Mostrando postagens com marcador nietzche. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador nietzche. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 14 de março de 2011

Ó homem! Presta atenção!
Que diz a meia-noite em seu bordão?
"Eu dormia, dormia...
Fui acordada de um sonho profundo:
profundo é o mundo!
E mais profundo do que pensa o dia.
Profundo é o seu sofrimento-
E o prazer- mais profundo que a ansiedade.
A dor diz : "Passa , momento ! "
Mas quer todo o prazer eternidade-
Quer profunda, profunda eternidade ! "

        Nietzshe. "Assim falou Zaratustra "

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O Fanal

Aqui, onde entre mares cresceu a ilha,

pedra e ara súbito como torre erguida,

aqui ascende sob um negro céu

Zaratustra os seus fogos das alturas,-

fanal para navegantes sem rumo,

ponto de interrogação para os que têm resposta...



Esta chama de ventre esbranquiçado

-sua cobiça lança línguas a distâncias frias,

dobra o pescoço para alturas mais puras -

cobra erguida a pino, de impaciência:

este sinal o pus eu em frente a mim.



A minha própria alma é esta chama:

insaciável de distâncias novas,

lança ao alto, ao alto o seu ardor silente.

Porque fugira Zaratustra dos bichos e dos homens?

porque se escapou de repente de toda a terra firme?



Seis solidões conhece ele já -,

mas o seu próprio mar não lhe era solitário bastante,

a ilha deixou-o subir, sobre o monte ele se fez chama,

a uma sétima solidão

lança buscando agora o seu anzol por sobre a fonte.



Navegantes sem rumo! Destroços de astros velhos!

Ó mares de futuro! Ó céus inexplorados!

Lanço agora o anzol a tudo o que é solitário:

dai resposta à impaciência da chama,

agarrai para mim, pescador nos altos montes,

a minha sétima última solidão! -



Friedrich Nietzsche (1844-1900) in Rosa Do Mundo 2001 poemas para o futuro

2. ed. Assírio & Alvim, 2001
«Todos os impulsos, as emoções, as manifestações de vontades imagináveis, todas estas contingências da alma humana lançadas pela razão na imensidade negativa da noção de «sentimento», podem ser expressas por meio da multidão infinita das melodias possíveis, mas sempre exclusivamente na generalidade da forma pura, sem a substância, sempre somente como coisa em si, e não como aparência, de algum modo como a alma da aparência, incorporalmente. Esta relação íntima, que existe entre a música e a verdadeira essência de todas as coisas, explica-nos também por que, quando com pretexto de uma cena, de uma acção, de um evento, de um ambiente qualquer, ressoa uma música adequada, esta parece revelar-nos a significação mais secreta e afirmar-se como o mais exacto e mais luminoso dos comentários; compreendemos igualmente como é que aquele que se abandona sem reservas à impressão produzida por uma sinfonia julga ver desenrolar-se perante os seus olhos todos os acontecimentos imagináveis da vida e do mundo.»




Nietzsche, 1872

in A Origem da Tragédia

Guimarães Editores, p.130