1
Aquí me pongo a cantar
Al compás de la vigüela,
Que el hombre que lo desvela
Una pena extraordinaria
Como la ave solitaria
Con el cantar se consuela.
2
Pido a los Santos del Cielo
Que ayuden mi pensamiento;
Les pido en este momento
Que voy a cantar mi historia
Me refresquen la memoria
Y aclaren mi entendimiento.
3
Vengan Santos milagrosos,
Vengan todos en mi ayuda,
Que la lengua se me añuda
Y se me turba la vista;
Pido a Dios que me asista
En una ocasión tan ruda.
4
Yo he visto muchos cantores,
Con famas bien obtenidas,
Y que después de adquiridas
No las quieren sustentar:
Parece que sin largar
Se cansaron en partidas.
5
Mas ande otro criollo pasa
Martín fierro ha de pasar,
Nada la hace recular
Ni las fantasmas lo espantan;
Y dende que todos cantan
Yo también quiero cantar.
domingo, 11 de abril de 2010
segunda-feira, 5 de abril de 2010
EMMENEZ-MOI
Charles Aznavour
Vers les docks où le poids et l’ennui
Me courbent le dos
Ils arrivent le ventre alourdi
De fruits les bateaux
Ils viennent du bout du monde
Apportant avec eux
Des idées vagabondes
Aux reflets de ciels bleus
De mirages
Traînant un parfum poivré
De pays inconnus
Et d’éternels étés
Où l’on vit presque nus
Sur les plages
Moi qui n’ai connu toute ma vie
Que le ciel du nord
J’aimerais débarbouiller ce gris
En virant de bord
Emmenez-moi au bout de la terre
Emmenez-moi au pays des merveilles
Il me semble que la misère
Serait moins pénible au soleil
Dans les bars à la tombée du jour
Avec les marins
Quand on parle de filles et d’amour
Un verre à la main
Je perds la notion des choses
Et soudain ma pensée
M’enlève et me dépose
Un merveilleux été
Sur la grève
Où je vois tendant les bras
L’amour qui comme un fou
Court au devant de moi
Et je me pends au cou
De mon rêve
Quand les bars ferment, que les marins
Regagnent leur bord
Moi je rêve encore jusqu’au matin
Debout sur le port
Emmenez-moi au bout de la terre
Emmenez-moi au pays des merveilles
Il me semble que la misère
Serait moins pénible au soleil
Un beau jour sur un rafiot craquant
De la coque au pont
Pour partir je travaillerais dans
La soute à charbon
Prenant la route qui mène
A mes rêves d’enfant
Sur des îles lointaines
Où rien n’est important
Que de vivre
Où les filles alanguies
Vous ravissent le coeur
En tressant m’a t’on dit
De ces colliers de fleurs
Qui enivrent
Je fuirais laissant là mon passé
Sans aucun remord
Sans bagage et le coeur libéré
En chantant très fort
Emmenez-moi au bout de la terre
Emmenez-moi au pays des merveilles
Il me semble que la misère
Serait moins pénible au soleil
Emmenez-moi au bout de la terre
Emmenez-moi au pays des merveilles
Il me semble que la misère
Serait moins pénible au soleil
Vers les docks où le poids et l’ennui
Me courbent le dos
Ils arrivent le ventre alourdi
De fruits les bateaux
Ils viennent du bout du monde
Apportant avec eux
Des idées vagabondes
Aux reflets de ciels bleus
De mirages
Traînant un parfum poivré
De pays inconnus
Et d’éternels étés
Où l’on vit presque nus
Sur les plages
Moi qui n’ai connu toute ma vie
Que le ciel du nord
J’aimerais débarbouiller ce gris
En virant de bord
Emmenez-moi au bout de la terre
Emmenez-moi au pays des merveilles
Il me semble que la misère
Serait moins pénible au soleil
Dans les bars à la tombée du jour
Avec les marins
Quand on parle de filles et d’amour
Un verre à la main
Je perds la notion des choses
Et soudain ma pensée
M’enlève et me dépose
Un merveilleux été
Sur la grève
Où je vois tendant les bras
L’amour qui comme un fou
Court au devant de moi
Et je me pends au cou
De mon rêve
Quand les bars ferment, que les marins
Regagnent leur bord
Moi je rêve encore jusqu’au matin
Debout sur le port
Emmenez-moi au bout de la terre
Emmenez-moi au pays des merveilles
Il me semble que la misère
Serait moins pénible au soleil
Un beau jour sur un rafiot craquant
De la coque au pont
Pour partir je travaillerais dans
La soute à charbon
Prenant la route qui mène
A mes rêves d’enfant
Sur des îles lointaines
Où rien n’est important
Que de vivre
Où les filles alanguies
Vous ravissent le coeur
En tressant m’a t’on dit
De ces colliers de fleurs
Qui enivrent
Je fuirais laissant là mon passé
Sans aucun remord
Sans bagage et le coeur libéré
En chantant très fort
Emmenez-moi au bout de la terre
Emmenez-moi au pays des merveilles
Il me semble que la misère
Serait moins pénible au soleil
Emmenez-moi au bout de la terre
Emmenez-moi au pays des merveilles
Il me semble que la misère
Serait moins pénible au soleil
domingo, 4 de abril de 2010
"Ainda hoje se mantém o 'mito' de que os aborígenes , nesta parte da América, limitaram-se a assistir a ocupação da terra pelos portugueses e a sofrer,passivamente, os efeitos da colonização(...).Todavia,nada está mais longe da verdade, a julgar pelos relatos da época.nos limites de suas possibilidades,foram inimigos duros e terríveis,que lutaram ardorosamente pelas terras,pela segurança, pela liberdade, que lhes eram arrebatadas conjuntamente. "
Fernandes,Florestan.in:Buarque de Holanda,1976.v I,p72.
Fernandes,Florestan.in:Buarque de Holanda,1976.v I,p72.
Nova Zelândia e Brasil
É bem mais tranquilo para um país edenico menor que o Pará, com uma população de carneiros maior do que a de seres humanos. Pode comparar com o Uruguai ou o Chile cuja população é menor do que São Paulo,mas não com o Brasil , quase do tamanho da Europa Ocidental. Cada Estado brasileiro possui suas especificidades. Santa Catarina antes dos cataclismos (o último o terremoto )Compare a cidade de "Óklan" com cidades ,não com países. Isso é elementar.Mas que a Nova Zelândia é linda isso é!Os serviços públicos de lá não são exemplos apenas para países em desenvolvimento como o Brasil, também são para os EUA, bom comparar "óklan" com Nova Jérsey ou mesmo com a Big Apple, é covardia.Como vive a classe trabalhadora nos EUA(http://www.ilo.org/)?Planos de saúde,...Quatro meses na Nova Zelândia,uma vida !Mas no geral concordo, nossos serviços públicos,aqueles para atender as necessidades da sociedade são em boa parte bem precários ,salvo quando para atender as demandas do Estado, nossa receita federal é ágil e competente para tirar nosso couro e dar para servir de tapete ao poder (a máquina pública ) não devolvem na forma de politicas públicas(agora está engrenando, a passos de tartaruga mas está )e também não pagam o funcionalismo (os servidores públicos-professores, médicos ligados ao sus, policiais militares...)só a pantagruelica anemia dos parlamentares e dos sicofantas.
É uma tristeza constatar que temos a maior malha indústrial e financeira da América do sul, e continuaremos a empoderarnos dessa realidade nosso PIB será condizente com o status de potencia regional, e blá, blá...mas o nosso povo está ao Deus dará e nossas estatísticas sociais serão tão confiáveis quanto às chinesas.
Mas eu acredito no nosso guia Lula e sua sucessora Nossa Senhora Dilma dos Pacs.Aliás o presidente amarrou direitinho os tucanos que ,caso vençam, terão que honrar os compromissos (os financiamentos dos pacs)e terminar as obras, uma suposta gestão tucana seria de fato lulista.Lula não é fraco não !
Wilson Roberto Nogueira
É uma tristeza constatar que temos a maior malha indústrial e financeira da América do sul, e continuaremos a empoderarnos dessa realidade nosso PIB será condizente com o status de potencia regional, e blá, blá...mas o nosso povo está ao Deus dará e nossas estatísticas sociais serão tão confiáveis quanto às chinesas.
Mas eu acredito no nosso guia Lula e sua sucessora Nossa Senhora Dilma dos Pacs.Aliás o presidente amarrou direitinho os tucanos que ,caso vençam, terão que honrar os compromissos (os financiamentos dos pacs)e terminar as obras, uma suposta gestão tucana seria de fato lulista.Lula não é fraco não !
Wilson Roberto Nogueira
sábado, 3 de abril de 2010
Existem aqueles que mesmo sabendo que existe um limite para trazer do exterior mercadorias trazem, talvez estejam tão acostumadas a pagar subornos para funcionários mal pagos ao invés de denunciá-los.Existem bairros em determinados lugares dos EEUU e da Europa que vc precisa tomar cuidado pra não ser assaltado ou currado.Mas se vc for negro ou aparentar ser árabe, saiba que a policia não vai mover um dedo se vc estiver sendo espancado em certos lugares da Itália e da Espanha.NY tinha a policia mais corrupta , violenta e ineficiente dos EUA. Os EUA em Chicago era um antro..."O Passado não remove montanhas" Se os EUA conseguiram através da força de seu povo(ameríndios,afro-aericanos, e imiganes-indocumenados ou não )mover o colosso do Estado Estadunidense para a dimensão qu tem hoje.Assim se passará com o Brasil.O pior preconceito é o introjetado, naturalizado pela própria vítima que se submete .
O meu País nos anos 20 privilegiou o transporte rodoviário ao invés do ferroviário até chegar ao abuso de transformar nossas cidades práticamente intransitáveis para os pedestres, a maioria da frota sendo guiada por apenas uma pessoa poluindo e diminuino a vida útil do asfalto.Mas chegaremos a ser o produtor mundial!A sociedade civil é fundamental para empurrar as políticas públicas para o caminho correto, sem a pressão popular a caneta do poder não escreve.Os indices de criminalidade despencaram por fora da mobilização da sociedad civil organizada.Os indices foram pesquisados junto ao IML não nos BOs.
Devemos ler todo o jornal não só a parte de esportes ou os balancetes, consultar institutos sérios que vem pesquisando o fenomeno da violência e da corrupção e paremos de ser apedeutas bancando demiurgos.Isso é tipico de uma classe supérflua que não contribui em nada para mudar a situação e que parasitaram país até hoje bebendo o sangue da nossa classe trabalhadora obrigada a entrar pelos fundos e comer os resto dos banquetes, o Brasil está voltando a ser dos brasileiros que não perderam a identidade.
Wilson Roberto Nogueira
O meu País nos anos 20 privilegiou o transporte rodoviário ao invés do ferroviário até chegar ao abuso de transformar nossas cidades práticamente intransitáveis para os pedestres, a maioria da frota sendo guiada por apenas uma pessoa poluindo e diminuino a vida útil do asfalto.Mas chegaremos a ser o produtor mundial!A sociedade civil é fundamental para empurrar as políticas públicas para o caminho correto, sem a pressão popular a caneta do poder não escreve.Os indices de criminalidade despencaram por fora da mobilização da sociedad civil organizada.Os indices foram pesquisados junto ao IML não nos BOs.
Devemos ler todo o jornal não só a parte de esportes ou os balancetes, consultar institutos sérios que vem pesquisando o fenomeno da violência e da corrupção e paremos de ser apedeutas bancando demiurgos.Isso é tipico de uma classe supérflua que não contribui em nada para mudar a situação e que parasitaram país até hoje bebendo o sangue da nossa classe trabalhadora obrigada a entrar pelos fundos e comer os resto dos banquetes, o Brasil está voltando a ser dos brasileiros que não perderam a identidade.
Wilson Roberto Nogueira
O sistema bancário brasileiro, softwares para bancos,aviação regional,agroindústria e siderurgia,prospecção em águas profundas, bioenergia,...isso é o Brasil também.
Wilson Roberto Nogueira
Todos os países tem em maior ou menor grau, alguns dos "Mundos " (1,2,3,4)dentro de suas próprias fronteiras .Nossas ilhas de excelencia são cada vez maiores, embora ainda sejam ilhas nesse país continental que é o Brasil.Nossos desafios ainda são enormes ,mas estamos lutando.E venceremos aqui ou comprando mundo afora as "eficientes"empresas dos países do primeiro mundo.
Wilson Roberto Nogueira
V A Batalha Final
Assisti a série V a vitória final. embora Trash ela passava o recado, contra o totalitarismo e em louvor aos resistentes do mundo,a alusão a bandeira(lembrando as cores nazistas ), a televisão como elemento de propaganda e de resistência,a família judia que teve o filho cooptado para a " juventude ", o velho que ensinou os pichadores a fazerem o sinal da resistência "V" de vitória ,não de visitantes.
Na época assisti como um filme de Ficção cientifica , agora não consigo assistir nenhum filme da "indústria " sem devidamente referenciá-la ao contexto.
Anos 80."Reaganomics contra o Império do mal",Liberais(no sentido clássico europeu, nos EEUU chamam conservadores, republicanos )contra Capitalsmo de Estado ou Socialismo Realmente Existente “made in Moscou”,Invasão do Afeganistão e boicote estadunidense as olimpíadas de Moscou.O filme seria a instrumentalização ideológica de ligar os invasores saúrios não só aos nazismos também aos soviéticos, não só enaltecendo os partizans ou maqui da 2 guerra mas também os mujaheddins e os Contra da Nicarágua.Isso pode ser identificado pela mensagem que finalizava a apresentação: "Dedicada aos lutadores da liberdade..." Até um filme trash é instrutivo quando olhamos para além da superfície.
Procurarei ver o filme com a lente do século XXI.Questão de gênero,corporações , mídia e poder,ideologia e poder -cooptação,multi-lateralismo ,religião, pacifismo e belicismo... o filme lança luz sobre várias questões do ponto de vista a indústria cultural estadunidense que é um poderoso braço de sua ideologia(conjunto de valores que se quer hegemônico no mundo.Padronizando a sociedade a "aldeia global" )
Com relação a isso é um fato material da historia.
Inté
Wilson Roberto Noguera
Os EUA entre os países centrais é aquele que se situa mais desfavoravelmente , principalmente nas questões sociais, o ensino fundamental e médio no país é comparável aos dos países periféricos, embora tenha o primeiro PiB do mundo o tio Sam tem muitos remendos em sua casaca.
Quanto as estatísticas "podemos torcer os números até que digam o que queremos "ou seja, dependendo dos critérios, quem entrevistamos(classe social...)poderemos sem falsear a verdade subverte-la apanhando a parte pelo todo.Qual a margem de erro dessas pesquisas,quem os patrocina...?
A matemática é uma ciência exata mas a estatística , embora empregue números não é.
