domingo, 12 de fevereiro de 2017
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
“Pode-se medir nosso
grau de barbárie ou civilização por como percebemos e acolhemos os outros, os
diferentes. Os bárbaros são os que consideram que os outros, porque não se
parecem com eles, pertencem a uma humanidade inferior e merecem ser tratados
com desprezo ou condescendência", Tzvetan Todorov 2008.
NENHUM DIREITO A MENOS! MAIS EDUCAÇÃO, MENOS GOLPE!
A partir de hoje, cada jovem estudante do ensino médio
brasileiro terá acesso a apenas um quinto do conhecimento a quem tem direito
garantido em lei; a partir de hoje esses jovens e suas escolas viverão a farsa
do ensino em tempo integral, que atenderá a menos de 4% da matrícula e com a
manutenção das condições precárias em que se encontram suas escolas. Os jovens
das escolas públicas, a partir de hoje, estarão em condições ainda mais
desiguais de conseguir uma vaga no ensino superior; e viverão também a farsa da
formação técnica e profissional, que se dará de forma aligeirada e dissociada
da formação científica básica. A partir de hoje, os professores e professoras
do ensino médio terão que dar aulas em ainda mais escolas, para completar a
carga horária devido ao parcelamento do currículo em cinco itinerários
formativos. Em contrapartida, a partir de hoje, assistiremos ao regozijo do
setor privado com a oferta de cursos técnicos, precários, mas bem remunerados.
E com a oferta de cursos a distância que vão substituir parte da formação
presencial. A partir de hoje veremos o vale-tudo na formação de professores com
a habilitação para docência por “notório saber”, e, com isso, cada vez mais o
enfraquecimento da carreira docente. Enterra-se, na data de hoje, qualquer
possibilidade de uma educação escolar pública para a juventude brasileira,
sobretudo para aquela mais empobrecida e periférica, que já sofre com o descaso
da sociedade e do Estado. Nada a comemorar, nesta data de 08 de fevereiro de
2017, em que o Senado Federal vota a Medida Provisória 746/PLV 34/16, a reforma
do ensino médio proposta pelo governo Temer, que desfere assim um duro golpe na
educação brasileira, golpe atestado pelo parecer do Procurador Geral da
República em ação direta de inconstitucionalidade, que sustenta que a medida
provisória não atende aos pressupostos de urgência e relevância, como exige a
Constituição Federal.
Monica Ribeiro
Mais uma denúncia contra a família Barros. O Ministro da
Saúde, Ricardo Barros, adquiriu milionário latifúndio para se beneficiar do
Contorno Sul na região de Maringá. O golpe ascendeu ainda mais a
"nepocracia", a oligarquia do nepotismo ao poder. O Paraná apresenta
uma das políticas mais corruptas e escandalosas do Brasil, enquanto seus
juristas aplicam golpes políticos em Brasília e vivem de holofotes midiáticos.
Falar no golpe é falar nas famílias apoiadoras. Bolsonaro e seu filho, que não
votou no pai e ficaram com medo da Papuda. Rodrigo Maia e seu
"sogrão" Moreira Franco denunciados toda semana. No Senado se cheira
nepotismo pra todo lado, Eunício e Lobão dariam teses de doutorado sobre o
fenômeno e sobem, novamente, ao máximo poder. Daí o Marco Aurélio Mello do STF,
primo do Collor, resolve afastar o filho do Crivella da prefeitura do RJ, e os
outros milhares de casos de flagrantes nepotismos impunes no país do golpe ?
RCO
O caos no Espírito Santo não é uma exceção, nem acidente, nem
anomia, mas a própria realização do modelo de ajuste da política social
golpista. A ponte para o futuro começara antes por lá. O modelo de
administração pública do Espírito Santo era recomendado como o modelo de gestão
por excelência da aliança PMDB-PSDB, muito elogiado pela mídia oligárquica.
