domingo, 12 de fevereiro de 2017
1945: Conferência de Ialta sela ordem do pós-Guerra na Europa
Quando a vitória já parecia certa, os Aliados se reuniram de
4 a 11 de fevereiro de 1945 na Crimeia. Aceitação de imposições de Stalin selou
fronteiras da futura Cortina de Ferro.
Konferenz von Jalta
1945 (gemeinfrei)
Churchill, Roosevelt e Stalin decidiram as fronteiras
pós-guerra
Os três grandes líderes reuniram-se de 4 a 11 de fevereiro
de 1945 em Ialta, na Crimeia, após mais de cinco anos de guerra e milhões de
mortos. Praticamente já ocupada, a Alemanha não estava mais em condições de
resistir por muitas semanas. A Itália estava rendida, mas o Japão ainda
resistia no Oceano Pacífico.
Embora a Segunda Guerra Mundial ainda não estivesse
oficialmente encerrada, Franklin D. Roosevelt, Josef Stalin e Winston
Churchill, considerando-se vencedores sobre os nazistas e fascistas, iniciaram
a discussão sobre a ordem internacional no pós-Guerra.
A Conferência de Ialta, às margens do Mar Negro, foi uma das
três grandes conferências que determinaram o futuro da Europa e do mundo no
pós-Guerra (além da de Teerã, em 1943, e a de Potsdam, em meados de 1945).
Mesmo que a divisão do mundo não estivesse nos planos das lideranças aliadas
neste momento, a Guerra Fria acabou sendo uma das consequências do encontro.
Para o historiador Jost Dülffer, da Universidade de Colônia,
Ialta tinha boas chances de estipular uma nova ordem de paz no pós-Guerra:
"Foi aprovada uma declaração sobre a Europa libertada e discutiram-se
várias questões, cuja solução era apenas parcial. Por fim, eles tiveram que se
curvar aos fatos: os russos estavam às margens do rio Oder, no Leste, e os
norte-americanos na fronteira oeste da Alemanha".
Polônia, o tema mais controverso
Com relação à Organização das Nações Unidas, que estava por
ser criada, decidiu-se a composição de um conselho de segurança com direito de
veto. Quanto à Alemanha, as potências aliadas resolveram exigir a
"capitulação incondicional" e decidiram dividir o país em três zonas
de ocupação.
Os detalhes seriam resolvidos por uma comissão constituída
para este fim. Por pressão dos soviéticos, a única decisão tomada foi em
relação a reparações e o desmonte de instalações industriais.
A capital polonesa, Varsóvia, estava em ruínas em 1945
A Polônia foi o tema mais controverso da conferência na
Crimeia, em fevereiro de 1945. Temendo o avanço soviético na Europa Central, o
premiê britânico, Winston Churchill, e o presidente norte-americano, Franklin
D. Roosevelt, planejavam para Varsóvia um governo com legitimação democrática,
escolhido através de eleições livres. Enquanto Stalin ressaltava o poder
democrático do governo por ele constituído na Polônia, os britânicos
salientavam a legitimidade do governo polonês no exílio, estabelecido em
Londres.
Churchill e
Roosevelt cederam a Stalin
As duas frentes optaram por uma solução consensual: o
governo constituído pelos soviéticos foi ampliado em alguns membros apontados
pelos aliados. A partir de junho de 1945, entretanto, o governo polonês passou
a ser dominado por membros pró-soviéticos.
Stalin ainda conseguiu impor o deslocamento da fronteira
soviética para o oeste. Afinal, o aliados ocidentais precisavam do apoio de
Moscou contra os japoneses no Oceano Pacífico. A fronteira leste da Alemanha ao
longo dos rios Oder e Neisse foi sugestão do secretário-geral do partido
comunista soviético. A nova linha divisória viria a delimitar o que mais tarde
ficou conhecido como Cortina de Ferro, dividindo o mundo durante quase 50 anos
de Guerra Fria.
Em 1946, o próprio Churchill reconheceria: "De Sczecin,
no Mar Báltico, até Trieste, no Mar Adriático, transcorre uma cortina de ferro
pelo continente. Por trás desta linha estão todas as capitais da Europa Central
e do Leste Europeu. Todas as cidades e suas populações estão sob influência
soviética. Os acertos feitos em Ialta foram vantajosos demais para os
soviéticos.
Mas estas decisões foram tomadas numa época em que ainda não
se sabia que a guerra não duraria nem até o fim de 1945, num momento em que
achávamos que o conflito com o Japão persistiria pelo menos 18 meses após o
final da guerra com a Alemanha".