é necessário fazer perguntas,levantamentos...Quais perguntas, levantamentos em que regiões,quem faz as perguntas e quem paga o serviços do pesquisadores?
O" American way of live" estoca seus inadequados loosers ou nas prisões ou enviam para morrer por mentiras e óleo nos desertos e montanhas do terceiro mundo.Os negros nas prisões e latinos na boca dos canhões,pelo menos os últimos podem usufluir de alguns privilégios da casta militar,crediários, financiamentos, planos de saúde...em troca de uma escravidão disfarçada.O contrato que o milico yanqe assina esconde letras miúdas e implícitas que dificulta a dispensa e o desligamento.
essas informações podem ser coletadas nos movimentos sociais dos EUA.Um país que tem a necessária auto-críica e com humor e também com sridade a exerce, embora o governo a quisesse calar com os Atos Patioticos e o apoio do estado a delação.a Era Bush de triste lembrança para o mundo.
Com Obama vamos ver, está arrumando a casa que o pessoal de Wall- Street os republicanos ajudaram a detonar.Fora de casa contudo nada de novo na agenda imperial.Não tem mais a bandeira da moral.
Eu amo a América do Alasca a Terra o Fogo.América para mim não é apenas os EUA.
Wilson Roberto Nogueira
Quanto as estatísticas "podemos torcer os números até que digam o que queremos "ou seja, dependendo dos critérios, quem entrevistamos(classe social...)poderemos sem falsear a verdade subverte-la apanhando a parte pelo todo.Qual a margem de erro dessas pesquisas,quem os patrocina...?
A matemática é uma ciência exata mas a estatística , embora empregue números não é.
é necessário fazer perguntas,levantamentos...Quais perguntas, levantamentos em que regiões,quem faz as perguntas e quem paga o serviços do pesquisadores?
O" American way of live" estoca seus inadequados loosers ou nas prisões ou enviam para morrer por mentiras e óleo nos desertos e montanhas do terceiro mundo.Os negros nas prisões e latinos na boca dos canhões,pelo menos os últimos podem usufluir de alguns privilégios da casta militar,crediários, financiamentos, planos de saúde...em troca de uma escravidão disfarçada.O contrato que o milico yanqe assina esconde letras miúdas e implícitas que dificulta a dispensa e o desligamento.
essas informações podem ser coletadas nos movimentos sociais dos EUA.Um país que tem a necessária auto-críica e com humor e também com sridade a exerce, embora o governo a quisesse calar com os Atos Patioticos e o apoio do estado a delação.a Era Bush de triste lembrança para o mundo.
Com Obama vamos ver, está arrumando a casa que o pessoal de Wall- Street os republicanos ajudaram a detonar.Fora de casa contudo nada de novo na agenda imperial.Não tem mais a bandeira da moral.
Eu amo a América do Alasca a Terra o Fogo.América para mim não é apenas os EUA.
Wilson Roberto Nogueira
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Somos Plurais e Ricos em Nossa Diversidade
Menos .
Na rádio ouve-se o sotaque de outros estados que não o seu ?E que caricatura grotesca faziam da maneira de falar do nordeste nas tv.Devemos falar de uma certa hegemonia no país que empurra pro gueto da invisibilidade as manifestações culturais de outros estados.Tem a ver em parte como se deu o desenvolvimento eonomico
Não demonizem tanto o tio Sam pelo que ele tem de reflexo das condições do nosso Sistema . nós reproduzimos os mesmos mecanismos de exclusão, pasteurização para tornar nossa cultura ,tão rica e complexa, mais compreensível ao padrão consumista da casse média mundal dentro dos padrões aceitaveis pelas corporações, pela indústria cultural.
Assim como o estadunidense médio não conhece o Brasil além dos estereótipos vendidos em parte por nós mesmos, nós tbm não devemos achar que a visão de mundo de um califórniano , novaiorquino, texano, de New Orleans,Miami,é o mesmo da "américa profunda" assim como o Brasil somos etnica e culturalmete multidiversos.nós contudo não compartimentamos nossas origens não sou russo-polaco-negro-sefaradim curitibano nossa miscigenação torna tais rotulações um quebra cabeça, um callding pot verdadeiro .Nossa cultura tm absorve antropofagicamente a cultura de outros lugares dando a luz ao novo ,Nosso povo e nossa soiciedade, nossa civilização está em constante evolução,somos cosmopolitas e não abandnamos nossa idetidade cultural.Dar valor ao que é nosso só quando um francês ou americano diz que presta?
Ela é brasileira e sempre será ,também é estadunidense sim senhor. Minha pátria é minha língua(como depositária de um visão de mundo que é cultural ),eusolo é Brasil levo comigo para todo lugar que vou ,por que do barro deste chão fui feito.
Wilson Roberto Nogueira
Na rádio ouve-se o sotaque de outros estados que não o seu ?E que caricatura grotesca faziam da maneira de falar do nordeste nas tv.Devemos falar de uma certa hegemonia no país que empurra pro gueto da invisibilidade as manifestações culturais de outros estados.Tem a ver em parte como se deu o desenvolvimento eonomico
Não demonizem tanto o tio Sam pelo que ele tem de reflexo das condições do nosso Sistema . nós reproduzimos os mesmos mecanismos de exclusão, pasteurização para tornar nossa cultura ,tão rica e complexa, mais compreensível ao padrão consumista da casse média mundal dentro dos padrões aceitaveis pelas corporações, pela indústria cultural.
Assim como o estadunidense médio não conhece o Brasil além dos estereótipos vendidos em parte por nós mesmos, nós tbm não devemos achar que a visão de mundo de um califórniano , novaiorquino, texano, de New Orleans,Miami,é o mesmo da "américa profunda" assim como o Brasil somos etnica e culturalmete multidiversos.nós contudo não compartimentamos nossas origens não sou russo-polaco-negro-sefaradim curitibano nossa miscigenação torna tais rotulações um quebra cabeça, um callding pot verdadeiro .Nossa cultura tm absorve antropofagicamente a cultura de outros lugares dando a luz ao novo ,Nosso povo e nossa soiciedade, nossa civilização está em constante evolução,somos cosmopolitas e não abandnamos nossa idetidade cultural.Dar valor ao que é nosso só quando um francês ou americano diz que presta?
Ela é brasileira e sempre será ,também é estadunidense sim senhor. Minha pátria é minha língua(como depositária de um visão de mundo que é cultural ),eusolo é Brasil levo comigo para todo lugar que vou ,por que do barro deste chão fui feito.
Wilson Roberto Nogueira
Fragmento.Corrupção e Poder.Remake do filme 'V"
Por favor povo,sem complexo de vira latas, Nélson Rodrigues estava certo , vamos deixar de complexos.
No Japão a yakuza é quase intocável ,não existem indices como os nossos por que os assuntos do crime organizado no Japão são solenemente ignorados.Lá no máximo uma barracuda, tubarões não .Políticos e empresários só quando caem nas malhas da imprensa e se vêem mais sujos que pão no galinheiro é que lembram dos valores do velho Japão mas não limpam mais a honra de seus ancestrais com o Sepuku,isso acabou com a vinda de MacArthur e o way of live se instalou no Japão.
A Itália , a abandonada Sicilia foi libertada pelos aliados e pela Máfia que ajudou os americanos e os libertadores ouviram em toda a Palermo . Viva Don Calló, viva laMáfia.
Período de ouro da máfia na Itália,anos 50 à 70.enfronhada em todo serviço público e na politica, lavando dineiro adoidado ,inlusive no Vaticano, caso Banco Ambrosiano.Desmoralização completa do Partido Democrtata Cristão.O povo clamava nas ruas a sociedad civil disse um basta que empoderou os lutadores da lei em torno de Falconi e da operção mãos limpas. Aliás o lixo de Nápoles e as docas da Itália são dos sindicaos ligados as Máfias.A Itália luta ;mas quando o Berlusconi para fugir de processos usa de seu poder politico para escolher o júri que será julgado...Por favor!
Para mim Morena Baccarin é brasileira e norteamericana, não sou xenofobo nem preconceituoso ,não confundir o povo americano e sua culura com o governo lutocrata e imperal de Washington.Países como o Brasil, India , Rússia, China, EUA são grandes demais para caberem em estereotipos superficiais .
Mas não dá para não ver semelhanças entre as Relações Exterioes dos USA (Ted Roosvelt_fala mansa, sorrso nos lábios e um porrete nas mãos )e os Vs."Politica de Boa vizinhança mas uma força tarefa pronta para agir caso seusintereses seam contrariados)
Os 'vs" Procuram no filme tbm "ganhar corações e mentes",cooptando lideraças e intrumetalizando poderes locais em seu beneficio ,da cadeia alimentar onde nós somos almoço.
Wilson Roberto Nogueira
No Japão a yakuza é quase intocável ,não existem indices como os nossos por que os assuntos do crime organizado no Japão são solenemente ignorados.Lá no máximo uma barracuda, tubarões não .Políticos e empresários só quando caem nas malhas da imprensa e se vêem mais sujos que pão no galinheiro é que lembram dos valores do velho Japão mas não limpam mais a honra de seus ancestrais com o Sepuku,isso acabou com a vinda de MacArthur e o way of live se instalou no Japão.
A Itália , a abandonada Sicilia foi libertada pelos aliados e pela Máfia que ajudou os americanos e os libertadores ouviram em toda a Palermo . Viva Don Calló, viva laMáfia.
Período de ouro da máfia na Itália,anos 50 à 70.enfronhada em todo serviço público e na politica, lavando dineiro adoidado ,inlusive no Vaticano, caso Banco Ambrosiano.Desmoralização completa do Partido Democrtata Cristão.O povo clamava nas ruas a sociedad civil disse um basta que empoderou os lutadores da lei em torno de Falconi e da operção mãos limpas. Aliás o lixo de Nápoles e as docas da Itália são dos sindicaos ligados as Máfias.A Itália luta ;mas quando o Berlusconi para fugir de processos usa de seu poder politico para escolher o júri que será julgado...Por favor!
Para mim Morena Baccarin é brasileira e norteamericana, não sou xenofobo nem preconceituoso ,não confundir o povo americano e sua culura com o governo lutocrata e imperal de Washington.Países como o Brasil, India , Rússia, China, EUA são grandes demais para caberem em estereotipos superficiais .
Mas não dá para não ver semelhanças entre as Relações Exterioes dos USA (Ted Roosvelt_fala mansa, sorrso nos lábios e um porrete nas mãos )e os Vs."Politica de Boa vizinhança mas uma força tarefa pronta para agir caso seusintereses seam contrariados)
Os 'vs" Procuram no filme tbm "ganhar corações e mentes",cooptando lideraças e intrumetalizando poderes locais em seu beneficio ,da cadeia alimentar onde nós somos almoço.
Wilson Roberto Nogueira
domingo, 28 de março de 2010
Uma transdisciplinaridade humanista: a síntese subjetiva positivista
Desde há alguns anos fala-se bastante em “multidisciplinaridade”, “interdisciplinaridade” e até em “transdisciplinaridade”. Essas propostas são maneiras de perceber a realidade e, mais do que isso, o próprio conhecimento científico; cada uma delas são metodologias que organizam nossos conhecimentos, tendo em vista algumas perspectivas específicas sobre a realidade.
Assim, a multidisciplinaridade afirma que as diversas áreas do conhecimento devem colaborar entre si para a resolução dos problemas; por sua vez, a interdisciplinaridade reconhece a importância de essas áreas colaborarem entre si, mas dá um passo além, no sentido de haver trocas entre elas e também no sentido de desenvolverem-se maneiras de relacionar-se com intimidade.
Tomemos como exemplo o ser humano, com todas as suas necessidades físicas, biológicas, afetivas, econômicas e assim por diante. A multidisciplinaridade afirma que cada uma dessas necessidades pode e deve ser satisfeita pela aplicação de um conhecimento específico: os problemas emocionais e afetivos pela Psicologia, o trabalho pela Economia, a saúde pela Medicina, as relações sociais pela Sociologia etc. A interdisciplinaridade afirma, por outro lado, que, além de cada uma das áreas do conhecimento cuidar de um aspecto do ser humano, elas devem dialogar entre si, procurando uma solução em comum, havendo uma troca de perspectivas e de conteúdo entre elas; assim, a Economia contribuirá para a Psicologia e a Sociologia, que contribuirão para a Medicina e a Economia etc. Em termos de método, o resultado é que nenhum nível do conhecimento superpõe-se aos demais, considerando que a realidade é formada por múltiplos níveis e, nesse sentido, é inesgotável.
Essas maneiras de lidar com o conhecimento começaram a tornar-se mais conhecidas a partir dos anos 1960, em reação a diversas limitações teóricas e práticas que a especialização excessiva e alienante trouxe para o ser humano. Ora, o interessante é que elas foram propostas há mais de 150 anos por um filósofo da ciência que já gozou de bastante fama no Brasil e no mundo, mas que há um certo tempo está injustamente desconhecido: Augusto Comte.
Comte (1798-1857), fundador do Positivismo e formulador da frase que está na bandeira brasileira – Ordem e Progresso –, no começo do século XIX percebia que os conhecimentos estavam cada vez mais especializados, cada vez mais específicos. Por um lado, não há como nem porquê evitar que isso ocorra: afinal, é precisamente esse o caminho que se deve trilhar para aumentarmos o conhecimento da realidade. Mas, por outro lado, a especialização aumenta o conhecimento em profundidade, mas diminui o conhecimento em extensão: sabemos cada vez mais sobre cada vez menos; em outras palavras, perdemos a visão de conjunto. Ora, nós precisamos da visão de conjunto para entender a totalidade da realidade e para podermos, de fato, agir. Assim, o que em um primeiro momento A. Comte propôs foi mais uma especialidade: aquela que analisaria os principais resultados de cada uma das formas de conhecimento e procuraria elaborar uma síntese deles, de maneira a fornecer uma visão de conjunto. Tal síntese seria, necessariamente, filosófica e, se hoje em dia não fosse uma palavra com uma conotação negativa, diríamos que seria uma síntese filosófica e generalista. O interessante a notar é que, a partir do momento em que se parte dessa perspectiva, que é de conjunto, modifica-se a maneira como se percebem as várias partes, surgindo novos resultados para cada um dos conhecimentos. Como dissemos antes, essa é a própria interdisciplinaridade.
Continuando a estudar o ser humano, Augusto Comte percebeu que ainda poderia ir muito além disso. Afinal, o que dissemos até agora se refere apenas aos conhecimentos científicos, mas o ser humano é mais que a inteligência, incluindo também as ações práticas e, principalmente, os sentimentos. Cada uma dessas partes deve manter-se em harmonia com as demais, para os seres humanos considerados tanto individualmente quanto em termos coletivos; além disso, uma verdadeira consideração do conjunto dos seres humanos deve incluir também o local onde vivemos, ou seja, deve incluir também o próprio planeta e o meio ambiente. Assim, o resultado é que, partindo de uma perspectiva de conjunto baseada na realidade do ser humano, a única forma de mantermos em harmonia sentimentos, pensamentos e ações é por meio do desenvolvimento do altruísmo e da generosidade, regulando nossas ações individuais e coletivas tendo em vista o bem comum. Como no final é o ser humano o centro dos sentimentos, das concepções e das ações e como essa centralidade quem atribui é o próprio ser humano, a síntese é, necessariamente, subjetiva, isto é, referente ao sujeito.
