Mostrando postagens com marcador jean-arthur rimbaud. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador jean-arthur rimbaud. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

CANÇÃO DA MAIS ALTA TORRE




Inútil beleza
A tudo rendida,
Por delicadeza
Perdi minha vida.
Ah! que venha o instante
Que as almas encante.

Eu me digo: cessa,
Que ninguém te veja:
E sem a promessa
Do que quer que seja.
Não te impeça nada,
Excelsa morada.

De tanta paciência
Para sempre esqueço:
Temor e dolência
Aos céus ofereço,
E a sede sem peias
Me escurece as veias.

Assim esquecidas
Vão-se as Primaveras
Plenas e floridas
De incenso e de heras
Sob as notas foscas
De cem feias moscas.

Ah! Mil viuvezas
Da alma que chora
E só tem tristezas
De Nossa Senhora!
Alguém oraria
À Virgem Maria?

Inútil beleza
A tudo rendida,
Por delicadeza
Perdi minha vida.
Ah! que venha o instante
Que as almas encante!

 - Rimbaud

Maio, 1872

Tradução: Augusto de Campos

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009


Frases



Quando o mundo estiver reduzido a

um só bosque negro para os nossos quatro

olhos espantados - a uma praia para duas

crianças fiéis - a uma casa musical para

a nossa clara simpatia - encontrar-vos-ei.



Quando só haja aqui um velho solitário,

belo e calmo, rodeado de um «luxo

inaudito» - a vossos pés estarei.



Quando eu assumir a vossa ânsia

toda - seja eu aquela que vos estran-

gula - e estrangular-vos-ei.





------



Quando somos muito fortes - quem

foge?muito alegres - quem cai no ridí-

culo? Quando somos muito maus, que

fariam de nós?



Alindai-vos, dançai, desatai a rir.- Eu

nunca poderia atirar o Amor pela janela.



(...)



Jean-Arthur Rimbaud

in Iluminações

Estúdios Cor

Tradução Mário Cesariny