère

Serait moins pénible au soleil

domingo, 4 de abril de 2010

"Todas as elites a perigo socorren-se de seus Rasputins.Que não são Mães de Santo.São falsos videntes, com doutorado no Tio Sam."
Luís Fernando Veríssimo.19/05/1998
"A guerra é o maior dos crimes, mas não existe agressor que não disfarce seu crime com o pretexto da justiça. "
Voltaire
"Os homens fazem a sua  própria história, mas não a fazem segundo sua livre vontade em circunstâncias escolhidas por eles próprios, mas sob determinadas circunstâncias dadas, legadas e transmitidas pelo passado ".
Karl marx, em 18 de Brumário.
"Ainda hoje se mantém o 'mito' de que os aborígenes , nesta parte da América, limitaram-se a assistir a ocupação da terra pelos portugueses e a sofrer,passivamente, os efeitos da colonização(...).Todavia,nada está mais longe da verdade, a julgar pelos relatos da época.nos limites de suas possibilidades,foram inimigos duros e terríveis,que lutaram ardorosamente pelas terras,pela segurança, pela liberdade, que lhes eram arrebatadas conjuntamente. "
Fernandes,Florestan.in:Buarque de Holanda,1976.v I,p72.

Nova Zelândia e Brasil

É bem mais tranquilo para um país edenico menor que o Pará, com uma população de carneiros maior do que a de seres humanos. Pode comparar com o Uruguai ou o Chile cuja população  é menor do que São Paulo,mas não com o Brasil , quase do tamanho da Europa Ocidental. Cada Estado brasileiro possui suas especificidades. Santa Catarina antes dos cataclismos (o último o terremoto )Compare a cidade de "Óklan" com cidades ,não com países. Isso é elementar.Mas que a Nova Zelândia é linda isso é!Os serviços públicos de lá não são exemplos apenas para países em desenvolvimento como o Brasil, também são para os EUA, bom comparar "óklan" com Nova Jérsey ou mesmo com a Big Apple, é covardia.Como vive a classe trabalhadora nos EUA(http://www.ilo.org/)?Planos de saúde,...Quatro meses na Nova Zelândia,uma vida !Mas no geral concordo, nossos serviços públicos,aqueles para atender as necessidades da sociedade são em boa parte bem precários ,salvo quando para atender as demandas do Estado, nossa receita federal é ágil e competente para tirar nosso couro e dar para servir de tapete ao poder (a máquina pública ) não devolvem na forma de politicas públicas(agora está engrenando, a passos de tartaruga mas está )e também não pagam o funcionalismo (os servidores públicos-professores, médicos ligados ao sus, policiais militares...)só a pantagruelica anemia dos parlamentares e dos sicofantas.


É uma tristeza constatar que temos a maior malha indústrial e financeira da América do sul, e continuaremos a empoderarnos dessa realidade nosso PIB será condizente com o status de potencia regional, e blá, blá...mas o nosso povo está ao Deus dará e nossas estatísticas sociais serão tão confiáveis quanto às chinesas.

Mas eu acredito no nosso guia Lula e sua sucessora Nossa Senhora Dilma dos Pacs.Aliás o presidente amarrou direitinho os tucanos que ,caso vençam, terão que honrar os compromissos (os financiamentos dos pacs)e terminar as obras, uma suposta gestão tucana seria de fato lulista.Lula não é fraco não !
 
Wilson Roberto Nogueira

sábado, 3 de abril de 2010

Existem aqueles que mesmo sabendo que existe um limite para trazer do exterior mercadorias trazem, talvez estejam tão acostumadas a pagar subornos para funcionários mal pagos ao invés de denunciá-los.Existem bairros em determinados lugares dos EEUU e da Europa que vc precisa tomar cuidado pra não ser assaltado ou currado.Mas se vc for negro ou aparentar ser árabe, saiba que a policia não vai mover um dedo se vc estiver sendo espancado em certos lugares da Itália e da Espanha.NY tinha a policia mais corrupta , violenta e ineficiente dos EUA. Os EUA em Chicago era um antro..."O Passado não remove montanhas" Se os EUA conseguiram através da força de seu povo(ameríndios,afro-aericanos, e imiganes-indocumenados ou não )mover o colosso do Estado Estadunidense para a dimensão qu tem hoje.Assim se passará com o Brasil.O pior preconceito é o introjetado, naturalizado pela própria vítima que se submete .