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1943: "Três Grandes" reúnem-se em Teerã
Churchill e Roosevelt encontram-se com Stalin em 28 de
novembro, no Irã. É combinada uma coordenação dos ataques soviéticos à Alemanha
nazista com o iminente desembarque dos aliados na Normandia.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Winston Churchill, e o
presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt, já haviam se encontrado
no Cairo para falar sobre a Segunda Guerra Mundial e fazer planos para o futuro
da Europa, da Turquia e do Extremo Oriente.
Antes de tentarem em vão a adesão da Turquia à aliança
ocidental contra a Alemanha nazista e de nomearem Dwight D. Eisenhower como
comandante supremo da iminente invasão da Normandia, os dois deixaram a cidade
às margens do Nilo e viajaram para Teerã. Lá, em 28 de novembro de 1943, eles haviam
marcado um encontro de três dias com o presidente da União das Repúblicas
Socialistas Soviéticas (URSS), Josef Stalin.
Novo papel para URSS no pós-guerra
Churchill foi ao encontro do líder comunista com
desconfiança, mas Roosevelt estava convencido de que eles teriam de se arranjar
de alguma maneira com a URSS e que esse país teria um papel importante na
Europa e no mundo do pós-guerra. E isso deveria ocorrer no contexto de uma nova
organização mundial, ambicionada por Roosevelt e muitos americanos, e destinada
a assumir as tarefas da comunidade internacional fracassada. Sem os soviéticos,
tal organização seria ineficaz.
Norte-americanos e britânicos já estavam tentando há tempos
deter as invasões alemãs. Roosevelt tinha consciência de que um futuro pacífico
depois da guerra dependeria decisivamente das relações com a URSS.
Para Washington e Londres, esse futuro já estava traçado na
mensagem de Roosevelt ao Congresso em 1941, na qual ele se referiu
especialmente a quatro liberdades: de opinião, de religião, do medo e da
miséria. As duas potências ocidentais declararam essas liberdades como metas de
guerra em seu acordo conhecido como Carta do Atlântico, e acrescentaram o
direito à autodeterminação e a rejeição de conquistas territoriais por meio de
guerras.
Do ponto de vista de Roosevelt, o que fosse acertado entre
os dois aliados atlânticos deveria servir de base para um tratado com a URSS e
a China, pois só as quatro nações juntas poderiam assumir a responsabilidade de
preservar a paz no mundo.
Stalin esconde seus planos
Numa retrospectiva histórica, constata-se que essa era uma
visão fantástica, idealista. Churchill e Roosevelt encontraram em Teerã um
Stalin cordial. O chefe do Kremlin não tinha abandonado sua ideia de vitória do
comunismo, mas sabia que seu país precisava do apoio do Ocidente. A União
Soviética tinha de suportar o maior fardo da guerra, e para Stalin estava claro
que isso afetaria também seu sonho de expansão do comunismo.
Em Teerã, combinou-se, em primeiro lugar, que Moscou deveria
coordenar seus ataques contra a Alemanha com o iminente desembarque planejado
pelos aliados ocidentais na Normandia. Mas Stalin também pôde fazer algumas
exigências, indicando o que se confirmaria depois no decorrer da Guerra: ele
reivindicou a Prússia Oriental e as fronteiras que foram asseguradas à União
Soviética nos acordos com Berlim e Helsinque, em 1939 e 1940.
A ideia de uma organização não foi detalhada em Teerã. Nem
houve acordo sobre o futuro da Polônia e, no que se referia ao Irã, a
declaração conclusiva do encontro dos "Três Grandes" dizia que o
país, parcialmente ocupado, receberia sua independência de volta depois da
Grande Guerra.
Há muito, Stalin vinha fazendo planos para a divisão da
Europa e a ampliação das fronteiras da URSS. Entretanto, ele não revelou seus
planos militares aos parceiros ocidentais. O líder soviético mostrou-se, ao
mesmo tempo, muito insatisfeito com o projeto de transformar a Alemanha e uma
série de outros Estados da Europa Central e do Leste Europeu em nações
agrícolas. Stalin viu no plano uma tentativa do Ocidente de frear a expansão
soviética e, em vez disso, defendeu uma balcanização do Leste Europeu e um
enfraquecimento da França e da Itália.
Data 28.11.2016
Autoria Peter Philipp (ef)
fonte : deutsche welle
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1941: Selada aliança entre Londres e Moscou
Quando as tropas alemãs invadiram a União Soviética, em 22
de junho de 1941, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill declarou que
não estava surpreso com o rumo dos acontecimentos: ele próprio já tinha
advertido Stalin e outros sobre essa possibilidade.