É claro que o “ir além” da interdisciplinaridade, como apresentamos, refere-se a pautar as condutas humanas a partir de um padrão moral, ético, daí orientando as elaborações intelectuais. Bem entendidas as coisas, esse “ir além” é a transdisciplinaridade a que nos referimos no início do texto.
Para concluir, vale a pena notar que as concepções de Augusto Comte, embora tenham já cerca de 150 anos, mantêm-se extremamente atuais, podendo contribuir com grande fecundidade para os grandes desafios que enfrentamos atualmente.
Gustavo Biscaia de Lacerda . é Mestre em Sociologia Política
Assim, a multidisciplinaridade afirma que as diversas áreas do conhecimento devem colaborar entre si para a resolução dos problemas; por sua vez, a interdisciplinaridade reconhece a importância de essas áreas colaborarem entre si, mas dá um passo além, no sentido de haver trocas entre elas e também no sentido de desenvolverem-se maneiras de relacionar-se com intimidade.
Tomemos como exemplo o ser humano, com todas as suas necessidades físicas, biológicas, afetivas, econômicas e assim por diante. A multidisciplinaridade afirma que cada uma dessas necessidades pode e deve ser satisfeita pela aplicação de um conhecimento específico: os problemas emocionais e afetivos pela Psicologia, o trabalho pela Economia, a saúde pela Medicina, as relações sociais pela Sociologia etc. A interdisciplinaridade afirma, por outro lado, que, além de cada uma das áreas do conhecimento cuidar de um aspecto do ser humano, elas devem dialogar entre si, procurando uma solução em comum, havendo uma troca de perspectivas e de conteúdo entre elas; assim, a Economia contribuirá para a Psicologia e a Sociologia, que contribuirão para a Medicina e a Economia etc. Em termos de método, o resultado é que nenhum nível do conhecimento superpõe-se aos demais, considerando que a realidade é formada por múltiplos níveis e, nesse sentido, é inesgotável.
Essas maneiras de lidar com o conhecimento começaram a tornar-se mais conhecidas a partir dos anos 1960, em reação a diversas limitações teóricas e práticas que a especialização excessiva e alienante trouxe para o ser humano. Ora, o interessante é que elas foram propostas há mais de 150 anos por um filósofo da ciência que já gozou de bastante fama no Brasil e no mundo, mas que há um certo tempo está injustamente desconhecido: Augusto Comte.
Comte (1798-1857), fundador do Positivismo e formulador da frase que está na bandeira brasileira – Ordem e Progresso –, no começo do século XIX percebia que os conhecimentos estavam cada vez mais especializados, cada vez mais específicos. Por um lado, não há como nem porquê evitar que isso ocorra: afinal, é precisamente esse o caminho que se deve trilhar para aumentarmos o conhecimento da realidade. Mas, por outro lado, a especialização aumenta o conhecimento em profundidade, mas diminui o conhecimento em extensão: sabemos cada vez mais sobre cada vez menos; em outras palavras, perdemos a visão de conjunto. Ora, nós precisamos da visão de conjunto para entender a totalidade da realidade e para podermos, de fato, agir. Assim, o que em um primeiro momento A. Comte propôs foi mais uma especialidade: aquela que analisaria os principais resultados de cada uma das formas de conhecimento e procuraria elaborar uma síntese deles, de maneira a fornecer uma visão de conjunto. Tal síntese seria, necessariamente, filosófica e, se hoje em dia não fosse uma palavra com uma conotação negativa, diríamos que seria uma síntese filosófica e generalista. O interessante a notar é que, a partir do momento em que se parte dessa perspectiva, que é de conjunto, modifica-se a maneira como se percebem as várias partes, surgindo novos resultados para cada um dos conhecimentos. Como dissemos antes, essa é a própria interdisciplinaridade.
Continuando a estudar o ser humano, Augusto Comte percebeu que ainda poderia ir muito além disso. Afinal, o que dissemos até agora se refere apenas aos conhecimentos científicos, mas o ser humano é mais que a inteligência, incluindo também as ações práticas e, principalmente, os sentimentos. Cada uma dessas partes deve manter-se em harmonia com as demais, para os seres humanos considerados tanto individualmente quanto em termos coletivos; além disso, uma verdadeira consideração do conjunto dos seres humanos deve incluir também o local onde vivemos, ou seja, deve incluir também o próprio planeta e o meio ambiente. Assim, o resultado é que, partindo de uma perspectiva de conjunto baseada na realidade do ser humano, a única forma de mantermos em harmonia sentimentos, pensamentos e ações é por meio do desenvolvimento do altruísmo e da generosidade, regulando nossas ações individuais e coletivas tendo em vista o bem comum. Como no final é o ser humano o centro dos sentimentos, das concepções e das ações e como essa centralidade quem atribui é o próprio ser humano, a síntese é, necessariamente, subjetiva, isto é, referente ao sujeito.
É claro que o “ir além” da interdisciplinaridade, como apresentamos, refere-se a pautar as condutas humanas a partir de um padrão moral, ético, daí orientando as elaborações intelectuais. Bem entendidas as coisas, esse “ir além” é a transdisciplinaridade a que nos referimos no início do texto.
Para concluir, vale a pena notar que as concepções de Augusto Comte, embora tenham já cerca de 150 anos, mantêm-se extremamente atuais, podendo contribuir com grande fecundidade para os grandes desafios que enfrentamos atualmente.
Gustavo Biscaia de Lacerda . é Mestre em Sociologia Política
quinta-feira, 11 de março de 2010
Somme 1916
Esta magnifica fotografía muestra claramente el cansancio, las condiciones de vida y como se vivía (malvivía) en las trincheras durante la Primera Guerra Mundial. La foto esta tomada en 1916 durante la Batalla del Somme y en ella salen hombres de la compañía A del 11º Batallón del Regimiento Cheshire..
fonte: http://www.agaudi.wordpress.com/
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As Portas do Inferno
August Rodin realizo este monumental grupo escultórico a partir de que en 1880 recibió el encargo para el futuro Museo de Artes Decorativas de París. El proyecto quedo cancelado y el escultor estuvo trabajando en esta puerta hasta su muerte en 1917. Mide 6 metros de altura, 4 de ancho y 1 de profundidad y contiene 180 figuras. La iconografía esta basada en la Divina Comedia de Dante y el poema de Baudelaire Las Flores del Mal. Rodin solo realizo una versión en yeso, después de su muerte se realizaron tres copias en bronce que están en diferentes museos. Una obra sencillamente impresionante.
Fonte: http://www.agaudi.wordpress.com/
Fonte: http://www.agaudi.wordpress.com/
Wilfred Owen se alistó como voluntario en 1915, en plena Primera Guerra mundial (Gran Guerra, la llamaban entonces) Después de algunas experiencias en batalla se le diagnostico trastorno de estrés postraumático y se le ingreso en un hospital en Edimburgo. Allí conoció al poeta Siegfried Sasson que le animó y ayudó a escribir su propia poesía. En 1918 volvió al servicio activo siendo muerto menos de una semana antes de que se firmase el armisticio. Owen retrata a la perfección el horror de la guerra, la primera guerra moderna, la primera en utilizar metralletas, cañones de enorme calibre y en abundancia, el uso de la aviación, el uso de gas mostaza, las trincheras inamovibles en una horrible guerra de posicionamiento. Sucia, interminable, pasando hambre, frío y penurias. El titulo de este poema esta sacado de unos versos del poeta latino Horacio. La versión castellana es de Miguel Imbelecio Delatorre.
DULCE ET DECORUM EST.
Torcidos, como viejos mendigos bajo sus hatos,
renqueando, tosiendo como brujas, maldecíamos a través del lodo,
hasta que donde alumbraban las luces de las bengalas nos dimos la vuelta
y hacia nuestra lejana posición empezamos a caminar afanosamente.
Los hombres marchaban dormidos. Muchos habían perdido sus botas
Pero abrumados avanzaban sobre zapatos de sangre. Todos cojos, todos ciegos;
Borrachos de fatiga, sordos incluso al silbido de las balas
Que los cansados cañones de calibre 5.9 disparaban detrás de nosotros.
“¡Gas, gas! ¡Rápido, muchachos!”; un éxtasis de desconcierto,
Poniéndonos los toscos cascos justo a tiempo;
Pero alguien aún estaba gritando y tropezando
Y ardía retorciéndose, como ahogándose en cal viva…
Borroso, a través de los empañados cristales de la máscara y de la tenue luz verde,
Como en un mar verde le vi ahogarse.
En todas mis pesadillas, ante mi impotente mirada,
Se desploma boqueando, agonizando, asfixiándose.
Si en algún sofocante sueño tú también puedes caminar
Tras la carreta en la que lo pusimos,
Y mirar sus blancos ojos moviéndose
En su desmayada cara, como un endemoniado.
Si pudieses escuchar a cada traqueteo
El gorgoteo de la sangre saliendo de sus destrozados pulmones,
Repugnante como el cáncer, nauseabundo como el vómito
De horrorosas, incurables llagas en lenguas inocentes,
Amigo mío, no volverías a decir con ese alto idealismo
A los ardientes jóvenes sedientos de gloria
La vieja mentira: “Dulce et decorum est pro patria mori”.
Wilfred Owen
Los versos de Horacio dicen así:
“DULCE ET DECORUM EST PRO PATRIA MORI:
mors et fugacem persequitur virum
nec parcit imbellis iuventae
poplitibus timidove tergo.”
(DULCE Y HONROSO ES MORIR POR LA PATRIA:
la muerte persigue al hombre que huye
y no perdona de una juventud cobarde
ni las rodillas ni la temerosa espalda)
fonte: http ://www.agaudi.wordpress.com
DULCE ET DECORUM EST.
Torcidos, como viejos mendigos bajo sus hatos,
renqueando, tosiendo como brujas, maldecíamos a través del lodo,
hasta que donde alumbraban las luces de las bengalas nos dimos la vuelta
y hacia nuestra lejana posición empezamos a caminar afanosamente.
Los hombres marchaban dormidos. Muchos habían perdido sus botas
Pero abrumados avanzaban sobre zapatos de sangre. Todos cojos, todos ciegos;
Borrachos de fatiga, sordos incluso al silbido de las balas
Que los cansados cañones de calibre 5.9 disparaban detrás de nosotros.
“¡Gas, gas! ¡Rápido, muchachos!”; un éxtasis de desconcierto,
Poniéndonos los toscos cascos justo a tiempo;
Pero alguien aún estaba gritando y tropezando
Y ardía retorciéndose, como ahogándose en cal viva…
Borroso, a través de los empañados cristales de la máscara y de la tenue luz verde,
Como en un mar verde le vi ahogarse.
En todas mis pesadillas, ante mi impotente mirada,
Se desploma boqueando, agonizando, asfixiándose.
Si en algún sofocante sueño tú también puedes caminar
Tras la carreta en la que lo pusimos,
Y mirar sus blancos ojos moviéndose
En su desmayada cara, como un endemoniado.
Si pudieses escuchar a cada traqueteo
El gorgoteo de la sangre saliendo de sus destrozados pulmones,
Repugnante como el cáncer, nauseabundo como el vómito
De horrorosas, incurables llagas en lenguas inocentes,
Amigo mío, no volverías a decir con ese alto idealismo
A los ardientes jóvenes sedientos de gloria
La vieja mentira: “Dulce et decorum est pro patria mori”.
Wilfred Owen
Los versos de Horacio dicen así:
“DULCE ET DECORUM EST PRO PATRIA MORI:
mors et fugacem persequitur virum
nec parcit imbellis iuventae
poplitibus timidove tergo.”
(DULCE Y HONROSO ES MORIR POR LA PATRIA:
la muerte persigue al hombre que huye
y no perdona de una juventud cobarde
ni las rodillas ni la temerosa espalda)
fonte: http ://www.agaudi.wordpress.com
vide cor meum
Y pensando en ella,
Me sorprendió un suave sueño
Ego dominus tuus, (Yo soy tu Dios)
Vide cor meum. (Mira tu corazón.)
Y este corazón ardiendo
Cor meum. (Es tu corazón.)
Ella con humildad comía temerosa:
Luego yo lo vi marchar llorando.
La alegría se convertía
en amargo llanto.
Estoy en paz
mi corazón.
Estoy en paz.
Mira mi corazón.
Patrick Cassidy
El irlandés Patrick Cassidy compuso esta maravillosa cancion, Vide Cor Meum, para la pelicula Hannibal, la continuación de El silencio de los corderos. Esta basaba en un soneto que aparece en la primera obra de Dante Alighieri: la Vita Nuova. También suena en otra pelicula de Ridley Scott, El Reino de los Cielos.
fonte :http://agaudi.wordpress.com/
Me sorprendió un suave sueño
Ego dominus tuus, (Yo soy tu Dios)
Vide cor meum. (Mira tu corazón.)
Y este corazón ardiendo
Cor meum. (Es tu corazón.)
Ella con humildad comía temerosa:
Luego yo lo vi marchar llorando.
La alegría se convertía
en amargo llanto.
Estoy en paz
mi corazón.
Estoy en paz.
Mira mi corazón.
Patrick Cassidy
El irlandés Patrick Cassidy compuso esta maravillosa cancion, Vide Cor Meum, para la pelicula Hannibal, la continuación de El silencio de los corderos. Esta basaba en un soneto que aparece en la primera obra de Dante Alighieri: la Vita Nuova. También suena en otra pelicula de Ridley Scott, El Reino de los Cielos.
fonte :http://agaudi.wordpress.com/
Ustedes y nosotros
Ustedes cuando aman
exigen bienestar
una cama de cedro
y un colchón especial
nosotros cuando amamos
es fácil de arreglar
con sábanas qué bueno
sin sábanas da igual
ustedes cuando aman
calculan interés
y cuando se desaman
calculan otra vez
nosotros cuando amamos
es como renacer
y si nos desamamos
no la pasamos bien
ustedes cuando aman
son de otra magnitud
hay fotos chismes prensa
y el amor es un boom
nosotros cuando amamos
es un amor común
tan simple y tan sabroso
como tener salud
ustedes cuando aman
consultan el reloj
porque el tiempo que pierden
vale medio millón
nosotros cuando amamos
sin prisa y con fervor
gozamos y nos sale
barata la función
ustedes cuando aman
al analista van
él es quien dictamina
si lo hacen bien o mal
nosotros cuando amamos
sin tanta cortedad
el subconsciente piola
se pone a disfrutar
ustedes cuando aman
exigen bienestar
una cama de cedro
y un colchón especial
nosotros cuando amamos
es fácil de arreglar
con sábanas qué bueno
sin sábanas da igual.