O meu País nos anos 20 privilegiou o transporte rodoviário ao invés do ferroviário até chegar ao abuso de transformar nossas cidades práticamente intransitáveis para os pedestres, a maioria da frota sendo guiada por apenas uma pessoa poluindo e diminuino a vida útil do asfalto.Mas chegaremos a ser o produtor mundial!A sociedade civil é fundamental para empurrar as políticas públicas para o caminho correto, sem a pressão popular a caneta do poder não escreve.Os indices de criminalidade despencaram por fora da mobilização da sociedad civil organizada.Os indices foram pesquisados junto ao IML não nos BOs.

Devemos ler todo o jornal não só a parte de esportes ou os balancetes, consultar institutos sérios que vem pesquisando o fenomeno da violência e da corrupção e paremos de ser apedeutas bancando demiurgos.Isso é tipico de uma classe supérflua que não contribui em nada para mudar a situação e que parasitaram país até hoje bebendo o sangue da nossa classe trabalhadora obrigada a entrar pelos fundos e comer os resto dos banquetes, o Brasil está voltando a ser dos brasileiros que não perderam a identidade.
 
Wilson Roberto Nogueira
O sistema bancário brasileiro, softwares para bancos,aviação regional,agroindústria e siderurgia,prospecção em águas profundas, bioenergia,...isso é o Brasil também.


Todos os países tem em maior ou menor grau, alguns dos "Mundos " (1,2,3,4)dentro de suas próprias fronteiras .Nossas ilhas de excelencia são cada vez maiores, embora ainda sejam ilhas nesse país continental que é o Brasil.Nossos desafios ainda são enormes ,mas estamos lutando.E venceremos aqui ou comprando mundo afora as "eficientes"empresas dos países do primeiro mundo.

Wilson Roberto Nogueira

V A Batalha Final

Assisti a série V a vitória final. embora Trash ela passava o recado, contra o totalitarismo e em louvor aos resistentes do mundo,a alusão a bandeira(lembrando as cores nazistas ), a televisão como elemento de propaganda e de resistência,a família judia que teve o filho cooptado para a " juventude ", o velho que ensinou os pichadores a fazerem o sinal da resistência "V" de vitória ,não de visitantes.


Na época assisti como um filme de Ficção cientifica , agora não consigo assistir nenhum filme da "indústria " sem devidamente referenciá-la ao contexto.

Anos 80."Reaganomics contra o Império do mal",Liberais(no sentido clássico europeu, nos EEUU chamam conservadores, republicanos )contra Capitalsmo de Estado ou Socialismo Realmente Existente “made in Moscou”,Invasão do Afeganistão e boicote estadunidense as olimpíadas de Moscou.O filme seria a instrumentalização ideológica de ligar os invasores saúrios não só aos nazismos também aos soviéticos, não só enaltecendo os partizans ou maqui da 2 guerra mas também os mujaheddins e os Contra da Nicarágua.Isso pode ser identificado pela mensagem que finalizava a apresentação: "Dedicada aos lutadores da liberdade..." Até um filme trash é instrutivo quando olhamos para além da superfície.

Procurarei ver o filme com a lente do século XXI.Questão de gênero,corporações , mídia e poder,ideologia e poder -cooptação,multi-lateralismo ,religião, pacifismo e belicismo... o filme lança luz sobre várias questões do ponto de vista a indústria cultural estadunidense que é um poderoso braço de sua ideologia(conjunto de valores que se quer hegemônico no mundo.Padronizando a sociedade a "aldeia global" )

Com relação a isso é um fato material da historia.

