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domingo, 24 de março de 2013

O Arco e a Lira



"A distância entre a palavra e o objeto-que é o que obriga,justamente,cada palavra a tornar-se metáfora daquilo que designa- é consequência de outra: somente o homem adquiriu consciência de si,separou-se do mundo natural e se fez outro no seio de si mesmo. A palavra não é idêntica à realidade que nomeia porque entre o homem e as coisas -e, mais profundamente, entre o homem e o seu ser- se interpõe a consciência de si." Octavio Paz. O Arco e a Lira.

domingo, 12 de dezembro de 2010

VI




Falar-te-ei uma linguagem de pedra

(respondes com um monossílabo verde)

Falar-te-ei uma linguagem de neve

(respondes com um leque de abelhas)

Falar-te-ei uma linguagem de água

(respondes com uma canoa de relâmpagos)

Falar-te-ei uma linguagem de sangue

(respondes com uma torre de pássaros







Octavio Paz. Antologia Poética. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1984., p.72

Pedras soltas

7. Paisagem



Os insectos atarefados,

os cavalos cor de sol,

os burros cor de nuvem,

as nuvens, rochas enormes que não pesam,

os montes como céus desmoronados,

a manada de árvores bebendo no arroio,

todos estão aí, felizes no seu estar,

frente a nós que não estamos,

comidos pela raiva, pelo ódio,

pelo amor comidos, pela morte.





Octavio Paz. Antologia Poética. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1984., p.49

Destino de Poeta

Palavras? Sim, de ar,

e no ar perdidas.

Deixa-me perder entre palavras,

deixa-me ser o ar nuns lábios,

um sopro vagabundo sem contornos

que o ar desvanece.



Também a luz em si mesma se perde.





Octavio Paz. Antologia Poética. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1984., p.19
Etiquetas: Octávio Paz, poesia, poetas mexicanos


Lago



Tout pour l'oeil, rien pour les oreilles

Ch. B



Entre áridas montanhas

as águas prisioneiras

repousam, cintilam

como um céu caído.



Nada senão os montes

e a luz entre as brumas;

água e céu repousam,

peito a peito, infinitos.



Como o dedo que afaga

uns seios, um ventre,

estremece as águas,

delgado, um frio sopro.



Vibra o silêncio, bafo

de pressentida música,

invisível ao ouvido,

apenas para os olhos.





Octavio Paz. Antologia Poética. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1984., p.17

domingo, 1 de novembro de 2009

Orfeo, lo que de él queda (si queda),
lo que aún puede cantar en la tierra,
¿a qué piedra, a cuál animal enternece?
… Orfeo, lo que en él sueña (si sueña),
la palabra de tanto destino,
¿quién la recibe ahora de rodillas?
…Viene a cantar (si canta) a nuestra puerta,
ante toda las puertas. Aquí se queda,
aquí planta su casa y paga su condena
porque nosotros somos el Infierno.