Cortem investimentos na educação, saúde e segurança para o Brasil inteiro virar
um caos. Governador Paulo Hartung (PMDB), vice Cesar Colnago (PSDB), senadores
Rose de Freitas (PMDB), Magno Malta (PR) e Ricardo Ferraço (PSDB). Um time de
parabéns pela materialização do horror golpista no ES e se continuar assim o
amanhã de todo Brasil, com a aprovação da PEC55 do "fim do mundo"
social, instabilidade e inseguranças patrocinadas pelo golpista Temer e seus apoiadores
cúmplices.
RCO
Prossegue o golpe de Temer, do PMDB-DEM-PSDB. A destrutiva
MP746 foi aprovada ontem contra o ensino médio no Senado. Os trabalhadores da
segurança e policiais é que protestaram ontem no Congresso contra a tragédia da
reforma da previdência. Em uma sociedade democrática os protestos e
manifestações são essenciais. Os setores militares também estão profundamente
descontentes, quem lembra da Revolução dos Cravos, na redemocratização de
Portugal, em 1974 ? Os golpistas perdem apoios todo dia. Toda manifestação deve
ser pacífica e constitucional. Precisamos da CUT, Nova Central Sindical,
Conlutas, movimento docente, movimento estudantil, movimentos sociais, MST,
MTST, juventude, em Brasília, ao lado desses movimentos, como não vimos ontem.
Todos juntos, o povo unido pela democracia nunca mais será vencido.
RCO
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017
O Alexandre de Moraes, cogitado para o STF, representa de
maneira perfeita a completa indigência moral do PSDB de São Paulo, a falência
ética do atual direito, do ministério público e de todo sistema judicial,
também ilustra o colapso completo da política de segurança, da justiça e do
sistema prisional, com o fracasso completo do desgoverno golpista de Temer de
maneira total. Caso indicado será importante fator para a convocação de
referendos populares, ou uma nova constituinte, para a reformulação completa do
judiciário, suas remunerações acima do teto constitucional e a dissolução do
atual STF golpista por total falta de decoro político-institucional. Um
plebiscito popular deve ser convocado para a população decidir sobre este tipo
de poder judiciário atualmente existente.
RCO
A Universidade Federal do Paraná vergonhosamente contribuiu
no golpe de 1964 e no de 2016. No golpe de 1964 com o reitor e ministro da
educação autoritário Flavio Suplicy de Lacerda. No golpe de 2016 com seus
juristas oportunistas, seletivos, ativistas da perseguição política
conservadora e sua justiça golpista, desequilibrada na forma de lawfare. A
farsa a jato, o STF acovardado e golpista, como podemos constatar novamente,
merecem o repúdio e a crítica de todos os democratas. A democracia e a
liberdade são objetivos permanentes. Sociedades mais desenvolvidas,
democráticas e justas são sociedades sem golpes. Golpes políticos só ocorrem em
sociedades autoritárias, desiguais e atrasadas. Qualquer golpe sempre termina
com muitos piores problemas e prejuízos do que quando começou, como podemos
observar na história da América Latina, Ásia, África e Europa do Sul. Golpes
sempre causam profundas vergonhas históricas, quebras nos valores democráticos
e fracassos institucionais difíceis de serem reparados.
RCO
domingo, 5 de fevereiro de 2017
1936: "Tempos Modernos" chega às telas
Em 5 de fevereiro de 1936, Charlie Chaplin lançou
"Tempos Modernos" em pré-estreia nos EUA. Ele dirigiu o filme e
interpretou o papel principal. Na Alemanha e na Itália, a película "de
tendência comunista" foi proibida.
Na comédia Tempos Modernos, o autor, diretor e ator Charles
Spencer Chaplin parodiava as facetas nefastas da crise econômica mundial e da
nova fase da industrialização. Gente lutando contra máquinas, a exploração, a
necessidade extrema. No centro da história, alguém tenta sobreviver aos
difíceis tempos: um vagabundo, com chapéu-coco, bigode, sapatos enormes e
bengala.
