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sábado, 14 de maio de 2016

1883: Alemanha torna-se potência colonial


No dia 9 de abril de 1883, o comerciante Adolf Lüderitz iniciou oficialmente a política colonialista alemã ao estabelecer-se na atual Namíbia. A Alemanha perdeu o território durante a Primeira Guerra Mundial.
A aventura e a ambição pela riqueza levaram um grupo de alemães, entre eles alguns comerciantes, a aportar na África em 1883. As terras por eles administradas logo passaram a protetorado alemão durante o governo de Otto von Bismarck.
No dia 9 de abril de 1883, o navio Tilly, do comerciante Adolf Lüderitz, de Bremen, ancorou numa peque na baía na costa africana. Hoje, a cidade ali fundada tem o nome de seu colonizador. Era o início do colonialismo alemão.
Em pouco tempo, no entanto, a experiência provou que os protetorados do então Império Alemão traziam mais problemas do que vantagens. Por volta de 1900, pertenciam à Alemanha o Sudoeste Africano Alemão (hoje Namíbia), Togo, Camarões, África Oriental Alemã (partes do que hoje é Tanzânia, Burundi e Ruanda), Nova Guiné Alemã (partes do que hoje é Papua-Nova Guiné), além de algumas ilhas do Pacífico e o protetorado de Kiautshu, na China.
A área total desses territórios era de 2,5 milhões de quilômetros quadrados, com uma população de aproximadamente 15 milhões de habitantes. Essas pessoas interessavam à Alemanha como mão de obra barata, já que a escravidão fora abolida.
Rebeliões reprimidas com violência
Nunca ninguém se preocupou em saber se os nativos tinham interesse em fazer parte do Império Alemão. As rebeliões eram sempre reprimidas violentamente. Em princípio, Otto von Bismarck aceitou participar do jogo, oferecendo proteção aos comerciantes lá estabelecidos.
No dia 26 de junho de 1884, Bismarck pronunciou-se da seguinte forma no Parlamento da época: "Nosso objetivo não é fundar províncias, mas empresas e negócios. Trata-se, em sentido figurado, de cultivar as plantas semeadas pelos comerciantes. Se por acaso uma delas definhar, não será culpa do governo, e sim de seus administradores".
Com o passar dos anos, a situação acabou extrapolando as expectativas. As áreas sob proteção cresceram tanto que o Império Alemão foi forçado a intervir para ajudar na administração, não só através de pessoal, mas também com subvenções.
As guerras coloniais consumiram as finanças e acabaram com a imagem do país. Durante a Primeira Guerra Mundial, foi impossível manter a segurança militar dos protetorados e eles acabaram sendo tomados pelos inimigos.


 Volker Vagener / Deutsche Welle

1884: Proteção imperial alemã sobre África do Sudoeste


No dia 24 de abril de 1884, o Império Alemão enviou o navio Nautilus, armado com canhões, a Angra Pequena, na costa sudoeste da África, hoje Namíbia. O primeiro protetorado alemão fora adquirido por um comerciante.
"No sul da costa ocidental da África, limitando ao norte com a zona tropical, encontra-se a África do Sudoeste, que se originou da primeira colônia da Alemanha – Angra Pequena, um nome que desde 1884 é conhecido de todos."
Com essa inofensiva descrição começa o capítulo "Deutsch- Südwest", do manual Colônias da Alemanha, escrito em 1898 por Rochus Schmidt, um comandante das tropas imperiais.
Em comparação com as grandes potências coloniais como, por exemplo, o Reino Unido e a França, que se apoderavam de novos territórios com objetivos políticos e rudeza militar, a breve e modesta atuação alemã no além-mar foi atípica e, em se tratando do chanceler Otto von Bismarck, até bastante cautelosa. Pelo menos foi assim na atual Namíbia – a ex-África do Sudoeste.
Ideia de um comerciante
Comerciante Franz Adolf Lüderitz
O coiniciador da delimitação do primeiro "protetorado alemão" foi Franz Adolf Eduard Lüderitz, comerciante de tabaco de Bremen. Ambicioso, Lüderitz atuara sem grande sucesso nos negócios com o sudoeste da África.
Fora dele a ideia de estabelecer uma base comercial nas costas daquela região desértica, para retomar o comércio de armas com os autóctones, iniciado pela Companhia das Missões Renanas. Além disso, ele pretendia burlar as taxas de importação cobradas pelos ingleses, que ocupavam a faixa costeira, a fim de controlar o comércio de armas.
Lüderitz sabia que logo seria barrado pelo britânicos, se a região que reivindicava para seus interesses econômicos não fosse colocada "sob proteção da bandeira alemã". Assim, fundamentou seu "pedido de proteção" com o argumento de que isso garantiria a exploração de enormes reservas minerais pela indústria alemã.
Receio da Inglaterra
Temendo atritos com a Inglaterra, Berlim relutou, inicialmente, dando a entender que Lüderitz deveria estabelecer a base comercial por conta própria.
O comerciante de Bremen acabou arrancando de Bismarck pelo menos a promessa verbal de uma proteção, mas com uma ressalva: era preciso conferir se a Inglaterra não tinha ou pretendia obter direitos de soberania sobre o território.
Bismarck não queria, de jeito nenhum, colidir com os interesses britânicos. Tanto maior sua irritação, ao saber através da imprensa em agosto de 1883, que a 12 de maio Lüderitz havia içado a bandeira alemã "em sinal de tomada de posse".
A colônia que a Alemanha não queria
Lüderitz chegou a dar a sua possessão caráter de soberania imperial, o que foi rejeitado por Berlim. Bismarck deixou claro que se tratava apenas de uma "propriedade particular de Lüderitz" na África do Sudoeste.
Otto von Bismarck
O "imperador de ferro" mandou verificar, mais uma vez, se a Inglaterra não tinha direitos sobre o território. "Caso a coroa britânica não tenha tomado posse, a soberania nacional pertence ao referido príncipe negro ou a Lüderitz, mas não ao Império Alemão", observou Bismarck.
Um dos princípios da política externa alemã do final do século 19 era respeitar o interesse de terceiros no fomento das relações comerciais com territórios do além-mar.
Apesar da impertinência de Lüderitz, o Ministério das Relações Exteriores deu-lhe proteção como a qualquer outro comerciante alemão no exterior, isto é, "proteção consular" para um alemão com propriedade particular fora do país.
Namíbia: colonizada e ocupada
A 24 de abril de 1884, Bismarck anunciou que enviaria o navio Nautilus, armado com canhões, a Angra Pequena. Foi o primeiro passo da Alemanha no sentido de tornar-se potência colonial.
Colonizada pelos alemães a partir de 1890, a Namíbia é um dos mais jovens países do mundo. Durante a Primeira Guerra Mundial, foi ocupada pela África do Sul, que, em 1920, recebeu da Liga das Nações um mandato para administrar o território.

A luta pela libertação eclodiu em 1966 e se arrastou até 21 de março de 1990, quando a independência entrou em vigor.

Volker Vagener / Deutsche Welle