Winston Churchill: "Hoje, às quatro horas da manhã,
Hitler atacou e invadiu a Rússia. Isso não foi nenhuma surpresa para mim, pois
eu já tinha advertido Stalin de maneira explícita e clara sobre o que
ocorreria. Eu o adverti do mesmo modo como já advertira outros antes. Hitler é
um monstro maligno, insaciável na sua sede de sangue e de pilhagem. É por isso
que esse filho sanguinário da sarjeta está mandando agora seus exércitos
blindados a uma nova missão de carnificina, de saque e de destruição".
Abandonando a política britânica anterior de apaziguamento,
o primeiro-ministro ressaltou publicamente sua intenção de "destruir
Hitler e todos os vestígios do regime nazista". Nada mais consequente,
portanto, que a assinatura do tratado de aliança soviético-britânico, no dia 12
de julho de 1941, com o compromisso de apoio recíproco contra a Alemanha de
Hitler.
Modificações territoriais só com aprovação dos povos
O tratado representou também uma mudança na estrutura das
alianças internacionais. Isso desagradou sobretudo aos Estados Unidos, que viam
ameaçada a futura ordem global de paz sob liderança sua e do Reino Unido, como
era almejada pelo presidente americano Franklin D. Roosevelt.
O chefe de Estado americano convidou Churchill para um
encontro secreto, sem a participação soviética, em alto-mar, diante da costa
canadense de Terranova – desprezando de forma demonstrativa a ameaça à
navegação marítima por parte dos submarinos alemães.
Após quatro dias de negociações, os dois estadistas
divulgaram em 14 de agosto uma declaração final sobre os princípios "para
um futuro melhor do mundo", conforme afirmava textualmente a chamada Carta
Atlântica.
No auge dos triunfos bélicos da Alemanha nazista na Europa,
o documento exigia que se abrisse mão de modificações territoriais sem a
aprovação voluntária dos povos afetados, defendia o direito de autodeterminação
dos povos, principalmente na escolha dos seus regimes governamentais e
propagava a igualdade de direitos no acesso ao comércio mundial e às
matérias-primas.
Até que fosse constituído um sistema duradouro de segurança,
Roosevelt e Churchill pronunciaram-se conjuntamente pela "eliminação
definitiva da tirania nazista". Eles consideraram necessário o
desarmamento de todos os países agressores que representassem uma ameaça para
os seus vizinhos.
Marco para entrada dos EUA na guerra
A Carta Atlântica, que era composta de oito pontos, foi
inicialmente apenas uma declaração de intenções sobre as metas conjuntas de
guerra e paz – sem um compromisso assegurado pelo direito internacional. Ela
também não levava em conta os interesses especiais da União Soviética, que só a
assinou com ressalvas, em setembro de 1941.
Permaneceu em aberto, além disso, a criação de uma
organização internacional de segurança. Em face de fortes correntes partidárias
de um isolamento americano, Roosevelt considerava impossível impor tal conceito
dentro dos Estados Unidos, que formalmente ainda continuavam sendo neutros.
Apesar disso, a declaração final do encontro entre Roosevelt
e Churchill representou um decisivo marco político-moral para a entrada dos EUA
na guerra. Depois que o Japão atacou a base americana de Pearl Harbor, no
Oceano Pacífico, Roosevelt pôde requerer ao Congresso que declarasse
oficialmente o estado de guerra contra o Japão: "Solicito ao Congresso uma
declaração de que, desde o ataque infundado e covarde do Japão a 7 de dezembro
de 1941, os EUA encontram-se em estado de guerra com o Império Japonês".
Durante a guerra, só no papel
Como resposta, seguiu-se no dia 11 de dezembro a declaração
teuto-italiana de guerra contra os Estados Unidos, que entraram assim
definitivamente na Segunda Guerra Mundial, lutando contra as potências do Eixo.
Pouco depois, a 1º de janeiro de 1942, uma aliança bélica de 26 países,
constituída por iniciativa americana, aderiu aos princípios da Carta Atlântica,
que se tornou assim uma parte importante da propaganda de guerra dos Aliados.
A sua realização prática, contudo, foi deixada
propositadamente de lado, a fim de não estorvar os esforços militares conjuntos.
Até março de 1945, outros 21 países aderiram a essa chamada Declaração das
Nações Unidas.