Devido a seus filmes de humor sofisticado, Charlie Chaplin
pode ser considerado ainda hoje o comediante mais famoso de todos os tempos do
cinema. Ele negava, porém, a imagem que faziam dele em função de seu trabalho.
"As pessoas dizem que sou uma pessoa alegre. Não sou de
jeito algum. Sou um homem bem sério. Com frequência não sei como devo expressar
alguma coisa. Por isso meus filmes são sempre tão longos. E o mais difícil é
dar-lhes a aparência de simples."
Marco cinematográfico
Chaplin precisou de quatro anos para concluir Tempos
Modernos. O filme tornou-se um momento de ruptura em sua carreira. Pela última
vez, o artista levava para as telas seu legendário vagabundo. E este entrou
para a história do cinema como seu derradeiro filme mudo.
Há tempos as películas haviam ganhado falas. Mesmo assim,
Chaplin confiou mais uma vez em sua muda arte da pantomima, restringindo a
sonorização à música e efeitos sonoros. Somente um personagem podia falar: o
dono da fábrica, que vigiava seus operários através de uma gigantesca parede de
projeção.
"Pavilhão Número 5 está trabalhando muito devagar!
Dobrem a velocidade! Capataz, os parafusos estão frouxos demais. Verifique o
que está acontecendo! Ei, aqui não é lugar de se fumar, mas para
trabalhar!", ditava ordens o patrão, interpretado por Alan Garcia.
Cenas inesquecíveis
O pequeno vagabundo, auxiliar na linha de montagem, aperta
os parafusos muito devagar. De repente, fica preso numa peça na esteira rolante
e é arrastado para dentro de uma enorme engrenagem da máquina. Mais uma cena de
Chaplin que entrou para a história do cinema. Tempos Modernos é antes uma
sequência de cenas engraçadas isoladas do que grande roteiro dramático.
"Bom dia, meus senhores e minhas senhoras, aqui fala o
vendedor automático. Eu tenho a honra de apresentar-lhes o Sr. John Billows,
inventor da máquina automática de alimentação. O aparelho é uma invenção genial
para se comer automaticamente. Os senhores economizam o intervalo do almoço e
dão um golpe na concorrência", anuncia a nova máquina.
Mas golpe mesmo sofre apenas o pequeno vagabundo. Testada
tendo justamente ele como cobaia, a máquina de dar de comer sai fora do
controle, dá um banho de sopa nele, alimenta-o com parafusos e o surra com o
mecanismo que deveria limpar sua boca. O público na pré-estreia, em 5 de
fevereiro de 1936, no cinema Rivoli de Nova York, fica deslumbrado.
A música de Tempos Modernos também deve-se às ideias de
Chaplin. Sua voz igualmente pode ser ouvida no filme. Num restaurante, o
pequeno vagabundo deve entreter os fregueses com uma canção. No momento
decisivo, ele esquece a letra, canta algo absurdo, improvisado, misturando
idiomas, e vai de novo para a rua. Mais um trabalho sem sucesso.
Mensagem política ou pura diversão?
"Eu acho que passar mensagens é muito problemático.
Elas podem ser indignas. Podem até mesmo serem ridículas. Não acredito em
mensagens", comentou certa vez ao falar de Tempos Modernos.
Chaplin não via seu último filme mudo como uma sátira
política, mas como entretenimento. Mesmo assim, o governo americano sentiu-se
incomodado, assim como os governos nazista da Alemanha e fascista da Itália,
que proibiram a exibição da película. Após novos filmes e anos de atritos com o
governo dos EUA, o artista britânico deixou o país que escolhera para viver,
retornando à Europa.
Somente décadas depois Hollywood reconheceria o mérito das
obras do criador do vagabundo. Em 1971, Chaplin, já com 83 anos, recebeu um
Oscar por sua "incalculável contribuição ao cinema".
