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terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Depois de uma conversa com a poeta e ensaísta,Glaucia Machado na qual ela citou uma postagem que fiz, há tempos, no primeiro endereço do meu jaguadártico antro digital (www.jaguadarte.zip.net), fui conferir o tal escrito e encontrei, além dele, algo de que já não me recordava: uma das respostas que dei a uma série de questões formuladas por Rodrigo de Souza Leão e Jorge Lúcio de Campos (nunca soube se a entrevista foi afinal publicada).
***
P: Quais seriam, em sua opinião, as reais perspectivas da poesia no mundo contemporāneo? Discorra sobre o assunto.
R: A real perspectiva da poesia, hoje, é continuar existindo, a despeito dos inúmeros diagnósticos que afirmam que ela se encontraria em estágio terminal. Pura burrice. Ou, na melhor das hipóteses, má fé. Como pode a poesia desaparecer, se sequer começamos a compreender o que é poesia e o que ela de fato pode significar para as nossas vidas? Quanto a isso, não tenho a menor dúvida: poesia é forma de conhecimento – como a filosofia, a religião, o amor. O “mundo contemporâneo” pode nem saber que precisa da poesia, mas precisa, sim. Sou daqueles que, como Mário Faustino, crêem que “o poeta é, entre outras coisas, um dos homens que compõem a tribu prophétique, alimentadora da esperança dos homens, descortinando-lhes um futuro mais nobre.” Parece tão datado, isso, não parece? Mas é o que me orienta e me dá alento, quando penso no “papel” da poesia. Já há muita gente entregue à tarefa de anunciar o fim do mundo, da história, do amor, da poesia e de tudo.
Fonte : Ricardo Aleixo
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
eu até casaria com um negro, mas sei que ele sofreria muito.
o brasileiro é muito racista.
você não é brasileira?
sou, mas não sou racista. deus me livre. até já namorei um
negro. um negro lindo, tipo atleta. eu era louca por ele. era, não. ainda sou.
e não ficou com ele?
não. por causa do filho.
vocês tiveram um filho?
te falei. o filho que eu não teria coragem de ter com ele.
e isso não te faz infeliz?
claro que faz. mas a vida não é feita só de felicidade,
concorda? a vida é dura.
Ricardo Aleixo
queria lhe dizer uma coisa, rapaz: não devia falar tanto em
racismo. que o racismo é isso, que o racismo fez aquilo.
senhora.
você é tão inteligente e esforçado, que.
senhora, deixe eu lhe dizer uma.
que as pessoas nem reparam muito que você é negro.
senhora, me escute. por favor.
sabe que você fica até bonito quando fala em público?
a senhora já foi à merda?
hã? fale um pouquinho mais alto, filho.
a senhora já foi à américa?
ah! já! quando meu marido era vivo a gente ia lá uma vez por
ano. no mínimo.
parece com a senhora.
o que?
isso de ir à merda uma vez por ano. já pensou em morar lá?
ah! você é muito gentil. pensei, sim. um dia, quem sabe, não
é? bom, deu minha hora, preciso ir. diga à sua mãe que ela está de parabéns
pela educação que deu a você.
digo sim. ela vai ficar feliz de saber que encontrei alguém
como a senhora.
eu vou indo, então, querido. até outro dia.
ah! senhora! nunca deixe de ir à merda, ok?
está bem, filho, está bem. adeusinho.
Ricardo Aleixo
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