Após demorados acertos sobre uma ordem internacional de paz,
a Carta Atlântica foi incluída finalmente no catálogo das metas e princípios da
Carta das Nações Unidas, de 26 de junho de 1945. Por isto, pode-se afirmar com
razão que o seu conceito e a sua organização de um sistema coletivo de
segurança originou-se, no fundo, da coalizão internacional contra as potências
do Eixo.
Autoria Matthias Schmitz (am)
Fonte : deutsche welle
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A las estrellas
Pedro Calderón de la Barca
Esos rasgos de luz, esas centellas
que cobran con amagos superiores
alimentos del sol en resplandores,
aquello viven, si se duelen dellas.
Flores
nocturnas son; aunque tan bellas,
efímeras padecen sus ardores;
pues si un día es el siglo de las flores,
una noche es la edad de las estrellas.
De esa, pues, primavera fugitiva,
ya nuestro mal, ya nuestro bien se infiere;
registro es nuestro, o muera el sol o viva.
¿Qué duración habrá que el hombre espere,
o qué mudanza habrá que no reciba
de astro que cada noche nace y muere.
CALDERÓN DE LA BARCA
Biblioteca Digital Ciudad Seva
O MEDO DE SER LIVRE PROVOCA O ORGULHO EM SER ESCRAVO
"O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas.
Mas é isso o que tememos: o não ter certezas. Por isso trocamos o voo por
gaiolas. As gaiolas são o lugar onde onde as certezas moram." Os Irmãos
Karamazov, Dostoiévski.
Há no homem um desejo imenso pela liberdade, mas um medo
ainda maior de vivê-la. Algo parecido disse Dostoiévski, ou talvez eu esteja
dizendo algo parecido com o dito pelo escritor russo. No entanto, como seres
significantes que somos, analisamos as coisas sempre a partir de uma
determinada perspectiva e, assim, passamos a atribuir-lhes valor. Dessa
maneira, até conceitos completamente opostos, como liberdade e escravidão,
podem se confundir ou de acordo com o prisma de quem analisa, tornarem-se
expressões sinônimas, como acontece no mundo distópico de George Orwell, 1984,
em que um dos lemas do partido – “Escravidão é Liberdade” – é repetido à
exaustão.
Não à toa, as boas distopias têm como grande valor predizer
o futuro. E em todas elas – 1984, Admirável Mundo Novo, Fahrenheit 451, Laranja
Mecânica – há um ponto em comum: a liberdade dos indivíduos é tolhida e,
consequentemente, convertida em escravidão. No entanto, através de mecanismos
sócio-políticos a escravidão é ressignificada como liberdade, de modo que mesmo
tendo a sua liberdade cerceada, os indivíduos entendem gozarem plenamente
desta.
Nas histórias supracitadas, embora a maior parte da
população esteja acomodada e aceite com enorme facilidade absurdos, existem
indivíduos que se permitem compreender as suas reais situações e ousam lutar
contra a ordem estabelecida. Esse processo é, todavia, extremamente doloroso,
uma vez que é muito mais fácil se acomodar a enfrentar a realidade e todas as
consequências dolorosas que enfrentamos invariavelmente quando decidimos sair
da caverna, para lembrar Platão.
Posto isso, há de se considerar que ser verdadeiramente
livre requer a responsabilidade de encarar o mundo sem fantasias, ou seja, tal
como ele é. Dessa forma, existe no homem grande suscetibilidade a aceitar o
irreal como real, a fantasia como verdade, a Matrix como o mundo real. Sim,
Matrix é um grande exemplo do medo que possuímos de encarar a realidade. No
personagem de Cypher (Joe Pantoliano) encontramos o maior expoente desse
comodismo, já que sendo a realidade um mundo destruído, um caos constante, é
muito melhor viver na Matrix, onde ele “pode ser o que quiser”, ainda que não
passe de uma grande mentira.
Em outras palavras, Cypher representa a ideia de que sendo a
realidade algo tão assustador, a ignorância é uma benção, pois sendo ignorante,
pode-se comprar mentiras como verdades facilmente, bem como, aceitar a Matrix
como realidade e a escravidão como liberdade.
As realidades apresentadas no mundo das artes (ficções, que
ironia), refletem a nossa própria realidade, em que, assim como Cypher, temos
preferido viver vidas fantasiosas, cercadas de superficialidade e aparências,
determinadas pelo hedonismo da sociedade de consumo e, consequentemente, o
nosso egoísmo ganancioso buscando galopantemente realizar todos os desejos que
impedem de acordarmos de um sonho ridículo.