Mario Benedetti
Ustedes cuando aman
exigen bienestar
una cama de cedro
y un colchón especial
nosotros cuando amamos
es fácil de arreglar
con sábanas qué bueno
sin sábanas da igual
ustedes cuando aman
calculan interés
y cuando se desaman
calculan otra vez
nosotros cuando amamos
es como renacer
y si nos desamamos
no la pasamos bien
ustedes cuando aman
son de otra magnitud
hay fotos chismes prensa
y el amor es un boom
nosotros cuando amamos
es un amor común
tan simple y tan sabroso
como tener salud
ustedes cuando aman
consultan el reloj
porque el tiempo que pierden
vale medio millón
nosotros cuando amamos
sin prisa y con fervor
gozamos y nos sale
barata la función
ustedes cuando aman
al analista van
él es quien dictamina
si lo hacen bien o mal
nosotros cuando amamos
sin tanta cortedad
el subconsciente piola
se pone a disfrutar
ustedes cuando aman
exigen bienestar
una cama de cedro
y un colchón especial
nosotros cuando amamos
es fácil de arreglar
con sábanas qué bueno
sin sábanas da igual.
Mario Benedetti
VELETA
Viento del Sur,
moreno, ardiente,
llegas sobre mi carne,
trayéndome semilla
de brillantes
miradas, empapado
de azahares.
Pones roja la luna
y sollozantes
de álamos cautivos, pero vienes
¡demasiado tarde!
¡Ya he enrollado la noche de mi cuento
en el estante!
Sin ningún viento,
¡hazme caso!,
gira, corazón;
gira, corazón.
Aire del Norte,
¡oso blanco del viento!
Llegás sobre mi carne
temboloroso de auroras
boreales,
con tu capa de espectros
capitanes,
y riyéndote a gritos
del Dante.
¡Oh pulidor de estrellas!
Pero vienes
demasiado tarde.
Mi almario está musgoso
y he perdido la llave.
Sin ningún viento,
¡hazme caso!,
gira, corazón;
gira, corazón.
Brisas, gnomos y vientos
de ninguna parte.
Mosquitos de la rosa
de pétalos pirámides.
Asilios destilados
entre los rudos árboles,
flautas en la tormenta,
¡dejadme!
Tiene recias cadenas
mi recuerdo,
y está cautiva el ave
que dibuja con trinos
la tarde.
Las cosas que se van no vuelven nunca,
todo el mundo lo sabe,
y entre el claro gentío de los vientos
es inútil quejarse.
¿Verdad, chopo, maestro de la brisa?
¡Es inútil quejarse!
Sin ningún viento,
¡hazme caso!,
gira, corazón;
gira, corazón.
Federico Garcia Lorca
Viento del Sur,
moreno, ardiente,
llegas sobre mi carne,
trayéndome semilla
de brillantes
miradas, empapado
de azahares.
Pones roja la luna
y sollozantes
de álamos cautivos, pero vienes
¡demasiado tarde!
¡Ya he enrollado la noche de mi cuento
en el estante!
Sin ningún viento,
¡hazme caso!,
gira, corazón;
gira, corazón.
Aire del Norte,
¡oso blanco del viento!
Llegás sobre mi carne
temboloroso de auroras
boreales,
con tu capa de espectros
capitanes,
y riyéndote a gritos
del Dante.
¡Oh pulidor de estrellas!
Pero vienes
demasiado tarde.
Mi almario está musgoso
y he perdido la llave.
Sin ningún viento,
¡hazme caso!,
gira, corazón;
gira, corazón.
Brisas, gnomos y vientos
de ninguna parte.
Mosquitos de la rosa
de pétalos pirámides.
Asilios destilados
entre los rudos árboles,
flautas en la tormenta,
¡dejadme!
Tiene recias cadenas
mi recuerdo,
y está cautiva el ave
que dibuja con trinos
la tarde.
Las cosas que se van no vuelven nunca,
todo el mundo lo sabe,
y entre el claro gentío de los vientos
es inútil quejarse.
¿Verdad, chopo, maestro de la brisa?
¡Es inútil quejarse!
Sin ningún viento,
¡hazme caso!,
gira, corazón;
gira, corazón.
Federico Garcia Lorca
sexta-feira, 5 de março de 2010
CAMBODIA. Phnom Penh. Genocide museum of Tuol sleng, situated in a school transformed into an interrogation center by the Khmer Rouge. Dismantling of a map made by Vann Nath, one of two survivors of Tuol Sleng, in 1979 and made of skulls collected from nearby Choeung Ek Killing Field.
The Khmer Rouge, led by Pol Pot, was blamed for one of the worst horrors of the 20th century. At least 1.7 million people - nearly one-quarter of Cambodia's population - died under the regime, from execution, disease, starvation and overwork.
The first accused, Kaing Guek Eav, alias Duch, was in charge of the S21 interrogation center, a prison converted from a school. At the prison, men, women and children were shackled to iron beds and tortured before they were beaten to death. He is charged with crimes against humanity. His verdict will be pronounced within the next couple of months. Nuon Chea, Khieu Samphan, Ieng Sary and his wife Ieng Thirith, all the remaining top leaders of the 'Angkar' (the Organisation), are waiting in their cell for their trial to begin. They are charged with crimes against humanity and genocide
terça-feira, 2 de março de 2010
domingo, 28 de fevereiro de 2010
sábado, 27 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
sábado, 20 de fevereiro de 2010
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Maria , a Psicanálise e a Poesia
entendo a Poesia como
instituinte e para além das instituições já
existentes. Ela é uma espécie de É da Coisa (termo
Lacaniano), porque pré-existe à percepção. Através da
psicanálise encontramos elementos que abrem caminho
para a descoberta, compreensão e incorporação da
poesia. mas ela é algo de sublime, soberano e
independente,além da onipotência de que dispõe - que
não é dada ao homem enquanto tal mas tão somente
enquanto enlevado momentaneamente(um momento que
independe do tempo em si) por ela a uma espécie de
"estado de todo ou tao" - que explica o fato, por
exemplo, de um sujeito iletrado (vide Caedmon ou,mais
próximos, muitos poetas dos rincões brasileiros, que o
são de fato, poetas).
A psicanálise é um interessante sistema de pensamento
sobre a palavra, sobre o ser e tudo o que o esteja
ligado ao ser do ser (o eu/outro/tempo/espaço/cultura
etc). Possui inteligibilidade por meio do estudo de
conceitos,técnicas e sobretudo interesse pela palavra
e seus desdobramentos. A Poesia abarca qualquer coisa
por onde passa e passa por onde quer e se mostra à
sensibilidades, tornando-se explícita conforme a
qualidade da expressão de quem toma a pulso a tarefa.
Como disse,compreendo e achei ótimo o texto. A poesia
é, a meu ver, algo quase assim como um de Deus!
Maria José de Menezes
instituinte e para além das instituições já
existentes. Ela é uma espécie de É da Coisa (termo
Lacaniano), porque pré-existe à percepção. Através da
psicanálise encontramos elementos que abrem caminho
para a descoberta, compreensão e incorporação da
poesia. mas ela é algo de sublime, soberano e
independente,além da onipotência de que dispõe - que
não é dada ao homem enquanto tal mas tão somente
enquanto enlevado momentaneamente(um momento que
independe do tempo em si) por ela a uma espécie de
"estado de todo ou tao" - que explica o fato, por
exemplo, de um sujeito iletrado (vide Caedmon ou,mais
próximos, muitos poetas dos rincões brasileiros, que o
são de fato, poetas).
A psicanálise é um interessante sistema de pensamento
sobre a palavra, sobre o ser e tudo o que o esteja
ligado ao ser do ser (o eu/outro/tempo/espaço/cultura
etc). Possui inteligibilidade por meio do estudo de
conceitos,técnicas e sobretudo interesse pela palavra
e seus desdobramentos. A Poesia abarca qualquer coisa
por onde passa e passa por onde quer e se mostra à
sensibilidades, tornando-se explícita conforme a
qualidade da expressão de quem toma a pulso a tarefa.
Como disse,compreendo e achei ótimo o texto. A poesia
é, a meu ver, algo quase assim como um de Deus!
Maria José de Menezes
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
PRETO NO BRANCO – A associação com o nazismo é imediata, mesmo que o filme seja ambientado às vésperas da 1.ª Guerra e não da 2.ª: ideia foi ampliar a análise, em vez de limitar a um só fato histórico
Michael Haneke não anda muito receptivo para comentar a indicação de seu filme A Fita Branca, que estreia hoje no Brasil, para concorrer ao Oscar. As perguntas foram enviadas à produção, para complementar a entrevista feita em Cannes no ano passado, mas a própria assessoria avisa: “Ele está cansado.” Talvez não seja só isso. A Palma de Ouro e a dupla premiação – melhor filme e diretor – pela Academia Europeia de Cinema já referendam A Fita Branca. A Academia de Hollywood apenas confirma as possibilidades de Haneke ao indicá-lo para o Oscar de melhor filme estrangeiro. Para muitos críticos, A Fita é o filme com mais chances. O quadro poderá mudar, como sempre ocorre no Oscar, mas as bolsas de apostas estão com Haneke. Sobre o filme, leiam o que disse o diretor, em Cannes, às vésperas de receber a Palma de Ouro de 2009, que lhe foi entregue pela própria presidente do júri, a atriz – hanekiana – Isabelle Huppert.
Seus filmes sempre tratam da violência nas relações interpessoais e sociais, mas por que viajar agora ao passado, para mostrar a violência numa pequena cidade da Alemanha no começo do século passado?
Existem muitos filmes sobre a Alemanha durante o nazismo, mas quase nunca se fala no período anterior. Queria justamente tratar dessa fase ignorada, mas que é fundamental. Após a derrota na 1.ª Guerra, foi ali que a Alemanha gestou o nazismo e (Adolf) Hitler apenas se beneficiou das circunstâncias da época. Como você disse, meus filmes mostram a violência, mas não é porque eu goste disso ou tenha prazer. Como cria da civilização judaico-cristã, eu também carrego a minha culpa, e não é porque seja pessoalmente malvado e precise de redenção. Queria muito falar sobre o pré-nazismo e como uma sociedade repressora deformou a mentalidade de uma geração que aderiu sem autocrítica aos ideais de Hitler. Mas a ideia, falando de crianças, nunca foi fazer só um filme sobre as origens do nazismo. Gostaria que as pessoas vissem A Fita Branca como um filme sobre a perversão dos ideais. Uma educação muito rígida leva à deformação e ao fanatismo. Temos aí a origem não só do nazismo, mas do terrorismo, que tanto aflige o mundo moderno.
Você chegou a considerar outro título, A Mão Direita de Deus…
A Fita Branca evoca um ideal de pureza, mas A Mão Direita… é como essas crianças se achavam. Elas foram educadas assim, incorporaram todas as leis, foram preparadas para vigiar e punir. Não há nada pior que isso. É a origem do fundamentalismo.
Como se documentou para o filme?
Não é muito difícil. Hoje em dia, com as ferramentas da internet, você pode pesquisar na rede sobre não importa o quê. Naturalmente que é arriscado acreditar em tudo que se lê, mas com acuidade é possível descobrir coisas muito interessantes. A pesquisa foi mais extensa. Entrevistei historiadores, psicanalistas, li livros. O filme não pretende ser uma leitura psicanalítica sobre a origem do nazismo, mas o mito do pai autoritário o percorre, com certeza.
É seu filme mais bonito, do ponto de vista plástico. Por que escolheu o preto e branco?
Queria fazer um filme em preto e branco e este me pareceu perfeito, por vários motivos. Como você diz, o preto e branco é muito bonito, rigoroso, não distrai o olho, mas tem mais. Minhas fontes de pesquisa incluíram fotos da época e jornais. Todo esse material era em preto e branco e eu podia ver como a tessitura da imagem colava à gravidade do material. A Fita Branca não teria sido a mesma coisa, se fosse filmado em cores.
Como você escolheu os atores, as crianças especialmente?
Foi o trabalho de casting mais extenso da minha carreira. Na realidade, passei mais de seis meses só entrevistando crianças. O primeiro critério foi buscar atores, infantis e adultos, que se assemelhassem, fisicamente, às pessoas das fotos que serviam como fontes de pesquisas. Mas, naturalmente, só a semelhança não basta. É preciso testar a sensibilidade, o talento. Testamos milhares de crianças até chegar à seleção. Para os papeis dos adultos, escolhi atores com quem já havia trabalhado ou cujo trabalho conhecia. E mesmo assim foi preciso integrar os profissionais e os não profissionais. Foi um dos desafios de A Fita Branca, mas creio que o resultado superou a expectativa.
Crítica de A Fita Branca
Luiz Zanin Oricchio – O Estado SP
Com A Fita Branca, Michael Haneke nos convida a pensar na eficácia da alegoria em matéria de arte. O processo consiste em apresentar um objeto ou conjunto de fatos para, na verdade, simbolizar outra coisa. É uma maneira indireta de pensar, muito útil sob regimes fortes, quando a “mensagem” explícita pode custar a pele ao seu autor. Filmes alegóricos pulularam no Brasil da ditadura, como também em outros países que viveram períodos obscuros. O surpreendente é que, muitas vezes, esse falar enviesado surte mais efeito do que se tudo fosse dito às claras. O que levou Jorge Luis Borges a dizer que a censura era útil porque obrigava o artista a apurar o estilo. Provocação, claro.
É interessante ter isso em mente quando se for analisar este belo filme. Isso porque os acontecimentos descritos em preto e branco impecável e técnica narrativa rigorosa têm sido associados com demasiada facilidade à ascensão do nazismo. Na trama, há um barão poderoso e seus empregados submissos ao extremo, um médico quase tão autoritário quando o proprietário de terras, uma parteira e seu filho doente, o pastor protestante de moral rígida, crimes, muito falatório, e uma população infantil cheia de tédio e rancor.
A Fita Branca parece mesmo descrever esse caldo de cultura propício a regimes fortes. A associação com o nazismo é imediata, mesmo que o filme seja ambientado às vésperas da 1ª Guerra Mundial e não da 2ª. O que talvez seja uma sugestão para ampliar a análise, expandi-la ao invés de circunscrevê-la a um fato histórico determinado. Mesmo porque ninguém até hoje foi capaz de circunscrever “causas” da ascensão de Hitler, origem da maior tragédia do século passado. Essas causas são múltiplas e, entre elas, provavelmente, estaria uma determinada disposição psicológica do povo alemão naquele período específico.
