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quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Um homem não chora


José Craveirinha – 

Um homem não chora
Acreditava naquela historia
do homem que nunca chora.

Eu julgava-me um homem.

Na adolescência
meus filmes de aventuras
punham-me muito longe de ser cobarde
na arrogante criancice do herói de ferro.

Agora tremo.
E agora choro.

Como um homem treme.
Como chora um homem!





sábado, 13 de julho de 2013

Poemas do moçambicano José Craveirinha

SEM ALMA

Recuso
meu corpo.

Companheiro desolado
ele foge de sua alma
quando por instantes
a ternura do diabo
me toma.

José Craveirinha.


GULA

Uivam
as suas maldições
as insidiosas hienas
própria sanha.

Rituais
de tão escabrosa gulodice
que até nos esfomeados
aldeões da tragédia
a gula dos quizumbas
se baba nas beiças
das catanas,
dos machados.

José Craveirinha


A BOCA

Jucunda boca
deslabiada a ferozes
júbilos de lâmina
afiada.

Alva dentadura
antónima do riso
às escancaras desde a cilada.

Exotismo de povo flagelado
esse atroz formato
da fala.


 SUELTO

No laboratório
o lobo dirige a radioatividade
e concentra o cobalto.

Na igreja
pequenos esqueletos juntam
no catecismo os metacarpos
e rezam.

José Craveirinha


DE PROFUNDIS

Possessos de sangue
em abrenúncios
de gritos

Ao rosnar
da súcia,
em de profundis de facas.


José Craveirinha

José Craveirtinha -- Antologia Poética", organizado por Ana Mafalda Leite e publicado pela editora da Universidade Federal de Minas Gerais, na coleção "Poetas de Moçambique".

Fonte: Cláudio Daniel

domingo, 7 de agosto de 2011

Eu sou carvão !
e tu arrancas-me brutalmente do chão
e fazes-me tua mina patrão.

José Craveirinha