Apesar de tudo isso, pode-se considerar que de fato é melhor
ser um escravo feliz do que um ser livre, triste, inconformado e amedrontado.
No entanto, a problemática ganha corpo na medida em que se entende que há
coisas que só podem ser feitas sendo o sujeito livre, uma vez que a gaiola é
sempre limitadora, sobretudo, aos desejos mais intrínsecos e, portanto, mais
latentes e verdadeiros no ser. Assim, por mais que a escravidão seja ressignificada,
fantasiada e “transformada” em liberdade, sempre haverá pontos em que o
indivíduo sentirá necessidade de alçar voos mais altos, os quais, obviamente,
não poderão ser realizados, haja vista a limitação das gaiolas, o que implica a
insatisfação, ainda que tardia, da condição escrava em que o indivíduo se
encontra.
Sendo assim, constatamos que “O medo de ser livre provoca o
orgulho em ser escravo”, posto que para gozar a liberdade é preciso coragem
para se arriscar no terreno das incertezas e da luta. E, assim, temos preferido
permanecer na caverna, orgulhosos das nossas sombras, já que lembrando outra
vez Dostoiévski – “As gaiolas são o lugar onde as certezas moram”. Entretanto,
como disse, mais hora, menos hora, nos enxergamos e percebemos que o que nos
circunda é falso, de tal maneira que desejamos sair, correr, voar, ser livres.
O grande problema nisso é que quando se acostuma a viver em
uma gaiola, quando se é livre perde-se a capacidade de voar, pois as correntes
que nos prendem são criadas pelas nossas mentes, de forma que mesmo fora da
caverna, continuamos prisioneiros de uma mente que se acostumou a ser covarde e
preferiu acreditar na contradição de que ser escravo era o maior ato de
liberdade.
ERICK MORAIS
Um menestrel caminhando pelas ruas solitárias da vida.
fonte : © obvious:
http://obviousmag.org/genialmente_louco/2017/o-medo-de-ser-livre-provoca-o-orgulho-em-ser-escravo.html#ixzz4YUIlPGzg
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
“Pode-se medir nosso
grau de barbárie ou civilização por como percebemos e acolhemos os outros, os
diferentes. Os bárbaros são os que consideram que os outros, porque não se
parecem com eles, pertencem a uma humanidade inferior e merecem ser tratados
com desprezo ou condescendência", Tzvetan Todorov 2008.
NENHUM DIREITO A MENOS! MAIS EDUCAÇÃO, MENOS GOLPE!
A partir de hoje, cada jovem estudante do ensino médio
brasileiro terá acesso a apenas um quinto do conhecimento a quem tem direito
garantido em lei; a partir de hoje esses jovens e suas escolas viverão a farsa
do ensino em tempo integral, que atenderá a menos de 4% da matrícula e com a
manutenção das condições precárias em que se encontram suas escolas. Os jovens
das escolas públicas, a partir de hoje, estarão em condições ainda mais
desiguais de conseguir uma vaga no ensino superior; e viverão também a farsa da
formação técnica e profissional, que se dará de forma aligeirada e dissociada
da formação científica básica. A partir de hoje, os professores e professoras
do ensino médio terão que dar aulas em ainda mais escolas, para completar a
carga horária devido ao parcelamento do currículo em cinco itinerários
formativos. Em contrapartida, a partir de hoje, assistiremos ao regozijo do
setor privado com a oferta de cursos técnicos, precários, mas bem remunerados.
E com a oferta de cursos a distância que vão substituir parte da formação
presencial. A partir de hoje veremos o vale-tudo na formação de professores com
a habilitação para docência por “notório saber”, e, com isso, cada vez mais o
enfraquecimento da carreira docente. Enterra-se, na data de hoje, qualquer
possibilidade de uma educação escolar pública para a juventude brasileira,
sobretudo para aquela mais empobrecida e periférica, que já sofre com o descaso
da sociedade e do Estado. Nada a comemorar, nesta data de 08 de fevereiro de
2017, em que o Senado Federal vota a Medida Provisória 746/PLV 34/16, a reforma
do ensino médio proposta pelo governo Temer, que desfere assim um duro golpe na
educação brasileira, golpe atestado pelo parecer do Procurador Geral da
República em ação direta de inconstitucionalidade, que sustenta que a medida
provisória não atende aos pressupostos de urgência e relevância, como exige a
Constituição Federal.