Mas é possível que, ao tirar os fatos que narra da vizinhança imediata da ascensão de Hitler, Haneke tenha em mente buscar as raízes não do nazismo apenas, mas de outras formas de totalitarismo. Nesse formato geral, entrariam manifestações do mesmo fenômeno do qual o nazismo foi protótipo. Nazismo de um lado, stalinismo de outro, e também formas arcaicas e contemporâneas de intolerância, civil ou religiosa ? todas elas bebendo na fonte comum do ressentimento, manipulado pelo dono do poder na ocasião.
Com essa visão ampliada em mente, o filme também cresce. Não mais o consideramos como alusão a um fato datado e que, por terrível que tenha sido, com pouca chance histórica de se repetir. Ele nos serve também como lembrete e dica sobre o presente. Ainda mais que esse presente se mostra tão contraditório quanto o de períodos turvos do passado. Por um lado, temos a ilusão de uma sociedade livre, permeável e mesmo permissiva. Porosa por todos os meios, incluindo a moderna tecnologia de informação. Por outro lado, porém, essa mesma sociedade “aberta” apresenta uma propensão ao controle social (em nome da segurança) ao moralismo e à intriga que nada fica a dever ao ambiente do vilarejo alemão de começo do século 20 descrito por Haneke em A Fita Branca.
Michael Haneke não anda muito receptivo para comentar a indicação de seu filme A Fita Branca, que estreia hoje no Brasil, para concorrer ao Oscar. As perguntas foram enviadas à produção, para complementar a entrevista feita em Cannes no ano passado, mas a própria assessoria avisa: “Ele está cansado.” Talvez não seja só isso. A Palma de Ouro e a dupla premiação – melhor filme e diretor – pela Academia Europeia de Cinema já referendam A Fita Branca. A Academia de Hollywood apenas confirma as possibilidades de Haneke ao indicá-lo para o Oscar de melhor filme estrangeiro. Para muitos críticos, A Fita é o filme com mais chances. O quadro poderá mudar, como sempre ocorre no Oscar, mas as bolsas de apostas estão com Haneke. Sobre o filme, leiam o que disse o diretor, em Cannes, às vésperas de receber a Palma de Ouro de 2009, que lhe foi entregue pela própria presidente do júri, a atriz – hanekiana – Isabelle Huppert.
Seus filmes sempre tratam da violência nas relações interpessoais e sociais, mas por que viajar agora ao passado, para mostrar a violência numa pequena cidade da Alemanha no começo do século passado?
Existem muitos filmes sobre a Alemanha durante o nazismo, mas quase nunca se fala no período anterior. Queria justamente tratar dessa fase ignorada, mas que é fundamental. Após a derrota na 1.ª Guerra, foi ali que a Alemanha gestou o nazismo e (Adolf) Hitler apenas se beneficiou das circunstâncias da época. Como você disse, meus filmes mostram a violência, mas não é porque eu goste disso ou tenha prazer. Como cria da civilização judaico-cristã, eu também carrego a minha culpa, e não é porque seja pessoalmente malvado e precise de redenção. Queria muito falar sobre o pré-nazismo e como uma sociedade repressora deformou a mentalidade de uma geração que aderiu sem autocrítica aos ideais de Hitler. Mas a ideia, falando de crianças, nunca foi fazer só um filme sobre as origens do nazismo. Gostaria que as pessoas vissem A Fita Branca como um filme sobre a perversão dos ideais. Uma educação muito rígida leva à deformação e ao fanatismo. Temos aí a origem não só do nazismo, mas do terrorismo, que tanto aflige o mundo moderno.
Você chegou a considerar outro título, A Mão Direita de Deus…
A Fita Branca evoca um ideal de pureza, mas A Mão Direita… é como essas crianças se achavam. Elas foram educadas assim, incorporaram todas as leis, foram preparadas para vigiar e punir. Não há nada pior que isso. É a origem do fundamentalismo.
Como se documentou para o filme?
Não é muito difícil. Hoje em dia, com as ferramentas da internet, você pode pesquisar na rede sobre não importa o quê. Naturalmente que é arriscado acreditar em tudo que se lê, mas com acuidade é possível descobrir coisas muito interessantes. A pesquisa foi mais extensa. Entrevistei historiadores, psicanalistas, li livros. O filme não pretende ser uma leitura psicanalítica sobre a origem do nazismo, mas o mito do pai autoritário o percorre, com certeza.
É seu filme mais bonito, do ponto de vista plástico. Por que escolheu o preto e branco?
Queria fazer um filme em preto e branco e este me pareceu perfeito, por vários motivos. Como você diz, o preto e branco é muito bonito, rigoroso, não distrai o olho, mas tem mais. Minhas fontes de pesquisa incluíram fotos da época e jornais. Todo esse material era em preto e branco e eu podia ver como a tessitura da imagem colava à gravidade do material. A Fita Branca não teria sido a mesma coisa, se fosse filmado em cores.
Como você escolheu os atores, as crianças especialmente?
Foi o trabalho de casting mais extenso da minha carreira. Na realidade, passei mais de seis meses só entrevistando crianças. O primeiro critério foi buscar atores, infantis e adultos, que se assemelhassem, fisicamente, às pessoas das fotos que serviam como fontes de pesquisas. Mas, naturalmente, só a semelhança não basta. É preciso testar a sensibilidade, o talento. Testamos milhares de crianças até chegar à seleção. Para os papeis dos adultos, escolhi atores com quem já havia trabalhado ou cujo trabalho conhecia. E mesmo assim foi preciso integrar os profissionais e os não profissionais. Foi um dos desafios de A Fita Branca, mas creio que o resultado superou a expectativa.
Crítica de A Fita Branca
Luiz Zanin Oricchio – O Estado SP
Com A Fita Branca, Michael Haneke nos convida a pensar na eficácia da alegoria em matéria de arte. O processo consiste em apresentar um objeto ou conjunto de fatos para, na verdade, simbolizar outra coisa. É uma maneira indireta de pensar, muito útil sob regimes fortes, quando a “mensagem” explícita pode custar a pele ao seu autor. Filmes alegóricos pulularam no Brasil da ditadura, como também em outros países que viveram períodos obscuros. O surpreendente é que, muitas vezes, esse falar enviesado surte mais efeito do que se tudo fosse dito às claras. O que levou Jorge Luis Borges a dizer que a censura era útil porque obrigava o artista a apurar o estilo. Provocação, claro.
É interessante ter isso em mente quando se for analisar este belo filme. Isso porque os acontecimentos descritos em preto e branco impecável e técnica narrativa rigorosa têm sido associados com demasiada facilidade à ascensão do nazismo. Na trama, há um barão poderoso e seus empregados submissos ao extremo, um médico quase tão autoritário quando o proprietário de terras, uma parteira e seu filho doente, o pastor protestante de moral rígida, crimes, muito falatório, e uma população infantil cheia de tédio e rancor.
A Fita Branca parece mesmo descrever esse caldo de cultura propício a regimes fortes. A associação com o nazismo é imediata, mesmo que o filme seja ambientado às vésperas da 1ª Guerra Mundial e não da 2ª. O que talvez seja uma sugestão para ampliar a análise, expandi-la ao invés de circunscrevê-la a um fato histórico determinado. Mesmo porque ninguém até hoje foi capaz de circunscrever “causas” da ascensão de Hitler, origem da maior tragédia do século passado. Essas causas são múltiplas e, entre elas, provavelmente, estaria uma determinada disposição psicológica do povo alemão naquele período específico.
Mas é possível que, ao tirar os fatos que narra da vizinhança imediata da ascensão de Hitler, Haneke tenha em mente buscar as raízes não do nazismo apenas, mas de outras formas de totalitarismo. Nesse formato geral, entrariam manifestações do mesmo fenômeno do qual o nazismo foi protótipo. Nazismo de um lado, stalinismo de outro, e também formas arcaicas e contemporâneas de intolerância, civil ou religiosa ? todas elas bebendo na fonte comum do ressentimento, manipulado pelo dono do poder na ocasião.
Com essa visão ampliada em mente, o filme também cresce. Não mais o consideramos como alusão a um fato datado e que, por terrível que tenha sido, com pouca chance histórica de se repetir. Ele nos serve também como lembrete e dica sobre o presente. Ainda mais que esse presente se mostra tão contraditório quanto o de períodos turvos do passado. Por um lado, temos a ilusão de uma sociedade livre, permeável e mesmo permissiva. Porosa por todos os meios, incluindo a moderna tecnologia de informação. Por outro lado, porém, essa mesma sociedade “aberta” apresenta uma propensão ao controle social (em nome da segurança) ao moralismo e à intriga que nada fica a dever ao ambiente do vilarejo alemão de começo do século 20 descrito por Haneke em A Fita Branca.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Soneto para un tango en la nochecita
Quién se lo dijo todo al tango querenciero
cuya dulzura larga con amor se detuvo
frente a unos balconcitos de destino modesto
de ese barrio con árboles que ni siquiera es tuyo ?
.
Lo cierto es que en su pena vi un corralón austero
que vislumbré hace meses en un vago suburbio
y entre cuyos tapiales hubo todo el poniente ...
Lo cierto es que al oírlo te quise más que nunca
.
Arrimado a la música me quedé en la vereda
frente a la sola luna ..... corazón de la calle
y entre el viento larguero que pasó arreando noche
.
El infinito tango me llevaba hacia todo
A las estrellas nuevas ... Al azar de ser hombre
y a ese claro recuerdo que buscan bien mis ojos
Jorge Luis Borges
Caras y Caretas – 3 marzo 1926
cuya dulzura larga con amor se detuvo
frente a unos balconcitos de destino modesto
de ese barrio con árboles que ni siquiera es tuyo ?
.
Lo cierto es que en su pena vi un corralón austero
que vislumbré hace meses en un vago suburbio
y entre cuyos tapiales hubo todo el poniente ...
Lo cierto es que al oírlo te quise más que nunca
.
Arrimado a la música me quedé en la vereda
frente a la sola luna ..... corazón de la calle
y entre el viento larguero que pasó arreando noche
.
El infinito tango me llevaba hacia todo
A las estrellas nuevas ... Al azar de ser hombre
y a ese claro recuerdo que buscan bien mis ojos
Jorge Luis Borges
Caras y Caretas – 3 marzo 1926
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
domingo, 17 de janeiro de 2010
Haiti
Não foi o medo do vodu que ajudaram a expulsar os franceses se fosse assim isso aconteceria também no Daomé(Benin)posteriormente.
Foi a luta de uma nação contra um império que vivia uma contradição ( os herdeiros da revolução francesa apoiando a escravidão? é claro que os milicos não estavão nem aí, mas pra que atravessar o oceano para morrer tão longe da pátria )
Olvidamos jamais da inportância para os movimentos abolicionistas da Independência do Haiti que venceu Napoleão desanimando-o a manter colonias (Louisiana vendida a poucos centavos o acre para os EUA)na América.
Wilso Roberto Nogueira
Foi a luta de uma nação contra um império que vivia uma contradição ( os herdeiros da revolução francesa apoiando a escravidão? é claro que os milicos não estavão nem aí, mas pra que atravessar o oceano para morrer tão longe da pátria )
Olvidamos jamais da inportância para os movimentos abolicionistas da Independência do Haiti que venceu Napoleão desanimando-o a manter colonias (Louisiana vendida a poucos centavos o acre para os EUA)na América.
Wilso Roberto Nogueira
Elite Política no Haiti
O Haiti nunca teve um Estado foram alguns projetos e incontáveis governos, pois isso interessava a predação do país e sua elite eurocentrica introjetada de preconceitos contra a maior parte do povo encastelou-se numa “Versalhes” tropical abandonando a massa negra a sua própria sorte e instrumentalizando suas crenças contra elas próprias. Escolas , hospitais,saneamento não surge de forma espontânea pracisa da intervenção da elite politica detentora do poder , a qual estava satisfeita enviando os seus à Europa e depois aos EUA .
Wilson Roberto Nogueira
Wilson Roberto Nogueira
Haiti
"Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, haverá guerra." (Bob Marley)
"O Marley se refere ao brilho dos olhos, talvez se referindo à vivacidade do olhar, que é o espelho da alma, como já disse alguém que não lembro agora"
Correto Vini,pulou a aparencia e foi logo na essência.coisas tão simples e verdadeiras,de tão cristalinas que muitos não veem.As pessoas não se olham com olhos de ver.Não dá lucro ou ainda vivemos como nossos ancestrais e haja borduna pra quem não é da nossa tribo ou entende nossos grunhidos.O Haiti no meio ao desespero da decomposição ainda nos preenche de humanidade cristã mas tem muita bandeira querendo fincar bondade e prestigio vulgo poder. qual a bandeira tem o cabo maior ?espero que não afundem aquele canto de ilha .Cada dia são menos vidas .cada sede ou fome mais violência.apressemo-nos a olhar o briolhar dos olhos enquanto ainda brilham.
Graças a revolução tecnológica as pessoas ficaram mais próximas ,todos somos vizinhos não importa o continente!A ajuda extra governamental é maior do que de muitos países.e alguns países preocupados com seu prestigio e poder na região atropelam os esforços de outros , todos querendo ajudar ;muitas mãos sobre um pedaço de ilha tão pequena a ameaçar de afundamento a esperança.
Wilson Roberto Nogueira
"O Marley se refere ao brilho dos olhos, talvez se referindo à vivacidade do olhar, que é o espelho da alma, como já disse alguém que não lembro agora"
Correto Vini,pulou a aparencia e foi logo na essência.coisas tão simples e verdadeiras,de tão cristalinas que muitos não veem.As pessoas não se olham com olhos de ver.Não dá lucro ou ainda vivemos como nossos ancestrais e haja borduna pra quem não é da nossa tribo ou entende nossos grunhidos.O Haiti no meio ao desespero da decomposição ainda nos preenche de humanidade cristã mas tem muita bandeira querendo fincar bondade e prestigio vulgo poder. qual a bandeira tem o cabo maior ?espero que não afundem aquele canto de ilha .Cada dia são menos vidas .cada sede ou fome mais violência.apressemo-nos a olhar o briolhar dos olhos enquanto ainda brilham.
Graças a revolução tecnológica as pessoas ficaram mais próximas ,todos somos vizinhos não importa o continente!A ajuda extra governamental é maior do que de muitos países.e alguns países preocupados com seu prestigio e poder na região atropelam os esforços de outros , todos querendo ajudar ;muitas mãos sobre um pedaço de ilha tão pequena a ameaçar de afundamento a esperança.
Wilson Roberto Nogueira
A Menina Amarela
Havia oito dias, Pedro de Alencar, aquele rapaz tão distinto e com uma posição invejável, ia seguidamente à casa de Flora Berta. Toda a roda estava admirada. Pedro – criatura feita de aristocracias inatas, cultor de elegâncias, encafuado num conventilho da Cidade Nova, entre mulheres de má vida, apaixonado pela Flora Berta, gordinha e vulgar nos seus vinte anos! Parecia impossível! Era decerto um novo vício, mais uma esquisitice moral.