Inté

Wilson Roberto Noguera
Os EUA entre os países centrais é aquele que se situa mais desfavoravelmente , principalmente nas questões sociais, o ensino fundamental e médio no país é comparável aos dos países periféricos, embora tenha o primeiro PiB do mundo o tio Sam tem muitos remendos em sua casaca.


Quanto as estatísticas "podemos torcer os números até que digam o que queremos "ou seja, dependendo dos critérios, quem entrevistamos(classe social...)poderemos sem falsear a verdade subverte-la apanhando a parte pelo todo.Qual a margem de erro dessas pesquisas,quem os patrocina...?

A matemática é uma ciência exata mas a estatística , embora empregue números não é.

é necessário fazer perguntas,levantamentos...Quais perguntas, levantamentos em que regiões,quem faz as perguntas e quem paga o serviços do pesquisadores?

O" American way of live" estoca seus inadequados loosers ou nas prisões ou enviam para morrer por mentiras e óleo nos desertos e montanhas do terceiro mundo.Os negros nas prisões e latinos na boca dos canhões,pelo menos os últimos podem usufluir de alguns privilégios da casta militar,crediários, financiamentos, planos de saúde...em troca de uma escravidão disfarçada.O contrato que o milico yanqe assina esconde letras miúdas e implícitas que dificulta a dispensa e o desligamento.

essas informações podem ser coletadas nos movimentos sociais dos EUA.Um país que tem a necessária auto-críica e com humor e também com sridade a exerce, embora o governo a quisesse calar com os Atos Patioticos e o apoio do estado a delação.a Era Bush de triste lembrança para o mundo.

Com Obama vamos ver, está arrumando a casa que o pessoal de Wall- Street os republicanos ajudaram a detonar.Fora de casa contudo nada de novo na agenda imperial.Não tem mais a bandeira da moral.

Eu amo a América do Alasca a Terra o Fogo.América para mim não é apenas os EUA.

Wilson Roberto Nogueira

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Somos Plurais e Ricos em Nossa Diversidade

Menos .


Na rádio ouve-se o sotaque de outros estados que não o seu ?E que caricatura grotesca faziam da maneira de falar do nordeste nas tv.Devemos falar de uma certa hegemonia no país que empurra pro gueto da invisibilidade as manifestações culturais de outros estados.Tem a ver em parte como se deu o desenvolvimento eonomico

Não demonizem tanto o tio Sam pelo que ele tem de reflexo das condições do nosso Sistema . nós reproduzimos os mesmos mecanismos de exclusão, pasteurização para tornar nossa cultura ,tão rica e complexa, mais compreensível ao padrão consumista da casse média mundal dentro dos padrões aceitaveis pelas corporações, pela indústria cultural.

Assim como o estadunidense médio não conhece o Brasil além dos estereótipos vendidos em parte por nós mesmos, nós tbm não devemos achar que a visão de mundo de um califórniano , novaiorquino, texano, de New Orleans,Miami,é o mesmo da "américa profunda" assim como o Brasil somos etnica e culturalmete multidiversos.nós contudo não compartimentamos nossas origens não sou russo-polaco-negro-sefaradim curitibano nossa miscigenação torna tais rotulações um quebra cabeça, um callding pot verdadeiro .Nossa cultura tm absorve antropofagicamente a cultura de outros lugares dando a luz ao novo ,Nosso povo e nossa soiciedade, nossa civilização está em constante evolução,somos cosmopolitas e não abandnamos nossa idetidade cultural.Dar valor ao que é nosso só quando um francês ou americano diz que presta?

Ela é brasileira e sempre será ,também é estadunidense sim senhor. Minha pátria é minha língua(como depositária de um visão de mundo que é cultural ),eusolo é Brasil levo comigo para todo lugar que vou ,por que do barro deste chão fui feito.