Autoria Catrin Möderler (mw)
Link permanente http://dw.com/p/1p9N
A classe dominante historicamente também exerce o quase
completo monopólio do controle político das emoções populares e exige
exclusividade na direção política do domínio emocional popular. A grande mídia
seleciona quais emoções podem interessar ao seu domínio político, quais mortes
podem ser homenageadas e quais são lucrativas e comercializáveis. A morte de
Lily Marinho foi muito mais noticiada do que a de Marisa Lula da Silva, ainda
que as diferenças políticas das duas tenham sido imensamente grande desde suas
trajetórias, status e inserções ideológicas. As origens sociais determinam os
direitos. O único direito do trabalhador pobre é não ter os mesmos direitos já
assegurados por nascimento aos dominantes. Lula nunca poderia ter participado
autonomamente da política, nunca poderia ter sido eleito, nunca poderia andar
de avião presidencial, nunca poderia frequentar hotéis, restaurantes, hospitais
de ricos. Lula nunca poderia denunciar politicamente a nojenta perseguição
judicial extralegal contra sua família, Lula nunca poderia denunciar
politicamente os facínoras da medicina, da mídia e do judiciário, uma vez que é
um sem-mídia, uma vítima eterna da mídia burguesa. Lula não poderia e nem
deveria falar, jamais poderia emitir posições políticas, ter voz, nem no
enterro de Letícia, nem no de Chico Mendes, ou de qualquer liderança popular.
Somente a toda poderosa Globo pode definir rituais televisivos de morte, pode
monopolizar centenas de horas nas coberturas de seus esportistas, cantores e
políticos lucrativos e funcionais aos interesses do marketing da mídia
dominante. Novamente, jamais haverá democracia no Brasil sem a democratização e
despartidarização da grande indústria da mídia golpista brasileira, a mesma
surgida na ditadura militar e o tempo todo amparada politicamente de dentro do
Estado, pelos grupos mais reacionários da classe dominante brasileira.
Ricardo Costa de Oliveira
sábado, 4 de fevereiro de 2017
A política hoje em dia, em todas as suas instâncias, sofre
um processo crescente de carnavalização. Ou seja, é o simulacro do simulacro do
simulacro, onde são seus atores, os ditos políticos profissionais, que parodiam
o povo, o criticam e o ridicularizam.
A categorização da classe artística como vagabunda, sendo
que é a arte, a partir dos elementos culturais, que constantemente redefine e
critica a noção de identidade, é própria de um sistema carnavalizado pelo poder
onde numa oficial democracia o voto do cidadão é deslegitimado.
A metáfora mais propícia da carnavalização política é um Rei
Momo de uma província qualquer, que ao ser coroado, decreta a extinção do
Carnaval.
Ricardo Alejandro Pozzo
Lava a Jato e Súmula Vinculante 13 do STF como enganações
politiqueiras. Para entender a profunda hipocrisia, golpismo e reacionarismo
jurídico-político no Brasil é necessário entender o país, que cria medida
jurídico-política no pseudo combate a grave problema, sempre com a intenção de
piorar, promover e dar o máximo poder ao mesmo problema. Enquanto finge
ideologicamente combater e regular o problema, a medida só aumenta o poder do
próprio problema, sem nenhuma mudança institucional. A farsa a jato alegava
combater a corrupção seletivamente e só piorou a cultura da impunidade na
corrupção do Brasil. Lava a jato faz parte do golpe jurídico-político, que só
promoveu os piores,Temer e seus golpistas, acusados das piores corrupções ao
poder executivo e legislativo. Ontem mesmo foi indicado o novo relator Fachin e
o investigado Moreira Franco, o angorá, foi imediatamente promovido a ministro,
com foro privilegiado e ninguém do STF golpista interveio, o que significa que
o apoiaram em mais um golpe sucessivo. Da mesma maneira a Súmula 13 procurava
combater o nepotismo e só promoveu milhares de nepotes ao poder máximo, nos
cargos de primeiro escalão, onde são protegidos para sempre nos seus nepotismos
achacadores da administração pública brasileira. Combater a corrupção
promovendo, aumentando o poder dos mais notórios políticos corruptos e partidos
corruptos da república é a façanha programada do golpe a jato. Corruptos no
poder sem um único voto presidencial. Enganação total mais uma vez revestida de
manipulação midiática enquanto a situação só vai piorando...