Depois, Flora, curioso ser de instinto, tinha um amante, sujeito forte e carnudo, em casa a noite e o dia; e mais uma tropa de amigos íntimos que se aproveitavam dos esquecimentos da proprietária; para almoçar, jantar, dormir e, sempre que havia ocasião, amar. Não! Era impossível. Entretanto, Pedro de Alencar estava cada vez mais preso, e ao encontrar um dos seus mais acirrados amigos, deu a solução do enigma daquela atração.
- É esplêndido, filho, de inconsciência moral! Não imaginas a atmosfera permanente de animalidade vestida. Há meia dúzia de mulheres que só pensam nos homens, uma caterva de homens a galopar pelos corredores. E tudo, até os móveis, parecem gritar a falta de vergonha. Com um mês de estadia naquela casa, fica-se a perguntar onde está o pudor. Realmente, existe o pudor? Existiu mesmo? Estou de observação, meio alegre e meio triste.
A casa em que Pedro de Alencar estava de observação tinha no quarto da frente Flora Berta, com uma cama quebrada, um sofá servindo de toilete e as fotografias e os cartões postais dos seus apaixonados, pregados a tacha pelas paredes. As paredes estavam cobertas dessa ilustração amorosa e edificante. No quarto pegado, morava a Rosinha da Gruma, uma pobre mulher de boca mole e dentadura postiça, que se fizera especialista em amar meninos. Tinha talvez trinta permanentes, dos treze aos dezoito anos, que lhe levavam os magros vinténs, ardendo de devotamento e choravam quando se viam preteridos pelo mais velho, bela envergadura de atleta, cujo primeiro e único carinho fora a aplicação de uma sova tremenda. Na alcova pegada, morava um tipozinho franzino e pintado, a Formiga, apaixonada por um adolescente belo como o Perseu de Benevenuto, e no quarto da sala de jantar, rebaixada por falta de pagamento, Nina Banez, ex-cantora de café-concerto, subitamente empolada pelas caretas de um cômico jovem chamado Andrade. Ainda para os fundos moravam a velha mãe de Flora, com um tipo valentaço, que lhe batia diariamente, o irmão de Flora, ser ambíguo e serpentino, e a criada – uma criada baiana, sempre envolta num chalé e fumando certo cachimbo tão comprido, que parecia mais um narguilé.
Esse pessoal fazia ponto de reunião na estreita casa de jantar, onde, além da mesa, de um guarda-comida e da bilha de barro, havia uma lousa negra, em que se expunham os nomes das pessoas devedoras. Para passar aos quartos, passava-se por ali. Quartos havia que exigiam mesmo a passagem por outro. De modo que de repente, na conversa animada, havia um silêncio. Era alguém que entrava.
- D. Rosinha está?
Se era conhecido, o silêncio transformava-se em alarido.
- Ora, entra, deixa de partes!
Se era coisa nova, ou havia complicações, uma companheira dizia sempre:
- Vou ver.
Ia apenas prevenir. O que estava, saía por outra porta a vir tomar cerveja, e a Rosinha aparecia calma e sorridente:
- Só agora, seu mau! Estou à espera há tanto tempo!…
As damas estavam sempre em roupão, ou em camisa, os homens à frescata. A noite, assim por volta de uma hora da manhã, quando voltavam do teatro e dos cafés, organizavam-se ceias súbitas. Cada rapaz ia comprar uma coisa. Alguns, quando não tinham dinheiro nem para isso, vestiam as camisas das damas e ordenavam os outros com ares dominadores.
Pedro de Alencar assistia às cenas desenfreadas com um excelente bom humor. A princípio Flora Berta fazia sair o rapaz vigoroso por um dos quartos, para não se encontrarem. Pedro deu com o rapaz um dia à porta…
- O Sr. Francisco?
- As suas ordens.
- Subamos juntos.
- Parece-me…
- Nada mais interessante.
O Sr. Francisco subiu. Foi um acontecimento. Entre Francisco e Pedro, Flora Berta irradiava de orgulho e de prazer. Francisco era a sua satisfação física. Pedro o seu apetite de efeito. O segundo era mostrado como se mostra um colar de preço; o outro era invejado como um jantar sempre quente. E, verdadeiramente repartida, pendida para Pedro, com as mãos para Francisco, parecia felicíssima. De resto, embaixo, o automóvel de Pedro carbunculava na treva, e ela não resistia em ir correr a imensa Avenida do Mangue, um manto apenas sobre as espáduas nuas como Frinéia, só com o seu homem de luxo…
As conversas gerais nunca eram de uma inteira cordialidade. De suscetibilidade grande, essas damas zangavam-se por qualquer coisa, umas com as outras. Um vocabulário assustador surgia, portas batiam, gritos, ameaças de conflito. De vez em quando o ardente sustentador da mãe da dona da casa aparecia alcoolizado, com um punhal formidável, querendo matar toda a gente. As mulheres atiravam-se às janelas, pedindo socorro, e como a delegacia era próxima, minutos depois, soldados de espadagão trepavam escada acima, prestes aprender todos os presentes. Como, porém, o delegado tinha uma especial amizade a Flora Berta, tudo continuava na mesma. E ela vociferava indignada:
- Canalhas! Se não fosse eu, estava tudo preso!
Mas o agradável eram as tardes e as noites passadas na sua alcova paupérrima. Berta fechava-se por dentro, farta daquela vida, querendo uma casinha com palmeiras e canários. De um lado Francisco, sempre enleado, sorria; de outro, Pedro, muito alegre, fazia-lhe perguntas, e ela deitada, ria a morrer e contava coisas, como desde criança imaginara ser raptada, a fuga aos quatorze anos com o marido, um barbeiro, aliás, meio tolo, o abandono da casa por causa dos ciúmes da mamã, a quem sustentava.
- Afinal, sempre é mãe, não achas?
Depois tinha ternuras de voz:
- Na minha vida, até agora não tinha gostado de ninguém.
- E agora?
- Agora gosto de vocês dois.
E piscava os olhos para o Francisco, se Pedro estava voltado, tendo o cuidado de significar por um sinal qualquer a Pedro a sua preferência. O Sr. Francisco talvez acreditasse. Pedro divertia-se, amando, afinal, como devia amar essa criaturinha, ingênua, apesar de perdidíssima naquele ambiente de crápula. Era dos que se contentam com o que as mulheres dão, achando-as sempre generosas, por piores que elas sejam. E isso dava-lhe em pouco tempo uma enorme vantagem sobre todos os outros.
- Duvido! bradava ele.
- Juro!
- E estes retratos todos?
Ela então contava a história e as particularidades de cada um daqueles cavalheiros, ia buscar as cartas para lerem alto, rindo. Um dia, Pedro propôs o degolamento geral do exército de fotografias.
- Apoiado! fez com uma alegria terrível o Sr. Francisco.
- Não! não! clamava Flora Berta, louca de riso com a idéia do julgamento e da morte dos retratos.
Horas depois as paredes estavam nuas e Pedro sentia aquele misto de contentamento e de tristeza que tem todo o homem moderno, quando irreparavelmente o mundo lhe mostra o vácuo dos sentimentos. Era inacreditável! Não sentiam aqueles seres, não pensavam, não tinham um toque que os díferençasse dos animais, e pareciam felizes e viviam. Talvez fosse melhor não sentir, porque o pudor é a diferenciação do homem, e aqueles sem pudor viviam radiantes. Nenhum deles teria ao menos um laivo de decoro d’alma?
Talvez tivesse, mas tão apagado, tão liquefeito, e com certeza tão extemporâneo! Os homens pareciam ir ali despir a vergonha para estar à vontade; as mulheres nascidas naquele meio desde crianças, ainda impúberes e já com o conhecimento completo das mais tremendas luxúrias, prestando-se a todas as ignomínias, ignoravam mesmo o que fosse o pudor. E a sua dignidade, – porque elas tinham dignidade – era ter muitos amantes e não se zangar quando as outras lhes tomavam alguns.
- Meus restos, criatura…
O ceticismo romântico de Pedro tornava-se de uma análise penetrante, fazia-o um avaliador de algumas frases inconscientes daquela gente que ele tivera a ilusão de julgar um pouco melhor que a roda da diversão e prazer caro. Pois era pior. Pior porque não era imoral. Nem isso. Pior porque era a alma nua espojando-se e mostrando as mazelas. Aquelas mulheres tinham sido virgens, talvez tivessem ignorado a vida. Nenhuma delas, porém, mostrava, na abundante tagarelice, um sentimento perfumado, uma vaga emoção dignificadora, – tropa meio bamba de bacantes permanentes, com instintos selvagens. E, entretanto, Pedro não desanimava. Fazer-se amar pela Flora Berta? Pobrezita! Não. Ver uma daquelas mulheres mostrar subitamente qualquer coisa de nobre? Não. Pedro esperava o terrível, o imprevisto, lugubremente horrível que há sempre a pairar nos transbordamentos banais da luxúria. E naquela casa aberta a toda a gente, onde se praticava a vida animal sem mistério, sem recato, na sarabanda das ceias, nas mais desenfreadas orgias, em diálogos com a velha mãe de Flora, diariamente espancada, forçando a intimidade com o amoroso Francisco, a cada instante parecia-lhe sentir que impalpavelmente a revelação imprevista ia surgir.
Uma vez, Pedro estava só com a Flora, quando bateram à porta:
- É o Francisco.
- Não, ele bate de outro modo. Decerto alguém que vai passar para o quarto da Rosinha.
Deu a volta à chave, abriu. Diante deles estava, com a sua saia suja, o casaco em tiras, o cabelo de estopa por pentear, uma pobre menina.
Era horrível.
Pequena, miúda, magra, o pescoço fino, tremia como se viesse da neve. E parecia que lhe tinham dado por dentro da pele um violento banho de enxofre. Tinha jalde a face, a pele das mãos era amarela, os lábios, sem sangue, laivavam-se de amarelo, e nas olheiras cor-de-perpétua a esclerótica era cor-de-ovo. Lembrava um espectro de pesadelo, um ser irreal, onde só os seios duros e eretos davam uma impressão de vida impetuosa.
Quando viu Pedro, agarrou-se à porta, a face contraída, tremendo.
- Que queres? indagou colérica Flora.
- Foi a senhora sua mãe que mandou. Pensava estar só, balbuciou a petiz.
- Não disse já que não aparecesse aqui?
- Foi sem vontade. Desculpe. Eu não gosto, não, de aparecer.
E foi recuando, pávida. Berta fechou a porta.
- Que bicho é esse?
- Uma rapariguita, que está aí de favor. Ajuda lá na cozinha.
- Não a tinha visto ainda.
- Tem medo, é uma tola. Imagina tu que tem medo aos homens! Por isso não aparece.
- Mau lugar escolheu ela.
Mas de novo arranhavam à porta. E de fora uma voz lívida, voz de medo, de angústia, de pavor, de choro, quase soluçante, dizia:
- Sou eu ainda, minha senhora. Sua mãe manda buscar a bacia…
Prevendo uma violência da encantadora Flora e mais do que tudo cheio de curiosidade, Pedro ergueu-se rápido e tomou abrir a porta.
- Vá, entre.
A pequena hesitou como se fosse atirar-se a um abismo, fechou os olhos, arregalou-os muito, esticou as mãos amarelas, andou um pouco. Tinha os pés nus e sujos e andando arfava como um duende aterrado. Agarrou a bacia, sobraçou-a. Era atroz, assustadoramente atroz.
- Vem cá. Como se chama você?
- Fala, menina, não tremas. Este senhor não te faz mal. É isso. Vê homem, começa a tremer! Ó Maria, como te chamas? Conta como foi, rapariga, vem cá…
A pequena amarela olhou-os um instante mais, convulsionou-se num soluço que lhe esbugalhava o olhar e deitou a correr pelo corredor. Houve um silêncio, logo interrompido pelo riso de Flora Berta.
- Está há muito tempo contigo?
- Três meses. Foi o pai que a colocou aqui. Tem doze anos e já com aqueles seios…
- Mas está doente, filha. Nunca vi na minha vida uma criatura tão amarela.
Flora voltou-se no leito. Estava linda com a sua carne de leite e rosa.
- Não. Aquilo foi de repente. Há quatro meses um carroceiro, amigo do pai, agarrou-a de noite, à força. No outro dia foram encontrá-la assim, a soluçar, não podendo olhar os homens sem tremer, sem fugir. Nem mesmo o pai. E amarela, toda amarela, filho. O médico disse que foi de horror…
No dia seguinte os hóspedes alegres da casa de Flora Berta verificaram com mágoa que Pedro de Alencar, aquele rapaz tão distinto e com uma posição invejável, deixava de aparecer.
Por João do Rio
http//www.opiniaoenoticia.blogspot.com
Depois, Flora, curioso ser de instinto, tinha um amante, sujeito forte e carnudo, em casa a noite e o dia; e mais uma tropa de amigos íntimos que se aproveitavam dos esquecimentos da proprietária; para almoçar, jantar, dormir e, sempre que havia ocasião, amar. Não! Era impossível. Entretanto, Pedro de Alencar estava cada vez mais preso, e ao encontrar um dos seus mais acirrados amigos, deu a solução do enigma daquela atração.
- É esplêndido, filho, de inconsciência moral! Não imaginas a atmosfera permanente de animalidade vestida. Há meia dúzia de mulheres que só pensam nos homens, uma caterva de homens a galopar pelos corredores. E tudo, até os móveis, parecem gritar a falta de vergonha. Com um mês de estadia naquela casa, fica-se a perguntar onde está o pudor. Realmente, existe o pudor? Existiu mesmo? Estou de observação, meio alegre e meio triste.
A casa em que Pedro de Alencar estava de observação tinha no quarto da frente Flora Berta, com uma cama quebrada, um sofá servindo de toilete e as fotografias e os cartões postais dos seus apaixonados, pregados a tacha pelas paredes. As paredes estavam cobertas dessa ilustração amorosa e edificante. No quarto pegado, morava a Rosinha da Gruma, uma pobre mulher de boca mole e dentadura postiça, que se fizera especialista em amar meninos. Tinha talvez trinta permanentes, dos treze aos dezoito anos, que lhe levavam os magros vinténs, ardendo de devotamento e choravam quando se viam preteridos pelo mais velho, bela envergadura de atleta, cujo primeiro e único carinho fora a aplicação de uma sova tremenda. Na alcova pegada, morava um tipozinho franzino e pintado, a Formiga, apaixonada por um adolescente belo como o Perseu de Benevenuto, e no quarto da sala de jantar, rebaixada por falta de pagamento, Nina Banez, ex-cantora de café-concerto, subitamente empolada pelas caretas de um cômico jovem chamado Andrade. Ainda para os fundos moravam a velha mãe de Flora, com um tipo valentaço, que lhe batia diariamente, o irmão de Flora, ser ambíguo e serpentino, e a criada – uma criada baiana, sempre envolta num chalé e fumando certo cachimbo tão comprido, que parecia mais um narguilé.