Monica Ribeiro
Mais uma denúncia contra a família Barros. O Ministro da
Saúde, Ricardo Barros, adquiriu milionário latifúndio para se beneficiar do
Contorno Sul na região de Maringá. O golpe ascendeu ainda mais a
"nepocracia", a oligarquia do nepotismo ao poder. O Paraná apresenta
uma das políticas mais corruptas e escandalosas do Brasil, enquanto seus
juristas aplicam golpes políticos em Brasília e vivem de holofotes midiáticos.
Falar no golpe é falar nas famílias apoiadoras. Bolsonaro e seu filho, que não
votou no pai e ficaram com medo da Papuda. Rodrigo Maia e seu
"sogrão" Moreira Franco denunciados toda semana. No Senado se cheira
nepotismo pra todo lado, Eunício e Lobão dariam teses de doutorado sobre o
fenômeno e sobem, novamente, ao máximo poder. Daí o Marco Aurélio Mello do STF,
primo do Collor, resolve afastar o filho do Crivella da prefeitura do RJ, e os
outros milhares de casos de flagrantes nepotismos impunes no país do golpe ?
RCO
O caos no Espírito Santo não é uma exceção, nem acidente, nem
anomia, mas a própria realização do modelo de ajuste da política social
golpista. A ponte para o futuro começara antes por lá. O modelo de
administração pública do Espírito Santo era recomendado como o modelo de gestão
por excelência da aliança PMDB-PSDB, muito elogiado pela mídia oligárquica.
Cortem investimentos na educação, saúde e segurança para o Brasil inteiro virar
um caos. Governador Paulo Hartung (PMDB), vice Cesar Colnago (PSDB), senadores
Rose de Freitas (PMDB), Magno Malta (PR) e Ricardo Ferraço (PSDB). Um time de
parabéns pela materialização do horror golpista no ES e se continuar assim o
amanhã de todo Brasil, com a aprovação da PEC55 do "fim do mundo"
social, instabilidade e inseguranças patrocinadas pelo golpista Temer e seus apoiadores
cúmplices.
RCO
Prossegue o golpe de Temer, do PMDB-DEM-PSDB. A destrutiva
MP746 foi aprovada ontem contra o ensino médio no Senado. Os trabalhadores da
segurança e policiais é que protestaram ontem no Congresso contra a tragédia da
reforma da previdência. Em uma sociedade democrática os protestos e
manifestações são essenciais. Os setores militares também estão profundamente
descontentes, quem lembra da Revolução dos Cravos, na redemocratização de
Portugal, em 1974 ? Os golpistas perdem apoios todo dia. Toda manifestação deve
ser pacífica e constitucional. Precisamos da CUT, Nova Central Sindical,
Conlutas, movimento docente, movimento estudantil, movimentos sociais, MST,
MTST, juventude, em Brasília, ao lado desses movimentos, como não vimos ontem.
Todos juntos, o povo unido pela democracia nunca mais será vencido.
RCO
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017
O Alexandre de Moraes, cogitado para o STF, representa de
maneira perfeita a completa indigência moral do PSDB de São Paulo, a falência
ética do atual direito, do ministério público e de todo sistema judicial,
também ilustra o colapso completo da política de segurança, da justiça e do
sistema prisional, com o fracasso completo do desgoverno golpista de Temer de
maneira total. Caso indicado será importante fator para a convocação de
referendos populares, ou uma nova constituinte, para a reformulação completa do
judiciário, suas remunerações acima do teto constitucional e a dissolução do
atual STF golpista por total falta de decoro político-institucional. Um
plebiscito popular deve ser convocado para a população decidir sobre este tipo
de poder judiciário atualmente existente.
RCO
A Universidade Federal do Paraná vergonhosamente contribuiu
no golpe de 1964 e no de 2016. No golpe de 1964 com o reitor e ministro da
educação autoritário Flavio Suplicy de Lacerda. No golpe de 2016 com seus
juristas oportunistas, seletivos, ativistas da perseguição política
conservadora e sua justiça golpista, desequilibrada na forma de lawfare. A
farsa a jato, o STF acovardado e golpista, como podemos constatar novamente,
merecem o repúdio e a crítica de todos os democratas. A democracia e a
liberdade são objetivos permanentes. Sociedades mais desenvolvidas,
democráticas e justas são sociedades sem golpes. Golpes políticos só ocorrem em
sociedades autoritárias, desiguais e atrasadas. Qualquer golpe sempre termina
com muitos piores problemas e prejuízos do que quando começou, como podemos
observar na história da América Latina, Ásia, África e Europa do Sul. Golpes
sempre causam profundas vergonhas históricas, quebras nos valores democráticos
e fracassos institucionais difíceis de serem reparados.