RCO
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017
Fahrenheit 451
(...) Gosto de
observar as pessoas. Às vezes ando de metrô o dia todo e fico olhando e ouvindo
o que elas dizem. Tento imaginar quem são e o que querem e para onde vão [...]
Às vezes ando de mansinho pelo metrô só para ficar escutando. Ou fico à escuta
nos bebedouros de refrigerantes, e sabe de uma coisa?
— O quê?
— As pessoas não conversam sobre nada.
— Ah, elas devem falar de alguma coisa!
— Não, de nada. O que mais falam é de marcas de carros ou
roupas ou piscinas e dizem: "Que legal!".
Mas todos dizem a mesma coisa e ninguém diz nada diferente
de ninguém.
Do romance "Fahrenheit 451" de Ray Bradbury
Que o ódio absurdo, injustificado, desumano que hoje aflorou
de maneira virulenta abra os olhos daqueles que ainda não perceberam que a
sociedade brasileira está em franco processo de deterioração, caminhando a
passos largos para o conflito final.
O monstro criado para odiar a esquerda - personificada em
Lula - está fora de controle.
Em nome desse ódio já perdemos a democracia, soberania,
direitos, renda e empregos e hoje perdemos qualquer esperança de reconciliação
com esses zumbis teleguiados que abdicaram da mínima decência.
Nos preparemos então para o inevitável, para o desfecho amargo
dessa ópera bufa.
Se tivermos sorte, que o embate seja no campo das ideias, da
política. Se não, que seja como tiver que ser; mas não entregaremos, sem
resistência, o futuro de nossos filhos na mão desses monstros.
Fernando Lopez
terça-feira, 31 de janeiro de 2017
Uma tese de doutorado sobre Mano Brown e a periferia
Ricardo Costa de Oliveira...........“A Periferia Pede
Passagem: Trajetória social e Intelectual de Mano Brown”. Filho de pai porteiro
e mãe diarista, o sociólogo cresceu numa Cohab... Precisamos de mais
intelectuais, teses e sociólogos de origens populares porque a sua sociologia
poderá ser um olhar crítico e detalhado das realidades periféricas, populares e
subalternas. Interessante escolha de tema de pesquisa. O que leva um sociólogo a
escolher "livremente" um tema sempre é uma autobiografia na forma de
uma autossociologia do que se vive, do que incomoda, do que deve ser dito e
pesquisado. As dimensões de classe, etnia, gênero e principalmente ideologia
atuam de forma direta. O que se fala, como escolher um objeto, como se escreve,
o que se silencia, todas conceituações passam por estas categorias
estruturantes e ambiências vividas. Toda sociologia é profundamente política e
biográfica. Precisamos de sociólogos periféricos críticos, que jamais devem
esquecer a ideologia de uma sociologia oficial da ordem dominante, com alguns
pseudo formalismos e rigorismos, frutos de inseguranças sociais e políticas dos
que vieram mais de baixo na sociedade de classes, vítimas de preconceitos e que
procuram apenas o verniz uma sociologia importada, estrangeira e colonizada,
supostamente técnica, profissional, asséptica, uma ciência social acrítica e
defensora da ordem desigual. Todos sempre sentirão as pesadas influências e
heranças da própria condição humana, familiar, social, política e identitária
de qualquer cientista social. Origens já determinam em boa parte as atitudes,
os horizontes ideológicos de qualquer texto e mesmo a escolha do tema nas
ciências sociais. Na verdade é o objeto sociológico, o tema de pesquisa, que
também escolhe o sociólogo.