Wilson Roberto  Nogueira

Salome . 1896. Pastel.

Fragmento.Corrupção e Poder.Remake do filme 'V"

Por favor povo,sem complexo de vira latas, Nélson Rodrigues estava certo , vamos deixar de complexos.


No Japão a yakuza é quase intocável ,não existem indices como os nossos por que os assuntos do crime organizado no Japão são solenemente ignorados.Lá no máximo uma barracuda, tubarões não .Políticos e empresários só quando caem nas malhas da imprensa e se vêem mais sujos que pão no galinheiro é que lembram dos valores do velho Japão mas não limpam mais a honra de seus ancestrais com o Sepuku,isso acabou com a vinda de MacArthur e o way of live se instalou no Japão.

A Itália , a abandonada Sicilia foi libertada pelos aliados e pela Máfia que ajudou os americanos e os libertadores ouviram em toda a Palermo . Viva Don Calló, viva laMáfia.

Período de ouro da máfia na Itália,anos 50 à 70.enfronhada em todo serviço público e na politica, lavando dineiro adoidado ,inlusive no Vaticano, caso Banco Ambrosiano.Desmoralização completa do Partido Democrtata Cristão.O povo clamava nas ruas a sociedad civil disse um basta que empoderou os lutadores da lei em torno de Falconi e da operção mãos limpas. Aliás o lixo de Nápoles e as docas da Itália são dos sindicaos ligados as Máfias.A Itália luta ;mas quando o Berlusconi para fugir de processos usa de seu poder politico para escolher o júri que será julgado...Por favor!

Para mim Morena Baccarin  é brasileira e norteamericana, não sou xenofobo nem preconceituoso ,não confundir o povo americano e sua culura com o governo lutocrata e imperal de Washington.Países como o Brasil, India , Rússia, China, EUA são grandes demais para caberem em estereotipos superficiais .

Mas não dá para não ver semelhanças entre as Relações Exterioes dos USA (Ted Roosvelt_fala mansa, sorrso nos lábios e um porrete nas mãos )e os Vs."Politica de Boa vizinhança mas uma força tarefa pronta para agir caso seusintereses seam contrariados)

Os 'vs" Procuram no filme tbm "ganhar corações e mentes",cooptando lideraças e intrumetalizando poderes locais em seu beneficio ,da cadeia alimentar onde nós somos almoço.

Wilson Roberto Nogueira

domingo, 28 de março de 2010

Uma transdisciplinaridade humanista: a síntese subjetiva positivista

Desde há alguns anos fala-se bastante em “multidisciplinaridade”, “interdisciplinaridade” e até em “transdisciplinaridade”. Essas propostas são maneiras de perceber a realidade e, mais do que isso, o próprio conhecimento científico; cada uma delas são metodologias que organizam nossos conhecimentos, tendo em vista algumas perspectivas específicas sobre a realidade.



Assim, a multidisciplinaridade afirma que as diversas áreas do conhecimento devem colaborar entre si para a resolução dos problemas; por sua vez, a interdisciplinaridade reconhece a importância de essas áreas colaborarem entre si, mas dá um passo além, no sentido de haver trocas entre elas e também no sentido de desenvolverem-se maneiras de relacionar-se com intimidade.



Tomemos como exemplo o ser humano, com todas as suas necessidades físicas, biológicas, afetivas, econômicas e assim por diante. A multidisciplinaridade afirma que cada uma dessas necessidades pode e deve ser satisfeita pela aplicação de um conhecimento específico: os problemas emocionais e afetivos pela Psicologia, o trabalho pela Economia, a saúde pela Medicina, as relações sociais pela Sociologia etc. A interdisciplinaridade afirma, por outro lado, que, além de cada uma das áreas do conhecimento cuidar de um aspecto do ser humano, elas devem dialogar entre si, procurando uma solução em comum, havendo uma troca de perspectivas e de conteúdo entre elas; assim, a Economia contribuirá para a Psicologia e a Sociologia, que contribuirão para a Medicina e a Economia etc. Em termos de método, o resultado é que nenhum nível do conhecimento superpõe-se aos demais, considerando que a realidade é formada por múltiplos níveis e, nesse sentido, é inesgotável.