RCO
domingo, 5 de fevereiro de 2017
1936: "Tempos Modernos" chega às telas
Em 5 de fevereiro de 1936, Charlie Chaplin lançou
"Tempos Modernos" em pré-estreia nos EUA. Ele dirigiu o filme e
interpretou o papel principal. Na Alemanha e na Itália, a película "de
tendência comunista" foi proibida.
Na comédia Tempos Modernos, o autor, diretor e ator Charles
Spencer Chaplin parodiava as facetas nefastas da crise econômica mundial e da
nova fase da industrialização. Gente lutando contra máquinas, a exploração, a
necessidade extrema. No centro da história, alguém tenta sobreviver aos
difíceis tempos: um vagabundo, com chapéu-coco, bigode, sapatos enormes e
bengala.
Devido a seus filmes de humor sofisticado, Charlie Chaplin
pode ser considerado ainda hoje o comediante mais famoso de todos os tempos do
cinema. Ele negava, porém, a imagem que faziam dele em função de seu trabalho.
"As pessoas dizem que sou uma pessoa alegre. Não sou de
jeito algum. Sou um homem bem sério. Com frequência não sei como devo expressar
alguma coisa. Por isso meus filmes são sempre tão longos. E o mais difícil é
dar-lhes a aparência de simples."
Marco cinematográfico
Chaplin precisou de quatro anos para concluir Tempos
Modernos. O filme tornou-se um momento de ruptura em sua carreira. Pela última
vez, o artista levava para as telas seu legendário vagabundo. E este entrou
para a história do cinema como seu derradeiro filme mudo.
Há tempos as películas haviam ganhado falas. Mesmo assim,
Chaplin confiou mais uma vez em sua muda arte da pantomima, restringindo a
sonorização à música e efeitos sonoros. Somente um personagem podia falar: o
dono da fábrica, que vigiava seus operários através de uma gigantesca parede de
projeção.
"Pavilhão Número 5 está trabalhando muito devagar!
Dobrem a velocidade! Capataz, os parafusos estão frouxos demais. Verifique o
que está acontecendo! Ei, aqui não é lugar de se fumar, mas para
trabalhar!", ditava ordens o patrão, interpretado por Alan Garcia.
Cenas inesquecíveis
O pequeno vagabundo, auxiliar na linha de montagem, aperta
os parafusos muito devagar. De repente, fica preso numa peça na esteira rolante
e é arrastado para dentro de uma enorme engrenagem da máquina. Mais uma cena de
Chaplin que entrou para a história do cinema. Tempos Modernos é antes uma
sequência de cenas engraçadas isoladas do que grande roteiro dramático.
"Bom dia, meus senhores e minhas senhoras, aqui fala o
vendedor automático. Eu tenho a honra de apresentar-lhes o Sr. John Billows,
inventor da máquina automática de alimentação. O aparelho é uma invenção genial
para se comer automaticamente. Os senhores economizam o intervalo do almoço e
dão um golpe na concorrência", anuncia a nova máquina.
Mas golpe mesmo sofre apenas o pequeno vagabundo. Testada
tendo justamente ele como cobaia, a máquina de dar de comer sai fora do
controle, dá um banho de sopa nele, alimenta-o com parafusos e o surra com o
mecanismo que deveria limpar sua boca. O público na pré-estreia, em 5 de
fevereiro de 1936, no cinema Rivoli de Nova York, fica deslumbrado.
A música de Tempos Modernos também deve-se às ideias de
Chaplin. Sua voz igualmente pode ser ouvida no filme. Num restaurante, o
pequeno vagabundo deve entreter os fregueses com uma canção. No momento
decisivo, ele esquece a letra, canta algo absurdo, improvisado, misturando
idiomas, e vai de novo para a rua. Mais um trabalho sem sucesso.
Mensagem política ou pura diversão?
"Eu acho que passar mensagens é muito problemático.
Elas podem ser indignas. Podem até mesmo serem ridículas. Não acredito em
mensagens", comentou certa vez ao falar de Tempos Modernos.
Chaplin não via seu último filme mudo como uma sátira
política, mas como entretenimento. Mesmo assim, o governo americano sentiu-se
incomodado, assim como os governos nazista da Alemanha e fascista da Itália,
que proibiram a exibição da película. Após novos filmes e anos de atritos com o
governo dos EUA, o artista britânico deixou o país que escolhera para viver,
retornando à Europa.