Uma tese de doutorado sobre Mano Brown e a periferia
“A Periferia Pede Passagem: Trajetória social e Intelectual
de Mano Brown”. Tese de doutorado explica que líder dos Racionais MC's é um
intelectual
Roseli Bregantin Advogada Com certeza, Professor, e por isso
é tão importante que o lugar de fala do pesquisador seja explícito, e não se
esconda atrás de um total distanciamento do objeto para que suas observações
ganhem status de isenção. Estudar é sempre uma forma racional de lidar com as
nossas paixões e incomodos.
Marcio Mittelbach Olha aí, Sandro F. Paim, sobre o q vc estava
tentando me dizer ontem...
Paulo Cesar Da Silva Acompanho a carreira do Mano desde o
início.E o nojo que a polícia tem dos negros e pobres?Notório na obra de
Mano,Eduardo e outros rappers!
Danilo Svirbul Vieira A academia ainda tem sua estrutura
baseada no elitismo intelectual daqueles que possuem os meios para alcançá-la.
A resistência intrínseca para aceitar intelectuais de origem
"marginal" sempre foi muito evidente, ainda mais por se tratar de um
núcleo do qual a residência é nativa das classes médias/altas. Ora, não se faz
pesquisador de barriga vazia, e sabemos como é difícil se manter vivo neste meio
sem as condições necessárias para um bom estudo, tendo que deliberar entre as
complicações de uma vida privada penosa e toda a carga de desconfiança dos
pares dentro da universidade. Que se façam mais destes pesquisadores, que se
quebrem esses paradigmas elitistas dos cursos (principalmente de humanas) e que
sociólogos de origens periféricas possam dar voz para aqueles que costumam ser
apenas um objeto de estudo distante.
Valeria Tuleski Prof., na sua frase sobre os sociólogos, a
questão é essa: Todo o cientista social sentirá as heranças que sofre em termos
de determinações culturais? DE minha parte, tão importante quanto teses de
doutorado que conseguem vir a público de uma maneira mais bem acabada, também
precisávamos de jornalistas que sabem dialogar com as CS. Tenho encontrado um
abismo entre uns e outros...
Valeria Tuleski A frase é: Todos sempre sentirão as pesadas
influências e heranças da própria condição humana, familiar, social, política e
identitária de qualquer cientista social. Desculpe-me a confusão.
terça-feira, 24 de janeiro de 2017
Um sociólogo norte-americano dos anos 50 já deu o
diagnóstico: com o deslocamento geográfico de um segmento da classe média
intelectualizada para os "campi" universitários, um setor importante
da esquerda, que varia de numero segundo a institucionalização do aparelho
burocrático-universitário de país para país, separou sua experiência de vida
quotidiana da grande massa da classe trabalhadora. Daí que surjam tantas
palavras de ordem e arroubos radicais dos quais a massa sequer toma
conhecimento. A pergunta que se coloca é: as redes sociais agravaram esse
fenômeno, insulando ainda mais os "liberals" do restante da população
comum, ou serviram para "reconectar" as camadas médias liberais com o
duro e sofrido cotidiano do cidadão comum? Talvez esteja aí a fonte do famoso
"mal-estar" com a democracia monitorada que tantos ideólogos
sentem...
Sérgio Soares Braga
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
Você possui algum parente preso ? Responda abaixo os 20
itens para saber a probabilidade social de ser preso e morto no Brasil.
Você possui algum parente ganhando até um salário mínimo ?
Você possui algum parente migrante de regiões mais pobres e
do meio rural ?
Você possui algum parente pardo ou negro ?
Você é vítima de preconceitos e discriminações ?
Você possui algum parente morador em sub-habitações, na
periferia ou favela ?
Você não mora em bairro com mínima infraestrutura urbana ?
Você possui algum parente analfabeto ou com ensino
fundamental incompleto ?