Esse pessoal fazia ponto de reunião na estreita casa de jantar, onde, além da mesa, de um guarda-comida e da bilha de barro, havia uma lousa negra, em que se expunham os nomes das pessoas devedoras. Para passar aos quartos, passava-se por ali. Quartos havia que exigiam mesmo a passagem por outro. De modo que de repente, na conversa animada, havia um silêncio. Era alguém que entrava.
- D. Rosinha está?
Se era conhecido, o silêncio transformava-se em alarido.
- Ora, entra, deixa de partes!
Se era coisa nova, ou havia complicações, uma companheira dizia sempre:
- Vou ver.
Ia apenas prevenir. O que estava, saía por outra porta a vir tomar cerveja, e a Rosinha aparecia calma e sorridente:
- Só agora, seu mau! Estou à espera há tanto tempo!…
As damas estavam sempre em roupão, ou em camisa, os homens à frescata. A noite, assim por volta de uma hora da manhã, quando voltavam do teatro e dos cafés, organizavam-se ceias súbitas. Cada rapaz ia comprar uma coisa. Alguns, quando não tinham dinheiro nem para isso, vestiam as camisas das damas e ordenavam os outros com ares dominadores.
Pedro de Alencar assistia às cenas desenfreadas com um excelente bom humor. A princípio Flora Berta fazia sair o rapaz vigoroso por um dos quartos, para não se encontrarem. Pedro deu com o rapaz um dia à porta…
- O Sr. Francisco?
- As suas ordens.
- Subamos juntos.
- Parece-me…
- Nada mais interessante.
O Sr. Francisco subiu. Foi um acontecimento. Entre Francisco e Pedro, Flora Berta irradiava de orgulho e de prazer. Francisco era a sua satisfação física. Pedro o seu apetite de efeito. O segundo era mostrado como se mostra um colar de preço; o outro era invejado como um jantar sempre quente. E, verdadeiramente repartida, pendida para Pedro, com as mãos para Francisco, parecia felicíssima. De resto, embaixo, o automóvel de Pedro carbunculava na treva, e ela não resistia em ir correr a imensa Avenida do Mangue, um manto apenas sobre as espáduas nuas como Frinéia, só com o seu homem de luxo…
As conversas gerais nunca eram de uma inteira cordialidade. De suscetibilidade grande, essas damas zangavam-se por qualquer coisa, umas com as outras. Um vocabulário assustador surgia, portas batiam, gritos, ameaças de conflito. De vez em quando o ardente sustentador da mãe da dona da casa aparecia alcoolizado, com um punhal formidável, querendo matar toda a gente. As mulheres atiravam-se às janelas, pedindo socorro, e como a delegacia era próxima, minutos depois, soldados de espadagão trepavam escada acima, prestes aprender todos os presentes. Como, porém, o delegado tinha uma especial amizade a Flora Berta, tudo continuava na mesma. E ela vociferava indignada:
- Canalhas! Se não fosse eu, estava tudo preso!
Mas o agradável eram as tardes e as noites passadas na sua alcova paupérrima. Berta fechava-se por dentro, farta daquela vida, querendo uma casinha com palmeiras e canários. De um lado Francisco, sempre enleado, sorria; de outro, Pedro, muito alegre, fazia-lhe perguntas, e ela deitada, ria a morrer e contava coisas, como desde criança imaginara ser raptada, a fuga aos quatorze anos com o marido, um barbeiro, aliás, meio tolo, o abandono da casa por causa dos ciúmes da mamã, a quem sustentava.
- Afinal, sempre é mãe, não achas?
Depois tinha ternuras de voz:
- Na minha vida, até agora não tinha gostado de ninguém.
- E agora?
- Agora gosto de vocês dois.
E piscava os olhos para o Francisco, se Pedro estava voltado, tendo o cuidado de significar por um sinal qualquer a Pedro a sua preferência. O Sr. Francisco talvez acreditasse. Pedro divertia-se, amando, afinal, como devia amar essa criaturinha, ingênua, apesar de perdidíssima naquele ambiente de crápula. Era dos que se contentam com o que as mulheres dão, achando-as sempre generosas, por piores que elas sejam. E isso dava-lhe em pouco tempo uma enorme vantagem sobre todos os outros.
- Duvido! bradava ele.
- Juro!
- E estes retratos todos?
Ela então contava a história e as particularidades de cada um daqueles cavalheiros, ia buscar as cartas para lerem alto, rindo. Um dia, Pedro propôs o degolamento geral do exército de fotografias.
- Apoiado! fez com uma alegria terrível o Sr. Francisco.
- Não! não! clamava Flora Berta, louca de riso com a idéia do julgamento e da morte dos retratos.
Horas depois as paredes estavam nuas e Pedro sentia aquele misto de contentamento e de tristeza que tem todo o homem moderno, quando irreparavelmente o mundo lhe mostra o vácuo dos sentimentos. Era inacreditável! Não sentiam aqueles seres, não pensavam, não tinham um toque que os díferençasse dos animais, e pareciam felizes e viviam. Talvez fosse melhor não sentir, porque o pudor é a diferenciação do homem, e aqueles sem pudor viviam radiantes. Nenhum deles teria ao menos um laivo de decoro d’alma?
Talvez tivesse, mas tão apagado, tão liquefeito, e com certeza tão extemporâneo! Os homens pareciam ir ali despir a vergonha para estar à vontade; as mulheres nascidas naquele meio desde crianças, ainda impúberes e já com o conhecimento completo das mais tremendas luxúrias, prestando-se a todas as ignomínias, ignoravam mesmo o que fosse o pudor. E a sua dignidade, – porque elas tinham dignidade – era ter muitos amantes e não se zangar quando as outras lhes tomavam alguns.
- Meus restos, criatura…
O ceticismo romântico de Pedro tornava-se de uma análise penetrante, fazia-o um avaliador de algumas frases inconscientes daquela gente que ele tivera a ilusão de julgar um pouco melhor que a roda da diversão e prazer caro. Pois era pior. Pior porque não era imoral. Nem isso. Pior porque era a alma nua espojando-se e mostrando as mazelas. Aquelas mulheres tinham sido virgens, talvez tivessem ignorado a vida. Nenhuma delas, porém, mostrava, na abundante tagarelice, um sentimento perfumado, uma vaga emoção dignificadora, – tropa meio bamba de bacantes permanentes, com instintos selvagens. E, entretanto, Pedro não desanimava. Fazer-se amar pela Flora Berta? Pobrezita! Não. Ver uma daquelas mulheres mostrar subitamente qualquer coisa de nobre? Não. Pedro esperava o terrível, o imprevisto, lugubremente horrível que há sempre a pairar nos transbordamentos banais da luxúria. E naquela casa aberta a toda a gente, onde se praticava a vida animal sem mistério, sem recato, na sarabanda das ceias, nas mais desenfreadas orgias, em diálogos com a velha mãe de Flora, diariamente espancada, forçando a intimidade com o amoroso Francisco, a cada instante parecia-lhe sentir que impalpavelmente a revelação imprevista ia surgir.
Uma vez, Pedro estava só com a Flora, quando bateram à porta:
- É o Francisco.
- Não, ele bate de outro modo. Decerto alguém que vai passar para o quarto da Rosinha.
Deu a volta à chave, abriu. Diante deles estava, com a sua saia suja, o casaco em tiras, o cabelo de estopa por pentear, uma pobre menina.
Era horrível.
Pequena, miúda, magra, o pescoço fino, tremia como se viesse da neve. E parecia que lhe tinham dado por dentro da pele um violento banho de enxofre. Tinha jalde a face, a pele das mãos era amarela, os lábios, sem sangue, laivavam-se de amarelo, e nas olheiras cor-de-perpétua a esclerótica era cor-de-ovo. Lembrava um espectro de pesadelo, um ser irreal, onde só os seios duros e eretos davam uma impressão de vida impetuosa.
Quando viu Pedro, agarrou-se à porta, a face contraída, tremendo.
- Que queres? indagou colérica Flora.
- Foi a senhora sua mãe que mandou. Pensava estar só, balbuciou a petiz.
- Não disse já que não aparecesse aqui?
- Foi sem vontade. Desculpe. Eu não gosto, não, de aparecer.
E foi recuando, pávida. Berta fechou a porta.
- Que bicho é esse?
- Uma rapariguita, que está aí de favor. Ajuda lá na cozinha.
- Não a tinha visto ainda.
- Tem medo, é uma tola. Imagina tu que tem medo aos homens! Por isso não aparece.
- Mau lugar escolheu ela.
Mas de novo arranhavam à porta. E de fora uma voz lívida, voz de medo, de angústia, de pavor, de choro, quase soluçante, dizia:
- Sou eu ainda, minha senhora. Sua mãe manda buscar a bacia…
Prevendo uma violência da encantadora Flora e mais do que tudo cheio de curiosidade, Pedro ergueu-se rápido e tomou abrir a porta.
- Vá, entre.
A pequena hesitou como se fosse atirar-se a um abismo, fechou os olhos, arregalou-os muito, esticou as mãos amarelas, andou um pouco. Tinha os pés nus e sujos e andando arfava como um duende aterrado. Agarrou a bacia, sobraçou-a. Era atroz, assustadoramente atroz.
- Vem cá. Como se chama você?
- Fala, menina, não tremas. Este senhor não te faz mal. É isso. Vê homem, começa a tremer! Ó Maria, como te chamas? Conta como foi, rapariga, vem cá…
A pequena amarela olhou-os um instante mais, convulsionou-se num soluço que lhe esbugalhava o olhar e deitou a correr pelo corredor. Houve um silêncio, logo interrompido pelo riso de Flora Berta.
- Está há muito tempo contigo?
- Três meses. Foi o pai que a colocou aqui. Tem doze anos e já com aqueles seios…
- Mas está doente, filha. Nunca vi na minha vida uma criatura tão amarela.
Flora voltou-se no leito. Estava linda com a sua carne de leite e rosa.
- Não. Aquilo foi de repente. Há quatro meses um carroceiro, amigo do pai, agarrou-a de noite, à força. No outro dia foram encontrá-la assim, a soluçar, não podendo olhar os homens sem tremer, sem fugir. Nem mesmo o pai. E amarela, toda amarela, filho. O médico disse que foi de horror…
No dia seguinte os hóspedes alegres da casa de Flora Berta verificaram com mágoa que Pedro de Alencar, aquele rapaz tão distinto e com uma posição invejável, deixava de aparecer.
Por João do Rio
http//www.opiniaoenoticia.blogspot.com
Os Pecados do Haiti
A democracia haitiana nasceu há muito pouco. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e enferma não recebeu nada, além de bofetadas. Estava ainda recém nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou. Depois de terem colocado e retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos pegaram e impuseram o presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito por voto popular em toda a história do Haiti e que havia tido a louca aspiração de querer um país menos injusto.
O voto e o veto
Para apagar as nódoas da participação norte-americana na ditadura carniceira do general Cedras, os infantes de marinha levaram 160 mil páginas dos arquivos secretos. Aristide regressou acorrentado. Deram-lhe permissão para retomar o governo, mas o proibiram exercer o poder. Seu sucessor, René Préval, obteve quase 90 por cento dos votos, porém mais poder que Préval tem qualquer burocrata de quarta categoria do Fundo Monetário ou do Banco Mundial, ainda que o povo haitiano não o tenha sequer eleito com um voto apenas.
Mais que o voto, pode o veto. Veto às reformas: cada vez que Préval, ou algum de seus ministros, pede créditos internacionais para dar pão aos famintos, instrução aos analfabetos o terra aos camponeses, não recebe resposta, ou o contradizem ordenando-lhe: - Faça a lição! E como o governo haitiano nunca aprende que deve desmantelar os poucos serviços públicos que ainda permanecem, últimos pobres amparos para um dos povos mais desamparados do mundo, os professores acabam sempre por reprová-lo.
O álibi demográfico
No final do ano passado quatro deputados alemães visitaram o Haiti. Assim que chegaram, a miséria do povo os atingiu frontalmente. Então o embaixador de Alemanha lhes explicou, em Porto Príncipe, qual é o problema: - Este é um país demasiadamente povoado - disse-. A mulher haitiana sempre quer e o homem haitiano sempre pode.
E riu. Os deputados se calaram. Essa noite, um deles, Winfried Wolf, consultou as cifras. E comprovou que o Haiti é, com El Salvador, o país mais superpovoado das Américas, tanto quanto a Alemanha: tem quase a mesma quantidade de habitantes por quilometro quadrado. Em sua passagem pelo Haiti, o deputado Wolf não apenas foi atingido pela miséria: também ficou deslumbrado pela capacidade de expressar a beleza dos pintores populares. E chegou à conclusão de que o Haiti está superpovoado… de artistas.
Na realidade, o álibi demográfico é mais o menos recente. Até a alguns anos, as potências ocidentais falaram bem mais claro.
A tradição racista
Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando alcançaram seus dois objetivos: cobrar as dívidas do City Bank e revogar o artigo constitucional que proibia a venda de terras aos estrangeiros. Robert Lansing, então secretário de Estado, justificou a prolongada e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de se governar por si mesma, que possui “uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização”. Uno dos responsáveis pela invasão, William Philips, havia elaborado anteriormente a sagaz idéia: “Esse é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que tinham deixado os franceses”.
O Haiti havia sido a pérola da corona, a colônia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com força de trabalho escrava. No espírito das leis, Montesquieu o havia explicado sem travas na língua: “O açúcar seria demasiado caro se não trabalhassem os escravos para sua produção. Esses escravos são negros desde os pés até a cabeça e têm o nariz tão esmagado que é quase impossível ter deles alguma pena. Resulta impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma e sobretudo uma alma boa num corpo inteiramente negro”.
Em troca, Deus havia colocado um chicote na mão do feitor. Os escravos não se distinguiam por sua vontade de trabalho. Os negros eram escravos por natureza e vadios também por natureza; e a natureza, cúmplice da ordem social, era obra de Deus: o escravo devia servir ao amo e o amo devia castigar o escravo, que não mostrasse o menor entusiasmo na hora de cumprir com o desígnio divino. Karl von Linneo, contemporâneo de Montesquieu, havia retratado o negro com precisão científica: “Vagabundo, desocupado, negligente, indolente e de costumes dissolutos”. Mais generosamente, outro contemporâneo, David Hume, havia comprovado que o negro “pode desenvolver certas habilidades humanas, como o papagaio que fala algumas palavras”.
A humilhação imperdoável
Em 1803, os negros do Haiti ocasionaram uma tremenda derrota às tropas de Napoleão Bonaparte e Europa não perdoou jamais essa humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos haviam conquistado antes sua própria independência, porém conservava ainda meio milhão de escravos trabalhando nas plantações de algodão e de tabaco. Jefferson, que era senhor de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores.