Somente décadas depois Hollywood reconheceria o mérito das
obras do criador do vagabundo. Em 1971, Chaplin, já com 83 anos, recebeu um
Oscar por sua "incalculável contribuição ao cinema".
Autoria Catrin Möderler (mw)
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A classe dominante historicamente também exerce o quase
completo monopólio do controle político das emoções populares e exige
exclusividade na direção política do domínio emocional popular. A grande mídia
seleciona quais emoções podem interessar ao seu domínio político, quais mortes
podem ser homenageadas e quais são lucrativas e comercializáveis. A morte de
Lily Marinho foi muito mais noticiada do que a de Marisa Lula da Silva, ainda
que as diferenças políticas das duas tenham sido imensamente grande desde suas
trajetórias, status e inserções ideológicas. As origens sociais determinam os
direitos. O único direito do trabalhador pobre é não ter os mesmos direitos já
assegurados por nascimento aos dominantes. Lula nunca poderia ter participado
autonomamente da política, nunca poderia ter sido eleito, nunca poderia andar
de avião presidencial, nunca poderia frequentar hotéis, restaurantes, hospitais
de ricos. Lula nunca poderia denunciar politicamente a nojenta perseguição
judicial extralegal contra sua família, Lula nunca poderia denunciar
politicamente os facínoras da medicina, da mídia e do judiciário, uma vez que é
um sem-mídia, uma vítima eterna da mídia burguesa. Lula não poderia e nem
deveria falar, jamais poderia emitir posições políticas, ter voz, nem no
enterro de Letícia, nem no de Chico Mendes, ou de qualquer liderança popular.
Somente a toda poderosa Globo pode definir rituais televisivos de morte, pode
monopolizar centenas de horas nas coberturas de seus esportistas, cantores e
políticos lucrativos e funcionais aos interesses do marketing da mídia
dominante. Novamente, jamais haverá democracia no Brasil sem a democratização e
despartidarização da grande indústria da mídia golpista brasileira, a mesma
surgida na ditadura militar e o tempo todo amparada politicamente de dentro do
Estado, pelos grupos mais reacionários da classe dominante brasileira.
Ricardo Costa de Oliveira
sábado, 4 de fevereiro de 2017
A política hoje em dia, em todas as suas instâncias, sofre
um processo crescente de carnavalização. Ou seja, é o simulacro do simulacro do
simulacro, onde são seus atores, os ditos políticos profissionais, que parodiam
o povo, o criticam e o ridicularizam.
A categorização da classe artística como vagabunda, sendo
que é a arte, a partir dos elementos culturais, que constantemente redefine e
critica a noção de identidade, é própria de um sistema carnavalizado pelo poder
onde numa oficial democracia o voto do cidadão é deslegitimado.
A metáfora mais propícia da carnavalização política é um Rei
Momo de uma província qualquer, que ao ser coroado, decreta a extinção do
Carnaval.
Ricardo Alejandro Pozzo
Lava a Jato e Súmula Vinculante 13 do STF como enganações
politiqueiras. Para entender a profunda hipocrisia, golpismo e reacionarismo
jurídico-político no Brasil é necessário entender o país, que cria medida
jurídico-política no pseudo combate a grave problema, sempre com a intenção de
piorar, promover e dar o máximo poder ao mesmo problema. Enquanto finge
ideologicamente combater e regular o problema, a medida só aumenta o poder do
próprio problema, sem nenhuma mudança institucional. A farsa a jato alegava
combater a corrupção seletivamente e só piorou a cultura da impunidade na
corrupção do Brasil. Lava a jato faz parte do golpe jurídico-político, que só
promoveu os piores,Temer e seus golpistas, acusados das piores corrupções ao
poder executivo e legislativo. Ontem mesmo foi indicado o novo relator Fachin e
o investigado Moreira Franco, o angorá, foi imediatamente promovido a ministro,
com foro privilegiado e ninguém do STF golpista interveio, o que significa que
o apoiaram em mais um golpe sucessivo. Da mesma maneira a Súmula 13 procurava
combater o nepotismo e só promoveu milhares de nepotes ao poder máximo, nos
cargos de primeiro escalão, onde são protegidos para sempre nos seus nepotismos
achacadores da administração pública brasileira. Combater a corrupção
promovendo, aumentando o poder dos mais notórios políticos corruptos e partidos
corruptos da república é a façanha programada do golpe a jato. Corruptos no
poder sem um único voto presidencial. Enganação total mais uma vez revestida de
manipulação midiática enquanto a situação só vai piorando...
RCO
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