Essas maneiras de lidar com o conhecimento começaram a tornar-se mais conhecidas a partir dos anos 1960, em reação a diversas limitações teóricas e práticas que a especialização excessiva e alienante trouxe para o ser humano. Ora, o interessante é que elas foram propostas há mais de 150 anos por um filósofo da ciência que já gozou de bastante fama no Brasil e no mundo, mas que há um certo tempo está injustamente desconhecido: Augusto Comte.



Comte (1798-1857), fundador do Positivismo e formulador da frase que está na bandeira brasileira – Ordem e Progresso –, no começo do século XIX percebia que os conhecimentos estavam cada vez mais especializados, cada vez mais específicos. Por um lado, não há como nem porquê evitar que isso ocorra: afinal, é precisamente esse o caminho que se deve trilhar para aumentarmos o conhecimento da realidade. Mas, por outro lado, a especialização aumenta o conhecimento em profundidade, mas diminui o conhecimento em extensão: sabemos cada vez mais sobre cada vez menos; em outras palavras, perdemos a visão de conjunto. Ora, nós precisamos da visão de conjunto para entender a totalidade da realidade e para podermos, de fato, agir. Assim, o que em um primeiro momento A. Comte propôs foi mais uma especialidade: aquela que analisaria os principais resultados de cada uma das formas de conhecimento e procuraria elaborar uma síntese deles, de maneira a fornecer uma visão de conjunto. Tal síntese seria, necessariamente, filosófica e, se hoje em dia não fosse uma palavra com uma conotação negativa, diríamos que seria uma síntese filosófica e generalista. O interessante a notar é que, a partir do momento em que se parte dessa perspectiva, que é de conjunto, modifica-se a maneira como se percebem as várias partes, surgindo novos resultados para cada um dos conhecimentos. Como dissemos antes, essa é a própria interdisciplinaridade.



Continuando a estudar o ser humano, Augusto Comte percebeu que ainda poderia ir muito além disso. Afinal, o que dissemos até agora se refere apenas aos conhecimentos científicos, mas o ser humano é mais que a inteligência, incluindo também as ações práticas e, principalmente, os sentimentos. Cada uma dessas partes deve manter-se em harmonia com as demais, para os seres humanos considerados tanto individualmente quanto em termos coletivos; além disso, uma verdadeira consideração do conjunto dos seres humanos deve incluir também o local onde vivemos, ou seja, deve incluir também o próprio planeta e o meio ambiente. Assim, o resultado é que, partindo de uma perspectiva de conjunto baseada na realidade do ser humano, a única forma de mantermos em harmonia sentimentos, pensamentos e ações é por meio do desenvolvimento do altruísmo e da generosidade, regulando nossas ações individuais e coletivas tendo em vista o bem comum. Como no final é o ser humano o centro dos sentimentos, das concepções e das ações e como essa centralidade quem atribui é o próprio ser humano, a síntese é, necessariamente, subjetiva, isto é, referente ao sujeito.



É claro que o “ir além” da interdisciplinaridade, como apresentamos, refere-se a pautar as condutas humanas a partir de um padrão moral, ético, daí orientando as elaborações intelectuais. Bem entendidas as coisas, esse “ir além” é a transdisciplinaridade a que nos referimos no início do texto.



Para concluir, vale a pena notar que as concepções de Augusto Comte, embora tenham já cerca de 150 anos, mantêm-se extremamente atuais, podendo contribuir com grande fecundidade para os grandes desafios que enfrentamos atualmente.





Gustavo Biscaia de Lacerda . é Mestre em Sociologia Política