A bandeira dos livres se içou sobre as ruínas. A terra haitiana havia sido devastada pele monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França. Uma terça parte da população havia caído em combate. Então, começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém comprava dela, ninguém lhe vendia, ninguém a reconhecia.
O delito da dignidade
Nem mesmo Simão Bolívar, que soube ser tão valente, teve a coragem de assinar o reconhecimento diplomático do país negro. Bolívar poderia ter reiniciado sua luta pela independência americana, quando já havia derrotado a Espanha, graças ao apoio do Haiti. O governo haitiano lhe havia entregado sete navios, muitas armas e soldados, com a única condição que Bolívar libertasse os escravos, uma idéia que ao Libertador não lhe passava pela cabeça. Bolívar cumpriu com esse compromisso, porém depois de sua vitória, quando já governava a Grande Colômbia, deu as costas ao país que o havia salvado. E quando convocou as nações americanas para a reunião do Panamá, não convidou o Haiti, mas sim a Inglaterra.
Os Estados Unidos reconheceram o Haiti depois de sessenta anos do final da guerra de independência, enquanto Etienne Serres, um gênio francês da anatomia, descobria em Paris que os negros são primitivos porque possuem pouca distância entre o umbigo e o pênis. Naquele instante, o Haiti já estava nas mãos de carniceiras ditaduras militares, que destinavam os famélicos recursos do país para pagar a dívida com ex-metrópole: a Europa havia imposto ao Haiti a obrigação de pagar à Francia una indenização gigantesca, como modo de ver-se perdoado por ter cometido o delito da dignidade.
A história do assédio contra o Haiti, que em nossos dias tem dimensões de tragédia, é também una história do racismo na civilização ocidental.
Publicado em 15 de Janeiro de 2010
http://www.cubadebate.cu/opinion/ 2010/01/15/ los-pecados- de-haiti/
O voto e o veto
Para apagar as nódoas da participação norte-americana na ditadura carniceira do general Cedras, os infantes de marinha levaram 160 mil páginas dos arquivos secretos. Aristide regressou acorrentado. Deram-lhe permissão para retomar o governo, mas o proibiram exercer o poder. Seu sucessor, René Préval, obteve quase 90 por cento dos votos, porém mais poder que Préval tem qualquer burocrata de quarta categoria do Fundo Monetário ou do Banco Mundial, ainda que o povo haitiano não o tenha sequer eleito com um voto apenas.
Mais que o voto, pode o veto. Veto às reformas: cada vez que Préval, ou algum de seus ministros, pede créditos internacionais para dar pão aos famintos, instrução aos analfabetos o terra aos camponeses, não recebe resposta, ou o contradizem ordenando-lhe: - Faça a lição! E como o governo haitiano nunca aprende que deve desmantelar os poucos serviços públicos que ainda permanecem, últimos pobres amparos para um dos povos mais desamparados do mundo, os professores acabam sempre por reprová-lo.
O álibi demográfico
No final do ano passado quatro deputados alemães visitaram o Haiti. Assim que chegaram, a miséria do povo os atingiu frontalmente. Então o embaixador de Alemanha lhes explicou, em Porto Príncipe, qual é o problema: - Este é um país demasiadamente povoado - disse-. A mulher haitiana sempre quer e o homem haitiano sempre pode.
E riu. Os deputados se calaram. Essa noite, um deles, Winfried Wolf, consultou as cifras. E comprovou que o Haiti é, com El Salvador, o país mais superpovoado das Américas, tanto quanto a Alemanha: tem quase a mesma quantidade de habitantes por quilometro quadrado. Em sua passagem pelo Haiti, o deputado Wolf não apenas foi atingido pela miséria: também ficou deslumbrado pela capacidade de expressar a beleza dos pintores populares. E chegou à conclusão de que o Haiti está superpovoado… de artistas.
Na realidade, o álibi demográfico é mais o menos recente. Até a alguns anos, as potências ocidentais falaram bem mais claro.
A tradição racista
Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando alcançaram seus dois objetivos: cobrar as dívidas do City Bank e revogar o artigo constitucional que proibia a venda de terras aos estrangeiros. Robert Lansing, então secretário de Estado, justificou a prolongada e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de se governar por si mesma, que possui “uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização”. Uno dos responsáveis pela invasão, William Philips, havia elaborado anteriormente a sagaz idéia: “Esse é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que tinham deixado os franceses”.
O Haiti havia sido a pérola da corona, a colônia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com força de trabalho escrava. No espírito das leis, Montesquieu o havia explicado sem travas na língua: “O açúcar seria demasiado caro se não trabalhassem os escravos para sua produção. Esses escravos são negros desde os pés até a cabeça e têm o nariz tão esmagado que é quase impossível ter deles alguma pena. Resulta impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma e sobretudo uma alma boa num corpo inteiramente negro”.
Em troca, Deus havia colocado um chicote na mão do feitor. Os escravos não se distinguiam por sua vontade de trabalho. Os negros eram escravos por natureza e vadios também por natureza; e a natureza, cúmplice da ordem social, era obra de Deus: o escravo devia servir ao amo e o amo devia castigar o escravo, que não mostrasse o menor entusiasmo na hora de cumprir com o desígnio divino. Karl von Linneo, contemporâneo de Montesquieu, havia retratado o negro com precisão científica: “Vagabundo, desocupado, negligente, indolente e de costumes dissolutos”. Mais generosamente, outro contemporâneo, David Hume, havia comprovado que o negro “pode desenvolver certas habilidades humanas, como o papagaio que fala algumas palavras”.
A humilhação imperdoável
Em 1803, os negros do Haiti ocasionaram uma tremenda derrota às tropas de Napoleão Bonaparte e Europa não perdoou jamais essa humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos haviam conquistado antes sua própria independência, porém conservava ainda meio milhão de escravos trabalhando nas plantações de algodão e de tabaco. Jefferson, que era senhor de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores.
A bandeira dos livres se içou sobre as ruínas. A terra haitiana havia sido devastada pele monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França. Uma terça parte da população havia caído em combate. Então, começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém comprava dela, ninguém lhe vendia, ninguém a reconhecia.
O delito da dignidade
Nem mesmo Simão Bolívar, que soube ser tão valente, teve a coragem de assinar o reconhecimento diplomático do país negro. Bolívar poderia ter reiniciado sua luta pela independência americana, quando já havia derrotado a Espanha, graças ao apoio do Haiti. O governo haitiano lhe havia entregado sete navios, muitas armas e soldados, com a única condição que Bolívar libertasse os escravos, uma idéia que ao Libertador não lhe passava pela cabeça. Bolívar cumpriu com esse compromisso, porém depois de sua vitória, quando já governava a Grande Colômbia, deu as costas ao país que o havia salvado. E quando convocou as nações americanas para a reunião do Panamá, não convidou o Haiti, mas sim a Inglaterra.
Os Estados Unidos reconheceram o Haiti depois de sessenta anos do final da guerra de independência, enquanto Etienne Serres, um gênio francês da anatomia, descobria em Paris que os negros são primitivos porque possuem pouca distância entre o umbigo e o pênis. Naquele instante, o Haiti já estava nas mãos de carniceiras ditaduras militares, que destinavam os famélicos recursos do país para pagar a dívida com ex-metrópole: a Europa havia imposto ao Haiti a obrigação de pagar à Francia una indenização gigantesca, como modo de ver-se perdoado por ter cometido o delito da dignidade.
A história do assédio contra o Haiti, que em nossos dias tem dimensões de tragédia, é também una história do racismo na civilização ocidental.
Publicado em 15 de Janeiro de 2010
http://www.cubadebate.cu/opinion/ 2010/01/15/ los-pecados- de-haiti/
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Deus te salve casa santa...
Para rememorar costumes quase esquecidos do nosso povo brasileiro,
mando-lhes este abraço de Dia de Reis. Papai Noel, de fato, é um invasor do
dia de Natal, um intruso, um usurpador que chegou ao Brasil por meio dos
ricos fazendeiros que rapidamente se tornaram importadores de costumes
americanos e europeus no começo do século vinte. Foi nas anotações antigas
de um desses grandes fazendeiros que encontrei as primeiras referências a
Papai Noel e à árvore de Natal.
Mas, na tradição do povo, o Dia de Reis era o dia em que se dava presentes
às crianças, para celebrar a visita dos Magos e o lugar da criança no
imaginário cristão. O Dia de Reis era, de fato, o primeiro dia da memória
cristã, o dia em que Jesus foi adorado porque reconhecido pela primeira vez,
o dia em que foi acolhido e então se fez homem.
Hoje esse lugar é ocupado pelo próprio Papai Noel.
E presente era doce, feito em casa, por mães e avós que procuravam esconder
a elaboração das dádivas. Nos presentes havia muito açúcar e muito amor. A
nossa verdadeira tradição popular do ciclo natalino vem da Europa do
Mediterrâneo – Portugal, Espanha, Itália. Não tem a malícia da compra e da
venda. Apenas a ternura ingênua de pessoas que faziam com as próprias mãos e
temperavam com o coração.
Perdemos a memória e trocamos de costumes: Papai Noel tomou conta do nosso
imaginário, com seu saco de mercadorias, agente do mercado, das vendas e do
lucro. Tomou o lugar inocente e belo dos Santos Reis, doadores de coisas
boas e saborosas feitas em casa.
No tempo das celebrações dos Santos Reis, o que media a vida era a fartura.
Pobre era quem não tinha o que comer, mas tinha amigos, aquele que,
portanto, podia ser ajudado pela comunidade, pela família, pela vizinhança,
e, nos momentos adversos, no mutirão comunitário para plantar e para colher.
Com Papai Noel chegou-nos uma nova concepção de pobreza e de humanidade.
Pobre é quem não pode comprar coisas que só existem no mercado. O pobre do
tempo de Papai Noel é o carente, aquele que não tem poder de compra, aquele
que não tem dinheiro. O nosso novo afeto tem medida, é quantitativo, mede-se
em moeda corrente. Pobre é quem é pobre de acesso àquilo que o capital
produz e vende.
É muito pobre essa pobreza! E muito triste.
Papai Noel mudou também a infância. Criança hoje é o imaturo que já maneja a
malícia da compra e da venda. A criança é hoje o objeto da mercadoria, não é
mais sujeito de coisa alguma. Nos tempos da festa dos Santos Reis, as
crianças não eram objeto, eram objetivo. Cada doce era um abraço, um
encontro, um beijo de ternura.
Deus te salve casa santa...
*José de Souza Martins*
São Paulo, 6 de janeiro de 2002
*P.S. Você pode ver este vídeo, gravado em 6 de janeiro 1999, com a Folia de
Reis de seu Simão, de 92 anos de idade, no bairro da Freguesia do Ó, em São
Paulo-SP, durante o rito da visita a uma casa de família na Rua Morais
Navarro. Uma bela surpresa esse registro, em plena metrópole, de um
antigo ritual da religiosidade da roça.*
**
http://www.youtube.com/watch?v=zs77F-unVHs&feature=related* *
Os Urbanitas
http://www.aguaforte.com/antropologia
mando-lhes este abraço de Dia de Reis. Papai Noel, de fato, é um invasor do
dia de Natal, um intruso, um usurpador que chegou ao Brasil por meio dos
ricos fazendeiros que rapidamente se tornaram importadores de costumes
americanos e europeus no começo do século vinte. Foi nas anotações antigas
de um desses grandes fazendeiros que encontrei as primeiras referências a
Papai Noel e à árvore de Natal.
Mas, na tradição do povo, o Dia de Reis era o dia em que se dava presentes
às crianças, para celebrar a visita dos Magos e o lugar da criança no
imaginário cristão. O Dia de Reis era, de fato, o primeiro dia da memória
cristã, o dia em que Jesus foi adorado porque reconhecido pela primeira vez,
o dia em que foi acolhido e então se fez homem.
Hoje esse lugar é ocupado pelo próprio Papai Noel.
E presente era doce, feito em casa, por mães e avós que procuravam esconder
a elaboração das dádivas. Nos presentes havia muito açúcar e muito amor. A
nossa verdadeira tradição popular do ciclo natalino vem da Europa do
Mediterrâneo – Portugal, Espanha, Itália. Não tem a malícia da compra e da
venda. Apenas a ternura ingênua de pessoas que faziam com as próprias mãos e
temperavam com o coração.
Perdemos a memória e trocamos de costumes: Papai Noel tomou conta do nosso
imaginário, com seu saco de mercadorias, agente do mercado, das vendas e do
lucro. Tomou o lugar inocente e belo dos Santos Reis, doadores de coisas
boas e saborosas feitas em casa.
No tempo das celebrações dos Santos Reis, o que media a vida era a fartura.
Pobre era quem não tinha o que comer, mas tinha amigos, aquele que,
portanto, podia ser ajudado pela comunidade, pela família, pela vizinhança,
e, nos momentos adversos, no mutirão comunitário para plantar e para colher.
Com Papai Noel chegou-nos uma nova concepção de pobreza e de humanidade.
Pobre é quem não pode comprar coisas que só existem no mercado. O pobre do
tempo de Papai Noel é o carente, aquele que não tem poder de compra, aquele
que não tem dinheiro. O nosso novo afeto tem medida, é quantitativo, mede-se
em moeda corrente. Pobre é quem é pobre de acesso àquilo que o capital
produz e vende.
É muito pobre essa pobreza! E muito triste.
Papai Noel mudou também a infância. Criança hoje é o imaturo que já maneja a
malícia da compra e da venda. A criança é hoje o objeto da mercadoria, não é
mais sujeito de coisa alguma. Nos tempos da festa dos Santos Reis, as
crianças não eram objeto, eram objetivo. Cada doce era um abraço, um
encontro, um beijo de ternura.
Deus te salve casa santa...
*José de Souza Martins*
São Paulo, 6 de janeiro de 2002
*P.S. Você pode ver este vídeo, gravado em 6 de janeiro 1999, com a Folia de
Reis de seu Simão, de 92 anos de idade, no bairro da Freguesia do Ó, em São
Paulo-SP, durante o rito da visita a uma casa de família na Rua Morais
Navarro. Uma bela surpresa esse registro, em plena metrópole, de um
antigo ritual da religiosidade da roça.*
**
http://www.youtube.com/watch?v=zs77F-unVHs&feature=related* *
Os Urbanitas
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domingo, 13 de dezembro de 2009
Igreja de São Miguel Arcanjo

Igreja de São Miguel Arcanjo, na Serra do Tigre, Mallet-PR:
a mais antiga construção religiosa ucraniana no Brasil, 1889-1903.
Crédito: BATISTA, Fábio D.; IMAGUIRE, Marialba R. G.; & CORRÊA, Sandra R. M.. Igrejas Ucranianas: arquitetura da imigração no Paraná. Curitiba: Instituto Arquibrasil & Petrobrás
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
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