Você possui algum parente evangélico ?
Você possui algum parente com histórico de violência e de
transgressões, desde a infância e adolescência ?
Você possui algum parente assassino e/ou assassinado,
cresceu entre corpos mortos ?
Você possui mãe e pai distantes ou separados ?
Você não cresceu com segurança física, emocional e ambientado
em uma tradição de inclusão ?
Você tem medo da polícia e das forças de segurança ?
Você nunca viu nenhuma escola, centro cultural, musical, de
esportes, ou lazer minimamente organizado e acessível ?
Você nunca possuiu referência de contato com carreiras
científicas ou tecnológicas ?
Você foi educado para sempre obedecer, ser submisso e ser
subalterno como modelo de vida ?
Você possui parentes desempregados e deve seguir ocupações
de baixa renda, baixa escolaridade e baixo prestígio social ?
Você não sabe o que são direitos humanos ?
Você não sabe o que é uma cultura cívica, nem valores
democráticos e nacionais ?
Você nunca teve direitos sociais e políticos plenos, nunca
teve cidadania ?
Ricardo Costa de Oliveira
domingo, 15 de janeiro de 2017
O PALÁCIO DE INVERNO
Muitos se dizem mais sábios na velhice:
a mim isso parece-me uma tolice.
No meu segundo quarto de século perdi
tudo o que na universidade aprendi.
E no que se passou depois, a minha mente nem pensa.
Já não conheço os que saem na imprensa
e as pessoas ofendem-se pois esqueço as suas caras
e juro que nunca estive em suas casas.
Valeria a pena se conseguisse eliminar
o que quer que seja que me começa a prejudicar.
E no final não saberei nada.
A minha mente encerrar-se-á como um campo, uma nevada.
- in Antología Poética, Cátedra, 2016.
Philip Larkin (1922-1985) poeta inglês.
Tradução :Fátima
Diogo .
a classe dominante tem um projeto
Embora as pessoas não reconheçam, a classe
dominante tem um projeto muito bem elaborado para o país (e o está aplicando
com bastante sucesso). Este projeto é o de acabar com a ideia de
desenvolvimentismo, ou seja, a ideia de que Estado deve induzir o
desenvolvimento, em detrimento de uma ideia de que o Estado deve garantir as
condições de funcionamento do mercado; acabar com a ideia de Estado de
bem-estar social, ou seja, que o Estado tem a função de garantir alguns
direitos sociais aos cidadãos - e, para isso, não estão preocupados com a
degradação da democracia -; e o retorno a um tipo de sociedade em que o Estado
tem a única função de garantir a segurança e o controle orçamentário. Esta
classe pretende acabar com a ideia de que os cidadãos têm qualquer direito a
ser garantido pelo Estado, para que o setor privado possa vir a suprir as
necessidades das pessoas e obter lucros com isso, e também que o Estado tem
qualquer função de administrar empresas públicas, que devem ser privatizadas.
Para que as pessoas possam adquirir planos de saúde, pagar pela educação e pela
previdência privada, enfim, tudo o que precisam, este projeto inclui o estímulo
à iniciativa privada, as pessoas devem abrir seus próprios negócios e assim se
dará a manutenção da economia. Os cortes dos gastos primários (sem contar os
juros da dívida) tem isso como objetivo, a única função do Estado é a segurança
e o pagamento dos juros da dívida pública, e, para pagá-los, o Estado deve
arrecadar impostos, que servirão apenas para isso, para o pagamento dos juros
para os detentores da dívida pública. Isso é o Consenso de Washington, uma
receita de desregulamentação financeira, em que é preconizado um conjunto de 10
medidas para o ajustamento econômico, e significa uma reconfiguração do
capital, que exige a disciplina fiscal, realinhamento dos gastos públicos, a liberalização
financeira, a liberalização comercial, a desregulamentação e a questão da
propriedade intelectual. Enfim, estamos em um momento em que os interesses
financeiros dominam todas as sociedades, que devem canalizar toda a arrecadação
para o sistema financeiro, e a sociedade acabar com toda a regulação e controle
do Estado para que os investidores privados possam atender às necessidades das
pessoas por meio da iniciativa privada. Por fim, não vemos resistência porque
para isso precisamos de uma classe trabalhadora forte, e a classe trabalhadora
se torna forte com a garantia e a proteção de direitos - sobretudo a garantia
de emprego, e com o crescimento da economia; com a política, ou seja, a disputa
do Estado através da organização de partidos políticos capazes de apresentar um
projeto e obter apoio de massa; e com a mobilização dos movimentos sociais. Não
há outro caminho para lidar com estas questões, mas a economia e as condições
de emprego estão degradadas, e a classe trabalhadora, frágil; e a política, e,
sobretudo, os partidos de origem popular, foi deliberadamente deslegitimada
pela classe dominante exatamente para impedir a resistência aos seus
interesses... Mais especificamente, acho que o objetivo é que o atual governo
aprove essas medidas duras e estruturais (o teto dos gastos, a reforma da
previdência, a flexibilização das leis trabalhistas, e, também, a privatização
das empresas públicas) já que ele não tem condições de disputar eleições e,
portanto, não tem problema em sofrer com o desgaste político, e depois o PSDB
deve entrar para controlar essa sociedade. Em geral, apenas os setores das
classes populares são prejudicados. O único setor da classe dominante que
também está sendo prejudicado é o da indústria, e não sei porquê eles aderem a
esse projeto. Mas, de qualquer forma, esse é um projeto do setor financeiro
internacional, que a mídia, a política, os poderes constitucionais, e a
sociedade em geral, entram de roldão... Enfim, houve um setor da classe
dominante, o setor financeiro internacional, que ascendeu ao domínio, e que
esta situação, embora ruim para a sociedade como um todo, e mesmo para a
manutenção do capitalismo e da democracia, é bom para esse setor, e, enquanto
for bom para esse setor, este continuará impondo os seus interesses sobre o
restante da sociedade.
O FIM DO NEOLIBERALISMO PROGRESSISTA
Publicado por Gilberto Maringoni e o Opera Mundi: uma
análise de Nancy Fraser sobre o significado da vitória de Donald Trump
Já publiquei aqui este ótimo artigo de Nancy Fraser, em inglês.
Agora o Opera Mundi lança sua tradução.
Trata-se de texto fundamental para se perceber o crescimento
de um movimento anti-globalização pela direita que pode também auxiliar a
identificação de suas decorrências aqui no Brasil. (Indicação de Breno Altman).
"Ao longo dos anos, à medida que o setor industrial
ruía, o país ouviu falar muito de “diversidade”, “empoderamento” e “não
discriminação”. Ao identificar “progresso” com meritocracia, em vez de
igualdade, o discurso igualou o termo “emancipação” à ascensão de uma pequena
elite de mulheres “talentosas”, minorias e gays na hierarquia corporativista
exclusivista.
Esta compreensão individualista e liberal de “progresso”
gradualmente substituiu o entendimento de emancipação mais abrangente,
anti-hierárquico, igualitário, sensível às questões de classe e
anticapitalista, que prosperou nos anos 1960 e 70.
À medida que a Nova Esquerda sucumbia, sua crítica
estrutural da sociedade capitalista desapareceu, e o pensamento individualista
e liberal característico de nosso país se reafirmou, abalando
imperceptivelmente as aspirações dos “progressistas” e autodeclarados
esquerdistas. O que selou o acordo, no entanto, foi o fato de tais
acontecimentos terem sido simultâneos à ascensão do neoliberalismo. Um partido
que apoie a liberalização da economia capitalista é o parceiro perfeito para o
feminismo corporativo e meritocrático focado em “assumir riscos” e “superar as
barreiras da discriminação de gênero no trabalho”"
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